BILHÕES PARA RIOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, anunciou que os governos Federal e de São Paulo investirão R$ 2,1 bilhões em melhorias na Hidrovia Tietê–Paraná, cuja navegabilidade tem sofrido com o baixo nível de águas em razão da seca que impacta São Paulo. “Estamos acabando de finalizar essa parceria, que tem de ser depois da chuva e começa no início do segundo semestre de 2015”, disse durante a divulgação do Plano de Escoamento da Safra 2014/2015, que prevê ações integradas dos ministérios da Agricultura, Portos e Transportes.

Segundo Rodrigues, as obras incluem a construção de um novo terminal no Tietê na região de Araçatuba. O Governo Federal irá assumir uma parcela de R$ 1,19 bilhão do total previsto. Recém-empossado como ministro da principal pasta de infra-estrutura, Rodrigues não soube detalhes do projeto.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

PETROBRAS É CASO DE DESTRUIÇÃO DE VALOR PARA DAMODARAN
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

A crise enfrentada pela Petrobras está reverberando mundo afora. Também pudera. Com uma base de acionistas extensa e pulverizada e dada sua relevância global, a empresa está no foco das atenções dos mais variados públicos. E desta vez foi um representante do meio acadêmico que teceu fortes críticas à situação da companhia, mesmo sem mencionar os episódios de corrupção.

Em texto extenso publicado em seu blog na terça-feira, o indiano Aswath Damodaran, professor de finanças corporativas da Stern School of Business, na Universidade de New York, fez uma espécie de retrospectiva da história da Petrobras, colocando os interesses centrais do governo desde a abertura de capital, com uma ingerência política que vem marcando as diferentes fases da empresa.

O acadêmico endureceu o tom principalmente em relação à destruição de valor de mercado da companhia, com a perda de US$ 160 bilhões desde o pico em 2010 (próximo de US$ 244 bilhões), e antes mesmo da queda do petróleo, que reforçou a tendência nos últimos meses.

"Colocado em termos brutalmente diretos, se você recebeu um negócio valioso e com o objetivo perverso de destruí-lo completa e rapidamente, você deve replicar o que a Petrobras tem feito em cinco etapas", assinala Damodaran, que descreve um roteiro da "tempestade perfeita para a destruição de valor".

"Invista primeiro, preocupe-se com retornos mais tarde (talvez nunca)" é o primeiro passo citado. Para ilustrá-lo, o guru das finanças corporativas aponta que, de 2009 a 2014, a Petrobras intensificou as despesas de capital e custos de exploração a mais de 35% das receitas, enquanto o retorno sobre o capital caiu para 5%, mesmo com o barril de petróleo cotado a cerca de US$ 100,00 na maior parte do período.

"Cresça, baby, cresça, e a rentabilidade que se dane." Essa foi a segunda etapa vivida pela estatal, caracterizada pelo professor como um crescimento disfuncional, com as receitas saltando de 1997 para 2014, em meio à queda drástica das margens de lucro. E o governo contribuiu para esse movimento, segundo ele, diante das pressões para a Petrobras vender gasolina a preços subsidiados no Brasil.

"Pague dividendos como uma empresa de serviços públicos (mesmo que você não seja uma)" responde pelo terceiro passo do processo, conforme o indiano. Em meio ao histórico da petroleira em pagar fartos dividendos aos acionistas, Damodaran diz que as ações preferenciais vieram com exigência de pagamento de dividendos onerosos, quando há uma ambição de crescimento por parte de uma empresa.

"Tome dinheiro emprestado para cobrir o déficit de caixa" é a quarta etapa descrita. A crítica do professor reside na dependência de contratação de dívidas pela Petrobras para se financiar, o que a levou a ter um endividamento total de US$ 135 bilhões ao fim do ano passado, acima de qualquer outra petroleira no mundo.

"Destrua valor (missão cumprida)", afirma o acadêmico, no passo final. Ao investir e crescer muito sem prestar atenção à rentabilidade, pagar dividendos com os quais você não pode arcar e tomar emprestado mais recursos do que deveria, foi criada a tempestade perfeita para a destruição de valor da companhia.

"A forma como a Petrobras tem sido gerida desafia o senso comum e os princípios básicos de finanças corporativas, de forma que, se eu fosse um adepto da teoria da conspiração, estaria praticamente pronto para comprar a ideia de que isso tudo é parte de um plano diabólico criado por gênios do mal para destruir a empresa", afirma. "Aprendi, contudo, por meio de uma dura vivência, que não se deve atribuir à maldade o que pode ser explicado por ganância, abuso de poder e sistemas ruins de incentivos."

Acompanhando à substituição de Graça Foster por Aldemir Bendine na presidência da Petrobras, o acadêmico, que não quis tecer comentários sobre o novo executivo por não conhecê-lo, deu sugestões sobre o que ele pode fazer nas próximas semanas.

São elas: contratar um diretor de operações que conheça o negócio petroleiro e delegar responsabilidades operacionais para ele; demitir qualquer pessoa na cúpula da gestão que tenha qualquer conexão política; alinhar-se aos conselheiros que representam os acionistas minoritários e defender um conselho mais independente e transparente; recusar-se a vender combustível subsidiado; fazer pressão para haver apenas uma classe de ações com direitos iguais de voto e cortar os dividendos a zero; tirar os investimentos em exploração do piloto automático e reduzir o foco no crescimento para o bem dele; e começar a pagar suas dívidas.

O pior que poderá acontecer, prossegue Damodaran, será a demissão de Bendine, mas, se ela ocorrer, o acadêmico avalia que o executivo poderá usá-la como um "distintivo de honra", uma vez que sua reputação será reforçada e ele vai sair da situação tido como herói. Se prosseguir com a empresa sem fazer mudanças, Damodaran assinala que não só Bendine vai enfrentar o mesmo destino de Graça Foster, como vai presidir a destruição final do que um dia foi a "joia da coroa do Brasil".
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

ITALIANOS E CEARENSES FARÃO ESTALEIRO
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

A empresa cearense RB Aquicultura, em parceria com a italiana Dellapasqua, investirá cerca de R$ 20 milhões na construção de um estaleiro de médio porte nas margens do rio Coreaú, em Camocim. O empreendimento fabricará embarcações de fibra, de tamanhos médios entre 12 e 14 metros, para a pesca do atum.

O terreno do estaleiro já está comprado e é de posse da RB Aquicultura. A construção deve iniciar em meados de junho deste ano, mas ainda depende de liberação de licenças pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

Serão produzidas 50 embarcações por ano para o mercado nacional e internacional. “O barco atual de atum consegue trazer de 10 a 12 toneladas e esses vão trazer de 12 a 20 toneladas”, diz o sócio-diretor da RB Aquicultura, Max Mapurunga.

No Brasil, são cerca de 20 mil licenças para pesca e Mapurunga acredita que pode alcançar 20% desse mercado. Ou seja, 4 mil embarcações. “O barco é feito de fibra, tem capacidade de giro a bordo, consome uma média de 20% menos combustível que outras embarcações e é ecologicamente correto”, explica. Ele acrescenta ainda que não está definida a participação de cada uma das empresas no estaleiro, mas adianta que deve ser de 50%.

Fábrica de enlatados
A RB Aquicultura também tem parceria com o grupo espanhol Crusoé Food, que possui uma fábrica de enlatados de atum no município de São Gonçalo do Amarante. A ideia é que Dellapasqua produza barcos, os comercialize e, para quem comprar e pescar no Ceará “terá a segurança de que vai ter a pesca do atum absorvida pela Crusoé”, detalha Mapurunga.

No Brasil, o foco é atingir o Norte e Nordeste. “O pescado representa cerca de 2% do PIB (Produto Interno Brito) do Estado e a gente pode dobrar esse índice. Então, nosso objetivo é transformar o Ceará em um polo atuneiro, que abastecerá a fábrica da Crusoé, que tem capacidade para 250 mil latas de sardinha por dia, e mandará matéria prima também para a Espanha”, declara.

Mapurunga diz que, apesar do investimento ser do setor privado, precisa de capacitação de mão de obra, por meio de apoio governamental. “O Ministério da Pesca e Aquicultura está dando todo apoio, mas o Governo do Estado ainda não recebeu o setor”, critica. O Estado vai entrar apenas com parte de incentivos fiscais.

Protocolos
A titular da Secretaria de Desenvolvimento do Estado (SDE), Nicolle Barbosa, afirma que há quatro intenções para empreendimentos voltados para a indústria da pesca no município de Camocim.

Além da Dellapasqua, seguem com intenção de instalação: fábrica de lanchas e iates de luxo do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nélson Piquet; estaleiro da empresa alemã Nordic Yard com a empresa russa JSC Shipbuilding & Ship Repair Technology Center; e fábrica de rebocadores da maranhense Internacional Marítima, com empresa holandesa.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

CSP SERÁ AGORA A PRIORIDADE DO CE
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Perdida a refinaria de petróleo da Petrobras, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) passa a ser a prioridade do governo do Estado, em termos de empreendimento estruturante de base, em paralelo com o terminal portuário do Pecém. Com o avanço das obras da usina, representantes da CSP reuniram-se no fim da tarde de ontem, com o governador Camilo Santana, no sentido de identificar as pendências e apontar as responsabilidades de cada parte para evitar atrasos no início das operações, previstas para 2016.

Na reunião, foram discutidos o andamento das obras da correia transportadora de minério do Porto para o empreendimento; o desenvolvimento dos trabalhos de construção uma nova ponte no terminal portuário, o fornecimento de água para a siderúrgica, bem como novas estratégias de segurança para a região do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), em São Gonçalo do Amarante.

Reuniões mensais

Participante do encontro, o secretário chefe de gabinete do governador, Élcio Martins, disse que a proposta é detalhar as pendências, definir responsabilidade e traçar um cronograma de atividades. Para tanto, ficou acertado entre governo do Estado e CSP que, a partir de agora, as reuniões serão mensais, sempre na primeira quarta-feira de cada mês - até o início definitivo das operações da usina.

Martins ratificou matéria divulgada na edição de ontem, com exclusividade, pelo Diário do Nordeste, em que o governo já projeta estudos para o uso de água dessalinizada do mar e tratada dos esgotos de Fortaleza, para abastecer o Cipp. Ele ressaltou, no entanto, que para a primeira fase de produção de ação da usina, os recursos hídricos já estariam garantidos, por meio do Eixão das Águas.

Cenários

"Os cenários que já começamos a discutir é para (o abastecimento hídrico) daqui a 20 ou 30 anos, não apenas para a segunda fase da CSP, mas para todo o Complexo Industrial do Pecém e para todo o Ceará", destacou Martins. Segundo ele, a própria usina irá ajudar nesse processo, a partir da perspectiva de que a siderúrgica irá reutilizar mais de 90% da água consumida.

Com o crescimento no fluxo de pessoas, de cargas e de investimento no Cipp, a segurança é outro fator que, conforme explicou Martins, demanda olhar especial por parte do governo.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

WILLIAMS BRASIL: 18 NAVIOS AGUARDAM PARA EMBARCAR AÇÚCAR NOS PORTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Grande quantidade será embarcada no Porto de Santos

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 19 para 18 na semana encerrada em 11 de fevereiro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil.



O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 28 de fevereiro. Foi agendado o carregamento de 677,40 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 572,80 mil t, ou 85% do total. Maceió responderá pelos 15% restantes (104,60 mil t).

Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 71,40 mil t. No da Rumo, estão agendadas 501,40 mil t no período analisado. A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 655,50 mil toneladas. Os embarques do B-150 somam 20,90 mil t. Não há agendamentos para o cristal A-45. O A-45 e o B-150 são embarcados ensacados.
Fonte : Globo.com
Data : 13/02/2015

GOVERNO TENTA ATRAIR CONCESSÕES PARA MODERNIZAR PORTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Ministro-chefe da Secretaria de Portos informou que o governo analisa modelos internacionais para definir a modelagem a ser aplicada no Brasil

O governo busca firmar contratos de longo prazo com empresas especializadas em serviços de dragagem para manter a capacidade dos portos brasileiros de receber embarcações de grande porte. "Buscamos uma solução definitiva", disse ao Estado o ministro-chefe da Secretaria de Portos, Edinho Araújo. "Assim como fizemos concessões de rodovias, podemos fazer a concessão da malha líquida."

As concessões em dragagem e também em hidrovias foram anunciadas pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso de posse. O ministro informou que o governo analisa modelos internacionais para definir a modelagem a ser aplicada no País. Uma possibilidade é conceder o serviço em um grupo de portos, o que permitirá às empresas utilizar os equipamentos numa espécie de rodízio. Outra possibilidade é fazer porto a porto.

O governo tem enfrentado dificuldades para contratar serviços de dragagem para o Porto de Santos (SP). Na terça-feira, foi lançado o terceiro edital, cujas propostas devem ser entregues até março. As duas tentativas anteriores fracassaram. O governo não conseguiu ofertas na faixa de preço pretendida. O ex-ministro dos Portos César Borges chegou a falar na existência de um cartel. Desta vez, o prazo do contrato foi reduzido de três anos para 17 meses. Pelo serviço, o governo se dispõe a pagar R$ 378,5 milhões.

Outra novidade em preparação para o segundo mandato de Dilma é um plano de cabotagem para transportar cargas por navios entre os portos nacionais. Isso é visto como uma forma de reduzir custos de frete e desafogar as rodovias. O plano, em elaboração, pode envolver desoneração tributária para a construção de embarcações, admitiu o ministro. A falta de navios para cabotagem é um dos principais gargalos para desenvolvimento do serviço.

O governo chegou a elaborar, em 2013, um programa de estímulo para o setor. Mas nem chegou a anunciá-lo, por falta de espaço fiscal para estímulos tributários. Agora, os estudos foram retomados, em conjunto com o Banco Mundial. Edinho Araújo espera as conclusões em junho.

Num ano difícil para os investimentos por causa do ajuste fiscal, dos eventuais racionamentos de água e energia e da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, a Secretaria de Portos é vista no governo como uma área capaz de gerar boas notícias. As investigações pouco atingem as empresas do setor, ao contrário do que ocorre nas áreas de rodovias, aeroportos e energia.

Araújo prometeu autorizar, até março, a prorrogação do contrato de arrendamento da Santos Brasil - que está para vencer em alguns anos, mas permite uma prorrogação. A empresa pretende investir R$ 3,126 bilhões na modernização de suas instalações. Esse contrato faz parte de um conjunto de quatro que estão sobre a mesa do ministro, com investimentos totais de R$ 6,5 bilhões. "Vamos dar celeridade a eles no primeiro semestre."

A nova Lei dos Portos permite a prorrogação antecipada dos contratos firmados após 1993, em troca de investimentos. Os pedidos são analisados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e submetidos à SEP. No momento, a agência analisa outros 23 pedidos, que somam R$ 4,7 bilhões em investimentos. Também resultado da nova lei, já foi autorizada a instalação de 38 Terminais de Uso Privado (TUPs), que somam investimentos de R$ 11 bilhões. Há mais 48 pedidos em tramitação, que somam R$ 12,9 bilhões.

Indicado ao cargo pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e deputado eleito pelo PMDB de São Paulo, Araújo admite que a discussão sobre troca de comando nas companhias docas, subordinadas à pasta, é "inevitável". Segundo ele, os critérios serão "eficiência, competência e nenhum preconceito contra políticos". Em 2012, durante a discussão do novo marco regulatório dos portos, a politização das docas foi apontada pelo próprio governo como causa da má gestão do serviço no País.
Fonte : Globo.com
Data : 13/02/2015

IBGE PREVÊ SAFRA RECORDE ESTE ANO, APESAR DA SECA
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

A safra nacional de grãos deve render 201,3 milhões de toneladas aos agricultores em 2015, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas a mais do que a produção já recorde registrada no ano passado, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Não fosse a forte estiagem que atinge o País, o montante seria ainda maior. A estimativa para este ano é 0,7% inferior à previsão divulgada anteriormente pelo instituto, no terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola de 2015.

A falta de chuvas que afeta algumas regiões do País levou à redução das expectativas dos agricultores. A soja renderá 770 mil toneladas menos do que o esperado, enquanto o milho de segunda safra terá produção menor em 924 mil toneladas.

A estiagem atrasou o plantio de soja em algumas regiões, o que prejudicou também a entrada do milho de segunda safra nas áreas que recebem primeiro a soja. "Houve uma área importante de Mato Grosso que atrasou o plantio (de soja), isso está diminuindo a área do milho de segunda safra. Também há uma questão econômica: o preço do milho não está atrativo, está abaixo do custo de produção. Muito produtor está receoso se vai plantar o cereal ou não", explicou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

Milho

O forte calor e o atraso nas chuvas prejudicaram ainda a qualidade do milho já plantado na primeira safra. "A planta de milho está com tamanho normal, mas quando abre a espiga não tem grão nenhum. Não vai ter semente. Faltou água no momento da floração mesmo", disse o pesquisador.

Apesar da revisão, o Brasil registrará nova safra recorde de soja em 2015. A produção deve totalizar 95,517 milhões de toneladas, 10,5% maior que a de 2014, graças a um aumento na área plantada. "A soja ocupou área de milho de primeira safra, de algodão, de arroz", disse Andreazzi.

Caso as previsões do IBGE para 2015 se confirmem, o País terá condições ainda de assegurar o consumo interno do prato mais tradicional brasileiro: o arroz com feijão. A produção de feijão está estimada em 3,406 milhões de toneladas - incluindo as três safras do produto -, um aumento de 5,7% em relação a 2014.

Feijão

O consumo interno de feijão é de 3,35 milhões de toneladas ao ano, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A recuperação de 6,2% no rendimento médio ocorreu graças a uma estiagem mais branda do que a verificada em 2014. A melhora no pre- ço do produto também incentivou o plantio do feijão de segunda safra.

"O preço aumentou de setembro para cá, isso pode melhorar a nossa expectativa de feijão de segunda safra", comentou o gerente do IBGE. Quanto ao arroz, a produção será de 12,546 milhões de toneladas em 2015, alta de 3,3% ante 2014. O consumo interno do grão é de 12 milhões de toneladas.

Já o café brasileiro deve ter em 2015 o seu terceiro ano consecutivo de baixa. A estimativa de produção é de 2,6 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% em relação a 2014.
Além dos prejuízos à lavoura causados também pela estiagem, houve recuo na área plantada devido aos altos custos de produção e à falta de investimentos no campo por causa de preços baixos praticados em anos anteriores. "Tem muito café que ainda é colhido manualmente, então o custo de produção fica caro. As máquinas para colheita são caríssimas, o pequeno produtor não consegue acompanhar e para de plantar", justificou o gerente de Coordenação de Agropecuária.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

MINISTRO ESPERA QUE TCU APROVE LOGO ARRENDAMENTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

O ministro-chefe da Secretaria dos Portos (SEP), Edinho Araújo (PMDB), disse nesta quinta-feira que espera ter em breve a aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) para a realização dos primeiros arrendamentos portuários. "Temos uma expectativa muito positiva de que o TCU possa apreciar o Bloco 1, diretamente ligado a Santos e Pará, e depois avançar nos demais blocos", disse, sem dar um prazo para que isso aconteça.

"Minha expectativa é positiva tendo em vista o diálogo que temos mantido com Tribunal de Contas", afirmou. De acordo com ele, tão logo a modelagem seja aprovada no TCU, a SEP já estará em condições em dar andamento aos processos.

As licitações, assim como a renovação dos arrendamentos portuários e a liberação de novos Terminais de Uso Privado (TUPs), estiveram no centro das discussões de uma reunião realizada hoje entre o ministro e diversos atores do setor portuário paulista, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Essa era a pauta: investimentos, e ninguém melhor para responder imediatamente (a isso) que o setor privado, tendo em vista a possibilidade de implantação de TUPs, as licitações, os novos arrendamentos e as antecipações de arrendamentos", disse. "Com isso você antecipa também novos empregos e modernização dos portos, que é fundamental para exportação e para torná-los cada vez mais competitivos", acrescentou.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

PETRÓLEO SOBE COM ALERTA DA SHELL
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

Os preços do petróleo encerraram o dia em alta na quinta-feira, em reação ao alerta da Shell de que os preços poderão se recuperar rapidamente, caso muitos projetos de produção sejam cancelados, e à baixa do dólar diante das principais moedas. Muitos traders compraram o tipo Brent para cobrir posições antes do vencimento dos contratos para março na Intercontinental Exchange (ICE) na quinta-feira, após o fechamento.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos para março fecharam a US$ 51,21 por barril, em alta de US$ 2,37 (4,85%). Na ICE, os contratos para março fecharam a US$ 57,05 por barril, em alta de US$ 2,39 (4,37%). Já os contratos do Brent para abril foram cotados a US$ 59,28 por barril, em alta de US$ 3,36 (6,01%).

Para o analista Phil Flynn, do Price Futures Group, "o cessar-fogo na Ucrânia reduzirá as possibilidades de novas sanções contra a Rússia, o que deve ajudar a perspectiva de crescimento da região". "Há várias razões levando ao movimento de cobertura de posições. Ninguém quer ficar sentado segurando a bolsa se os preços continuarem a subir", disse Peter Donovan, da Liquidity Energy.

Ouro

O preço do ouro também subiu, justamente no rastro da queda do dólar frente a principais moedas e aos indicadores fracos de pedidos de auxílio-desemprego e vendas no varejo nos EUA.

A alta do ouro foi limitada por causa do informe do Conselho Mundial do Ouro (uma associação de mineradoras) de que a demanda global pelo metal caiu 4% em 2014, para 3.924 toneladas; a queda da demanda na China foi de 38%, para 814 toneladas.

Na Comex, divisão de metais da Nymex, os contratos do ouro para abril fecharam a US$ 1.220,70 por onça-troy, em alta de US$ 1,10 (0,09%). Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

BRASKEM DESISTE, POR ORA, DE PROJETO NO COMPERJ

Companhia decide pela expansão da produção em Duque de Caxias, após identificar que haverá maior taxa de retorno do que a construção de uma unidade em Itaboraí

A petroquímica Braskem concluiu estudos sobre a adição de capacidade produtiva no Rio de Janeiro e decidiu pela expansão de sua produção no município de Duque de Caxias, desistindo por ora do projeto no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O projeto da Braskem no Comperj previa a construção de uma unidade petroquímica na cidade de Itaboraí, mesmo local onde a Petrobras constrói uma refinaria de petróleo. Porém, uma decisão vinha sendo adiada pela Braskem, cuja ideia era utilizar o gás do pré-sal como matéria-prima para alimentar o complexo petroquímico. Segundo o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, a companhia identificou que haveria maior taxa de retorno ampliando a produção do parque atual em Duque de Caxias do que se a companhia iniciasse uma nova unidade do zero.

"Havendo matéria-prima, o melhor uso é primeiro aproveitando o parque industrial existente em Duque de Caxias, antigamente chamado Rio Pol, e somente depois disso faria sentido avançar em um projeto 'greenfield' em Itaboraí", afirmou Fadigas na quinta-feira, após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2014. A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2014 com alta anual de 17% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a R$ 1,359 bilhão.

A Petrobras anunciou no fim de janeiro que passou a revisar o cronograma de construção do Comperj e da Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, como um dos efeitos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Matéria-prima

Segundo a Braskem, o avanço dos planos da companhia para ampliar as instalações em Duque de Caxias dependerá da viabilização de um contrato de longo prazo para o fornecimento de matéria-prima pela petroleira.

"Não é que ele (projeto do Comperj) não existe mais. Em algum lugar os estudos estão arquivados. Talvez num futuro fa- ça sentido econômico, mas nosso empenho é mais para crescimento de capacidade em Duque de Caxias."

A Braskem possui na cidade uma unidade de petroquímicos básicos e outra de produção de resinas termoplásticas. A companhia não chegou a fazer investimentos relevantes no Comperj. Até o momento, havia apenas estudos de engenharia e diálogos com Petrobras e governos. Procurada, a Petrobras não havia se pronunciado sobre o assunto até o fechamento desta edição.

A Braskem também informou que está em conversas com a nova administração da Petrobras para um terceiro aditivo ao contrato de fornecimento de nafta para a petroquímica. "Parece mais factível trabalharmos uma solução (para o contrato de nafta) que dê tempo a essa equipe para se familiarizar com o assunto. Já fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria uma meta realista e possível", disse Fadigas, acrescentando que considera como baixa a probabilidade da empresa alcançar uma solução de longo prazo para o impasse com a estatal.

Fadigas acrescentou que a Braskem tem demandas para melhorar o aditivo do contrato, mas que o "tempo não está a nosso favor", indicando que o preço da nafta deve ser mantido em aberto. "Está longe de ser o ideal, mas entendemos que dos males, o menor", acrescentou o executivo.

O contrato atual de fornecimento de nafta vence no fim deste mês. A Petrobras tem usado a nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica.

A Braskem tem contestado a postura da estatal e Fadigas afirmou manter a posição, já que considera que os custos de importação "não são pertinentes à indústria química", que não teria condição de absorvê-los.

Atualmente, a Braskem importa 30% das necessidades de nafta e, segundo Fadigas, não seria economicamente viável nem razoável para a indústria elevar esse patamar. "O setor não foi construído para operar com matéria-prima importada", disse.

Para 2015, a Braskem espera uma demanda por resinas neutras no mercado interno, em linha com as atuais projeções para o Produto Interno Brasileiro (PIB) e após ter previsto demanda estável em 2014 e observado um recuo de 1% no mercado ante o ano anterior.

Mercado

Em termos de petroquímicos, a Braskem disse ver o mercado equilibrado pelo menos até 2017, com bons spreads internacionais e boa demanda.

Sobre a crise hídrica, Fadigas afirmou que a Braskem está acompanhando o quadro de restrição de água, mas que não espera um impacto relevante na empresa por conta de investimentos feitos em reaproveitamento.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

CAI IMPORTAÇÃO DE EMPRESAS DO AGRONEGÓCIO
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

As empresas ligadas ao agronegócio se anteciparam, em 2014, ao atual estágio da economia nacional e aos novos rumos que a agricultura brasileira deverá ter neste ano. Reduziram as importações voltadas para o setor.

As compras a serem feitas neste ano, devido à aceleração da valorização do dólar, deverão representar um custo maior para os produtores, quando repassados esses produtos para o campo.

As 38 empresas ligadas ao setor, entre as 250 principais listadas pelo Ministério do Desenvolvimento, reduziram em 7,5% as compras externas de produtos voltados para o agronegócio em 2014.

Pelo dados do ministério, as importações dessas empresas recuaram para US$ 18,9 bilhões. O setor que mais pisou no freio neste período foi o de máquinas e equipamentos agrícolas, exatamente o que tem uma das principais desacelerações do agronegócio neste ano.

Após importações de US$ 2,32 bilhões em 2013, as principais indústrias de máquinas agrícolas e de construção trouxeram mercadorias no valor de US$ 1,84 bilhão para o país em 2014, um recuo de 21%.

Já as empresas voltadas para as tecnologias de defensivos agrícolas e outros insumos, as que lideram as importações no setor do agronegócio, fizeram compras externas no valor de US$ 7,5 bilhões no ano passado, 4% mais do que em 2013. A liderança nesse segmento é da Syngenta, que manteve o mesmo patamar de importações de 2013: US$ 1,8 bilhão.

No setor de carnes, a tendência foi de intensa aceleração nas importações. As duas principais empresas desse setor gastaram US$ 632 milhões com compras externas.

O primeiro lugar ficou com a JBS. Líder nacional em exportações entre as empresas do agronegócio, a JBS também foi a maior importadora no setor de carnes no ano passado. As compras da empresa somaram US$ 348 milhões, com crescimento de 27% em relação a 2013.

Outro setor importante nas importações agrícolas do país, o de fertilizantes, praticamente manteve os mesmos gastos de 2013 no ano passado.

As 12 principais empresas do setor gastaram US$ 4,42 bilhões em 2014, um recuo de 0,45% em relação ao período imediatamente anterior.

A Yara Brasil Fertilizantes, ao somar US$ 2,1 bilhões de importações no ano passado, foi a principal empresas importadora do setor agrícola, desbancando a Syngenta, líder de 2013.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

EXPLOSÕES EM PLATAFORMAS DO PAÍS AUMENTAM 32,5 VEZES EM 5 ANOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

ANP registrou 2 casos em 2008 e 65 em 2013; número de poços subiu só 6,5% nesse período

Estatal, que terá que responder pelo acidente, tem seguro para indenização de até US$ 750 milhões

A ocorrência de explosões e incêndios como os verificados no acidente do navio-plataforma Cidade de São Mateus, no Espírito Santo, nesta quarta (11), vem crescendo exponencialmente. Segundo relatórios da ANP, de apenas 2, em 2008, o número cresceu 32,5 vezes, para 65 em 2013, dado mais recente.

O total de incidentes comunicados à agência aumentou 526% no período, de 150 para 939. A quantidade de acidentes se expandiu em ritmo muito maior que a exploração. Nesse mesmo intervalo de tempo, o número de poços perfurados em terra registrou queda de 39%, e, no mar, expandiu-se em 37%.

O número de poços em produção tanto em terra quanto em mar cresceu 6,5%.

A Petrobras responde por 90% da produção no país.

NAVIOS INCOMPLETOS

Para Norton de Almeida, diretor de Segurança do Sindicato dos Petroleiros no norte fluminense, o aumento nos incidentes é resultado "do elevado nível de degradação das plataformas no mar, sem correspondente manutenção", e também do fato de que há navios que partem para as áreas de produção sem sua construção concluída.

A Petrobras será o alvo da investigação do acidente desta quarta, para a ANP, porque é a concessionária dos dois campos --um deles em sociedade de 35% da Ouro Preto Energia (leia texto abaixo).

Punições e multas, caso haja ao fim do processo, serão aplicadas só à estatal.

A Petrobras não comentou a investigação da ANP.

A justificativa da Petrobras para ter dado até agora poucas explicações sobre o caso é que o navio pertence à norueguesa BW, de quem contrata o serviço.

Nesses casos, de toda a equipe embarcada, apenas um ou dois são funcionários da Petrobras. A plataforma tinha 74 pessoas a bordo na hora do acidente.

A Petrobras reconhece o risco de ter de arcar com indenizações por acidentes em seus relatórios financeiros.

Em um deles, o 20F, relata possuir dois seguros para "responsabilidade operacional de terceiros", no valor total de indenização de US$ 750 milhões, em caso de acidente no mar. Cobrem danos causados pela empresa ou por terceirizados "em caso de dano material, lesão pessoal ou morte". A empresa diz no documento, porém, ter direito de buscar, posteriormente, ressarcimento do fornecedor.

Relatório do Ministério Público do Trabalho revelado pela Folha no ano passado listava irregularidades em seis plataformas vistoriadas.

Descontrole sobre emissões de gases, rotas de fugas mal delineadas, despejo de dejetos sem tratamento no mar, botes salva-vidas incapazes de salvar, ferrugem acentuada, controle de manutenção deficiente e jornadas excessivas de profissionais de saúde foram os problemas que chamaram a atenção do MPT na ocasião.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 13/02/2015

GOVERNO FOI ALERTADO SOBRE RISCO EM NAVIOS-PLATAFORMA
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

O governo foi advertido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no fim de 2012, de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deixava de realizar auditorias de segurança operacional em navios-plataforma por "longos períodos" e de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não vinha fiscalizando regularmente a disponibilidade de equipamentos usados em resposta a situações de emergência.

A fiscalização do tribunal foi feita por causa do vazamento de óleo, em novembro de 2011, no Campo de Frade. Para evitar novos acidentes ambientais ou humanos, como o ocorrido anteontem na FPSO Cidade São Mateus, o órgão de controle resolveu avaliar as condições de segurança nas unidades "offshore" de produção de petróleo e gás natural.

Para entrar em funcionamento, um navio-plataforma precisa de três chancelas imprescindíveis: o documento de segurança operacional da ANP, a declaração de conformidade da Marinha e a licença de operação do Ibama.

Depois de emitir esse documento liberando as plataformas, a agência reguladora deve fazer inspeções regulares em que seus fiscais vão a bordo das plataformas, para que sejam avaliados os requisitos de segurança operacional das estruturas. Essas inspeções servem para verificar a implementação dos sistemas de gerenciamento da segurança e a conformidade com os requisitos técnicos para operar as FPSOs.



Quando foram passar um pente-fino nos trabalhos da ANP, os fiscais do TCU descobriram que 37% das plataformas de perfuração e 19% das plataformas de produção nunca haviam recebido a auditoria de segurança operacional da agência. O diagnóstico do tribunal era que faltava pessoal para desempenhar essa função e o quadro poderia agravar-se. "A situação tende a tornar-se crítica com o cenário de forte ampliação da exploração e produção do pré-sal", observa o relatório, enviado à Casa Civil e ao Ministério de Minas e Energia.

"A ANP se expõe ao risco de ocorrência de acidentes na medida em que não confirma previamente as informações prestadas por ocasião da aprovação das DSOs (documentos de segurança operacional) e deixa de realizar auditorias em algumas estruturas por longos períodos", afirma um trecho do relatório, que foi aprovado em plenário pelos ministros do tribunal de contas.

O órgão de controle defendeu o estabelecimento de periodicidade mínima para realização das auditorias de segurança. A ANP contestou essa sugestão, argumentando que uma plataforma de menor risco operacional poderia se tornar prioritária em relação a outra de maior risco, independentemente dos prazos.

Procurada pelo Valor, a agência disse que o TCU se manifesta aos órgãos públicos que fiscaliza por meio de acórdãos aprovados por seus ministros. "O acórdão produzido a partir do relatório citado não aponta falhas na fiscalização da ANP, faz apenas recomendações de aprimoramento", afirma a nota. De acordo com a agência, todas as recomendações do acórdão eram pertinentes e todas foram implantadas".

O Ibama também foi objeto do relatório. No licenciamento ambiental, os técnicos da autarquia visitam todas as plataformas antes de sua entrada em operação. "No entanto, após o início das operações, não há avaliação periódica da disponibilidade dos materiais de resposta a emergências que foram inspecionados durante o licenciamento", diz o TCU.

Materiais de resposta podem ser, entre outras coisas, barcos de apoio e resgate para acionamento imediato em situações excepcionais. Em muitos casos, essas embarcações precisam estar de prontidão em alto-mar, já que há plataformas longe da costa e o socorro poderia levar tempo demais para chegar ao local do acidente. "A falta de fiscalização frequente do cumprimento dos planos de emergência diminui a expectativa de controle sobre a indústria."

A reportagem procurou o Ibama, mas a assessoria do órgão não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

CONAB E IBGE BAIXAM PREVISÕES PARA PRODUÇÃO NACIONAL
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

Adversidades climáticas localizadas sobretudo em regiões produtoras do Centro-Oeste e do "Mapitoba" (confluência entre os Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) levaram a Conab e o IBGE a ajustarem para baixo suas estimativas para a colheita total de grãos no país nesta safra 2014/15. O IBGE confirmou que há problemas pontuais inclusive no Paraná, onde a situação em geral é favorável (ver Clima e câmbio animam colheita na região Sul).

Segundo a Conab, a produção, puxada pela soja, somará 200,1 milhões de toneladas, 1% menos que o previsto em janeiro mas ainda 3,4% mais que em 2013/14. O IBGE passou a projetar 201,3 milhões de toneladas. Conforme a Conab, a colheita de soja chegará a 94,577 milhões de toneladas - 1,4% menos que a projeção, mas volume, recorde, quase 10% superior ao do ciclo anterior. Para o milho, a autarquia agora vislumbra 78,4 milhões de toneladas, com quedas de 0,8% sobre a estimativa de janeiro e de 2,1% em relação à temporada anterior.

De acordo com os dados da Conab, Mato Grosso voltará a liderar a produção brasileira de grãos, com participação de 24,1% no total. Em seguida aparecem o Paraná e o Rio Grande do Sul, com fatias de 18.4% e 14,8%, respectivamente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

AGRICULTORES DE MS AMPLIAM APORTES E GANHAM EFICIÊNCIA
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

O Estado de Mato Grosso do Sul tem muito mais do que apenas fronteiras com Paraná e Mato Grosso, os dois maiores produtores de soja do país. Nos últimos anos, os sul-mato-grossenses vêm lançando mão de uma série de investimentos em técnicas mais avançadas de cultivo e na estrutura das fazendas, que caminham para levar a produção a outro patamar.
"Houve uma mudança de perfil de tecnologia surpreendente de quatro anos para cá, possivelmente porque os preços da soja também foram favoráveis", diz Marcos Rubin, sócio da Agroconsult.

O risco de problemas climáticos no Estado, bastante exposto a veranicos, costumava afugentar investimentos mais pesados. Mas, na medida em que ficaram mais capitalizados, os produtores locais de grãos começaram a turbinar os aportes em adubação (há solos mais arenosos na região), variedades com maior rendimento e maquinários. Essa mudança também coincide com o avanço em Mato Grosso do Sul de cooperativas agropecuárias tradicionais do Paraná (a exemplo de Coamo e Lar), no vácuo das crises financeiras de algumas cooperativas locais.

"Desde 2010, investi R$ 6 milhões em tratores, colheitadeiras e plantadeiras", diz Nédio José Anzilago, de Aral Moreira, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Ele personifica a emergente categoria dos produtores de vanguarda no Estado. "Este ano, devo investir mais R$ 1,5 milhão em plantadeiras".

A família Anzilago chegou à cidade na década de 1970, vinda de Concórdia (SC), e na época ocupou 20 hectares. Hoje, já toca 2,3 mil hectares cobertos com soja, em terras que se estendem até o Paraguai. A produtividade esperada para a atual temporada 2014/15 é de 60 a 65 sacas por hectare, semelhante à do ano anterior, mesmo com a seca que afetou as lavouras entre o fim de dezembro e janeiro.
Em Ponta Porã, também na divisa com o Paraguai, os irmãos Ademir e Walter Galende preveem uma média acima de 50 sacas, ante as 45 do ciclo passado. "Plantamos soja de 120 dias de ciclo e com 100 dias já estávamos colhendo, já que as altas temperaturas aceleraram a maturação da planta. Mas a lavoura está melhor este ano, choveu bem no plantio", conta Ademir.

As regiões mais atingidas pela estiagem estão no sul do Estado, em municípios como Naviraí, Caarapó e Laguna Carapã, indicam avaliações de campo conduzidas pelo "Rally da Safra" e acompanhadas pelo Valor esta semana. Já na região de Maracaju e Dourados, no centro-sul, o potencial das lavouras não está totalmente definido e ainda é necessário que o clima colabore nas próximas semanas. Mas as perspectivas são positivas.

Dados divulgados ontem pela Conab indicam que Mato Grosso do Sul deverá colher 6,9 milhões de toneladas de soja em 2014/15, 12,2% mais que em 2013/14, o que coloca o Estado na quinta posição entre os maiores produtores da oleaginosa no país. A área plantada cresceu 8,5% na comparação, para 2,3 milhões de hectares. Ao que tudo indica, assim, a disputa de terras na região que opõe a soja à cana e às pastagens só tende a ficar mais acirrada no futuro próximo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

CLIMA E CÂMBIO ANIMAM COLHEITA NA REGIÃO SUL
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

Colheita de soja em Boa Esperança, no Paraná: produção do grão deverá superar 17 milhões de toneladas no Estado

Acostumado a lidar com os sobressaltos inerentes à sua vulnerabilidade climática, o Sul do Brasil vem se destacando nesta safra de grãos por condições surpreendentemente favoráveis. Contemplada por temperaturas em geral adequadas e chuvas regulares e volumosas, a região tende inclusive a amenizar prováveis perdas em outros Estados produtores que sofrem com a seca.

Essa tendência é puxada pela soja, carro-chefe do agronegócio nacional. A oleaginosa, que encabeça as exportações do setor, já apresentava melhores perspectivas de rentabilidade que na época do plantio em razão da valorização do dólar, que tem aliviado o efeito da queda das cotações na bolsa de Chicago. Isso mesmo para quem está sem água. Mas com o clima a elevar a produtividade, tônica no Sul, serão mais sacas lucrativas, o que poderá animar a economia da região como um todo.

"Desde junho, o câmbio significou uma oferta de preços R$ 12 maior por saca no mercado brasileiro, enquanto Chicago tirou R$ 10 desse valor no mesmo período", calcula Marcos Rubin, sócio da Agroconsult e um dos coordenadores do "Rally da Safra", expedição técnica realizada há 12 anos pela consultoria. O Valor participou da terceira etapa do rally deste ano (são nove no total) e, entre 4 e 9 de fevereiro, visitou 27 cidades e cerca de 30 lavouras em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

Com a alta do dólar, a Agroconsult estima que em Campo Mourão, principal polo produtor no centro-norte do Paraná, a rentabilidade da soja em 2014/15 ficará positiva em R$ 628 por hectare. O montante é bem inferior aos R$ 1.273 por hectare da safra passada, quando os preços estavam mais atraentes, mas ainda garante uma boa remuneração ao agricultor, que vem capitalizado após uma sequência de três ou quatro anos de resultados positivos.



Não bastassem as margens maiores que as previstas na semeadura e o clima generoso, a região Sul, que concentra quase 40% da produção brasileira de grãos, também comemora o fato de não ter sofrido, pelo menos até agora, ataques agressivos de pragas ou doenças. Da helicoverpa, vilã nas duas últimas temporadas em muitas lavouras, mal se ouve falar. As plantações estão excepcionais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul - embora, especialmente neste último, seja necessário chuvas por mais 30 dias para que o potencial produtivo se defina.

Mas são os produtores de soja do Paraná que parecem mais ansiosos. Vice-líder na produção nacional de soja (atrás apenas de Mato Grosso) e recém-saído de uma safra marcada por golpes do clima, o Estado nutre grande expectativa em relação a uma reação neste ano. No ciclo passado, os paranaenses colheram uma média de 49,5 sacas por hectare, bem abaixo das 56 sacas projetadas inicialmente pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à secretaria estadual da Agricultura.

"Sofri um pouco com a estiagem no ano passado, mas agora está excelente, não tenho do que reclamar", diz Anselmo Hernandez, que cultiva soja em 73 hectares no município de Tupãssi, oeste do Paraná - região de solos férteis e alta tecnificação que costuma puxar para cima a produtividade média do Estado. A colheita começou e a previsão do agricultor é de um rendimento de 70 sacas por hectare, ante as 66 do ciclo anterior.

Levantamento da Conab divulgado ontem confirmou que, após alguns solavancos nos últimos anos, a soja do Paraná voltará a ter a melhor produtividade do país nesta safra 2014/15, em torno de 3.328 mil quilos (55,5 sacas) por hectare. A produção total da oleaginosa está estimada em 17,3 milhões de toneladas, um recorde. "Algumas lavouras ainda precisam de chuva, principalmente no sul do Estado, mas o potencial é fantástico", diz Rubin.

Em 2013/14, o outro extremo do Paraná foi o que mais sofreu. Uma estiagem prejudicou a produtividade da soja no norte do Estado, mas os agricultores já respiram mais aliviados. Osmar Fritsche, de Engenheiro Beltrão, chegou a enfrentar um período seco no plantio do ciclo atual, em outubro, e outro em janeiro, mas nada tão severo. "Espero uma média de 60 sacas por hectare, bem mais que as 45 sacas de 2013/14", afirma.

Há regiões do Paraná, contudo, que formaram bolsões onde recuos de produtividade não estão descartados. "A tendência é de safra boa no geral, mas há problemas pontuais, como no oeste paranaense", diz Alan Malinski, analista da Agroconsult. É o caso do município de Boa Esperança. O produtor Mário Ferreira de Souza chegava a escutar a chuva no município vizinho, Campo Mourão. "Mas aqui não caía uma gota". Ele prevê que a colheita alcançará 64 sacas por hectare, ainda assim acima da estimativa média estadual.

Estendendo a análise do mapa produtivo da soja no país, o termômetro da tensão se aquece na medida em que se aproxima da região que abrange Goiás, noroeste de Minas, sul do Piauí e do Maranhão e oeste da Bahia. Nesta última, as chuvas em janeiro ficaram em 63 milímetros, quando o normal seria 178 mm, conforme a Agroconsult.

Para a primeira quinzena de fevereiro, a previsão é de 67 mm, também abaixo da média de 80 mm. Em muitas dessas áreas, as lavouras de soja ainda estão em fase de enchimento de grãos, período que requer bom nível de umidade (o que significa que os potenciais produtivos já foram afetados e seguem sob risco).
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, houve problemas com a falta de chuvas, mas a produtividade é boa até o momento. Com 17% da área colhida, o rendimento médio está em 52,4 sacas por hectare, próximo à média da última safra, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

No front de comercialização, os mato-grossenses já negociaram 49,9% da produção de soja a ser colhida, abaixo dos 61,9% do mesmo período do ano passado. No Paraná, o percentual é de 12%, ante 24% um ano atrás, nas contas do Deral. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos de soja no Paraná estava na casa de R$ 60, quase 8% aquém do mesmo período de 2014.

Em termos de produção, parece que só algum grande fato novo será capaz de fazer os preços da soja mudarem de direção. "Mesmo com problemas climáticos, não haverá uma quebra tão grande", estima Rubin. A Agroconsult projeta uma colheita de 93,9 milhões de toneladas da oleaginosa no país, um pouco menos do que a Conab (ver Conab e IBGE baixam previsões para produção nacional).

Para a safra 2015/16, a tendência é que a rentabilidade continue baixa, diz Rubin. "No Paraná as margens são mais folgadas [do que em Mato Grosso], mas também tendem a ficar mais apertadas". E já há quem, como Alexandre Moreira, produtor de Luiziana (PR), tenha decidido não colocar a mão no bolso agora. "Investi R$ 600 mil em máquinas nas últimas três safras, mas parei este ano. Prefiro esperar, até para ver como fica a nossa política econômica", afirma.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

LUCRO GLOBAL DA BUNGE MAIS QUE DOBROU NO ANO PASSADO
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

A americana Bunge, uma das maiores companhias do agronegócio global, informou ontem que teve em 2014 um lucro líquido de US$ 659 milhões, mais que o dobro dos US$ 306 milhões de 2013. Uma menor despesa com imposto de renda - uma diferença no ano de US$ 610 milhões - foi decisiva no robusto resultado. Operacionalmente, no entanto, houve retração. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) caiu 18% para US$ 1,080 bilhão, na comparação com 2013.

A notícia negativa veio da demanda mais fraca da China, com forte impacto no resultado global da companhia. "Na China, não tivemos a margem de esmagamento que esperávamos no trimestre. Mas olhando para a frente, o mercado chinês deve melhorar", afirmou o CEO da companhia, Soren Schroder.

A receita líquida da multinacional em 2014 caiu 5,7%, a US$ 57,8 bilhões. No último trimestre do exercício, a queda foi de 15%, para US$ 13,9 bilhões.

O segmento de agronegócios, o mais importante para a multinacional e onde a China tem um peso importante, registrou uma receita líquida 6,5% mais baixa no ano (US$ 42 bilhões), e 19% menor no quarto trimestre (US$ 9,992 bilhões). Na mesma comparação, o Ebit desse segmento caiu 13,7%, para US$ 890 milhões, e 9,2%, a US$ 314 milhões.

Pesou positivamente no balanço, segundo o CEO da Bunge, Soren Schroder, as maiores margens de processamento de grãos na América do Norte e na Europa, além de um fluxo de caixa livre "neutro" para o negócio sucroalcooleiro, após trimestres consecutivos de resultados decepcionantes nessa frente.

Apesar de uma melhora no trimestre e nas perspectivas para o mercado de etanol no Brasil, o executivo ressaltou em comunicado a investidores que o objetivo de reduzir a exposição da empresa ao setor brasileiro de cana-de-açúcar não mudou.

A receita líquida do segmento de Açúcar & Bioenergia cresceu no ano 7,7%, para US$ 4,5 bilhões, e 32% no 4º trimestre, para US$ 1,359 bilhão. Conforme a empresa, a redução de custos e os elevados volumes e margens com a venda de energia produzida a partir do bagaço de cana mais que compensaram os baixos preços e volumes de açúcar e etanol. Em 2014, a companhia vendeu 513 mil megawatts-hora, 69% acima do comercializado em 2013.

O resultado operacional desse segmento, no entanto, foi uma perda de US$ 142 milhões, ante o prejuízo operacional de US$ 43 milhões de igual trimestre de 2013. Em 2014, as usinas no Brasil processaram 19,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um pouco acima das 19,1 milhões de 2013.

Para 2015, o executivo antevê mais negócios com milho no Brasil, onde apenas 40% da segunda safra foi vendida antecipadamente. A companhia também espera que os volumes de milho vindos dos produtores americanos melhorem daqui em diante. "Esperamos um crescimento no consumo de milho e trigo, combinados, de 2% em 2015", afirmou Schroder.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

KAROON ENXERGA OPORTUNIDADES EM ÁREAS NO BRASIL
Publicado em 02/13/2015 as 02:21 PM

A petroleira australiana Karoon pretende posicionar o Brasil como principal fonte de seus investimentos nos próximos anos. Mesmo diante da crise de credibilidade da indústria brasileira de óleo e gás, em meio aos desdobramentos da Operação Lava-Jato, a empresa vê o momento favorável para crescer no país. O plano é aproveitar a queda dos preços do barril para comprar participação em campos em fase de desenvolvimento e produção, enquanto aumenta investimentos na avaliação de Kangaroo, sua principal descoberta no mundo.

Para Tim Hosking, diretor-geral na América do Sul, oportunidades devem crescer no ano com preços baixos do petróleo

"As oportunidades devem crescer este ano com os preços baixos [do petróleo]", disse diretor-geral da Karoon na América do Sul, Tim Hosking, ao Valor.

O plano da empresa é adquirir uma fatia em algum campo marítimo com foco em óleo. A ideia é entrar como não operador e adquirir experiência com produção, antes de operar em Kangaroo, na Bacia de Santos.

A descoberta, anunciada em 2013, é a principal aposta da empresa, que só possui ativos exploratórios (no Brasil, Peru e Austrália). A expectativa da companhia é que a área seja a primeira da carteira global de projetos da companhia a entrar em fase de produção, entre 2020 e 2021.

Listada na Bolsa de Valores da Austrália, a Karoon foi fundada em 2003, mas ainda não produz. As receitas da companhia são geradas a partir da venda de participação em blocos exploratórios. No ano passado, por exemplo, a empresa vendeu para a Origin, por US$ 800 milhões, sua fatia de 40% nos blocos WA-315-P e WA-398-P, na Austrália, onde esta concentrada a descoberta de gás de Poseidon.

Este ano, a companhia pretende investir cerca de US$ 100 milhões na perfuração de dois poços de avaliação de Kangaroo. O plano é concluir os compromissos obrigatórios, que contemplam a perfuração do poço Kangaroo-2, finalizado esta semana, e Kangaroo West, entre os blocos S-M-1101 e S-M-1165. A Karoon, contudo, avalia a perfuração de mais dois poços, nas áreas de Kangaroo e Emu. Para 2016, a expectativa da companhia é perfurar mais dois a quatro poços.

O momento, segundo Hosking, é favorável para investimentos em exploração. De acordo com o executivo, os custos de exploração caíram cerca de 30% no mercado global desde o ano passado na indústria petrolífera. A Karoon tem planos de participar da 13ª Rodada da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O olhar da empresa está direcionado para áreas maduras em mar.
"Estamos olhando algumas regiões em particular, sempre no offshore, em áreas próximas dos mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, em bacias como a de Campos e a do Espírito Santo", disse Tim Hosking.

Para bancar seus investimentos, a companhia tem hoje um caixa disponível de US$ 589 milhões, mas pretende ir ao mercado nos próximos anos atrás de captações. Além disso, a empresa estuda reduzir sua participação nos blocos que detém no Brasil.

Com participação de 65% nas concessões S-M-1037, S-M-1101, S-M-1102, S-M-1165 e S-M-1166, a petroleira quer reduzir sua fatia para 40%, mantendo-se como operadora. O objetivo é diminuir a necessidade de investimentos no momento em que as descobertas passarem para a fase de desenvolvimento e produção.

A companhia chegou a abrir um data-room no final do ano passado, mas pretende esperar um momento mais oportuno para negociar os ativos. O objetivo é aumentar o conhecimento de dados sobre as descobertas no Brasil, enquanto aguarda a recuperação dos preços do barril no mercado internacional.

"Vamos pegar todos os dados dos poços, organizar, estudar, criar valor e enviar convites. Queremos vender parte de nossa participação para pagar as contas mais altas do desenvolvimento [de Kangaroo]", disse Hosking.

Os testes no poço Kangaroo-2 indicaram um fluxo de produção de 6 mil a 8 mil barris diários de óleo a partir de poços verticais, mas a companhia acredita que a produção pode ultrapassar os 10 mil barris/dia se utilizada a técnica de perfuração horizontal.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

BRASKEM DESISTE DE PARTICIPAR DO COMPERJ
Publicado em 02/13/2015 as 02:21 PM



Depois de anos de negociações e indefinição sobre o preço de matéria-prima, a Braskem desistiu de participar do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), polo encabeçado pela Petrobras que está em construção em Itaboraí (RJ). A maior fabricante de resinas das Américas, que tem Odebrecht e a estatal como acionistas majoritários, assumiria a central petroquímica e a produção de polietileno e poliproprileno a partir de gás no complexo, que vai custar US$ 13,5 bilhões, quase duas vezes mais do que o previsto no início.

Fadigas: "Ampliar é melhor do que fazer um projeto do zero" e prevê crescimento no Rio com expansão da antiga Riopol

A primeira fase do Comperj (refinaria de óleo), que representa o principal investimento em curso da indústria no país, deve ser entregue em 2017, com seis anos de atraso. Paralisação das obras por causa de chuvas, greves e, agora, o fato de ser um dos alvos de investigação da Operação Lava Jato explicam boa parte desse atraso. Ainda assim, até pouco tempo atrás, a Braskem mantinha o Comperj no radar de investimentos.

"O crescimento no Estado do Rio de Janeiro, que é onde chega a matéria-prima do pré-sal, se dará pelo parque atual [da Braskem], em Duque de Caxias. Ampliar é melhor do que fazer um projeto do zero [no Comperj]", afirmou ontem o presidente da Braskem, Carlos Fadigas. A expansão em Duque de Caxias, porém, dependerá de um contrato de fornecimento de matéria-prima.

Segundo o executivo, um estudo de viabilidade indicou que a expansão da antiga Riopol, instalada a 100 km do Comperj, terá taxa de retorno mais interessante. Com a expansão, esse polo, o primeiro complexo industrial gás-químico integrado do país, poderá dobrar de tamanho. Hoje, pode fazer 520 mil toneladas de eteno por ano.

Conforme Fadigas, não há definição sobre o montante de investimento nem quanto ao tamanho da expansão. "Não estamos falando de aumentar em 20% ou 30%. É mais provável que estejamos falando de duplicação", explicou.

Para se ter uma dimensão do tamanho dos projetos do setor, no México, onde a Braskem e a mexicana Idesa estão construindo em parceria um polo gás-químico, com capacidade para 1 milhão de toneladas por ano da resina polietileno, os investimentos acumulados até 2014 são de US$ 4,2 bilhões.

O projeto mexicano foi viabilizado por um acordo de fornecimento de etano com a Pemex Gás, a preços referenciados pelo gás Mont Belvieu - que no ano passado caiu de US$ 212,40 por tonelada, em junho, para US$ 110,37 por tonelada em dezembro.

A redução do ritmo de preparativos para o Comperj se refletiu nos investimentos da Braskem em 2014. Fadigas disse que os desembolsos (de R$ 2,526 bilhões) ficaram 5% abaixo do previsto, devido a menos aportes em outros projetos que não o do México, principalmente no Comperj.

A indefinição sobre preços de matéria-prima no Brasil tem tirado o sono da Braskem, sobretudo no que tange às operações existentes da petroquímica.
Fadigas informou, durante a conferência de detalhamento do balanço financeiro do ano passado, que a companhia já iniciou conversações com a nova diretoria da Petrobras referentes ao contrato de fornecimento de nafta, que venceu em fevereiro de 2014. Esse contrato vem sendo renovado por meio de aditivos com prazo de seis meses.
O executivo afirmou que, diante do prazo enxuto para negociação - o aditivo em vigor vai expirar no dia 28 -, a tendência é de nova postergação, provavelmente também de seis meses, com manutenção do preço em aberto da nafta.

"O ponto positivo é que há uma nova administração com a qual a Braskem já começou a conversar, mas não seria justo pedir [aos novos diretores] que achem uma solução de longo prazo neste momento", ponderou o presidente da petroquímica. A negociação do contrato é feita com a diretoria de Abastecimento da estatal.

"Fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria hoje uma meta factível, realista, para que eles possam se capacitar ao assunto. Esse é um foco da Braskem", explicou. O outro foco é justamente evitar que a petroquímica fique sem contrato de fornecimento de nafta com a Petrobras depois dessa data.

A Braskem consome 10 milhões de toneladas por ano de nafta, das quais 70% fornecidas pela Petrobras. O restante é importado de diversas fontes.

A estatal propôs repassar ao preço da matéria-prima que fornece os custos com importação, o que poderia elevar em 5% a 7% os valores pagos pela Braskem. É justamente isso que tem travado as negociações de renovação do contrato dentro dos parâmetros que a petroquímica considera que traz competitividade para as suas operações.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

HIDROVIA: UM RIO DE SOLUÇÕES PARA O BRASIL
Publicado em 01/28/2015 as 02:39 PM

O custo do frete para o escoamento da produção é um dos grandes desafios a ser superado pelo produtor rural. O clima favorável e técnicas modernas de produção tornam a agricultura brasileira uma das mais competitivas do mundo, mas o baixo investimento em logística de transporte aumentam os custos da produção e tem impacto direto na renda do agricultor.

A Ministra Katia Abreu sabe que o empresário do campo deseja condições para produzir com menor custo e vem trabalhando para a melhoria de infraestrutura para o agronegócio desde que foi eleita Senadora pela primeira vez. Uma de suas bandeiras para melhorar o transporte da produção agrícola é a implantação de hidrovias nos rios brasileiros. Transportar uma tonelada na hidrovia custa, em média, R$ 45,00 por quilometro contra R$ 170,00 gastos na rodovia. Os comboios fluviais usados na bacia Amazônica podem transportar 40 mil toneladas. Isso retira das estradas o equivalente a 1.200 carretas, reduzindo o impacto ambiental e econômico, descentralizando os portos e descongestionando as rodovias.

O principal entrave para a implantação de mais hidrovias é a construção de hidrelétricas, mas a Lei 13.081/2015 pode ser o que faltava para resolver o problema. Essa norma determina a construção de dispositivos de transposição de desníveis em barragens de hidrelétricas em rios potencialmente navegáveis.

A Ministra sempre defendeu a construção de eclusas (uma espécie de elevador de água) juntamente com a construção da hidrelétrica para baratear os custos e permitir que os cidadãos possam continuar usando o rio como meio de transporte. Segundo Katia Abreu “as hidrovias proporcionariam uma transformação fundamental para o sistema logístico de transporte no Brasil”.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PORTO SECO DE FOZ BATE RECORDE DE LIBERAÇÃO DE CARGAS EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Com o total de 158.954 caminhões liberados em 2014 (incremento de 2,9% em relação a 2013, quando foram registrados 154.409 caminhões) o recinto aduaneiro de Foz do Iguaçu foi, pelo terceiro ano consecutivo, o porto seco rodoviário de maior movimentação de cargas em toda a América Latina.

As exportações brasileiras liberadas pelo recinto tiveram um incremento de 2,8% quando comparadas ao ano anterior, atingindo a cifra de US$ 3,16 bilhões (num total de 71.737 caminhões). No que toca às exportações realizadas pela tríplice fronteira, o Paraguai representou o destino de 89% do volume, ao passo que os restantes 11% tiveram como destino a Argentina.

Como o Paraguai é um país fortemente agrícola, importa muitos insumos para produção, por isso entre os produtos mais exportados se destacaram fertilizantes e máquinas agrícolas. Já para a Argentina, os bens mais exportados foram ferro fundido, máquinas e veículos.

As importações processadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu tiveram aumento de 5,7%, fechando o ano com um volume de US$ 2,46 bilhões (correspondentes a 87.209 caminhões). Do volume total de cargas de importação que ingressaram no Porto Seco em 2014, 63% tiveram como origem o Paraguai, 32% a Argentina e 5% o Chile.

Dentre os produtos mais importados do Paraguai, destacam-se grãos e sementes, carnes e cereais, da Argentina o que mais se importou foi madeira, produtos de horticultura e frutas e do Chile, peixes e frutos do mar, além de frutas.

Considerando-se as operações realizadas no âmbito do Porto Seco de Foz do Iguaçu, verifica-se nesta região fronteiriça a ocorrência de um superávit comercial da ordem de US$ 700,5 milhões, que corresponde à diferença positiva entre as exportações e importações processadas no referido recinto aduaneiro.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PORTO DE PARANAGUÁ PREVÊ AUMENTO DE 6% NO EMBARQUE DE SOJA
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Com o crescimento nas previsões da safra de grãos e a manutenção do câmbio favorável para as exportações, o embarque de soja pelo Porto de Paranaguá deve ser 6% maior em 2015 em relação ao ano passado. Segundo a estimativa, os embarques com o grão podem ultrapassar as 7,9 milhões de toneladas ao longo de todo o ano.

O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho, disse que o aumento da eficiência no Porto foi um dos compromissos assumidos pelo Governo do Estado. “Os bons resultados serão percebidos pela indústria, pelo agronegócio e pelo comércio como um todo”, enfatizou Richa Filho.

Na última sexta-feira (23), o primeiro navio de soja foi carregado no porto, dando início à temporada de escoamento do grão, que terá movimento cada vez mais intenso até os meses de março e abril, quando a exportação da safra de soja atinge seu pico, com mais de 1,4 milhões de toneladas em cada um dos meses.

A conjuntura econômica e as condições favoráveis para exportação devem puxar o aumento no embarque da soja. “O crescimento deve ser puxado pelo aumento da produtividade no campo e pela tendência de melhora no preço do produto em função da taxa de câmbio”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

Segundo o prognóstico do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a área a ser cultivada na safra 2014/15 em todo o Brasil deverá ser de 31,29 milhões de hectares, número que é 3,7% maior do que a safra anterior, quando foram plantados cerca de 30,17 milhões. Com base nisso e nos ganhos de produtividade por hectare, a estimativa para esta safra é que sejam produzidas cerca de 90,54 milhões de toneladas. Se confirmada, esta quantidade será 5,1% superior às 86,12 milhões de toneladas produzidas na temporada passada.

A desvalorização do real frente ao dólar também foi amigável ao produtor que vai exportar o grão. Nos últimos seis meses, a moeda saltou dos R$ 2,20 para R$ 2,60 - no final das contas, o produtor comprou os insumos com o dólar mais baixo e vai vender o grão com um câmbio mais favorável.

O aumento no escoamento total acompanha a expectativa de crescimento na movimentação de carga dos operadores do porto. Segundo o responsável técnico da Coamo no Porto de Paranaguá, Alexandro Cruzes, o aumento de patamar da safra deve puxar os embarques. “Com este patamar de preço, devemos partir para um crescimento de 5% a 6% na exportação”, completa.

EFICIÊNCIA - O aumento previsto no escoamento está também diretamente ligado às melhorias logísticas implementadas pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Neste ano, quatro novos shiploaders passarão a carregar os navios que atracam no. Corredor de Exportação. Os carregadores permitirão operar com navios de maior porte, reduzindo o tempo de embarque e o custo de transporte.

A capacidade nominal de carregamentos dos novos shiploaders é de duas mil toneladas por hora. “Estes novos shiploaders rendem um carregamento 30% maior que a dos equipamentos substituídos. O porto ganha em produtividade e capacidade de escoamento”, explica Dividino.

Além disso, investimentos recentes tem aumentado gradativamente a eficiência do porto no carregamento dos grãos, como, por exemplo, a readequação do sistema Carga Online, que ordena o recebimento de caminhões e permitiu acabar com as filas no acesso ao Porto. Ao todo, foram cerca de R$ 480 milhões em investimentos entre 2011 e 2014.

FARELO - Parte do chamado “complexo-soja” é complementado pela exportação do farelo da soja. O processamento do grão moído tem maior valor agregado e rende mais ao produtor agrícola.

Neste tipo de produto, o Porto de Paranaguá é o líder em exportação no Brasil, com 5,17 milhões de toneladas embarcadas. No total, o porto paranaense foi responsável por 37,7% do total exportado pelo Brasil.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PREÇOS SOBEM COM RISCO DE INTERVENÇÃO SAUDITA
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Os preços do petróleo subiram, ontem, depois de o presidente da estatal saudita Saudi Aramco, Khalid alFalih, dizer que a companhia adiará alguns projetos por causa da queda de receita que resultou da baixa dos preços. Ele também disse que a Arábia Saudita "não agirá sozinha para equilibrar o mercado". Na segunda-feira, o secretáriogeral da Opep, Abdalla Salem al-Badri, havia dito que os preços aparentemente estavam próximos do fundo do poço e poderiam estar posicionados para o movimento de recuperação.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para março fecharam a US$ 46,23 por barril, em alta de US$ 1,08 (2,39%). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do Brent com mesmo vencimento foram cotados a US$ 49,60 por barril, em alta de US$ 1,44 (2,99%).

Os analistas da Simmons & Co. International disseram que as declarações do presidente da Aramco podem ser interpretadas como sinal de que a Arábia Saudita pode estar disposta a se juntar a uma reação coordenada com outros produtores para conter a queda dos preços. "Um número maior de pessoas está dizendo que os sauditas vão capitular em breve. Não penso que isso seja necessariamente verdade, mas não há dúvida de que há uma batalha interna acontecendo", comentou Kyle Cooper, da IAF Advisors. (Com agências)
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 28/01/2015

PRODUTIVIDADE E DESENVOLVIMENTO
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

O Desenvolvimento está atrelado ao aumento da produtividade. É possível crescer com base quantitativa, mas sem os fundamentos qualitativos, não haverá elevação da Renda per capita. Quais são esses fundamentos? Pela visão do custo de produção é possível identificar alguns dos principais: mão-de-obra; maté- ria prima; tecnologia; infraestrutura; custos financeiros e tributários. Sobre eles é possível fazer uma análise objetiva, mostrando oportunidades e óbices para o Desenvolvimento. A mão-de-obra é sempre destacada e sua produtividade é confundida com a global. No Brasil ela é relevante, mas talvez não seja a mais importante, pois o trabalho tem custo baixo, apesar de onerado pelos encargos sociais. Mas sua utilização não é adequada.

Tomando o exemplo da China (também do Japão de alguns anos atrás), a competitividade de seus produtos parte do uso intensivo da mão-de-obra, barata e culturalmente preparada. No Brasil, em face dos elevados encargos sociais – que nada mais são que tributos – enveredou-se pela produção capital intensiva, que não consegue competir com os bens produzidos no exterior, pois a tecnologia é limitada e, sobretudo, os custos financeiros são exagerados. Não se tira vantagem do trabalho de baixo custo. Cabe então avaliar a matéria prima. Quando se origina no País, é competitiva, mas para seu uso adotam-se componentes e conjuntos importados, além de processos tecnológicos copiados do exterior, fatores que acabam reduzindo a produtividade.

Deve-se destacar que, mesmo detendo bens primários abundantes e baratos, como o minério de ferro que é amplamente exportado in natura, importa-se o aço manufaturado, o que não se pode debitar apenas ao custo com tributos da mão-de-obra, mas também aos demais fatores ora listados. Especialmente no que se refere a produtos tecnologicamente mais sofisticados, com reduzidas exceções, o Brasil não se mostra competitivo. É interessante observar que países com limitações de matéria prima, importam e a processam, manufaturando bens totalmente competitivos. Deste modo a riqueza em bens primários não é diferencial tão importante, pois seu transporte tem custos relativamente reduzidos. A seguir cabe cotejar a tecnologia.

O Brasil pouco desenvolve tecnologia própria e, apesar de ter investido nos últimos anos pesadas parcelas do PIB para tal, os resultados foram pequenos. As empresas preferem adquiri-la do exterior. Mas os processos vindos de fora não foram criados para as condições brasileiras, em especial as características da mão-de-obra e clima, e a produtividade decorrente é limitada. A tecnologia própria é mais adequada e produtiva e ainda colabora para o enriquecimento nacional. O exemplo acima das Nações que importam matéria prima serve para comprovar ser esse o caminho correto. Um dos fatores para que suas produções sejam competitivas é exatamente a excelente tecnologia que desenvolvem. Falar da infraestrutura também é necessário.

Peca-se na infraestrutura brasileira quanto à qualidade e aos custos. A energia é bem suprida (sem contar a atual sazonalidade das chuvas) e as telecomunicações melhoraram muito. Todavia os transportes são desastrosos, seja quanto ao escoamento das áreas de produção para os pontos de embarque, seja no tocante à ineficiência portuária. No que se refere aos bens primários, o tempo perdido nas estradas é terrível, onera os preços e traz grandes perdas. O que salva é o trabalho da Embrapa e produtores agropecuá- rios. No entanto, a competitividade no mercado de commodities, também quanto a minerais, é oscilante em função dos preços. Mas os maiores óbices ao aumento da produtividade são os tributos e custos dos financiamentos.

A maioria dos ônus da infraestrutura decorre dos tributos. A geração de eletricidade no Brasil é das mais baratas no Mundo, mas as tarifas para os consumidores estão entre as mais elevadas. Não se consegue desonerar os impostos das exportações ao nível dos competidores mundiais. A distorção de se trabalhar intensamente usando equipamentos, em vez de mão-de-obra, exige maior dose de capital. E os juros brasileiros ultrapassam os de quase todos os países. Há diversos fundamentos que obstam o aumento da produtividade, que precisa crescer para não limitar o Desenvolvimento. Na procura de resolver os aspectos fundamentais ora listados, o caminho será difícil e demorado, mas é vital que se implante um Projeto para o Desenvolvimento.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 28/01/2015

EM CRISE, SETOR DE AÇÚCAR E ÁLCOOL PEDE APOIO AO GOVERNO
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Empresa sucroalcoleira quer aumento do percentual de álcool na gasolina

Um protesto contra a crise do setor sucroenergético reuniu trabalhadores, empresários e políticos na cidade de Sertãozinho, interior paulista, na manhã desta terça (27).

O ato, que segundo a PM teve adesão de quase 20 mil pessoas, bloqueou as rodovias de acesso ao município e fechou parte do comércio local. Sindicatos de metalúrgicos, associações de plantadores de cana-de-açúcar e representantes de comércios de 45 cidades do interior aderiram à manifestação, que cobrou do governo Dilma Rousseff medidas para incentivar o consumo do etanol.

Os organizadores preparam uma marcha em Brasília para pressionar a União a sancionar a medida provisória, aprovada pelo Senado em agosto, que eleva o percentual de etanol na gasolina.

"Nós nos desenvolvemos com o Proálcool e estamos vendo o governo federal jogar fora 40 anos de investimento", disse o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB).

No ano passado, o setor metalúrgico, alicerce da economia local, registrou 3.200 demissões, segundo Samuel Marqueti, presidente do sindicato dos metalúrgicos.

Já o Ministério do Trabalho do Emprego contabilizou a perda total de 2.046 vagas, num cenário de 42 mil postos formais existentes.

Com a crise, os cofres públicos também foram atingidos: em 2014, o município deixou de arrecadar R$ 18 milhões de ICMS, de um total de R$ 82 milhões.

"Produzimos energia elétrica do bagaço da cana e combustível limpo, mas o governo federal nos ignora", disse Manoel Ortolan, que representa plantadores de cana da região.

O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, esteve presente e criticou a falta de políticas públicas para o setor.

CRISE

O emprego no setor de refino de petróleo e produção de álcool, aferidos conjuntamente pelo IBGE, caiu 7,7% de janeiro a novembro de 2014, dado mais recente disponível.

Intensivo em mão de obra, o setor de açúcar e álcool é um dos principais responsáveis pela queda de 6,1% das vagas na indústria paulista.

O setor sofre com a seca e, em 2014, foi afetado pelo freio no preço da gasolina enquanto o petróleo subia no exterior. O reajuste da Petrobras só veio no fim do ano, quando o preço internacional do produto recuava.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

EMPRESAS DE GRÃOS TÊM RECEITA MENOR COM EXPORTAÇÃO EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Das dez principais empresas exportadoras brasileiras, apenas uma, a JBS, do setor de carnes, teve evolução de receitas com as vendas externas em 2014.

Com o desempenho do ano passado, a empresa saiu da nona posição do ranking das exportadoras brasileiras, em 2013, para a terceira posição da lista de 2014, quando consideradas também as receitas da Seara e da JBS Aves.

A empresa, líder no setor de agronegócio, fica atrás apenas da Vale, do setor de mineração, e da Petrobras, do setor de petróleo, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Já as empresas do setor de grãos, principalmente as multinacionais, registraram intensa queda no volume financeiro de 2014, em relação a 2013. Mas, na contramão, as empresas menores desse setor tiveram forte elevação.

A JBS assume a liderança do agronegócio devido à evolução que vem obtendo no comércio exterior e à incorporação de novas empresas.

Além disso, as bases da empresa nos EUA, na Austrália e na América do Sul facilitam a colocação dos produtos das indústrias adquiridas.

As exportações da JBS somaram US$ 4,7 bilhões no ano passado, 28% mais do que em 2013. Quando consideradas outras empresas do grupo, como Seara e JBS Aves, as vendas externas sobem para US$ 7,1 bilhões, 3,2% de todas as exportações do país durante 2014.

A segunda mais bem colocada no ranking dos agrícolas ficou para a Bunge Alimentos, cujas exportações renderam US$ 6,2 bilhões, 15% menos do que em 2013.

Entre as gigantes dos grãos, a maior perda foi da ADM, cujas exportações caíram para US$ 3,3 bilhões, 23% menos do que no ano anterior. No setor de grãos, um dos destaques fica para a Nidera. A empresa, que teve evolução de 25% nas exportações do ano passado, já é a sétima na listas das exportadoras do setor de agronegócio. No total geral, está classificada como a 14ª maior empresa exportadora de 2014. Há três anos, ocupava apenas a 47ª posição.

Apesar da obtenção de um volume financeiro menor com as exportações, o cenário foi bom para as exportadoras de grãos em 2014.

As tradings viveram um ano difícil na "originização" (compra de produtos do produtor). Isso porque a soja disparou na boca da safra, atingindo US$ 15,31 por bushel em Chicago em 30 de abril.

Capitalizados, devido aos últimos quatro anos de bons preços das commodities, os agricultores seguraram o produto à espera de novas altas. As tradings, diante da dificuldade de compra, se retraíram.

Em seguida, os preços começaram a cair, atingindo o menor patamar cinco meses depois, em 26 de setembro, quando a soja foi negociada a US$ 9,10 por bushel.

No último trimestre, devido à desvalorização do real, os preços voltaram a ficar favoráveis aos produtores. A valorização da moeda norte-americana favoreceu as vendas e esse foi o período de maior comercialização.

Apesar das receitas menores nas exportações, as tradings tiveram um bom ano, com margens melhores e valorização das ações, como mostram os relatórios divulgados nas matrizes.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

EM MEIO A RUMORES, AÇÕES DA PETROBRAS FECHAM EM ALTA DE 2,6%
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Especulação sobre troca na diretoria e balanço baliza negócios; documento não havia sido divulgado até a conclusão desta edição

Após operarem boa parte do dia no vermelho, as ações da Petrobras mudaram a tendência no meio da tarde e fecharam em alta de mais de 2%. O movimento, segundo analistas, foi estimulado por boatos em relação ao balanço da companhia e a uma possível troca de sua presidente, Graça Foster.

Os papéis preferenciais da Petrobras, mais negociados e sem direito a voto, fecharam em alta de 2,62%, para R$ 10,17 cada um. Eles chegaram a cair 3,83% mais cedo, antes de subir até 4,64% ao longo da tarde. Já os ordinários, com direito a voto, encerraram a sessão com ganho de 1,05%, para R$ 9,64, após oscilar entre alta de 3,56% e baixa de 4,19% durante o dia.

O movimento amenizou a queda do principal índice da Bolsa brasileira. Depois de ter atingido baixa de até 2,52%, o Ibovespa fechou a terça no zero a zero, com ligeira valorização de 0,03%, para 48.591 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,716 bilhões.

Analistas citaram que a forte virada dos papéis da Petrobras pode ter refletido rumores de que o ex-presidente do BC Henrique Meirelles pudesse substituir Graça Foster.

Esse rumor já havia sido ventilado no mercado quando as denúncias de corrupção dentro da companhia, reveladas pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, surgiram.

"Não é primeira vez que há essa especulação. É improvável, mas, se fosse confirmada, a entrada de Meirelles poderia dar um choque de credibilidade à Petrobras", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

A presidente Dilma Rousseff (PT), no entanto, já afirmou em outras ocasiões que não há intenção de substituir Graça Foster. A Petrobras decidiu divulgar o balanço com os resultados do terceiro trimestre sem as baixas contábeis referentes a desvios por corrupção e por perda de valor recuperável de alguns de seus ativos, informou reportagem do site do jornal "Valor" na noite desta terça (27), mas, até a conclusão desta edição, o documento ainda não havia circulado.

O mercado estima baixa contábil de R$ 10 bilhões a R$ 48 bilhões referente aos casos de corrupção revelados pela Lava Jato.

A avaliação é que uma mudança tão grande no desempenho das ações da estatal nesta terça possa ter sido também estimulada por apostas de que a baixa contábil seja menor do que a esperada.

“Os rumores podem ter motivado os ‘vendidos’ (que apostam na queda das ações) e zerar suas posições, gerando uma reação em cadeia que catapultou os preços dos papéis”, afirma Rogério Oliveira, especialista em bolsa da Icap.

Para Ricardo Kim, da XP Investimentos, a grande questão é de quanto será a baixa contábil e quando a companhia divulgará a versão auditada do balanço. “Vale ressaltar que Graça Foster também admitiu a dificuldade em tornar público os números oficiais, já que, a cada denúncia de desvio de recursos, a realidade financeira da companhia é alterada”, disse em relatório.

CÂMBIO

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou o dia com desvalorização de 0,47% sobre o real, para R$ 2,577 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,73%, também para R$ 2,571. A moeda americana teve alta nos dois últimos pregões.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

USO DE ALGODÃO VOLTARÁ A CAIR NO BRASIL ESTE ANO
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

O uso de algodão pela indústria no Brasil deve alcançar em 2015 o menor nível em pelo menos 12 anos. Já em declínio em decorrência da tendência global de maior uso de fibras sintéticas, o consumo da pluma no país deve cair pelo segundo ano consecutivo, pressionado também pelas cotações mais baixas do petróleo, do qual deriva, por exemplo, o poliéster, o maior concorrente do algodão no mundo atualmente.

Lavoura de algodão em Luiz Eduardo Magalhães (BA): pluma nacional está perdendo mercado para fibras sintéticas

Nas contas da associação que representa a indústria têxtil brasileira (Abit), o consumo da pluma natural deve ficar entre 700 mil e 800 mil toneladas este ano, perto do patamar de 2003, quando alcançou 800 mil toneladas.

Os preços do algodão estão em declínio, mas nada comparado ao mergulho das cotações do petróleo. Desde setembro de 2014, os futuros da pluma na bolsa de Nova York caíram 7,4% para o patamar de 60 centavos de dólar por libra-peso (contrato de segunda posição), segundo o Valor Data. Na mesma comparação, os preços do petróleo recuaram 48,8%, para os níveis de US$ 50 o barril (Brent).

Segundo estimativas do mercado, em média, o valor do poliéster equivale à metade do preço do algodão atualmente. Apesar do diferencial elevado, o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel, diz que a situação atual está longe de ser comparada ao que aconteceu em 2011, quando a libra-peso do algodão na bolsa de Nova York saiu do patamar de 60 centavos de dólar para US$ 2.

Naquela época, os preços internacionais do poliéster estavam superiores aos do algodão e, passaram a ficar 20% a 30% mais baixos por conta da escalada pluma em Nova York. Naquele momento, lembra Pimentel, houve uma forte substituição da pluma natural pela sintética. De 27 milhões de toneladas, o uso de algodão no mundo caiu para algo entre 24 milhões e 25 milhões de toneladas, observa.

De qualquer forma, diz, é difícil medir o impacto do barril do petróleo a US$ 50 na substituição de algodão por sintéticos. Na sua visão, os empresários do setor estão ainda observando até onde vão as cotações do petróleo. Se ficarão nesses novos patamares ou se retração será efêmera.

Globalmente, o Brasil e outros países em desenvolvimento são espécies de "ilhas" no mercado mundial, onde o algodão já perdeu nos últimos anos muita participação para os sintéticos. A pluma natural representa 30% (25 milhões de toneladas) do total de 85 milhões de toneladas de fibras consumidas no mundo por ano. O poliéster abocanha uma fatia de 58%.

No Brasil, a relação é oposta. Os últimos dados da Abit, referentes a 2013, mostram que do total de 1,458 milhão de toneladas de fibras consumidas pela indústria têxtil (algodão, poliamida, poliéster e acrílico) naquele ano, o algodão representou 887 mil (ou 60%), enquanto o poliéster representou 32%, ou 465 mil toneladas. No auge do consumo de algodão no Brasil, em 2010, a fibra natural representou 64%, e o poliéster, 29,6%.
"Mais do que um movimento de substituição de matéria-prima motivado por preços, o uso de poliéster no país nos últimos anos vem atender uma demanda da moda, do mercado feminino", diz Pimentel.

O setor produtivo, que tem feito campanhas de marketing para divulgar a qualidade do algodão brasileiro no exterior, agora visa o mercado nacional. Os produtores de algodão devem neste ano começar uma nova campanha para atacar o que consideram o maior concorrente da fibra natural: a sintética. A Abrapa (que representa os cotonicultores) pretende lançar uma campanha publicitária para tentar reverter a queda persistente de uso do algodão no mercado interno, diz o presidente da entidade, José Carlos Jacobsen. "Queremos chegar ao consumidor final e também à indústria".

O algodão brasileiro, afirma Jacobsen, conquistou seu espaço no exterior, mas o mercado interno representa a maior parte do consumo. Nesta safra 2014/15, o país deve colher 1,450 milhão de toneladas, das quais 700 mil devem ser exportadas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

LUCRO DE DIVISÃO AGRÍCOLA DA DUPONT CAIU EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Apesar da queda nas vendas de sementes de milho no Brasil e do impacto negativo do câmbio, a redução dos custos e a maior comercialização de agroquímicos ajudaram a sustentar os ganhos do braço agrícola da DuPont em 2014. Em balanço divulgado ontem, a múlti americana reportou um lucro operacional de US$ 2,35 bilhões no ano passado da divisão, 5,3% abaixo dos US$ 2,48 bilhões de 2013.

Já as vendas desse segmento recuaram 4% na mesma comparação, a US$ 11,30 bilhões. Desse total, US$ 1,73 bilhão veio do quarto trimestre de 2014, montante 4% inferior ao do intervalo de outubro a dezembro de 2013. O lucro operacional, por sua vez, cresceu 47% no último trimestre do ano, para US$ 129 milhões.

O negócio agrícola da DuPont é o que tem maior peso nos resultados da companhia química, que opera ainda em nutrição e saúde, eletrônicos e comunicações e materiais de alta performance. Em 2014, a múlti registrou vendas líquidas totais de US$ 34,72 bilhões, recuo de 2,8% na comparação com os US$ 35,73 bilhões de 2013. O lucro líquido, entretanto, enfrentou queda mais expressiva: de 25,2%, para US$ 3,62 bilhões em 2014.

Em nota que acompanhou o balanço, a DuPont disse que os números demonstram o "progresso contínuo" do plano estratégico de entregar maior crescimento e volume, o que inclui "o refinamento contínuo do portfólio" e "o avanço no plano de separação da Chemours. Em outubro de 2013, a DuPont decidiu separar do restante da companhia sua tradicional área de químicos - que passará a atender pelo nome de The Chemours Company. A expectativa da companhia é concluir esse processo até julho deste ano.

"Em 2015, continuamos focados em gerar retornos superiores para nossos acionistas, inclusive por meio do retorno de capital a partir do esperado dividendo da Chemours, enquanto posicionamos a DuPont para nossa próxima fase de crescimento", disse em nota Ellen Kullman, CEO da DuPont.

Para 2015, a companhia espera um lucro operacional de US$ 4 a US$ 4,20 por ação - no ano passado, esse valor ficou em US$ 4,01. A estimativa inclui um impacto cambial negativo de US$ 0,60 por ação, em função do recente fortalecimento do dólar ante uma cesta de moedas. (Colaborou Ligia Tuon)
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

ATRASO EM COMPRA AFETA PREÇOS INTERNACIONAIS DE FERTILIZANTES
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

O atraso na compra de fertilizantes pelos produtores para o plantio da segunda safra de milho do país, a chamada safrinha, está contribuindo para evitar a alta dos preços internacionais dos adubos nitrogenados neste primeiro trimestre, mostra estudo da consultoria INTL FCStone. O nitrogênio é um dos principais nutrientes utilizados nas lavouras de milho.

Conforme a consultoria, nas áreas plantadas com o cereal na última safra (2013/14) no Centro-Oeste, 53,9% de toda a demanda por fertilizantes para a segunda safra foi composta por nitrogenados, 17,8% por fosfatados e 25,6% por cloreto de potássio.

João Santucci, analista da FCStone, diz que muitos produtores deixaram para comprar este mês os fertilizantes para a safrinha de milho - cujo plantio ganha força a partir de fevereiro - em função do atraso no plantio da soja e dos preços baixos do cereal. Relatos de distribuidores e lojas de insumo no Centro-Oeste mostram que as vendas de adubos foram fracas em novembro e dezembro, período em que normalmente se concentra a comercialização desses produtos.

Mas Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos (Ama-Brasil), afirma que a demanda por fertilizantes para a segunda safra de milho está voltando à normalidade. Ele avalia que não há preocupações em relação à oferta de adubos.

Segundo Santucci, da FCStone, Brasil e Estados Unidos são grandes players no mercado mundial de fertilizantes nitrogenados, por isso influenciam a cotação desses produtos. Os preços da ureia granular, por exemplo, caíram nas últimas duas a três semanas. Em Paranaguá (PR), a tonelada do produto que chega ao porto estava em US$ 349 (antes da internalização) no último dia 22, ante US$ 363 em 8 de janeiro. Na última semana de janeiro de 2014, o mesmo produto valia US$ 438, diz Santucci.

Apesar do recuo, o analista não vê uma reversão de tendência de preços, já que a demanda dos EUA por nitrogenados deve ser grande. A aplicação de amônia nas lavouras americanas foi menor em 2014 e precisará ser reposta. Isso poderá sustentar os preços do produto. Para ele, "quanto mais [o agricultor brasileiro] esperar [para adquirir o adubo], maior é o risco cambial".

A FCStone acrescenta que a demanda brasileira ainda é grande, mesmo com o atraso nas compras. Isso, aliado à oferta ajustada no mercado internacional, deve permitir que os preços fiquem em patamares superiores aos do fim de 2014.

Diante da demanda atrasada de adubos para a segunda safra de milho, a programação de chegada de navios para descarregar fertilizantes nos portos brasileiros neste mês (o último a tempo de abastecer a safrinha) e o volume de produtos são menores que em anos anteriores, segundo a FCStone. Ao todo, deverão chegar 71 navios com fertilizantes em todo o país, em janeiro, contra 82 no mesmo mês do ano passado.

Na avaliação de João Santucci, os estoques de adubos em Mato Grosso - o maior produtor de milho de segunda safra do país - são suficientes para atender à demanda pelo produto.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

PETRÓLEO BARATO FAVORECE FUSÕES, DIZ A.T. KEARNEY
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

As empresas de petróleo vão responder à atual situação de queda dos preços da commodity da mesma forma que fizeram no fim da década de 1990: com fusões e aquisições. Essa é a expectativa da consultoria A.T. Kearney, que após encontros com representantes de indústrias do setor nos últimos meses afirma ter identificado uma maior disposição para transações.

Com a queda do preço do petróleo - de 56% desde o início de 2014 - e a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não reduzir a produção, a expectativa da consultoria é de que 2015 seja marcado por uma intensa atividade de fusões e aquisições em toda a cadeia de valor de petróleo e gás, com as companhias em busca de sinergias, complementaridade, reforço de caixa com venda de ativos e aumento de eficiência e competitividade.

"Abordagens estratégicas para fusões e aquisições são fundamentais para abordar as intensas pressões de custo e fluxo de caixa experimentadas pelas empresas de petróleo e gás", afirma Richard Forrest, sócio líder da A.T. Kearney para Energia e coautor do estudo.

As fusões e aquisições em óleo e gás já tiveram forte recuperação em 2014, após um fraco 2013, segundo o estudo "Fusões e Aquisições em Petróleo e Gás", que será divulgado hoje pela consultoria. No ano passado, foram feitas 1.826 transações, totalizando US$ 440 bilhões, enquanto em 2013 foram fechados 2.017 fusões ou aquisições, somando US$ 338 bilhões.

Na opinião dos analistas da A.T. Kearny, as empresas com fluxo de caixa mais forte e balanço patrimonial mais saudável serão as consolidadoras, "enquanto que outras precisarão definir estratégias só para sobreviver". Ele afirma que, em conversas com executivos do setor, ficou evidente grande chance de concretização das operações nos próximos 6 a 12 meses.

No Brasil, são esperadas fusões e aquisições em produção e exploração e nos segmentos de equipamentos e serviços para óleo e gás, com a busca por redução de custos. "É razoável esperar as transações e mudanças de portfólios de ativos de produção, já que o país teve rodadas de licitações nos últimos anos", diz Edson Bouer, diretor do escritório da A.T Kearney no Brasil. Entre as empresas fornecedoras, ele afirma que transações fechadas no exterior podem ter reflexos no Brasil. "Grandes grupos internacionais também são fornecedores de equipamentos aqui. Movimentações nessas empresas podem ter impacto na cadeia de suprimentos no Brasil", diz.

Já as operações de logística, transporte e refino, que têm domínio da Petrobras, devem ter poucos movimentos, diz Bouer. Ele afirma que potenciais vendedores podem ver as transações como forma de levantar capital para projetos em andamento ou revisão de portfólio. O petróleo fechou em alta ontem. Em Londres, o Brent para março subiu US$ 1,44 (3%) e fechou a US$ 49,60. Em Nova York, o WTI para o mesmo mês subiu US$ 1,08 (2,4%), para US$ 46,23.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

MONTADORAS PREPARAM NOVAS PARADAS DE PRODUÇÃO
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

Menos de um mês após o retorno das férias coletivas de fim de ano - dessa vez, mais longas do que o normal -, a indústria de veículos volta a programar paradas de produção para adequar o ritmo das fábricas a um mercado que perdeu força depois do forte movimento de antecipação de compras em dezembro.

As interrupções de linhas, conforme o planejamento das empresas, devem ser intensificadas a partir do Carnaval, que acontece na terceira semana do mês que vem. No parque industrial da General Motors (GM) em São Caetano do Sul, no ABC paulista, assim como em fábricas da Agrale e da Randon, as paradas nessa semana vão além da Quarta-feira de Cinzas. Ao mesmo tempo, a MAN, montadora dos veículos comerciais da marca Volkswagen, e a Marcopolo, que produz carrocerias de ônibus, pretendem conceder novas férias coletivas, complementando o recesso concedido em dezembro.

Essas medidas acontecem após as montadoras brasileiras fecharem 2014 com queda de 15,3% na produção e 12,4 mil vagas de trabalho eliminadas. Durante a maior parte do ano passado, o setor lançou mão de férias coletivas, semanas curtas de produção, com um dia útil a menos, licenças remuneradas e suspensão temporária de contratos de trabalho - o chamado "layoff" - para ajustar o ritmo das linhas da montagem a um mercado que caiu 7,1%. A situação foi agravada pelo excesso de estoques em pátios de fábricas e concessionárias, combinado ao recuo das exportações para o nível mais baixo em doze anos. Hoje, por volta de 3,4 mil operários seguem afastados das montadoras por "layoffs" ou licenças remuneradas.



Como não há perspectiva de reação neste ano, a tendência é que medidas do tipo continuem sendo adotadas. Em Resende, no sul do Rio de Janeiro, a MAN está discutindo com o consórcio de fornecedores de sua fábrica de caminhões e ônibus qual será o período das férias coletivas. A expectativa do sindicato dos metalúrgicos da região é que as linhas voltem a parar por dez dias após o Carnaval. No último dia 5, os operários da MAN voltaram a trabalhar após três semanas de férias coletivas, período um pouco mais curto do que a maioria dos concorrentes, como a Mercedes-Benz, a Volvo e a Ford, que concederam um mês de recesso.

Assim como na General Motors, parada nas linhas de produção da Randon vai além da Quarta-feira de Cinzas

Diante da tendência de que o mercado de caminhões continue em baixa neste ano - dadas as condições menos favoráveis das linhas de financiamento a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, a MAN abriu um programa de demissões voluntárias para reduzir o excesso de mão de obra em Resende, estimado pelo sindicato em 1,5 mil trabalhadores. Também fechou acordo trabalhista no mês passado para congelar salários neste ano, em troca de um abono salarial de R$ 2,5 mil. A cada quatro semanas, a MAN pode ainda, como resultado desse acordo, dar dois dias de folgas sem remuneração aos trabalhadores.

Já em São Caetano do Sul - onde, em tempos de bonança, a montadora tem capacidade de produzir um carro por minuto -, a General Motors vai interromper a produção durante toda a semana de Carnaval. Segundo a empresa, os operários receberão folga entre 16 e 20 de fevereiro, com retorno na segunda-feira da semana seguinte: dia 23. As folgas dos dias 16 e 18 serão dadas em regime de compensação, enquanto as dos últimos dois dias - 19 e 20 de fevereiro - serão descontadas do banco de horas dos metalúrgicos.

Os trabalhadores da GM em São Caetano voltaram a trabalhar na semana passada após um mês de férias coletivas. No retorno, a montadora afastou mais 100 operários da fábrica em esquema de "layoff". Eles se juntam a outro grupo de 850 funcionários da unidade que já estavam em "layoff" desde novembro. A montadora de origem americana também terá de decidir na próxima semana o futuro de 930 trabalhadores em "layoff" no parque de São José dos Campos (SP), já que a volta deles está prevista para 9 de fevereiro.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

PRÉVIAS INDICAM PERDA DE R$ 203 MILHÕES PARA FIBRIA NO 4º TRI
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

A valorização do dólar sobre o real deve pesar sobre os resultados da produtora de celulose Fibria no quarto trimestre, que devem ser divulgados hoje, após o fechamento do mercado. Pelo lado positivo, a companhia deve reportar resultado operacional forte, beneficiado pela desvalorização cambial e alta no preço da celulose. Na ponta negativa, o efeito do dólar mais forte sobre a dívida em moeda estrangeira da companhia deve pesar sobre a linha final do balanço.

Na média das cinco instituições financeiras consultadas pelo Valor - Santander, Itaú BBA, HSBC, Citi e Morgan Stanley -, os analistas esperam um prejuízo líquido de R$ 203,6 milhões no quarto trimestre de 2014. As estimativas variam de perdas de R$ 100 milhões (Morgan Stanley) a R$ 384 milhões (HSBC). A expectativa média representa um aprofundamento de 10% no prejuízo de R$ 185 milhões de igual período de 2013.

A receita da empresa deve avançar 3%, na base de comparação anual, para R$ 2 bilhões, segundo a média das cinco casas. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) tem expectativa de alta de 5,6%, para R$ 869 milhões. Na base de comparação trimestral, porém, o avanço do Ebitda deve ser significativo, de mais de 41%.

"Esperamos que o ritmo dos resultados operacionais da Fibria continue positivo, sem surpresas", preveem os analistas Felipe Reis e Renato Maruichi do Santander. O banco prevê volume de celulose de 1,39 milhão de toneladas, estável frente ao trimestre anterior devido à ausência de paradas para manutenção no trimestre, mas com queda de 3% na base de comparação anual. Quanto ao prejuízo líquido, calculado pelo Santander em R$ 170 milhões, os analistas esperam que o impacto do câmbio sobre a dívida seja em parte compensado pelo benefício fiscal do Reintegra.

O Itaú BBA destaca a depreciação do real, volumes estáveis de celulose e menor custo devido a menos gastos com paradas para manutenção, para estimar um Ebitda de R$ 852 milhões, num avanço de 40% em relação ao trimestre imediatamente anterior. "O momento de fortes lucros da Fibria deve continuar no primeiro trimestre de 2015, com preços da celulose em dólar estáveis ou ligeiramente melhores e contínua desvalorização cambial", preveem os analistas.

O HSBC espera que a relação entre dívida líquida e Ebitda (em dólar) permaneça em 2,5 vezes, "pois o impacto positivo da expansão de margem Ebitda é neutralizado pelo reflexo negativo da desvalorização da moeda na dívida". O banco destaca que os analistas estarão de olho na opinião da administração sobre os preços da celulose e o cenário da demanda. Também o cenário de custos e escopo de ganhos adicionais a partir da receita de energia devem merecer atenção, assim como a atualização quanto à expansão da fábrica de Três Lagoas II, em Mato Grosso do Sul, e possíveis fusões e aquisições.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

AEROPORTO DE BRASÍLIA JÁ É O SEGUNDO MAIOR DO PAÍS
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM



No ano em que, pela primeira vez, o movimento nos aeroportos brasileiros rompeu a marca de 200 milhões de passageiros, o terminal de Brasília (DF) - que passou por uma operação tumultuada até o ano passado, graças às obras de expansão da concessionária - aproveitou boa parte da demanda. Com crescimento de 10% (para 18,1 milhões de passageiros), Brasília passou Congonhas (SP) e Galeão (RJ) e chegou ao posto de segundo maior do país.

Aeroporto de Brasília: após obras de R$ 1,2 bi, concessionária passa Congonhas e Galeão em número de passageiros

Controlada pelo grupo brasileiro Engevix e pela argentina Corporación América, a concessionária do aeroporto de Brasília argumenta que o aumento na movimentação de passageiros só foi possível após o investimento de R$ 1,2 bilhão em reforma e ampliação.

Outra razão foi a redução do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível de aviação no Distrito Federal em 2013 - de 25% para 12%. Com isso, companhias aéreas passaram a incluir Brasília na rota dos voos - para que as aeronaves abasteçam os tanques pagando menos impostos do que em outras regiões. Em São Paulo, por exemplo, o imposto continua em 25%.

Somados, os aeroportos concedidos cresceram 7,2% e lideraram a expansão no país, embora os que estejam sob controle da Infraero também tenham registrado aumento (de 5,6%). O cenário de expansão em todo o setor levou o país a movimentar 210 milhões de passageiros em 2014 (contra 197 milhões em 2013). O levantamento foi feito pela equipe de economistas do Valor Data a partir da soma da movimentação da rede Infraero com os valores fornecidos pelas concessionárias privadas. O cálculo leva em conta números de embarque e desembarque.

Além de Brasília, outro destaque dentre os privados foi o aeroporto de Guarulhos, que manteve crescimento robusto em 2014. Foram 39,5 milhões de passageiros movimentados em 2014, ou 9,94% mais que um ano antes. Os números mantêm o aeroporto na liderança no país e também o transforma em um dos mais movimentados no Hemisfério Sul.

Segundo Carlos Fernando Pereira Sellos, diretor de gestão comercial da GRU Airport (da Invepar), os investimentos feitos recentemente atraíram novas rotas. Há mais voos principalmente do grupo Latam e da Gol, com foco nas rotas internacionais. "É conveniente para as duas partes. Nós temos um passageiro mais qualificado para transitar pelo aeroporto, que tem um gasto médio mais alto. E eles têm a contrapartida da infraestrutura do novo terminal", diz. "Ainda há espaço para crescer", afirma.
Já o aeroporto de Viracopos (em Campinas), concedido na mesma época, teve um ano menos confortável. As obras do empreendimento ainda não foram concluídas, o que tem impedido um aumento mais expressivo nos números de passageiros. Em 2014, o crescimento foi de 5,92%, para 9,84 milhões de pessoas transportadas.

Para 2015, a concessionária espera que a transferência das operações para o novo terminal, com capacidade para 25 milhões de passageiros ao ano, traga novas rotas. "Tivemos um grande salto em nossas operações para o exterior. Passamos de três frequências semanais para 38. Isso é muito significativo e representa uma mudança importante para Viracopos", afirmou o presidente da Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Küster. A expectativa dos controladores é que o aeroporto transporte 10,5 milhões de pessoas em 2015 (um crescimento de 7%), influenciado pela maior presença internacional.

Os outros dois aeroportos assumidos pela iniciativa privada no fim de 2014, Galeão (RJ) e Cofins (MG), ainda têm números mais tímidos de crescimento. Isso, no entanto, deve mudar. No caso do aeroporto do Rio, o crescimento deve ser impulsionado nos próximos anos pela economia da capital fluminense e pelos Jogos Olímpicos de 2016.

"O Galeão voltou a ter crescimento em 2014, depois de uma queda em 2013. Isso já é um sinal do ganho de confiança do nosso cliente, que está acreditando no aeroporto", diz Randall Aguero, diretor de desenvolvimento estratégico da concessionária RIOgaleão. Segundo ele, há negociações em curso com novas companhias aéreas. A alemã Condor, por exemplo, começa ainda neste ano a fazer a rota Rio-Frankfurt.

Para o sócio da área de governo e infraestrutura da KPMG, Mauricio Endo, os números do ano mostram que os aeroportos do país continuaram com forte atividade mesmo em um cenário de baixo crescimento da economia. E os privados acabam beneficiados por ganhos de eficiência. "Quem é usuário percebe que, nos privados, além dos investimentos em infraestrutura, alguns processos foram simplificados".

Mesmo com os novos concorrentes, os aeroportos da Infraero conseguiram registrar crescimento em 2014 (se retirados todos os dados dos já concedidos). As "joias da coroa" da estatal atualmente são Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Apesar do interesse privado pelos dois aeroportos, o governo federal dá sinais que não vê sentido em concedê-los - por eles não terem espaço para grandes investimentos em ampliação. Mais abaixo na lista dos mais movimentados da estatal estão os terminais de Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

Para Endo, da KPMG, os aeroportos continuarão sendo um bom negócio nos próximos anos por causa de fatores como o preço das passagens aéreas e do nível de renda da população. "O setor ainda vai ver muitos passageiros novos, de primeira viagem. Quem fazia viagens de 30 horas de ônibus, por exemplo, percebeu que pode ir de avião com preços até menores. Os aeroportos continuam muito ativos", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

RECEITAS ALTERNATIVAS E PROJETOS DE INFRAESTRUTURA
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM

Por Rafael Véras de Freitas

Em recente visita ao país, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, afirmou que o Brasil não tem condições de arcar com os investimentos necessários para sanar os gargalos de infraestrutura do país. Não foi por outra razão que, nos idos da década de 90, o Estado brasileiro se reposicionou na economia, transferindo para o setor privado atividades indevidamente exploradas pelo setor público (artigo 1º, incisos I e IV, da Lei nº 9.491/1997 - lei que alterou o Programa Nacional de Desestatização). Se essa foi a razão que justificou a delegação de serviços públicos para a iniciativa privada, por meio de contratos de concessão - uma das modalidades de desestatização -, é evidente que não cabe ao poder público, em manifesta postura contraditória, exarar interpretações que militem em desfavor da exploração de formas alternativas de financiamento desses contratos pelos particulares.

É, justamente, o que vem ocorrendo com as interpretações que a administração pública vem conferindo ao artigo 11 da Lei nº 8.987/1995 (Lei Geral de Concessões de Serviços Públicos). Esse dispositivo autoriza que o poder concedente preveja, em favor do concessionário, a possibilidade de auferir receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas. Trata-se de mecanismo de financiamento do serviço concedido, que não onera os seus destinatários (usuários), nem o poder público (nas hipóteses de concessões comuns subsidiadas e de parcerias púbico-privadas).

Tais receitas podem guardar, em razão das externalidades do serviço público prestado, relação direta com o contrato de concessão (a exemplo da exploração da faixa de domínio em rodovias), ou terem vinculação indireta (como na exploração de empreendimentos imobiliários associados à concessão de um VLT).

Não cabe ao poder público exarar interpretações contra a exploração de formas alternativas de financiamento

Ocorre que, não raro, reguladores se posicionam no sentido de que essas receitas: (i) só poderiam ser vocacionadas à redução tarifária, e não ao lucro do concessionário; e (ii) não poderiam ser implementadas durante a execução do contrato de concessão. Tais entendimentos, contudo, não se coadunam com o regime jurídico da exploração dessas receitas ancilares.

Isto porque se trata de atividades econômicas em sentido estrito, exercidas no âmbito da liberdade de iniciativa (artigo 170, caput e parágrafo primeiro da CRFB), as quais, embora vinculadas, não estão submetidas ao regime do serviço púbico concedido. Daí porque não cabe à administração pública se imiscuir na sua exploração, nem, tampouco, expropriar direito dos concessionários.

Pois bem. O primeiro entendimento, no sentido de que todas as receitas acessórias obtidas pelo concessionário devem ser revertidas à modicidade tarifária desconsidera, por completo, o próprio parágrafo único desse dispositivo, o qual determina que essas receitas sejam obrigatoriamente consideradas para a aferição do inicial equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Ora, se tais receitas integram o equilíbrio econômico-financeiro da concessão, é porque devem ser revertidas não só à modicidade das tarifas, como à "justa" remuneração do concessionário - interpretação consagrada, por exemplo, no artigo 108, §2º, da Lei nº 9.472/1997 (Lei Geral de Telecomunicações). Afora isso, interpretação nesse sentido desestimularia o concessionário a explorar essas atividades (como já observado, pelo TCU, no Acórdão nº 393/2002 - Plenário), o que poderá, inclusive, exigir o dispêndio de recursos públicos. Esse dispêndio poderá ter maiores impactos no equilíbrio econômico de parcerias público-privadas, sobretudo na modalidade de "concessão administrativa", considerando que a sua remuneração envolve integralmente o aporte de recursos públicos.

O segundo entendimento, no sentido de que essas receitas só poderiam ser exploradas pelo concessionário se originalmente previstas no edital de licitação (de acordo com uma interpretação literal do artigo 18, VI, da Lei nº 8.987/1995) também não se coaduna com o próprio regime dos contratos de concessão. Isto porque, na qualidade de contratos relacionais, os pactos concessórios são regidos pelo princípio da mutabilidade, o qual autoriza que esses ajustes venham a se adaptar às circunstâncias supervenientes, para melhor atenderem ao interesse público. Além disso, esse entendimento violaria o princípio da modicidade tarifária (previsto no artigo 6º, §1º, da Lei nº 8.987/1995), já que parte das receitas obtidas pelo concessionário será, necessariamente, destinada à modicidade tarifária.

Caso tais interpretações venham a prevalecer - em âmbito administrativo, ou judicial -, a administração pública, além de violar os princípios da eficiência e da economicidade, estará colaborando para a retração de investimentos no país.

Rafael Véras de Freitas é professor de regulação na FGV Direito Rio e sócio do LL Advogados

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

DÓLAR PERDE FORÇA COM CENÁRIO EXTERNO
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM

O dólar caiu ontem frente às principais divisas diante do dado mais fraco que o esperado de encomenda de bens duráveis nos Estados Unidos e a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve manter um tom moderado no comunicado da reunião que termina hoje. No mercado local, o movimento de queda da moeda americana foi mais acentuado, diante da perspectiva de continuidade do ciclo de aperto monetário e ajuste da política fiscal, que tornam o país atrativo para aplicações em renda fixa.

O dólar comercial caiu pelo segundo dia consecutivo, encerrando em baixa de 0,75%, a R$ 2,5697.

Além do cenário externo, o discurso da presidente Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial do ano, sinalizando que apoia as medidas de ajuste fiscal anunciadas recentemente pela nova equipe econômica, foi bem recebido pelo mercado, com o dólar ampliando a perda frente ao real.

De forma geral, o mercado local acompanhou a queda do dólar em relação às principais divisas no exterior. A moeda americana perdeu força após a divulgação do dado mais fraco que o esperado de encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos, que recuaram 3,4% em dezembro, enquanto a expectativa do mercado era de alta de 0,3%.

Esse dado reforça a visão de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed deve repetir o termo usado na reunião anterior, em que destacou que a autoridade monetária americana deve ser "paciente" para começar a elevar a taxa básica de juros.

A menor pressão no cenário externo, em meio ao aumento da liquidez com o programa de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), favorece as aplicações em ativos de maior risco, como as operações de "carry trade" - como é conhecida a estratégia em que o investidor toma recursos em moedas de países com juros baixos no exterior e os aplica em papéis lastreados em divisas de mercados com retornos mais altos.

Nesse cenário, o Brasil se mostra atrativo, como um dos únicos mercados emergentes em processo de aperto monetário em um cenário que muitos países estão cortando a taxa básica de juros. Além disso, o anúncio de medidas de ajustes fiscal tem melhorado a percepção dos investidores em relação ao Brasil.

Ontem, a presidente Dilma disse, em discurso na primeira reunião ministerial de 2015, que os ajustes da política fiscal são necessários para manter o rumo, preservando as prioridades econômicas e sociais, sinalizando que apoia as medidas anunciadas recentemente pela nova equipe econômica, que envolveram corte de gastos públicos e aumento de impostos.

A recuperação das contas públicas é importante para evitar um rebaixamento do rating soberano do Brasil e a sinalização do esforço do governo para cumprir a meta de superávit primário, de 1,2% do PIB para este ano, ajuda a reduzir a pressão sobre o câmbio.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

BRASIL VAI PROPOR QUE VENEZUELA PAGUE IMPORTAÇÕES COM PETRÓLEO
Publicado em 01/28/2015 as 02:34 PM

O Brasil estuda propor à Venezuela um mecanismo que use o petróleo da estatal PDVSA, e derivados, como garantia para as exportações brasileiras ao país vizinho. A ideia parte da avaliação em Brasília de que esse importante parceiro comercial, que no ano passado assegurou o maior superávit na balança brasileira com outros países, está ficando sem divisas para o pagamento das exportações - quadro que deve se agravar no curto prazo com a queda dos preços do petróleo.

Segundo fontes do governo brasileiro, a intenção é "desmonetizar" ao máximo o comércio entre os dois países, dada a crescente falta de dólares no lado venezuelano. Também cogita-se garantir as exportações com o ouro depositado no Banco Central da Venezuela, que atualmente compõe cerca 60% das reservas internacionais do país, próximas de US$ 21 bilhões.

"O objetivo é criar mecanismos que deem alternativas ao pagamento em moeda física", disse ao Valor uma fonte do governo brasileiro. "Tudo o que eles importam de nós é pago em dólares. Não precisa e não pode ser assim."

A falta de divisas na Venezuela já se reflete em grandes atrasos no pagamento a exportadores brasileiros e também a empresas brasileiras instaladas no país, que não conseguem obter dólares do BC para repatriar à matriz. A Câmara de Comércio Venezuela-Brasil (Cavenbra) estima que esses atrasos já cheguem a US$ 5 bilhões - valor superior às exportações brasileiras para a Venezuela ao longo de todo o ano passado, de US$ 4,6 bilhões.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) confirma que tem recebido relatos de exportadores brasileiros sobre os atrasos. Sofrem mais setores tidos como não prioritários, como têxteis e autopeças, segundo a Cavenbra. Alimentos e medicamentos, que compõem o grosso das exportações brasileiras, estão com a situação quase normalizada - em grande parte por exigirem pagamento adiantado.

Outros mecanismos também estão sendo estudados. Pelo menos desde 2013, quando os atrasos começaram a se intensificar, o Mdic estuda criar um mecanismo semelhante ao Programa de Financiamento às Exportações (Proex), operado pelo Banco do Brasil, para esse fim. Pelo modelo a ser proposto, o estatal Banco de Venezuela seria o tomador e garantiria a operação. A instituição repassaria os dólares diretamente ao exportador brasileiro, quitando o empréstimo com o Banco do Brasil de maneira parcelada.

Mais a longo prazo, os dois países estudam ampliar a integração de suas cadeias produtivas. Uma das ideias envolve integrar a Zona Franca de Manaus a zonas econômicas especiais do lado venezuelano, possivelmente com investimentos brasileiros.

A crise política e econômica na Venezuela e as eleições presidenciais brasileiras em 2014 travaram as conversas entre os dois governos. Um grupo de trabalho econômico e comercial, criado em 2013 pelos dois países para discutir esse e outros temas, ainda não se reuniu. Segundo o Mdic, isso deve acontecer na primeira quinzena de março, com a visita do novo secretário-executivo, Ivan Ramalho, a Caracas. Se as conversas avançarem, disse outra fonte, o assunto será novamente tratado em junho, em encontro bilateral entre os presidentes Dilma Rousseff e Nicolás Maduro, em meio à Cúpula do Mercosul, em Brasília.

O uso de petróleo como garantia ou remuneração a exportações não é novidade para os venezuelanos. A China, por exemplo, já recebe essa commodity em troca de boa parte das exportações e serviços prestados por suas empresas na Venezuela. Estima-se que o país asiático tenha emprestado US$ 45 bilhões à Venezuela em troca de petróleo nos últimos anos.

Esse fato, no entanto, torna alguns em Brasília céticos com relação à capacidade do pais de comprometer ainda mais o seu petróleo num acordo com o Brasil. Uma terceira fonte nota que "a Venezuela já tem mais da metade de sua renda petroleira comprometida com a China até 2017". O quadro fica ainda pior porque a produção venezuelana está em queda, diz.

A mesma fonte, porém, afirma que outras empresas brasileiras já utilizam mecanismos semelhantes. Boa parte da nafta venezuelana importada pela Braskem, por exemplo, é uma forma de remuneração para obras da Odebrecht, sua controladora, no país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

FATORES 'IMPONDERÁVEIS' ESTÃO JOGANDO CONTRA O PAÍS, DIZ LOES
Publicado em 01/28/2015 as 02:34 PM

O ajuste macroeconômico "rápido e duro" que tem sido sinalizado pela nova equipe econômica pode levar o Brasil a entrar em recessão em 2015, mas a recuperação da atividade, nesse cenário, seria também mais rápida, afirma Andre Loes, economista-chefe para América Latina do HSBC.

Em dezembro, Loes já estimava queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Um dos primeiros economistas a falar em recessão, Loes acredita que o Brasil pode crescer 2,8% já em 2016, caso o ajuste seja bem conduzido. O crescimento mais forte, diz, virá da retomada da confiança e dos investimentos do setor industrial, taxa de câmbio mais favorável às exportações e recuperação do consumo.

Loes, do HSBC: Apesar do pessimismo neste ano, Brasil pode crescer 2,8% em 2016 caso o ajuste seja bem conduzido

O problema, afirma, é que os "imponderáveis" parecem estar, quase todos, contra o Brasil. Os ganhos com investimentos em infraestrutura, por exemplo, poderiam ser mais rápidos, mas a paralisa no setor com a Operação Lava-Jato pode levar o investimento em infraestrutura a cair 20% neste ano.

Outros "imponderáveis" são a queda dos preços das commodities e o risco de racionamento de água e energia no Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O ministro da Fazenda tem sinalizado algumas mudanças na condução da política econômica, com ajuste fiscal e redução de subsídios setoriais. O ajuste é possível?
Andre Loes: Acho que as sinalizações dadas pela nova equipe econômica são muito positivas. Com os aportes para o setor elétrico e para o BNDES, o Tesouro assumiu um fardo muito grande, o que levou a uma piora do resultado fiscal. Em 2014, o crescimento foi baixo e atrapalhou a arrecadação, mas parte relevante da piora veio do aumento de subsídios. É preciso reverter essa situação, ou corremos o risco de perder o grau de investimento. Não sei se o superávit primário vai ser de 1,2% do PIB, mas o que os investidores querem ver é mudança de curso. Então se o resultado for de 0,9% do PIB e governo mostrar que está caminhando para entregar 2% em 2016, a reação será boa.

Valor: O pacote da semana passada ainda não é suficiente?

Loes: Para o ajuste total, não. Para chegar na meta, o ajuste tem que ser de R$ 80 bilhões. A elevação da Cide, as demais medidas anunciadas no mesmo dia, o restabelecimento da alíquota de IPI e as medidas de readequação de direitos trabalhistas somam cerca de R$ 50 bilhões. Caso o governo não consiga trabalhar muito o lado do gasto, acho que CPMF é uma possibilidade, por mais que a gente saiba que tem custo político e resistência no Congresso.

Valor: O ajuste é necessariamente recessivo?

Loes: Ao fazer ajuste fiscal, o governo está subtraindo recursos do setor privado, com intuito de poupar. Se é bem feito, as expectativas do setor privado começam a melhorar, os projetos de investimento saem das gavetas, a demanda privada começa a se contrapor a essa redução de gasto público. Agora, o primeiro impacto é sempre contracionista. Aumento de superávit primário é política contracionista.

Valor: Mas dá pra esperar que o fim do ano seja mais positivo?

Loes: Tenho a impressão que o Joaquim [Levy, ministro da Fazenda] vai tentar fazer um ajuste duro no início para reverter rapidamente as expectativas. Essa é a maneira mais correta de fazer o ajuste. Você sai mais rapidamente da lógica de contração para lógica de expansão. Tudo que tem sido proposto até agora vai nesse sentido.

Valor: Como se comporta o investimento nesse cenário?

Loes: Temos no nosso cenário uma queda de 7% do investimento, e a estimativa tem um quê de "impressionismo" do que pode acontecer no setor de infraestrutura. Os relatos são de paralisação de decisões no momento. Se isso durar seis meses, o investimento do setor pode cair 20% neste ano, em relação a 2014. Não fosse isso, talvez o investimento até ficasse estável.

Valor: O cenário contempla racionamento de energia e água?

Loes: Não. Se houver racionamento, o crescimento será pior. Mas acho que o impacto é menor do que em 2001, pois hoje o racionamento não seria uma surpresa para consumidores e empresários.

Valor: Alguns analistas começam a falar em convergência da inflação para a meta em 2016. É o cenário mais provável?

Loes: A inflação brasileira é resistente à queda, mas não é uma rocha. Mas acho difícil em 2016 ter convergência tão grande. Estimamos inflação de 5,3% no ano que vem, e mesmo assim vai depender de evolução do setor elétrico. Se as chuvas continuarem muito ruins, os custos de geração vão seguir altos e os repasses para os consumidores podem ser maiores. Infelizmente, os imponderáveis estão mais para o lado ruim.

Valor: Então o que vai trazer esse crescimento de 2,8% que vocês projetam no próximo ano?

Loes: Em parte, é o consumo. A demanda vai crescer só 0,5% em 2015, e depois volta a crescer 2% em 2016. Mas ainda é um crescimento abaixo de 3%. Para crescer mais, precisamos resolver problemas estruturais que se armaram e são relevantes.

Valor: Quais são os principais?

Loes: A infraestrutura. Espero que governo volte com concessões e isso pode ser muito positivo. É tão premente que a gente não tem nem ideia da melhoria de custos que esses ganhos podem acarretar. Mais para a segunda metade deste mandato podemos ver esses resultados. A agenda é de ganho de produtividade. Não é forma fácil de crescer, mas é mais sustentável.

Valor: A redução de preço do petróleo ajuda ou atrapalha?

Loes: A redução de preço de petróleo é positiva para Petrobras, que estava subsidiando valor da gasolina, e pode ser positiva para inflação. Mas os preços das commodities se correlacionam e as demais tendem a acompanhar a queda do barril. E aí é ruim para o Brasil, já que 65% das exportações são commodities, enquanto só 25% são importações desses produtos. A variável de ajuste é a taxa de câmbio. O HSBC tem projeção de R$ 2,80 de média para 2015, e de R$ 3 para o fim do ano. Agora, isso é bom para vários setores. Começa a ajudar mais a indústria, que de fato ficou muito exposta.

Valor: O setor externo está entre os imponderáveis negativos para Brasil em 2015?

Loes: Temos visão pior para economia global. Neste primeiro semestre, o cenário é ruim para mercados emergentes, com commodities em queda e economias desenvolvidas ainda fracas. Quando há essa piora, começam a apontar os mais frágeis, e o Brasil tem sido colocado nesta lista. De fato ficou mais frágil com piora fiscal e pode ter maior volatilidade da taxa de câmbio, por exemplo. Mas se o critério para falar de crise for balanço de pagamentos, estamos mais preparados do que na maior parte da história do país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

LAVA-JATO DERRUBA PROJEÇÕES DE PIB E INVESTIMENTO
Publicado em 01/28/2015 as 02:33 PM

A paralisia em projetos da Petrobras e das construtoras envolvidas nas investigações da Operação Lava-Jato pode resultar em uma queda na ordem de 15% nos investimentos em infraestrutura no país em 2015 e, com isso, puxar a economia inteira para baixo. Isso confirmaria a perspectiva crescente de uma recessão em um momento em que a atividade já caminha fraca. A estimativa é da Tendências Consultoria, que mapeou o peso das empresas envolvidas no escândalo e calcula que o desdobramento das investigações deve retirar até 1,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Isso levou a consultoria a revisar sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2015 de alta de 0,6% para queda de 0,5%. "Já contávamos com uma redução na projeção anterior por conta da Lava-Jato, mas o impacto deve ser maior do que imaginávamos inicialmente", disse a analista Alessandra Ribeiro.

Isso significa que, na visão da consultoria, não fosse pelo estouro do escândalo e suas consequências sobre os negócios de algumas das maiores empresas do país, o PIB poderia crescer 1% em 2015, mesmo sob os efeitos negativos de um consumo já fraco e do aperto nos gastos do governo, que já estavam na conta. A Tendências engrossa uma lista de consultorias e instituições financeiras que começam a revisar as estimativas e, em muitos casos, a vislumbrar um PIB negativo no ano, conforme evoluem as investigações da operação da Polícia Federal.

"O efeito multiplicador da Petrobras é muito grande", explica Alessandra. A estimativa da Tendências, com base no histórico do PIB e dos investimentos da empresa, é de que para cada R$ 1 que a Petrobras aplica, alavanca-se mais R$ 1,90 na economia. Além disso, sozinha, a companhia representa cerca de 2% do PIB - é o quanto representaria, anualmente, os US$ 220 bilhões planejados inicialmente no programa de investimentos de 2014 a 2018 da empresa. O peso das empreiteiras é igualmente grande. O levantamento da Tendências estima que os projetos tocados por elas atualmente, uma carteira que abrange a maior parte das obras de infraestrutura do país, representem 2,8% do PIB.

É por isso que a revisão cortou crescimento em praticamente todos os segmentos da economia: o PIB industrial foi revisado de alta de 0,8% para queda de 2,6%, puxado por um encolhimento de 6% só na construção civil. A projeção para a formação bruta de capital fixo (FBCF), a medida do PIB para os investimentos, saiu de alta de 1,1% para queda de 4,3%. Isso deve ter impacto no mercado de trabalho - com desemprego subindo a 6,3% e a renda crescendo 0,2%, em vez de 0,4%. Com consequências também para o consumo, que foi cortado de 0,8% para 0,2%.

O corte generalizado vem pelo entendimento de que a Lava-Jato, somada às próprias questões de financiamento que a Petrobras já enfrentava, engessa a estatal e as construtoras investigadas em várias frentes. Além de problemas financeiros reais, principalmente nas empreiteiras, onde em alguns casos a suspensão de contratos deflagrou problemas de dívidas, segue-se também os problemas jurídicos, que impedem novos contratos ou licitações, e uma crise de credibilidade, o que dificulta a captação de financiamento em bancos nacionais, internacionais e também na bolsa de valores.

"Há implicações tanto legais quanto financeiras, e os efeitos colaterais podem ser maiores do que se imaginava", diz Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, que revisou o PIB de 2015 de alta de 0,3% para queda de 0,5%, sendo que o "efeito Lava-Jato", sozinho, cortou 0,3 ponto do total. O restante entra na conta de prováveis racionamentos de água e de energia no segundo semestre.
"A Petrobras representa cerca de 10% da formação bruta de capital fixo. Cada 10% que ela reduz de seu investimento tira 0,3 ponto do PIB", explica Kawall. É uma conta parecida com a do banco Credit Suisse, que, em conferência a investidores ontem, estimou que para cada corte de 10% nos investimentos da estatal se perde 0,2 ponto de PIB. O banco revisou sua projeção para o ano também de crescimento de 0,5% para queda de 0,5%.

"Estamos falando de uma revisão significativa em uma cadeia, a de petróleo e gás, que representa um terço dos investimentos da indústria", pontua o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Sua projeção para o PIB de 2015 saiu de alta de 0,5%, no cenário de economia fraca e ajustes fortes, para queda de 1%, no cenário da mesma economia fraca piorada pelas crises na Petrobras, na energia e na água.

"A importância da Petrobras para nós é indiscutível, basta olhar o tamanho da participação dela no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]", disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins. A Cbic, no entanto, vê a crise menos como um colapso da construção nacional e mais como uma oportunidade para as pequenas e médias empresas - "não será por falta de construtora que não haverá investimentos", reforça Martins.

Os investimentos, de qualquer forma, estão parados. "Todas as empresas com algum vínculo a projetos da Petrobras estão com milhares de equipamentos parados em suas fábricas", conta César Prata, presidente do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo Prata, da metade do ano passado para cá, com os projetos entre Petrobras e empreiteiras suspensos, máquinas que já estavam encomendadas foram abandonadas, enquanto novas encomendas praticamente zeraram. "São produtos feitos sob encomenda para a Petrobras, especiais para cada projeto, prontos, embalados e parados. Não servem para mais ninguém. Para quem vamos vender?", conclui.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

POR QUE A LEI DOS PORTOS NÃO RESOLVEU O PROBLEMA
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Há cenas que beiram o bizarro no Porto de Santos, o maior do país, pelo qual passa 25% do comércio exterior brasileiro, algo como US$ 122,5 bilhões em 2013. Pelas ruas que dão acesso aos terminais de grãos, garis recolhem mensalmente 36 toneladas de lixo. A varrição diária inclui soja, milho e açúcar que caem dos caminhões, em grande quantidade. Em outro ponto, a área em que caminhões descarregam açúcar foi apelidada de Holiday on Ice, graças ao efeito causado nos passantes. Do outro lado, na margem esquerda do porto, cerca de 4,1 mil famílias das favelas de Conceiçãozinha e Prainha vivem vidas praianas tendo navios gigantescos no quintal: crianças brincam e homens pescam em águas contaminadas por metais pesados e o próprio esgoto da favela. Há ainda os vários problemas das empresas: estruturas precárias, terminais que só operam graças a medidas judiciais, problemas ambientais variados e – tão impressionante quanto – alguns bilhões de reais em investimentos parados.

O pior: nada disso é novo. Com a promulgação da nova lei dos portos, há um ano, esperava-se que esse cenário não só mudasse, como a modernização, o ganho de competitividade, a maior competição e a redução do Custo Brasil já tivessem começado a acontecer. O próprio governo tinha a expectativa de receber R$ 54,2 bilhões em investimentos nos portos até 2017, sendo que R$ 31 bilhões chegariam até o ano que vem. Não só nada disso aconteceu, como o efeito foi o oposto. Segundo a Inter.B Consultoria, o investimento no setor, que alcançou R$ 7 bilhões em 2012, caiu para R$ 4,53 bilhões no ano passado, uma retração de 35%. Em relação ao PIB, o valor equivalente percentual é de 0,09%, o mesmo investido entre 2007 e 2011. Também houve aumento no Custo Brasil pelas mudanças trabalhistas e uma série de efeitos que atravancaram os negócios.

Como no setor de energia, cuja principal meta das mudanças era reduzir o preço pago pelo consumidor, a intenção do governo federal nos portos também foi nobre. “O objetivo foi aumentar a competitividade na logística do transporte de carga, que custa 13% no Brasil, ante 8% ou 9% nos países mais desenvolvidos”, afirma Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B. Porém, a maneira de chegar lá, como disseram vários entrevistados, mais uma vez foi o problema. “Nos portos, houve a repetição do modus operandi desse governo, já visto em outras áreas: autoritário, com uma lei imposta de cima para baixo e centralizando o comando em Brasília”, diz Frischtak. “É um padrão que gera incertezas e desconfianças, em vez de atrair e facilitar os investimentos.”

O principal problema para o atravancamento do setor foi a mudança da lei. Para que pudesse ser posta em prática foi necessária a elaboração de artigos no último ano. “Não era preciso mudar e passar uma régua em todas as regras do setor portuário”, diz Claudia Bonelli, sócia do escritório Tozzini Freire. “Havia problemas, sim, na lei anterior, mas algumas mudanças pontuais teriam sido suficientes para melhorar a competitividade e não teriam criado toda a incerteza jurídica de um novo marco regulatório.” O mesmo recado foi transmitido por entidades setoriais e empresas ao governo, antes de a nova lei ser implantada: numa área em que os investimentos maturam e têm retorno no longuíssimo prazo, trocar a legislação significa mexer com decisões futuras e com aportes feitos, inclusive, no passado. Cálculos de Frischtak indicam que o custo da incerteza regulatória aumenta a taxa de retorno para o capital em 150 pontos, ou 1,5%. “É muita coisa”, diz ele.

Houve ainda outro agravante nos planos de reformulação da área, de acordo com especialistas. A pressa na elaboração de um projeto que abrangesse todo o setor, no país inteiro – sem uma discussão ampla com os envolvidos – fez com que ele tivesse erros e acabasse numa longa discussão no TCU. “Foi uma mudança estrutural muito grande, infelizmente concretizada num ano anterior ao da eleição”, diz Maria Eduarda Berto, da EBP (Estruturadora Brasileira de Projetos), responsável pelos estudos técnicos. Além das restrições do TCU ao modelo apresentado, a própria participação da EBP, que pertence a nove bancos e já tinha sido responsável por outros 15 estudos semelhantes em obras públicas, foi discutida num processo que levou sete meses. “Esse processo era mais complexo porque envolvia vários modais e interesses”, diz Marcelo Saintive, presidente da EBP.

Até o fim de junho, o TCU não havia tomado uma decisão sobre os arrendamentos. Porém, muitos investidores tinham dinheiro e times preparados há meses. “Tenho interesse em áreas e já me estruturei financeiramente”, diz Antonio Carlos Fonseca Cristiano, dono da Marimex, uma das maiores operadoras de contêineres de Santos. Segundo Claudia, as consultas de clientes interessados também se multiplicaram no escritório. “Fomos um dos primeiros a manifestar interesse em antecipar a renovação da concessão e participar das licitações, especialmente contêineres e veículos”, afirma Mauro Salgado, diretor comercial da Santos Brasil, a maior da América Latina. “Temos não só os recursos humanos como meios para obter fundos necessários para participar nesse processo.”

Centralizar e enfraquecer
O argumento do governo para mudar totalmente a lei foi evitar uma colcha de retalhos para a área. Para vários especialistas, porém, o objetivo seria criar uma estrutura que permitisse centralizar as decisões em Brasília, ao mesmo tempo em que as autoridades portuárias (as companhias docas), os conselhos deliberativos (Conselho de Autoridade Portuária) e a agência reguladora do setor (Antaq) fossem enfraquecidos, para evitar longas discussões nas decisões a serem tomadas. “O problema desse modelo é que, se a intenção do político de plantão é boa e correta, muito bem”, diz Claudia. “Mas a estrutura, tal qual foi montada, deixa o setor portuário na ótica da caneta da vez.”

As impressionantes filas de 25 quilômetros de caminhões parados, à espera de sua vez de descarregar grãos nos portos, em 2013, evidenciaram um problema mais do que sabido: a infraestrutura brasileira, após décadas sem investimentos, havia chegado ao limite. As imagens deram força à aprovação da lei que, em linhas gerais, permitiu que terminais privados movimentassem cargas próprias ou de terceiros e mudou a relação trabalhista do setor. Ela também deveria ter acelerado novos arrendamentos em terminais públicos e antecipado a prorrogação de contratos já existentes. Até agora, isso não aconteceu.

A lei permitiu a criação de terminais privados que podem movimentar cargas suas e de terceiros – uma figura que não existia até então – e também tornou legais empreendimentos como a Embraport e a Portonave, que são terminais privados em portos públicos. A medida foi aplaudida porque incentivava a competição e ampliava a capacidade dos portos. “Houve um choque de oferta em Santos [com a entrada em operação de novos terminais]”, diz Henry Robinson, ex-presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP) e atual membro do conselho da empresa. “Mas, como numa nova pizzaria que chega ao bairro, saem ganhando os que gostam de pizza.” A BTP não está operando com capacidade plena por falta de dragagem, cuja licitação deve sair até o fim do ano. Apesar da maior oferta em Santos, os preços da movimentação de contêineres já vinha caindo desde a lei anterior, de 1993 (leia tabela à pág. 89).  

Ao mesmo tempo que aumentou a competição, a mudança na lei criou novas incertezas. “Os arrendatários que já tinham contratos em terminais públicos vão passar a competir com terminais privados, em portos privados, com estruturas diferentes e mais ágeis”, diz Claudia. “Isso é isonômico?” Segundo ela, em alguns anos, quando o tema estiver sedimentado, há o risco de empresários buscarem na Justiça o direito de se submeter às mesmas regras. Mais uma vez, a garantia dessa isonomia estará nas mãos da Secretaria Especial de Portos (SEP), que tem status de ministério, e da Antaq. “O problema é que a agência reguladora enfraqueceu”, diz o diretor de uma operadora. “Ela passou a ser subordinada à secretaria de portos, o que não era antes.” Segundo ele, há vários sinais de que o Executivo não confia na agência. “Tanto que a regra emitida por ela em janeiro, sobre como fazer a prorrogação contratual, não foi levada adiante”, diz.

Nos terminais públicos, a novidade mais incômoda é a trabalhista que, na prática, aumentou o Custo Brasil. Agora, os arrendatários são obrigados a contratar empregados por meio das Ogmos (Órgão Gestor de Mão de Obra). O objetivo era fazer com que trabalhadores avulsos fossem priorizados na contratação. “É inexequível”, diz o diretor de uma grande operadora. “Se eu precisar contratar cem motoristas de caminhão e a Ogmo só tiver 20, ela os buscará no mercado, o que cria uma etapa – e um custo – desnecessário.”

Além disso, a nova lei também implantou categorias sindicais separadas. Agora, as empresas têm de negociar com portuários, conferentes, estivadores, operadores de guindaste, de caminhão, capatazes, vigias e consertadores, entre outros.  “Na prática, os funcionários deixarão de ser promovidos”, diz esse diretor. “O cargo mais almejado no porto é o de operador de portainer [guindaste de grande porte, usado para carregar e descarregar contêineres de navios]. Muitos dos que hoje trabalham nessa função começaram em cargos mais simples, foram treinados e promovidos.” Para ele, os sindicatos não deixarão as promoções acontecer, para evitar a perda de bases, e pressionarão por salários maiores, mesmo em funções em que a qualificação for menor. “Ou seja, teremos empregados frustrados, talvez ganhando um pouco mais, mas que não conseguem progredir na carreira”, diz. “É mais Custo Brasil, sem dúvida.”


“Credo desse governo”
A mudança trazida pela nova lei que levanta mais questionamentos em todo o porto é a centralização da gestão em Brasília. “A experiência anterior que tivemos foi com a Portobrás [órgão extinto no governo Collor] que sofria por centralizar tantas coisas diferentes, em lugares tão distantes”, afirma Claudio Loureiro de Souza, diretor executivo da CentroNave, entidade que reúne os armadores. Ele está longe de ser o  único a recear que a gestão do porto se torne ainda mais arrastada: a preocupação foi expressa por advogados, operadores, entidades de classe e mesmo órgãos públicos, acostumados à morosidade do sistema. “Tirar poder da Codesp [as docas de Santos] é mais um complicador”, diz César Valente, gerente da Cetesb em Santos. “Em vários momentos conseguimos nos aliar à Codesp para pressionar as empresas a resolver irregularidades ambientais.” Se antes a Codesp fiscalizava e multava, agora ela apenas fiscaliza e tenta resolver os problemas na instância administrativa. Para diversos presidentes de companhias docas ouvidos, eles deixaram de ser gerentes para se tornar zeladores dos portos.

A nova diretoria da Codesp nega que haja qualquer perda de poder. Ao contrário. “Perder o canhoto de multas é perder poder?”, diz Angelino Caputo, que saiu da Casa Civil em abril para presidir a Codesp. “Não, não é. Se a empresa não se ajustar ao que determinamos, vira infração grave e ela é multada pela Antaq.” Para ele, não existe fronteira entre companhia docas e SEP e, até mesmo, Antaq. “Somos uma única equipe que tem uma parte no porto e outra em Brasília”, afirma. “Eles cuidam da política do setor e traçam a estratégia com a visão nacional, enquanto estamos focados na realidade local.”

Segundo Luis Montenegro, diretor de planejamento estratégico da Codesp, a mudança fez com que o poder institucional da autoridade portuária se tornasse maior. “Qualquer decisão que a gente toma hoje é feita com mais tranquilidade porque tem a diretriz do ministério e o aval da agência reguladora”, diz ele. “Antes, as decisões eram tomadas sozinhas pela autoridade portuária, quase sem efeito prático.” De acordo com ele, havia muito desgaste na compra de brigas institucionais. “Na questão das filas [de caminhões], por exemplo, chegou um momento em que precisamos discutir com os donos de cargas para que assumissem certas responsabilidades”, afirma. “Eu tinha limitação para conseguir falar com os grandes produtores nacionais, mas quando o Ministério da Agricultura foi envolvido, a coisa mudou de figura.” Em casos nos quais prevejam um embate jurídico, diz, a Codesp pode acionar a Advocacia Geral da União (AGU). “Isso muda toda a argumentação, já na assinatura de contratos.” Os ganhos de sinergia também podem ser ampliados no desenvolvimento de sistemas, a ser adotado em todo o país.

Executivos do setor reconhecem o esforço por melhorias da nova gestão. “Eles estão empenhados em ter bons resultados”, diz Salgado, da Santos Brasil. Na busca pela eficiência da autoridade portuária, foi implantado um PLR (Programa de Participação nos Lucros e Resultados) dos dirigentes, bem como um sistema de honorários mensais variáveis. Assim, não só o bônus anual, como o salário mensal podem variar. “O PLR está ligado a metas da empresa, enquanto o honorário variável é calculado sobre metas de gestão”, diz Caputo. “Se um diretor tiver de concluir um projeto em determinado prazo e não puder fazê-lo porque teve dificuldades com o Ibama ou a prefeitura e ficou sentado esperando a solução, ele já perdeu parte do salário.” A Codesp conseguiu atingir 98% das metas de gestão trimestrais estabelecidas pela SEP, na primeira avaliação. “A ideia é que as metas comecem a ser apertadas até que, no futuro, 50% da remuneração seja variável.”

Outro projeto de ganho de eficiência foi a contratação da consultoria Deloitte para mapear processos, identificar gargalos e ineficiências. As soluções serão propostas pelos participantes do sistema. “A consultoria trouxe a metodologia, mas é um projeto da SEP com as docas e, espero, com o apoio da comunidade portuária”, afirma Caputo, para quem esse projeto é a “menina dos olhos”. “Temos muita coisa para evoluir em termos de agilidade do porto e eles é que vão dizer onde o negócio pega.”

Paulo Barbosa, prefeito de Santos, é um dos que estão doidos para serem ouvidos pela Codesp. “Há uma grita geral em relação à falta de diálogo com o governo federal: não foram ouvidos nem a esfera pública e muito menos o setor portuário”, diz Barbosa. “Do jeito que as mudanças foram feitas, de maneira impositiva, nada vai funcionar.” O problema que envolve a cidade diz respeito ao terminal de grãos, na Ponta da Praia. O corredor de exportações, por onde sai boa parte das commodities produzidas pelo país, virou bairro nobre e objeto de especulação imobiliária. Isso fez com que as reclamações dos moradores crescessem.

“Quando a soja não é varrida, a chuva molha e o sol fermenta os grãos”, diz Valente, da Cetesb, que recebeu mais de cem reclamações no ano passado sobre o porto. “O cheiro é de galinheiro.” Além disso, o medidor de qualidade do ar do órgão localizado na mesma região também indica índices piores em relação ao resto da cidade. Nuvens de poeira podem ser vistas no carregamento dos navios, de longe. “Somos grandes interessados na expansão e no crescimento econômico do porto, mas há impactos negativos que precisam ser mitigados”, diz Barbosa. “Tínhamos um plano de zoneamento portuário discutido à exaustão com todos os participantes, inclusive o governo federal, no qual não haveria ampliação para o transporte de grãos ali, e ele foi ignorado.” O resultado é que a cidade de Santos criou uma lei tentando impedir que os grãos ficassem na Ponta da Praia e o governo federal foi à Justiça, já que a área portuária é da União. O processo está no Supremo. Para a Codesp, o governo federal está pensando no longo prazo, quando o modal ferroviário diminuirá o impacto dos caminhões e os investimentos dos novos arrendatários diminuirão a poluição.

Já na outra margem do porto, no Guarujá, a transferência de 1.052 famílias da favela de Conceiçãozinha para um complexo habitacional, prevista para acontecer em 2013, não foi realizada. A obra demorou mais que o previsto e a mudança deve ser feita somente no próximo ano. Das mais de 4 mil famílias moradoras das favelas, só algumas serão transferidas. Nos planos de arrendamento do porto, não está prevista a remoção total da favela: os moradores continuarão com navios em suas janelas ou tendo de recolher a roupa na hora do carregamento de açúcar. “Eles gostam de morar lá”, diz Caputo. A retirada só será discutida caso a área se torne prioridade à expansão da atividade portuária. “Se ela se tornar essencial, discutiremos uma solução social”, diz Montenegro.
“Se a favela se tornar essencial à expansão, buscaremos uma solução social”, diz Montenegro

Além das disputas locais, as idas e vindas dentro do próprio sistema político também podem dificultar os objetivos das autoridades. Um balanço da gestão da SEP elaborado há três meses mostrava que quase todas as metas estabelecidas não haviam sido cumpridas ou foram cumpridas só parcialmente. O próprio Caputo, depois de ter trabalhado no desenvolvimento de um artigo que determinava o regime de contratação simplificado nos portos, em sua época na Casa Civil, viu a possibilidade de o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) ser estendido também para a área, numa das mudanças de leis no Congresso. “Não precisaríamos aí regulamentar a lei dos portos”, diz. Porém, os legisladores voltaram atrás e o regime incluiu só presídios. “Agora será necessário avaliar se será retomado de forma isolada ou se haverá uma nova tentativa [mais ampla]”, afirma.

Outro complicador é a dificuldade em lidar com o pessoal escasso e grupos poderosos. Os lobbies e interesses são fortíssimos e aparecem das mais diversas fontes. Num exemplo simples, Valente mostra o número crescente de advertências e multas aplicadas a empresas, conforme a movimentação do porto aumentou nos últimos anos. “Essas empresas têm um corpo jurídico gigante”, diz. “Qualquer ação da Cetesb tem uma reação imediata e o andamento é lento.”

As dificuldades são tantas que há quem aposte numa eventual volta atrás na nova lei, caso a presidente Dilma Rousseff não seja reeleita. “Não haverá a revogação ou a edição de uma nova lei, mas acredito que o espírito será substancialmente mudado”, diz um operador. Ele não é o único a ter essa opinião. “A questão trabalhista terá de ser revista, bem como a centralização em Brasília.” Para ele, o resultado serão alguns anos perdidos com a paralisia dos investimentos. “Mas, o Brasil vive perdendo tempo, não é mesmo?”
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

ACORDO ENTRE BRASIL E BÉLGICA CRIA CENTRO DE TREINAMENTO PARA TRABALHADOR PORTUÁRIO
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Um Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria de Portos (SEP/PR) e o Centro de Capacitação do Porto de Antuérpia (APEC), na Bélgica, assinado ontem, terça-feira, 16/12, na embaixada da Bélgica, vai garantir a criação do primeiro Centro de Capacitação dos Gestores e dos Trabalhadores Portuários no Brasil. O Centro será montado em Vitória (ES) e conta com o apoio do Instituto Federal do Espírito Santo – IFES, SEST/SENAT e Companhia Docas do Espírito Santos (CODESA).

O ministro da Secretaria de Portos, César Borges, esteve na cerimônia de assinatura do Acordo. Também estiveram presentes o embaixador do Reino da Bélgica, Josef Smet, e representantes das instituições envolvidas no Acordo. O ministro ressaltou a importância da capacitação dos trabalhadores portuários. “A classe dos trabalhadores, que estão aqui representados, e são fundamentais e imprescindíveis. É o entendimento do Governo e nós queremos avançar na política de ter portos cada vez mais eficientes e sem a participação de trabalhadores qualificados e treinados, esta tarefa seria impossível’, disse.

O embaixador Josef Smet destacou as relações entre Brasil e Bélgica. “Com a APEC do Brasil, o Porto da Antuérpia e seus especialistas estreitam ainda mais seus laços com o Setor Portuário Brasileiro, e se inserem totalmente na abordagem definida pela Presidenta Dilma Rousseff e do Senhor Ministro, da transferência de conhecimento para o Brasil e de uma parceira inovadora com um dos maiores portos da Europa”.

O Porto de Antuérpia é um dos maiores do mundo e seu Centro de Treinamento (APEC) é internacionalmente reconhecido como vanguarda na área de ensino portuário. Desde 2010, o Brasil mantém relações com a APEC. Gestores portuários e profissionais da SEP/PR, ANTAQ, INPH, Cias Docas e dos Portos delegados foram treinados na Bélgica. Em 2013, este Acordo de Cooperação Técnica foi renovado com duas fases: Na primeira, a APEC organizou Seminários que ainda estão em andamento no Brasil, abrangendo diferentes temas. A segunda fase é o estabelecimento da APEC do país. As ações estão em consonância com Lei nº 12.815/2013, que prevê investimentos na capacitação de gestores e trabalhadores portuários.

Outras estão envolvidas no Acordo como Federação Nacional dos Estivadores (FNE), a Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga, Vigias Portuários, Trabalhadores de Bloco, Arrumadores e Amarradores de Navios, nas Atividades Portuárias (FECCCONVIB), Federação Nacional dos Portuários (FNP) e das Associações dos Operadores do setor privado (Federação Nacional dos Operadores Portuários FENOP e Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados - ABTRA).

No Brasil, a APEC será montada nas instalações do IFES e do SEST/SENAT em Vitória. Entre os dias 19 e 21 de novembro, uma missão técnica com representantes do IFES, SEST/SENAT, FNE e do OGMO de Vitória foram à Antuérpia para uma visita técnica com o objetivo de selecionar os cursos que serão ministrados no Brasil e obter o material didático já elaborado pela APEC para tradução. Além disso, o Sindicato dos Estivadores do Estado do Espírito Santo e do OGMO serão os responsáveis pela verificação, negociação e eventual aquisição dos simuladores de equipamentos portuários de grande porte, considerados essenciais para o treinamento adequado dos Trabalhadores Portuários Avulsos

A Secretaria de Portos já avalia a instalação da APEC em outros portos do Brasil.
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

TCP ROMPE BARREIRA DOS 160 MPH E BATE NOVO RECORDE DE PRODUTIVIDADE
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) atingiu uma nova marca no último sábado, 13/12, em Paranaguá. A operação do navio "Cosco Napoli" foi realizada com produtividade recorde de 168 movimentos por hora (MPH).

Este é um recorde histórico para o terminal, ultrapassando sua própria marca de movimentação por navio.

Após receber um dos maiores pacotes de investimentos privados do setor portuário brasileiro nos últimos anos (R$ 365 milhões em três anos), o TCP atualmente tem capacidade para movimentar 1,5 milhão de TEUs/ano, conta com 320 mil metros quadrados de área de armazenagem e oferece três berços de atracação, com extensão total de 879 metros.

O TCP tem como acionistas o fundo de private equity Advent International, a Pattac Empreendimentos e Participações S/A, TUC Participações Portuárias S/A, Soifer Participações Societárias Ltda., Grup Marítim TCB S.L. e Galigrain S.A.
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

SINDICOM: DEMANDA POR COMBUSTÍVEIS FECHA ANO COM SALDO POSITIVO
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Apesar das dificuldades econômicas, a demanda por combustíveis fechou 2014 com saldo positivo. As empresas associadas ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) distribuíram 105 bilhões de litros. Este resultado representa crescimento de 6,1% nas vendas, enquanto que o mercado, que movimentou 133 bilhões de litros, avançou 5,6%, conforme anunciou nesta terça-feira o presidente do Sindicom, Alísio Vaz.

Segundo ele, esse bom desempenho foi puxado pela demanda por etanol hidratado, que subiu 11,1% nas associadas, impulsionada por dois fatores: desoneração do PIS/Cofins na distribuição do produto e a atuação rigorosa dos estados na fiscalização e controle do mercado. Além disso - diz -, o consumo de gasolina também subiu, refletindo o aumento da frota de passeio nos últimos anos.

- Relevante neste contexto foi o alinhamento das estatísticas oficiais do mercado de etanol hidratado à realidade das vendas, numa vitória da ANP sobre as distribuidoras que ocultavam informações - disse, acrescentando que a crescente formalização da distribuição do biocombustível, o ajuste do Sistema de Informações, o ajuste do Sistema de Informações de Movimentação de Produtos (Simp) da agência permitiu a entidade acompanhar com dados reais a evolução do segmento..

Alísio disse ainda que a locomotiva de vendas da gasolina C e o óleo combustível foram as Regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. O Norte registrou crescimento de 9% na gasolina e 2% de óleo diesel; o Nordeste 9% e 4%, respectivamente. Já a Região Centro-oeste, cresceu 8% na vendas de gasolina C e 6% no óleo diesel.

Quanto às vendas de querosene de aviação, Alísio disse que às associadas a entidade registraram crescimento de 3,5%, enquanto que as outras distribuidoras registraram queda de 6,5%. Já o mercado registrou crescimento de 3,5%.

- A distribuição de querosene de aviação, feita pelas associadas, também registrou saldo positivo de 3,5%, com 7,5 bilhões de litros. A favor desse resultado, que reverteu a queda do ano anterior, pesaram a retomada da demanda por passagens domésticas em torno de 5%, após um ano de ajuste na oferta de vôos por parte das companhias, e o aumento do número de vôos internacionais, por conta da manutenção de trajetos criados pelas aéreas por ocasião da Copa do Mundo - disse, ressaltando que o faturamento das lojas de conveniências pulou de R$ 3,1 bilhões em 2013, para R$ 3,8 bilhões neste ano.

Alísio fez questão de externar sua preocupação com a atuação da milícia no setor. Segundo ele, aos poucos eles vão eliminado os postos tradicionais.

- O revendedor tradicional é expulso do setor pela milícia que ocupam determinada região. Eles oferecem preço baixo para conquistar o consumidor utilizando algum tipo de fraude. A ANP sozinha não consegue resolver isso. Tem que ter atuação da Polícia. Esses postos também servem como locais para lavagem de dinheiro das milícias.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

CNI PREVÊ LEVE MELHORA DA INDÚSTRIA EM 2015
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Após um 2014 “difícil e duro”, durante o qual o setor industrial teve “desempenho frustrante, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê leve melhora dos indicadores econômicos em 2015. A expectativa da entidade é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça timidamente ao longo do próximo ano, mas que os juros continuem em alta, freando o consumo e os investimentos.

Segundo o seu Informe Conjuntural Anual, o PIB do país deve crescer 1% ano que vem, metade dos 2% estimados pelo governo federal. Este ano, pelos cálculos dos economistas da entidade o crescimento não passará de 0,3%, confirmando a estagnação da economia.

A entidade calcula que os juros terminarão 2015 em torno de inacreditáveis 12,5% e que a inflação encerrará o próximo ano em 6,2%, dentro da meta do governo de até 6,5%. A CNI projeta 6,4% de inflação para 2014.

Para o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, o desafio do país a partir de 2015 será aumentar a competitividade da indústria, tarefa considerada difícil, já que a CNI prevê que o consumo das famílias crescerá 0,7%. Esse aumento contribuiria para a atividade industrial crescer 1%, mas não criaria as condições sustentáveis de um crescimento maior, avalia a CNI.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

MULTIS EXPORTAM QUASE US$ 1 TRI ILEGALMENTE
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Maior parte da sangria veio dos Brics em operações como subfaturamento

Em 2012, US$ 991 bilhões, apenas em capitais ilícitos, foram retirados de economias em desenvolvimento, quase 5% mais do que no ano anterior. O número é estimado pelo instituto Global Financial Integrity (GFI), sediado em Washington, nos EUA, que acompanha fluxos de capital ilegais.

A maior parte do dinheiro foi retirado dos países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na sigla em inglês).

A organização considera capital ilícito aqueles frutos de manobras como faturas comerciais adulteradas, registros artificiais de exportações e importações para fugir do pagamento de impostos ou ocultar transferências vultosas para as matrizes.

De acordo com o documento da Global Financial Integrity, entre 2003 e 2012, US$ 6,6 trilhões foram retirados de forma ilícita de países emergentes, rumo a nações desenvolvidas ou paraísos fiscais.

Desse total, aproximadamente US$ 3 trilhões, ou quase metade, saíram de países dos Brics. Da China, segunda maior economia do mundo, saíram US$ 1,25 trilhão ao longo da década.

A Rússia foi a segunda maior exportadora de dinheiro ilícito; a Índia, a quarta; o Brasil, o sétimo e a África do Sul, o décimo segundo.

É importante destacar que o levantamento refere-se apenas a formas ilegais de retirada de capitais. O documento não trata de outras sangrias, como remessas de lucros, royalties para as matrizes ou paraísos fiscais.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

VALOR DA SAFRA EM 2013 FOI A R$ 232,5 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

A produção agrícola em 2013 chegou a 188,1 milhões de toneladas e bateu recorde, crescendo 16,1% em relação a 2012. No período, o valor da safra foi de R$ 232,5 bilhões, um aumento de 14% na comparação com o ano anterior, informou hoje (16) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou a Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2013.

O documento também revela que em 2013 foram cultivados 72,4 milhões de hectares, sendo 3,2 milhões a mais que 2012, reflexo da expansão do cultivo de soja e de milho.

Das 64 culturas investigadas, a soja, a cana-de-açúcar e o milho foram as que mais contribuíram para o valor da produção de R$ 232,5 bilhões e equivalem a 29,7%, 18,5% e 11,5%, respectivamente, do total. Juntas, as culturas respondem a quase 60% da produção nacional, “impulsionadas pelos bons preços praticados no mercado”, diz o IBGE.

Por causa de estiagens no Nordeste em 2012 e 2013, a mandioca, por exemplo, apontada com um dos principais alimentos do brasileiro, teve queda de preço de 6,8%, impactando o valor da produção da raiz, que subiu 28,5% e influenciou o montante geral.

A pesquisa sobre a produção agrícola mostra ainda que das 64 culturas, 33 tiveram produção menor em 2013 em relação à 2012 e 31 tiveram aumento.

A soja bateu novo recorde da safra, com 81,7 milhões de toneladas, 24% a mais. A área plantada cresceu 2,9 milhões de hectares e somou 27,9 milhões, sendo o Mato Grosso, o principal produtor, com 28,7% da produção nacional de soja. Este também é a principal cultura em 40 dos 50 principais municípios produtores.

No ano passado, a produção de cana-de-açúcar também foi recorde, com 768,1 milhões de toneladas, aumento de 6,5%; enquanto a safra de milho cresceu 12,9%.

“Isso porque a produção da 2ª safra de milho aumentou substancialmente no Mato Grosso, em função de maiores investimentos nas lavouras e do clima favorável do outono”, diz a pesquisa. Já a safra de trigo, apesar de ter sofrido com geadas tardias, cresceu 29,9% e chegou a 5,7 milhões de toneladas.

Entre as regiões do país, o estado de São Paulo foi o que mais contribuiu com a produção nacional, embora a participação tenha passado de 17,8% para 16% entre 2012 e 2013. Influenciado pelo aumento de preços da batata-inglesa, da soja, da cebola, da mandioca e do tomate, a o Paraná expandiu a área plantada e subiu do quarto para o segundo lugar no valor da produção, o equivalente a R$ 31,9 bilhões, ultrapassando Mato Grosso e Minas Gerais.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

INDÚSTRIA DA CHINA JÁ SOFRE RETRAÇÃO
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Um importante indicador da atividade industrial na China caiu em dezembro para o nível mais baixo em sete meses, mesmo após ações tomadas pelo banco central para flexibilizar as condições monetárias. O mau desempenho das fábricas aumenta a expectativa de economistas quanto ao anúncio de novas medidas do governo para impedir a desaceleração.

O resultado preliminar do Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) compilado pelo banco HSBC e pela empresa de informações financeiras Markit recuou de 50,0 para 49,5. O índice procura sinalizar como estará a atividade industrial dentro de alguns meses. Números acima de 50 indicam expansão da produção e abaixo desse nível, retração.

O relatório HSBC/Markit aponta declínios na produção, encomendas, empregos e preços de insumos e produtos.

"Os números destacam as crescentes pressões de baixa sobre o setor manufatureiro", disse Darius Kowalczyk, economista do Crédit Agricole em Hong Kong. "A situação exige ação das autoridades para garantir que o pouso suave [da economia chinesa] prossiga e que a desaceleração não se torne muito brusca."

Relatório divulgado pela empresa de pesquisa e análises Economist Intelligence Unit afirma que a indústria da China ainda é "altamente competitiva" no mercado internacional e continuará assim, já que os custos trabalhistas no país devem permanecer ao redor de 12% dos mesmos custos nos Estados Unidos até 2020.

Também ontem, o Ministério do Comércio informou que em novembro houve uma alta de 22,2% nos investimentos estrangeiros diretos, na comparação com o mesmo mês de 2013. No período janeiro-novembro, o avanço foi de apenas 0,7% em relação aos primeiros 11 meses do ano passado.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SONDAGEM MOSTRA RECUO NA INTENÇÃO DE INVESTIR EM 2015
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

A proporção de empresas que elevou os investimentos neste ano caiu em relação a 2013, enquanto aumentou de forma significativa a fatia daquelas que reduziram os aportes, de acordo com pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Quanto a 2015, o levantamento mostra um setor privado cauteloso, com queda na intenção de investimento das empresas.

Ao todo, foram consultadas 3866 companhias: 545 do setor de construção, 824 na indústria de transformação, 957 no comércio e 1540 no setor de serviços, ao longo do bimestre outubro-novembro. Pela primeira vez, são divulgados resultados de outros setores produtivos, além do tradicional segmento industrial.

Na indústria de transformação, 38% das empresas informaram ter aumentado seus investimentos e 31% diminuíram os aportes. Em 2013, esses percentuais foram de 40% e 25%, respectivamente. No setor de serviços, houve movimento semelhante: 36% das empresas informaram aumento nos investimentos em relação a 2013, e 15%, redução, para percentuais de 41% e 10% no ano passado na comparação com 2012. No comércio foi registrado o maior percentual de empresas indicando aumento nos investimentos em 2014 (42%) e o menor percentual de empresas informando redução (12%), mas ambos são números piores que os de 2013, de 49% e 6%. O pior resultado setorial foi na construção, na qual 26% das empresas perceberam aumento dos investimentos em relação ao ano passado, ante 33% em 2013; e 24% diminuição, fatia maior que a de 17% em 2013.

Enquanto isso, o fraco desempenho econômico atual e as incertezas em relação a 2015 se refletem nas previsões das empresas para a realização de investimentos no ano que vem.

Entre as empresas industriais, 41% programam ampliação dos investimentos, contra 47% que previam o mesmo no 4º trimestre do ano passado. A parcela das que projetam diminuição de investimentos ficou praticamente estável, ao passar de 19% para 18% no mesmo período.

Em serviços, 45% projetam aumentar os investimentos produtivos no próximo ano, número inferior aos 48% que projetavam o mesmo no ano anterior. O percentual de empresas que projetam diminuição de investimentos também variou ligeiramente, ao subir de 7% para 8%, nas projeções para 2014 e 2015, respectivamente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

VENDA DE CARNE BOVINA PARA MERCADO RUSSO CAI EM DEZEMBRO
Publicado em 12/17/2014 as 02:41 PM

A severa crise que atinge a Rússia continua a prejudicar as exportações brasileiras de carne bovina, que logo após o embargo de Moscou à União Europeia e Estados Unidos tinham sido favorecidas. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária das exportações de carne bovina in natura nas duas primeiras semanas de dezembro recuaram 46,43% ante a média de dezembro de 2013, atingindo US$ 2,268 milhões. Na comparação com novembro, a retração também é significativa, de 20,23%. Em novembro, a crise russa já havia derrubado as vendas dos frigoríficos brasileiros - as vendas recuaram 60% em relação a outubro.

No acumulado de 2014, porém, a receita com exportações de carne bovina para a Rússia cresceu, impulsionada pelos preços elevados e pela demanda aquecida até meados de outubro, período em que o Brasil vinha se beneficiando do embargo de Moscou ao Ocidente em retaliação às sanções econômicos em decorrência do conflito na Ucrânia. Segundo dados da Secex compilados pela Abiec, associação que reúne exportadores de carne bovina, as exportações somaram US$ 1,124 bilhão, alta de 13,8% na comparação com igual período de 2013. A Rússia é o segundo principal importador de carne bovina do Brasil, só atrás de Hong Kong.

Nos casos das carnes de frango e suína, o impacto ainda é relativo. Enquanto há forte queda da receita média diária quando comparada às vendas de novembro, a comparação com dezembro é bastante favorável. Conforme a Secex, a receita média diária das exportações de carne de frango in natura para a Rússia foi de US$ 976 mil, mais do que o triplo de dezembro de 2013, mas 62,7% inferior à de novembro deste ano. Para a carne suína, a média ficou em US$ 2,503 milhões, avanço de 65,5% sobre dezembro de 2013 e queda de 39,71% sobre novembro de 2014. O comportamento das vendas de frango reflete os efeitos do embargo russo. Até agosto, o Brasil exportava muito pouco para os russos. Com o embargo, a Rússia precisou se abastecer de frango no Brasil, o que faz com que a comparação com dezembro de 2013 seja amplamente favorável. Em contrapartida, a comparação com novembro já é um alerta de que demanda - e, sobretudo, os preços - não resistirão à crise na Rússia.

Para a carne suína, as explicações são um pouco diferentes, uma vez que a Rússia já era o principal cliente do Brasil. Nesse caso, o que ocorre é escassez global de oferta de suínos, o que impulsiona preços e ajuda a elevar a receita de exportação. Mas, levando-se em consideração a comparação com novembro, esses preços altos estão com os dias contados.

A crise russa deve reduzir ainda mais a contribuição do comércio bilateral para a balança brasileira. Desde 2001 o Brasil manteve, ano a ano, superávit no comércio com a Rússia. Nos últimos dois anos, porém, a queda da exportação brasileira para os russos em ritmo mais acelerado que o da importação achatou os saldos. Em 2011 o superávit com os russos foi de US$ 1,27 bilhão, mas com a perda de fôlego das exportações brasileiras o saldo caiu e no ano passado chegou a US$ 298,1 milhões. Em 2014, a alta do embarque brasileiro de carnes aos russos em razão do embargo de Moscou fez o superávit acumulado até novembro chegar a US$ 824,6 milhões. O desempenho, porém, não deve se sustentar. Em 2015 o Brasil ainda deve manter superávit com a Rússia. Mas, segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), será um "superávit de forma negativa", gerado não pelo aumento dos embarques mas sim pelo recuo das importações. (Colaborou Marta Watanabe, de São Paulo)
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CRISE RUSSA DEVE AGRAVAR QUEDA DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS
Publicado em 12/17/2014 as 02:40 PM

A forte queda dos preços das commodities derrubou as exportações dos principais mercados emergentes nos últimos meses, entre eles o Brasil, situação que deve ser agravada pela crise na Rússia, avaliam economistas. De acordo com cálculos da Capital Economics, a média móvel trimestral das exportações dos países latino-americanos caíram 2,7% no trimestre encerrado em outubro, em relação a igual período de 2013. Nos emergentes europeus, a queda foi de 4,4% e na África e no Oriente Médio, 1,1%.



No Brasil, as exportações no período foram 16% menores. Para economistas, os efeitos diretos e indiretos da crise russa sobre a economia doméstica e a valorização do dólar em relação a maioria das moedas globais colocam em risco a perspectiva de algum aumento da demanda externa por produtos brasileiros em 2015. Na melhor das hipóteses, dizem, o setor externo terá contribuição nula para a economia brasileira no ano que vem, mesmo com a retomada da atividade nos Estados Unidos.



Monica Baumgarten de Bolle, da Galanto: impacto sobre as exportações brasileiras de carnes e na recuperação europeia.

Os problemas enfrentados pela economia russa, que já vinham se acumulando com as sanções econômicas impostas por EUA e União Europeia diante dos conflitos na Ucrânia, tomaram proporções maiores com a forte queda do petróleo a partir do fim de outubro. Com o barril mais barato nos mercados internacionais, o rublo teve forte desvalorização, mesmo com uso de reservas e flexibilização do regime de câmbio pelo BC russo. Para Monica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria, a crise, que já parecia inevitável na última semana, tomou contornos mais problemáticos com a decisão do Banco Central de implementar um choque nos juros, com aumento da taxa de 10,5% para 17% ao ano na segunda-feira.

Para Monica, o enfraquecimento da economia russa deve ter reflexos visíveis sobre o Brasil. De um lado, há a perspectiva de redução das exportações de carnes brasileiras, que ganharam relevância nos últimos meses com o embargo.

Além do efeito sobre as vendas externas, a situação na Rússia torna mais remota a recuperação da economia europeia, diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e consultor da Barral M Jorge. Há seis meses, diz, a expectativa era de que os países europeus tivessem alguma retomada a partir de 2015. "Claro que não se esperava nada de estrondoso, mas a avaliação era de que seria ao menos o início de uma aceleração pequena e lenta. Agora, com a crise da Rússia, mesmo essa pequena recuperação fica remota."

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o cenário europeu, a partir do agravamento da crise russa, é uma incógnita adicional dentro das incertezas que rondam o comércio exterior em 2015.
A avaliação, diz Castro, é que a já combalida importação russa sofra ainda mais no ano que vem. De janeiro a setembro, a importação da Rússia caiu 6,3% contra iguais meses do ano passado. No mesmo período, a importação global cresceu 2%. Em outubro, contra igual mês de 2013, a importação russa caiu ainda mais, em 12,4%. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne informações de 70 economias responsáveis por 90% do comércio mundial.

A demanda em queda dos russos também não deve ser compensada por outros países. Barral avalia que a expectativa será mantida em relação à reação dos Estados Unidos, mas a avaliação, porém, é que a recuperação americana continuará lenta. Ao mesmo tempo, a economia chinesa deve seguir crescendo, mas ainda em desaceleração, diz.

Há ainda a perspectiva de contágio financeiro, comenta Monica, da Galanto. "Um grande país emergente entrando em convulsão está longe de ser um cenário confortável", afirma a economista, lembrando que a Rússia também dispõe de elevados volumes de reservas cambiais, o que não foi suficiente para conter forte desvalorização do rublo. "O mesmo tipo de avaliação pode ser feito sobre o Brasil, de que reservas não são suficientes", diz a economista. Ontem, o dólar encerrou o dia em R$ 2,73, maior patamar desde 2005.

A desvalorização, diz Barral, é um ponto favorável para o manufaturado brasileiro, mas talvez não seja suficiente para alavancar exportações, já que há um movimento geral de outros países também com depreciação cambial. Outro entrave é que o mercado latino-americano também deve perder receita de exportação por conta da queda de preços de commodities.

Para Carlos Thadeu de Freitas Jr, economista da Franklin Templeton, os três fatores que influenciam os preços de matérias-primas estão contribuindo para a derrubada das cotações desses produtos, sem perspectiva de reversão desse movimento no curto prazo. Com a desaceleração da economia chinesa e menor crescimento dos demais países emergentes, a demanda por commodities vem caindo. A oferta, por outro lado, segue firme, com boas safras de grãos esperadas neste ano nos Estados Unidos e manutenção do nível de produção de petróleo. Por último, a normalização da política monetária nos EUA tem motivado um forte movimento de valorização do dólar contra as demais divisas globais, o que diminui o poder de compra dos outros países e a demanda por commodities.

O economista projeta alta de cerca de 0,2% do PIB brasileiro no próximo ano. "Temos ajuste fiscal, commodities em queda, piora dos termos de troca, então não há nada que me faça acreditar em um ano mais positivo".

Monica avalia que a crise na Rússia e a queda das commodities devem levar, em algum momento, a uma nova rodada de revisão de projeções para a economia em 2015. Segundo o último boletim Focus, os analistas de mercado projetam alta de 0,7% do PIB em 2015. "Não acho que estamos falando de recessão, mas deve haver alguma piora", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

MERCADO PROJETA APERTO MAIS FORTE DA SELIC
Publicado em 12/17/2014 as 02:39 PM

Em meio ao aprofundamento da depreciação do real, desencadeado pela fuga de ativos de emergentes, investidores não apenas turbinaram os prêmios de risco ontem na BM&F, como chegaram a montar apostas para um eventual "choque de juros" - ou seja, um cenário em que o Banco Central brasileiro tenha que acelerar o ritmo de aperto monetário.

Diante do derretimento do rublo, o BC da Rússia se reuniu extraordinariamente na noite de segunda-feira e elevou a taxa de juros em 6,5 pontos percentuais, para 17% ano. O tombo das divisas emergentes - já acossadas tanto pela queda das commodities quanto pela expectativa de um aperto monetário nos Estados Unidos no primeiro semestre em 2015 - suscita pressões inflacionárias e sugere que mais bancos centrais tenham que elevar seus juros.

Ontem o dólar subiu pelo quinto pregão, fechando em alta de 1,8%, a R$ 2,7341, o maior patamar desde 24 de março de 2005. Durante as operações, a moeda alcançou os R$ 2,76. Em tal ambiente, se estreita o espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se paute pela "parcimônia" ao elevar a taxa Selic, como prometeu em sua ata. Não por acaso, as taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) que abrigam as apostas para os próximos passos do Copom dispararam ontem e, nos momentos de maior estresse, chegaram a atingir o limite de oscilação estabelecido pela BM&F.

Depois de correr até a máxima de 12,49%, o DI com vencimento em abril de 2015 fechou a 12,27% (ante 12,05% na véspera). De longe o mais líquido do pregão (mais de 730 mil contratos negociados), o DI para janeiro de 2016 - que abrange as apostas para o rumo da Selic ao longo do ano que vem - subiu de 12,64% para 12,92%.

Segundo cálculos da gestora Quantitas, a curva de juros embute 99% de chances de uma alta da Selic em 0,75 ponto percentual em janeiro e grandes chances de repetição da dose em março. No auge da tensão, as taxas chegaram a refletir alta de 1 ponto da Selic em janeiro. Embora parte expressiva do avanço das taxas futuras tenha um caráter técnico, já que resulta da zeragem de posições, não há dúvida de que já se formam apostas em torno de um ciclo de aperto monetário mais forte e extenso.



Segundo o diretor executivo e chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas da Nomura Securities International em Nova York, Tony Volpon, como o sistema de preços no país é muito rígido por causa do nível de indexação, a receita para uma alta do dólar é o aperto monetário. "Do contrário, veremos a inflação subir acima de 7%", afirma, ressaltando, contudo, que a aposta de choque de juros não é a mais adequada. "Acho que o que estamos por ver é o prolongamento do ciclo. O BC deve elevar o juro em 0,5 ponto e, então, observar o mercado", diz.

Para o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Marcio Camargo, a forte instabilidade vivida pelos mercados financeiro pode impedir que o BC cumpra seu objetivo de fazer um ciclo de aperto monetário curto. Camargo trabalha com uma alta da taxa Selic para 13% ao longo dos próximos meses e ressalta que sua projeção pode estar "otimista".

Para Bruno Rovai, estrategista do Barclays, um "choque de juros" não seria adequado. Ele ressalta que a depreciação do real vem no bojo de um movimento global e não por conta da piora da percepção dos fundamentos domésticos. "Não vejo um ataque especulativo contra o real que exija essa resposta da política monetária", afirma Rovai, que mantém expectativa de alta de 0,50 ponto percentual em janeiro e elevação final de 0,25 ponto em março.

Em meio à expectativa de aperto monetário mais forte, as taxas longas também dispararam, com aumento da percepção de risco. O DI para janeiro de 2021 subiu de 12,49% para 12,64%. A instabilidade dos mercados ontem fez com que o Tesouro Nacional cancelasse o leilão de venda de 450 mil NTN-B, papel atrelado à inflação.

Para o estrategista para a América Latina do Standard Chartered Bank, Italo Lombardi, o BC dispõe de diversos instrumentos cambiais, que podem ajudar a minimizar os efeitos da turbulência russa. Para tentar amenizar a forte pressão de desvalorização do real, tem realizado leilões de linha de dólar com compromisso de recompra, cujo volume ofertado já soma US$ 6 bilhões, mais do que os US$ 4 bilhões ofertados no ano passado.



Os investidores também reduziram a exposição a risco à espera da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que anuncia hoje sua decisão de política monetária.

Flavia Cattan-Naslausky, estrategista de câmbio para América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), espera que o Fed retire de seu comunicado a expressão "período considerável" para se referir ao prazo em que a taxa de juros permanecerá perto de zero. O Fed pode afirmar que será "paciente", repetindo um terno usado em 2004.

Com a instabilidade externa, o Ibovespa trocou de sinal ao longo do pregão, oscilando entre queda de 2,47% e alta de 1,22%. No fim do dia, marcou baixa de apenas 0,02%, aos 47.008 pontos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

ADM VENDE À OLAM OPERAÇÃO DE CACAU POR US$ 1,3 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:39 PM

Em mais um movimento de concentração no setor de cacau e derivados, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, a americana Archer Daniels Midland (ADM) chegou a um acordo com a Olam International Limited para vender seu negócio de processamento de cacau, por US$ 1,3 bilhão, sujeito a ajustes. Trading agrícola com base em Cingapura, a Olam é uma das maiores fornecedoras mundiais de cacau.

De acordo com comunicado da ADM, o negócio deve ser concluído no segundo trimestre de 2015 e não interfere na venda da área de chocolates da ADM para a Cargill, anunciada em setembro deste ano.

"Nós continuamos a gerir nosso portfólio para criar valor ao acionista, melhorando o retorno e reduzindo a volatilidade dos ganhos", afirmou, em comunicado, a CEO da ADM, Patricia Woertz. "Essa transação nos permitirá redistribuir o capital para investimentos que ofereçam retornos melhores e menor volatilidade que o negócio de cacau, ou distribuir o excedente de capital aos acionistas, ou uma combinação de ambos."

Em setembro, na ocasião do anúncio do negócio com a Cargill, Patricia disse que a ADM manteria as operações de processamento de cacau, apesar de fechar a unidade do Estado americano da Pensilvânia.

O negócio abrange as operações brasileiras de cacau em Ilhéus (BA) e as demais instalações de processamento da ADM em Mississauga, no Canadá; Koog aan de Zaan e Wormer, na Holanda; Mannheim, na Alemanha; Abidjan, na Costa do Marfim; Kumasi, em Gana; e Cingapura. Estão incluídas as centrais de compra da ADM no Brasil, Camarões, Costa do Marfim e Indonésia, bem como as marcas da empresa deZaan e UNICAO. Os 1,5 mil funcionários da ADM nessa área serão transferidos para a Olam.

Procurada, a ADM no Brasil não se pronunciou sobre o assunto. Uma fonte do setor estima que a Olam - que ainda não tem operações com cacau no país - poderá dar um novo fôlego ao processamento da amêndoa, já que a ADM não estava "confiando" no segmento e não tinha interesse em ampliar a atividade.

Em comunicado, a Olam afirmou que o acordo com a ADM vai incorporar um dos maiores processadores e fornecedores de derivados de cacau, com oito fábricas e capacidade total de processamento de 600 mil toneladas da amêndoa, dez armazéns, duas usinas, quatro centros de inovação, a marca deZaan e sua franquia com mais de 2.150 clientes, e uma rede de comercialização em 16 países.

O negócio a credenciará como uma das três maiores processadoras de cacau do mundo. "Esta proposta de aquisição representa para a Olam se tornar um líder global integrado em um mercado com perspectivas de crescimento atrativas", disse Sunny Verghese, CEO da companhia. A Olam espera que o acordo traga sinergias de custos e receitas entre US$ 35 milhões e US$ 40 milhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SORRISO VOLTA AO TOPO DO RANKING AGRÍCOLA DO PAÍS
Publicado em 12/17/2014 as 02:38 PM



Na "disputa" particular que travam há alguns anos pela liderança entre os municípios brasileiros com maior valor da produção agrícola do país, Sorriso (MT) superou São Desidério (BA) em 2013. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no polo mato-grossense, onde a soja é o carro-chefe, o valor atingiu R$ 2,067 bilhões, mesmo nível do ano anterior. Mas na cidade baiana, onde o algodão garantiu o topo do ranking em 2012, o valor recuou 26%, para R$ 1,729 bilhão, e ficou abaixo também do resultado de Cristalina (GO).

No total, o valor da produção agrícola nacional subiu 14% e alcançou R$ 232,469 bilhões, com destaque para as colheitas recorde de soja, milho e cana. Também em 2013, o IBGE identificou aumentos nos rebanhos de bovinos, aves e suínos, e avanços nas produções de leite e ovos. E o instituto, pela primeira vez, traçou o perfil da aquicultura brasileira.


Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

INDÚSTRIA DA SOJA ESPERA OUTRO ANO DE PREÇOS REMUNERADORES
Publicado em 12/17/2014 as 02:38 PM

A despeito do recuo nos preços internacionais e da expectativa de queda na receita com os embarques de soja do Brasil, diante da abundante oferta global, 2015 será um ano "razoável" para o segmento, projetou ontem a Abiove, associação que representa as indústrias de óleos vegetais do país, fazendo coro com outras projeções recentes. "Não será tão bom quanto 2014, mas ainda favorável, com preços remuneradores", afirmou Fábio Trigueirinho, secretário-geral da entidade, em encontro com jornalistas ontem.

A Abiove prevê uma colheita de 91 milhões de toneladas de soja na atual safra 2014/15, em fase final de plantio. O volume é bem inferior às 95,8 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas está acima das 86,1 milhões colhidas no ciclo anterior. Para as exportações de soja em grão, a estimativa é de um crescimento de 46 milhões para 48 milhões de toneladas.

"Como estamos ajustando o valor da soja em grão para US$ 370 por tonelada no porto [foram US$ 510 em 2014], a expectativa é que a receita [do complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo] fique entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões em 2015", disse Trigueirinho. Com isso, o montante será até 25% inferior aos US$ 30,7 bilhões deste ano.

Nos cálculos da Abiove, o novo corredor do Norte do país, formado pela rodovia BR-163 e a hidrovia do Rio Tapajós, no Pará, deve escoar um volume superior a 3 milhões de toneladas em 2015, ante as 1,1 milhão deste ano, quando a rota começou a ser efetivamente operada. "Já saem pelo Norte pouco mais de 3 milhões de toneladas, o equivalente a 7% do total exportado de soja. Mas esperamos um acréscimo sensível por lá, levando esse número a mais de 10%", afirmou Carlo Lovatelli, presidente-executivo da Abiove.

O frete de escoamento de grãos a partir das importantes regiões produtoras de Mato Grosso (caso doa municípios de Sinop e Sorriso) custa em torno de US$ 150 por tonelada aos portos do Sul e Sudeste, mas a Abiove calcula que a saída pelo Norte permita uma economia de US$ 50 por tonelada. "Em 2014 já tivemos uma logística mais organizada, com menos filas nos portos", ressaltou Trigueirinho.

A Abiove prevê uma elevação de 2 milhões de toneladas no processamento brasileiro de soja em 2015, para 38,3 milhões de toneladas - um recorde histórico -, embalado pelo mercado doméstico. O aquecimento do segmento de carnes tende a fazer a produção de farelo (destinado à fabricação de ração) crescer para 29,1 milhões de toneladas, ante as 27,6 milhões deste ano, diz a entidade.

Para o óleo, a perspectiva é de que o estímulo venha do biodiesel, cuja adição obrigatória ao diesel no país passou de 5% para 7% em novembro deste ano. A previsão é que, com o B7, a produção do biocombustível avance dos 3,45 bilhões de litros deste ano para 4,2 bilhões. "Esse volume coloca o Brasil na segunda posição mundial de produção e consumo de biodiesel, atrás dos EUA", disse Leonardo Zilio, assessor econômico da Abiove.

Em 2015, a associação planeja concentrar atenções em duas outras propostas de flexibilização do uso de biodiesel: o B20 metropolitano e o BX opcional. A primeira ideia é que a mistura de 20% ao diesel seja utilizada na frota de transporte urbano de passageiros em cidades com mais de 500 mil habitantes.

Já o BX opcional permitiria uma maior "flutuação" no uso do biodiesel quando houver atratividade econômica. "Em Mato Grosso, por exemplo, as distribuidoras estão comprando diesel a cerca de R$ 2,20 o litro, e o biodiesel, a R$ 1,85 por litro. Então, se elas podem adquirir o biodiesel mais barato, por que não flexibilizar a mistura?", questionou Zilio. Ele ressaltou que a Abiove discute essas medidas "paralelas", mas mantém o foco no objetivo de estabelecer o marco regulatório do B10 para 2020.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

3CORAÇÕES AVANÇA COM VALOR AGREGADO
Publicado em 12/17/2014 as 02:37 PM

Pedro Lima, presidente da 3corações: além das cápsulas, empresa investirá em nova linha de cafés especiais em 2015

Reforçando o movimento de expansão que o levou à liderança no mercado de café torrado e moído no país, o grupo 3corações aposta em estratégias para ampliar ainda mais sua presença. Depois de iniciar a comercialização de cápsulas este ano, a empresa pretende lançar em 2015 uma nova linha de cafés especiais, que hoje representam uma parcela pequena de sua receita.

Graças ao aumento das vendas e ao ganho de participação no mercado, a receita da 3corações este ano deve somar R$ 2,7 bilhões, alta de 12,5% sobre 2013, de acordo com Pedro Lima, presidente da companhia. Ele diz que o aquecimento maior na comercialização dos cafés da companhia é observado nas regiões Sul e Sudeste.

E Lima afirma que a meta é crescer ainda mais em 2015. Nos últimos anos, a 3corações vem ampliando seu faturamento em dois dígitos anualmente. O impulso maior ocorreu a partir de 2005, com a joint venture entre a São Miguel Holding, da família Lima, e a israelense Strauss, que detinha a marca Três Corações desde o ano 2000, negócio que deu origem ao grupo 3corações. Nos anos seguintes, a empresa adquiriu várias marcas com forte presença regional, que garantiram a expansão.

Pedro Lima, presidente da 3corações: além das cápsulas, empresa investirá em nova linha de cafés especiais em 2015



Em sua estratégia de se aproximar mais do consumidor da região Sul, a 3corações comprou neste ano o Café Itamaraty, do Paraná. Apenas os ativos de café foram adquiridos da empresa, que atua também em outros segmentos, como o de biscoitos. A marca Itamaraty, que está sendo transferida à 3corações, tem forte presença principalmente nos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, além do interior de São Paulo, de acordo com Lima.

Atualmente, a maior parte da receita da 3corações ainda vem da comercialização do café torrado e moído (75%). As exportações de café verde representam de 14% a 15%, e o segmento de cappuccinos, bebidas instantâneas e cápsulas, cerca de 10%, segundo a companhia.

Ainda que a receita com o torrado e moído deva continuar sendo a mais representativa para a empresa, o grupo quer aumentar a fatia das cápsulas e tem investido pesado nesse segmento. A 3corações fará um aporte de R$ 45 milhões em uma fábrica de cápsulas em Montes Claros (MG), cuja construção deve ser iniciada em 2015. E já prevê outros R$ 45 milhões para ampliação dessa unidade, caso a demanda pelo produto continue em alta.

O grupo escolheu Montes Claros para construir a fábrica pois já tem várias operações em Minas Gerais, o maior produtor nacional de café. Na cidade, a 3corações já tem uma unidade de negócios e distribuição. O mesmo município abrigará a primeira fábrica de cápsulas da Nestlé fora da Europa, anunciada na semana passada.

A 3corações prevê que a planta fique pronta no primeiro semestre de 2016, com capacidade para produzir 10 milhões de cápsulas por mês. Atualmente, a empresa comercializa cerca de 3 milhões de unidades por mês no país. As cápsulas são importados da Itália, por meio de sua parceria com a empresa italiana Cafittaly.

A comercialização do produto pela 3corações, na prática, começou este ano, embora a solução TRES de máquinas e cápsulas tenha sido lançada oficialmente em 2013. Já foram vendidas mais de 200 mil máquinas. As cápsulas não são compatíveis com equipamentos de outras empresas.

Os blends das cápsulas da 3corações contêm somente cafés brasileiros, que são enviados para a Itália, onde são encapsulados. Segundo Pedro Lima, mais dois sabores de cápsulas de café e um de chá deverão ser lançados pela companhia em 2015, além de uma edição limitada feita com café premiado em concurso do Cerrado Mineiro. Com os lançamentos, sobem para 16 as opções de cápsulas comercializadas pela empresa, entre cafés, chás, cappuccino e outras bebidas quentes.

Como vai passar a produzir as cápsulas no Brasil, a 3corações poderá, no futuro, exportar o produto, depois que o mercado interno para esse segmento estiver consolidado, observa Lima.

Com menos de um ano comercializando as cápsulas, a 3corações já está entre as três maiores empresas desse segmento no país. Desde 2012, é líder no mercado de café torrado e moído, hoje com 22% de participação, conforme a Nielsen, citada por Lima.

Embora o mercado de cápsulas tenha crescido muito no país, o presidente da 3corações diz que o segmento não deve "roubar" uma grande fatia do mercado de torrado e moído. Entretanto, ele estima que os consumidores serão cada vez mais exigentes e demandarão cafés especiais, produtos mais personalizados e novas tecnologias, como para a moagem do café na hora do consumo. "A cápsula vai atender à instantaneidade, mas a máquina não vai substituir tudo", afirmou ele.

Nessa frente, a companhia deve lançar cinco produtos na linha de cafés especiais no próximo ano, com a marca 3corações. E pretende fazer ingressar na área dos chamados alimentos funcionais - que além das funções nutricionais básicas, oferecem outros benefícios à saúde. O café em questão ainda está sendo desenvolvido pela companhia. "Tenho que oferecer diversidade. Somos especialistas em café", resume Lima.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

QUEDA NOS PREÇOS PÕE À PROVA APOSTA DA GE NO SETOR DE PETRÓLEO
Publicado em 12/17/2014 as 02:37 PM

As operações de petróleo e gás têm sido um ponto forte para a General Electric Co., que nos últimos anos construiu uma divisão de US$ 17 bilhões para aproveitar a demanda global por novas fontes de energia.

Mas hoje, essas operações estão se transformando em tema de preocupação para o conglomerado.

No encontro anual da GE com analistas e investidores, ontem, em Nova York, o diretor-presidente do gigante industrial americano, Jeff Immelt, admitiu que o colapso global nos preços do petróleo está afetando o desempenho da unidade de petróleo e gás. Tanto que a previsão da própria GE agora é que seu lucro no próximo ano fique abaixo das expectativas de Wall Street.

Immelt afirmou que a empresa já está avaliando oportunidades para cortar custos em sua divisão de gás e petróleo para navegar nesse novo cenário de preços baixos da commodity. Ele disse no encontro que a unidade deve se manter no ponto de equilíbrio ou gerar um prejuízo operacional no próximo ano, em meio a um "congelamento" dos gastos de capital na indústria petrolífera.

"Estamos realmente preparando a companhia para um 2015 de lentidão no setor de gás e petróleo", disse o executivo. "O resto da empresa está bem", acrescentou.

Esse panorama ressalta como uma empresa há muito conhecida por fabricar geradores, motores de avião e aparelhos médicos se encontra numa encruzilhada, depois de decidir dedicar uma parte substancial de seus negócios ao setor de energia num momento delicado.

A GE montou sua operação de petróleo e gás natural através de aquisições realizadas desde 2007 e avaliadas em mais de US$ 14 bilhões. A empresa colocou um de seus executivos jovens mais promissores, Lorenzo Simonelli, no comando da unidade. Mas a queda do preço do petróleo para cerca de US$ 60 por barril está pondo as premissas econômicas da empresa em cheque.

Há meros três meses, Simonelli disse aos investidores que entre os "supostos cenários" considerados pela GE estavam o petróleo a cerca de US$ 100 por barril nos próximos três anos.

Ontem, o preço do petróleo Brent, a referência internacional, recuou mais 2,1%, para US$ 59,80 o barril, seu menor nível desde maio de 2009. A cotação do petróleo nos Estados Unidos já despencou quase 50% desde junho. Ontem, ela fechou com ligeira alta, para US$ 55,93 o barril, na Bolsa Mercantil de Nova York.

Petrolíferas de todo o mundo já estão sob pressão para reavaliar projetos. A americana ConocoPhillips informou na semana passada que vai cortar seus investimentos em 20% em 2015.

"Considerando o que estamos vendo agora, se eles [a GE] conseguirem se manter no ponto de equilíbrio nos próximos 12 meses, já seria positivo", diz David Nelson, estrategista-chefe da gestora Belpointe Asset Management. "Não sei como vão conseguir crescimento" nesse cenário.

A mudança drástica do mercado de petróleo está criando um novo desafio para o plano da GE de retirar o foco de sua gigantesca unidade financeira e priorizar as operações industriais que os investidores valorizam mais.

Cerca de 21% do faturamento industrial da GE está exposto ao negócio de petróleo e gás, disseram analistas do J.P. Morgan Chase & Co. no início do mês. O maior impacto está nas unidades que fornecem equipamentos para perfuração, extração, medição e transporte de petróleo. Mas as unidades de equipamentos médicos e de geração de energia também podem ser afetadas se os preços do petróleo permanecerem baixos, reduzindo a receita de países produtores em que a GE vem tentando se expandir.

A cotação das ações da GE perdeu cerca de 7% nos últimos 12 meses. Ontem, ela recuou 0,4%, fechando em US$ 24,49.

Na teleconferência de resultados da GE no terceiro trimestre, realizada em outubro, o diretor financeiro, Jeffrey Bornstein, disse que a unidade de petróleo e gás tinha US$ 4,9 bilhões em encomendas, um aumento de 10% em relação ao trimestre anterior, mas estava reduzindo sua expectativa de crescimento futuro. A empresa cortou sua projeção de crescimento de pedidos de perto de 10% para em torno de 5%, disse Bornstein na época.

"Encomendas nessa área são muito voláteis e nós continuamos a ver alguns grandes projetos sendo adiados", acrescentou.

Immelt disse na época que a GE estava monitorando o negócio com cautela. "A atividade principal ainda está razoavelmente sadia", disse. "Existem partes que estão claramente mais fortes que outras."

Algumas áreas da empresa podem sair ganhando com a queda nos preços do petróleo. A unidade de motores de avião, por exemplo, pode se beneficiar indiretamente se a economia com combustível incentivar as companhias aéreas a ampliar seus investimentos em serviços e troca de motores, dizem executivos da GE. E o combustível mais barato pode ajudar outras unidades industriais da GE em regiões como Europa e EUA, compensando a queda na demanda em economias desenvolvidas ricas em recursos naturais, que são mais expostas aos preços do petróleo. Mesmo assim, os investidores estão preocupados.

"Receio que teremos más notícias daqui para a frente", previu Jack De Gan, diretor de investimentos da firma americana Harbor Advisory, que mantém ações da GE em nome de seus clientes. A GE pode manter sua projeção de vendas, considerando que a unidade já alinhou contratos com projetos de petróleo e gás existentes, diz ele, mas em relação a projetos futuros para 2015 e 2016, "creio que vamos ouvir certa moderação".

A GE acredita que será em parte protegida porque uma grande parcela da receita da divisão de petróleo vem de serviços, e porque poços que já estão em produção permanecerão ativos, apesar da queda nos preços. Comparada com seus pares, a empresa tem relativamente menos exposição a operações não convencionais, como em formações de areia betuminosa e de xisto, onde a exploração deve diminuir.

A empresa também acredita que será capaz de ajudar os clientes a explorar petróleo e gás de forma mais eficiente, o que pode ser uma vantagem num cenário de preços em queda. A redução nos preços também dá à GE a oportunidade de comprar mais ativos a preços menores, caso ela queira expandir seu negócio.

Mas com as oscilações nos preços do petróleo ainda em seus estágios iniciais, não é fácil dizer onde as coisas podem chegar.

"É realmente muito difícil se posicionar porque você não sabe a duração do processo", diz Scott Davis, analista que cobre a GE para a Barclays Capital. "Se o petróleo ficar em baixa durante seis meses, é uma coisa. Mas se a baixa durar três anos, é outra inteiramente diferente."
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

AQUA CAPITAL FECHA COMPRA DA COMFRIO E STOCK TECH
Publicado em 12/17/2014 as 02:36 PM

O fundo de investimentos Aqua Capital finalizou neste mês a aquisição da Comfrio e da Stock Tech e estabeleceu um grupo de logística refrigerada com capacidade de armazenagem de frios de cerca de 600 mil m3 e que deve ter em torno de R$ R$ 200 milhões em faturamento anual.

O Aqua já detinha metade das ações da Comfrio e o bom resultado do investimento levou o fundo montar uma companhia mais robusta para disputar o mercado, explica Evandro Calanca, que assumiu a direção executiva. "De 2011 para cá, nós triplicamos a receita da Comfrio e isso nos atraiu para o segmento."

Ainda sem decisão sobre se será criada uma nova marca ou serão mantidas as duas de forma independente, o novo grupo tem três áreas de negócio definidas.

Uma área é voltada para redes de restaurantes e que tem clientes como Outback. Uma segunda área é dedicada à indústria e conta com clientes como a Sadia. A terceira área oferece InHouse - serviço de terceirização de armazenagem e gestão - e já atende a Unilever.

A Comfrio e a Stock Tech devem fechar 2014 com faturamento de R$ 96 milhões e R$ 94 milhões, respectivamente.

O grupo já decidiu, no entanto, que manterá uma das unidades, a Comfrio Food Service, como uma empresa independe. A unidade responde por 28% do faturamento projetado para o grupo.

Segundo Calanca, como as duas empresas têm operações complementares, que envolvem armazenagem, gestão e logística de refrigerados, não serão necessários cortes expressivos de pessoal no grupo, que agora conta com 2 mil trabalhadores.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

COM ANOS DIFÍCEIS, VALE FOCA EM RECEITA E PRODUTIVIDADE
Publicado em 12/17/2014 as 02:36 PM

A Vale vai enfrentar o cenário adverso no mercado de minério de ferro, cujos preços à vista no mercado da China estão abaixo de US$ 70 por tonelada, com uma estratégia que combina redução de custos na produção e aumento de margem nas vendas. "Estamos com foco na otimização de margens [de vendas]

e melhoria da produtividade", disse o novo diretor-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, Peter Poppinga. A busca por medidas para capturar ganhos adicionais será relevante em 2015 e 2016, quando a mineradora deverá enfrentar anos difíceis.



Apesar dos desafios, a Vale se preparou para esse momento menos "exuberante" da mineração, afirmou o presidente da companhia, Murilo Ferreira. "Temos de continuar focados em disciplina, alocação de capital e austeridade para obter resultados em qualquer situação", disse Ferreira. O objetivo da Vale é estar posicionada entre os 25% mais eficientes da indústria no minério de ferro, níquel, cobre, carvão e fertilizantes. Ferreira afirmou que a Vale se beneficiou por ter enxergado antes, entre 2011 e 2012, o fim do "superciclo" das commodities, o que levou a uma política de austeridade. Como resultado, as despesas com vendas, gerais e administrativas, que estavam chegando a US$ 2 bilhões em 2011, ficaram em 2014 em patamar de US$ 800 milhões.

Ferreira, presidente: foco em disciplina, alocação de capital e austeridade para ter resultados em qualquer situação



Ferreira negou ontem, em encontro com jornalistas, que tenha sido sondado, indicado ou convidado para substituir Graça Foster como presidente da Petrobras. Ele disse que está "completamente" dedicado a implantar os grandes projetos em curso na companhia, como o de minério de ferro, conhecido pela sigla S11D, em Carajás, no Pará, e o de carvão, em Moçambique, em que a Vale anunciou, semana passada, parceria com a Mitsui. O negócio com os japoneses deve permitir à Vale economia de caixa de US$ 3,7 bilhões.

Ferreira também reforçou o argumento que sustenta a posição da Vale de fazer uma possível oferta inicial de ações em bolsa (IPO, na sigla em inglês) com os ativos de metais básicos (níquel e cobre). A Vale não está satisfeita com o valor percebido pelos investidores em relação a esses ativos. "Só vamos fazer uma transação de metais básicos se for para destravar valor, ou seja, se o mercado não estiver reconhecendo, via precificação das ações, o valor que esse negócio tem." Ele disse que estimativas de mercado indicam que o negócio de metais básicos da Vale pode valer entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões. Todo o trabalho para preparar o possível IPO, incluindo sinal verde do conselho de administração, pode levar de oito a nove meses, previu Ferreira.

Poppinga, de sua parte, detalhou como a Vale poderá reduzir mais custos de produção e aumentar margem de vendas. Disse que há novos projetos de minério de ferro entrando em atividade, como o de Conceição Itabiritos, em Minas Gerais, e o N4WS, em Carajás, que terão margem alta em termos de receita. Ao mesmo tempo, a Vale conta na sua estratégia com o papel a ser desempenhado pelo centro de distribuição da Malásia, inaugurado este ano, que permite misturar minérios mais pobres com o de Carajás enriquecendo o produto final e aumentando o preço de venda. Pelo produto de Carajás com 65% de teor de ferro, a Vale está conseguindo um prêmio de US$ 10 por tonelada, disse o presidente.

Ferreira afirmou que esta semana a Vale obteve autorização para supressão vegetal das expansões em Carajás, projetos que vão permitir à Vale ter produção acessível com menor custo. Ao mesmo tempo, Poppinga fará um trabalho de se aproximar de todos os clientes na China, país com o qual a Vale tem acelerado acordos envolvendo os seus supermineraleiros, os Valemax. A empresa tem 15 desses navios que poderá vender para armadores por valores de até US$ 2 bilhões em troca de acordos de aluguel de longo prazo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

OFERTA DE COMBUSTÍVEIS NÃO FOI AFETADA
Publicado em 12/17/2014 as 02:35 PM

O desdobramento das investigações sobre um esquema de corrupção na Petrobras não deve impactar o mercado de combustíveis no Brasil nos próximos anos. A avaliação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Segundo o presidente executivo da instituição, Alisio Vaz, as empresas do setor não reportaram nenhum indicador de que a situação terá repercussão no abastecimento de combustíveis no país.

Vaz, porém, afirmou ontem que a entidade não tem uma projeção oficial para o mercado de combustíveis em 2015, devido às incertezas com relação à economia brasileira no próximo ano. "É muito difícil projetar. Mesmo tendo feito algum tipo de conjectura em anos anteriores, pelo que vejo das dificuldades que economistas estão encontrando [em fazer projeções para 2015], não vamos arriscar nada", disse o executivo, em coletiva de imprensa para comentar o desempenho do setor em 2014.

Neste ano, o consumo de combustíveis no Brasil deve totalizar 132,9 bilhões de litros, significando um crescimento de 5,6% em relação ao ano passado, de acordo com o Sindicom. Os números incluem dados já registrados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre janeiro e outubro e previsões do sindicato relativas a novembro e dezembro.

"É um número bastante forte, considerando o desempenho da economia com um todo", afirmou o presidente do Sindicom.

Com relação ao mercado de óleo diesel, combustível mais comercializado no país, as vendas em 2014 deverão totalizar 59,9 bilhões de litros, com crescimento de 2,4% em relação ao observado no ano anterior.

"Embora o crescimento seja pequeno, ele é muito superior ao crescimento do PIB", disse Vaz. Segundo ele, o aumento se deve ao continuado predomínio das commodities na sustentação do PIB brasileiro. "O setor de commodities usa mais diesel do que a indústria", explicou o executivo.

Já o consumo de gasolina C (vendida nos postos com adição de etanol anidro) deve fechar 2014 com um crescimento expressivo, de 7,1%, em relação a 2013, totalizando 44,3 bilhões de litros. "Surpreendentemente, a demanda de gasolina cresceu ainda mais em 2014", afirmou Vaz.

Considerando que a frota de veículos leves deverá fechar 2014 com crescimento de apenas 2,8% (para 35,2 milhões de unidades), ante o ano passado, a explicação para o salto do consumo de gasolina, segundo técnicos do Sindicom, é o aumento dos engarrafamentos nos centros urbanos.

Com relação ao mercado de etanol hidratado, o consumo em 2014 deverá ser de 13 bilhões de litros, com alta de 10,4% em relação a 2013. Vaz, no entanto, explicou que os números relativos ao ano passado estão subdimensionados, devido a ações de distribuidoras não associadas que informaram um volume de vendas menor que o realizado. Fazendo o ajuste das contas, o crescimento será apenas de 2%.

"Os números [de 2013] estão subdimensionados. Os dados que as distribuidoras informam que venderam não batem com o produzido [pelas usinas]. Não existe desaparecimento de etanol. Logo, o que aconteceu foi uma irregularidade pelas distribuidoras que não informaram os dados corretos. A ANP vem buscando eliminar essa diferença", disse Vaz.

De acordo com o Sindicom, o mercado de gás natural veicular (GNV) deverá registrar nova queda, assim como o ocorrido em 2013. A expectativa do sindicato é que as vendas do combustíveis em 2014 alcancem 1,8 bilhões de metros cúbicos, com queda de 3,1% em relação a 2013.

Já o mercado de combustíveis de aviação (querosene de aviação e gasolina de aviação) devem reverter a queda observada em 2013 e fechar este ano com alta de 3,5%, frente o ano anterior, totalizando 7,5 bilhões de litros. Parte do aumento, segundo a equipe do Sindicom é explicada pela realização da Copa do Mundo no meio do ano.

As vendas de óleo combustível em 2014 também deverão fechar 2014 com crescimento expressivo, de 26,5%, em relação a 2013, totalizando 6,3 bilhões de litros.

Vaz afirmou ainda que o governo deve oficializar o aumento do teor de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27%, em fevereiro.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CRISE DA PETROBRAS PREOCUPA OS CENTROS DE P&D
Publicado em 12/17/2014 as 02:35 PM

Fornecedores da Petrobras que investiram em centros de pesquisa e desenvolvimento no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao longo dos últimos anos estão preocupados com os desdobramentos da Operação Lava-Jato. Empresas temem que a desaceleração do ritmo de investimentos anunciado pela petroleira na última semana reduza ainda mais os investimentos em projetos de P&D no Fundão.

De acordo o presidente do Parque Tecnológico da UFRJ, Maurício Guedes, a Petrobras vem reduzindo o fluxo de investimentos em P&D desde meados do ano passado. Só a Chemtech, empresa da Siemens com foco em soluções para o setor de óleo e gás, cortou 200 funcionários de seu quadro pessoal este ano, segundo a própria companhia.

"Estamos preocupados. Essas dispensas têm raízes nas restrições de investimentos e realinhamento do portfólio de projetos da Petrobras. No caso da Chemtech, soma-se a isso o redesenho global dos investimentos da Siemens", disse Guedes, em referência ao anúncio da alemã, no ano passado, de cortar 15 mil postos de trabalho no mundo. Ainda segundo Guedes, outras empresas, além da Chemtech, têm feito pequenos cortes em projetos no Fundão.

Para o gerente de Tecnologia do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Raimar van den Bylaardt, a desaceleração é fruto da reavaliação geral do plano de investimentos da Petrobras e vai na contramão dos aportes das demais concessionárias, que vem mantendo seus ritmos de investimento. "É uma questão de fluxo de investimento. É difícil precisar. Ela pode, inclusive, ter reduzido os aportes por ter antecipado investimentos nos últimos anos", considera o gerente do IBP.

Procurada, a Chemtech confirmou o desligamento de 200 colaboradores em 2014, em todas as áreas da companhia, e atribuiu os cortes a ajustes nas operações.

"Ajustes e flutuações no quadro de colaboradores é uma prática em muitas empresas de engenharia, inclusive na Chemtech. A empresa sempre analisa todas as possibilidades e considera a sustentabilidade de seus negócios, de forma que a redução do quadro de funcionários é adotada como último recurso. Em 2014, esse ajuste foi necessário para adequar a empresa à nova perspectiva de demanda de mercado", citou a empresa, em nota.

Os aportes das petroleiras em P&D é obrigatório por lei. Pelas regras, as concessionárias devem investir, em pesquisa e desenvolvimento, 1% da receita bruta de campos de alta rentabilidade que pagam participação especial. Pelo menos 50% dos recursos devem ser investidos em universidades e institutos de pesquisa.

Incluída nos contratos de concessão a partir de 1998, a Cláusula de Investimento em P&D resultou em obrigações de investimento de R$ 9,4 bilhões pelas empresas entre 1998 e 2014. Desde 2006, a Petrobras respondeu por mais de 93% dos recursos.

A UFRJ foi a instituição que mais recebeu recursos, num total de R$ 493 milhões até novembro, ou seja, 12,5% do total. O Fundão abriga 12 grandes fornecedores, como Schulumberger, FMC, Baker Hughes, Halliburton, Chemtech, GE e TenarisConfab.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

MERCADO VÊ ESPAÇO PARA MAIS QUEDA NO CURTO PRAZO
Publicado em 12/17/2014 as 02:34 PM

O preço do petróleo já acumula queda de 46% neste ano e pode tranquilamente cair ainda mais no curto prazo, na visão de analistas do setor. De US$ 100 por barril no último dia de 2013, a commodity caiu para perto de US$ 60 por barril, considerando o tipo Brent. O piso pode estar ainda mais embaixo pois ainda não há sinais de mudança da situação atual de excesso de oferta e desaceleração da demanda. O desequilíbrio foi agravado neste mês pela notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vai manter sua cota de produção em 2015.

A princípio, os analistas do setor não veem sinais de recuperação no primeiro trimestre do ano que vem, quando acham que o valor permanecerá próximo do patamar atual. Mas esperam recuperação para um preço médio próximo de US$ 75 por barril ainda em 2015, com uma melhora nos últimos nove meses do ano.


Nos últimos dias, considerando os atuais fundamentos do petróleo, Credit Suisse, Morgan Stanley, Natixis, Itaú e Standard & Poor's estão entre as casas que reduziram suas projeções para o preço médio nos próximos anos. Para 2015, o Credit cortou sua estimativa para US$ 75,25, de US$ 91,50, anteriormente. O Natixis reduziu seu preço para US$ 73,8 por barril, enquanto S&P e Itaú cortaram para US$ 70 o barril. Já O Morgan também estima US$ 70 em um cenário base. Pode chegar a US$ 53 em um pessimista ou a US$ 89 em um otimista.

"Projetamos que o petróleo do tipo Brent precisa permanecer em US$ 70 por barril para igualar oferta e demanda, o que significa uma queda de mais de 30% em relação ao equilíbrio pré-2014, de US$ 110", afirma o analista Artur Manoel Passos, do Itaú, em sua revisão mensal de commodities. Antes, ele estimava US$ 95 por barril.

Com as quedas recentes, o preço médio do Brent no ano caiu para US$ 101,2 o barril, 6% abaixo da média de US$ 108,1 no ano passado. A previsão para 2015 é, portanto, de preço médio cerca de 25% menor do que o de 2014.



Desde a decisão da Opep, o preço desabou cerca de US$ 20 por barril, de um patamar de US$ 80. A queda levou o preço ao menor valor desde julho de 2009. A diferença de cinco anos atrás para o momento atual é uma mudança estrutural. Antes, o preço foi muito impactado pela crise financeira global de 2008. Desta vez, há um excesso de petróleo no mercado e uma dificuldade do setor em reduzir seu ritmo de produção.

Apesar de uma parte relevante da produção global ter custo total superior aos preços atuais de petróleo, os produtores não costumam deixar de produzir nos poços em funcionamento, afirma Passos, do Itaú. Desse modo, afirma, "a reação ocorre via queda de investimento em novos poços", diz.



Para Abhishek Deshpande, responsável pela análise de petróleo no Natixis, é mais provável uma queda do crescimento da oferta de petróleo apenas em 2016. Ele afirma que empresas estão cortando investimentos, como é o caso da Conoco, com uma redução de 20%, mas diz que o impacto dessas decisões não serão sentidos em 2015.
No relatório "O Fim do Petróleo Caro", de 12 de dezembro, o Credit afirmava que seria necessário um corte de produção de 1 milhão de barris por dia pelos membros da Opep para que o mercado ficasse balanceado. Os analistas acreditam que o principal candidato a cortar sua produção serão os Estados Unidos, em operações em terra ("onshore"). A iniciativa dependerá de decisões tomadas no mercado de gás não convencional.

Além da pressão do lado da oferta, não há uma percepção clara no mercado de que a queda do preço levará a um aumento da demanda global por petróleo. No curto prazo, pelo menos, esse não é um cenário tão óbvio, segundo os analistas. A própria Agência Internacional de Energia (AIE), em seu último relatório, dizia que não acredita em um salto da demanda provocado pela queda dos preços.

Nesse ambiente, as perspectivas são de que as cotações seguirão pressionadas ao menos até o primeiro trimestre do ano que vem. Na estimativa do Credit, a cotação média ficará em US$ 68 para o barril do Brent no período de janeiro a março. Os altos estoques vão pesar sobre a curva de preços futuros do petróleo nos próximos meses, afirmam os analistas. Os primeiros sinais de recuperação dos preços devem vir somente a partir do segundo trimestre, diz o banco.

Para Deshpande, do Natixis, o preço mais baixo pode dar alguma força à demanda nos EUA, na Europa e no Japão. Ele também afirma, em relatório, que a China já teve no passado um teve comportamento de comprador oportunista quando os preços estavam baixos.

O preço do petróleo também foi pressionado nos últimos dias pela redução em 230 mil barris diários sobre a previsão da AIE de crescimento da demanda em 2015, revisada para alta de 900 mil barris.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CREDIT SUISSE CORTA EMPRESAS DE COMMODITIES
Publicado em 12/17/2014 as 02:34 PM

O Credit Suisse cortou o preço-alvo dos recibos de ações negociados em Nova York (ADRs) da Petrobras, mas destacou que, se a companhia conseguir demonstrar ter adotado, de fato, medidas que a livram da necessidade de tomar crédito em 2015, os preços podem ser revistos. O preço-alvo das ADRs caiu de US$ 14 para US$ 7,30, prêmio de 9,6% em relação à cotação de segunda-feira. A recomendação continuou neutra.

Na sexta-feira, ao adiar a publicação de seus resultados não auditados, a Petrobras afirmou que tomou medidas para aumentar a liquidez, a fim de evitar necessidade de tomar novos empréstimos em 2015.

No entanto, segundo o Credit, a Petrobras já descumpriu promessas no passado, como metas de crescimento da produção e a mudança na metodologia dos preços de combustíveis.

"Para retomar a confiança dos investidores, que 'é diferente dessa vez', a Petrobras vai precisar providenciar mais detalhes e mostrar progresso trimestre após trimestre, em nossa visão. Essa não é uma tarefa simples", destacou o Credit. Como os credores são praticamente donos de 70% da companhia, encontrar um valor de referência para as ações "é cada vez mais desafiador", pondera o banco.

O Credit Suisse também cortou o preço-alvo dos ADRs da Vale de US$ 10,70 para US$ 7,50, refletindo os preços mais baixos das commodities metálicas. Se os preços atuais de minério de ferro, níquel e cobre permanecerem no longo prazo, o que é considerado improvável pelo banco, o "valuation" - metodologia usada pelo banco para determinar o valor teórico da ação - pode cair para US$ 3,70 por ADR.

Na segunda-feira, os ADRs da Vale negociados em Nova York fecharam com preço 21,4% inferior ao novo preço-alvo do Credit. A recomendação das ações continuou de venda.

Segundo o Credit, as estimativas para o Ebitda da Vale em 2015 ficaram 19% menores por conta da queda dos preços de commodities. Com isso, a expectativa é de que a mineradora registre fluxo de caixa negativo no ano que vem.

O banco suíço também diminuiu o preço-alvo para as ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de R$ 6,40 para R$ 4,80, depois que as projeções para o minério de ferro pioraram e em meio à deterioração das finanças da empresa. Os analistas Ivano Westin, Renan Criscio e Santiago Teuffer, que assinam o relatório, mantiveram a recomendação de "underperform", equivalente a venda.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

DEFENSIVO AGRÍCOLA DEVE TER CRESCIMENTO DE 6%
Publicado em 12/17/2014 as 02:30 PM

Os defensivos agrícolas, também conhecidos como agroquímicos ou produtos fitossanitários, são responsáveis pelo segundo maior faturamento da indústria de química fina, um valor que deve atingir US$ 12,2 bilhões em 2014, conforme levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), 6% acima do registrado em 2013, a maior alta de todo o setor químico. As vendas do segmento correspondem a uma fatia de 27% do total da química fina, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina).

"Estamos satisfeitos por fechar o ano com crescimento de 6%, mas cautelosos para 2015", diz Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). O setor tinha expectativa de aumento maior para 2014, entre 6% e 9%. Segundo Daher, o cenário que já começa a se desenhar reúne fatores negativos para o mercado brasileiro, como recuperação da safra americana, abalada por grave seca nos últimos dois anos, estoques mundiais de commodities muito elevados, especialmente de soja e milho, e prolongamento da seca no Brasil. O conjunto de fatores pressiona para baixo os preços dos produtos agrícolas, levando os agricultores a reduzir o plantio e usar menos defensivos.

A seca também derruba as vendas de fungicidas, por diminuir a incidência de fungos nas lavouras. Mas nos insetos o efeito é oposto, favorecendo a proliferação de pragas como moscas e lagartas. Segundo o diretor da Andef, a utilização de defensivos costuma ser equilibrada entre as três principais classes de produtos, com um terço de herbicidas, outro terço de inseticidas e outro de fungicidas. Mas em 2013, com a maior incidência de insetos, as vendas de inseticidas chegaram a 42% das vendas do segmento e a previsão é de que tenham atingido 45% em 2014.

Em 2013, as vendas atingiram US$ 4,554 bilhões, segundo o Sindiveg. Já o mercado de herbicidas cresceu 19%, para US$ 3,739 bilhões, e os fungicidas tiveram aumento de 5%, ficando em US$ 2,592 bilhões. Os acaricidas expandiram 18%, chegando a US$ 119 milhões. O faturamento da indústria de defensivos agrícolas aumentou 18% no ano passado, chegando a US$ 11,454 bilhões.

As culturas que utilizaram mais defensivos em 2013, segundo Ivan Sampaio, gerente da área de estatística do Sindiveg, foram soja (52%), cana (10,1%), milho (9,5%) e algodão (9,1%). Em 2014 essa distribuição deve se repetir, com exceção apenas do milho, cuja área deve cair cerca de 5%, devido à queda de preços, mais acentuada do que na soja. O Estado que mais consome defensivos é o Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, que absorveu 22% da demanda brasileira por agroquímicos em 2013, seguido por São Paulo, com 14%, Paraná, com 12%, e Rio Grande do Sul, com 11%.

A maior parte do mercado brasileiro é suprida por importados, que atingiram 344 mil toneladas em 2013, 25% mais do que em 2012, ao custo de US$ 7,4 bilhões, 14% acima. O consumo brasileiro, que saltou de US$ 3,3 bilhões, em 2006, para os US$ 12,2 bilhões previstos em 2014, é um dos maiores do mundo, equivalente a 20% do mercado mundial, segundo estudo da Bain & Company.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

COMPLEXO INDUSTRIAL ABRANGE EXTENSO LEQUE DE PRODUTOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:29 PM

Responsável por 21% do faturamento do setor químico no país, o complexo industrial da química fina abrange uma extensa variedade de produtos, que vão dos chamados intermediários de síntese, que constituem o elo entre a química de base e a química fina, até os intermediários de uso ou de performance, que são os princípios ativos, e as formulações, misturas ou composições contendo tais produtos, denominadas especialidades, que incluem fármacos, medicamentos, vacinas, defensivos agrícolas e animais, catalisadores industriais, corantes e aditivos.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), os intermediários químicos de síntese são fabricados por meio de sínteses químicas, a partir de matérias-primas da química orgânica básica, de origem petroquímica ou da biomassa, e atendem a especificações técnicas definidas em normas internacionais. Os intermediários de uso também seguem padrões internacionais e têm características de aplicação muito bem definidas, como nos casos de matéria-prima para a fabricação de remédios e alimentos ou utilização industrial. Já as especialidades da química fina caracterizam-se por elevado conteúdo tecnológico e por se destinarem ao mercado final de produtos de grande valor unitário. "Algumas empresas consideram química fina exclusivamente os princípios ativos que utilizam, o que é um conceito equivocado", explica Nelson Brasil de Oliveira, vice-presidente da Abifina.


As principais cadeias produtivas da química fina são a de fármacos e produtos farmacêuticos e a indústria de defensivos agrícolas, que juntas representam 93% do complexo industrial. Ambas são reguladas e controladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece especificações rigorosas de produção, movimentação, embalagem, transporte, estocagem e comercialização. Os defensivos e seus intermediários químicos são registrados como medicamentos. Como estes, precisam trazer informações detalhadas sobre os ativos utilizados em sua formulação e os respectivos fabricantes.

Os princípios ativos do segmento de fármacos são intermediários destinados exclusivamente a medicamentos. Já na cadeia de alimentos, segundo Oliveira, o controle não é tão rigoroso. Há necessidade de registro do produto final, mas não do princípio ativo. "Quando o laboratório faz o registro do medicamento, tem que dizer qual é o princípio ativo, quem o fabrica e onde fabrica. Na área de alimentos, considera-se só o produto que vai ser comercializado", diz o executivo da Abifina.



"O segmento de química fina de farma é um mercado extremamente regulamentado, em que é essencial atender a todos os requisitos locais", diz Tatiana Kalman, diretora de nutrição & saúde da Basf para América Latina. Para isso, segundo ela, a empresa conta com uma equipe de suporte a vendas e marketing formada por profissionais experientes nas áreas técnica, regulatória e supply chain. Além de produtos do setor farmacêutico, a divisão de nutrição e saúde da Basf desenvolve, produz e comercializa uma vasta gama de produtos para nutrição humana e animal. Entre os produtos de nutrição humana estão vitaminas e carotenóides, esteróis de plantas, emulsificadores e ácidos graxos ômega-3. A empresa produz também ingredientes aromáticos como citral, geraniol e L-mentol para o setor de sabor e fragrância.

"Para garantir a pureza do produto, temos um controle rigoroso, que vai desde a produção até a entrega final ao cliente", diz Elaine Matos, gerente de marketing de propileno glicol da Dow para a América Latina. O produto, um intermediário químico, um solvente para vários produtos orgânicos insolúveis em água, é utilizado em dois tipos de aplicação: para a fabricação de produtos farmacêuticos, alimentos, produtos de cuidados pessoais e fragrâncias, em uma versão com alto grau de pureza, e para uso industrial, na fabricação de resinas, plásticos, indústria de tintas e setor de petróleo. Líder mundial em tecnologia e fabricação do produto, a Dow abastece a América Latina a partir de sua fábrica em Aratu (BA).

Segundo Elaine, no caso do produto para utilização humana, o Propileno Glicol USP/EP, a pureza de 99,8% faz toda a diferença para garantir sua sanidade e aplicação segura, isto é, sem contaminação. Na indústria farmacêutica, o produto é utilizado em xaropes e vacinas. Na indústria alimentícia, é usado como solvente e estabilizador nas formulações para cobertura de sorvete, bolos, bolachas, como antidescongelante de alimentos congelados e como agente inibidor da proliferação de bactérias, entre outras aplicações.

No setor de cosméticos, é utilizado para fabricação de xampu, condicionador, pasta de dente, enxaguante bucal, demaquilante, hidratante para pele, sabonete, desodorante e creme de barbear.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

GÁS DE XISTO ATRAI INVESTIMENTOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:28 PM



A exploração de gás não convencional nos Estados Unidos provocou a retomada dos investimentos de diversos elos da cadeia industrial e tornou o país um dos principais polos de atração de recursos da indústria química e petroquímica global, combinando um mercado consumidor relevante e matéria-prima abundante e barata. "Há seis anos, ninguém falava em novos investimentos nos Estados Unidos, com as empresas indo para a China e para o Oriente Médio, por conta do alto custo de produção. Hoje esse cenário mudou totalmente", afirma Calvin M. Dooley, presidente do Conselho Americano de Química (American Chemistry Council - ACC), que participou do 19º Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), realizado em São Paulo este mês.

Calvin Dooley: há seis anos, ninguém falava em novos investimentos nos EUA

Um levantamento realizado em novembro pela associação, que representa cerca de 85% da produção química americana, aponta que existem 215 projetos com US$ 132 bilhões em potenciais investimentos que poderão sair do papel nos próximos anos nos Estados Unidos. O montante é US$ 72 bilhões maior que o previsto há um ano. Cerca de 60% dos investimentos deverão ser feitos por empresas estrangeiras. "Temos capacidade de suprir gás por 30 anos a preços competitivos, isso é uma vantagem gigantesca, em um momento em que Europa e China ainda estão atrás na exploração de gás não convencional", destacou.!A China ainda terá de construir sua malha de gasodutos, além de iniciar a exploração de gás não convencional em grande escala. No Oriente Médio, a infraestrutura também é obstáculo. "O Brasil tem recursos para ser um player importante no mundo, desde que haja política para isso".

O preço do gás, metade do que custa o europeu, tem feito indústrias têxteis voltarem a produzir em solo americano e foi um dos fatores que levaram três fabricantes de pneus decidirem por instalar novas fábricas nos Estados Unidos. "A cadeia têxtil começou a voltar para os Estados Unidos, o que era impensável há mais de 15 anos, e estamos com um custo de energia quatro vezes mais competitivo do que o da Índia".

Até 2023, segundo estimativas da entidade, devem ser investidos US$ 91 bilhões em novos produtos químicos nos Estados Unidos, o que deve render pouco mais de 700 mil empregos. Esses recursos irão provocar outros US$ 274 bilhões em diversos elos da cadeia industrial - da têxtil a de autopeças, o que terá impacto sobre o PIB e a geração de empregos na economia americana. O preço do gás na Europa custa três vezes mais que o americano e a eletricidade é o dobro. "Isso nos dá grande competitividade".

Para ele, os Estados Unidos tiveram uma regulação eficiente que permitiu que o gás de xisto tivesse impacto sobre a economia e havia um grande conhecimento geológico do subsolo do país. A legislação permitiu acesso a reservas de gás não convencional e assegurou infraestrutura para escoamento da produção. Já as leis estaduais também deram flexibilidade. Segundo estudo do professor Edmar de Almeida, da UFRJ, em mais de 100 anos de indústria de óleo já foram perfurados mais de 5 milhões de poços de petróleo nos Estados Unidos.

No estudo, Almeida aponta que o processo de licenciamento é célere o bastante para se perfurar e fraturar milhares de poços por ano. Em 2011, o órgão regulador do Texas autorizou a perfuração de 22.480 poços. O escoamento e comercialização da produção são facilitados pela existência de uma extensa rede de gasodutos e distribuição e transporte (aproximadamente dois milhões de quilômetros de dutos), com regras de livre-acesso e um mercado liberalizado.

A exploração de gás não convencional provocou uma revolução nos Estados Unidos. Segundo estudo da Deloitte, publicado nos Estados Unidos este ano, o acesso aos hidrocarbonetos presos em formações rochosas fez a produção de petróleo americana pular de cinco milhões de barris por dia em 2008 para 7,4 milhões de barris por dia cinco anos depois, a maior expansão quinquenal da história daquela economia. Esse movimento coincidiu com uma queda da demanda de petróleo e seus derivados dos EUA, de 22 milhões de barris por dia em 2005 para 18,9 milhões barris diários em 2013. O déficit comercial relacionado ao setor de petróleo despencou de US$ 386 bilhões em 2008 para US$ 232 bilhões.

Além de melhorar as contas externas, a exploração de gás não convencional tem atraído diversas indústrias para os Estados Unidos, de olho no preço do gás, que está chegando ao mercado a US$ 4 o milhão do BTU, enquanto no Brasil as indústrias chegam a pagar mais de três vezes esse valor. Isso poderá provocar uma mudança geopolítica de investimentos na cadeia química e petroquímica, que poderá fincar bandeiras cada vez mais sólidas nos Estados Unidos. A produção de etileno está em 27 milhões de toneladas nos Estados Unidos e deve ter um acréscimo de 11 milhões nos próximos cinco anos. No Brasil, a produção está em quatro milhões de toneladas.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

PRÉ-SAL PODE OFERECER INSUMO MAIS BARATO
Publicado em 12/17/2014 as 02:27 PM

A extração de petróleo na camada do pré-sal já é superior a 500 mil barris diários desde julho, representando um acréscimo de 20% na produção da Petrobras. No entanto, o país ainda não estabeleceu uma política para aproveitar suas novas reservas de óleo e gás para impulsionar a indústria petroquímica local. O "Estudo do potencial de diversificação da indústria química brasileira", realizado pelas consultorias Bain & Company e Gas Energy atendendo a um chamado público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresenta uma proposta que repercutiu positivamente entre representantes da indústria química e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A proposta consiste em que a União utilize a parte que lhe cabe nas reservas do pré-sal estabelecida no regime de partilhas para ofertar o insumo com desconto para a industrialização petroquímica executada no país. No campo de Libra, o maior do pré-sal e o primeiro leiloado pelo sistema de partilha, a parcela da União é de 41,65% do volume de óleo e gás que exceder o necessário para reembolsar o custo operacional da produção.

"É um uso estratégico das reservas públicas advindas do pré-sal, capaz de gerar investimentos, empregos e arrecadação de impostos no país", diz Rodrigo Más, sócio-diretor da Bain & Company. O consultor diz que, com o pré-sal, na próxima década o país se tornará superavitário em energia e combustível, independentemente dos volumes da reserva do governo.

O sistema sugerido no estudo do BNDES pressupõe a realização de leilões do petróleo e gás natural da União com um desconto estimado entre US$ 500 milhões a US$ 1,2 bilhão por ano, tendo como base a destinação para uso petroquímico de 200 mil barris diários. O impacto esperado é a geração de investimentos de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões e algo entre 3 e 4 mil empregos diretos. O incremento no PIB seria de US$ 5,5 bilhões a US$ 6,5 bilhões por ano a partir de 2025, o que proporcionaria uma arrecadação tributária entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano. "A arrecadação é superior ao desconto oferecido. É um bom negócio para o governo", diz Más.

O desconto permitiria que a nafta de petróleo e o gás natural cheguem ao produtor petroquímico com preços mais compatíveis com os praticados na América do Norte e na Ásia. No Brasil o gás natural é comercializado em US$ 14 o BTU (Unidade Térmica Britânica), nos Estados Unidos e México é vendido por US$ 4. Os preços da nafta, cujo único comprador é a Braskem, não são públicos.

Alexandre Comin, diretor de competitividade do MDIC, diz que o governo trabalha no desenvolvimento de estratégias para agregar valor à produção proveniente do pré-sal e, para isso, está ciente da necessidade de equalizar os preços dos insumos para a indústria petroquímica no país com os praticados no exterior. A ideia é criar uma condição especifica de comercialização dos insumos para a indústria petroquímica, como sugerido pelo BNDES. "Hoje os preços são referenciados nos mercados de energia e combustíveis, que respondem por mais de 95% do consumo desses insumos, mas possuem uma lógica econômica distinta da cadeia petroquímica."

Carlos Fadigas, presidente da Braskem e do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), considera a proposta de descontos apresentada pelo BNDES adequada, capaz de impulsionar a indústria nacional sem onerar a União. "A petroquímica necessita de insumos com preços competitivos para ser viável. Hoje não temos essa condição no país, apesar de todas as expectativas geradas a partir do pré-sal", afirma.

Carlos Fadigas: "A petroquímica necessita de insumos com preços competitivos para ser viável"



A própria Braskem condiciona sua participação no futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) a uma oferta de natfa a preços internacionais, uma negociação iniciada em 2009. Ao mesmo tempo a empresa investe em parceria com a Idesa numa unidade petroquímica no México para a produção de etileno e estuda a participação em um novo polo petroquímico que está sendo desenvolvido em West Virginia (EUA) para produzir eteno e polietileno a partir do gás de xisto.

Empresas como Oxiteno, Unigel, e Artecola também estão optando por levar seus investimentos para os Estados Unidos e México. Fátima Giovanna Ferreira, diretora de economia e estatística da Abiquim, afirma que os altos custos no país dos derivados de petróleo também geram desinvestimentos, como a desativação da unidade de produção de metanol da GPC Química e da fábrica de isocianato da Dow.

Em média, informa a economista, a ociosidade das empresas químicas que usam o gás natural como matéria-prima está na casa dos 40%, Por outro lado, a estimativa é que as importações de produtos derivados do gás natural alcancem um valor de US$ 8,5 bilhões no ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SUPREMO GARANTE CONTRATOS PARA REVITALIZAÇÃO DE PORTO
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar na Reclamação (RCL) 17466 para suspender decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que manteve a anulação, por ato unilateral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), de concorrência, e contratos dela decorrentes, para revitalização e exploração do porto de Manaus. O ministro Lewandowski entendeu que a matéria em discussão – princípios da segurança jurídica, contraditório e da ampla defesa – tem status constitucional, atraindo a competência do STF para decidir o caso. A liminar garante a execução dos contratos até o julgamento de mérito.

De acordo com os autos, o diretor-geral do DNIT anulou a Concorrência 01/2001 e os contratos dela oriundos, celebrados entre a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus e a Estação Hidroviária do Amazonas S/A com a Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), para arrendamento do Porto de Manaus. As empresas obtiveram liminar no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) garantindo a execução dos contratos.

O TRF-1 entendeu que não se justificava o rompimento de contrato com mais de cinco anos de vigência sem a existência de prova concreta de irregularidade e sem a total obediência ao devido processo legal. Inconformada, a União ajuizou suspensão de segurança no STJ para suspender essa decisão.

Ao deferir a liminar para suspender a decisão do STJ, o presidente do STF argumentou que a matéria em discussão tem natureza constitucional, pois se trata de saber se, com a anulação administrativa de um contrato em vigor há mais de cinco anos, houve ou não violação às garantias previstas no artigo 5º, incisos LIV (ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal) e LV (aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes), da Constituição Federal.

O ministro Lewandowski constatou que a plausibilidade jurídica do pedido (debate sobre a violação ou não do devido processo legal, além do contraditório e da ampla defesa) torna prudente a suspensão da decisão reclamada a fim de garantir eventual utilidade do provimento de mérito. Observou ainda que o perigo da demora reside na abrupta paralisação de contrato em vigor há mais de cincos anos, “que representa grave prejuízo econômico às reclamantes, que após lograrem vencer o certame licitatório, realizaram vultosos investimentos para exploração do Porto de Manaus (AM)”.

PECULATO

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, negou o Habeas Corpus (HC) 111553, impetrado pela defesa do ex-vereador de Vitória (ES) Gilmário da Costa Gomes, condenado à pena de 12 anos e 1 mês de reclusão pelos crimes de peculato, concussão e corrupção passiva. A defesa pretendia restabelecer a sentença de primeiro grau, que havia reconhecido apenas a prática de concussão (exigir, para si ou outra pessoa, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida), o que consequentemente acarretaria a redução da pena.

De acordo com os autos, na condição de vereador, Gilmário (conhecido como Passarinho) nomeava assessores para seu gabinete e indicava outras pessoas para preenchimento de cargos em órgãos do Executivo municipal, exigindo, em troca das nomeações, parte dos salários e benefícios de alguns deles, sob pena de exoneração. O ex-vereador também desviava a função original de seus assessores para fins particulares e eleitorais.

O ministro Gilmar Mendes, relator do HC, afirmou que, diante das evidências das provas colhidas na investigação, o pedido da defesa se trata de “mero inconformismo” com a decisão. “O tribunal local concluiu pela prática de corrupção passiva lastreado tanto nos fatos descritos quanto nos elementos de convicção existentes nos autos, seja para prática de concussão, seja para a de corrupção passiva”, disse, acrescentando que não havia qualquer evidente ilegalidade a justificar a concessão da ordem.

Quanto à alegação de excesso cometido na dosimetria da pena, o ministro Gilmar Mendes sustentou que, de acordo com a decisão do tribunal local, o fato de o então vereador exigir e solicitar de funcionários parte de seus vencimentos e também se apropriar do salário de pessoas que sequer sabiam de suas nomeações requer um maior rigor punitivo da lei, afinal representa enriquecimento ilícito às custas do erário. Segundo o ministro, considerou-se também na fixação da pena a circunstância de os crimes terem sido cometidos durante o exercício do cargo de vereador.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

VALE PREVÊ CENÁRIO DIFÍCIL
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

Executivo destacou um cenário internacional complexo, com a economia europeia "anêmica", a japonesa em recuperação e os Estados Unidos em meio à queda de braço entre um Congresso Republicano e um governo Democrata

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, em encontro de final de ano com jornalistas ontem, traçou um cenário difícil para o setor de mineração em 2015 e 2016. O executivo destacou um cenário internacional complexo, com a economia europeia ainda "anêmica", a japonesa em recuperação e os Estados Unidos em queda de braço política entre um Congresso dominado por Republicanos e um governo Democrata. Ferreira se mostrou otimista em relação à China, destacando uma mudança de foco do governo do presidente Xi Jinping, olhando para a renda per capita da população e a redução das desigualdades no país, além da concretização de reformas. "Vejo o cenário mundial muito complexo e não é de se esperar uma situação muito prazerosa, mas a Vale tem a vantagem de ter enxergado o fim do superciclo ainda em 2011", disse. Ele mencionou cortes de despesas administrativas de US$ 2 bilhões para cerca de US$ 800 milhões nesse período.

No mesmo evento, o diretor de Ferrosos, Peter Poppinga, avaliou que a perspectiva de demanda do mercado transoceânico e chinês em 2015 atinja 1,5 bilhão de toneladas. Ele calcula que cerca de 220 milhões de toneladas de capacidade de minério de ferro não tenham competitividade para se manter operando com preços de US$ 70 por tonelada.

Na prática, a Vale espera a saída de capacidades do mercado, mas ainda não sabe precisar em que prazo. Segundo o executivo, em 2014 saíram de 50 milhões a 60 milhões de toneladas de minério de mercados não chineses e quase 100 milhões deixaram de ser produzidas na China.

"Estamos com foco na melhora da nossa margem e produtividade", afirmou. Poppinga lembrou que a Vale capturou um prêmio de US$ 10 por tonelada na venda de seu minério com teor de 65% de ferro. Além de cerca de US$ 4 referentes à maior qualidade o produto, a Vale conseguiu uma diferença de US$ 6 ao capturar outras características desse minério, como a redutibilidade e logística diferenciada. A empresa está buscando dar maior liquidez ao índice Platts 65%, que referencia o minério de Carajás de mais alto teor.

Apesar da previsão de entradas de novas capacidades de produção em operação, Poppinga acredita que a contrapartida do esgotamento de outras minas tende a trazer um reequilíbrio para o mercado em até dois anos.

Autorização ambiental

O presidente da Vale anunciou que a mineradora obteve autorização dos órgãos ambientais para a supressão vegetal na mina N4WS, em Carajás (Pará). O aval permite o início do desenvolvimento da mina. A etapa faz parte do Licenciamento EIA Global, que compreende a ampliação das cavas de N4WS, N5S, Morro I e Morro II, que contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas, e a permissão para pilhas de estéril no Sistema Norte em Carajás, Brasil.

Em novembro, a Vale conseguiu a licença de operação para a ampliação da cava N4WS, expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A licença engloba o plano de produção nos anos de 2015 e 2016 do Complexo Minerador de Carajás e é importante para o plano da empresa de aumentar sua produção de minério.

Em 2015, a Vale estima produzir 340 milhões de toneladas, passando a 376 milhões de toneladas em 2016, 411 milhões de toneladas em 2017, 453 milhões de toneladas em 2018 e 459 milhões em 2019.

Poppinga acredita que, em um cenário difícil de preços internacionais não controlado pela empresa, a mineradora deve focar em duas âncoras: produtividade e credibilidade, no sentido de entregar o aumento de produção prometido ao mercado.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

REPSOL COMPRARÁ TALISMAN ENERGY POR US$13 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

A companhia de energia espanhola Repsol disse nesta terça-feira que chegou a um acordo para comprar a Talisman Energy, quinta maior produtora de petróleo independente do Canadá, por 13 bilhões de dólares.

A aquisição proposta elevará o braço de exploração e produção da Repsol e preencherá uma lacuna após a apropriação de seu negócio na Argentina em 2012. O negócio também ajudará a reduzir a dependência da empresa de áreas de alto risco de produção de petróleo como a Líbia.

O recuo do preço do petróleo reduziu os preços de produtores como a Talisman, motivando o interesse da Repsol, que tem estado em busca de alvos no setor de petróleo e gás na América do Norte e outros países com regulação estável.

A Repsol pagará 8,3 bilhões de dólares por 100 por cento das ações da Talisman, o que representa um prêmio de 56 por cento sobre o valor de mercado de segunda-feira de 5,33 bilhões de dólares da companhia com sede em Calgary. A Repsol também assumirá 4,7 bilhões de dólares em dívidas.

A companhia espanhola disse que a aquisição aumentará sua produção de petróleo em 76 por cento para 680 mil barris por dia enquanto suas reservas aumentarão 55 por cento.

Ela também afirmou que a compra trará benefícios anuais de 220 milhões de dólares, será neutra para seus resultados em 2016. O conselho da Talisman aprovou a transação e recomendou que acionistas a aceitem, disse a Repsol em um comunicado ao regulador do mercado acionário espanhol.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

CEMITÉRIOS DE BARCOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

Símbolo da imigração vinda da África, ilha italiana de Lampedusa acumula restos de embarcações que cruzaram o Mediterrâneo

O italiano Francesco Tuccio, 48, é figura popular na ilha italiana de Lampedusa, no sul da Sicília. Foi o carpinteiro que fez as cruzes, o báculo e o altar usados pelo papa Francisco em visita ao local em 8 de julho de 2013.

A pequena ilha de 6.000 habitantes e 20 km² foi escolhida para a primeira viagem do papa fora de Roma por ser símbolo da imigração clandestina do continente africano para a Europa pelo Mar Mediterrâneo.

Tuccio usa pedaços de barcos de imigrantes para montar as cruzes. Diz querer chamar a atenção para um drama que, em 2014, atingiu o recorde de mais de 163 mil resgatados no mar, como mostrou a Folha.

A ideia surgiu em abril de 2009, quando um terremoto matou 300 pessoas na cidade medieval italiana de Áquila. "Na mesma época, um barco de imigrantes vindo da Líbia naufragou com 200 pessoas e ninguém falava disso, só do terremoto. Decidi então protestar e comecei a montá-las", conta Tuccio.

Uma das cruzes foi entregue ao Vaticano com 60kg, 2,80m de altura e 1,50m de comprimento. Foi abençoada pelo papa para seguir em peregrinação pelas paróquias italianas. Quem quiser pode encomendar cruzes pequenas, mas aí o carpinteiro cobra a mão de obra: de € 5 a € 15 (R$ 17 a R$ 51), dependendo do tamanho da cruz.

Não é nada difícil achar matéria-prima. Palco de constantes desembarques de imigrantes na década, Lampedusa se tornou um "cemitério" de barcos usados por cidadãos de países como Somália, Nigéria, Eritreia, Mali e Senegal.

No dia em que a reportagem visitou a ilha, no fim de novembro, tratores retiravam parte deles para desobstruir um terreno ao lado do porto.

Impressiona a precariedade das embarcações, pequenas e sem condições de segurança para uma travessia perigosa pelo Mediterrâneo -- não à toa, as que não naufragam geralmente são resgatadas no meio do caminho por navios italianos.

A 113 km da Tunísia, Lampedusa está mais perto do continente africano do que a Itália (a Sícilia é o território italiano mais próximo, a cerca de 200 km).

Entre 2009 e 2011, o fluxo de imigração fora reduzido drasticamente após acordo entre a Itália, do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e a Líbia, na época sob o ditador Muammar Gaddafi.

Pelo trato, a Líbia, principal ponto de partida dos barcos, poderia monitorá-los e detê-los pelas águas dos dois países, enquanto a Itália teria mais autonomia para devolvê-los. Deu resultado: o número caiu de 31 mil imigrantes em 2008 para 12 mil em 2010.

Mas a derrocada de Gaddafi em 2011, a saída de Berlusconi do governo, somados aos distúrbios da Primavera Árabe em países vizinhos naquele ano, aceleraram novamente o fluxo, sobretudo para Lampedusa.

Em outubro de 2013, três meses depois de receber a visita do papa Francisco, a região viveu uma tragédia: 366 pessoas morreram afogadas a 1 km de sua costa.

Desde então, a ilha que tinha a pesca e o turismo de classe média como chamarizes tenta minimizar a imagem de rota de imigração.

Sob pressão da população, que entre 2011 e 2013 sofreu com o impacto para a imagem da ilha da onda de imigrantes, o governo tem evitado desembarcar na ilha os navios com resgatados no Mediterrâneo. O destino agora são cidades da Sicília.

Apesar do esforço, algo dificilmente será apagado: os túmulos de cerca de 50 imigrantes enterrados no cemitério de Lampedusa que morreram na rota para a Europa. Um deles conta uma história: ali está o corpo da nigeriana Ester Ada, resgatado em 2009 num barco com 153 pessoas. Ela tinha apenas 18 anos.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

VALE BUSCA US$ 2 BI COM VENDA DE NAVIOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:25 PM

Com preço do minério em baixa, empresa quer fazer caixa com a comercialização de 15 supernavios cargueiros

Para o presidente da mineradora, cenário externo preocupa e os próximos dois anos serão 'desafiadores'

Num momento de baixo preço do minério de ferro e sem perspectivas de recuperação no curto prazo, a Vale manterá, no próximo ano, a estratégia de vender ativos para fazer caixa.

A mineradora busca compradores para 15 supernavios cargueiros e espera levantar de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões (entre R$ 4 bilhões e R$ 5,4 bilhões) com essa venda.

Para Murilo Ferreira, presidente da Vale, o "cenário internacional é muito preocupante" com a freada do crescimento da China --que não deve ficar em torno de 7% neste ano--, a estagnação na Europa e a recessão no Japão.

Nesse ambiente de demanda fraca e com o excesso de produção de minério de ferro no mundo, não se vislumbra uma melhora substancial dos preços do minério.

Ao final de 2013, a cotação do principal produto da Vale estava em US$ 135 a tonelada. Neste mês, está em torno de US$ 70 a tonelada.

'DESAFIADORES'

Ferreira disse que 2015 e 2016 serão anos "desafiadores" para a Vale, pois não se esperam preços elevados e a empresa estará numa fase de pesados investimentos para colocar em operação daqui a dois anos a nova mina de Carajás, no Pará.

Por isso, a Vale procura compradores para seus navios, batizados de Valemax, e busca ainda um sócio para uma fatia de seus investimentos em fertilizantes. O objetivo é vender as embarcações e alugá-las do comprador por um longo período. Neste ano, a Vale fez essa operação com quatro navios, arrendados por 25 anos.

Os supercargueiros fazem parte da estratégia da Vale de transportar um volume maior de minério de ferro --cada navio tem capacidade para 400 mil toneladas-- para a China. Assim, ela consegue baratear o custo do frete e competir com as mineradoras australianas, geograficamente mais próximas daquele mercado.

Em seu programa de venda de ativos, a Vale conseguiu US$ 6 bilhões em 2013. Neste ano, trouxe para seu caixa algo em torno de US$ 5,5 bilhões. A maior operação foi a venda de participações numa mina de carvão e numa ferrovia em Moçambique para a japonesa Mitisui, no valor de US$ 3,7 bilhões.

MINÉRIO DE SOBRA

Para Peter Poppinga, diretor de Ferrosos da Vale, há uma produção maior de minério de ferro do que a demanda, situação que se manterá em 2015. Ainda assim, o executivo acredita que o mercado jogou os preços muito para baixo e deve haver uma recuperação no próximo ano. "Só não sabemos de quanto."

Apenas em 2016, porém, é que o consumo e a oferta de minério estarão equilibrados --o que, em tese, abre espaço para uma melhora mais firme dos preços.

CÂMBIO

Segundo Ferreira, a desvalorização do real ante o dólar beneficia a companhia, que tem a maior parte dos custos em reais por produzir no Brasil e receberá mais por suas exportações, cotadas na moeda norte-americana.

Para o executivo, porém, a Vale e a indústria como um todo têm de ser competitivas e buscar baixos custos, sem se fixar no patamar da taxa de câmbio. "Não podemos ficar presos a essa armadilha."
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

MOTOR DA BALANÇA COMERCIAL DEVE PERDER US$ 8 BI EM 2015

Se as coisas não andaram bem para a balança comercial neste ano, a situação poderá ficar ainda pior em 2015.

Isso porque o carro-chefe da balança comercial, a soja, deverá render US$ 8 bilhões a menos em exportações no próximo ano.

As vendas externas do complexo soja (grãos, farelo e óleo) estão previstas para US$ 30,5 bilhões neste ano, valor próximo dos US$ 30,7 bilhões de 2013.

Em 2015, no entanto, vão ficar entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões, segundo estimativas da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Este ano foi bastante favorável para a soja, cujos preços médios ficaram em US$ 510 por tonelada no porto. No próximo, no entanto, o valor recua para US$ 370.

Essa queda ocorre devido à recuperação da safra norte-americana, que atingiu o recorde de 308 milhões de toneladas e elevou os estoques mundiais.

Dependência maior do mundo em relação à soja brasileira e manutenção dos preços elevados fizeram com que neste ano as receitas com o complexo soja superassem as obtidas pelo país com o minério de ferro, tradicional líder nas exportações.

2014 ainda foi um ano de boa renda para os produtores, mas 2015 promete preços menores, principalmente para os que não adotarem um bom programa de vendas.

Mas os produtores terão alguns pontos positivos no próximo ano. Um deles é o dólar, cuja valorização significa um valor maior, em reais, nas receitas dos produtores.

Outro são os novos corredores de exportação que, aos poucos, são incorporados ao sistema brasileiro. Eles devem permitir, aos poucos, uma queda contínua dos preços do frete.

MONSANTO

Uma situação um pouco desconfortável para o produtor, no entanto, é a falta de acertos entre a Abiove e a Monsanto com relação ao recebimento da soja.

A Monsanto negocia para que as tradings façam o controle da soja Intacta no recebimento do grão, tarefa que, para a Abiove, não é dela.

Após muitas reuniões, a associação e a empresa ainda não chegaram a um acordo. A Abiove estipulou um valor médio de remuneração pela Monsanto por essa atividade, mas até a última segunda-feira (15) nenhuma empresa ainda havia feito um acordo com a multinacional.

"Não queremos um impasse, mas isso não é bom para o produtor", diz Carlo Lovatelli, presidente da Abiove.

Segundo ele, a associação é responsável pela compra de pelo menos 65% da soja produzida no Brasil.

Lovatelli acredita em um acerto nessa questão. E as saídas são várias: a remuneração, pela Monsanto, das empresas que compram soja; um arbítrio construtivo monitorado pelo governo entre a associação e a multinacional; ou a contratação, pela Monsanto, de uma empresa que faça a checagem da soja Intacta e garanta a certificação internacional.

Lovatelli diz que a questão deve ser resolvida, caso contrário seria "um tiro no pé" para todos. Há um risco até para a imagem do país lá fora, acrescenta.

Consultada, a Monsanto afirmou que continua negociando com cada uma das empresas envolvidas na captação de soja.

2015

O Brasil deverá exportar 48 milhões de toneladas de soja no próxima ano, além de 13,5 milhões de toneladas de farelo e 1 milhão de óleo de soja, na avaliação da Abiove.

A associação prevê que a produção brasileira da oleaginosa atinja 91 milhões de toneladas na safra 2014/15.

Sobre a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB) para o Ministério da Agricultura, Lovatelii diz que --embora ela tenha problemas com alguns setores-- é uma boa escolha. Ela tem bom conhecimento do setor e das atividades do ministério, diz ele.

Produção O Valor Bruto da Produção das lavouras e da pecuária brasileiras, após crescimento de 2,5% neste ano, deverá ficar estável em R$ 462 bilhões no próximo ano, de acordo com estimativas de José Gasques, do Ministério da Agricultura.

Quem cresce Enquanto a pecuária (setor que inclui a produção de bovinos, suínos, frango, leite e ovos) deverá subir para R$ 173 bilhões no próximo ano (10% mais), as lavouras recuam para R$ 288 milhões (menos 2%).

Soja Líder no setor, a oleaginosa deverá obter valor de R$ 86 bilhões no próximo ano, 2% mais do que em 2014.

Biodiesel Com a adoção de 7% de biodiesel ao óleo diesel, a moagem de soja para esse setor deverá ser de 15 milhões de toneladas por ano. Para 2020, a Abiove espera uma mistura de 10%.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

CAI O INTERESSE DOS EMPRESÁRIOS EM INVESTIR
Publicado em 12/17/2014 as 02:11 PM

41% das firmas esperam elevar investimentos em 2015, menor índice desde 2009, diz FGV

O desempenho da economia brasileira em 2014 fez empresários abandonarem investimentos previstos para este ano e afeta o nível de confiança para investir no próximo.

Segundo levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), somente 41% das empresas pesquisadas esperam um crescimento de investimentos próprios em 2015.

O índice é o menor desde 2009, ano no qual a crise econômica global exerceu maior efeito sobre o Brasil.

O aumento do pessimismo parte da frustração das companhias com o desempenho neste ano.

Ao final de 2013, 47% das companhias indicavam uma expectativa positiva para os investimentos. Perto do encerramento de 2014, um quarto dessas empresas afirmou que as expectativas não se realizaram e que os investimentos, na verdade, caíram.

Aloísio Campelo Júnior, responsável pela pesquisa, afirma que o empresário acredita ser difícil reverter a baixa atividade econômica.

"Por mais que o Brasil possa retomar um caminho virtuoso, já há uma convicção de que 2015 será ano ruim, mesmo com a troca dos ministros da Fazenda e do Planejamento", diz.

A mudança de nomes, de Guido Mantega por Joaquim Levy (Fazenda) e Miriam Belchior por Nelson Barbosa (Planejamento), é apontada por Fábio Pina, assessor econômico da Fecomercio, como um marco de renovação para os setores de serviços e comércio.

"No final do primeiro trimestre de 2015, já teremos expurgados os piores momentos da nossa economia. Estamos em um período de ajustes, mas não à beira do abismo. Tanto que alguns investimentos e contratações recomeçaram neste final de ano."

Mas José Ricardo Roriz, diretor da Fiesp, afirma que ações tomadas recentemente pela indústria não indicam melhoras no campo dos investimentos.

"A indústria vem perdendo espaço na economia há tempos e uma boa parcela dessa queda se deve à piora da confiança e à reticência do industrial em investir."
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

PESADELO DA CRISE DE 1998 ASSOMBRA RUSSOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:11 PM

Com sanções ocidentais e rublo em queda, população faz estoques de alimentos e sofre com dificuldade de importar

Venda de energia para o exterior responde por 50% da arrecadação do governo; moeda segue declínio do petróleo

Elena recorda a crise de 1998, quando o rublo, a moeda local, despencou e destruiu a poupança de milhões de russos, e teme que o tumulto que afeta a divisa hoje possa ser ainda pior.

"Meus colegas e eu passamos horas no supermercado, para formar estoques. Estamos apavorados com a possibilidade de que a inflação continue a disparar", disse a contadora.

"Lembro-me da crise de 1998, mas desta vez vai ser muito pior porque o mundo está contra nós", disse, aludindo às sanções impostas pelo Ocidente à Rússia por causa da crise com a Ucrânia.

O embargo, somado à forte queda dos preços do petróleo nas últimas semanas, foi um pesado golpe para a confiança na economia da Rússia e despertou memórias da crise de 1998, quando o rublo desabou e o governo decretou moratória nos pagamentos da dívida pública.

Os preços do petróleo caíram praticamente à metade de julho para cá, o que puxou o tapete das finanças do governo, já que as exportações de energia respondem por 50% da arrecadação no país.

O banco central russo disse nesta segunda-feira (15) que o PIB pode se contrair em até 5% no ano que vem se os preços mundiais do petróleo continuarem no nível atual --em torno de US$ 60.

O rublo vem sendo arrastado pela queda do preço do barril do petróleo e acumula desvalorização de mais de 50% neste ano.

Yulia, 43, que dirige um salão de beleza em São Petersburgo, disse que agora está à beira da falência, porque o salão depende de produtos italianos. "Não consegui dormir a noite toda, pensando sobre o que fazer."

Em Moscou, Igor afirmou ter "medo de que os preços subam, o preço dos carros, da comida. Sabemos muito bem que não há como substituir as importações. Isso é um mito".

A Rússia proibiu a importação de produtos alimentícios da União Europeia e dos EUA, em uma represália às sanções ocidentais, agravando a situação porque produtos de outros países em muitos casos se provaram mais dispendiosos.

CONFIANÇA EM PUTIN

A despeito do tumulto nos mercados, que vem causando ondas de choque em todo o mundo e despertando questões sobre a saúde das economias de mercados emergentes, os russos ainda acreditam que seu presidente, Vladimir Putin, resolverá a crise.

"Sim, existe inflação [de 9,1% em novembro, em 12 meses, a mais alta em três anos], mas sabemos que Putin não tem escolha. Sua popularidade não sofrerá", disse Dmitry Briliyev, 35, osteopata que vive em Moscou.

"Não estou preocupada", disse Olga, 24. "Temos Putin, ele resolverá tudo."

A crise "não mudará nada no apoio ao presidente", afirmou Irina Istomina. "Não temos outros líderes e os russos estão acostumados a viver sob seu punho de ferro", acrescentou.

Enquanto isso, Alexei, 27, decidiu lucrar com a crise produzindo camisetas com frases irônicas sobre o rublo.

"Sobrevivemos à queda da União Soviética, à crise de 1998. Estamos acostumados a que as coisas vão mal e sabemos que sobreviveremos até ao pior", disse o empresário, que vende suas camisetas em euros.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

VALE COLOCA SUPERNAVIOS À VENDA E PODE LEVANTAR ATÉ US$ 2 BILHÕES
Publicado em 12/17/2014 as 02:08 PM

Empresa tem frota de 15 cargueiros com capacidade para transportar 400 mil toneladas

A Vale estuda vender sua frota de navios Valemax, supercargueiros com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minério. A medida é parte da estratégia para ampliar o caixa, num cenário de preço do minério de ferro em baixa no mercado internacional. A mineradora conta com 15 dessas embarcações, que renderiam de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões no mercado, disse Luciano Siani, diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores.



Em setembro, a Vale vendeu quatro Valemax para a chinesa Cosco, com contrato de arrendamento dos navios por 25 anos.

— É o tipo de negócio que queremos. A meta é ter benefício em frete, com o navio disponível por longo prazo a custo baixo — explicou Siani.

Murilo Ferreira, presidente da Vale, vê um cenário de dificuldades por mais dois anos, com melhora só depois de 2017:

— Temos um grande desafio pela frente. Em um ano, o preço do minério caiu de US$ 135 para US$ 70 — destacou.

O foco está em ampliar produtividade para garantir o melhor resultado em qualquer cenário.

A mineradora recebeu nesta semana autorização do Ibama para retirar vegetação, o que permite iniciar a lavra em uma mina de Carajás (PA).
Fonte : O Globo
Data : 17/12/2014

BARCA E QUATRO TRENS CHINESES CHEGARÃO AO PORTO DO RIO NESTA SEXTA-FEIRA
Publicado em 12/17/2014 as 02:07 PM

A barca Pão de Açúcar e mais quatro novos trens para a SuperVia, encomendados pelo governo do estado, chegam ao Porto do Rio nesta sexta-feira. O cargueiro Da Ling, que faz o transporte da barca e das composições, saiu da cidade de Ganghzou, na China, no dia 15 de novembro. Pela primeira vez, um navio traz, na mesma viagem, dois diferentes equipamentos de transporte público de alta capacidade, segundo o governo do Rio.

A Pão de Açúcar vai integrar a linha Praça XV-Arariboia e poderá substituir duas embarcações tradicionais, com previsão de transportar 30 mil passageiros por dia. Em nota, a secretária de Transportes, Tatiana Carius, disse que "otras seis barcas do mesmo porte serão totalmente integradas à frota já no ano que vem". Ainbda de acordo com a secretária, a oferta total com as novas barcas será de 24 mil lugares por hora no horário de rush, o dobro da média de passageiros transportados hoje no trajeto Praça XV-Arariboia.

Com capacidade para transportar 2 mil passageiros, as novas barcas têm dupla proa, ar-condicionado, janelas panorâmicas, bicicletário e espaço exclusivo para cadeirantes, além de dois andares, com possibilidade de embarque e desembarque simultâneos.

Já os trens poderão ampliar a oferta diária em 48 mil lugares para os passageiros dos ramais ferroviários do Grande Rio. Do total de cem trens chineses comprados pelo estado, 50 já estão em operação, segundo o governo. Com capacidade para transportar 1,2 mil pessoas, cada veículo chinês conta com refrigeração, passagem interna entre os carros, sistema que impede a abertura de portas durante as viagens, circuito interno de segurança, bagageiros, interiores mais amplos e iluminados, além de painéis de LED.

Da frota de 200 trens da concessionária SuperVia, 135 já são refrigerados. Até o fim de 2015, toda a frota contará com ar-condicionado, ainda de acordo com o governo.
Fonte : O Globo
Data : 17/12/2014

EXPORTAÇÃO DE MINÉRIO ELEVA MOVIMENTO EM HIDROVIA
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Enquanto a Hidrovia Paraná-Tietê enfrenta restrições no transporte de cargas por causa do baixo nível dos rios, os portos localizados em Corumbá e Ladário, na Hidrovia do Rio Paraguai, aumentaram em 27,38% o volume movimentado no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2013. O incremento foi puxado pela exportação do minério de ferro, que teve avanço de 29,91%, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

De acordo com a a Antaq, no primeiro semestre de 2014, “destaca-se o crescimento da exportação de minério de ferro e a significativa redução no transporte das commodities agrícolas, como a soja e o milho. Esses produtos utilizam rotas específicas com diferentes condições de navegação”.

A autarquia aponta que foi exportado pouco mais de 3,1 milhões de toneladas de minério de ferro, um incremento de 29,91% em relação ao primeiro semestre de 2013, com embarque em Corumbá e Ladário, sendo transportado pela Hidrovia do Paraguai até instalações portuárias localizadas na Argentina, de onde segue para outras partes do mundo. De acordo com o site da Antaq, “são poucas as restrições à navegação nesse percurso, sendo que o trecho navegável de Corumbá/MS à Assunção (Paraguai) comporta comboios 4x4, com 60 m de comprimento, 12 m de largura e capacidade para 25 mil toneladas, tendo calado médio de três metros, durante 80% do ano”.
Fonte : Portos e Navios
Data : 25/08/2014

AMAZONAS PRECISA DE R$ 20,9 BI PARA MELHORAR LOGÍSTICA, APONTA CNI
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Para solucionar os gargalos logísticos do Amazonas, são necessários investimentos de, no mínimo, R$ 20,9 bilhões, segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Em todo o País, as propostas indicadas somam R$ 987 bilhões. O Plano CNT de Transporte e Logística 2014 traz projetos prioritários de infraestrutura de transporte, abrangendo todos os modais, tanto na área de cargas como na de passageiros.

No Amazonas, os recursos são necessários para 97 projetos prioritários de infraestrutura. Somente para a Região Metropolitana de Manaus, os investimentos somam R$ 4 bilhões e incluem a implantação de corredor expresso ou Bus Rapid Transit (BRS), construção e adequação de terminal de passageiros, construção de infraestrutura para monotrilho ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), construção e adequação de vias urbanas e de plataformas de ônibus e terminais de passageiros.

O estudo elenca 2.045 projetos prioritários de infraestrutura de transporte em todo o País, abrangendo os modais, tanto na área de cargas como na de passageiros.

O objetivo, segundo a instituição, é contribuir para alavancar o desenvolvimento do País, reduzir os custos logísticos, aumentar a competitividade dos setores produtivos e permitir mais segurança e desempenho aos transportadores e à população. “São intervenções condizentes com o desenvolvimento econômico e social desejado ao Brasil, abrangendo a modernização e a ampliação de rodovias, aeroportos, portos, hidrovias, ferrovias e também dos terminais de cargas e de passageiros”, afirma o estudo.

O levantamento permite identificar o caminho a seguir para um sistema de transporte condizente com o desenvolvimento desejado para o Brasil.

“Uma significativa parcela da infraestrutura de transporte, em todas as modalidades, encontra-se obsoleta, inadequada ou ainda por construir. Algumas delas operam no limite ou mesmo acima da sua capacidade, enquanto outras carecem de manutenção”, conclui o estudo. Segundo análise da CNT, essa situação representa um entrave ao crescimento do País e gera reflexos negativos, como aumento do tempo de viagens, maior custo operacional, aumento do número de acidentes e dos níveis de emissão de poluentes.

Modais

Em 2013, a navegação interior - que utiliza vias navegáveis como rios, lagos, canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas marítimas abrigadas - movimentaram, no Amazonas, 3,8 milhões de toneladas, 4,7% do total movimentado pelo modal no País, R$ 80,3 milhões de toneladas.

Para melhorar a capacidade desse modal, o Estado precisaria investir R$ 6 bilhões na adequação de 11,7 mil quilômetros (km) de hidrovias e implantação de um quilômetro de dispositivo de transposição.

Já o modal rodoviário necessita de pelo menos R$ 13,9 bilhões em investimentos. Entre os projetos sugeridos, estão a adequação de 322 km de rodovias, 533 km de vias urbanas, 578 km de recuperação do pavimento de rodovia, construção de 1,1 mil km de rodovias e de 31 km de vias urbanas, além da implantação de 26 km de corredor expresso ou BRT e a pavimentação de 1,4 mil km de rodovias.

A movimentação de cargas nos 16 terminais portuários do Amazonas somam 21,6 milhões de toneladas. Entre as melhorias indicadas pelo estudo da CNT, estão a construção de cinco portos no Estado que somam investimentos de R$ 729,6 milhões.

Seriam necessários, ainda, a construção de 48 terminais de cargas no interior do Estado e de dois terminais de passageiros que somam R$ 1,5 bilhão em investimentos.

Sem nenhuma alternativa ferroviária, o Amazonas precisaria aplicar R$ 2,15 bilhões na construção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou monotrilho.

O modal aéreo movimenta no Estado 168,3 milhões de quilos de cargas e 3,2 mil passageiros em três aeroportos. Na avaliação da CNT, seriam necessárias a ampliação de três aeroportos, da estrutura de carga de um aeroporto e a melhoria na pista de quatro aeroportos. Os projetos somam R$ 268,9 milhões.

De acordo com a CNT, a implementação dos projetos pode receber um impulso a partir da participação da iniciativa privada. Conforme a conclusão do plano, “a retomada dos investimentos públicos em infraestruturas de transporte, em anos recentes, apesar de assinalável, não tem sido suficiente para ajustar a oferta de transporte às demandas existentes e previstas”. E a execução dos investimentos também tem estado aquém dos valores planejados e autorizados. “Torna-se assim mais importante a participação da iniciativa privada nesses projetos de infraestrutura de transporte”, destaca o estudo.
Fonte : Portos e Navios
Data : 25/08/2014

ESQUEMA CHINÊS DRIBLA TAXA ANTIDUMPING
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Empresas oferecem a importadores no Brasil documentos que forjam origem de cerâmica; governo vai investigar

Sobretaxa é aplicada desde julho, e não há dados sobre efeitos de fraude; firma diz propor "solução de comércio"

No início do mês, empresários do setor de cerâmica receberam um email de uma empresa chinesa oferecendo seus serviços para falsificar documentos e burlar as sobretaxas antidumping aplicadas pelo Brasil para importar porcelanato, tipo de ladrilho de alto valor agregado usado na construção civil.

A Folha teve acesso ao email e conversou com um representante da empresa XFA Group Forwarding, sediada em Shenzhen, que confirmou o esquema. A reportagem informou o governo, que vai investigar o caso.

"Já há indícios suficientes para apurar. Vamos chamar o setor para fazer uma avaliação técnica", afirmou Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior.

A operação funciona assim: o porcelanato chinês é embarcado para a Malásia, troca de contêiner na área de livre comércio ou num armazém já dentro do país, e segue para o Brasil.

Os chineses garantem todos os documentos falsos necessários, como declarações de origem e nota fiscal de uma empresa da Malásia.

Dessa forma, os produtos chegam ao Brasil como se fossem fabricados na Malásia e se livram da sobretaxa aplicada contra o produto chinês. A fraude é evidente porque na Malásia não há fabricantes de porcelanato.

Como as tarifas antidumping foram aplicadas há pouco mais de um mês e as importações são planejadas antecipadamente, ainda não há registro de queda de compras da China nem de aumento de embarques para a Malásia.

"Estamos monitorando as estatísticas", diz Antônio Carlos Kieling, presidente da Anfacer, que reúne fabricantes como Portobello e Eliane. "Eles foram muito rápidos, porque os emails começaram a chegar uma semana após a aplicação das sobretaxas."

As tarifas antidumping contra o porcelanato chinês foram aplicadas provisoriamente pelo Brasil no início de julho, após meses de investigação e queda de braço entre fabricantes e varejistas.

A investigação concluiu que os exportadores chineses praticavam dumping e chegavam a vender por US$ 5,87 o metro quadrado um produto cujo preço normal de mercado era US$ 21,37.

Para proteger os fabricantes locais, o governo passou a cobrar sobretaxa de US$ 3,01 a US$ 5,83 por metro quadrado do produto, dependendo da empresa exportadora.

"SOLUÇÃO DE COMÉRCIO"

No email, o grupo chinês qualifica seu serviço como "solução de comércio" e garante que "o custo será muito favorável, porque vai economizar muito em taxa antidumping". A empresa também informa que "tem muitos casos de sucesso no Brasil para esses e outros itens".

"Não é contra a lei, porque todos os documentos são malasianos", disse, por telefone, Simon Lee, funcionário da XFA Group, ao ser questionado pela reportagem se estava ciente que o procedimento é considerado ilegal pela legislação brasileira.

Segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da Barral MJorge, as fraudes têm ocorrido em outros casos de dumping de comércio exterior, com desvio de produtos chineses sobretudo para Malásia e Taiwan. "É necessário uma atuação rápida do governo quando se verifica o problema."

O governo informa que poderá tomar várias medidas dependendo da evolução do caso: de uma investigação de falsa declaração de origem a aplicação de multas e ao cancelamento de registro pela Receita Federal.

Se algum importador brasileiro for identificado cometendo fraudes, o caso pode ser levado à Polícia Federal.

OUTROS CASOS

Não é a primeira vez que o governo se depara com esse tipo de fraude. Até agora, já foram investigadas 29 empresas exportadoras que estavam enviando produtos chineses para o Brasil de forma fraudulenta.

Entre os produtos identificados, estão lápis de madeira, malhas de viscose, calçados e outros. Esses itens, sujeitos a tarifas antidumping, chegavam ao país como se tivessem sido fabricados na Malásia, em Taiwan, na Coreia do Sul e até no Japão para não pagarem sobretaxa.

"O importante é que hoje nós já temos todos os mecanismos e as regras para lidar com esse tipo de fraude", afirma Godinho.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 24/08/2014

SAFRA DOS EUA É BOA, MAS DEPENDE DO CLIMA
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

A safra norte-americana continua com bom potencial de produção, mas nada está definido. Em Illinois, o segundo maior produtor de grãos do país, as condições são excelentes, mas no líder Iowa as lavouras estão atrasadas e precisando de chuva.

A análise é de Daniele Siqueira, analista da AgRural e que acaba de percorrer sete Estados norte-americanos produtores de grãos. "A safra está com bom potencial, mas ainda depende do clima."

A temperatura é mais baixa, o que evita o estresse hídrico da planta, normal nesses meses no Meio-Oeste dos EUA. Mas o clima mais frio retarda o desenvolvimento da lavoura.

Esse ritmo mais lento coloca as plantas no foco de eventuais geadas, previstas para algumas regiões produtoras.

A temperatura mais baixa do que o normal neste ano faz com que a soja desenvolva bem as folhas, mas tenha poucas vagens.

No caso do milho, há um atraso no enchimento dos grãos das espigas.

Não está descartada a ocorrência de uma grande safra no Meio-Oeste dos Estados Unidos, segundo Siqueira, mas as condições climáticas terão de melhorar.

Mesmo com clima favorável, após a visita a lavouras e a produtores nesses sete Estados feita na última quinzena, a analista acredita que o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) está superestimando a safra do país.

A produção de soja na safra 2014/15 deverá atingir 103,9 milhões de toneladas, conforme o mais recente relatório dos Usda, divulgado neste mês. Se confirmada, a produção supera em 16% a do ano anterior.

Já a produção do milho foi estimada em 356,4 milhões de toneladas, um pouco acima dos 353,4 milhões obtidas no ano passado.

Relatórios desta semana apontam, no entanto, que as condições das lavouras começam a melhorar, mas os números desses analistas também indicam volume um pouco abaixo dos estimados pelo Usda na primeira quinzena deste mês.

A soja voltou a subir nesta sexta-feira (22) em Chicago. O primeiro contrato esteve a US$ 11,66 por bushel (27,2 quilos). O milho teve a mesma tendência e foi a US$ 3,66 por bushel (25,4 quilos).

Um dos destaques no setor é o preço do farelo de soja, que acumula alta de 12% nos últimos sete dias.

Etanol O preço médio do álcool recuou para R$ 1,883 por litro nesta semana nos postos de abastecimento da cidade de São Paulo, conforme pesquisa da Folha. O recuo foi de 0,11% no dia e de 0,53% em 30 dias.

Paridade A mesma pesquisa da Folha, feita em 50 postos da capital, apontou estabilidade nos preços da gasolina, que está, em média, a R$ 2,879 por litro.

Vantagem Com isso, o etanol vale 65,4% do valor da gasolina, sendo mais favorável a utilização do derivado de cana no abastecimento do veículo.

Perdas As contusões sofridas por animais enquanto são transportados aos frigoríficos causam perdas de até R$ 154 por animal ao produtor de Mato Grosso.

Inadequado Um dos motivos dessas perdas é o transporte inadequado da fazenda ao frigorífico. É o que aponta estudo da Acrimat (associação dos criadores), universidades e a empresa Beckhauser.

Químicos O mercado mundial de químicos a partir de renováveis poderá ser de até 25% em 2025. O Brasil desponta como grande destino para os investimentos.

Matéria-prima É o que aponta estudo da Bain & Company. O Brasil ganha importância porque tem matéria-prima e os que detêm a tecnologia buscam parcerias com fornecedor de matéria-prima e com empresa que já têm acesso ao mercado.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

PAÍS RESTRINGE VENDA DE CARNE BOVINA PARA O EXTERIOR
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

O secretário do Comércio argentino, Augusto Costa, informou aos ruralistas que irá restringir mais a exportação de carne. Na prática, o governo irá emitir menos licenças que autorizam a vender carne bovina a outros países.

Para exportar, frigoríficos precisam pedir uma autorização chamada ROE. Segundo o economista da Sociedade Rural Argentina Ernesto Ambrosetti, os produtores não sabem ao certo quais são os critérios pelos quais aprova-se ou reprova-se esse requerimento.

"[Costa] afirmou que vai restringir mais. A Argentina, historicamente, exporta 20% da sua produção de gado. Hoje exportamos de 4% a 5% do total. Com esse anúncio, irá cair ainda mais."

Ambrosetti diz que às vezes os pedidos são aprovados mediante um acordo: o frigorífico vende uma parte ao mercado interno a preços baixos. Depois disso, os exportadores ainda pagam imposto sobre o que vai para fora.

O intuito das medidas é baixar o preço da carne dentro da Argentina. Mas, como um efeito secundário, faz com que o país perca mercado externo.

PERDAS

Um estudo da Universidade Católica publicado recentemente aponta que, em dez anos, o país deixou de ganhar US$ 10 bilhões com vendas ao mercado externor.

Fernando Gil, um dos economistas que escreveram a tese, afirma que esse dinheiro acabou indo para outros três países: Brasil, Uruguai e Paraguai.

Ele afirma que a Argentina deixou o posto de terceiro maior exportador de carne do mundo para se tornar o 12º, atrás de Belarus.

Segundo Gil, entre 2003 e 2013, cerca de 130 frigoríficos fecharam as portas no país. Ele afirma que em 2005 a Argentina exportou 770 mil toneladas de carne, enquanto no ano passado foram cerca de 200 mil.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

OMC DECIDE QUE ARGENTINA VIOLA REGRAS COMERCIAIS
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

Queixa foi aberta por EUA, UE e Japão por causa de autorizações exigidas por Buenos Aires a importadores

País ainda poderá recorrer do veredicto, que permite retaliações por parte dos governos que se queixaram

A OMC (Organização Mundial do Comércio) decidiu nesta sexta (22) que a Argentina viola regras de comércio internacional ao restringir importações. A ação no órgão multilateral teve início em 2012 a pedido dos EUA, da União Europeia e do Japão.

Para comprar produtos de outros países na Argentina é preciso pedir uma autorização prévia à secretaria de comércio chamada DJAI (declaração jurada antecipada de importação). Essa regra foi considerada uma "restrição à importação de mercadorias e, portanto, incompatível com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio" que rege o intercâmbio internacionais.

Ainda cabe recurso da decisão da OMC.

Para o presidente da câmara dos importadores da Argentina, Miguel Ponce, a decisão da OMC não é uma surpresa. Ele afirma que já esperava a determinação.

Ponce diz que há arbitrariedades na decisão governamental de autorizar ou proibir a importação. "A grandes importadoras, que são poucas, não têm esse problema, mas a maioria [dos importadores] enfrenta travas até pela quantidade de pedidos: cerca de 8.000 por dia, volume que os funcionários não conseguem processar", diz.

A resolução da OMC não é uma sanção, mas ela habilita os países que entraram com a ação a tomar medidas de retaliação. Ponce calcula que isso representaria uma perda de cerca de US$ 6 bilhões em exportações.

Isso, no entanto, não aconteceria imediatamente --a Argentina deve apelar, o que obrigaria a OMC a repetir a decisão em cerca de três meses. O país, então, terá um ano para cumprir a recomendação. Só então podem ser aplicadas as retaliações.

As retaliações devem ocorrer no mesmo segmento de comércio que a Argentina restringiu. Se isso não for possível, estende-se a outros.

A câmara dos exportadores argentinos emitiu uma nota na qual afirma que "sem dúvida, essa situação afetará em curto prazo as negociações entre a União Europeia e o Mercosul", que envolvem o Brasil, e que o país deve recorrer da decisão.

O responsável pelo comércio exterior do governo dos EUA, Michael Froman, afirmou em comunicado emitido nesta sexta que a decisão da OMC se trata de "uma grande vitória para os trabalhadores, fazendeiros e fábricas americanos".

Froman disse ainda que "o protecionismo argentino custa bilhões de dólares aos EUA" assim como empregos de alta qualidade para a classe média do país.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

CHOQUE DE GESTÃO E AUMENTO DE PRODUÇÃO DÃO FÔLEGO A HRT E OGPAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

Protagonistas de perdas importantes e alvo de desconfianças do mercado financeiro, as petroleiras nacionais HRT e Óleo e Gás Participações (OGPar, antiga OGX) comemoram os resultados do primeiro semestre após um forte choque de gestão e mudanças de estratégias de atuação. No entanto, cortes de custos e crescimento da produção em relação a uma base fraca de comparação são os principais fatores que explicam o bom desempenho.

Levantamento feito pelo analista do setor de petróleo Walterde Vitto, da consultoria Tendências, com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que a produção das companhias do setor (sem considerar Petrobras) no País aumentou 73% no primeiro semestre de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao incluir a Petrobras, esse aumento é de apenas 6,9%.Entre os fatores que impulsionaram essa elevação está a maturação de investimentos feitos em anos anteriores e que começam a entrar em operação.

• Resultados

R$ 11,4 mi        
foi o Lucro da HRT no primeiro semestre; em 2013, em igual período, prejuízo havia sido de R$ 645 milhões

R$ 516 mi        
foi o lucro da OGPar, petroleira de Eike Batista, de janeiro a julho; empresa havia tido prejuízo de R$ 5,5 bilhões no mesmo período do ano passado

No caso da OGPar, a média diária de produção de barris equivalentes de petróleo cresceu 68% em j unho deste ano ante o mesmo mês de 2013, mostram os dados. A companhia começou a explorar o campo de Tubarão Martelo em dezembro de 2013 e retomou a produção de Tubarão Azul em fevereiro, ambos localizados na Bacia de Campos.

Situação semelhante acontece com a HRT, que repassou a operação do projeto Solimões e busca fazer o mesmo com ativos na Namíbia para se concentrar no seu único campo produtor, o de Polvo, na Bacia de Campos. A produção da companhia caiu 21% no semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a receita obteve ganhos em função de uma melhor negociação quanto ao preço do óleo produzido. Em teleconferência ao mercado, a empresa também destacou como responsáveis pela melhor situação financeira os avanços operacionais, com aumento de eficiência e redução de custos – a empresa cortou o quadro de funcionários em mais de 50%.

A HRT fechou o período com lucro de RS 11,4 milhões, ante prejuízo de R$ 645 milhões nos primeiros seis meses de 2013. Já a petroleira de Eike Batista registrou, no primeiro semestre, lucro de R$ 516 milhões, enquanto no mesmo período de 2013 a empresa teve um prejuízo de RS 5,5 bilhões.

Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora, acredita que as duas empresas entraram numa curva de aprendizado. “Parece que encontraram um ponto de equilíbrio. As empresas agora tendem a ter uma geração de caixa mais robusta para fazer mais investimentos e acelerara produção”.

A petroleira de Eike Batista conseguiu dar andamento a sua recuperação judicial, com a aprovação do plano pelos acionistas em 3 de junho. As recentes alterações na OGX permitiram a continuação dos negócios, mas também resultaram em planos menos ambiciosos, destacam analistas. “No caso da OGX, havia expectativa de que ela estivesse produzindo num patamar muito maior”, diz o analista da Tendências.

Desconfiança. Como consequência da redução das empresas, grande parte do mercado financeiro parou de acompanhar as operações de ambas as companhias. Na quarta-feira, por exemplo, a HRT anunciou a redução de participação do banco Morgan Stanley em sua composição acionária.

Apesar das melhoras reportadas no primeiro semestre, o tempo para a comemoração promete ser curto. A gestão da

HRT, por exemplo, é desacreditada por acionistas minoritários, em função de mudanças na composição dos conselhos via ação judicial.

À frente de um grupo de minoritários, Renzo Bernardi tentou se eleger conselheiro fiscal para acompanhar de perto a gestão. Ele afirma ter perdido 70% de seu investimento com a empresa, mas acredita no potencial da companhia. “Para achar petróleo e desenvolver o campo, você precisa de dinheiro e ela não tem. É um bom veículo, mas com um mau motorista”, diz.
Fonte : O Estado de São Paulo
Data : 23/08/2014

BAIXA INOVAÇÃO FREIA AVANÇO DO BRASIL.
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Estudo aponta que País é um dos menos competitivos em investimentos em P&D

O baixo investimento das empresas nacionais em inovação coloca o Brasil entre os menos competitivos dos países emergentes. Um estudo encomendado pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) mostra que os países produtores de atividades intensivas em conhecimento participam mais ativamente do comércio internacional.

Segundo o economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador desse estudo, para o Brasil se integrar às cadeias de conhecimento globais, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que hoje são de 1,2% do PIB, precisam chegar, no médio prazo, ao patamar da China, de 1,8%, e, no longo prazo, ao patamar dos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2,4%.

O estudo foca no setor privado - e não no Estado - o protagonismo da inovação brasileira. Desde 2005, o nível de investimentos das empresas brasileiras em P&D está estacionado em pouco mais de 0,5% do PIB, contra 1,8% nos Estados Unidos, 1,6% na zona do euro e 1,7% na China. "O setor privado investe muito pouco, é menos engajado. O ideal é que haja uma complementaridade entre Estado e empresas", disse Arbache.
A ABPI encomendou esse trabalho para ser debatido no 34º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual, que será realizado em São Paulo, entre amanhã e terça-feira. "Vamos colocar esse assunto em discussão e formalizaremos um documento oficial que deverá ser apresentado aos candidatos à Presidência", disse Elisabeth Kasznar Fekete, presidente da ABPI. Segundo ela, as empresas dos setores mais intensivos em conhecimento faturam e empregam mais, têm força de trabalho mais escolarizada e pagam melhores salários.

Para ganhar competitividade internacional, as empresas brasileiras não devem concorrer em custos, que no Brasil continuarão altos, destacou Arbache. O caminho é aumentar seus investimentos em ciência e tecnologia, inovações de produtos e de processos. "Atribuir o baixo investimento à agenda de custos não nos leva para a frente", afirmou.

Cadeia global. Com baixa produção em bens intensivos de conhecimento, o Brasil se beneficia pouco das rendas geradas pelas "cadeias globais de valor", aponta o estudo de Arbache. "A Embraer é um excelente exemplo de como o Brasil pode mostrar que é ambicioso", disse. No entanto, o caso Embraer é um dos poucos que podem ser citados como bom exemplo no quesito inovação.

"O Brasil parou de produzir aços especiais e ficou focado em produtos voltados para construção civil e chapas para o setor automobilístico. Mas não é apenas no setor siderúrgico que os investimentos em produtos inovadores são baixos. Há vários setores, entre eles o têxtil e o calçadista, por exemplo. Nós importamos projetos de engenharia."

O estudo aponta, ainda, que são as entidades públicas e multinacionais que respondem pelo grosso das patentes depositadas no Brasil. Mesmo assim, vêm declinando: de 3.400 patentes depositadas em 2003, houve queda para menos da metade em 2012.
Fonte : O Estado de São Paulo
Data : 23/08/2014

30 MILHÕES DE EUROS PARA ENERGIA EÓLICA
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

A Andrade Gutierrez e a francesa Alstom criaram uma joint venture para atuar no mercado de produção de torres de aço para aerogeradores, equipamento utilizado em parques eólicos. As duas companhias investirão aproximadamente 30 milhões de euros na construção de uma fábrica no município de Jacobina, na Bahia, que terá 51% de participação da Andrade Gutierrez e 49% da Alstom. A joint venture receberá o nome de Torres Eólicas do Nordeste (TEN).

A unidade terá capacidade para produzir anualmente 200 torres metálicas e deverá ser inaugurada no segundo semestre deste ano. A previsão das companhias é de que sejam gerados 250 empregos diretos e 600 indiretos.

A escolha do local foi determinada pela proximidade com o mercado consumidor, já que o transporte de equipamentos dessa natureza é um dos fatores de competitividade ao projeto. "É muito importante para os clientes locais contarem com fornecedores próximos de seus parques eólicos. Isso reduz os custos logísticos, tempo de entrega e aumenta a garantia de segurança no transporte deste grande equipamento. Isso traz ainda mais eficiência aos processos", destacou em nota o presidente da Alstom Brasil, Marcos Costa. As companhias lembram que 80% dos parques eólicos nacionais ficam localizados na região Nordeste.

Esta será a terceira unidade eólica da Alstom na América Latina. A primeira foi inaugurada em 2011, em Camaçari (BA), para a fabricação de naceles, e a segunda em 2013, em Canoas (RS), para a fabricação de torres a serem utilizadas no sul do Brasil e em países vizinhos como Argentina, Chile e Uruguai.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

OMC DECIDE CONTRA PAÍS EM NORMAS DE IMPORTAÇÕES
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Três árbitros independentes avaliam as regras argentinas de licenciamento violaram os acordos mundiais de comércio
  
Um painel de resolução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu contra a Argentina nesta sexta-feira em um caso aberto por Estados Unidos, União Europeia e Japão, em 2012, reclamando da regra de licenciamento do país sul-americano usada ??para restringir as importações.

As três potências econômicas argumentaram que a Argentina não concedia automaticamente as licenças para importadores como exigido pelas regras da OMC, permitindo-lhe proteger a sua frágil economia.

O painel de três árbitros independentes decidiu que as regras de licenciamento da Argentina violaram os acordos da OMC, e pediu ao governo da presidente Cristina Fernández Kirchner para alterar as normas para que fiquem alinhadas com as regras internacionais de comércio.

A Argentina tem um período de 60 dias durante o qual poderá apresentar recurso à decisão do painel da OMC.

O escritório de representação comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) disse em comunicado que a decisão foi "uma grande vitória para os trabalhadores norte-americanos, fabricantes e agricultores".

"As medidas protecionistas da Argentina impactam um segmento amplo de exportações dos Estados Unidos, afetando potencialmente bilhões de dólares em exportações norte-americanas ao ano que dão importante suporte aos empregos da classe média norte-americana", disse o USTR.

Uma autoridade do comércio dos EUA, que falou a jornalistas sob condição de anonimato, também disse que o caso da OMC foi concebido para enviar um sinal para outros países com tais restrições às importações, mostrando que claramente violam as regras da OMC.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

PETROBRAS LIDERA RANKING DE EMBARQUES EM JULHO
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

A Petrobras mais que dobrou as suas exportações no mês de julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados nesta sexta-feira, 22.

No último mês, as vendas externas da petrolífera somaram US$ 1,934 bilhão, alta de 109,3% na comparação com julho do ano passado, explicada, principalmente, pelo crescimento da produção da estatal. Em julho, a média da produção de óleo e LGN da Petrobras foi de 2,49 milhões de barris por dia, 2% superior à do mês de junho.

Com a alta, a Petrobras ficou à frente da Vale, que em julho exportou US$ 1,577 bilhão, montante que representa queda de 29,4% ante as vendas realizadas no mesmo mês de 2013.

Já no acumulado dos sete primeiros meses do ano, a Vale segue como maior exportadora do Brasil, com uma receita de US$ 12,833 bilhões. O valor, no entanto, é 10,8% inferior à receita da companhia com vendas externas em igual período do ano passado.

Na mesma base de comparação, as exportações da Petrobras, segunda colocada, acumulam crescimento de 16,5%, para US$ 7,945 bilhões.

Empresas alimentícias e tradings ocuparam da terceira à oitava posição do ranking divulgado pelo MDIC no acumulado do ano.

A Bunge segue em terceiro lugar, apesar da redução de 3,9% das exportações, para US$ 4,325 bilhões. Na quarta colocação, a Cargill exportou US$ 3,266 bilhões de janeiro a julho, alta de 7,8% na comparação com 2013.

As exportações da JBS, quinta colocada, acumulam um crescimento de 41,3%, somando US$ 2,651 bilhões. ADM do Brasil e Louis Dreyfus Commodities Brasil mantiveram a sexta e sétima colocação, respectivamente.

As vendas externas da ADM totalizam USS$ 2,472 bilhões, diminuição de 0,9%, enquanto a Louis Dreyfus exportou US$ 2,448 bilhões, queda de 18,7%. Em oitavo, a BRF faturou US$ 2,437 bilhões com vendas externas ao longo dos sete primeiros meses do ano, valor 19,5% menor na comparação com o mesmo período do ano passado.

O ranking das dez maiores empresas exportadoras conta ainda com Embraer, com exportações de US$ 1,967 bilhão (-1,73%) e Samarco Mineração, com 1,843 bilhão (2,69%).
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

LOGÍSTICA PRECISA DE QUASE R$ 1 TRI EM INVESTIMENTOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Estudo da CNT lista 2.045 projetos prioritários em todos os modais, incluindo movimentação de cargas e passageiros, e chega a um valor quase quatro vezes superior ao estimado no PIL

Para finalmente destravar os gargalos de logística de transportes no país, seriam necessários investimentos de quase R$ 1 trilhão, aponta um estudo divulgado nesta sexta-feira, 22, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
O documento listou 2.045 projetos prioritários em todos os modais, incluindo a movimentação de cargas e passageiros, que somados chegam a R$ 987 bilhões.

Para se ter uma ideia, todo o Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo federal soma empreendimentos avaliados em R$ R$ 270,1 bilhões - em uma conta que inclui o sempre adiado Trem de Alta Velocidade (TAV) a um custo de R$ 35,6 bilhões.

De acordo com a CNT, as necessidades do Brasil são maiores para que o desenvolvimento do país seja alavancado por meio de empreendimentos que darão maior competitividade ao setor produtivo.

Além de projetos de integração nacional, o estudo elaborado pela entidade também inclui diversos empreendimentos urbanos voltados principalmente para o transporte público em 18 regiões metropolitanas do país.

"Uma significativa parcela da infraestrutura de transporte, em todas as modalidades, encontra-se obsoleta, inadequada ou ainda por construir. Algumas delas operam no limite ou mesmo acima da sua capacidade, enquanto outras carecem de manutenção", afirma o documento.

Dentre as obras listadas estão a construção e duplicação de rodovias, a expansão de hidrovias, a dragagem em portos, a implantação de ferrovias, a construção e ampliação de aeroportos, além da construção e de adequações de terminais de cargas, entre outros.

Além disso, o estudo elenca corredores de ônibus e trens de passageiros, monotrilhos, metrôs e terminais de passageiros.

A CNT alerta ainda que a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura de transportes não tem sido suficiente para adequar a oferta dos serviços à demanda do país.

Por isso, a entidade considera importante que o setor privado aumente sua participação nesses projetos.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

EMBARCAÇÃO HISTÓRICA NÃO CONSEGUE MAIS SAIR DO LUGAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:33 PM

O Benjamin Guimarães está parado até a volta da temporada de chuvas



Um dos últimos barcos movidos a vapor de lenha em atividade no mundo teve sua navegação suspensa até a volta da temporada de chuvas. Ele está atracado no centro de Pirapora por causa do risco de acidentes que os bancos de areia e pedras surgidos no rio São Francisco podem causar no casco da embarcação. De fabricação americana, construído em 1913 e usado no rio Mississípi, o Benjamin Guimarães chegou ao Brasil para o transporte regular de cargas e passageiros.


O Benjamin Guimarães está parado até a volta da temporada de chuvas

A paralisação forçada do barco, um importante atrativo turístico da cidade, trouxe impacto imediato à economia local. O número de passageiros embarcados caiu 42% na comparação com o ano passado. Entre janeiro e julho, a quantidade de visitantes ficou no patamar mais baixo pelo menos desde 2011.

"Hoje o movimento aqui é praticamente zero", lamenta o presidente da Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur), Anselmo Rocha. Ele aponta a fraqueza das águas do rio para lembrar que o "balneário das duchas", onde os turistas eram premiados com uma espécie de hidromassagem natural com a força da correnteza, também perdeu o encanto.

No mês passado, a Emutur já havia encurtado os passeios a bordo do Benjamin Guimarães por causa da baixa vazão do rio. O barco continuou saindo todos os domingos, com até 190 passageiros, mas a necessidade de desviar dos obstáculos reduziu o trajeto percorrido e fez sua duração cair para duas horas e quinze minutos. Normalmente, chegava a três horas. Sua última viagem foi em 27 de julho. Não há previsão de retorno e tudo depende das chuvas. "A segurança está obviamente em primeiro lugar", diz Rocha.

Outro reflexo negativo do esvaziamento de Três Marias é que, ao gerar menos energia, a usina acaba reduzindo o montante de compensações financeiras pagas aos municípios do entorno. Oito prefeituras recebem recursos da Cemig de acordo com as áreas alagadas pela hidrelétrica e com a quantidade de megawatts produzidos anualmente. Em 2013, elas engordaram seus caixas com R$ 8,6 milhões. Em 2014, o pagamento chegará a R$ 4 milhões, no máximo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ESPAÇO PARA NOVAS ALTAS NO MERCADO DE BOVINOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:32 PM

Em meio à restrição de oferta, típica do período de entressafra, e ante a forte demanda externa, o preço do boi gordo deve seguir firme nos próximos meses, apontam analistas. A cotação já subiu mais de 5% no acumulado de agosto, e há espaço para novas valorizações.

No início deste mês, o preço do boi gordo estava em R$ 121,24 por arroba e atingiu R$ 128 na última sexta-feira. Em agosto, o preço médio está em R$ 124,82 por arroba, valorização de 2,1% ante a média de julho, conforme o indicador Cepea/Esalq.

Na avaliação do sócio da consultoria MB Agro José Carlos Hausknecht, a menor oferta de bovinos por conta da entressafra de pastagens no país, entre maio e novembro, é um fator "altista" para as cotações do boi gordo. "Não é um cenário de explosão de preços, mas tem espaço para subir", afirma ele.

Do lado da demanda, Hausknecht ressalta que as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas, no contexto da persistente restrição de oferta de gado em concorrentes como os EUA. Em contrapartida, a demanda é mais fraca no mercado interno, devido à desaceleração econômica do país.



Para o analista da Scot Consultoria, Hyberville Neto, os preços do boi gordo devem continuar sustentados nos próximos meses. Segundo ele, nem mesmo a maior disponibilidade de boi de confinamento deve reverter a tendência.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

SOJA TEM REAÇÃO MOMENTÂNEA EM MT
Publicado em 08/25/2014 as 03:32 PM

A escassez de soja no mercado disponível em Mato Grosso provocou aquela que pode ser a última janela de aumento de preços da oleaginosa antes do início da colheita americana, que ganhará ritmo dentro de um mês. Nas últimas três semanas, as cotações da commodity reagiram no Estado, puxadas pela demanda aquecida por parte das esmagadoras - e muitas delas já se viram obrigadas a rever os níveis de processamento ou programar uma antecipação na parada das máquinas.

Conforme Jerson Carvalho Pinto, da Diversa Corretora de Cereais, de Rondonópolis (MT), circulam informações de indústrias que já decidiram pela diminuição da moagem. "Temos notícias de que a ADM reduziu de 4 mil para 2 mil toneladas o volume esmagado por dia. Parece que a Bunge está cogitando o mesmo", afirma ele.
A necessidade de abastecimento das processadoras passou a dar suporte às cotações da soja mato-grossense. A saca que vinha rondando os R$ 60 no fim de julho, com negociações até a R$ 58, já bateu os R$ 63 em agosto, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Ainda assim, é uma situação momentânea, que deve perder força na medida em que o cenário de superoferta nos EUA e de um novo recorde no plantio do Brasil se confirme na temporada 2014/15. "Se fossem acompanhar [a bolsa de] Chicago, os preços da soja teriam de estar mais baixos, provavelmente na casa dos R$ 55. Tivemos uma oscilação que só se sustenta pela questão da demanda mesmo", conclui Carvalho Pinto. As cotações da oleaginosa em Chicago estão no menor patamar em quatro anos, a menos de US$ 10,50 por bushel.



Ainda de acordo com o corretor, apesar da carência de estoques, as esmagadoras fazem um movimento pontual e "da mão para a boca" em Mato Grosso. "O comprador vem, paga e sai do mercado. Não fica mantendo a cotação lá no alto, é conforme a necessidade".

Dados do Imea indicam também que quase 94% da safra 2013/14 local já foi negociada. Portanto, os 6% restantes (o equivalente a cerca de 1,5 milhão de toneladas) é que são alvo de disputa no mercado.

Em Nova Mutum (MT), região central do Estado, os preços oferecidos vinham entre R$ 57 e R$ 58 por saca, chegaram a recuar a R$ 56 há cerca de 60 dias e nas últimas semanas novamente subiram para perto dos R$ 60, conta Ramicés Luchesi, da MT Corretora de Grãos. Segundo ele, muitas esmagadoras devem optar pela redução do processamento diário, inclusive como forma de conter os custos.

"Normalmente, as indústrias param em dezembro, mas acredito que tenham de interromper as atividades já em novembro, diante da pouco oferta". Procuradas, as companhias ADM, Bunge e Cargill, que detêm plantas de esmagamento em Mato Grosso, não quiseram se manifestar. Já a Amaggi, que também opera no Estado, não teve como confirmar a informação imediatamente.

Os preços da soja no mercado futuro de Mato Grosso, por outro lado, só apontam para baixo. Conforme o Imea, atualmente, a diferença entre os preços locais no mercado disponível e no futuro é de R$ 13,83 por saca, valor R$ 8,61 por saca superior ao do mesmo período de 2013.

Luchesi conta que as vendas antecipadas da nova safra, a 2014/15, estão "completamente estagnadas" nas últimas semanas. Os últimos negócios foram fechados há quase 90 dias, antes do recuo mais forte das cotações em Chicago. "A saca para retirada em fevereiro está em US$ 17,80, ou R$ 41, aqui na região. Esse preço precisa reagir muito, porque os custos de produção aumentaram, estão assustadores aos olhos dos produtores", diz.

De sua parte, as esmagadoras têm manifestado interesse em fechar contratos para entrega futura, mas os agricultores ainda resistem. "Eles querem esperar uns US$ 20 ou US$ 20,50 por saca, mas acredito que se chegar a US$ 19 haja vendas pontuais". A safra 2014/15 começa a ser plantada em meados de setembro no país e a colheita deve ser iniciada entre o fim de dezembro e início de janeiro. Apenas 8% da produção prevista em Mato Grosso está comercializada, ante 31,2% um ano atrás, aponta o Imea.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

POR ETANOL, USINAS CANCELAM VENDA DE AÇÚCAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:31 PM

De olho na remuneração do etanol, cerca de 14% maior do que a do açúcar, as usinas do Centro-Sul do país estão se posicionando para maximizar a fabricação do biocombustível nesta safra 2014/15. Nos últimos dias, a indústria começou a cancelar contratos de venda de açúcar para direcionar mais cana para a produção de etanol. O mercado estima que essas operações envolvam um volume entre 500 mil e 600 mil toneladas de açúcar que deixarão de ser produzidas.



Esse tipo de cancelamento, conhecido como "washout", está previsto em contrato e é consensual entre usinas e tradings. Implicam, no entanto, pagamento pela usina de uma multa à trading. Basicamente, o que os dois lados fazem é "dividir" o resultado adicional com a conversão de mais cana para etanol, em vez de seu uso para produzir açúcar. Diversas tradings estão estimulando esse tipo de negociação, explica o sócio da consultoria FGAgro, Gustavo Torrano Correa. "Além de ganharem o prêmio da usina, evitam um problema, uma vez que há dificuldades em dar destino para todo o açúcar na velocidade em que ele vem sendo produzido", afirma.



A estimativa da consultoria, com sede em Ribeirão Preto (SP), é de que esses cancelamentos possam chegar a um volume de 500 mil toneladas de açúcar. Já nos cálculos da comercializadora de etanol Bioagência, esse volume será próximo de 600 mil toneladas. O diretor da comercializadora, Tarcilo Rodrigues, diz que esses cancelamentos o levaram a revisar para baixo a produção de açúcar prevista para o Centro-Sul a 31 milhões de toneladas, ante as 31,6 milhões da última estimativa. Já para a produção de etanol, ele prevê 23,8 bilhões de litros, ante 23,4 bilhões iniciais.

O etanol hidratado vem se mostrando mais remunerador do que o açúcar há muitos meses, de forma que, nesta safra, ou seja, desde abril, em nenhum momento o etanol deixou de estar à frente da commodity (ver gráfico acima). Segundo cálculos da FGAgro considerando o fechamento da última quinta-feira do contrato de agosto do etanol hidratado na BM&FBovespa, o biocombustível está remunerando 13,3% acima do açúcar bruto em Nova York (primeiro vencimento).

O cenário se repete para os contratos com vencimento em 2015. As telas de mercado futuro (também com fechamento na última quinta-feira) indicam que, em março de 2015, o etanol estará remunerando quase 20% acima do açúcar - 19,22 centavos de dólar por libra-peso, ante 17,51 centavos de dólar por libra-peso do açúcar.

O consultor de gerenciamento de risco da FCStone, Bruno Lima, acrescenta que algumas usinas têm "receio de não terem cana suficiente para produzirem o açúcar contratado", outro motivo para os cancelamentos.

Até o momento, porém, as usinas não têm conseguido produzir todo o etanol que gostariam. O clima seco acelerou a moagem e o teor de açúcar na cana está elevado, o que "enche" as duas fábricas (de açúcar e etanol), reduzindo a flexibilidade da indústria para mudar o mix.

As operações de "washout" deram impulso aos preços do açúcar em Nova York na quinta-feira. Já na sexta, o produto voltou a sofrer diante da migração da demanda da bolsa para o mercado físico no Brasil. Com a expiração do contrato de outubro, os compradores estão com receio de receber na bolsa o açúcar da Tailândia, que está com baixa qualidade, explica Lima, da FCStone.

"O país vai entregar na bolsa porque não consegue encontrar destino no mercado físico pela qualidade baixa do produto. Mas ninguém quer correr risco de receber esse açúcar", afirma o analista.

Segundo Bruno Lima, o temor dos compradores é com os gastos adicionais para refinar esse açúcar deteriorado e deixá-lo pronto para ofertá-lo ao mercado. O cálculo é de que o gasto para retirar e transportar o açúcar do Brasil (em torno de 100 pontos acima da cotação em Nova York) é igual ou até menor que o custo de refino do produto tailandês.

Essa preocupação levou muitos compradores, mesmo os próximos à Tailândia, a venderem suas posições na bolsa e buscarem o produto no mercado físico brasileiro, considerado de melhor qualidade. Com isso, houve pressão negativa nos futuros do demerara na bolsa. Os lotes para outubro caíram 2,19%, para 15,64 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ODEBRECHT VÊ RISCO NA CONTINUIDADE DOS INVESTIMENTOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:31 PM

A Odebrecht Tecnologia e Defesa (ODT) está preocupada com as consequências que a falta de continuidade de investimentos estratégicos no setor terá para o processo de conquista de autonomia tecnológica e o fortalecimento da base industrial de defesa do país. Em nota enviada ao Valor, a empresa alerta que "o contingenciamento de recursos para a área de defesa pode colocar em risco a continuidade dos investimentos e ocasionar a perda do conhecimento já adquirido nos projetos em execução".

Entre os projetos que enfrentam dificuldades por conta do atraso no repasse de recursos, a empresa destaca o Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) desenvolvido em parceria com a francesa DCNS. Até junho deste ano, segundo dados do Portal Transparência, o Prosub recebeu R$ 757 milhões para a execução de obras e instalações do projeto.

O desenvolvimento do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, feito em parceria com empresas brasileiras (Mectron, Avibras e Optoeletrônica) e sul-africanas e do Link BR-2, sistema de comunicações por enlace de dados (datalink) para a Força Aérea Brasileira (FAB) também têm problemas com o repasse de verbas, segundo a ODT.

"O projeto do míssil A-Darter já acumula um atraso de dois anos, mas o desenvolvimento dele está praticamente parado porque a África do Sul também enfrenta dificuldades orçamentárias", explica o diretor da Optoeletrônica, Marco Stefani. "Com a paralisação, todas as empresas brasileiras mandaram suas equipes de volta ao Brasil", disse.

A Optoeletrônica é responsável pelo fornecimento do sistema seeker (cabeça de busca infravermelha), que funciona como olho do míssil. "Não conseguimos receber e estamos impedidos de seguir adiante por conta desse problema", comentou.

Em projetos de defesa, que normalmente envolvem risco, os atrasos não são incomuns, explica Stefani. O problema, segundo o executivo, é que a legislação brasileira penaliza a consequência desse risco e a empresa nacional, que cumpriu a sua parte, fica impedida de receber pelo atraso e até pode ser multada.

"O arcabouço jurídico da Lei 8666 somado à inconstância orçamentária do governo é extremamente hostil ao processo de desenvolvimento de tecnologia estratégica no Brasil", afirmou.

O projeto A-Darter é financiado com recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O Brasil, segundo o gerente do projeto na FAB, coronel Júlio César Cardoso Tavares, investiu R$ 300 milhões no seu desenvolvimento, sendo que R$ 60 milhões pela Aeronáutica. O governo da África do Sul, representado pela empresa Denel, investiu perto de R$ 200 milhões.

"Estamos aguardando a realização do último ensaio de desenvolvimento, previsto para o final deste ano, para dar prosseguimento ao processo de industrialização do míssil", explicou. A certificação do míssil, de acordo com o gerente do projeto, deve acontecer até o final do próximo ano.

Para a Odebrecht Tecnologia e Defesa, a garantia do fluxo de investimentos é fundamental para a criação de uma indústria forte e para garantir a soberania nacional. "Postergar esses investimentos nos torna dependentes de conhecimentos e tecnologias de outros países, além de deixar a base industrial de defesa incapaz de competir globalmente", declarou a empresa, em nota.

A ODT também destacou que os orçamentos aprovados para as Forças Armadas são inferiores às necessidades de investimentos previstos, ainda que tenham se preparado para realizar as contratações dos projetos previstos na Estratégia Nacional de Defesa (END), aprovada em 2008.

"O contingenciamento e o consequente corte de verbas também põe em risco a capacidade das empresas do setor em cumprir com os contratos e manter suas equipes ao longo do tempo", declarou. A empresa não fez comentário sobre os valores em atraso que tem a receber do governo, alegando questões de sigilo contratual.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

CIDADE PERDE ESPAÇO COM O PRÉ-SAL
Publicado em 08/25/2014 as 03:30 PM



Ao longo de 40 anos de exploração offshore, Macaé se firmou como polo logístico da produção de petróleo no país. Apesar de suas limitações, ocupa posição privilegiada para se consolidar como base de apoio à exploração do pré-sal. "Macaé tem a infraestrutura básica pronta e grande parte da indústria está instalada na cidade, principalmente quando entrar em operação o novo terminal portuário", explica Marcus D'Elia, sócio-executivo do Instituto de Logística e Supply Chain.

No entanto, por sua localização, a cidade não seria a melhor escolha para atender a Bacia de Santos ou do Espírito Santo. "As distâncias começam a ficar muito grandes e, nesse caso, Macaé perde competitividade, mas é a melhor opção para o Norte Fluminense", diz D'Elia.

Isso abre espaço para outras cidades desempenharem esse papel nas demais regiões. Carlos Assis, sócio do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, por sua vez, observa que uma das vantagens de Macaé é contar com o cluster industrial. "Mas há boas possibilidades em outras regiões de São Paulo e do Espírito Santo", diz. "Além disso, uma única base logística para todo Pré-Sal é insuficiente."

Assis observa que a escolha dessas bases deveria obedecer um planejamento integrado de toda a cadeia produtiva. "Ou corremos o risco de fazer escolhas erradas", alerta.



Para D'Elia, o ideal seria ter três polos logísticos para a exploração do pré-sal, com uma boa integração intermodal entre eles, o que permitiria uma gestão mais racional de estoques da cadeia produtiva. Isso inclui rodovias, ferrovias e aeroportos. "A logística offshore é dinâmica e em casos de emergência, o frete aéreo, mesmo mais caro, pode compensar", justifica.

Para D'Elia, os favoritos ao posto de base logística do pré-sal da Bacia de Santos, no momento, são os portos do Rio e de Santos. O especialista vê porém limitação na agilidade dos portos públicos. "Enquanto a carga e descarga convencionais levam 40 horas nesses portos, as operações de offshore levam em média seis horas, e cada hora parada de exploração por causa de uma peça de reposição na plataforma custa uma fortuna", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

URUGUAI VIRA POLO DE SERVIÇOS PARA A REGIÃO
Publicado em 08/25/2014 as 03:29 PM

Materiais de distintas partes do mundo formam o imponente edifício em forma de cone invertido, que se distingue em meio a uma antiga área rural de Montevidéu. Os 1,5 mil tipos diferentes de vidro são da China, com acabamento brasileiro. Da Argentina saiu a estrutura metálica, feita com matéria-prima do Chile, e o piso que dá acesso a um jardim vertical interno é da Polônia.

A diversidade da origem dos materiais que compõem o Celebra, o edifício erguido em homenagem aos 20 anos que a primeira zona franca privada do Uruguai completou em 2010, simboliza o que seu fundador, Orlando Dovat, idealiza como modelo de negócios para o país.

O Uruguai tem 177 mil km2 de extensão - menor que o Paraná - e 3,5 milhões de habitantes, metade da população da cidade do Rio de Janeiro. Por isso, sustenta Dovat, precisa abrir-se para o mundo para movimentar sua economia.
Por meio das zonas francas, o país ganhou competitividade em relação aos dois vizinhos de fronteira. Não apenas as vantagens fiscais desse modelo levam multinacionais da Europa, Estados Unidos e Ásia a fazer do Uruguai seus pontos de escoamento para os demais países da região.



Essas empresas também encontraram em Montevidéu uma alternativa às rígidas restrições à importação na Argentina e aos gargalos portuários no Brasil, mesmo sendo o mercado brasileiro o principal cliente para a maioria.

Somente a Zonamerica é responsável por 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) uruguaio, que somou US$ 56 bilhões em 2013. O país tem 12 zonas francas, da quais 10 são privadas. Ao todo, os negócios movimentados por esse modelo respondem por 4% do PIB, segundo Alejandro Ferrari, que comanda a Uruguai XXI, uma agência de fomento.



A empresa sueca CPS Color, fabricante de máquinas para mistura de tintas, costumava usar o porto de Santos (SP) como porta de entrada para a América Latina. O Brasil representa 55% dos US$ 15 milhões que a empresa fatura anualmente na região.

Mas a demora no desembaraço do produto chegou a provocar a perda de clientes, segundo o diretor, Reubens da Cunha. As máquinas, que vêm da Itália e Índia e custam entre US$ 5 mil e US$ 50 mil, são usadas nas lojas que vendem tintas. O tempo de espera no porto paulista era de no mínimo 20 dias, segundo ele. "Agora em Montevidéu esperamos 10 dias no máximo", destaca. Com a concentração da operação na zona franca uruguaia os custos caíram 5%. Mas, para ele, não correr o risco de perder clientes é muito mais valioso do que qualquer incentivo fiscal.

Na Zonamerica só há empresas de serviços. O forte das atividades concentram-se nas áreas de logística, call centers, tecnologia da informação e serviços financeiros. Não existe ali nenhuma operação industrial desde a criação do Mercosul, que excluiu o sistema de zonas francas dos benefícios de integração do bloco.

A única atividade industrial que se beneficia dos incentivos fiscais das zonas francas uruguaias é UPM, fabricante finlandesa de celulose e motivo de conflito diplomático entre Argentina e Uruguai por questões ambientais. O foco da companhia são as exportações para regiões fora do Mercosul.

Graças ao modelo de incentivos, as exportações de serviços do Uruguai dobraram nos últimos oito anos e representam mais de 32% do comércio exterior do país. "Um país pequeno tem que trabalhar para o mundo, como se faz em Hong Kong", diz Dovat.

A Zonoamerica ocupa uma antiga escola agrícola, fundada por padres incumbidos de desvendar os mistérios da produção de lã a partir das ovelhas que chegaram ao país com imigrantes ingleses. Daquele tempo restaram a igreja de pedras e os prédios da escola, que foram restaurados e servem hoje às empresas para treinamento e aulas, inclusive de português.

Nenhuma das 350 empresas da Zonamerica, onde trabalham 9,5 mil pessoas, é brasileira. Motivo de frustração para os dirigentes do empreendimento, que frequentemente enviam representantes ao Brasil na tentativa de atrair novos investidores.

O espaço em nada lembra os galpões cinzentos típicos de uma tradicional zona franca. A área foi dividida em duas partes - uma para logística e outra para escritórios. A logística puxou os negócios. Mas Dovat logo percebeu que precisaria de ambientes mais sofisticados se quisesse atrair outros tipos de serviços. "Meus clientes não queriam que seus executivos entrassem pelo mesmo portão por onde passava a fumaça dos caminhões", diz.

Dovat teve forte influência quando o governo mudou a legislação que até 1990 fixava o Estado como único administrador de zonas francas. Os 300 mil metros de área - dos quais metade está construída - são concessão do governo até 2040, com possibilidade de renovação. E ninguém duvida que os próximos governantes terão interesse em manter o modelo.

A Zonoamerica constrói cada prédio e escritório com base no gosto do cliente. O aluguel das instalações e fornecimento de serviços, como banda larga e fibra ótica, além de segurança e jardinagem, são a fonte dos US$ 45 milhões que o negócio faturou em 2013.

Nas andanças pelo mundo para atrair investidores, os dirigentes dessa zona franca carregam uma longa lista de vantagens oferecidas não só pelo empreendimento como pelo país. O Uruguai ocupa posições altas no ranking do continente em quesitos como qualidade de vida, segurança, democracia, segurança jurídica e mão de obra bilíngue. E baixas posições em problemas como corrupção.

Outro atrativo é a liberdade cambial. No Uruguai um empregador pode pagar ao funcionário em euros ou abrir uma conta bancária em dólares. E também retirar dinheiro em moeda estrangeira em caixas automáticos. "Esse é um diferencial importante", afirma Jaime Miller, CEO da Zonamerica.

Algumas empresas faturam pedidos em moeda estrangeira. Os pacotes que a RCI, especializada em turismo e hotelaria, vende no Brasil são pagos em reais.

O Uruguai é reconhecidamente respeitado pela qualidade da sua carne. E recentemente aumentou o volume de divisas graças ao incremento do plantio da soja. Mas é a área de serviços que sustenta quase a metade do PIB do país.

A ausência de concreto é a principal característica do Celebra, o edifício da diversidade de origem de materiais transformado em símbolo da maior zona franca do Uruguai. A visibilidade é total em qualquer ponto do prédio. Como diz o arquiteto Carlos Steneri, autor do projeto, a vinculação com o mundo exterior é um dos pontos altos do edifício. Certamente é também esse o foco que o país decidiu perseguir.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ABC BUSCA DIVERSIFICAR PARQUE INDUSTRIAL
Publicado em 08/25/2014 as 03:27 PM

Com mão de obra qualificada e sindicatos que preferem o diálogo ao conflito, o ABC paulista tenta voltar a chamar atenção da indústria e reocupar galpões vazios. De um lado, negocia investimentos com as metalúrgicas que fizeram dela o maior parque industrial do país - e tem conseguido atrair algumas empresas, mesmo em meio à crise recente do setor. Em outra frente, busca diversificar a economia da região - ainda bastante concentrada no segmento automotivo -, com foco no polo químico e também no polo aeroespacial, que começa a ser implantado no ano que vem.

Na década de 80, antes da disseminação da indústria pelo país, os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul chegaram a empregar juntos mais de 250 mil pessoas no setor. No início da década passada, esse número havia caído quase pela metade. Voltou a subir levemente até 2008 e agora oscila entre 150 mil e 160 mil trabalhadores.



Este ano está sendo particularmente difícil. De acordo com o sindicato dos metalúrgicos do ABC, 2,3 mil foram demitidos até junho e outros 1,3 mil estão em "layoff" (suspensão temporária do contrato). O presidente da entidade, Rafael Marques, atribui os números negativos às dificuldades enfrentadas pela indústria, especialmente a automotiva. Por isso, diz acreditar em retomada do nível da ocupação da região nos próximos anos.

Mitsuru Shimizu, dono de metalúrgica que trocou São Paulo pelo ABC: ideia foi de trabalhador da fábrica da Mercedes

Um dos motivos da confiança é a expectativa de criação de um polo aeroespacial na região, que deve nascer no próximo ano a partir do investimento de R$ 150 milhões que a sueca Saab fará para construir em São Bernardo a unidade que fabricará os 36 caças Gripen comprados pelo governo. O desenvolvimento do setor pode adicionar entre 3 mil e 4 mil empregos ao estoque, calcula Marques.

Para ele, a postura de seus antecessores no sindicato - Luiz Marinho (PT), atual prefeito de São Bernardo, e Sérgio Nobre, hoje secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) -, mais aberta à negociação, tem sido importante para atrair novos investimentos. Representante dessa fase mais conciliadora, Marques preside também a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

A intervenção do sindicato foi fundamental, por exemplo, para que a metalúrgica MShimizu trocasse São Paulo por São Bernardo. A ideia de deixar Santo Amaro, na zona sul da capital, para ocupar parte dos 46 mil m2 que já foram da Magneti Marelli - fabricante de autopeças que saiu do ABC em 2011 - foi do presidente da comissão de fábrica da Mercedes-Benz, conta Mitsuru Shimizu, há mais de 20 anos à frente da metalúrgica que leva o seu nome.

A primeira conversa aconteceu durante uma negociação de dissídio, já que a MShimizu trabalha para a Mercedes, entre outras montadoras. O metalúrgico Sebastião Ismael de Souza sabia que a empresa queria ir além da prestação de serviços para lançar sua primeira máquina e que, por isso, precisava de espaço para crescer.

Souza intermediou o encontro com o sindicato dos metalúrgicos e posteriormente com o prefeito de São Bernardo, que conseguiram vencer o lobby feito pelo município de Mogi das Cruzes, pelo polo de Sorocaba e pelo Sul de Minas. "Eles tiraram a imagem de radicalismo que eu tinha do sindicato do ABC", afirma Shimizu.

A possibilidade de convênio com centros de ensino como a Universidade Federal do ABC e a Fundação Educacional Inaciana (FEI) fez diferença na decisão do empresário. Depois de mais de 20 anos consertando máquinas de apertar parafusos nas principais montadoras, a MShimizu passou a desenvolver produtos próprios e está prestes a lançar a primeira máquina de torque feita com tecnologia nacional - que deverá custar quase 30% menos do que as similares importadas, estima Shimizu.

Nesse sentido, a mão de obra qualificada do ABC também se encaixou nos planos de longo prazo da empresa. Atualmente, metade dos 280 funcionários já mora em São Bernardo. "Temos 23 países interessados nessa máquina nova", diz Shimizu.

A indústria alemã Kuka, que fornece robôs usados nas linhas de montagem das montadoras, mudou-se em novembro de 2012 de Guarulhos para São Bernardo. Edouard Mekhalian, diretor da fábrica, diz que a escolha de Guarulhos estava ligada à proximidade com o aeroporto internacional e aos baixos custos de instalação na região. Mas o ABC, explica o executivo, tem na localização uma vantagem que pesou para a empresa - a proximidade do porto de Santos, por onde chega parte dos robôs, importados da Alemanha -, além de rodovias importantes, como Anchieta e Imigrantes.

A fabricante de balanças Toledo chegou um pouco antes, no começo de 2007. Antes disso passou quase 50 anos dividida entre os bairros de Santo Amaro e do Ipiranga, em São Paulo. "As unidades estavam a 20 km uma da outra e estava ficando cada vez mais difícil transitar entre as duas", afirma Paulo Haegler, diretor-presidente.

Apesar da queda de quase 15% no faturamento no primeiro semestre em relação ao apurado no mesmo período de 2013, Haegler diz que não há intenção de sair da região. A mão de obra qualificada, o fácil acesso a fornecedores, a localização, importante para a logística de distribuição dos produtos, e o sindicato negociador são aspectos que, para o empresário, ainda fazem valer a pena eventuais custos mais altos de produção.

Nos últimos sete anos, o número de funcionários da Toledo cresceu de 1,1 mil para 1,8 mil, quase metade só no ABC e o restante em filiais espalhadas pelo Brasil. No ano passado, a empresa gastou cerca de R$ 10 milhões em maquinário e R$ 15 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

Além das metalúrgicas e do setor de defesa, a indústria química também está no radar do sindicato e dos órgãos de fomento. O polo instalado na região já tem um peso importante, avalia Giovanni Rocco, secretário-executivo da agência de desenvolvimento, e pode voltar a crescer no médio prazo.

Estudo realizado pela Braskem, que tem fábricas em Santo André e Mauá, mostrou que, apesar de praticamente não ter atraído novas indústrias nos últimos dez anos, o polo químico do ABC fatura 13,7% do total arrecadado no país (R$ 49,5 bilhões por ano). A região concentra 63% do faturamento da indústria de tintas e vernizes, 45% da de transformação de borrachas e quase um quarto do faturamento do ramo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Entre 2002 e 2012 o número de empresas na região oscilou em torno de 1,3 mil.

Liderado pela própria Braskem, um grupo de trabalho, que inclui representantes do sistema S (Senai, Senac), de sindicatos e das universidades da região, tem estudado novas propostas para estimular o setor.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

VALE E MANABI
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

A mineradora Manabi fechou acordo com a Vale para construção de um trecho de estrada de ferro no Espirito Santo. A Vale é responsável pela operação da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que liga os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde o projeto do porto Norte Capixaba da Manabi está em desenvolvimento. O acordo prevê implementação do novo trecho ferroviário de aproximadamente 80 quilômetros, interligando a estrada de ferro à área do porto Norte Capixaba da Manabi na costa de Linhares, Espírito Santo, entre outros investimentos. Serão transportados até 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até o porto da Manabi por um período de 20 anos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

VALE GANHA BENEFÍCIOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou que sejam incluídos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) investimentos da Vale na Estrada de Ferro Carajás (EFC) no âmbito do projeto S11D. O enquadramento do Programa de Capacitação de Logística Norte da EFC nesse regime tributário representará uma economia estimada em R$ 409,2 milhões, segundo resolução publicada pela agência reguladora no "Diário Oficial da União" na sexta-feira. O valor corresponde a tributos que deixarão de ser recolhidos sobre bens e serviços adquiridos em função deste investimento.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ALL E RUMO NO CADE
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aceitou os pedidos de diversos interessados que querem ser ouvidos no processo que analisa os impactos concorrenciais da fusão entre a Rumo Logística, do grupo Cosan, e a ALL. A decisão de permitir o ingresso no processo de partes preocupadas com efeitos negativos da operação, antes que ela seja aprovada, foi publicada no "Diário Oficial da União" de sexta-feira pela Superintendência-Geral da autarquia. Entre as empresas e entidades que se mostraram preocupadas com a fusão entre Rumo e ALL estão a Fibria Celulose e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

MÉXICO, NOVO BRASIL DO PETRÓLEO?
Publicado em 08/25/2014 as 03:25 PM


Em 11 de agosto o presidente do México Enrique Peña Nieto, cumprindo uma das suas principais promessas de campanha, promulgou as leis regulamentares da sua histórica reforma energética. Este foi só o mais recente passo de um histórico debate que ainda tem uma longa jornada pela frente. Esta estratégica reforma no entanto, é tão corajosa quanto necessária caso o México pretenda resgatar a sua indústria de petróleo e reconquistar a sua posição no cenário energético mundial. Os efeitos, porém, não serão só nacionais, mas regionais, podendo trazer significantes consequências para o Brasil, positivas e negativas.



Para entender o impacto desta reforma energética, não só no México, mas também no Brasil, deve se antes conhecer a evolução histórica de ambos países petroleiros. O ano era 1982, e o México, através da sua paraestatal Pemex, atingia seu primeiro grande pico de produção com 2,8 milhões de barris por dia, tornando-se o 4º maior produtor de petróleo do mundo, atrás somente da ex-União Soviética, Estados Unidos e Arábia Saudita. Esta produção era proveniente principalmente do campo "super-gigante" de Cantarell, descoberto em 1976, e com reservas recuperáveis (2P) estimadas em 11,3 bilhões de barris de óleo - o equivalente a cerca de 84% das reservas dos campos de Lula e Libra somadas. Enquanto isso, ao sul, o Brasil produzia aproximadamente 260 mil barris por dia, sendo apenas o 25º maior produtor mundial, e pela primeira vez com sua produção offshore ultrapassando a onshore, em um momento em que sequer se pensava nas grandes produções do pré-sal.

Naqueles dias teria sido difícil imaginar que, 32 anos depois, o Brasil, por meio da Petrobras, lideraria de forma pioneira a exploração mundial em águas profundas, com uma produção nacional total de aproximadamente 2,2 milhões de barris/dia, e segundo o último prognóstico da IEA (Agência Internacional de Energia), com a expectativa de produzir 4,1 milhões de barris/dia em 2020 e 6 milhões em 2030.

Dessa forma, espera-se que o Brasil ingresse a lista dos 10 maiores produtores mundiais em 2015, e seja o 6º maior em 2035. Enquanto que México, após ter sofrido um "peak oil" em 2004, com 3,4 milhões de barris por dia - o ano em que Cantarell chegou ao seu pico de produção - estaria prestes a deixar a lista dos 10 maiores produtores mundiais, e recorrendo a uma radical reforma energética para salvar uma fragilizada, desesperada e pressionada Pemex.

Entender os acontecimentos desse período é essencial, tanto para o México poder implementar de forma bem-sucedida sua reforma energética, aprendendo com os passos que o Brasil realizou anos atrás, por exemplo com seu regime de exploração e produção, assim como para o Brasil evitar os erros cometidos pelo seu vizinho latino-americano, tais como uma alta dependência nos ingressos do petróleo, que hoje representam mais de um terço da receita do governo mexicano. De fato, nunca na história dos dois países as suas empresas petroleiras nacionais (NOCs) tiveram tanto que aprender uma com outra, e nunca foram tão concorrentes.

Deste cenário percebem-se duas interpretações.

A primeira, talvez a menos positiva para o Brasil, tem o México com a aprovação da reforma energética, materializando assim a decisão de quebrar o monopólio de 75 anos da Pemex. Uma quebra que poderá permitir a criação, logo após a rodada zero, de joint-ventures entre a Pemex e empresas internacionais, especialmente nas descobertas de águas ultra-profundas do Golfo do México e parte dos campos de Chicontepec. Inclusive, das atuais reservas 2P do México, Pemex pediu ao governo manter apenas 83% delas, deixando quase que um quinto das mesmas abertas à privatização em futuras rodadas licitatórias. Isto dará um vital respiro a uma Pemex que, só no primeiro trimestre de 2014, registrou as perdas mais altas dos últimos 20 anos (cerca de R$ 11,8 bilhões).

Tal entrada de empresas estrangeiras pode também reduzir a grande pressão por um aumento urgente de produção nacional de petróleo, cumprindo a promessa do governo de inverter oito anos de declínio na produção e atingir uma produção entre 3,5 e 4 milhões de barris em 2025. Esta pressão é um quanto incoerente, já que, depois da Região do Ártico, o México é considerado a segunda região com maior reserva de petróleo não explorada. Pior ainda quando se consideram os avanços offshore no Golfo do México em território estadunidense, e da "revolução do shale gas" dos EUA, ainda replicados com o mesmo sucesso do outro lado da fronteira.

Todos estes fatores podem também trazer consigo uma forte concorrência para o Brasil. De fato, tais mudanças podem roubar a atenção por parte de empresas estrangeiras, que possam tanto ter desistido da espera por novas rodadas licitatórias no Brasil quanto terem ficado frustradas com as limitações no pré-sal pelo novo regime de partilha.

Já uma segunda interpretação descreve uma situação favorável para o Brasil, que pode trazer grandes oportunidades para a Petrobras, permitindo que ela diversifique seu portfólio e fortaleça sua presença no Golfo do México, além de contribuir ou vender seu know-how e tecnologia para exploração em águas profundas e ultra-profundas. Ademais, qualquer concorrência por parte do México pode ser minimizada, considerando que, assim como ocorreu no Brasil, estas mudanças poderão demorar muitos anos para terem efeitos práticos devido à burocracia, interferência política e limitações ambientais mexicanas. Sobretudo quando se considera que historicamente o México é um país de alta inércia em termos de reforma, quebra de monopólios, e com sindicatos muitos fortes, sendo o dos trabalhadores da indústria do petróleo um deles.

Ainda é incerto afirmar qual será o resultado final deste novo rearranjo geopolítico do petróleo latino-americano, mas, uma coisa é certa: se os planos de ambos os países se materializarem, podemos ter um cenário tão competitivo quanto frutífero. Só o futuro nos dirá.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

PROCESSO DE EXTRAÇÃO PODE SER MUITO POLUENTE
Publicado em 08/25/2014 as 03:25 PM

As manifestações da comunidade científica contra os planos de exploração do gás de xisto no Brasil têm encontrado ressonância entre os habitantes das áreas visadas e também no Congresso Nacional. Em junho, a população de Toledo, no oeste paranaense, foi às ruas protestar. O Paraná é um dos 12 Estados que tiveram áreas leiloadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para mapeamento e extração. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para suspender a atividade por cinco anos, até que a tecnologia atenda os requisitos mínimos de proteção às pessoas e ao meio ambiente. O autor da proposta, deputado Sarney Filho (PV-MA), invoca o princípio da precaução, balizador das políticas ambientais, e lembra que a exploração de gás de xisto já foi proibida por ao menos dez países.



Para os especialistas, o fraturamento hidráulico (fracking) das rochas de folhelho - ou xisto, como é mais conhecido - ainda é um processo industrial pouco estudado, o que demanda cautela. Estudos indicam que o método de injetar água pressurizada com aditivos químicos no subsolo pode representar risco de contaminação dos aquíferos Serra Geral e Guarani, onde se concentram as maiores reservas de água doce de qualidade da América do Sul. Outros efeitos potencialmente danosos são abalos sísmicos, contaminação de mananciais, poluição atmosférica com gases do efeito estufa pelo ciclo da eletricidade, prejuízos à agricultura e riscos à saúde humana e animal.



Em novembro de 2013, a ANP arrecadou R$ 165 milhões com o leilão de 72 blocos para mapeamento e extração de gás de xisto em sete bacias sedimentares nos Estados de Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo.

A Petrobras arrematou 49 blocos, dos quais 22 em consórcios com empresas. As outras vencedoras foram Alvopetro, Bayar, Companhia Paranaense de Energia, Cowan, GDF Suez, Geopark, Nova Petróleo, Ouro Preto, Petra Energia, Trayectoria e Tucumann.

"Houve açodamento da ANP", afirma o geólogo Luiz Fernando Scheibe, doutor em Mineralogia e Petrologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele lembra que ainda não existem pesquisas suficientes para comprovar a possibilidade de aproveitamento econômico sustentável do gás de xisto. Scheibe estima que a viabilidade da exploração comercial com segurança só poderá ser comprovada em cinco a dez anos.

No processo de fraturamento hidráulico, são injetados em cada poço em torno de 20 milhões de litros de água com aditivos. Metade do líquido retorna à superfície, junto com hidrocarbonetos e outros compostos minerais. "Nos fluidos utilizados até agora nos Estados Unidos, as principais substâncias encontradas são álcoois - metanol principalmente -, destilados de petróleo e soda cáustica", diz a pesquisadora em saúde pública Bianca Dieile da Silva, da Fundação Oswaldo Cruz.

Ela relata que foram identificadas substâncias como formaldeído, compostos de arsênio, fenóis e derivados do benzeno, que têm toxicidade confirmada: "O metanol pode ser letal se ingerido, e há várias substâncias nestes fluidos que apresentam propriedades cancerígenas, mutagênicas e tóxicas". Para Bianca, é insensato comprometer tanta água em uma atividade econômica, especialmente no atual quadro de escassez e de incertezas climáticas: "E isso não é só para a região Sudeste; o Brasil como um todo precisa urgentemente de ações que garantam água de boa qualidade para a sua população e as gerações futuras", diz.

Em julho de 2013, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo a suspensão da licitação até que estudos mais aprofundados fossem realizados. "Não é cabível que sejam imediatamente licitadas áreas de exploração a empresas, excluindo desta forma a comunidade científica e os próprios órgãos reguladores do País da possibilidade de acesso e discussão de todas as informações que poderão ser obtidas por meio de estudos", diz um trecho.

Apesar dos argumentos, o alerta não modificou a posição do governo, que reconhece os riscos, mas os minimiza. "A ANP negociou com o Ministério Público Federal (MPF) a retirada do gás de xisto do leilão até que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) regulasse a atividade, mas na véspera, decidiu incluí-lo de qualquer forma", conta Scheibe.

Rompida a negociação, a polêmica foi para a esfera judicial. No Piauí e no Paraná, a Justiça Federal atendeu pedidos do MPF e expediu liminares que suspendem os resultados das licitações, para evitar situações que provoquem danos ambientais irreversíveis. Em Cascavel, onde tramita o caso paranaense, a ANP recorreu, alegando que a decisão provocaria prejuízos econômicos. A Agência informou também que já regulamentou a técnica do fraturamento hidráulico, condicionando-o a critérios de segurança ambiental, mas o recurso foi negado.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

GÁS DE XISTO ESTÁ CERCADO DE POLÊMICAS AMBIENTAIS
Publicado em 08/25/2014 as 03:24 PM

A exploração de gás não convencional mal começou no Brasil e já é cercada de polêmicas. O Brasil é detentor de uma das maiores reservas desse insumo no mundo, que só deverá chegar ao mercado na próxima década. Tramitam ações do Ministério Público Federal no Paraná e no Piauí que suspendem o início de prospecção nesses dois Estados em áreas concedidas na rodada de licitações realizada pelo governo federal em dezembro passado. No Congresso, discute-se o projeto de lei 6904/13, que suspende a exploração do gás de xisto pelo período de cinco anos.

O início da exploração de gás não convencional ainda coincide com a falta de água em algumas das maiores cidades do Brasil, o que pode tornar ainda mais sensível política e ambientalmente a questão. A exploração é feita a partir de hidrocarbonetos que estão presos em formações rochosas impermeáveis em áreas subterrâneas profundas. Por serem rochas muito duras, a produção é possível somente quando a rocha que contém esses gases é fraturada sob pressão hidráulica, em uma técnica chamada de fracionamento.



A decisão proferida pela Justiça Federal do Paraná mantém suspensa a exploração de recursos não convencionais com uso de fraturamento hidráulico, até que a técnica seja objeto de maiores estudos, seja regulamentada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e elaborada a Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares. "Essas liminares trazem incerteza jurídica ao processo, além de que não se sabe o que sairá na resolução do Conama", diz a advogada Luciana Ferreira, do escritório Trench, Rossi e Watanabe. A judicialização poderá se estender a outros Estados que também tiveram áreas concedidas ano passado. "Há pressão sobre o Ministério Público em Minas Gerais e Bahia."



A exploração teve grande sucesso nos Estados Unidos, mas é cercada de polêmicas. O Estado de Nova York, nos EUA, instituiu moratória sobre as atividades de produção desde 2008. França e Bulgária baniram a atividade em 2011 e 2012, respectivamente. A Holanda decidiu em 2013 adiar por 18 meses a decisão sobre a exploração. Na Argentina, a atividade foi banida na província de Cinco Saltos em 2013, segundo levantamento do escritório de advocacia.

"É um desafio gigantesco produzir gás não convencional com custo e eficiência, não é uma tarefa simples e estamos ainda em um estágio muito embrionário", afirma José de Sá, sócio da Bain & Co, que ressalta que as experiências de empresas em outros países não são facilmente replicáveis, já que as formações geológicas são muito diferentes. "A curva de aprendizado é longa e ainda há outras questões como disponibilidade de equipamentos e materiais, como água e areia", diz ele, que acredita em uma inserção lenta do insumo na matriz energética.

Para Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy, o gás não convencional poderá levar mais de dez anos de desenvolvimento no Brasil, que detém a décima maior reserva mundial do insumo, com 245 bilhões de pés cúbicos, segundo estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Se 10% das reservas se provassem viáveis comercialmente, a oferta de gás poderia dobrar no país. O caminho para explorá-las é longo. "Boa parte das reservas está em regiões sem infraestrutura de transporte e distante dos centros consumidores", diz Ieda. Estudos do governo mostram que algumas das áreas promissoras estão ao redor de áreas de preservação ambiental e de reservatórios de hidrelétricas, o que dificultam as licenças.

Leda ainda aponta dois outros obstáculos. Primeiro, as empresas independentes de exploração americanas estão voltadas para os Estados Unidos, detentores do maior mercado do mundo de gás não convencional. Segundo: o regime tributário brasileiro é complexo e as regras de conteúdo nacional dificultam a importação de equipamentos de perfuração hidráulica das rochas, equipamento indispensável para realizar os trabalhos.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Augusto Salomon, acredita que o gás não convencional não deverá ter presença considerável na matriz em pelo menos seis anos. "Ainda é preciso aprender com as experiências de outros países", afirma.

A exploração de gás não convencional provocou uma revolução nos Estados Unidos. Segundo estudo da Deloitte, o acesso aos hidrocarbonetos presos em formações rochosas fez a produção americana de petróleo pular de cinco milhões de barris por dia em 2008 para 7,4 milhões cinco anos depois, a maior expansão quinquenal da história daquela economia. Esse movimento coincidiu com uma queda da demanda de petróleo e seus derivados dos EUA, que caiu de 22 milhões de barris por dia em 2005 para 18,9 milhões em 2013. O déficit comercial relacionado ao setor de petróleo despencou de US$ 386 bilhões em 2008 para US$ 232 bilhões.

Além de melhorar as contas externas, a exploração de gás não convencional tem atraído indústrias para os Estados Unidos, de olho no preço do gás, que está chegando ao mercado a US$ 4 o milhão do BTU. No Brasil as indústrias pagam mais de três vezes esse valor. Isso poderá provocar uma mudança geopolítica de investimentos na cadeia química e petroquímica, que poderá fincar bandeiras cada vez mais sólidas nos Estados Unidos. "Os Estados Unidos estão atraindo investimentos, a China já começa a se interessar, esse cenário poderá trazer grandes impactos sobre o Brasil, que tem um gás pouco competitivo", diz o superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.

Há preocupação dos industriais brasileiros de que os Estados Unidos se tornem um grande exportador do gás oriundo de fontes não convencionais. Em maio, o presidente Barack Obama liberou investimento de US$ 10 bilhões de uma unidade no Texas projetada para exportar gás para a Ásia.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

NOVO PATAMAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:23 PM

O pré-sal poderá posicionar o Brasil como um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, com um excedente que pode superar 1,5 milhão de barris por dia, em um momento em que a demanda pelo insumo não será mais liderada pelos EUA, mas pela Ásia.



Essa nova fronteira de exploração também vai mudar o ranking das áreas produtoras de óleo no país, reduzindo a participação da Bacia de Campos e do Rio de Janeiro. Além disso, deverá promover debates sobre o destino dessa produção e ampliar a presença da China no mercado de energia do Brasil.

Há 20 anos, mais de 85% da produção de petróleo no Brasil vinham de poços na Bacia de Campos. Em junho, eram 75%, enquanto a Bacia de Santos já respondia hoje por 15%. São Paulo responde por 8% da oferta de óleo e 14% do gás doméstico. Em relação à produção por operador, 90% do petróleo vêm de poços da Petrobras, enquanto Shell e Statoil respondem, respectivamente, por 3,9% e 3,3%, segundo dados de junho da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com a exploração gradual do pré-sal, a Bacia de Santos e o Estado de São Paulo devem aumentar sua presença na exploração e produção, enquanto operadoras como a Shell, a francesa Total e as estatais chinesas CNPC e CNOOC, que venceram com a Petrobras a licitação do megacampo de Libra no ano passado, devem reforçar sua presença em território brasileiro.


Segundo José de Sá, sócio da Bain & Co, os resultados da campanha exploratória serão acompanhados de perto pelas empresas em todo o mundo, para avaliar os custos e os prazos do projeto. Nos últimos anos, muitos têm sofrido com atrasos e alta de preços, o que tem prejudicado o balanço de algumas petroleiras.

Para a Petrobras, o desafio não é pequeno. A empresa prevê chegar ao início da próxima década com uma produção de quatro milhões de barris por dia, o dobro do que extrai hoje. Ou seja, a estatal, que levou 60 anos para chegar à marca de dois milhões de barris por dia, pretende dobrar esse patamar em apenas sete anos. O pré-sal, que responde por 22% do total da produção atual da empresa, responderá em 2018 por 52% do total. Serão 19 novas unidades de produção instaladas na Bacia de Santos até o fim daquele ano. Com esses projetos, a expectativa é de que a produção de petróleo exclusivamente nas áreas do pré-sal, em 2017, ultrapasse a barreira de um milhão de barris por dia. Entre 2014 e 2018, a estatal prevê investir US$ 220 bilhões, o maior programa de investimento de uma petroleira no mundo.

Em 13 de julho, a produção da camada pré-sal das bacias de Santos e Campos atingiu a marca de 546 mil barris diários, um novo recorde. A produtividade média por poço em operação comercial no polo da Bacia de Santos tem sido de 25 mil barris de petróleo por dia, maior que a registrada no Mar do Norte (15 mil barris de petróleo por poço/dia) e no Golfo do México (10 mil barris de petróleo por poço/dia). "Nossas reservas têm o diferencial de estar próximas ao maior mercado consumidor de energia do país, o que resulta em alta competitividade. Em quatro anos, com base em 2010, nossa produção no pré-sal cresceu dez vezes", diz a presidente da estatal, Maria Graça Foster.

Publicado recentemente, relatório da BP aponta que a participação do Brasil no mercado mundial irá crescer até 2035. O pré-sal se converterá em uma das principais províncias petrolíferas do planeta, o que fará o Brasil se tornar um exportador de energia e o maior produtor do setor na América do Sul. Mais da metade do crescimento da produção de petróleo do mundo até 2035 virá de fontes fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o aumento da produção de óleo de xisto dos EUA, areias petrolíferas canadenses e águas profundas do Brasil.

A revolução do gás de xisto nos EUA e a urbanização chinesa alteraram a dinâmica da demanda global do mercado de energia. Hoje o país asiático, que produz cerca de quatro milhões de barris por dia, importa outros seis milhões de barris diários e processa dez milhões de barris diários, é o principal comprador de petróleo no mundo. O apetite chinês deve continuar em alta ao longo das próximas duas décadas. A taxa de motorização na maior economia emergente é de 50 veículos por 1000 habitantes, um terço da apurada na Coreia do Sul. Outros fatores impulsionarão a demanda chinesa.

"A matriz energética chinesa é baseada em carvão, transportado por ferrovias, que usam muito diesel; o minério segue em navios, que consomem muito combustível, e o país ainda tem demanda grande de petroquímicos, por conta da construção civil e bens de consumo", diz Alexandre Szklo, professor de planejamento energético da Coppe da UFRJ. Simulações da instituição estimam que o excedente de exportação do Brasil pode ficar entre 1,5 milhão de barris por dia a dois milhões de barris por dia na próxima década, sendo a Ásia o principal mercado comprador.

Simulações realizadas pela instituição ainda apontam que o barril de petróleo do pré-sal tem de estar acima de US$ 80 para permitir a remuneração no parque refinador chinês. "Pode cair abaixo desse preço, mas não é o cenário mais provável, teria de haver uma ampla rearticulação do Iraque, que produzia cinco milhões de barris por dia na década de 1970 e hoje produz pouco menos de dois milhões", destaca.

A participação chinesa no setor de petróleo nacional vem crescendo, segundo estudo dos professores Edmar de Almeida e Helder Consoli, do Instituto de Energia da UFRJ. Em 2010, a China superou os EUA, tornando-se o maior comprador. Enquanto em 2003, o valor das exportações de petróleo do Brasil para a China eram 0,5% do total, em 2013 os embarques saltaram para 8,7%. Apesar disso, o Brasil representa apenas 2% do petróleo importado pelos chineses. Ou seja, ainda há muito espaço para crescer.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

OSX QUER CONVENCER CREDORES A INJETAR DINHEIRO NA EMPRESA
Publicado em 08/25/2014 as 03:22 PM

Aporte, de ao menos R$ 150 milhões, está previsto em novo plano



A OSX, companhia do ramo naval de Eike Batista que está em recuperação judicial, quer convencer credores a injetar capital novo na empresa, a exemplo do que fez sua empresa-irmã, a petroleira OGPar (ex-OGX), igualmente em recuperação judicial. A proposta constará do novo plano de recuperação judicial que será apresentado à Justiça, provavelmente no próximo mês. Segundo fontes envolvidas no processo, a empresa calcula que precisará de no mínimo R$ 150 milhões para tornar operacional seu estaleiro, em São João da Barra (Norte Fluminense). O estaleiro é apontado como essencial para assegurar o fluxo de pagamento dos credores.

A OSX tem dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões e pediu recuperação judicial em novembro de 2013. O pedido abrange três empresas: a holding OSX Brasil, da qual Eike tem 63%, e as subsidiárias OSX Construção Naval (dona do estaleiro) e a OSX Serviços (que atua na operação e manutenção de plataformas).



Pelo novo plano, quem concordar em colocar dinheiro na empresa terá condições especiais, como receber o crédito em menos tempo. O prazo de 25 anos para pagamento da dívida aos que não estiverem dispostos a aportar recursos na OSX será mantido. O pagamento antecipado a pequenos credores, como previsto no plano anterior, também deve ficar inalterado.

Outra mudança prevista na nova versão do plano é a inclusão de uma cláusula que prevê a exploração eficiente da área onde fica o estaleiro. Esse terreno fica no Porto do Açu, em São João da Barra, que é de propriedade da Prumo, ex-LLX, empresa de logística que integrava o conglomerado de Eike. A Prumo, cujo controle foi vendido à americana EIG, aluga a área para a OSX. Como a receita que será obtida com a exploração do estaleiro é considerada vital para pagar os credores, a OSX quer se certificar de que os contratos comerciais a serem firmados com interessados em explorar a área terão uma racionalidade econômica. Procurada, a OSX não se manifestou.

A assembleia de credores da OSX estava marcada para 14 de agosto, mas foi suspensa pela Justiça a pedido da própria empresa. Com a proximidade da votação, credores insatisfeitos com os termos do plano protocolaram vários recursos na Justiça, deixando a companhia apreensiva quanto a possibilidade de o resultado final da assembleia ser questionado. Uma nova data ainda será marcada.

Na ocasião, a OSX deve apresentar um plano de recuperação judicial único para suas três empresas que estão em recuperação, reunindo todos os credores em um só plano. Alguns credores veem com ressalva essa unificação dos planos de recuperação, pois isso deverá diluir o peso relativo de cada credor na votação, facilitando a aprovação do plano.

Processo está suspenso

A proposta inicial era que as três empresas estivessem submetidas a um único plano, mas ele acabou se desdobrando em três após manifestação do Ministério Público nesse sentido.

Este mês, porém, a Caixa Econômica Federal, principal credor da OSX, com R$ 1,2 bilhão a receber, pediu à Justiça a unificação dos credores em um único plano, o que foi deferido pelo juiz Gilberto Clovis Farias Matos, da 3ª Vara Empresarial do Rio, que está à frente do processo de recuperação. Outro credor, o banco Votorantim (com crédito de cerca de R$ 588 milhões), questionou a decisão do juiz.

O desembargador Gilberto Guarino, da 14ª Câmara Cível, determinou semana passada que o processo fosse suspenso até que a câmara julgasse o mérito do recurso do Votorantim. Só após o julgamento, portanto, é que a OSX vai poder apresentar a nova versão do plano — em documento único ou em três documentos separados — e a assembleia poderá ser marcada.
Fonte : O Globo
Data : 25/08/2014

SECA AMEAÇA 40 MILHÕES DE PESSOAS QUE DEPENDEM DE SEIS BACIAS HIDROGRÁFICAS
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Levantamento da Agência Nacional de Águas revela que problema ameaça nove estados e o DF

A seca na Região Sudeste não esvazia apenas os reservatórios paulistas. Um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) a pedido do GLOBO mostra que seis das principais bacias hidrográficas brasileiras enfrentam problemas, ameaçando moradores de nove estados e do Distrito Federal. São cerca de 40 milhões de pessoas afetadas — o equivalente a 20% da população brasileira. Os principais rios atingidos têm, em comum, a dependência das chuvas que caem em Minas Gerais, estado que é uma espécie de divisor das águas que correm pelo Brasil. (Confira o infográfico: O quadro crítico das bacias hidrográficas brasileiras)

Os rios São Francisco, Grande, Doce, Paraíba do Sul, Paraná e Jequitinhonha enfrentam problemas em maior ou menor grau. Em geral, chove cerca de 1.400 milímetros na Região Sudeste durante o ano hidrológico, que termina em setembro. Até agora, choveu metade disso. Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), as chuvas que caíram no Brasil foram 20% menores do que a média. No Sul de Minas e no Oeste paulista, choveu 60% menos.

— A seca fez com que São Paulo ficasse em uma situação semelhante à do Nordeste — resume o professor Augusto José Pereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

Alckmin volta a culpar seca por crise d’água e diz que dependência da Cantareira foi reduzida
Se a seca transforma cenários em São Paulo, piora ainda mais a situação do Rio São Francisco, o principal do Nordeste. Com nascentes na Serra da Canastra, em Minas, o Velho Chico já não chega ao mar. A água salgada adentra 25 km de seu leito e, a 85 km de sua foz, entre Alagoas e Sergipe, já se pesca peixe do mar, algo comum apenas nas áreas mais próximas ao oceano.

— O rio está ficando fraco, e o mar, mais forte. Não sabemos até quando o rio vai aguentar — diz Maria Izaltina Silva Santos, líder da comunidade de Brejão dos Negros (SE), que vive da pesca e da cultura de arroz no Baixo São Francisco, último trecho do rio, após as barragens de hidrelétricas.

No Rio Grande, a vazão de água em julho foi de 33 metros cúbicos por segundo, a pior em 84 anos. No Paraíba do Sul, seu maior reservatório, o de Paraibuna, baixou a 12,23% de sua capacidade, levando à redução de 5 mil litros por segundo na vazão de água que chega à barragem de Santa Cecília, onde é feita a transposição para o Rio de Janeiro. O Rio Doce, que em dezembro transbordou e causou enchentes no Espírito Santo, baixou drasticamente nos últimos meses: em locais onde o nível de água ultrapassou nove metros, hoje ela não passa de dois metros. O Rio Paraná, por sua vez, baixou a ponto de interromper o transporte por hidrovia.

Mas são as águas do Velho Chico que refletem conflitos comuns a vários setores no Brasil: uma mistura de política, grandes negócios e uma população ainda impotente diante de seu futuro.

No Brejão dos Negros, a água salobra é realidade, mas até a altura de Penedo (AL), a 40 km da foz, a cunha salina se faz presente. No assentamento Borda da Mata, 85 km rio adentro, já há siris. Os peixes de rio estão menores e mais raros. Boa parte desapareceu. Não há mais surubim, piaba ou mandim. Em trechos do rio onde a profundidade chegava a 15 metros, agora é possível cruzar a pé.

Em 2006, um estudo da Universidade Federal de Alagoas detectou intrusão salina numa distância de 6 km da foz do São Francisco. Na época, a vazão média no Baixo São Francisco era de 2.041 metros cúbicos por segundo, quase o dobro da atual. Este ano, com a seca, a vazão na barragem de Sobradinho foi reduzida, para 1.100 metros cúbicos por segundo, 15% menor do que a mínima estabelecida pelo Ibama, de 1.300 metros cúbicos por segundo.

No projeto Jaíba, no norte de Minas Gerais, o maior projeto de irrigação do país, o clima é de intranquilidade.

— Quando a vazão foi reduzida no reservatório de Três Marias, a orientação foi não aumentar os plantios. A vazão do rio aqui está em 190 metros cúbicos por segundo, menos da metade do normal. Nunca aconteceu isso nesta área. É diferente e assustador — diz Marcos Medrado, gerente da etapa 1 do projeto Jaíba, que reúne cerca de 1.800 pequenos agricultores, responsáveis por cerca da metade da produção de sementes de hortifrútis do país.

— Temos uma seca de gestão. Há aumento desordenado de demandas hídricas, uma festa de outorgas. Temos uso excessivo, desperdício e até contaminação por agrotóxico. Falta cuidado da União e dos estados nas ações de recuperação hidroambiental — diz Luiz Alberto Rodrigues Dourado, do Comitê da Bacia do Rio São Francisco.

O GLOBO procurou o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) para discutir os problemas causados pela seca e a gestão de recursos hídricos no país, mas eles não concederam entrevistas.

Em Brejo Grande (SE), o agricultor e pescador Gilvan Rosa dos Santos perdeu a plantação de arros com a salinização do Rio São Francisco - Michel Filho / Agência O Globo
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

EM PERNAMBUCO, BR 101 ‘NÃO SUPORTA MAIS O GRANDE MOVIMENTO’
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Rodovia, no entanto, é rota para Suape e polo automotivo, que ainda será instalado

Somando estradas estaduais e federais, Pernambuco possui 7,6 mil km de malha rodoviária, mas 35% são considerados “ruins e péssimos”, de acordo com a Confederação Nacional dos Transportes. Como se buracos, falta de acostamento, sinalização deficiente e risco de acidentes com pedestres na pista não bastassem, há rodovias como a BR 101, que acusam sinais de estrangulamento.



Apesar de duplicada, a BR 101 não mostra fôlego para suportar o tráfego provocado pelo crescimento do complexo industrial portuário de Suape, em Ipojuca. No complexo, há cem empresas e 35 outras de grande porte em implantação. E, no lado norte de Pernambuco, já no limite com a Paraíba, fica o município de Goiana, onde vem sendo construído o 1º polo automotivo do estado. A previsão é que a montadora movimente por dia 600 caminhões truck, 85 cegonhas, 40 carretas, 180 ônibus (em três turnos de viagem) e 800 veículos leves.

BR-101, em Pernambuco, se transformou em via urbana congestionada e cheia de buracos

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Em comum, Suape e o polo têm a BR 101 como única alternativa de escoamento. De acordo com o Dnit, o movimento já é de 40 mil veículos por dia, só no contorno metropolitano.

— A BR 101 está tão ruim, tão congestionada, que a velocidade fica entre dez e 20 km/h. Tem trecho que é até pior, não dá mais de cinco, como o pedaço Jaboatão dos Guararapes e Abreu e Lima. Já teve dia de esgotar a paciência, com cinco km/h — diz o caminhoneiro Derli Grilo, de 63 anos, há 40 nas estradas do país.

— A 101 funcionou realmente como uma BR até os anos 1970. Mas se transformou em uma via urbana, e não suporta mais o grande movimento — reconhece José Cavalcanti Carlos Júnior, secretário executivo de transporte em Pernambuco.

Questionado, o Dnit respondeu que “ao longo do tempo, a BR 101 adquiriu característica de avenida de intenso tráfego”. Em nota, atribuiu o desgaste ao “excesso de peso dos veículos” e à idade da rodovia, que tem 35 anos, e esgotou “suas estruturas pavimentadas”. Ainda de acordo com o Dnit, a invasão das faixas de domínio ocasionou problemas na drenagem, que prejudicam a durabilidade do asfalto.

Os problemas não são só esses. Segundo a PRF, a incidência de acidentes entre os kms 50 e 80 é grande; esse é o trecho que corta a Região Metropolitana. Em 2013, foram 1.838 acidentes no trecho urbano, com 26 mortos.

— Muito ruim também é no trecho que fica entre Xexéu e Palmares, que não foi duplicado. Se for comparar a BR 101 naquela região com as estradas no meio das roças, as segundas são melhores — diz Grilo.
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

NO BRASIL, 80% DAS ESTRADAS NÃO CONTAM COM PAVIMENTAÇÃO
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Ministério do Transporte prevê investir R$ 11 milhões este ano

Pelos quase 1,7 milhão de quilômetros de estradas que cortam o Brasil escoa 58% do volume nacional de cargas. No entanto, 80,3% — mais de 1,3 milhão de km — não são pavimentadas. Ao todo, o país tem 12,1% de rodovias pavimentadas; os outros 7,6% são vias planejadas, isto é, ainda não saíram do papel.

Dividida por esfera de jurisdição, a malha rodoviária sob responsabilidade dos municípios é a que menos tem estradas pavimentadas, apenas 2%. Nas que estão na esfera estadual, a pavimentação não passa de 43,5%. As federais, por sua vez, têm 54,2% das vias asfaltadas. Os dados, de junho deste ano, são do Sistema Nacional de Viação, do Ministério dos Transportes, e incluem a rede rodoviária administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), concessões, convênios e MP-082.

A falta de pavimentação é apenas um dos problemas da infraestrutura logística brasileira. Em 2013, 300 profissionais das 250 empresas que mais faturaram no setor participaram de uma pesquisa do Instituto Ilos, e 99% disseram acreditar que a infraestrutura logística causa perda de competitividade para o país. Ao todo, 97% apontaram que estradas malconservadas são o principal problema. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), também de 2013, foi além: viu que o acréscimo médio do custo operacional devido às condições do pavimento das rodovias brasileiras é de 25%.

— Sob responsabilidade do Dnit, 10% não são pavimentadas, mas a geração de riqueza não se dá só na esfera das estradas federais — diz o diretor geral do Dnit, Jorge Fraxe: — Por lei, a não ser que mude o marco legal, não podemos fazer absolutamente nada fora das BRs. Defendo que municípios, estados e União tenham metas estratégicas ao longo de 20 anos, que haja um plano estratégico em conjunto. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) dá condições para criar infraestrutura e é um caderno de prioridades. Se houver esse caderno para estados e municípios, podemos avançar mais.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a frota habilitada a circular — só de caminhões e reboques —, em junho deste ano, era de 5,035 milhões. No 1º semestre, acidentes envolvendo veículos de cargas já deixaram 392 mortos e mais de 3.600 feridos.

— A expansão territorial da demanda brasileira nos últimos 50 anos não pode ser comparada a nenhum país nos últimos 200 anos. Então, precisamos de investimento sustentado em modais de transporte. Países continentais como China, Canadá e Austrália mantêm nos últimos 30 anos a taxa de investimento em logística de transporte em 3,4% do PIB ao ano. Aqui, é 0,6% — diz Paulo Resende, coordenador do núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Consultor de Infraestrutura Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet conta que “caminhões com soja e milho cruzam trechos de 500 km a mil quilômetros para chegar aos portos de Santos ou Paranaguá”:

— O ideal era não cruzar mais de 400 km. Produzimos 60 milhões de toneladas de soja e milho nas novas fronteiras e isso é levado para o Sul e o Sudeste. Com mais hidrovias e ferrovias, desafogaríamos as rodovias.

—Caminhões, por exemplo, que transportam frutas têm que rodar lentamente, por conta da má conservação das estradas, além de enfrentar o sol. Quando chega ao destino, parte da produção não pode ser comercializada. O Brasil perde US$ 2,2 bilhões por ano, 50% no manuseio da carga e no transporte — diz Antonio Gomes, da Embrapa.

A produção de grãos — que em 2014 é estimada em 200 milhões de toneladas — chega a ter, de acordo com o pesquisador da Conab Marilson Campos, perdas de 20%, incluindo o que é desperdiçado durante o transporte.

Por e-mail, o Ministério dos Transportes diz que, em 2014, os investimentos previstos em rodovias são de R$ 11,5 milhões. Para ferrovias, R$ 3,3 milhões, hidrovias, R$ 217 milhões e Marinha Mercante, R$ 4,6 milhões. E informa que o “Plano Hidroviário Estratégico, em execução, trata da implantação e expansão de hidrovias”. Sobre o Plano de Logística e Transporte, que tem como meta reduzir o transporte de cargas pelas rodovias para 30% até 2025, diz que “todos os esforços do ministério são direcionados para o exato cumprimento”.

Segundo o ministério, “o Dnit mantém contratos de manutenção permanente em 49.725 km. E com recursos do PAC, há obras em 7.357 km de rodovias”.
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

NOVA DIRETORIA TOMA POSSE NA CDRJ
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

O ministro-chefe interino da Secretaria de Portos (SEP), Antonio Henrique Silveira empossou ontem, quinta-feira, dia 21 de agosto, os novos diretores da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ). A cerimônia fechada foi realizada na sala de reuniões da presidência da empresa. Os empossados são: o diretor-presidente Helio Szmajser; o diretor de Administração, Finanças e Recursos Humanos, Airton Amaral; o diretor de Engenharia e Gestão Portuária, Heraldo Kremer; e o diretor de Planejamento e Relações Comerciais, Claudio Soares. Durante a solenidade foram assinados os termos de Posse, de Adesão, de Desimpedimento e de Declaração.

"Vamos procurar manter e aprimorar essa convivência construtiva entre o corpo dirigente e o quadro funcional, ainda mais agora que, pela primeira vez em muito tempo, o diretor-presidente vem do quadro de pessoal. Claro que não posso esquecer que o Jorge Luiz de Mello, o ex-presidente da CDRJ, deixou um legado na companhia, pois tinha boas ideias para canalizar as demandas necessárias da forma mais adequada", disse o ministro.

Em seu discurso de posse, o novo diretor-presidente, Helio Szmajser, afirmou que dará continuidade à gestão de Jorge Luiz de Mello, da qual fez parte: "Vamos revisar e modernizar os processos operacionais e de gestão da CDRJ, trabalhar para que o processo de dragagem seja agilizado e preparar os portos da companhia a partir do novo marco regulatório. A responsabilidade é grande, pois desde 1993 a CDRJ não tem um presidente e dois diretores do seu quadro de carreira na gestão da companhia. Sei que posso contar com o apoio dos empregados, do Sindicato dos Portuários, da Associação dos Profissionais de Nível Superior e da Associação da Guarda Portuária."

Helio ocupava o cargo de diretor de Finanças, Administração e Recursos Humanos na Cia Docas do Rio de Janeiro, é formado em engenharia de Portos e Vias Navegáveis, Hidráulica Marítima, Dragagem e Planejamento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui também MBA em Portos e Logística pela Universidade Gama Filho / DPC - Marinha do Brasil. Além disso, o conselho também elegeu durante a reunião ordinária, os nomes para outras três diretorias da CDRJ.

Todos os nomeados são funcionários da CDRJ. Heraldo Kremer, nomeado diretor de Engenharia e Gestão Portuária, ocupava o cargo de superintendente de Desenvolvimento e Fiscalização Portuária. Para assumir a diretoria de Finanças, Administração e Recursos Humanos foi nomeado Airton Amaral, antes diretor de Planejamento e Relações Comerciais. Claudio Soares deixa o cargo de gerente da Divisão de Arrendamentos e Estrutura Tarifária e assume a Diretoria de Planejamento e Relações Comerciais.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

TRILHOS DE EXTENSÃO DA FERROVIA NORTE-SUL CHEGAM AO PORTO DE SANTOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

Os trilhos destinados à extensão Sul da Ferrovia Norte-Sul (FNS) desembarcaram nesta semana no Porto de Santos (SP). Iniciada ainda na década de 80, a Ferrovia Norte-Sul é um “eixo estruturante”, conectando portos da região Norte com os do Sudeste.

O empreendimento foi projetado com o objetivo de promover a integração do território nacional, diminuir custos para transporte de cargas e interligar as regiões brasileiras, por meio das suas conexões com ferrovias novas e existentes.

Quando concluído, terá a extensão de 4.155,6 quilômetros e cortará os estados do Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Operação comercial

No fim do mês de julho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu autorização para o início das operações comerciais do trecho da rerrovia compreendido entre os pátios de Porto Nacional (quilômetro 720) e Gurupi (quilômetro 940), entre os estados de Tocantins e Goiás.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

NAVIOS PESQUEIROS CHEGAM A PELOTAS EM SETEMBRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

Além da madeira, que será movimentada pela CMPC Celulose Riograndense, o porto de Pelotas espera contar com uma nova operação em breve: o descarregamento de pescado. A atividade será feita pela empresa Oxnaval, pertencente a investidores sul-coreanos. O diretor de portos da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), Paulo Astrana, informa que não há uma data definida, mas a expectativa é de que os navios cheguem nos primeiros dias de setembro e comecem o trabalho de pesca em janeiro do próximo ano.

A SPH firmou um convênio com a empresa para possibilitar essa ação. A Oxnaval ocupará um espaço que não está sendo utilizado, de cerca de 1,5 mil metros quadrados, para abrigar até seis embarcações no cais. Astrana explica que a companhia pesca na região das Ilhas Malvinas, no oceano Atlântico, com “navios-indústria”, que possibilitam a captura, o armazenamento e o congelamento dos peixes. Até agora, o pescado era levado para o porto de Montevidéu e colocado em embarcações de maior porte, para seguir até o mercado asiático.

Astrana comenta que a estrutura uruguaia não tem mais condições de absorver a quantidade de navios que atualmente fazem essa operação e os coreanos buscaram uma opção. O dirigente salienta que se tentou fazer o transbordo do pescado em alto mar, porém essa é uma empreitada mais complexa. De acordo com o diretor da SPH, são aproximadamente 400 navios que atuam na região das Ilhas Malvinas. Astrana revela que a escolha dos coreanos por Pelotas como alternativa ao invés de Rio Grande deve-se ao menor custo.

Em Pelotas, os peixes serão colocados em contêineres e posteriormente em caminhões, seguindo depois para Rio Grande onde ingressarão em embarcações maiores. Em setembro, os pesqueiros aportarão em Pelotas e ficarão até o fim do ano fazendo manutenção, aproveitando o recesso da pesca, que dura de agosto até dezembro. Astrana calcula que, a partir de janeiro, serão cerca de 20 operações de descarregamento ao mês no porto gaúcho.

Essa não é a primeira tentativa de empreendimento no Rio Grande do Sul da Oxnaval. Em 2012, a companhia anunciou que instalaria um estaleiro em Pelotas. A iniciativa absorveria um investimento de R$ 35 milhões e, segundo a direção do grupo Oxcorp (controladora da Oxnaval), os trabalhos de montagem do complexo deveriam estar prontos até junho daquele ano. As operações iniciariam, justamente, com a manutenção de pesqueiros coreanos que atuam na região da Patagônia e das Malvinas. Entretanto, o projeto não teve continuidade. A reportagem do Jornal do Comércio não conseguiu entrar em contato com os executivos da empresa para esclarecer se o projeto do estaleiro será ou não retomado.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

DENÚNCIAS CONTRA O ESTALEIRO EISA SERÃO DISCUTIDAS EM AUDIÊNCIA
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

A Comissão de Trabalho, Legislação e Seguridade Social da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou uma audiência pública ontem, quinta-feira, para discutir problemas de gestão no estaleiro Eisa e a situação da indústria naval no estado. Serão discutidas denúncias recebidas pelo colegiado, de salários atrasados, demissões e a possibilidade de suspensão de contratos de operários.

- Os trabalhadores estão sendo prejudicados e o sofrimento deles está sendo aproveitado para se conseguir dinheiro, inclusive, do governo - afirma o presidente da comissão, deputado Paulo Ramos (PSol). Entre os convidados estão, além de trabalhadores da categoria e sindicalistas, o presidente do Eisa, Josuan Moraes, e o advogado do estaleiro, David Maciel Mello Filho; o conselheiro do grupo Synergy, que controla o Eisa, Omar Peres; procuradores do Ministério Público do Trabalho; o superintendente regional do Trabalho e Emprego, Antonio Albuquerque, e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, além de representantes do Bndes e da OAB-RJ.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

VARD PROMAR LANÇA AO MAR SEU PRIMEIRO NAVIO
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

O Estaleiro Vard Promar, instalado no Complexo de Suape, realizou ontem a operação de lançamento ao mar do primeiro navio construído pela empresa em Pernambuco. A embarcação é a segunda do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro a homenagear um pernambucano. O gaseiro número um do Estado recebeu o nome do jornalista, escritor e ex-governador, Barbosa Lima Sobrinho. A operação também estreou em Pernambuco a tecnologia load out, uma das técnicas utilizadas pela indústria naval para trazer a embarcação da terra para a água.

O presidente do Vard Promar, Miro Arantes, informou que a operação foi executada com sucesso. O teste teve início pela manhã e foi concluído no meio da tarde. A operação de load out (carregar pra fora) permite transportar o navio da área de montagem até um dique flutuante. A embarcação é movimentada sobre trilhos por meio de carros hidráulicos. Depois o dique flutuante submerge, permitindo que o navio toque a água e flutue. Em seguida, a embarcação é puxada por dois rebocadores para o cais de acabamento. O sistema load out oferece vantagens ambientais e maior agilidade no processo construtivo.

Em Pernambuco, em função do porte dos navios, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) utiliza a tecnologia do dique seco, uma espécie de piscina gigante que permanece seca enquanto o navio está em fase de edificação e é inundada para a embarcação flutuar).

O lançamento ao mar é uma das últimas etapas de conclusão de uma embarcação. O momento marca o fim da construção do casco e inicia a fase de acabamento, que são feitas na beira da água, no cais de acabamento. Nessa etapa são realizados testes e interligação dos sistemas do navio. O momento seguinte é a realização da prova de mar, uma espécie de test drive da embarcação numa viagem curta para avaliar o desempenho, observando condições de navegação, velocidade, manobras, motor e equipamentos. Após todos os testes, o navio é certificado por sociedade certificadora independente e é entregue ao armador (dono da embarcação) que fez a encomenda ao estaleiro.

A previsão do Vara Promar é concluir todas essas etapas até o final de dezembro e entregar o navio à Transpetro no início de 2015. Essa embarcação é o terceiro gaseiro encomendado pela estatal de logística da Petrobrás, dentro de um pacote de oito. Os dois primeiros foram edificados na planta do estaleiro em Niterói para evitar atrasos no cronograma. No Rio foram construídos os gaseiros Oscar Niemeyer e Paulo Freire.

A série de gaseiros da Transpetro homenageia brasileiros notáveis. As embarcações vão integrar a frota da empresa no transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha. Os navios têm 117,63 metros de comprimento, 34 metros de altura, 19,2 metros de largura e capacidade para transportar 7 mil metros cúbicos de GLP. O pacote, que deverá ser entregue até 2017, está orçado em US$ 536 milhões.

Homenageado
Barbosa Lima Sobrinho foi um personagem ativo nas letras e na vida política brasileira. Governou Pernambuco entre 1948 e 1951, presidiu o Instituto do Açúcar e do Álcool (1938 a 1945), presidiu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), escreveu em vários jornais do País e ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras. Nacionalista ferrenho, participou das Diretas Já. Foi escolhido para assinar o pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. O escritor morreu aos 103 anos no Rio de Janeiro.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

CONAB VAI DOAR OU VENDER 18 ARMAZÉNS CONSIDERADOS INADEQUADOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai iniciar a desimobilização de 18 imóveis que não mais atendem suas finalidades armazenadoras em 11 Estados da federação. O processo, que vem sendo feito pela comissão especial de alienação, é parte do Plano Estratégico de Modernização da empresa.  A licitação dos imóveis deve ocorrer nos próximos meses.

Desse grupo, três serão doados e 15 estão prontos para serem vendidos, porque já possuem a documentação inicial exigida pelo processo de alienação, aguardando, segundo a área financeira da Conab, apenas normas de publicação dos editais, o que deve ocorrer nos 60 dias seguintes à finalização. Os destinados à venda estão situados nos municípios de Manicoré (AM), Uruburetama (CE), Pindaré-Mirim (MA), Sinop (MT), Glória de Dourados e Pedro Gomes (MS), Passa Quatro (MG), Curitiba (PR), Goiana e Recife (PE) e Natal (RN). Os doados são os de Sobral (CE) e Pimenta Bueno e Ouro Preto d'Oeste (RO).

Outras unidades estão também com os processos em andamento, aguardando o fechamento de questões burocráticas, como regularização, avaliação e, finalmente, venda.

De acordo com a Conab, a desimobilização ou venda de unidades é feita com imóveis não  mais adequados ao modelo de armazenagem que a companhia quer implantar. “Isto vem ocorrendo desde que as representações regionais detectaram a inutilidade de mantê-los sob sua responsabilidade, gerando, em alguns casos, despesas desnecessárias ao erário”, diz o órgão em nota.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

PRIMEIRA CONCESSÃO DE FERROVIA DO GOVERNO ESTÁ EM AJUSTE, DIZ MINISTRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse hoje que o edital para a primeira concessão ferroviária do governo, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), ligando Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), já está “em fase de sintonia fina” para ser publicado. Com 883 quilômetros, o trecho tem uma previsão de R$ 5,4 bilhões em investimentos. De acordo com o ministro, a implantação do trecho será de grande relevância para o escoamento da produção de grãos na Região Centro-Oeste.

Essa será a primeira licitação de trecho ferroviário do Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançado em agosto de 2012. O programa prevê concessão para a construção de 11 mil quilômetros de ferrovias no país.

- Temos clareza da necessidade de atrair o setor privado para investir no setor - disse Passos. Para isso, acrescenta ele, ainda é necessária uma melhoria no setor regulatório, de forma a modernizar e organizar o sistema.

De acordo com o ministro, o edital será publicado “tão logo consigamos ajustar e aplainar todos aspectos que são reivindicados ou que possam significar algum tipo de dúvida no setor privado”. O objetivo, segundo explicou, é garantir segurança para a licitação. Ele falou sobre o edital após participar do seminário Brasil nos Trilhos, organizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Segundo o ministro, o governo tem identificado interesse de grupos estrangeiros em investir no setor.

- Só a partir de Mato Grosso, teremos de exportar cerca de 50 milhões de toneladas. O governo chinês também tem manifestado muito interesse em se tornar parceiro do Brasil para fazer investimentos no setor - disse o ministro.

Também sob a justificativa de ter de continuar a dialogar com o setor privado, o trem de alta velocidade (TAV ou Trem Bala), que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, acabou tendo seu cronograma atrasado.

- Devíamos ter feito, em agosto do ano passado, uma licitação, mas o governo acatou pedido dos empresários para prorrogar o leilão - disse Passos.

De acordo com o ministro, a Empresa Brasileira de Logística (EPL) tem feito um “refinamento do traçado do TAV, buscando obter ganhos” para o projeto.

- Há um aspecto de inovação do transporte e da tecnologia. E o Brasil tem o dever de trabalhar para tornar isso uma responsabilidade - disse o ministro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em fevereiro deste ano, liberar o governo para publicar o edital de concessão da ferrovia, desde que fossem atendidas algumas determinações, entre elas a revisão do cálculo de custo pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O modelo de licitação que será adotado prevê que o concessionário do trecho será dissociado do responsável pelo transporte.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 22/08/2014

SEGURANÇA HÍDRICA
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

A parceria com o Banco Mundial para a elaboração do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), cuja proposta foi apresentada nesta quarta- feira em Brasília, em solenidade realizada no auditório da Agência Nacional de Águas (ANA), e à qual estiveram presentes os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, da Integração Nacional, Francisco Teixeira, o presidente da ANA, Vicente Andreu e o representante do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil, assinala o início dos trabalhos técnicos a serem concluídos nos próximos dois anos e que terão por base a segurança hídrica e a oferta de água suficiente para o abastecimento humano, além das atividades produtivas, evitando assim situações críticas como as atualmente vividas em algumas regiões do País.

A construção do PNSH, conforme se enuncia, uniu os Ministérios do Meio Ambiente (MMA), e o da Integração Nacional (MI), a partir da Secretaria de Infraestrutura Hídrica (SHI), encerrando-se, pois, a fase de concepção do Plano, iniciada em 2012, e tendo como objetivo do estudo definir as principais intervenções estruturantes e estratégicas de Recursos Hídricos para o Brasil, tais como construção de barragens, sistemas adutores, canais e eixos de integração. Essas são consideradas infraestruturas necessárias para reduzir os riscos associados a eventos críticos, como secas e enchentes, além de garantir o abastecimento das populações nas cidades e no campo.

De acordo com a ministra Izabella Teixeira, o Plano identificará as intervenções indicadas para assegurar a oferta de água para abastecimento, com o objetivo de “desenhar todas as alternativas necessárias para viabilizar a oferta de água no país em situações de estresse hídrico, inclusive dando critérios para priorização de investimentos e dialogando com o Plano Nacional de Saneamento Básico”. Nesse sentido, pretende-se também que as obras identificadas pelo Plano sejam executadas, primordialmente, pelo Ministério da Integração Nacional e seus parceiros, nas esferas federal e estadual.

Para o representante do Banco Mundial, trata-se de “um marco no planejamento e no aumento da infraestrutura para a segurança hídrica”, enquanto o presidente da ANA destacou que o PNSH permitirá conhecer todos os reservatórios de água do país, a partir do mapeamento dos Recursos Hídricos dos 5.565 municípios brasileiros, já realizado pela Agência.

Por isso mesmo, uma das diretrizes do Plano cuja elaboração se propõe consiste justamente em que as obras tenham natureza estruturante e abrangência interestadual ou relevância regional, garantindo, em decorrência, resultados duradouros em termos de segurança hídrica. As intervenções também deverão ter sustentabilidade hídrica e operacional, devendo ser analisados, portanto, os usos setoriais da água sob a ótica dos conflitos existentes e potenciais pelo recurso e ainda dos impactos no uso da água, em termos de quantidade e qualidade.

O conceito de segurança hídrica considera, ademais, a garantia da oferta de água para o abastecimento humano e as atividades produtivas em situações de seca, estiagem ou desequilíbrio entre oferta e demanda, interligando-se, pois, direta e indiretamente, à dimensão de sustentabilidade do processo de desenvolvimento, que cumpre decerto consolidar, harmonizando-o sempre, como se requer, com a defesa e melhoria do Meio Ambiente para as atuais e as vindouras gerações.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

FERROVIA PRONTA PARA LICITAÇÃO
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou que a ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO) está pronta para licitação. O governo, segundo ele, tem consultado as empresas do setor ferroviário para ouvir "críticas" relacionadas ao projeto. "Estamos trabalhando com o setor, tentando entender quais são os aspectos de críticas", disse.

Conhecida como Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e, mais antigamente, como "Ferrovia da Soja", a linha está projetada para ter 883 quilômetros de extensão, com orçamento inicial de R$ 5,4 bilhões, conforme apresentação do ministro no seminário Brasil nos Trilhos, organizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
"O governo tem clareza de que prover o transporte ferroviário impõe a necessidade de atrair o setor privado", disse Passos. O ministro incluiu na sua apresentação os 96 Km dos 1.728 Km previstos para a Ferrovia Transnordestina, ligando o interior do Piauí aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE). "Estamos avançando na construção", disse, em referência a 798 km em construção atualmente. A Transnordestina deveria ter sido entregue pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 2010, mas a empresa não conseguiu avançar no projeto, repassando parte da companhia criada para tocar as obras para agentes de governo, como Valec e BNDESPar.

Passos destacou o interesse da China em participar de licitações no País, mas disse que o governo tem tentado atrair investimentos de outros países para "fazer uma grande transformação no mapa ferroviário do Brasil".

Os investidores estrangeiros são, no momento, a principal aposta para impulsionar o empreendimento. As construtoras nacionais consideram que, tal como está, a Fico é um mau negócio. Elas avisaram ao governo que não participariam de um eventual leilão. A causa da insatisfação é o valor do investimento fixado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Pelas contas das empreiteiras, a ferrovia custaria R$ 7 bilhões, e não R$ 5,4 bilhões. O governo vem argumentando nos bastidores, em vão, que elas precisam colocar no cálculo o ganho que terão como concessionárias da linha, e não apenas a realização da obra.

Atrair um sócio estrangeiro tem se mostrado tarefa difícil. Os chineses mostraram interesse, mas a experiência mostra que isso não necessariamente se traduz em investimentos. Há rumores de interesse dos russos, mas a estatal ferroviária RZD informou ao jornal O Estado de S. Paulo que nunca ouviu falar da ferrovia.

Trem bala

De acordo com o ministro, a Empresa Brasileira de Logística (EPL) está concluindo o "refinamento do traçado" do Trem de Alta Velocidade (TAV) - o trem bala ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. "Eu diria que é uma aspecto de inovação, de introdução de tecnologia de transporte que o mundo avançou e que o Brasil tem o dever de trabalhar para fazê-la se transformar numa realidade", disse Passos.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

SINDICATO ALERTA SOBRE DEMISSÕES NA MMX
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A MMX, que passa por dificuldades financeiras e informou na véspera a paralisação temporária da produção de minério de ferro, já demitiu desde janeiro cerca de 200 funcionários, disse nesta quinta-feira o presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales. "Esse ano já demitiram mais de 200 funcionários para a redução de custos", afirmou Sales

Atualmente, segundo o sindicalista, a empresa tem cerca de mil funcionários, sendo que 550 são próprios. Ele não entrou em detalhes sobre demissões recentes.

Procurada, a MMX afirmou que a companhia passou por um processo de reestruturação, reduzindo prioritariamente os cargos de nível gerencial e gestão, e não negou as 200 demissões. "Os empregados diretamente lotados nas áreas operacionais não sofreram impactos significativos. Atualmente, a MMX possui 550 empregados próprios no total", disse a empresa em nota.

Na quarta-feira, um dia depois de negar que esteja avaliando um pedido de recuperação judicial, a mineradora do grupo de Eike Batista informou que vai paralisar a sua produção de minério de ferro, em meio a uma queda nos preços da commodity que agrava a situação financeira da empresa.

Férias Coletivas

Para isso, concederá férias coletivas a seus colaboradores envolvidos diretamente na operação da mina Serra Azul, em Minas Gerais, por 30 dias, a partir da primeira semana de setembro. Esse é o único ativo da mineradora atualmente em produção.

Sales afirmou que o aviso de férias coletivas ainda não chegou ao sindicato, já que precisa passar primeiro pelo Ministério do Trabalho. Ele destacou que a empresa recebeu alguns embargos ambientais e que está trabalhando para resolver o assunto.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) disse que embargou a mina conhecida como “Tico Tico”, em Minas, em fevereiro, por estar localizada em área próxima a cavidades de relevância ambiental.

O embargo apenas será retirado quando estudos da empresa para adequação de raio da área de proteção das cavidades sejam analisados pela Semad e aprovados pelo Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), disse a Semad.

Em maio deste ano, a secretaria também embargou a Unidade de Tratamento de Minério (UTM) e estrada próximas às cavidades. Segundo o órgão, foram aplicadas duas multas no valor de 50 mil reais por descumprimento da legislação ambiental. "Nós estamos trabalhando junto para ver se conseguimos as licenças para manter os empregos", disse Sales.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

COPERSUCAR E CARGILL CRIAM A ALVEAN
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A Copersucar e a Cargill anunciaram que a nova empresa formada a partir da joint venture entre as duas companhias se chamará Alvean. A parceria foi anunciada em março e, desde então, foi analisada por órgãos reguladores. Em nota, Copersucar e Cargill dizem que a 'Alvean irá operar como uma entidade independente e começará a integrar as atividades globais de originação, comercialização e negociação de açúcar bruto e branco (refinado)'.

Joint Venture

As companhias têm, cada uma, 50% de participação na joint venture. 'Teremos uma sólida cadeia de suprimentos global combinada, uma presença mundial e excelente gestão de logística', comenta o novo executivo-chefe (CEO) da Alvean, Ivo Sarjanovic, também no comunicado. Anteriormente, ele dirigiu o negócio de açúcar global da Cargill.

O nome Alvean foi escolhido por derivar do latim albus, que significa branco/cristalino. O sufixo an, por sua vez, traz a noção de movimento e ilustra o dinamismo do mercado de açúcar, conforme a empresa.

Sede

As atividades de comercialização da Alvean terão sede em Genebra, na Suíça, com escritórios em Bangcoc, Bilbao, Nova Délhi, Dubai, Hong Kong, Jacarta, Moscou, São Paulo e Xangai. A expectativa é de que entre 25% e 30% de todo mercado global de açúcar seja negociado pela Alvean.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

SETOR DE PETRÓLEO É O MAIS ENDIVIDADO, DIZ A ECONOMATICA
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A dívida financeira bruta das seis empresas abertas do setor de petróleo e gás é a maior dentre todos os setores, de acordo com um levantamento da Economática, chegando a R$ 320,133 bilhões ou 30,08% da dívida total das companhias. O motivo disso é que a Petrobras sozinha conta com um endividamento bruto de R$ 307,7 bilhões ou 28,9% do total. Os dados do estudo referem-se ao segundo trimestre deste ano.

O segundo setor com maior volume de dívidas é o de energia, com R$ 171,04 bilhões ou 16,07% do total. Esse setor conta com 56 companhias. Em terceiro lugar, aparece o setor de alimentos e bebidas, composto por 17 empresas. A dívida é de R$ 77,933 bilhões ou 7,32% do total.

Segundo a Economática, a dívida financeira bruta das 349 empresas de capital aberto brasileiras ultrapassou a barreira do trilhão pelo segundo trimestre consecutivo. No primeiro trimestre deste ano, a dívida total atingiu R$ 1,046 trilhão. Já em junho, somou R$ 1,06 trilhão. A dívida financeira bruta considera toda a dívida com custo financeiro que as empresas informaram.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

AÇO MAIS BARATO
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

A Toyota e as maiores siderúrgicas japonesas concordaram em baixar o preço de placas de aço para a produção automotiva entre abril e setembro, em cerca de 3 mil ienes (US$ 29) por tonelada. Isso foi possível com a redução dos insumos siderúrgicos. O corte de aproximadamente 3% no aço é o primeiro a ser realizado desde o segundo trimestre de 2012. As siderúrgicas do país, incluindo a Nippon Steel & Sumitomo Metal, aceitaram a medida depois que o minério de ferro e o carvão se desvalorizaram, segundo fontes próximas à questão. O acordo entre montadoras e siderúrgicas serve de base para o custo que outros consumidores terão para adquirir o aço. Entre os clientes, aparecem construtoras e estaleiros.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PETRÓLEO EM ALTA
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta ontem, ainda sob o efeito da queda dos estoques da commodity na semana passada nos Estados Unidos e em meio aos dados mais fortes divulgados ontem sobre a economia americana. Em Nova York, o contrato do WTI para outubro avançou US$ 0,51 (0,6%), para US$ 93,96 o barril. Em Londres, o contrato do Brent para o mesmo mês teve alta de US$ 0,34 (0,3%), para US$ 102,62 o barril. O número de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos caiu em 14 mil, para 298 mil, na semana encerrada em 16 de agosto. Já as vendas de imóveis residenciais usados subiram 2,4% em julho ante junho, quando a expectativa era de queda de 0,8% no mês.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PROJETO MAPEIA OFERTA DE PEIXES
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

Líder do mercado brasileiro de sardinha e atum em lata, a Gomes da Costa, empresa controlada pelo grupo espanhol Calvo, lançará hoje um projeto de pesquisa no Vale do Itajaí (SC) com o intuito de garantir a oferta de peixes no Brasil no longo prazo.



Em xeque em grande parte do mundo por ter colocado algumas espécies de peixes na rota da extinção, a pesca extrativa precisa de dados científicos periódicos para evitar que a indústria processadora de peixes seja posta em risco, diz o presidente da Gomes da Costa no Brasil, o espanhol Alberto Encinas.

Encinas: "Na hora que você tem dados confiáveis, os órgãos reguladores tendem a flexibilizar o controle da pesca"



No Brasil, a situação do estoque de atum e sardinha, as espécies utilizadas pela empresa, é "saudável", mas o país carece de estatísticas sobre o segmento, diz o executivo. Para se ter uma ideia dessa carência, os últimos dados consolidados do Ministério da Pesca sobre pesca extrativa e produção de peixes em cativeiro - a aquicultura - tem como base o ano de 2011. De acordo com Encinas, as parceiras do ministério com instituições de pesquisa "enfraqueceram" nos últimos anos. É nesse contexto que a Gomes da Gosta decidiu atuar.

"Aparentemente, há uma redução dos recursos destinados para essas pesquisas, e o que nós queremos é trazer a atenção para a necessidade de ter foco na coleta de dados", afirma o executivo. Ele reconhece, porém, que a adoção do defeso - período em que não se pode pescar sardinha - tem se mostrado positiva, ainda que seja insuficiente.

De acordo com Encinas, a periodicidade das estatísticas sobre o setor pesqueiro é essencial para que, em caso de qualquer redução do estoque de peixes, a detecção seja rápida. Para tanto, o país precisa de mais pesquisas para definir qual é o "sinal vermelho" que dispararia medidas de proteção.

Batizado de "Pescarias Sustentáveis", o projeto que a Gomes da Costa lança hoje conta com o Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) e a Secretaria Municipal de Pesca de Itajaí, onde a empresa possui sua fábrica. Até agora, as ações definidas pelo projeto têm orçamento de cerca de R$ 1 milhão, a serem custeados pelos parceiros. Esse montante tende a crescer, uma vez que o projeto não tem prazo para terminar, de acordo com Encinas.

Entre as ações de monitoramento definidas no projeto, estão a coleta de dados no desembarque do peixe nos portos. Informações como o tamanho do peixe, o pescador, o volume capturado e a área da pesca serão levantadas. Durante a atividade pesqueira, também está previsto o acompanhamento das operações por um observador ou por meio de câmeras instaladas no convés dos barcos.

O monitoramento constante da atividade pode, inclusive, aumentar a quantidade de peixe disponível para captura, acredita Encinas. "Na hora que você tem dados confiáveis e mantidos no tempo, os órgãos reguladores tendem a flexibilizar as medidas de controle da pesca", afirma ele, citando a Comissão Internacional para a Conservação de Atuns do Oceano Atlântico (ICCAT), da qual o Brasil faz parte.

Para a Gomes da Costa, a matéria-prima pescada por seus cerca de 55 fornecedores no Brasil é fundamental. Atualmente, 60% dos peixes processados pela empresa são pescados no Brasil - os outros 40% são importados, devido ao período de defeso. Ao todo, a empresa processa cerca de 80 mil toneladas de peixe, sendo 60 mil de sardinha e 20 mil de atum.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

ARGENTINA VOLTA A BLOQUEAR EMBARQUE DE CARNE BOVINA
Publicado em 08/22/2014 as 03:19 PM

Nova suspensão temporária das exportações gera incertezas na Argentina

Em mais uma tentativa de conter os aumentos de preços no mercado interno, o governo argentino restringirá as exportações de carne bovina nos próximos 15 dias. A medida pode afetar a brasileira Marfrig, que mantém duas unidades de abate em operação no país.



Paradoxalmente, o governo busca novos negócios no exterior. Enquanto a Secretaria de Comércio anunciava as restrições aos produtores, uma equipe dos Ministérios da Indústria e Agricultura foi até Moscou esta semana para tentar convencer os russos a comprar mais produtos argentinos, inclusive carne.

Nova suspensão temporária das exportações gera incertezas na Argentina



A nova restrição deverá frustrar as expectativas dos frigoríficos brasileiros. Na semana passada, o CEO da Marfrig, Sergio Rial, havia demonstrado otimismo em relação ao desempenho da operação argentina, apesar de a situação econômica ter ficado mais delicada depois que o país entrou em "default". Na ocasião, ele disse que a Argentina poderia se tornar "uma alavanca para a empresa se o governo decidisse suspender os impostos nas exportações".

Questionada sobre as restrições adotadas esta semana, a Marfrig não comentou. A medida não deverá afetar, porém, a também brasileira JBS, cuja operação argentina é voltada ao mercado local.

Para a Sociedade Rural Argentina, que representa os produtores, a medida é "autoritária" e "irracional". "A irracionalidade dessa gestão [do governo] chega a limites incompreensíveis", destacou a entidade, por meio de comunicado. Por conta das restrições às exportações que, lembra a Sociedade, repetem-se desde 2006, 16 mil produtores encerraram as atividade no país.

O ministro-chefe de gabinete, Jorge Capitanich, lembrou que somente neste ano os preços da carne bovina subiram 54%. "Por isso as medidas foram tomadas", disse.

Em meio ao conflito na Ucrânia, Brasil e Argentina podem se beneficiar das sanções aplicadas pelo governo da Rússia às importações dos Estados Unidos e Europa. Em Moscou, a ministra da Indústria, Débora Giorgi informou às autoridades russas que a Argentina, quinto produtor mundial de alimentos, tem capacidade para alimentar 400 milhões de pessoas.

Numa análise da balança comercial do país, os economistas Ricardo Carciofi e Adrián Ramos, da consultoria Econometrica, lembram que a situação atual contrasta com o passado. Para eles, houve "excesso de acomodação no setor externo" que, por sucessivos anos ajudou no crescimento econômico argentino".
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PETROBRAS COMPROVA RESERVATÓRIO
Publicado em 08/22/2014 as 03:18 PM

A Petrobras informou ontem que a perfuração do terceiro poço na área de Moita Bonita, na Bacia de Sergipe-Alagoas, comprovou a extensão da descoberta de gás e petróleo leve na área. A petroleira anunciou a descoberta de petróleo no local em agosto de 2012 e, desde então, vem estudando o local.

Durante a perfuração do poço, segundo a empresa, foi constatada a existência de reservatórios com espessura de 40 metros, "com boas condições de permeabilidade e porosidade, confirmando as expectativas do projeto", informou por meio de nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

A acumulação Moita Bonita integra o programa de desenvolvimento da Bacia de Sergipe-Alagoas em águas ultraprofundas. A Petrobras dará continuidade às atividades previstas na área.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

ANP COBRARÁ ROYALTIES SOBRE TESTES EM POÇOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:18 PM

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai passar a cobrar, a partir deste mês, royalties sobre o petróleo e gás natural produzidos em testes de formação de poços. Até então, a agência isentava do pagamento os volumes queimados por motivos de segurança e emergência e perdidos durante os testes de formação nos poços.

Procurada pelo Valor, a agência reguladora esclareceu que decidiu revisar as regras diante das perspectivas de aumento da produção do pré-sal, onde os volumes produzidos nos testes de poço têm sido elevados e podem ser aproveitados economicamente pelo operador.



A mudança foi aprovada pela diretoria da agência na última semana. As novas regras são válidas tanto para os contratos de concessão como para os de partilha de produção e cessão onerosa. De acordo com o novo regulamento, as petroleiras terão de pagar royalties se houver aproveitamento econômico do volume produzido na fase de exploração das áreas.

Na fase de produção e nos contratos de cessão onerosa, a agência vai cobrar royalties sobre qualquer volume produzido.


Os testes de formação fazem parte das fases de exploração e produção de uma área e visam identificar características do reservatório, como os tipos e vazão dos fluidos, além de avaliar a extensão de uma jazida.

A análise dos dados coletados nesse processo contribui para a identificação de algumas propriedades do reservatório e para a avaliação do potencial produtivo da formação testada.

Este ano, a ANP autorizou a realização de testes de formação em poços na área de São Bernardo, na Bacia do Espírito Santo, e em Búzios (antigo campo de Franco), área da cessão onerosa.

Em junho, a Petrobras produziu nos testes do poço 9-BRSA-1191-RJS, no campo de Búzios, 11.475 barris de petróleo, o equivalente a 382 barris diários. Também foram produzidos, pela petroleira, aproximadamente 400 mil metros cúbicos de gás natural, que equivalem a 13 mil metros cúbicos diários.

Ainda segundo as novas regras da ANP, as empresas terão de informar, no Boletim Mensal de Produção, os volumes produzidos em teste de formação.

Os sistemas de medição devem ser estabelecidos de acordo com resoluções da própria agência.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

CHINA E EXCESSO DE OFERTA DERRUBAM PREÇO
Publicado em 08/22/2014 as 03:17 PM

A demanda mais fraca da China e o excesso de oferta global levam o minério de ferro novamente para perto da mínima do ano. O preço estava ontem em US$ 91,90 por tonelada no mercado à vista chinês, queda de 32% desde o início do ano. Para o quarto trimestre, analistas esperam uma cotação um pouco maior do que a atual, próxima dos US$ 100 por tonelada.

O preço médio esperado para este ano é de US$ 105, na média das projeções de dez bancos consultados pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor. Atualmente, a média de 2014 está em US$ 108 por tonelada, 20% abaixo dos US$ 135 do ano passado.

A analista Melinda Moore, do Standard Bank, diz que o excesso de minério e a falta de demanda firme têm deixado o mercado mais fraco na China, principal consumidor global da commodity. As siderúrgicas da China são responsáveis por aproximadamente dois terços das compras globais de minério de ferro - em um mercado com oferta estimada em cerca de 2,16 bilhões de toneladas neste ano.

O excesso de oferta tem sido o assunto mais comentado por analistas do setor neste ano. O forte aumento de produção está levando o preço do minério de ferro a um novo patamar, mais baixo do que o dos últimos anos. O Barclays, por exemplo, prevê um volume adicional próximo de 190 milhões de toneladas neste ano e de 130 milhões de toneladas em 2015.

As maiores mineradoras do mundo na área - Vale, Rio Tinto, BHP Billiton e Fortescue Metals - são as principais responsáveis por esse aumento. Somente as três australianas devem elevar a oferta em 100 milhões de toneladas neste ano, nas contas do Citi.

Levando em conta esses volumes adicionais e o crescimento, mesmo mais fraco, da economia chinesa, é que os analistas calculam um equilíbrio do preço entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada até o fim deste ano. Para os próximos anos, as projeções são de preços médios um pouco inferiores, justamente por causa da elevação da produção global.

Mesmo como uma eventual desaceleração das compras chinesas, as expectativas não são de cotações inferiores a US$ 90 por tonelada neste ano. Quando os preços rompem este patamar, muitas companhias deixam de ter suas operações viáveis e reduzem a produção, principalmente na China. Ivan Szpakowski, analista do Citi, diz que a produção chinesa já está diminuindo nos últimos meses por causa da queda do preço do produto.



Ele estima uma cotação de US$ 100 por tonelada no quarto trimestre e diz que espera que um quinto da produção da China já esteja sendo cortada com os patamares atuais de preços do minério. "Estimamos que perto de 20% da capacidade deve ser eliminada se os preços seguirem abaixo de US$ 100", afirma o analista em relatório. "Isso deve impedir qualquer queda sustentada de preço abaixo de US$ 90 por tonelada até o fim de 2014", diz. Segundo levantamento do Citi, A taxa de utilização da capacidade de 70 minas pequenas e médias caiu de 80% no fim do ano passado para perto de 65% recentemente.

Norbert Ruecker, chefe de análise de commodities do banco Julius Baer, prevê valor de US$ 90 por tonelada para o minério de ferro no fim deste ano e início de 2015. Ele diz que o excesso de oferta no mercado é motivo para preocupação e acrescenta que o setor imobiliário está em desaceleração na China, o que afeta o setor siderúrgico.

Nos últimos dias, o ritmo de negócios no mercado físico de minério na China está mais fraco, enquanto dados piores da atividade industrial têm ajudado a deixar os preços pressionados. A queda de ontem foi a quarta seguida do preço do minério. Com isso, a cotação se distanciou da máxima do mês, de US$ 96 por tonelada, registrada no dia 7, e voltou a caminhar rumo à mínima do ano, de US$ 89 por tonelada, em 16 de junho. Todos os valores são do minério com concentração de 62% de ferro negociado no mercado à vista da China.

O HSBC divulgou ontem seu índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial chinês, o que trouxe ao mercado novas preocupações com o ritmo de expansão do país e ajudou a manter um sentimento mais negativo no mercado do aço e de sua matéria-prima. O indicador ficou em 50,3 na leitura preliminar de agosto, abaixo dos 51,7 de julho.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

NOVO PRESIDENTE DA ANTF DEFINE PRIORIDADES
Publicado em 08/22/2014 as 03:17 PM

O novo presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Gustavo Bambini, diz que terá como prioridades a busca por benefícios fiscais do diesel para trens e a renovação dos prazos dos contratos de concessão da malha.

Bambini, que substituiu Rodrigo Vilaça a partir de maio, diz que as empresas de energia e as do setor portuário já passaram por discussões com o governo sobre a renovação das concessões em troca de mais investimentos, mas as ferrovias ainda não. "Estamos entrando na segunda metade dos prazos de concessões. É um momento oportuno para realizar esse debate", disse. Bambini afirma que já há discussões no governo sobre troca de investimentos por mais tempo de concessão.

O presidente da associação não comenta casos específicos de cada empresa, mas no setor já se sabe que a América Latina Logística (ALL), por exemplo, conversa com o governo sobre a renovação das concessões. O grupo Cosan, que firmou acordo de fusão de sua subsidiária Rumo com a ALL, já informou por meio de seus executivos que a extensão do prazo é importante para a estruturação dos negócios e investimentos da companhia nas ferrovias. Três das quatro concessões da ALL têm contratos vencendo em 2026, 2027 e 2028. A única ferrovia da ALL com prazo mais longo é a Malha Norte (nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), que tem concessão até 2079. Outras concessionárias vencendo entre 2026 e 2028 são a MRS, FCA e a Transnordestina.

Gustavo Bambini assume a entidade em meio às tentativas do governo de atrair mais empresas para o setor

Uma das ideias, afirmou Bambini, é que haja renovação antecipada desses contratos em troca de um programa de investimentos na malha. A avaliação sobre o prazo das concessões e outros pedidos estão em documento levado pela ANTF aos candidatos que disputam este ano a Presidência da República.

Outro ponto defendido pela entidade é a criação de um benefício fiscal para o diesel usado nos trilhos, que atualmente responde por 30% dos custos das empresas. Para a associação, o custo do diesel ficou ainda mais preocupante depois de uma determinação da Agência Nacional de Petróleo, no início de 2014, definiu que o insumo passaria a ser distribuído somente em duas refinarias - Manaus (AM) e Paulínia (SP). Segundo a ANTF, essa medida onerou o custo do diesel. A entidade pede a isenção do PIS e Cofins para o diesel, que é de 23,63%. "Esse custo tributário é incompatível com a demanda por tarifas ferroviárias mais competitivas e com a estratégia de ampliar a participação das ferrovias na matriz de transporte brasileira", diz a ANTF.

O executivo assume a entidade em meio às tentativas do governo para atração de mais empresas para o setor. Segundo Bambini, há a preocupação entre as concessionárias de que novos operadores de trens possam dificultar a operação das empresas nas malhas atuais. Mas, segundo ele, o Programa de Investimentos em Logística (PIL, o pacote de concessões) também traz oportunidades, principalmente pelo fato de a malha ficar mais integrada e, com isso, gerar a oportunidade de mais negócios e receitas para as concessionárias.

Ele também diz que o governo está tentando atrair empresas que atualmente são concessionárias de ferrovia para participarem das licitações dos novos trechos. Antes, havia dúvidas se as concessionárias poderiam ou não disputar as novas linhas, já que o governo impedirá que o concessionário da via movimente cargas. "O governo tem dito que não há impedimento para a concessionária atual participar do leilão. Para movimentar cargas, ela pode criar uma nova figura jurídica", diz.

O primeiro leilão de ferrovias do governo federal, que vai conceder o trecho entre Lucas do Rio Verde e Campinorte, só depende do aval do Ministério dos Transportes para que seja feito. Hoje, a única preocupação do Planalto é marcar a disputa com a certeza da presença de interessados. Atualmente, ainda estão sendo feitas discussões. "Temos discutido com o setor privado e tentado entender os aspectos de insegurança. Esse é um setor em que as coisas precisam ser construídas na base do diálogo. O governo está ouvindo muito e levando também suas avaliações, tornando muito clara qual sua política e qual a ênfase que pretende dar", disse ontem o ministro dos Transportes, Paulo Passos.

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, nos últimos meses, uma análise na qual recomenda ajustes, como a diminuição da previsão de investimentos para o projeto. Com isso, o investimento baixou de R$ 6,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Segundo Jean Mafra dos Reis, superintendente de infraestrutura e serviços de transporte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o preço final do edital "provavelmente" será um intermediário entre esses dois valores.

Bambini e as autoridades falaram ao Valor durante o seminário Brasil nos Trilhos, realizado pela ANTF e pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

TERMINAL NO ES INICIA OBRAS EM OUTUBRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Os acionistas do terminal portuário dedicado Itaoca Offshore esperam iniciar as obras civis de implantação no quarto trimestre. Localizado em Itapemirim, litoral capixaba, o projeto recebeu há duas semanas a licença de instalação do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) do Espírito Santo, dando sinal verde para o empreendimento.

O terminal, com foco no atendimento da indústria de petróleo e gás do país, tem investimento orçado em R$ 450 milhões. O empreendimento - denominado Itaoca Terminal Marítimo S.A. - é controlado por três grupos de investidores brasileiros de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro: a Catalina Participações, a BH Value Inn Negócios e a Mauer Engenharia.

A aposta do investidores se baseia na expansão da exploração de óleo e gás no país, principalmente no enorme potencial de extração dos campos da camada do pré-sal, na Bacia de Santos. Além da Petrobras, diz Leonardo Horta, diretor executivo e sócio do Itaoca Offshore, vários outras companhias multinacionais já estão atuando no setor no país e todas são usuárias do tipo de serviço que o terminal vai oferecer.

O empreendimento, disse o executivo, que está à frente do projeto desde sua fase de desenvolvimento, em 2010, terá como atividade principal ser uma base de apoio às operações das petrolíferas. "A região escolhida para ser instalado é ideal para atender empresas com atuação nas bacias de óleo e gás do Espírito Santo e de Campos (RJ)", afirmou Horta, que foi executivo da Vale, Bozzano Simonsen, Cosipa e da Cia. Siderúrgica de Tubarão.

Álvaro Oliveira, também diretor-executivo e sócio do Itaoca, informa que o terminal terá 600 mil metros quadrados de retroárea, 40 mil metros quadrados de área offshore, 11 berços de atração e um cais de serviços com 230 metros de comprimento. O calado, de 9,5 metros, estará apto a receber barcos de 100 metros (maiores e mais modernos|).

Logisticamente, afirma Oliveira, o terminal será bem localizado - distante apenas 23 km da rodovia federal BR-101 e quase na divisa entre Espírito Santo e Rio de janeiro. Ficará 130 km ao sul de Vitória, capital capixaba, e a 250 km de Macaé (RJ), o maior polo da indústria petrolífera offshore do país.

"Estaremos aptos a oferecer todos os serviços requeridos pela indústria de exploração de óleo e gás", diz Oliveira, que atuou na Vale por muito tempo e foi presidente da Docenave (companhia de navegação da mineradora). Ele menciona serviços de atracação, de armazenagem e movimentação de cargas, fornecimento de combustíveis e água, coleta e destinação de resíduos, heliponto, limpeza de tanques e pequenos reparos de embarcações.

Segundo os executivos, até o fim deste mês o Itaoca espera assinar contrato com uma empresa que será responsável pelas obras civis e de montagem (epecista, no jargão técnico) da parte marítima do terminal, que é 80% do investimento total. O prazo de implantação é de 24 meses. O início de operações está previsto para o fim de 2016.

O faturamento anual esperado para o Itaoca, segundo Horta, é de R$ 250 milhões. A previsão é de gerar 450 empregos diretos na operação. Durante a obra estima-se a contratação de mil pessoas.

Os sócios contrataram como adviser para o empreendimento o Banco Modal, que ficou encarregado de buscar novos investidores para o terminal. Entre os potenciais novos parceiros estão fundos private equity, investidores financeiros e grupos estratégicos, do Brasil e exterior, como operadores de portos e donos de barcos e frotas especializadas nessa área. Oliveira informou que entre os estrangeiros estão grupos holandeses, chineses,

Eles buscam também financiamento do BNDES. Segundo Horta, o projeto já foi levado ao banco para avaliação de sua diretoria técnica. O BNDES tem linhas de empréstimos para empreendimentos desse tipo com até 70% do valor.

Em relação ao prazo original, a obra está com quase dois anos de atrasos. Entre vários fatores disso está obtenção das licenças prévia (13 meses) e de instalação (10 meses). "Essa última licença é nosso cartão de visita para avançar tratativas com potenciais clientes e investidores e o BNDES", disse Horta.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

CHILE QUER MAIS INTEGRAÇÃO COM BRASIL
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Brasil e Chile atingiram um volume de negócios de US$ 5,3 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, de acordo com dados da Secex.

Roberto Paiva, novo diretor do ProChile, afirma que em poucos anos os dois países poderão dobrar o fluxo de comércio.

O ProChile é uma entidade governamental que tem como objetivo incrementar negócios entre os dois países.

Paiva diz que os países são bastante complementares. O Chile pode oferecer a saída da Ásia aos brasileiros, enquanto os brasileiros podem oferecer a saída da África e do Atlântico aos chilenos.

Paiva afirma que a junção da experiência industrial brasileira com o conhecimento chileno no comércio com vários países pode resultar em uma parceria bastante útil aos dois países.

Ao mesmo tempo em que empresas chilenas podem investir no Brasil, o representante chileno acredita que o Chile tem boas áreas para investimentos para os brasileiros. O agronegócio é um deles. O Chile é o segundo maior fornecedor de frutas frescas e secas ao Brasil. Um intercâmbio entre os dois países no agronegócio aumentará ainda mais esse fluxo, com a agregação de vinhos e azeite. Já o Brasil tem campo nos setores de carnes e grãos, em que o Chile tem deficit.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

PECUARISTA BRASILEIRO RECEBE MENOS PELA CARNE
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Uma boa notícia no setor de pecuária é que o Brasil está entre os países com os menores custos na produção de carne bovina. A ruim é que a rentabilidade do produtor brasileiro também está entre as menores do mundo.

Essa a conclusão do agri benchmark, uma rede global de economistas e especialistas em agropecuária mundial que avalia a rentabilidade do setor em diversos países.

Os dados brasileiros foram apresentados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em um encontro na Itália.

Na atividade de engorda, o órgão chegou à conclusão de que o custo total de produção de cem quilos de carcaça variou de US$ 336 a US$ 473 no Brasil, dependendo do sistema de engorda. Os menores custos ficaram para as fazendas que têm maior escala de produção.

Tomando como base os preços recebidos pelos produtores no ano passado, a margem dos pecuaristas brasileiros, descontados todos os custos, varia de perdas de US$ 27 a ganhos de US$ 40 a cada cem quilos vendidos.

Na outra ponta está a China, cujos custos de produção variam de US$ 495 a US$ 856. A novidade, no entanto, é que, na média, os produtores chineses recebem US$ 771 pelos cem quilos de carcaça.

A China registra também os maiores custos de produção entre os 30 países analisados. De 2005 a 2013, a alta foi de 167%. No caso do Brasil e da Argentina, os custos dobraram de preço.

Diante desses números, fica claro que a urbanização e os custos de produção vão tornar a China um grande importador de carne bovina.

A demanda cresce, e o país, além das dificuldades de áreas para a produção, enfrenta custos muito elevados.

Mais trigo O Ministério da Agricultura da Argentina apontou um cenário melhor para o trigo em 2014/15 do que o da safra anterior. A área deverá crescer cerca de 23% em relação à de 2013/14, para 4,5 milhões de hectares.

Motivos Os técnicos do governo acreditam que as boas condições de umidade do solo, a necessidade de rotação de cultura, as perspectivas de preços e a irregularidade do cultivo de outras culturas vão fazer os produtores aumentarem a área.

Quanto foi Encerrada a safra de trigo de 2013/14, o governo estima que a safra tenha ficado em 9,2 milhões de toneladas, acima dos 8 milhões de 2012/13. Em 2011/12, os produtores argentinos haviam colhido 14,5 milhões de toneladas de trigo.

Café A comercialização de café da safra 2014/15 atingiu 18,8 milhões de sacas no fim da primeira quinzena deste mês, segundo a consultoria Safras & Mercado. A produção está estimada em 48,9 milhões de sacas.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

HIDROVIA DEPENDE DE CHUVAS, DIZ MINISTRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Paulo Passos (Transportes) afirma esperar que a Tietê-Paraná possa ser liberada em outubro para navegação

Hidrovia está parada desde junho; SP diz que vai à Justiça contra ONS para remanejar água e retomar capacidade

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse nesta quinta-feira (21) esperar que as chuvas de outubro possam ser suficientes para liberar a hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo.

A operação de parte da hidrovia -a segunda mais movimentada do país no ano passado- está paralisada desde junho por falta de água nos rios da região.

A interrupção vem causando problemas para produtores de milho e soja, pois a hidrovia é usada para escoar parte da produção da região Centro-Oeste até o porto de Santos (SP).

De janeiro a julho de 2013, foi embarcado 1,4 milhão de toneladas de grão pela Tietê-Paraná. Neste ano, no mesmo período, foram escoadas cerca de 500 mil toneladas.

De todos os produtos transportados por hidrovias no país no ano passado, 22% foram pela Tietê-Paraná.

O ministro afirmou que as autoridades de São Paulo e da ANA (Agência Nacional de Águas) estão trabalhando para conseguir aumentar a vazão do rio e tentar restabelecer o transporte de barcaças, usado para carregar produtos agrícolas.

"Gostaríamos de ver essa situação restabelecida, mas isso vai depender das chuvas na região", disse.

De acordo com ele, por enquanto, a alternativa será usar caminhões e trens para o transporte que era levado pela hidrovia.

"Há uma expectativa de que a partir de outubro já comecem a voltar as chuvas."

Em junho, o governo paulista solicitou ao ONS -órgão que administra o setor elétrico brasileiro- e à ANA o remanejamento de parte do volume de água que está sendo represado em hidrelétricas ao norte do Estado, mas teve o pedido negado.

O ONS argumentou que a medida "não é cabível", pois contraria a "estratégia de operação definida para a garantia do atendimento energético" do país.

Agora, o governo de São Paulo afirma que vai entrar na Justiça contra o ONS, para restabelecer o nível de água da hidrovia a fim de retomar o transporte.

O Departamento Hidroviário paulista diz que o remanejamento proposto possibilitaria a retomada de um terço da capacidade da hidrovia.

POLÊMICAS

O imbróglio sobre a Tietê-Paraná não é o único a envolver o governo paulista sobre volume de águas.

Na segunda (18), os governos de São Paulo e do Rio fecharam acordo para encerrar a disputa em torno do abastecimento de água e da geração de energia na bacia do rio Paraíba do Sul.

São Paulo havia restringido fornecimento de água para o rio, sob o argumento de que o abastecimento humano é prioritário.

O ONS, por sua vez, dizia que a restrição geraria colapso do abastecimento de água de diversas cidades, em especial na capital fluminense, além de prejudicar o funcionamento de três hidrelétricas.

TRILHOS

Palestrante no 6º Brasil nos Trilhos, evento promovido pela ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), em Brasília, Passos afirmou que ainda não há uma data para o primeiro leilão de ferrovias do programa de concessões, o trecho entre Campinorte (GO) e Lucas do Rio Verde (MT).

Esse é o único dos 12 leilões prometidos que tem autorização para ser realizado, mas o governo ainda não lançou o edital por falta de interesse de empresas na construção e na operação do trecho.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

BLOCOS COMERCIAIS LATINOS ESTREITAM LAÇO
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

Vistos como antagônicos, Mercosul e Aliança do Pacífico debatem como aumentar seu intercâmbio de produtos

Somados, mercados incluem 490 milhões de consumidores; para o Brasil, é chance de conter avanço chinês

O Mercosul vai se reunir, nos próximos dias, com a Aliança do Pacífico para discutir a aceleração da liberalização comercial entre os dois grandes blocos da América Latina.

Mas o encontro tem também uma dupla mensagem política embutida: pretende demonstrar que o Mercosul não está tão paralisado como julga a grande maioria dos analistas e, além disso, que a Aliança do Pacífico não é vista como rival do bloco do Sul.

Grande parte da mídia internacional vê os dois grupos como antagônicos.

O Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) é considerado protecionista, ao passo que o clube do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) é liberal em matéria comercial.

No encontro dos próximos dias, a proposta do governo brasileiro será a de antecipar a completa desgravação do comércio.

Com o Chile, já há acordo, até porque se trata de país associado ao Mercosul, embora não seja membro pleno.

Com a Colômbia, de 55% a 60% do comércio já está livre de tarifas, e o livre-comércio total está previsto para 2018.

Com o Peru, o cenário é parecido: quase 70% das trocas comerciais já não pagam tarifas e se pretende chegar a 100% em 2019.

Já com o México, há um acordo automotivo e um acordo de complementação econômica, que, no entanto, abrange poucos produtos, até porque o país norte-americano tem notórias dificuldades no setor agrícola, no qual o Mercosul é muito forte.

Para o Mercosul, a Aliança do Pacífico é um mercado extremamente atraente, com sua economia na altura de US$ 2 trilhões ou 35% da América Latina.

O Mercosul, pela presença do Brasil, é bem maior: US$ 3,3 trilhões ou 58% do PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina.

490 MILHÕES

Se for alcançado o objetivo do encontro (cunhar a marca Mercosul/Aliança do Pacífico como complementar e não como uma competição), o rótulo cobrirá, portanto, 93% da economia latino-americana, com quase 490 milhões de potenciais consumidores.

Para o Brasil, especificamente, o mercado dos quatro da Aliança é atraente não só quantitativamente mas também qualitativamente: no primeiro semestre deste ano, os manufaturados representaram 75% das exportações brasileiras para o bloco, quando se sabe que uma das críticas permanentes que são feitas ao comércio exterior brasileiro é a concentração em produtos primários, de baixo valor agregado.

INTERCÂMBIO

Mesmo antes de implementada a plena desgravação, o comércio entre eles e o Brasil só faz crescer: pulou de US$ 10,789 bilhões em 2004 para US$ 26,922 bilhões no ano passado. Só no primeiro semestre deste ano, o intercâmbio já bateu em US$ 15 bilhões, o que faz supor que superará a marca de 2013.

A desgravação facilitará, naturalmente, a competição com a China, que avança avassaladoramente em mercados em que, pela proximidade, o Brasil deveria ter vantagens.

Estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria e divulgado pelo jornal "Valor" mostra que, só em 2011, o Brasil deixou de vender US$ 5,5 bilhões com a perda de espaço no seu principal mercado, a América Latina.

O montante equivale a 11% de tudo que o Brasil vendeu à região em 2011 e é a diferença entre o que o país efetivamente exportou e o que exportaria se tivesse mantido a mesma fatia de mercado que detinha em 2008.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

ITALIANA MONTA FÁBRICA NO BRASIL PARA ATENDER SETOR DE PETRÓLEO
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

A italiana Riveco Generalsider S.p.A, especializada em tubos de aço, vai instalar sua primeira unidade no Brasil, em Lorena (SP). O investimento de R$ 110 milhões será feito em duas etapas.

Na primeira, na qual aportará R$ 36 milhões, a empresa fará a concretagem e o revestimento de tubos utilizados na indústria de petróleo e gás. Em 2015, a Riveco planeja já estar atendendo a Petrobras e seus fornecedores.

A partir do final do ano que vem, além de prestar serviços, a companhia vai instalar no mesmo local uma fábrica de tubos de aço, com investimento de R$ 73 milhões.

"É uma oportunidade porque há apenas uma empresa que faz concretagem de tubos de aço no Brasil e o setor vai se aquecer cada vez mais, inclusive por causa do pré-sal", disse o CEO Eliseo Paolicchi, por telefone da Itália.

De início, a empresa pensou em se instalar na capital do Espírito Santo, onde já está outra empresa italiana do grupo ENI, conhecida da Riveco, segundo Paolicchi.

"Mas os terrenos estavam caros demais em Vitória e encontramos uma boa alternativa em Lorena", afirmou.

O projeto tem o apoio da agência estadual Investe São Paulo.

240
é o número de empregos diretos que a fábrica gerará até 2016

2
são as plantas da empresa na Itália
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

MINISTRO PREVÊ PARA OUTUBRO RETOMADA DA NAVEGAÇÃO NA HIDROVIA TIETÊ-PARANÁ
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

Trecho no interior paulista secou com a escassez de chuvas

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse nesta quinta-feira que espera, para breve, a retomada da navegação pela hidrovia Tietê-Paraná. O trecho no interior paulista secou com a escassez de chuvas e a maior retenção de águas nos reservatórios da região.

- Há uma expectativa de que, a partir de outubro, já comece a ocorrer chuvas que caminham no estabelecimento da regularidade (da navegação) - disse Passos.

Presente ao evento VI Brasil nos Trilhos, em Brasília, Passos disse trabalhar em "sintonia fina" com a iniciativa privada para lançar, em breve, o edital de concessão do trecho da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste entre Campinorte e Lucas do Rio Verde. Essa será a primeira ferrovia a ser leiloada no Programa de Investimento em Logística (PIL).

No evento, o vice-presidente Michel Temer disse a empresários do setor ferroviário que o governo não é “centralizador” nos empreendimentos do segmento. O leilão da primeira ferrovia à iniciativa privada no PLI vem atrasando por conta de críticas dos potenciais investidores ao marco regulatório do modelo.

— Ideia de que este governo quer manter tudo com o estado, de tantas vezes repetido, as pessoas acabam acreditando. Que não há prestigiamento da iniciativa privada. (…) Mas o chamamento da iniciativa privada é uma constante do nosso governo (…). Tentam sinalizar uma centralização estatal, quando, na verdade, estamos fazendo uma descentralização — disse Temer.

Os empresários vem reclamando que a participação da estatal Valec no modelo de concessões lançado pelo governo ao fim de 2012 é um fator de risco a mais para os interessados. Nos últimos meses, o governo vem se reunindo com representantes da iniciativa privada, para tentar fazer deslanchar o primeiro leilão de ferrovia no PIL, de Campinorte e Lucas do Rio Verde.

— Ferrovias fazem parte desse processo da eficiência. Elas entraram nesse capítulo da eficiência, não basta as hidrovias, não basta as rodovias. A ferrovia vai tornar mais eficiente a prestação de serviços públicos.
Fonte : O Globo
Data : 21/08/2014

ANTT AUTORIZA ENQUADRAMENTO DE PROGRAMA DA VALE EM ESTRADA DE FERRO CARAJÁS NO REIDI
Publicado em 08/22/2014 as 03:14 PM

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o enquadramento do Programa Capacitação de Logística Norte da Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale, no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura (Reidi), segundo resolução publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

A suspensão de impostos e contribuições por conta do enquadramento do programa no Reidi foi estimado em 409,2 milhões de reais, de acordo com a resolução.

O Programa Capacitação Logística Norte visa preparar a infraestrutura logística da Vale para atender ao novo volume de minério produzido no Pará, a partir de 2015. O programa inclui a expansão da Estrada de Ferro Carajás e a construção de um ramal ferroviário para ligar a mina do Projeto Ferro Carajás S11D à Estrada de Ferro Carajás.

O Reidi concede benefícios fiscais para empresas atuantes em projetos de infraestrutura.
Fonte : O Globo
Data : 22/08/2014

PETROBRAS PAGA US$ 434 MI PARA GARANTIR USINA
Publicado em 08/22/2014 as 02:15 PM

A Petrobras desembolsará US$ 434 milhões para garantir o funcionamento da usina térmica Cuiabá, que possui 500 megawatts (MW) de capacidade e gera energia desde abril a partir do processamento de 2,24 milhões de metros cúbicos de gás natural. O gasto faz parte do acordo com a boliviana YPFB, fornecedora do gás, após um longo período de negociação em torno do preço do insumo, informou a empresa.

Nos últimos 90 dias, enquanto as duas companhias negociavam o preço do gás, o abastecimento era garantido por um contrato provisório. As divergências diziam respeito ao valor a ser pago pelo metro cúbico de um produto de melhor qualidade, capaz de produzir energia com mais eficiência do que aquele que estava previsto no contrato inicial. Quanto melhor a qualidade do produto, mais caro.

Após as negociações, Petrobras e YPFB acrescentaram ao acordo ajustes técnicos e comerciais, que garantirão o fornecimento do gás até 31 de dezembro de 2016 e o funcionamento da térmica, importante para o pleno funcionamento do sistema elétrico, sobretudo, na região Centro-Oeste do País. As usinas térmicas estão sendo utilizadas como solução neste momento em que os níveis dos reservatórios estão baixos.

De acordo com comunicado da Petrobras ao mercado, divulgado na última segunda-feira, o acordo terá impacto de US$ 268 milhões no resultado financeiro da empresa no terceiro trimestre deste ano. Porém, ao fim de 2014, é projetado lucro de US$ 128 milhões.

Além disso, a companhia informa que “o suprimento de gás boliviano ao mercado brasileiro faz parte do planejamento estratégico da Petrobras, que já exerce atividades de exploração e produção de gás natural na Bolívia e busca novas oportunidades.”
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 21/08/2014

MULTAS APLICADAS PELA FISCALIZAÇÃO DA ANP A PARTIR DE 2011 SUPERAM R$ 793 MILHÕES
Publicado em 08/22/2014 as 02:14 PM

Correção: A multa aplicada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) na britânica BP é de R$ 350 mil e não de R$ 350 milhões como constava da matéria. Segue o texto corrigido.

A fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a atividades de exploração e produção de petróleo e gás no Brasil aumentou, e com ela o número e valor das multas aplicadas entre 2011 e 2013. Além de em maior número, o valor das penalidades aumentou de um ano para outro no período avaliado. As 74 multas aplicadas pela ANP em 2011 totalizaram R$ 155 milhões, e esse valor quase dobrou em 2012, quando foram aplicadas 80 multas, que somavam R$ 254 milhões. Em 2013, outro salto. Foram aplicadas 90 multas no valor de R$ 384,124 milhões.



Nos três anos, foram feitas 244 autuações que somaram R$ 793,187 milhões. Esse valor se refere a 169 multas (68% das penalidades), e não inclui outros 75 infrações que estão sob análise da agência reguladora e que por isso ainda não têm valor definido. O levantamento, feito pelo escritório de advocacia Mattos Filho com base em dados públicos, mostra que das 169 penalidades com valor definido, 112 foram pagas sem questionamento pelas empresas, que aproveitaram o desconto de 30% garantido pela Lei 9.847/99, que garante o benefício para quem não recorrer.



Outras 14 foram revertidas pelo regulador em primeira ou segunda instância, oito estão aguardando decisão e 19 delas (cerca de 11% do total) estão sendo contestadas judicialmente. Outras 16 foram registradas na dívida ativa da União.

O advogado Giovani Loss, sócio responsável pela área de petróleo e gás do Mattos Filho, explica que o levantamento teve o objetivo de identificar tendências da fiscalização, já que isso pode incentivar os clientes a aumentarem a precaução e a definirem as melhores estratégias de defesa. Sobre o aumento das punições, Loss atribui à maior sofisticação da agência. "Em parte a ANP se tornou mais sofisticada e melhorou seus instrumentos. Por outro lado, existem mais ativos em produção, o que aumenta a probabilidade de multas", diz.

Maior empresa em atividade no Brasil e com a maior produção, a Petrobras foi a que recebeu as maiores autuações. A empresa foi multada por 88 infrações que somavam R$ 692,36 milhões entre 2011 e 2013. As multas se referem a áreas onde a estatal é operadora, o que significa que ela não terá que desembolsar os valores sozinha, dividindo com sócios.
A estatal também recebeu a multa de maior valor, aplicada pela superintendência de participações governamentais, de R$ 368,6 milhões. Mas não houve pagamento, já que a estatal recorreu à Justiça. Já a multa mais cara aplicada, e já paga, coube à britânica BP, no valor de R$ 350 mil.

No último formulário de informações trimestrais enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a Petrobras informa a existência de processos administrativos e judiciais com a ANP a respeito de diferenças relacionadas ao pagamento de royalties e participação especial (PE) de vários campos, e também sobre a existência de multas aplicadas pela agência que somavam R$ 3,741 bilhões até 30 de junho de 2014. O número inclui autuações anteriores a 2011, e por isso não estão no levantamento. As demais concessionárias receberam 68 multas no período de 2011 a 2013, no valor de R$ 100,8 milhões.

Depois da Petrobras, o maior número de autuações foi para a Chevron pelo vazamento no campo de Frade (9 que somaram R$ 50 milhões), seguida pela Shell e Ral (8), OGX (7) e Petrosynergy (5) enquanto a angolana Sonangol recebeu 4 multas, mesmo número da Aurizônia. Em valores, o segundo lugar depois da Chevron entre as maiores multas aplicadas ficou com a indiana ONGC, que recebeu autuações de R$ 29 milhões.

O terceiro lugar é da OGX, com R$ 7,137 milhões. A ANP também teve sucesso quando o tema foi parar na Justiça, já que dos 25 questionamentos judiciais, apenas quatro foram decididas em favor das concessionárias na primeira instância. Nas sete decisões na segunda instância, três foram favoráveis a elas.

O advogado também chama a atenção para as superintendências onde as autuações foram geradas. As maiores multas, totalizando R$ 544,8 milhões, foram aplicadas pela superintendência de controle das participações governamentais (SPG). Já maior número de autuações (83) vieram da superintendência responsável pelas áreas de segurança operacional e meio ambiente (SSM).

Isso tende a mudar, segundo Loss, com o avanço da fiscalização da agência sobre o cumprimento dos percentuais de conteúdo local à medida que avançaram os investimentos nos blocos adquiridos a partir da Sétima Rodada de Licitações, de 2005. Naquela licitação houve mudança na forma de medição dos bens e serviços fabricados no Brasil. Até 2013 a superintendência responsável pela fiscalização do conteúdo local ainda avaliava os percentuais praticados na fase exploratória da Sexta Rodada, de 2004.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

FALTA ESPAÇO PARA CARGAS EM MANAUS
Publicado em 08/22/2014 as 02:13 PM

Mais movimentado aeroporto da região Norte do país, com 3 milhões de passageiros em 2013 - dos quais 2,86 milhões domésticos - o aeroporto de Manaus acaba de passar por uma reforma conduzida pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária ao custo estimado de R$ 452,6 milhões, conforme previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Iniciadas em 2011, as obras só devem ser concluídas no próximo mês, mas a maior da reforma já foi entregue e colocada em operação.

Com a reforma, o tamanho do terminal de passageiros cresceu 150%, de 39 mil para 97 mil metros quadrados, ampliando a capacidade do terminal aeroportuário de 6,4 milhões para 13,5 milhões de passageiros anos. Com demanda prevista pela Infraero de apenas 4 milhões de passageiros em 2014, o aeroporto ganha fôlego extra para os próximos anos, mas não resolve algumas questões centrais, na avaliação de Augusto Rocha, doutor em engenharia de transportes e professor da Universidade Federal do Amazonas.

Para o especialista, Manaus opera em condições precárias, especialmente em cargas. Sua capacidade de armazenamento representa cerca de metade da demanda. Além disso, o aeroporto conta com uma única pista, o que faz com que qualquer incidente possa paralisar as operações por horas.

Manaus movimentou 120 mil toneladas de carga doméstica no ano passado, o maior volume entre os terminais administrados pela Infraero. No comércio exterior foram mais 45 mil toneladas - 42 mil apenas na importação. Insumos importados e eletrônicos produzidos na Zona Franca de Manaus - especialmente telefones celulares, produtos de pequeno volume e alto valor unitário - constituem a maior parte da carga que circula pelo terminal.

Distrito Industrial de Manaus: obras de acesso até agora não deslancharam



De acordo com a Infraero, "não há, no horizonte de curto prazo, planejamento para implantação de novo terminal de cargas ou de uma segunda pista de pouso e decolagem, já que a infraestrutura existente hoje atende a demanda atual e projetada do aeroporto".

Outra questão que afeta diretamente o Polo Industrial de Manaus é o acesso. O governo do Estado havia previsto para começar em julho obras para uma nova avenida entre o aeroporto e o Distrito Industrial. A via deveria cortar a área conhecida como Distrito Industrial 2, ainda praticamente desocupada, e retirar o movimento de veículos de carga do centro da capital amazonense. Até o momento, as obras não deslancharam.

Para Augusto Rocha, por sua posição central, Manaus deveria funcionar como um hub - terminal concentrador - tanto de carga quanto de passageiros não só para voos domésticos destinados à região Norte, mas também para os internacionais, sobretudo para os países da região amazônica.

Segundo ele, a ideia do hub chegou a ser defendida pela Superintendência da Zona Franca, o governo local e outros agentes econômicos, principalmente em meados da década passada, mas a falta de recursos, agravada pelos seguidos contingenciamentos das verbas da Suframa acabaram sepultando o debate.

Hoje, segundo afirma Rocha, para que a ideia vingasse, seria necessário que uma companhia aérea decidisse concentrar operações em Manaus. Porém seriam necessários novos investimentos em hangares, contração de mão de obra especializada para operação e manutenção de aeronaves e investimentos na infraestrutura da cidade e na rede hoteleira.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

CONCILIAR INTERESSES PARA APROVEITAR POTENCIAL HÍDRICO
Publicado em 08/22/2014 as 02:13 PM

Chipp: geração térmica cresce mesmo com chuvas na média histórica

O futuro da matriz elétrica repousa sobre a Amazônia Legal, território que abriga cerca de 65% do potencial hidrelétrico do país, detentor de uma das cinco maiores disponibilidades de geração hidrelétrica do mundo, com cerca de 10% dos recursos existentes no planeta. Aproveitar ao máximo o potencial será uma tarefa complexa, já que exigirá conciliar interesses de ambientalistas, governo, empresários e tribos indígenas.



Desde a década de 1990, os principais projetos que têm saído na região Norte têm privilegiado a construção de usinas hidrelétricas a fio d'água - sem grandes reservatórios, o que reduz o impacto ambiental, mas também diminui o acúmulo de energia.

Essa escolha aumentou a fragilidade do sistema de fornecimento de energia no país, ampliando a dependência anual de chuvas fortes no período úmido.

A capacidade de armazenamento das hidrelétricas caiu de 6,3 meses para 4,7 nos últimos dez anos. Entre 2013 e 2018 - período em que entram em operação grandes empreendimentos, como as usinas do rio Madeira e Belo Monte, os maiores projetos hidrelétricos desde o início de Tucuruí (PA), em 1974 -, está prevista a entrada de 20 mil MW de capacidade hídrica no sistema, sendo que só 200 MW têm reservatórios, segundo estimativa do governo. Isso fará com que a capacidade de armazenamento caia para 3,8 meses em 2018, segundo estimativas da CPFL Energia.

A construção de usinas hidrelétricas a fio d'água, com menor capacidade de armazenamento plurianual, aumenta o desafio de gerenciar o sistema elétrico e cria a necessidade de expansão do parque térmico do país. Para o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, é importante observar que o uso de geração térmica tem crescido mesmo quando as chuvas estão perto da média histórica.

"A geração térmica é necessária para o atendimento no horário de ponta no fim do período seco, principalmente quando a temperatura sobe. É preciso começar a discutir se faremos hidrelétricas com reservatórios ou se as térmicas irão operar na base", destacou Chipp.

Sem construção de usinas com grandes reservatórios, o sistema tem sofrido mais oscilações. Em 2012, no fim do período úmido, os reservatórios estavam em 72%. No fim do ano, caíram abaixo dos 40%. Em 2013, o índice de deplecionamento foi de 22%. "Vai ser preciso mais térmica, não tem milagre", diz.

Há outra questão a ser observada: grandes usinas hidrelétricas estão e estarão sendo construídas na região Norte, enquanto a maior parte do consumo está concentrada nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.

Isso criará a necessidade de transferência de grandes blocos de energia entre as regiões. "Isso aumenta o risco de grandes ocorrências no sistema, cria a necessidade de ampliação dos troncos de transmissão entre regiões e abre a discussão se vale a pena pagar a adoção de sistemas de contigência dupla nas interligações para reduzir os riscos de ocorrências", observa Chipp.

Para avançar, será preciso desatar outro nó: a questão indígena. "A questão ambiental e indígena será bastante complicada e exigirá negociação complexa", ressalta Alexei Vivan, presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia (ABCE). Há dois anos, o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, apresentou um projeto a vários ministérios sugerindo que os índios pudessem receber royalties de empreendimentos que os afetassem diretamente.

Em vez de irem para o orçamento da Funai, os recursos seriam gerenciados por um comitê tripartite, formado por comunidade, investidores e Funai. Outra experiência diferenciada é a do Canadá, em que algumas tribos passam a ter participação em usinas. "A participação é bem pequena, mas eles compartilham os resultados do empreendimento", comenta.

Exemplo das dificuldades existentes pôde ser visto na usina de São Manoel, no rio Teles Pires, projeto a fio d'água e cuja área indígena estava a mais de 50 quilômetros distante do empreendimento. A União tentou por mais de dois anos obter licenciamento para o Projeto, licitado apenas no fim de 2013.

Em 2010, o Ibama apontou uma série de deficiências no estudo de impacto ambiental da hidrelétrica que teria capacidade para abastecer mais de duas milhões de residências. Em outubro de 2011, durante processo de audiência pública da discussão do empreendimento, quatro funcionários da Funai, dois da EPE e um antropólogo foram sequestrados pela tribo indígena Kururuzinho, que não quer a usina.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

USINA BUSCA TER UM IMPACTO MENOR
Publicado em 08/22/2014 as 02:12 PM

Victor Paranhos, presidente da Energia Sustentável do Brasil: “Construir em plena Amazônia é uma tarefa árdua”



No último trimestre ou início do próximo ano, deverá ir a leilão exclusivo a usina hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós, localizada no rio Tapajós, a cerca de 330 quilômetros da sua foz no rio Amazonas. Investimento de R$ 30,6 bilhões, o empreendimento é o primeiro de uma série de projetos previstos no rio (entre eles, Jatobá com 2,3 mil MW) e poderá ter uma forma inédita de construção, para reduzir os impactos ambientais e sociais. O reservatório do empreendimento será a fio d'água, ou seja, depois de formado, todo o volume de água que chegar pelo rio irá passar pelas estruturas construídas na barragem, sem a necessidade de um grande reservatório.



Com 8.040 MW de capacidade, o projeto terá 4.012 MW médios de energia firme, em duas casas de força. "São grandes as chances de o leilão de Tapajós sair ainda este ano. O processo está andando", afirma o presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Mauricio Tolmasquim. Na última semana de julho, a Eletrobras entregou ao Ibama o estudo e o relatório de impacto ambiental e solicitou a licença prévia para a usina. O documento é obrigatório para que o empreendimento seja leiloado. Agora os órgãos ambientais e a Funai irão se debruçar sobre o relatório.

Segundo o relatório de impacto ambiental, divulgado recentemente, a implantação da usina afetará diretamente cerca de 1.400 pessoas. Em torno de 1.100 pessoas deverão ser removidas para dar lugar à barragem e às demais estruturas do empreendimento. Para a construção, serão contratados 13.000 trabalhadores no período de maior intensidade das obras, entre o segundo e terceiro anos de construção. Outras 12.500 pessoas poderão chegar em busca de emprego e negócios.
Uma das ideias que poderão ser aplicadas pelo consórcio construtor é o conceito de usina-plataforma, inspirado nas plataformas marítimas de exploração de petróleo e gás, onde os trabalhadores se revezam em turnos. As usinas no rio Tapajós seriam construídas sem a instalação de vilas operárias, cidades e centros comerciais no entorno. A ideia é criar alojamentos temporários, entre outras instalações, que serão totalmente desmontados no fim da obra, reduzindo a possibilidade de grandes migrações para a região. Além disso, vias provisórias de acesso serão desfeitas e a vegetação recomposta, com replantio de árvores.

Além da usina de São Luiz dos Tapajós o governo pretende licitar outros empreendimentos, como a de Jatobá, também no rio Tapajós (a ser licitada em 2015) com 2.300 MW de potência, Bem Querer (em 2016, com 700 MW de capacidade) e Simão Alto (previsto para ser leiloado em 2017 com potência de 3.500 MW). Todos estão localizados na região Norte e, juntos, devem demandar mais de R$ 50 bilhões de investimentos.

São Luiz dos Tapajós é mais um empreendimento a fio d'água, um conceito que tem ganho espaço na região Norte desde a década de 1990. No rio Madeira, em Rondônia, a usina de Jirau foi planejada assim desde o início do projeto como uma usina sem grande reservatório para acúmulo de água. A escolha se deu pela força do rio Madeira. "É importante a construção do reservatório no local correto. Não se pode abandonar essa opção por preconceito", diz Victor Paranhos, presidente da Energia Sustentável do Brasil, responsável pela construção da usina de Jirau.

O empreendimento iniciou sua operação comercial em setembro de 2013, nove meses depois do prazo inicial estipulado pela Aneel. O atraso é avaliado pelos empreendedores como reflexo direto de dois distúrbios ocorridos em 2011 e 2012, que resultaram na perda de cerca de 500 dias de trabalho. Em 2011, cerca de dez mil trabalhadores foram retirados do canteiro de obras, após uma briga. Veículos foram depredados, moradias destruídas. A tecnologia de construção dos alojamentos passou a ser alterada nos empreendimentos, com outros materiais substituindo a madeira. Em 2012, a Força Nacional foi enviada para conter incêndios. Houve queixas com a alegação de que os trabalhadores foram tratados como criminosos pelo governo federal.

O consórcio construtor corre contra o tempo para minimizar o atraso. Até o início de julho, dez turbinas estavam ligadas. A meta é de que se chegue a 24 no fim do ano. Em maio, foi aberto um turno noturno com 800 funcionários para a montagem eletromecânica. O atraso impediu a geração comercial das turbinas para vender energia no mercado livre.

Lidar com grande quantidade de trabalhadores e cumprir as exigências sociais e ambientais se somam a outros desafios, como o logístico. Entre novembro e abril, período úmido, as chuvas na região complicam o transporte de peças e equipamentos. As estradas são precárias. "Construir em plena Amazônia é uma tarefa árdua", destaca o executivo. Para ele, deveria ser aberta a possibilidade de perdão por atrasos. "Há muitos riscos envolvidos", diz Victor Paranhos.

Uma das maiores hidrelétricas do mundo, Belo Monte tem sido erguido em plena floresta amazônica, na região Norte, em que o período úmido, que se estende de novembro a abril, costuma ser um complicador, principalmente por afetar o transporte de peças e equipamentos pelo modal rodoviário. Uma saída encontrada pelo consórcio Norte Energia foi a construção de um porto. "Sem isso, teríamos alguma dificuldade para transportar peças e materiais no período chuvoso", aponta o diretor de Fornecimento e Montagem, Wellington Lopes Ferreira. O transporte de alimentos é feito pela rodovia Transamazônica, mas, quando necessário, utiliza-se também o modal fluvial, a partir de uma base no porto de Belém (PA). Neste caso, os produtos são descarregados das carretas, identificados, separados de acordo com os destinos e dispostos em contêineres, transportados em balsas até o porto. Ali, caminhões fazem o translado do material para o sítio correspondente, onde são conferidos e levados.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

EMPRESA INVESTE PARA DRIBLAR GARGALOS NA ZFM
Publicado em 08/22/2014 as 02:11 PM

A multinacional francesa BIC, que há 41 anos produz barbeadores, isqueiros e canetas esferográficas em sua fábrica da Zona Franca de Manaus (ZFM), decidiu responder aos desafios de infraestrutura logística da região com investimento de R$ 40 milhões na ampliação da unidade.

A expectativa é consolidar o Brasil como segundo maior mercado do mundo para o grupo, atrás apenas dos Estados Unidos, com um faturamento bruto de R$ 1 bilhão estimado para 2016. Líder na categoria de escrita e isqueiros e vice-líder no segmento de barbeadores descartáveis, a BIC vende em mais de 160 países 25 milhões de canetas, 6 milhões de barbeadores e 10 milhões de isqueiros a cada dia. Só neste ano, a previsão de vendas chega a 300 milhões de esferográficas fabricadas em Manaus. Não fossem os gargalos, o desempenho poderia ser ainda melhor. "Manaus foi uma boa opção. Tem os desafios de transporte, mas tem também a viabilidade econômica", diz André Negro, diretor de supply chain da BIC Brasil.

A Zona Franca de Manaus, criada em 1967 com o objetivo estratégico de "integrar para não entregar" as riquezas da Amazônia às investidas estrangeiras e permitir o surgimento de um novo polo de desenvolvimento no país, faturou no ano passado R$ 83,5 bilhões, 13,6% acima de 2012, e gerou mais de R$ 20 bilhões em impostos.

As mais de 600 empresas instaladas no polo produzem de equipamentos eletrônicos a automóveis, de bebidas a brinquedos. São elas que geram 170 mil empregos diretos, com impactos no comércio e no setor de serviços. Oitenta por cento do Produto Interno Bruto do Estado, que corresponde a 1,6% do PIB brasileiro, se concentram na capital. O PIB industrial manaura é o terceiro do país, atrás apenas do de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Ainda assim, dados do "Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus 2009-2014" da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a autarquia que responde pela gestão do polo industrial, revelam que os custos de produção têm impactos negativos cada vez maiores. Há cinco anos, insumos como salários, encargos e benefícios sociais e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) chegavam a R$ 26,7 bilhões - ou 48,2% da receita total de R$ 55,4 bilhões.

No ano passado, a taxa já era de 54,04% - ou R$ 48,5 bilhões de custos para uma receita total de R$ 89,9 bilhões. Levantamento do especialista Augusto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas e coordenador do comitê de logística do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas, aponta para uma queda na participação do Polo Industrial de Manaus no PIB nacional, de 2,14%, em 2005, para 1,57%, em 2012, por conta da perda de competitividade com o declínio da infraestrutura logística e outras deficiências do custo Brasil associadas ao custo Amazonas.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

GEOGRAFIA DIFICULTA OPÇÃO PELO MODAL FERROVIÁRIO
Publicado em 08/22/2014 as 02:10 PM

Hélio Fernandes: “A infraestrutura na Amazònia mal chegou ao século 20”

A construção e até a reforma de rodovias de acesso às localidades mais remotas da Amazônia, que garantam o suporte logístico essencial à economia, esbarram quase sempre em dois obstáculos equivalentes ao tamanho da região: a preservação ambiental e a segurança das populações indígenas. A alternativa de substituição pelo modal ferroviário, solução proposta pelos ambientalistas para a ligação entre Manaus e Porto Velho, que atravessa um parque nacional e uma reserva indígena, encontra resistência no custo inicial e nas dificuldades geográficas para a implantação do projeto.


O óbvio, que é o transporte hidroviário, dependeria de investimentos em portos de carga, terminais de passageiros e até em sistemas de sinalização que demarquem as hidrovias. O modal aéreo oferece perspectivas, mas, de acordo com especialistas, enfrenta restrições de capacidade e custo operacional em um país com aviação regional subdesenvolvida.
"As prioridades um, dois, três e quatro deveriam ser a hidrovia. Só depois se poderia pensar em ferrovias em eixos estratégicos com menos impacto ambiental que a rodovia, que abre muito espaço para a grilagem e a exploração das madeireiras", diz Virgílio Vianna, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável. "Quando se fala de rodovias, os impactos são muito grandes, mas mesmo as ferrovias são obras complicadas de serem implantadas", afirma José Hélio Fernandes, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC).

"O desenvolvimento sustentável preconiza um tripé: econômico, social e ambiental. Qualquer um dos três que se sobreponha ao outro desfaz o equilíbrio. Hoje a Amazônia não está integrada ao Brasil. Sob a ótica da infraestrutura, mal chegou ao século 20", diz o doutor em engenharia de transportes Augusto Rocha.

Para muito além do debate ambiental, a interiorização de rodovias é considerada importante para o desenvolvimento econômico da região. A criação de uma rota alternativa multimodal até a ferrovia Norte-Sul em Tocantins poderia representar uma economia de até 30% no frete e serviria para o escoamento da produção de soja das fronteiras agrícolas até os portos do Pará e do Maranhão.

A recuperação da BR-230, a Rodovia Transamazônica, com mais de 4 mil quilômetros, ligando as cidades de Cabedelo, na Paraíba, a Lábrea, no Amazonas, é defendida por Augusto Rocha desde que adotado um modelo de gestão ambiental. As obras da BR-319, entre Manaus e Porto Velho, estão paradas à espera de licenciamento ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), de acordo com o portal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A conclusão do asfaltamento dos 3.467 quilômetros da BR-163, que liga Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará, pode reduzir em dois ou três dias o percurso entre Manaus e São Paulo e permitir que parte da soja do Centro-Oeste não precise descer para os portos da região Sul para ser embarcada para o mercado exterior.

A construção de aeroportos nas microrregiões do Amazonas, com a utilização de pistas no rio para hidroaviões e pistas em solo para aviões convencionais, com pelo menos um terminal de cada tipo em todas as microrregiões do Estado, seria um esforço importante para a integração regional. A ideia é que as calhas dos rios maiores tivessem também um aeroporto a cada 600 quilômetros para permitir a presença de tráfego aéreo para os Estados mais desenvolvidos.

A construção da segunda pista do Aeroporto Eduardo Gomes seria importante para garantir a movimentação caso uma aeronave enfrente problemas mecânicos na única pista que hoje existe no terminal.

"O problema logístico é muito sério na Amazônia", diz Virgílio Vianna, da Fundação da Amazônia Sustentável. "A multimodalidade de transportes é o que ainda dá suporte ao escoamento da produção da região, mas é importante conciliar alternativas ambientais e economicamente satisfatórias", diz Fernandes, da NTC.

"Há uma equação dúbia quando se trata da Amazônia: por um lado se quer desenvolvimento, mas todos com um mínimo de consciência desejam também a preservação da floresta. O desafio é conseguir as duas coisas e o desenvolvimento sustentável parece ser um bom caminho para superar o dilema", diz o professor Rocha.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ROTAS ALTERNATIVAS AJUDAM A ESCOAR AS SAFRAS
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

Duto de transporte em Barcarena: custos logísticos entre os mais altos do país

A logística deficiente é um dos maiores gargalos do setor produtivo que atua na região Norte, mas algumas rotas alternativas têm sido criadas nos últimos anos, abrindo novas possibilidades para empresas do setor agrícola e industrial escoarem sua produção, seja para o exterior, seja para os mercados do Sul e Sudeste. Esse movimento contribui para a redução dos custos logísticos regionais.

Recentemente, a Bunge, uma gigante do agronegócio, inaugurou uma nova rota de exportação, com a abertura de terminais portuários nas cidades paraenses de Miritituba e Barcarena, o que possibilita o uso da hidrovia Tapajós-Amazonas. A navegação pelo rio eliminará mais de três mil viagens de caminhões por mês, que antes levavam os grãos do Centro-Oeste aos portos do Sul e Sudeste.

O projeto se tornou factível após o anúncio de que a BR-163 sairia do papel. No primeiro ano de operação o complexo terá capacidade de escoamento de até 2,5 milhões de toneladas de grãos. Considerando-se que a BR-163 esteja totalmente asfaltada, é esperada redução de mais de 20% no tempo total da viagem. Há potencial para dobrar o volume e chegar a cerca de quatro milhões de toneladas.

Outra gigante mundial do agronegócio, a ADM informou, também recentemente, estar autorizada oficialmente a utilizar o terminal portuário de Ponta da Montanha, na região de Barcarena, a 20 quilômetros de Belém, no Pará. O terminal servirá para agilizar o escoamento de grãos (sobretudo soja e milho) da empresa. A instalação tem capacidade para movimentar 1,5 milhão de toneladas nesta primeira fase de operações, mas o volume poderá alcançar 6 milhões de toneladas por safra na segunda fase, prevista para 2016.

"Outras empresas, com destaque para o setor agrícola, estão investindo em terminais no Pará para aumentar as opções de multimodalidade, com destaque para as hidrovias. Com essas opções, as empresas ganham um caminho mais rápido para escoar a safra de grãos do Centro-Oeste. Fica mais competitivo trazê-la pelo Norte do que por Santos ou Paranaguá", destaca Hito Braga, professor do de engenharia naval da Universidade Federal do Pará.

Com a multimodalidade, os custos caem e ganha-se rapidez. Mas esse cenário trará maior pressão sobre a capacidade de escoamento dos portos do Arco Norte. "Com certeza haverá pressão, mas há muitos projetos de terminais privativos que poderão sair do papel", afirma Braga. Outra opção é a navegação de cabotagem, que cresce a ritmo anual de dois dígitos nos últimos cinco anos no Brasil. "O maior potencial está na conversão das cargas do modal rodoviário para a cabotagem", observa Vital Jorge Lopes, presidente da Log-In.

Duto de transporte em Barcarena: custos logísticos entre os mais altos do país



A empresa inaugurou, em maio, uma nova operação para cargas produzidas no polo industrial de Manaus, que permitirá que os navios atendam aos mercados de São Paulo e região no mesmo tempo de viagem do transporte rodoviário - cerca de dez dias. Antes, o transporte entre Manaus e Santos levava 14 dias. "Temos espaço para escoar algumas cargas pela cabotagem, com um frete que pode ser 25% a 30% mais barato", relata Vital Jorge Lopes, presidente da empresa. O maior potencial de atração dessa nova rota expressa está na indústria de eletrodomésticos e eletrônica no polo industrial de Manaus. O serviço também vai conectar os portos de Fortaleza, Suape e Salvador, de olho na instalação de um polo petroquímico no Nordeste e na abertura de fábricas de montadoras na região.

As novas rotas poderão mudar um pouco o panorama regional. Os custos logísticos hoje na região estão entre os mais elevados do país. Pesquisa do professor Augusto César Barreto Rocha, da Universidade Federal do Amazonas, aponta que hoje é mais caro transportar uma carga de Manaus para Santos do que de Xangai, na China, para o mesmo destino. A diferença é de mais de 63% quando se compara o transporte de um contêiner entre as duas rotas.

"O que leva a esses custos é a soma do Custo-Brasil ao Custo-Amazônia, associado à baixa competição. Existe hoje uma consolidação das empresas de transporte no Brasil, onde cada vez menos empresas operam no setor. Para o professor, uma das saídas para reduzir os custos logísticos é facilitar a instalação de novos Terminais de Uso Privado e de um porto público em Manaus, aumentar o calado em alguns pontos, permitindo a operação de navios maiores, além de desenvolver novas tecnologias para sinalização, dispensando o uso de práticos na região amazônica.

A região Norte possui o maior potencial hidrelétrico do país, com cerca de dois terços da disponibilidade de recursos existentes, mas a construção das usinas não tem sido feito em paralela com a instalação de eclusas, o que permitiria a navegação nos rios depois que as barragens são erguidas. A eclusa custaria menos de 5% do valor da hidrelétrica. "As eclusas deveriam ter sido construídas junto com as hidrelétricas. Hoje parece um sonho cada vez mais distante.

Outro obstáculo é a precariedade das estradas. O acréscimo médio do custo operacional devido às más condições do pavimento é de 25% no Brasil. As regiões Sul e Sudeste apresentam as melhores condições de asfalto, com custos operacionais de 19% e 21%, respectivamente. Já o Norte apresenta o pior: 39,5%. O número é resultado direto das condições das estradas na região: o Pará e o Acre lideram o ranking entre os Estados com as piores estradas do país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

GRANDES OBRAS ELEVAM RISCO DE DEGRADAÇÃO DA FLORESTA
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

Grandes obras na região amazônica são normalmente o primeiro passo para a abertura de novas frentes de desmatamento e degradação da floresta. Mesmo conhecendo o problema, autoridades e agentes financeiros evitam entrar em detalhes sobre as compensações ambientais necessárias a esses empreendimentos e limitam as informações a respeito.

O Banco Nacional de Desen3 volvimento Econômico e Social (BNDES) informa que "exige o cumprimento de todas as legislações aplicáveis e regularidade ambiental" em todos os empreendimentos que financia. Segundo o banco, uma análise de risco socioambiental é feita para cada projeto para criar estudos complementares e solicitar informações adicionais.

Entre as práticas da instituição estão recomendar a reformulação de projetos, oferecer recursos para reforço de medidas mitigadoras em condições especiais e estimular a realização de investimentos sociais e ambientais para o desenvolvimento econômico local. Quando não é possível conciliar as medidas necessárias, o BNDES nega o financiamento. De acordo com a área de comunicação do banco, para o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foi concedido um crédito de R$ 3,2 bilhões para ações ambientais e sociais.

Ainda assim, a falta de coordenação entre agentes financeiros, entidades licenciadoras e os órgãos do Poder Executivo responsáveis pelos investimentos tornam Belo Monte passível de críticas. "Deveríamos olhar para a região e fazer uma abordagem das bacias hidrográficas e fazer um plano de desenvolvimento regional daquela bacia, baseado em um zoneamento, em suas aptidões, uso do solo, e a partir desse plano de desenvolvimento estabelece como a produção de energia poderia ou não ser um fator desejável e como ela se relaciona com esse processo endógeno de desenvolvimento", afirma Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). "Isso não é feito".

Viana aponta a carência desse tipo de ação coordenada justamente no projeto de Belo Monte, "em que todos saem perdendo: os índios, que não foram consultados, a cidadezinha, que recebe um fluxo migratório grande e tem um pós-obra que vai ser um tormento depois que terminou a atividade econômica".

Belo Monte nem é o pior caso, na visão de Nicias Ribeiro, secretário de Energia do Pará. Para ele, a Eletronorte já havia preparado "há 15 ou 20 anos" um Plano de Inserção Regional que contempla não só questões ambientais como também econômicas e sociais. Entre elas, a previsão de aumento das vagas escolares e leitos hospitalares, além de saneamento nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu. Segundo Ribeiro, investimentos em habitação ajudaram a retirar metade das 4 mil famílias que viviam em habitações precárias sobre palafitas em Altamira.
Na visão do superintendente geral da FAS, o melhor caso de contrapartida ambiental entre as grandes obras da Amazônia é a construção do gasoduto Coari-Manaus. Em operação desde 2009, o gasoduto tem 660 quilômetros de extensão e mais 140 quilômetros de ramais e transporta 5,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Segundo Viana, a construção foi precedida de "audiências públicas de verdade", criadas para discutir interesses das comunidades. Desde a reserva de Urucu, o gasoduto corta sete municípios antes de chegar à capital do Estado.

O resultado das audiências públicas fez com que a Petrobras alterasse o traçado da obra com base nas reivindicações e nos novos estudos de impacto ambiental realizados após as audiências. O gasoduto passou a contar com ramais e city gates - saídas de gás - em todas as cidades ao longo do traçado.

O impacto populacional foi reduzido pela adoção de 70% de mão de obra local. Outra vantagem, segundo Viana, foi a inexistência de estradas vivas ao longo do gasoduto, o que impede a ocupação das margens e a exploração ilegal de madeira. Sem estradas, a Petrobras foi obrigada a criar uma rede de fibra ótica para inspecionar o duto. O projeto proporcionou o acesso à rede de fibra ótica por todos os municípios, o que só está se efetivando este ano, diz o superintendente da FAS. No total, segundo a Petrobras, a construção do gasoduto custou R$ 4,5 bilhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ISOLAMENTO ENCARECE A LOGÍSTICA
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

A logística na Amazônia é uma questão ainda sem solução e que só deve começar a ser equacionada no próximo governo. Depois de apresentar, quatro anos atrás, um plano para reduzir o custo logístico da região, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) voltou a debater o problema há dois meses, sem que praticamente nenhum ponto da proposta original tenha sido atacado.

A nova avaliação da entidade feita a partir de levantamentos da consultoria Macrologística indica que se nada for feito até 2020, o parque logístico amazônico terá atingido o limite de sua capacidade. O levantamento calcula que os investimentos necessários nos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário somem R$ 14 bilhões. Segundo a consultoria, o custo logístico da Amazônia é de R$ 17 bilhões por ano. Nos quatro anos desde o levantamento original, não foi concluída nenhuma obra de vulto - a não ser a pavimentação de um trecho da BR-163 (Cuiabá-Santarém). A obra, iniciada ainda no governo Fernando Henrique, só será concluída no próximo ano.

Há dois meses o Ministério da Integração e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) debatem a inclusão dos projetos mapeados pelo estudo na próxima edição do PAC, o Programa de Aceleração do Desenvolvimento, e no PIL (Programa de Investimento em Logística). Lançado em 2012, o PIL até o momento só investiu 7% do previsto. O programa prevê projetos no valor de R$ 240 bilhões.

Desenvolver logística amazônica sem prejudicar a preservação ambiental é um grande desafio, na visão de Augusto Rocha, doutor em engenharia de transporte e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Rocha acredita que a logística amazônica custe entre 30% a 40% mais que no restante do Brasil, devido às dificuldades características da região e a necessidade de estoques maiores que em outras partes do país.

Ele defende a aplicação permanente de 2% do PIB em investimentos logísticos para eliminar os gargalos. Entre eles, o do principal polo industrial da região norte, Manaus. Isolada do restante do país por terra - exceto em relação a Roraima -, a capital do Amazonas enfrenta custos crescentes nas operações portuárias e de navegação. A alternativa ao transporte fluvial é a carga aérea, viável apenas para uma parcela de produtos de baixo volume e alto valor agregado.

A principal ligação por terra de Manaus com o restante do país está hoje parcialmente inutilizada. Um trecho de 400 a 500 quilômetros da rodovia BR-319, que liga a capital amazonense a Porto Velho, em Rondônia, só é transitável em veículo com tração. Sem pavimentação, o trecho foi tomado pela floresta. A recuperação da BR-319 é prevista pelo PIL. A recuperação da rodovia estava prevista na primeira edição do PAC, foi retirada e voltou no plano de logística lançado em 2012, mas até o momento nada foi feito. Além do caminho por Porto Velho, cargas que sigam por carreta para o Nordeste e o Centro-Sul do país têm de enfrentar, antes, o trajeto de mil quilômetros por balsa até Belém.

Discute-se muito a substituição da rodovia por ferrovia no mesmo traçado, ocupando o leito já aberto. A avaliação dos especialistas é que a estrada de ferro reduz o impacto ambiental por ter menor potencial de ocupação de suas margens. A ferrovia está nos planos de obra do governo federal.

"Nós temos uma rede de hidrovias naturalmente fantástica, mas abandonada", comenta Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). "Precisamos de medidas práticas de apoio à navegação, cujo impacto é muito menor que de outros modais, e precisamos também de práticas para atenuar o impacto desse modal."

Segundo ele, as hidrovias "não existem formalmente" no Ministério dos Transportes, mas "estão funcionando a todo vapor". De acordo com Viana, somente a hidrovia do rio Amazonas (Manaus-Belém) gera R$ 80 bilhões por ano. "O que precisa é identificar os gargalos." Ele defendeu o corredor entre Manaus e Porto Velho e as saídas pelos portos fluviais do norte do Mato Grosso e sul do Pará, principalmente para produtos como a soja do Centro-Oeste, hoje sujeita a uma viagem de 2 mil km ou mais por caminhão para os portos do Sul e Sudeste.

Viana criticou a não previsão de eclusas nas obras destinadas à produção de energia nos rios amazônicos, como as do Madeira. A ausência de eclusas impede a navegação por trechos maiores, reduzindo as alternativas da região. A boa notícia é que a Marinha promete começar o balizamento e a sinalização do Madeira.

O presidente da FAS também mencionou a possibilidade de desenvolvimento de uma hidrovia devidamente sinalizada e balizada entre Manaus e Iquitos, no Peru, pelo rio Solimões. Segundo ele, é uma alternativa importante para a Zona Franca de Manaus com vistas às relações comerciais com os países andinos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

TRÊS ESTADOS CONCENTRAM DOIS TERÇOS DO PIB DA REGIÃO
Publicado em 08/22/2014 as 02:08 PM

Criada oficialmente desde 1966 por meio de uma lei do governo Castelo Branco, a Amazônia Legal tem área de 5 milhões de quilômetros quadrados, ocupa 59% do território brasileiro e abrange nove Estados. Está dividida entre Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) e Amazônia Oriental (Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso). O Maranhão é o único Estado cuja área não pertence totalmente à Amazônia Legal.

No total, o Brasil detém 71% da região amazônica, que se estende também por outros cinco países: Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru, totalizando 7 milhões de quilômetros quadrados.

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da região soma R$ 340 bilhões. Dois terços desse total estão concentrados em três Estados: Amazonas, principalmente em virtude da Zona Franca de Manaus, cujo faturamento em 2013 foi de R$ 83 bilhões, Mato Grosso, maior produtor agrícola do país, e Pará.

A região abriga pouco mais de 12% da população brasileira, cerca de 25 milhões de pessoas - dos quais 350 mil índios -, segundo estimativas do IBGE. Em termos econômicos, a região representa apenas 8% do PIB brasileiro. Aproximadamente 38% da população amazônica vive abaixo da linha de pobreza, em localidades cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é inferior a 0,7 - abaixo da média brasileira, de 0,744.

Estudo realizado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) há dois anos constatou que a Amazônia concentra 96 mil quilômetros de estradas, 9,5 mil quilômetros quadrados de terras indígenas demarcadas e 7,2 mil quilômetros de áreas protegidas por unidades de conservação - a maior parte delas constituída por parques nacionais. Estimativas de entidades de conservação do meio ambiente indicam que cerca de 10% das estradas locais são clandestinas, destinadas, principalmente, à exploração de madeira ilegal.

Em território, a Amazônia Legal poderia ser considerada o sexto maior país do mundo. Principal bacia hidrográfica do planeta, tem influência decisiva no clima e no regime pluviométrico de grande parte do Brasil e do Hemisfério Sul. Tanto que a seca deste ano no Sudeste e em parte do Centro-Oeste do país decorre de um sistema de alta pressão que impediu o deslocamento da umidade amazônica para essas regiões. A consequência se deu na cheia na bacia do rio Madeira, em Rondônia. No total, a região apresenta 25 mil quilômetros favoráveis à navegação fluvial, com 20% da água doce disponível e 67% das florestas tropicais do mundo. A ocupação irregular é responsável pela maior parte do desmatamento. Cerca de 60% da região é ocupada por florestas.

A Amazônia é de longe o maior santuário da biodiversidade em todo o planeta. Metade das espécies animais terrestres concentra-se na região. São cerca de 40 mil espécies vegetais, mais de 400 de mamíferos, cerca de 1.300 de aves e um número de insetos ainda não catalogados e calculados na casa dos milhões.

De acordo com o superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana, a entidade começa a participar de uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a sustentabilidade e apressar o desenvolvimento da região sem agredir a floresta amazônica.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

DESAFIO FLORESTAL
Publicado em 08/22/2014 as 02:06 PM

Augusto Rocha, da UFA: "Sem processos produtivos inovadores e utilização de insumos locais, as chances de preservação ambiental são pequenas"

A Amazônia precisa enriquecer para se manter em pé. O grande desafio na região é conjugar crescimento econômico, desenvolvimento social e preservação a partir de modelos de que per mitam gerar riqueza e distribuir renda. Especialistas consultados pelo Valor acreditam que tudo isso precisa estar em sintonia com a realidade atual. É necessário aproveitar as áreas já desmatadas, desenvolver uma economia da floresta e promover a compensação financeira por serviços ambientais. Essa visão é compartilhada em maior ou menor grau por entidades como Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).



"A sociedade brasileira tem a oportunidade única de fazer a prosperidade econômica na região utilizando de maneira mais adequada e mais eficiente as áreas já desmatadas, um pouco mais de 15 milhões de hectares", defende Paulo Moutinho, diretor geral do Ipam. Essas áreas, diz, poderiam ser incorporadas a "uma agricultura mais intensiva, mais moderna e sustentável" e ainda restariam 80% da floresta com cobertura de grande extensão. Essa reserva é fundamental para o clima e a distribuição de chuvas em todo o país. "Nós temos a terra para produzir e o regador na mão, que é a floresta."

A Amazônia desmatada representa 19% do território total, diz Beto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon. Ela poderia tornar-se produtiva com práticas simples, melhorando a agricultura e a pecuária. Para isso, seria preciso dificultar o desmatamento de novas áreas, para que a produção na terra já desmatada torne-se atrativa.

Também é preciso uma solução para regiões de extrativismo vegetal. "São florestas já impactadas, com pátios para manejo de madeira e pequenas estradas para escoamento da produção. Algumas áreas são manejadas corretamente, mas têm uma parcela de corte ilegal", diz Veríssimo.

Nessas áreas também ocorre exploração de castanha, óleos, açaí e pesca. A estratégia para tais regiões seria melhorar o valor agregado dos produtos da floresta. "A madeira gera no mínimo R$ 4 bilhões por ano e parte é ilegal. Existem 1.500 espécies de árvores na região, mas menos de 30 são conhecidas. É preciso pesquisa, ciência e tecnologia para desenvolver o potencial de manejo e de utilização de recursos de forma racional." Segundo o pesquisador, é possível explorar as áreas de forma sustentável. O papel de investir é do setor privado, mas o governo tem da agir como fomentador, diz.

Para os especialistas, a abordagem precisa incluir outros modelos econômicos já existentes ou de grande potencial de desenvolvimento. Um deles é a atividade no Polo Industrial de Manaus. A concessão da Zona Franca foi prorrogada até 2073 e isso é importante, porque consolida "um modelo benigno para a proteção da floresta, porque concentra a atividade econômica ao redor de Manaus", afirma Virgílio Viana, superintendente geral da FAZ. Ele é partidário da tese de que a Zona Franca concentra 80% do PIB do Amazonas na capital, em apenas 2% da área, mantendo intacta mais de 90% a cobertura vegetal.

A tese tem opositores. Tradicionalmente, o desmatamento ocorre pelas bordas da floresta, argumenta Veríssimo. O Amazonas ocupa uma posição central na floresta e somente agora o desmatamento chegou ao sul do Estado, diz. Então, não está comprovado que o modelo da Zona Franca seja uma vacina antidesmatamento.

A interiorização do desenvolvimento sem um modelo sustentável traz risco para a floresta, pondera Augusto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas. Para evitar que isso ocorra é preciso cidades com infraestrutura de transporte e energia, capazes de produzir bens a partir de recursos naturais locais. "Sem infraestrutura, com dificuldade para processos produtivos inovadores e pouco insumo local, a chance de preservação é pequena."



Como já existe, a Zona Franca tem de fazer parte da estratégia de desenvolvimento. Uma das possibilidades é reduzir o peso da montagem de eletrônicos, feita basicamente com insumos importados, para dar lugar a uma produção mais afinada com as vocações locais, propõe Viana. "A Zona Franca do futuro deverá ter polos de biocosméticos, biofármacos, madeira, móveis e nutricêuticos - alimentos de alto valor nutricional -, como o açaí."

A farmacêutica Novamed, controlada pelo grupo da produtora de genéricos EMS, por exemplo, está concluindo uma fábrica com investimento de R$ 385 milhões em Manaus. A unidade começa a funcionar ainda este ano, para produzir comprimidos e cápsulas, segundo a empresa. A empresa pretende, no futuro, desenvolver capacitação de pessoal e pesquisa para desenvolvimento de conteúdo local. Com geração de 500 empregos diretos e 2 mil indiretos, poderá produzir 1,5 bilhão de comprimidos por mês.

É importante distribuir a atividade econômica e a prosperidade social para tornar as condições de vida mais equilibradas em relação ao restante do país. Isso só poderá ser feito "ouvindo as pessoas, construindo propostas coletivas, buscando explicitar conflitos, promovendo inclusão social que signifique também uma inclusão política", pondera Daniela Gomes, especialista da GVCES, o centro de estudos em sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas. "Ou seja, a população daquele território precisa trazer seu posicionamento, ser efetivamente protagonista de seu destino."

Um dos desafios é melhorar os indicadores de qualidade de vida. Somente os Estados de Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima e Amapá estão próximos ou dentro da média brasileira de 0,774 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Pará, Acre, Tocantins e Maranhão têm IDH abaixo de 0,7. No IDH, quanto mais próximo de 1, maior o grau de desenvolvimento. As carências vão ficar ainda mais claras a partir do próximo dia 26, quando o Imazon lança seu Relatório de Déficit Social da Amazônia.

"O novo IDH municipal, lançado em 2013, traz uma alteração metodológica importante de se entender, para se pensar em políticas públicas", afirma Daniela. Para ela, as características do indicador forçarão a manutenção das crianças na escola. "É fundamental que, para melhorar o IDH dos municípios amazônicos, haja atenção à qualidade do ensino."

Programas voltados para a preservação também podem contribuir. É o caso, por exemplo, do programa ICMS Verde do governo do Pará. Embora já exista em outros Estados, o modelo paraense prevê repasses maiores para os municípios que tiverem redução de desmatamento, que cumprirem metas ambientais, entre outros critérios. Em oito anos, o ICMS Verde vai distribuir R$ 280 milhões. Do total de repasse aos municípios, 11% são distribuídos pela regra ambiental.

Os recursos também poderiam vir do pagamento por serviços ambientais da Amazônia ao país e ao mundo. A iniciativa geraria de R$ 10 bilhões a R$ 20 bilhões para ser investidos na região por ano, calcula o superintendente da FAS. Viana defende várias formas de gerar esses recursos, seja pela cobrança de adicionais nas contas de água ou de energia do Centro-Sul.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

SINAL VERDE PARA A MAIOR TRADING GLOBAL DE AÇÚCAR
Publicado em 08/22/2014 as 02:05 PM

A joint venture formada pela brasileira Copersucar e a americana Cargill já tem um nome: Alvean. Segundo comunicado das empresas, as autorizações regulatórias já foram cumpridas e a empresa tem previsão de começar a operar em 1º de outubro. A Alvean inicia agora a integração das atividades globais de originação, comercialização e negociação de açúcar bruto e branco.

Conforme anunciado em março, a Alvean reunirá duas das operações de comércio de açúcar mais importantes do mundo. "Nossos clientes se beneficiarão das forças complementares da Copersucar e Cargill", afirmou em nota Ivo Sarjanovic, novo CEO da Alvean. "Teremos uma sólida cadeia de suprimentos global combinada, uma presença mundial e excelente gestão de logística". Sarjanovic anteriormente dirigiu o negócio de açúcar global da Cargill.



Soren Hoed Jensen, diretor de operações da Alvean, explicou que a expressão "Alvi", deriva da palavra latina albus, que significa branco/cristalino. "Simboliza nosso compromisso de ser ético e inclusivo perante nossos parceiros". O sufixo 'an' traz a noção de movimento, expressando o dinamismo do mercado de açúcar, disse.

As atividades de comercialização terão sede em Genebra, Suíça. A empresa terá escritórios em Bancoc, Bilbao, Déli, Dubai, Hong Kong, Jacarta, Moscou, São Paulo e Xangai.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ÁREA DE ALGODÃO DEVE CAIR 12% EM 2014/15
Publicado em 08/22/2014 as 02:04 PM

À espera de ajuda do governo para vender o algodão que está sendo colhido agora, os produtores da pluma no Brasil já se preparam para colocar o pé no freio no cultivo de 2014/15, que começará em novembro. A Abrapa, associação que representa os produtores brasileiros de algodão, estima que essa redução ficará em cerca de 12%.

Isso significa o plantio de uma área próxima de 990 mil hectares, ante os 1,121 milhão de hectares cultivados em 2013/14. O presidente da Abrapa, o produtor Gilson Pinesso, afirma que o cenário é "desanimador". Nesta semana, a entidade pediu oficialmente ao governo federal ajuda para vender a safra que está sendo colhida.

O pedido é de recursos da ordem de R$ 450 milhões, para dar suporte à comercialização de cerca de 1 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de 57% da produção esperada pela entidade, de 1,750 milhão de toneladas.

Os preços de mercado, diz Pinesso, já estão abaixo do preço mínimo definido pelo governo federal. Em Itiquira (MT), por exemplo, está na casa dos R$ 51,70 a arroba, ante o preço mínimo que é de R$ 54,90.

Conforme a Abrapa, os produtores de algodão do Estado colheram até agora um pouco mais da metade da área plantada no ciclo 2013/14. Pinesso estima que, na média, o país colheu 65% da área. O Estado da Bahia é o que está com os trabalhos mais adiantados, segundo Pinesso, na casa dos 70%. Em Mato Grosso, esse percentual está em 55%, segundo o dirigente. A previsão da Conab é de colheita total de 1,7 milhão de toneladas.

"Já pedimos R$ 450 milhões ao governo para suporte à comercialização de 1 milhão de toneladas", diz Gilson Pinesso



A estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) é de que 1 milhão de toneladas da pluma da safra que está sendo colhida já tenham sido vendidas até o momento. O presidente da Anea, Marco Antonio Aluisio, é de que em torno de 750 mil toneladas tenham sido comercializadas antes de maio, ou seja, antes da colheita e a preços mais elevados, na casa dos 80 centavos de dólar por libra-peso - ontem, o contrato para entrega em dezembro fechou na bolsa de Nova York a 64,16 centavos de dólar, em alta de 32 pontos, após a queda de 51 pontos do dia anterior (terça-feira).

Em torno de 730 mil toneladas da pluma devem ser exportadas no ciclo 2013/14, segundo a Anea. Já o volume consumido no mercado interno tende a cair na visão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). A entidade estima que o uso de algodão por essa indústria no Brasil deve ficar entre 750 mil e 800 mil toneladas. "Há percepções de que esse número pode cair a 720 mil toneladas", diz o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel. As perspectivas representam uma forte retração em relação ao consumo de 850 mil toneladas de algodão realizado pela indústria têxtil em 2013.

O que ocorre, explica Pimentel, é que a importação de produtos têxteis continua a crescer, enquanto o consumo desses produtos e de calçados recuou 0,7% no primeiro semestre deste ano. Pesa ainda na desaceleração da indústria o elevado custo com energia. "As indústrias estavam descontratadas e se depararam com a necessidade de comprar energia a um custo de R$ 800 o Megawatt/hora, ante o preço médio do ano passado na casa dos R$ 150 MWh", comparou Pimentel.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

"GREENING" JÁ AMEAÇA TIRAR A FLÓRIDA DO MAPA CITRÍCOLA
Publicado em 08/22/2014 as 02:02 PM



Os turistas fluem para a Flórida em seus carros para passar uma semana na Disney, uma temporada à beira-mar ou para curtir uma das festas sem fim que agitam South Beach. Cansados e com sede, chegam a um dos cinco centros oficiais de boas vindas e logo se deparam com cartazes que destacam, em letras garrafais, o suco de laranja local, um dos principais produtos da economia do Estado americano.



Provocada por uma bactéria e disseminada por um inseto, greening, que chega a provocar a morte das plantas, ameaça uma indústria de US$ 9 bi na Flórida

No passado, um tapete verde-esmeralda formado por pomares de citros cobriam mais da metade da Flórida - de Jacksonville, no nordeste, à Miami, na costa, passando pelos parques de Orlando. Especialmente as laranjas se tornaram sinônimo de uma Flórida quase mágica. Durante décadas, a citricultura resistiu a geadas, furacões e ao desenvolvimento econômico desenfreado.

Mas, agora, essa cadeia produtiva de US$ 9 bilhões enfrenta seu maior desafio: o greening, doença bacteriana batizada na China, onde foi identificada pela primeira vez, como "dragão amarelo" (huanglongbing, em chinês), cujo vetor é um inseto não maior do que as borrachas que ficam na ponta dos lápis. O psilídeo em questão não é nativo da Flórida e provavelmente chegou ao Estado "carregada" por algum viajante.

Na Flórida, o "asian citrus psyllid" foi identificado pela primeira vez em 1998, e sua proliferação pode ter sido facilitada pelos fortes ventos e furacões que costumam castigar o Estado. A doença em si, que prejudica o sistema vascular das plantas e normalmente causa sua morte, emergiu em 2005. Ainda não há cura conhecida contra o greening - que também prejudica pomares no Brasil.

Praticamente todo o cinturão citrícola da Flórida atualmente está afetado, em diferentes intensidades, pelo greening. Pesquisadores, produtores e especialistas concordam que a crise já começa a comprometer o peso e a imagem de destaque do Estado no segmento.

Na safra passada (2013/14), a colheita de laranja na Flórida rendeu 104 milhões de caixas de 40,8 quilos, e a tendência para 2014/15 é que o volume seja ainda menor. Em 2003, dois anos antes da descoberta do greening em suas fronteiras, foram 243 milhões de caixas.

"Isso afeta o Estado como um todo, com forte impacto econômico", afirma Adam Putnam, comissário de Agricultura da Flórida, cuja família produz laranja desde o início do século XX. Conforme especialistas, se uma solução não for encontrada, toda a indústria local de citros entrará em colapso.

Se isso acontecer, estima-se que "packing houses" e unidades de processamento para a produção de suco terão de fechar por causa da falta de frutas. No total, são cerca de 75 mil empregos em jogo.

O avanço da doença coincide com a insistente queda da demanda global por suco de laranja, em parte por causa do avanço de bebidas concorrentes mais baratas no mercado. No grande varejo americano, por exemplo, o consumo já recuou ao menor nível em 12 anos. Os dois fatores - greening, que afeta a oferta, e consumo americano têm "duelado" na formação das cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na bolsa de Nova York nos últimos tempos.

"Estamos lutando por nossa vida", afirma Michael Sparks, CEO do Florida Citrus Mutual, braço de marketing e lobby dos citricultores do Estado americano. Desde 2008, já foram gastos US$ 90 milhões em pesquisas sobre o greening, e boa parte desses recursos saiu do bolso dos próprios produtores. Em 2014, o orçamento federal também incluiu outros US$ 125 milhões para pesquisas nessa frente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

INDÚSTRIA DA AVIAÇÃO DESENVOLVE TECNOLOGIA PARA AJUDAR PILOTOS A POUSAR NA NEBLINA
Publicado em 08/22/2014 as 02:02 PM

A Rockwell Collins Inc. e outros fabricantes de equipamentos para o cockpit de aviões estão desenvolvendo tecnologias para combater um grande motivo de frustração para os passageiros das companhias aéreas: voos que são cancelados ou desviados devido à má visibilidade no destino programado.

Usando imagens coloridas geradas por computador, e às vezes aperfeiçoadas por fotos aéreas infravermelhas das pistas de decolagem e seus arredores, a Rockwell, a Honeywell International Corp. e outros fabricantes tentam reduzir esses transtornos na programação dos voos e perda de receita para as aéreas.

Os novos sistemas de bordo para pouso estão ganhando força e parecem prontos para receber novas aprovações regulatórias nos dois lados do Atlântico. Com imagens coloridas em alta resolução das pistas e outros recursos, eles foram desenvolvidos para permitir que muitos aeroportos que não têm os mais modernos aparelhos terrestres de auxílio à navegação permaneçam abertos com mau tempo.

Nos Estados Unidos, os sistemas permitiriam pousos com baixa visibilidade que hoje são proibidos em dezenas de aeroportos pequenos e médios.

Segundo os proponentes, o resultado seria aumento de capacidade e maior segurança, já que os pilotos receberiam um volume consideravelmente maior de detalhes sobre o terreno ou possíveis obstáculos.

O objetivo final, segundo essas pessoas, é eliminar por completo a necessidade de enxergar a pista física. A tripulação de um jato ou jatinho executivo poderia prosseguir na aproximação com baixa visibilidade praticamente o trajeto inteiro até pousar no chão, mesmo sem poder ver a pista real.

Os reguladores ainda têm um longo caminho pela frente antes de dar sinal verde para mudanças tão radicais. Antes que as regras atuais possam ser revistas em milhares de aeroportos do mundo todo, os fornecedores dos sistemas precisam demonstrar que as imagens virtuais são tão seguras e confiáveis quanto as normas atuais, que exigem que o piloto de fato veja a pista real pouco antes de pousar.

"Definitivamente, é uma grande tendência" e o progresso até agora "é enorme", disse Kent Statler, diretor de operações da divisão de produtos comerciais da Rockwell, numa apresentação durante a feira internacional de aviação de Farnborough, Inglaterra, realizada em julho. Contando com sensores capazes de enxergar em meio ao nevoeiro, seja qual for a temperatura ou umidade, acrescentou, a Rockwell dedicou "muito tempo"desenvolvendo esses equipamentos, e avanços significativos provavelmente virão "no futuro bem próximo".

Evitar desvios de voos devido ao mau tempo "sem dúvida economiza combustível e poupa tempo", diz Chris Benich, diretor de questões regulatórias da divisão aeroespacial da Honeywell. Os produtos da empresa procuram "extrair o máximo de proveito [dessa tecnologia]" e, ao mesmo tempo, reduzir os custos do investimento para as aéreas", diz o executivo.

Hoje, uma porcentagem relativamente pequena de companhias aéreas é capaz de pousar com visibilidade quase nula. Os jatos mais avançados pousando nos aeroportos mais bem equipados podem usar sistemas totalmente automatizados em casos em que uma forte tempestade, nuvens baixas ou neblina impedem a maioria dos outros aviões de pousar. Dependendo das preferências dos pilotos, equipamentos de pouso automático também podem usar computadores para aplicar os freios, reduzir a potência do motor e até mesmo taxiar pelo meio da pista.

Em poucos anos, espera-se até a adoção de sistemas automatizados para taxiamento que vão dirigir as aeronaves pela pista e usar motores elétricos acoplados ao trem de pouso para encaminhá-las ao portão de desembarque, tudo isso sem comandos diretos do piloto.

Mas nos EUA, por exemplo, a maioria dos voos das companhias aéreas não se enquadra nessas categorias. Quando um piloto de uma aérea do país faz uma aproximação para um aeroporto que está com muito nevoeiro, sem poder contar com a mais recente tecnologia de pouso automático, em geral, ele precisa avistar a pista antes de descer abaixo de 200 pés (60 metros). Com treinamento e equipamentos especiais, a tripulação de cabine de algumas aeronaves e jatinhos pode baixar até 100 pés (30 metros) antes de decidir se consegue enxergar pelo para-brisa um trecho da pista que seja suficiente para pousar.

Caso contrário, o piloto deve abandonar imediatamente a aproximação, subir novamente, afastar-se do aeroporto e passar a voar em círculos, ou rumar para outro local.

O equipamento de última geração em desenvolvimento tem a meta de derrubar esses antigos limites na altitude permitida para aterrissar e, ao mesmo tempo, permitir pousos quando o piloto não consegue enxergar mais que 400 metros de pista logo antes de pousar.

No ano passado, a Administração Federal da Aviação dos EUA (FAA) propôs regras que permitiriam, pela primeira vez, que o piloto possa adiar a decisão de não pousar até que o avião esteja a menos de 100 pés da pista, usando visão aperfeiçoada, ou a chamada visão "sintética". Mas o cronograma para uma decisão normativa ampla não é claro, e os regulamentos podem acabar exigindo aprovação individual para sistemas específicos em várias categorias de aeroportos.

Uma porta-voz da FAA não quis comentar.

A Rockwell aposta na reprodução de imagens e certos dados dos instrumentos do painel no para-brisa da aeronave. A empresa afirma que já completou mais de 140 testes de aproximação e pretende iniciar voos para certificação em 2015.

Há dois anos, a Rockwell conseguiu um sucesso de marketing quando os reguladores da aviação chinesa se comprometeram a instalar esses sistemas da empresa, os chamados "heads up displays" em centenas de novos jatos 737 da Boeing Co. e, potencialmente, de vários outros modelos de aeronaves. Os dispositivos permitem que os pilotos se concentrem em olhar para a frente, em vez de ter que abaixar a vista para examinar os instrumentos no painel durante os pousos e decolagens.

A Honeywell se concentra no que descreve como um sistema mais barato, chamado SmartView, que usa os visores tradicionais no painel. Nos próximos anos, a Honeywell espera que versões mais avançadas sejam instaladas em uns dez ou doze modelos diferentes de aeronaves, incluindo um jato regional.

Executivos da Honeywell já argumentaram que sua solução de unir uma base de dados digital com uma câmera infravermelha é capaz de dar ao piloto o máximo de informação e uma fidelidade de imagem incomparável, sem os custos adicionais de aquisição e manutenção associados com a instalação de visores de para-brisa.

Só no Aeroporto Internacional de San Diego, na Califórnia, a empresa já estimou que o uso amplo do seu sistema poderia permitir o pouso de centenas de voos adicionais anualmente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

VALE RECEBE LICENÇA PRÉVIA PARA AMPLIAR PRODUÇÃO EM SERRA NORTE
Publicado em 08/22/2014 as 02:01 PM

A Vale conseguiu a licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ampliar a produção de minério de ferro na Serra Norte de Carajás, no Pará. O licenciamento, permitindo a expansão da lavra nas minas N4 e N5, em Carajás, era esperada com expectativa pelo mercado e pela própria empresa. A licença prévia, resultante do chamado Estudo Global das Ampliações (EIA Global), foi assinada pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi Junior, conforme antecipado ontem pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

No começo da noite, a Vale divulgou nota na qual informou que o licenciamento do Ibama compreende a ampliação das cavas N4WS, N5S, Morro I e Morro II. Com exceção da mina N5S, onde a Vale opera com restrições, as demais minas ainda não foram exploradas. Juntas as quatro minas contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas, segundo a mineradora. A Vale disse que a licença dá permissão para formar pilhas de estéril (resíduos) no Sistema Norte de Carajás. Segundo a companhia, os próximos passos no processo de licenciamento ambiental será obter as licenças de instalação e operação, assim como a autorização para supressão vegetal.

Em nota, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que o EIA Global representa passo importante para o crescimento da produção de minério de ferro e para o alcance da meta de produção da companhia. A Vale espera produzir 312 milhões de toneladas e vender 321 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano. Estimativa anterior da companhia estimou que o EIA Global poderia liberar 1 bilhão de toneladas em reservas para a Vale em Carajás.

Licenciamento do Ibama para quatro minas em Carajás contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas de minério

O Ibama também divulgou nota na qual afirmou que o licenciamento para as ampliações das minas N4 e N5 representa uma consolidação do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo instituto, desde 2002, na busca contínua por melhorias na gestão ambiental do empreendimento. "O Plano das Ampliações contempla não somente a lavra de corpos minerais, mas também avança no sentido de possibilitar a utilização de estruturas de beneficiamento já implantadas como usinas, correias transportadoras, acessos viários, pilhas de estéril e estruturas administrativas", disse o Ibama, em nota.

A previsão, segundo o instituto, é a implementação de 1.246 hectares de pilhas de disposição de estéril em áreas de cava já lavradas, reduzindo, assim, a influência sobre áreas naturais da Floresta Nacional de Carajás (Flona), onde se situam as minas da Vale. O Ibama também destacou a interação técnica com o o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que propiciou melhora na conservação das áreas de ocorrência de canga, ambientes naturais associados a depósitos de minérios de ferro, e do patrimônio "espeleológico" (cavernas) presente na Flona de Carajás.

Na sexta-feira, conforme noticiado pelo Valor PRO, o ICMBio já havia autorizado o Ibama a conceder a licença. A autorização do ICMBio ao Ibama é uma condição prevista na lei 9.985, de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Uma das condicionantes impostas pelo ICMBio é o avanço de estudos da área de canga, um dos dois ecossistemas da Flona. O outro é a floresta. A canga é uma savana adaptada ao solo rico em ferro e possui fauna e flora típicos.

O desafio é buscar a compatibilidade entre mineração e biodiversidade na Flona, que ocupa área total de 392.725 hectares. Desse total, 11.380 hectares correspondem à canga, segundo o ICMBio. Nas contas do instituto, as expansões nas minas N4 e N5 mais a exploração do projeto S11D, o maior projeto da história da Vale, também em Carajás, vão aumentar de 21% para 34,6% a supressão da área de canga na Flona. Mesmo assim, não há risco ainda de perda da biodiversidade, segundo afirmação do ICMBio. Outra discussão é a mineração perto de cavernas, classificadas em categorias. Há cavernas consideradas de baixa, média, alta e máxima relevância.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO SOBE 1,7% EM JULHO
Publicado em 08/22/2014 as 02:01 PM

A produção global de aço bruto cresceu 1,7% em julho, em relação ao mesmo mês de 2013, mostrou ontem a Worldsteel Association, entidade que reúne dados do setor em 65 países. Frente a junho, contudo, o volume de 136,8 milhões de toneladas ficou praticamente estável.

Na China, maior produtora do insumo no mundo, a produção cresceu 1,5% em comparação anual, para 68,3 milhões de toneladas. Perante o mês anterior, por outro lado, houve queda de 1,5%. Nas duas análises, a atividade encolheu. Em junho, a alta anual havia chegado a 4,5%, ou seja, a expansão de julho representa desaceleração.

Dentre outros países importantes para o setor siderúrgico, o Japão viu seu volume produzido ficar estável em um ano, terminando em 9,3 milhões de toneladas em julho. Ante junho, a alta foi de 1,9%. Na Coreia do Sul, a produção de 5,9 milhões de toneladas representou avanço de 6,2% e recuo de 2,5%, respectivamente.

Nos 28 mercados da União Europeia, a produção apurada foi de 13,3 milhões de toneladas no sétimo mês do ano. A quantidade significou queda de 2% em um ano e baixa de 6,3% em um mês. Já no Brasil foi observado leve aumento de 0,5% frente ao mesmo mês do ano passado, para 2,9 milhões de toneladas. Ante junho, a alta foi forte em 9%.

O relatório da Worldsteel publicado ontem mostra ainda que a utilização de capacidade instalada pelas siderúrgicas mundiais atingiu 75,4% em julho. Na comparação anual, a redução foi de 1,2 ponto percentual, enquanto em relação a junho foi de 2,9 pontos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

FABRICANTES DE MÁQUINAS ELEVAM EXPORTAÇÃO NO ANO
Publicado em 08/22/2014 as 01:58 PM

Sem crescimento da demanda no mercado doméstico e com capacidades de produção expandidas após investimentos nos últimos anos, fabricantes de máquinas e equipamentos têm buscado mais clientes fora do país. A aceitação dos equipamentos brasileiros tem sido positiva, segundo os dados do setor. De janeiro a junho, os embarques somaram US$ 6,6 bilhões, 20% acima do valor do mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O valor das vendas ao exterior foi o maior desde o inicio da série histórica de dados da Abimaq e nada menos do que 44% do total do faturamento do setor na primeira metade do ano, muito acima da média histórica de 32%.

O principal destino das máquinas brasileiras continua sendo a América Latina, com um terço do total, embora a participação da região esteja em queda nos últimos quatro anos. Estados Unidos e Europa, segundo e terceiro colocados, elevaram as compras em dois dígitos, conforme os dados da Abimaq.

O aumento das exportações é positivo não apenas por ajudar o desempenho do setor, mas vem contribuindo também para reduzir o déficit industrial brasileiro. Com o aumento das exportações, ao mesmo tempo em que as importações encolhem com a queda da demanda interna, o déficit da balança comercial do setor caiu 25% neste ano. O saldo negativo do setor é de US$ 8 bilhões na primeira metade do ano, já que as importações totalizaram US$ 14,6 bilhões.

Por outro lado, o aumento das exportações é interpretado pela Abimaq como consequência do enfraquecimento do mercado local e, portanto, motivo para preocupação, não para comemoração. O consumo aparente de máquinas e equipamentos no país caiu 13% no primeiro semestre, de acordo com a Abimaq, para R$ 54 bilhões.

Entre as máquinas com aumento mais expressivos de exportações estão as usadas em infraestrutura, indústria de base e construção civil. Entram no grupo equipamentos usados em portos, na produção de cimento, em transmissão de energia e na indústria de papel e celulose, por exemplo. "São áreas em que o Brasil tem tradição", diz José Velloso, presidente executivo da Abimaq.



No caso do petróleo e de energia renovável, cujas exportações correspondem por 11% do total, grande parte das vendas são as chamadas no setor de "exportações fictas". Neste caso, as máquinas são vendidas ao exterior, mas não chegam a sair do país. O principal comprador é a Petrobras. Nesse segmento, as exportações somaram US$ 735 milhões no semestre, mais do que o dobro da cifra do ano anterior por causa do aumento das compras da estatal brasileira.

Velloso, que é membro do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, diz que entram nas estatísticas equipamentos como válvulas de produção ("árvores de natal"), cabeças de poço (usadas para perfuração) e outros equipamentos usados em águas profundas para a exploração de óleo e gás. "Embora os equipamentos fiquem no litoral do país, são equiparados a uma exportação", afirma.

Essa particularidade contribui para o aumento dos valores de exportações para os Estados Unidos e para a Europa, locais que seriam, em tese, os destinos de parte dessas vendas do segmento de óleo e gás.

No setor de equipamentos rodoviários, a Ciber, subsidiária no Brasil do grupo alemão Wirtgen, é um exemplo de companhia que adotou como estratégia a ampliação da participação dos clientes internacionais em seu portfólio. A empresa informou ao Valor recentemente que suas vendas ao mercado externo subiram 7% no primeiro semestre. O número foi puxado pelo aumento da venda de usinas de asfalto fabricadas no Brasil, principalmente para o norte da America Latina e para a África.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

PETROBRAS VAI VENDER ATIVOS NA ARGENTINA
Publicado em 08/22/2014 as 01:56 PM

A Petrobras decidiu reiniciar o processo de venda de ativos de produção de petróleo na Argentina. O Valor apurou que a companhia vai abrir um "data room" (sala de informações) para interessados, mas o processo é muito recente e sequer foram enviados convites para potenciais interessados. Agências de notícias internacionais mencionam a data de 12 de setembro para início da entrega de propostas.

Não é a primeira vez que a estatal brasileira decide sair daquele país. A Pluspetrol teve interesse nos ativos, mas o processo complicou quando o grupo Indalo, do empresário argentino Cristóbal López, muito próximo de Cristina Kirchner, manifestou a intenção de comprar. Depois disso, a questão andou mais devagar, tendo a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, como diretora interina da área internacional.

Um dos problemas que a Petrobras teria se a venda for feita para uma empresa argentina é que seria mais difícil receber o pagamento no exterior, considerando os controles cambiais daquele país. Os ativos da estatal na argentina estão contabilizados em subsidiárias da Petrobras na Espanha e na Holanda.

A Petrobras International Braspetro BV (PIB BV), com sede em Amsterdã, controla a Petrobras Participaciones SL (PPSL), que tem sede em Madri e detém as participações na Petrobras Energía S.A (Pesa), Petrobras Energia Participaciones S.A (Pepsa) e Petrolera Entre Lomas S.A. (Pelsa). Tecnicamente, se uma estrangeira comprar é mais fácil a conclusão da transação no exterior.

No mês passado, a Petrobras negou a venda de ativos de produção na província de Santa Cruz, que tinha sido noticiada em um jornal argentino. Na ocasião, a estatal informou ao Valor que "mantém a sua posição estratégica de permanência no país, incrementando a produção de petróleo e gás natural, bem como suas reservas na Bacia Neuquina (Províncias de Rio Negro, Neuquén e La Pampa)", acrescentando ainda que "qualquer informação concreta sobre alterações significativas em negócios, no Brasil ou no exterior, é divulgada em momento oportuno e por meio de fato relevante".

Essa é uma resposta padrão da companhia, que já informou que precisa obter entre US$ 5 bilhões e US$ 11 bilhões com a venda de ativos para cumprir seu plano de negócios até 2018. Além de ativos de exploração e produção a Petrobras ainda é dona da refinaria de Bahía Blanca, que chegou a ser interditada no ano passado após uma explosão com duas vítimas. A refinaria San Lorenzo foi vendida em 2010 por US$ 36 milhões. Uma rede formada por 386 postos de serviços e estoques elevaram o valor do negócio para US$ 110 milhões.

Essa venda, chamada de projeto Atreu na estatal, foi investigada por uma comissão interna da Petrobras depois de uma reportagem publicada pela revista "Época" no ano passado, junto com outros negócios fechados pela estatal na gestão do ex-diretor da área internacional, Jorge Zelada. As conclusões foram enviadas pela Petrobras ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que pediu a instauração de inquérito pelo Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NCCLD) da Polícia Civil do Rio.

No início de agosto, a estatal anunciou a venda de sua fatia de 44,5% na empresa boliviana Transierra, que tem como ativo um gasoduto que leva gás dos campos de San Alberto e San Antonio até o Gasbol, de onde o gás é exportado para o Brasil. O comprador foi a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que pagou US$ 106,7 milhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

DRAGAGEM DE SANTOS TEM NOVA PROPOSTA
Publicado em 08/22/2014 as 01:56 PM

O consórcio Etesco - Tulipa, segundo colocado na licitação para realizar a dragagem do porto de Santos (SP), apresentou nova proposta à Secretaria de Portos (SEP), que conduz a concorrência. O valor é sigiloso, mas é menor que a primeira oferta da empresa, de R$ 579 milhões. A obra será contratada via Regime Diferenciado de Contratações (RDC), mecanismo em que o orçamento-base não é revelado.

A SEP irá agora analisar o preço e as condições para a assinatura do contrato. A dragagem em Santos é a obra mais importante do governo para garantir o fluxo do comércio marítimo brasileiro. Essa é a segunda licitação que a SEP realiza em seis meses para dragar o porto. A primeira tentativa naufragou porque, como desta vez, as empresas apresentaram valores acima do previsto pelo governo.

Com o atraso, o governo autorizou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) a realizar licitações para fazer "dragagens tampão" enquanto o processo em curso não é concluído. Em visita a Santos na semana passada, o ministro dos Portos, César Borges, foi enfático. "Não podemos jamais pensar em perder calado". A ordem é para a Codesp recuperar os 13,2 metros de calado operacional máximo em todo do canal, mas em apenas um dos quatro trechos isso já ocorreu. No mais assoreado, o trecho quatro, só podem entrar navios com até 11,20 metros de calado na maré normal.

Com a restrição, grandes navios têm deixado de entrar ou sair com a capacidade plena em Santos. Os porta-contêineres que frequentam o trecho quatro do canal enfrentam um déficit de 0,60 metro sobre o maior calado permitido no porto. Na prática, estima o Centro Nacional de Navegação (Centronave), isso impõe perdas de até 720 contêineres por escala às maiores embarcações, com capacidade para entre 7 mil e 9 mil Teus (contêineres de 20 pés).

Mais do que as perdas comerciais, os clientes reclamam da gestão pública do acesso aquaviário. "O modelo se esgotou. Precisa ser diferente para ganhar velocidade e a obra ser realizada", diz Cláudio Loureiro, diretor-executivo do Centronave, associação representante dos armadores. "Precisamos de previsibilidade. Quando vou poder trazer um navio de 14 mil Teus ao porto?", pergunta Loureiro.

O contrato, válido por três anos, será para a manutenção das profundidades do canal do porto, acesso a berços e berços e readequação do acesso aquaviário. A obra corrigirá também o serviço feito pelo antigo consórcio, o Draga Brasil, que não atingiu o objetivo do contrato de aprofundar e manter o canal rebaixado a 15 metros.

Como Santos sofre assoreamento com qualquer ressaca, dessa vez a SEP estipulou como meta de profundidade para o canal entre 15,40 metros e 15,70 metros, de forma a se ter uma margem para evitar perder os 15 metros.

O governo espera ter uma resposta do consórcio Etesco-Tulipa em até 15 dias. Se não concordar com a nova proposta, vai abrir negociação com o que apresentou a terceira - e mais alta - oferta de preço, o consórcio Dragabras Serviços de Dragagem, com valor da obra orçado em R$ 640,9 milhões. Mas, neste caso, uma redução de preço tenderia a ser mais difícil.

Trabalhando com a hipótese de um possível novo fracasso, a SEP estuda três alternativas: fazer uma nova licitação com prazo contratual menor, já que riscos cambiais foram citados como entraves pelos candidatos para um contrato mais longo; abrir concorrência com dispensa de licitação; ou autorizar a Codesp ou algum consórcio a alugar uma draga.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO NA IMPORTAÇÃO
Publicado em 08/22/2014 as 01:55 PM

A multa por infração ao controle administrativo das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, está prevista no artigo 169, inciso I, alínea "b", do Decreto-lei nº 37, de 1966. Esta penalidade é tipificada pela importação de mercadorias sem licença de importação condicionada a prévio exame e anuência de órgãos estatais, tais como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio etc.

Por primeiro, cabe frisar que se trata de penalidade ultrapassada e totalmente desproporcional nos dias atuais, já que os contribuintes são onerados em 30% do valor das mercadorias por eles importadas. Mas, enquanto ela permanece em nosso ordenamento jurídico, uma alternativa seria a aplicação do princípio da retroatividade benigna aos casos em que atualmente a licença de importação não mais é exigida, mitigando, assim, seus efeitos nocivos para as operações de comércio exterior.

É importante notar que a penalidade referente à falta de licença de importação não possui caráter tributário, tratando-se, em verdade, de multa de natureza administrativa, que poderia ser definida como sanção pecuniária imposta ao particular em virtude do descumprimento voluntário de uma norma administrativa, decorrente do exercício do poder de polícia do Estado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive, possui várias decisões nesse sentido (REsp 623.023/RJ, RESP 714.756/SP e RESP 429.868/SC).

Trata-se de penalidade ultrapassada e totalmente desproporcional nos dias atuais

Assim, tendo em vista o acima, quer nos parecer que seria inaplicável para tal penalidade as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN).

Estando superada a discussão a respeito da não aplicabilidade das disposições do CTN, passamos em seguida à análise da questão da retroatividade benigna, no que se refere à multa aplicada em razão da ausência de licença de importação.

É bem verdade que, quando a Constituição Federal de 1988 (CF) disciplinou a retroatividade benigna, levou em conta somente a esfera penal, conforme se infere da redação do artigo 5º, XL - "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu".

Mesmo assim, entendemos que, em se tratando de sanção de caráter administrativo, afigura-se cabível a analogia, concedendo-se efeito retroativo às novas regras, quando mais benéficas ao sujeito atingido pela penalidade. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes do Poder Judiciário (Apelação Cível nº 2002.70.03.0057205/PR, TRF-4; Apelação Cível nº 1.0024.06.1969648/ 001(1), TJ-MG; Acórdão nº 440, TER-RO, Rel. Élcio Arruda; e Agravo nº 1.0024.07.4490731/ 001(1), TJ-MG).

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) também referendou este entendimento por meio do acórdão 3202-000.398, com a ementa: Falta de licenciamento não automático. Multa por falta de licenciamento automático. Não é cabível a aplicação da multa por falta de licenciamento automático (LI), porque atualmente este se encontra dispensado, devendo ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte, a qual não mais exige licença de importação condicionada a prévio exame e anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Por fim, lembramos que os tribunais superiores (REsp 1.222.263/PR e AgRg no Ag 570.621/RS) e o próprio Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 1997, também mitigaram a aplicação da penalidade em questão ao dispor que não constitui infração administrativa ao controle das importações a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Siscomex, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

RÚSSIA E DEMANDA INTERNA PRESSIONAM CARNES
Publicado em 08/22/2014 as 01:55 PM

O apetite russo por carnes brasileiras continua colocando pressão nos preços internos. As carnes de boi, de suíno e de frango voltaram a subir nesta semana no mercado paulista.

Agora que os alimentos começam a dar sinais de desaquecimento nos índices de inflação, as carnes poderão voltar a pressionar.

A alta ocorre, no entanto, não só pela pressão russa como por um aumento interno de demanda, de acordo com analistas de mercado.

Um dos destaques nessa escalada de preços é a carne suína, que tem a Rússia como o maior importador do produto brasileiro.

A cotação da carne suína disparou e atingiu patamares nunca antes registrados, ao ser negociada por até R$ 87 por arroba em São Paulo.

Na média, os preços ficaram em R$ 84,8, conforme pesquisa diária feita pela Folha. Ao registrar esse valor médio, a arroba teve evolução de 7% no dia e os preços atuais superaram em 36% os de de há um ano.

A liberação de mais frigoríficos aptos a exportar carne bovina para a Rússia dá sustentação, também, à arroba do boi. Nesta quarta-feira (20), a arroba subiu para R$ 126, alta de 1%.

Os preços atuais do boi superam em 24% os de agosto de 2013. Segundo a consultoria Informa Economics FNP, à medida que avança a entressafra, a oferta de animais prontos para abate continua mais restrita.

O preço do frango, a exemplo das outras carnes, também está em alta. O quilo de ave viva, que era negociado a R$ 2,20 há um mês nas granjas de São Paulo, está em R$ 2,50 nesta semana, uma alta de 14% no período.

A elevação de preços poderá aliviar as contas dos produtores. Os custos diminuíram, com a queda de preços internacionais das commodities, e a demanda externa por carnes é forte no setor.

Essa valorização ocorre, no entanto, depois de um período de preços baixos nos preços das carnes. O valor do frango, negociado a R$ 2,15 em maio, só obteve recuperação de forma mais acentuada a partir deste mês.

O mesmo ocorre com o setor de suínos, cuja arroba saiu de R$ 66 em maio para atingir o patamar atual. O preço de R$ 70 só foi atingido no final de junho. Já o boi ganhou R$ 6 por arroba desde maio.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 21/08/2014

CITRICULTORES APOSTAM EM SUCO INTEGRAL E LARANJAS DESCASCADAS PARA FREAR CRISE
Publicado em 08/22/2014 as 01:50 PM

Suco integral sem conservante e laranjas já descascadas são as apostas de pequenos produtores do interior de São Paulo para enfrentar a crise da citricultura, que atinge sobretudo a agricultura familiar com safras elevadas, avanço de doenças nos pomares e perda de renda.

A Cooperfam (Cooperativa Familiar) de Bebedouro lançou neste mês seu suco de laranja após os cooperados desistiram de fornecer laranjas às grandes indústrias por causa da baixa remuneração.




Integral, sem adição de açúcar e conservante, o suco é vendido em embalagem longa vida e tem como apelo o selo da agricultura familiar, criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Encontrado hoje só no shopping rural de Bebedouro, o suco é objeto de planos de expansão. Entre eles, está a ideia de vendê-lo com a laranja descascada para prefeituras e Estados incluírem na merenda escolar e em refeições de presídios.

O produtor Arnaldo Hernandez serve suco das laranjas de seu pomar em Bebedouro (SP)

Segundo o presidente da Cooperfam, Claudionor Gianello, o processo da laranja descascada é feito por uma empresa terceirizada e ocorre em atmosfera controlada e estéril. A fruta é embalada a vácuo e mantida em uma temperatura de até 5º C para que possa durar até 15 dias.

"Via cooperativa conseguimos receber até R$ 11 por caixa de laranja", disse o cooperado Arnaldo Hernandez, 63.

Em 2013, ele chegou a vender a caixa a R$ 2. Já em 2012, a produção nem foi vendida, porque o valor pago pela indústria não compensava –o ideal é o valor da caixa superar R$ 17,50, diz o presidente da Associtrus (associação dos citricultores), Flávio Viegas.
Há iniciativas similares, como a da Coagrosol, de Itápolis, criada em 2000. Seu principal produto é o suco integral Direto da Fruta, que visa exportação mas também é vendido no mercado interno.

Os 360 produtores da Coagrosol também têm alcançado o preço R$ 11 por caixa. Segundo o vice-presidente da associação, Ronaldo Vicentin, a estimativa é que em três anos consigam superar o valor do custo de produção.

"Agregar valor ao produto é uma excelente alternativa para o pequeno produtor", disse o diretor-executivo da Citrus BR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), Ibiapaba Netto.

Os citricultores aguardam a avaliação do governo federal de um pedido de isenção de impostos na produção de sucos integrais, o que reduziria o preço ao consumidor.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 21/08/2014

EMPRESA DE FERTILIZANTES INVESTE NA CONSTRUÇÃO DE FÁBRICA EM UBERABA
Publicado em 08/22/2014 as 01:50 PM

A Ubyfol, empresa nacional de fertilizantes, vai construir uma fábrica em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde a companhia já tem uma unidade em operação.

Com investimento de aproximadamente R$ 150 milhões, a planta fornecerá materiais como sulfatos e cloretos, que são utilizados na composição de fertilizantes.

"Hoje, nós compramos esses insumos de outras empresas. Cerca de 70% deles vêm de fora, principalmente da China", diz o diretor-executivo, Fabrício Fonseca Simões.

"Com a fabricação da matéria-prima, vamos reduzir a dependência dos produtos importados e, com isso, também diminuir os custos."

Os nutrientes agrícolas feitos pelo grupo são utilizados sobretudo nas culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, algodão e feijão.

Para a expansão, a empresa deverá entrar com cerca de 30% do aporte necessário. O restante sairá de financiamentos, segundo Simões.

Um dos atrativos para a decisão da empresa de construir a nova fábrica em Uberaba é o gasoduto que abastecerá a futura unidade de amônia da Petrobras no município.

"A cidade também é um polo agrícola e está bem posicionada em relação a outras importantes regiões produtoras do país", diz o executivo.

Além da planta de matéria-prima, a Ubyfol tem outro investimento, de R$ 50 milhões, na construção de uma fábrica de fertilizantes especiais, também em Uberaba. A obra está em fase de conclusão.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 21/08/2014

MMX DARÁ FÉRIAS A 70% DOS EMPREGADOS EM SETEMBRO
Publicado em 08/22/2014 as 01:49 PM

Produção será suspensa. Decisão deve-se a queda no preço do minério de ferro e restrição ambiental

A mineradora MMX, de Eike Batista, confirmou ontem que dará férias coletivas de 30 dias para parte de seus empregados a partir da primeira semana de setembro, paralisando a produção de minério de ferro na unidade de Serra Azul (MG) nesse período. Em comunicado, a empresa disse que a decisão foi necessária por causa da “retração dos preços do minério” e das “restrições operacionais” impostas pela Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. Apenas os funcionários ligados à operação da mina serão afetados, o que corresponde a 70% do quadro. A MMX tem 550 empregados próprios.

O GLOBO publicou na edição de ontem que a empresa avaliava conceder férias coletivas aos funcionários devido à retração na produção de minério em consequência do embargo à lavra em parte do complexo minerário. O embargo está vigente desde fevereiro e foi determinado pela secretaria após a identificação de danos causados a pequenas cavernas subterrâneas na área da mina. O órgão solicitou à mineradora estudo que avaliasse a relevância dessas cavidades, que até agora não ficou pronto.

Segundo o Sindicato Metabase de Brumadinho, que representa os empregados da MMX, se o problema ambiental não for solucionado, a ideia da empresa é conceder licença remunerada aos funcionários em outubro. Se em novembro o impasse persistir, haveria demissão em massa. A MMX afirma que “está em negociação com as autoridades ambientais e acredita na solução no curto espaço de tempo”. Desde o início do ano, foram feitas 200 homologações de dispensas de empregados da MMX, numa tentativa de cortar custos, informou o sindicato. Mas não há atraso de salário.

O embargo à lavra em Serra Azul e o declínio no preço do minério de ferro — a queda acumulada no ano é de cerca de 30% — têm dificultado a negociação com potenciais sócios. Com isso, o pedido de recuperação judicial tornou-se uma “real possibilidade”, segundo fontes ligadas à empresa. A MMX nega que vá pedir proteção da Justiça, como fizeram duas outras empresas do grupo X (a petroleira OGPar e a OSX, do ramo naval). A mineradora diz que revisará seu plano de negócios para “priorizar iniciativas geradoras de caixa” e que vai apresentá-lo em outubro. Uma iniciativa para levantar recursos é a venda de 300 mil toneladas de minério em estoque. A MMX terminou o primeiro trimestre com dívida de R$ 966 milhões.
Fonte : O Globo
Data : 21/08/2014

A PETROBRAS ALUGA
Publicado em 08/12/2014 as 12:14 PM

Nos últimos meses, vinham sendo divulgadas informações de que o setor de barcos de apoio a plataformas estava um mar de rosas. Após um período de indecisão no início do ano, a Petrobras voltou a contratar essas unidades, em atendimento a meta da Presidência da República de chegar a 146 barcos contratados até o fim de 2015.

No entanto, nos últimos dias, houve um enorme retrocesso na estatal. Ao analisar a sétima rodada de licitações, a Petrobras decidiu não contratar sequer um barco brasileiro, entre os 23 oferecidos, e optou pelo que existe de mais prejudicial à sociedade brasileira: o aluguel de barcos usados do mercado internacional. Isso é uma contradição absoluta com a política de Lula e Dilma, de se prestigiar a produção nacional, o “conteúdo local”.

Empresários do setor estão desiludidos e surpresos. Os estaleiros compraram áreas, investiram em tecnologia e mão de obra, enquanto os armadores mantém sob contrato nada menos de 14 mil marítimos, dos quais 4 mil oficiais de Marinha Mercante. Com esse descumprimento da política oficial, ante alegação de preços altos, a Petrobras poderá desmantelar um setor que investiu pesadamente.

O sistema funciona com a Petrobras alugando barcos, a médio prazo, de armadores nacionais. A partir daí, o Fundo de Marinha Mercante financia a construção, em estaleiros nacionais, e os barcos são operados por marítimos brasileiros. Já os barcos estrangeiros são antigos e seu preço é beneficiado pela cotação irreal do dólar – com valor controlado artificialmente pelo Banco Central – enquanto as unidades brasileiras são novíssimas. Dos 480 barcos de apoio que atuam no Brasil, 55% são estrangeiros. Agora, o Brasil amplia o mercado para marítimos americanos, noruegueses, filipinos e indianos.
Fonte:Monitor Mercantil\Sergio Barreto Motta
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - SEGUROS NAVAIS SEGUEM AQUECIDOS
Publicado em 08/12/2014 as 12:13 PM

A retomada da indústria naval no Brasil estimulou o crescimento do setor de seguros, com vendas de R$ 1 bilhão em 2013, quase 43% a mais que em 2012. No ano passado, as seguradoras negociaram R$ 740,7 milhões em prêmios para riscos em petróleo. Já o seguro conhecido como casco, com proteção para perdas em navios, somou R$ 334,4 milhões, mais 31%, de acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O ritmo de vendas para esse nicho segue acelerado em 2014, afirma Carlos Eduardo Polizio, responsável por esse segmento na BB Mapfre e coordenador da Comissão de Cascos Marítimos da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Nos cinco primeiros meses, o volume de seguros para petróleo e gás aumentou 46% comparado a igual período de 2013, com prêmios de R$ 219 milhões.

Os seguros navais, conhecidos como offshore e energy, correspondem a 15% do total do prêmio mundial. Segundo Maria Helena Carbone, diretora de marine da Aon, em 2013 o mercado começou a mostrar uma mudança com a volta das encomendas, que triplicaram em relação ao ano anterior. No ranking internacional, a China tem 47% do mercado, a Coreia do Sul 28%, o Japão 15%, a Europa 1% e os demais 7% estão divididos pelo resto do mundo, incluindo o Brasil. Cerca de 55% das encomendas dos estaleiros mundiais se destinam ao offshore.

A consolidação dos negócios na construção naval no Brasil colocou o país em evidência. Entre os principais clientes das seguradoras estão o Atlântico Sul (EAS), Keppel Fels Brasil e outros com grande número de unidades de offshore com interesse bem menor na construção de navios convencionais. "Alguns estaleiros se dedicam apenas aos programas da Petrobras e Transpetro. Os pequenos, como Promar, Detroit, Naviship e outros, estão também envolvidos com embarcações de offshore", diz Maria Helena.

As maiores apólices do mercado são da Petrobras, que conta com taxas competitivas e contrata seu programa por licitação. A Itaú lidera o programa de seguros da estatal, tendo a Mapfre BB como cosseguradora. Além das duas, Fairfax, BTG Pactual e Austral estão entre as principais depois que RSA e Tokio Marine perderam o apetite pelo segmento. Como na indústria de construção naval os valores segurados alcançam milhões de dólares, o resseguro é importante. Há um grupo de resseguradores locais no Brasil, mas, devido ao valor e complexidade dos riscos, muitas vezes se compra cobertura lá fora.

"Temos interesse na construção naval, mas dentro de taxas compatíveis com o risco", afirma Felipe Smith, diretor de riscos corporativos das Tokio Marine. Mesmo com recentes sinistros, a expectativa é de que as taxas continuem em baixa. "Há muita capacidade produtiva, novos investidores livres das perdas do passado, e com isso se observa a queda do preço", diz Erika Schoch, gerente de seguros marítimos para a América Latina da Swiss Re, que também saiu do segmento no Brasil até que as taxas voltem a ser compatíveis com os riscos assumidos.

"É um mercado promissor para os poucos especialistas em seguros e resseguros que atuam nesse segmento no mundo", afirma Rodrigo Protásio, CEO da JLT Holding, um dos principais consultores mundiais de seguros e resseguros. Recentemente, o grupo negociou a renovação do programa de seguros da Transpetro, a maior frota de navios do Brasil, que tem como líder a seguradora BB Mapfre.

Carlos Vinícius, diretor de marítimos da Willis, afirma que há alguns anos a Petrobras é a companhia petrolífera que tem o maior plano mundial de investimentos. No entanto, eles têm sido constantes em exploração e embarcações de apoio.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - INOVAÇÃO VAI DEPENDER DE AMBIENTE MAIS APROPRIADO
Publicado em 08/12/2014 as 12:13 PM


Ruy Baron/ValorJorge Boeira: "Tecnologia é uma ferramenta fundamental para a eficiência"



A reconstrução da indústria naval só estará completa quando o setor for capaz de desenvolver tecnologia e responder às demandas do mercado global com competitividade. A capacidade de inovação depende - além da instalação de estaleiros - da criação de um ambiente de negócios mais propício para o segmento de navipeças. O dinamismo exigirá integração da cadeia produtiva e planejamento de longo prazo. "O modelo adotado no país segue o conceito de 'cluster'. O objetivo é criar três polos (Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul)", diz Jorge Luis Ferreira Boeira, coordenador de energia da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

No Rio Grande do Sul, afirma Boeira, o projeto está mais avançado. Para formar um cluster, diversas empresas do mesmo segmento devem estar fisicamente próximas, estabelecer parcerias de cooperação e, claro, atuar na pesquisa e desenvolvimento de produtos. Em Rio Grande (RS), o martelar dos estaleiros começa a encontrar eco na criação do Polo Naval e Offshore de Rio Grande, projeto que engloba a estruturação de um arranjo produtivo local (APL) e a construção do Centro Avançado para a Inovação e Competitividade da Indústria Naval e Oceânica, dentro do Parque Científico e Tecnológico do Mar (Oceantec), projeto capitaneado pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) que deve entrar em operação em 2016.

Danilo Giroldo, vice-reitor da Furg e gestor do Oceantec conta que o estaleiro Ecovix firmou parceria com o parque tecnológico, onde vai instalar o seu centro de P&D. "A vinda de um estaleiro como empresa âncora demonstra a capacidade do Estado para avançar na indústria naval, aprimorando os métodos construtivos e fortalecendo o segmento de navipeças para fomentar a inovação."

Segundo Giroldo, a construção do cluster exigirá planejamento do setor público e engajamento da iniciativa privada. No Rio Grande do Sul, o cluster reunirá empresas nos municípios de Rio Grande, Pelotas e São José do Norte. Entre as demandas da construção naval está o desenvolvimento de cadeias como a de estruturas metálicas, estruturas de apoio (como escadas e andaimes), serviços de pintura e tubulações. "Realizamos um estudo para determinar os buracos na cadeia da construção naval. Agora temos de fomentar negócios nos segmentos críticos", explica.

Ele acredita que a força do cluster vai atrair a tradicional metalurgia gaúcha para a indústria naval - que pode aproveitar o potencial das empresas instaladas na Serra Gaúcha. "Uma cadeia produtiva forte vai incentivar as metalúrgicas a criarem linhas para a produção de navipeças", diz. O levantamento realizado pela Furg revela lacunas importantes em segmentos como instrumentos e medição, turbinas a gás, compressores e motores. "Para atrair investimentos, é preciso sinalizar que a indústria naval chegou para ficar."

Outros arranjos produtivos com oportunidades de negócios na indústria naval são as áreas de química e eletroeletrônica. Ele ainda enxerga potencial para áreas como a de solda. "Os processos para soldar tubulações para águas profundas serão inovadores", explica.

Ghissia Hauser, secretária-adjunta de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, afirma que o Brasil pode obter ainda diferencial na inovação em marketing e gestão. "Ainda há muito trabalho a ser feito nos estaleiros, mas temos a oportunidade de criar serviços e aprimorar a logística dos portos. A indústria naval não se resume a peças e embarcações."

Apesar de arrojado, o projeto de cluster vai esbarrar na própria indústria naval. No Brasil, a maior parte dos estaleiros atua como montadores de embarcações, criando muito pouco e importando de peças a projetos. A área de serviços especializados é incipiente. Para conquistar capacidade de inovação, os estaleiros precisam, antes, adotar tecnologias para tornar o processo construtivo mais eficiente e melhorar a gestão. A transferência tecnológica tem acontecido de forma mais agressiva em empresas que firmaram parceria, ou se tornaram sócias, de estaleiro internacionais. "A chegada de empresas asiáticas está mexendo com a gestão e com o chão de fábrica dos estaleiros brasileiros. A tecnologia é uma ferramenta fundamental para a eficiência", lembra Boeira, da ABDI.

Helio Mello, consultor para a área naval da empresa de tecnologia da informação Aveva, confirma a demanda por maior eficiência na produção. Segundo ele, os estaleiros brasileiros ainda buscam projetos em países como Romênia e Noruega e, por isso, demandam poucas soluções para desenhar embarcações. "Os investimentos têm acontecido em sistemas capazes de ampliar a produtividade no chão de fábrica", comenta.

Ele acredita que, com o aumento da eficiência na fabricação, a demanda por novas ferramentas virá, o que inclui as para elaborar projetos de embarcação no Brasil. "A partir de certo ponto, as melhorias nos processos construtivos não serão suficientes para aumentar a produtividade. Os estaleiros terão de aprimorar os projetos para adequá-los a suas bases produtivas."

Do ponto de vista institucional, as atividades ligadas à tecnologia e inovação também enfrentam desafios. Floriano Pires, coordenador da Rede de Inovação para a Competitividade da Indústria Naval e Offshore (Ricino), afirma que são muitas as dificuldades - principalmente de financiamento - para levar adiante as ações necessárias para a criação de um centro nacional de tecnologia em construção naval. "As linhas de fomento existentes, como as da Finep, não atendem às demandas da indústria naval", diz.

Segundo ele, é necessário reavaliar e reorientar a alocação dos investimentos que estão previstos para pesquisa e desenvolvimento para ampliar o número de projetos de inovação. "Precisamos criar massa crítica." Entre as ações, ele cita como primordial a ampliação de centros de pesquisa que atuem com indústria naval. "Basicamente temos o Coppe, o IPT e o Cenpes (da Petrobras)". Essa carência é sentida na flexibilização das regras para uso de conteúdo local na produção das embarcações. "Como não temos condições de produzir a tecnologia necessária, as empresas precisam importar. Todos perdem", comenta.

Carlos Padovezi, diretor de operações e negócios do IPT, percebeu uma redução significativa no dinheiro disponível para projetos de pesquisa. "Enfrentamos, nos estudos para indústria naval, uma espécie de crise, que afetou os orçamentos dependentes da Finep e também da Petrobras", diz. No caso da Finep, a explicação pode estar, segundo ele, no fato de o Fundo Setorial do Petróleo ter sido englobado pelo Fundo Social, que começa a receber os recursos da área de petróleo. "O CT-Petro acabou. Boa parte dos projetos de inovação na indústria naval estavam ligados a essa fonte de recurso", avalia. No caso da Petrobras, Padovezi não consegue explicar a queda nos recursos. "Ele simplesmente reduziram o orçamento."

O agravante nesse caso é que o desenvolvimento tecnológico naval está totalmente dependente da cadeia de óleo e gás, de seus projetos e orçamentos. No caso da área de transporte e navipeças, as iniciativas ainda são escassas. Para fomentar a inovação nestes segmentos, a Finep lançou, no ano passado, uma chamada pública dispondo R$ 41 milhões, em recursos não-reembolsáveis, para projetos de novas tecnologias e equipamentos da indústria naval. O foco do edital foi o segmento de navipeças - em tecnologia para transporte - e o dinheiro está sendo aplicado em projetos cooperativos entre instituições de pesquisa científica e tecnológica e empresas do setor de navipeças para a navegação interior, cabotagem e longo curso. Segundo a Finep, 94 cartas de manifestação de interesse pela linha foram encaminhadas à instituição e 43 foram selecionadas para submeter os projetos para avaliação. Como resultado, a instituição aprovou 17 projetos, o que corresponde a um montante de R$ 24,1 milhões em aportes.

Já nos estaleiros, as atividades de P&D competem com os orçamentos para compra de tecnologia. "Inovação é um processo que exige planejamento", analisa.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - FABRICANTE DE NAVIPEÇAS RECLAMA DAS IMPORTAÇÕES
Publicado em 08/12/2014 as 12:12 PM

Se o governo mantiver os olhos voltados apenas para os estaleiros, os outros elos da cadeia produtiva de navipeças - que padecem de minguados pedidos em carteira - podem naufragar diante da abundância de produtos importados. Essa é a preocupação dos representantes das indústrias, que reclamam da falta de uma política industrial e dizem que o setor está perdendo competitividade.

Os US$ 140 bilhões gastos em importações, somente por meio do Regime Aduaneiro Especial para a Indústria do Petróleo (Repetro), capitaneados pela Petrobras no triênio 2011/2013, causou mal estar entre os fornecedores de navipeças. Apesar do pessimismo, estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) indicam que, embora a área de navipeças avance menos que a naval, a maioria das empresas do segmento aposta em crescimento nos próximos anos.

"US$ 140 bilhões foram gastos com importações. Trata-se de uma quantia expressiva e refere-se apenas a Repetro", afirma César Prata, vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e de Offshore (Csen) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). "Os US$ 140 bilhões englobam aquisições de plataformas, mas por outro lado, uma plataforma custa em torno de US$ 1 bilhão, e por mais que se tenha importado plataformas inteiras, quantas foram importadas?", questiona. Pelas suas contas, não chegam perto de 50.

"A Petrobras consumiu cerca de US$ 100 bilhões em importação de navipeças. É uma quantia vultosa", ressalta. Ele observa que "nos últimos três anos, a estatal investiu US$ 120 bilhões e gastou U$ 100 bilhões em importações, gerando empregos e riquezas fora do país".

Com as magras encomendas em carteira, o setor de equipamentos navais da Abimaq prevê para este ano uma retração da ordem de 15%. "Fechamos em 2013 com queda superior a 30%, apenas no ramo de máquinas pesadas. Essa queda indica total desindustrialização nessa área. Nossas indústrias perderam todas as concorrências, que estavam em curso, nos últimos três anos, para dar lugar aos importados", afirma.

Prata prevê que o segundo semestre será praticamente parado.

Para Paulo Sérgio Galvão, gerente regional do Rio de Janeiro da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), se a política de conteúdo local fosse cumprida à risca, funcionaria como "alavancadora" para as indústrias do setor. "Temos competência, qualidade e competitividade. Fornecemos várias plataformas para a Bacia de Campos", afirma Galvão.

A queixa dos fornecedores da área de navipeças encontra eco em um estudo feito pelo Ipea. O levantamento demonstra que há uma forte discrepância no crescimento médio anual dos índices entre a receita do segmento de navipeças e a indústria naval. Fabiano Pompermayer, técnico do Ipea, diz que no período entre 2000 e 2010, enquanto a indústria naval como um todo registrou elevação de 19,5% na receita, o faturamento da indústria de navipeças subiu 6,1%.

O índice é de 5,3% quando são considerados apenas os segmentos cuja produção é mais ligada ao setor naval. De acordo com Pompermayer, "podemos concluir que o setor de navipeças tem tido um desempenho bom, mas ainda não está conectado ao crescimento da indústria naval", afirma.

O levantamento feito pela Ipea foca nas perspectivas para o setor. Das 734 empresas que fazem parte do catálogo de navipeças da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), 98 delas responderam ao questionário e 75,6% das entrevistadas veem como boas as perspectivas para navipeças nos próximos anos. Outros 51,2% confirmam planos de investimentos para ampliar a capacidade operacional. Entre as dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento do segmento, os empresários consideram que a carga tributária é a pior de todos (82,5%), seguida pela regulação trabalhista (60,6%).

A Weg está entre as empresas dispostas a investir na área. "Os investimentos em ativos fixos para expansão e modernização da capacidade produtiva somaram R$ 243,7 milhões em 2013, sendo 80% destinados aos parques industriais e demais instalações no Brasil. O restante, às unidades produtivas e subsidiárias no exterior", afirma Helcio Makoto, diretor de vendas da companhia. "Fabricamos todo equipamento necessário para barcos de apoio e para os petroleiros e graneleiros.

Depois de experimentar um ano péssimo em 2013, com vendas em queda livre, a Flexomarine - fabricante de mangotes para operações offshore de carga e descarga de petróleo - aposta em um cenário mais alentador neste ano. "Queremos esquecer que o ano passado existiu. Chegamos a ficar quatro meses sem receber um único pedido e a queda foi superior a 30%", diz Gustavo Loureiro Ferreira Leite, diretor da Flexomarine. Este ano, ao contrário, a carteira de pedidos está aquecida. "Devemos fechar 2014 com acréscimo de 40% no faturamento, com venda de cerca de 600 mangotes.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - PRIMEIRO NAVIO-SONDA FICA PRONTO EM 2015
Publicado em 08/12/2014 as 12:12 PM

DivulgaçãoSergio Mello: efeitos acessórios importantes, como a formação de mão de obra e de um parque industrial




Em junho de 2015, a exploração do pré-sal contará com o primeiro dos 29 navios-sonda encomendados pela holding financeira Sete Brasil a cinco estaleiros. A conclusão desse primeiro equipamento, produzido pelo Estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, dá início a um cronograma de entrega desses navios que só terminará em 2020, sendo sete produzidos pelo Jurong e os demais divididos entre os estaleiros Atlântico Sul (EAS, de PE), Rio Grande (RS), Enseada Paraguaçu (BA) e Brasfels (RJ).

A construção desse primeiro navio-sonda de perfuração em águas ultra profundas, chamado de Arpoador, começou em Cingapura, sede do grupo Sembcorp Marine (SCM) do qual a Jurong faz parte, e será concluído no Brasil, no Jurong Aracruz ainda em fase final de construção. O navio terá um índice de nacionalização entre 55% e 65%. De acordo com Luciana Sandri, diretora institucional da Jurong, a empresa investiu R$ 1 bilhão na construção do estaleiro onde serão concluídos os navios-sondas.

"Após a entrega, eles serão afretados pela Petrobras, Odfell e Seadrill por 15 anos. O custo dos sete é de US$ 5,6 bilhões e a capacidade de operação de cada um deles é de 10 mil pés de profundidade no mar e perfuração de até 40 mil pés de profundidade com acomodações adequadas para 180 tripulantes", explica.

A decisão do governo de construir vários navios ao mesmo tempo no país, incorporando parte da tecnologia e com alguns estaleiros ainda sendo construídos foi arrojada, na opinião de Sérgio Mello, diretor comercial do Bureau Veritas, empresa de conformidade e certificação. "Vai ser muito bom se der certo, pois os efeitos acessórios são importantes, como a formação de mão de obra e de um parque industrial que terá se capacitado. E esses laços com empresas do exterior podem gerar frutos no futuro para outras iniciativas em outras áreas, como energia e gestão de materiais e de projetos", afirma.

Em sua opinião, por se tratar de uma área de atuação nova, a produção desses equipamentos exige métodos de trabalho mais rigorosos e pessoal muito mais qualificado, gente com mestrado, experiência no exterior, mestrado e fluência no inglês.

Para Luciana Sandri, a Jurong está vencendo os desafios para a construção da embarcação com o treinamento de 2 mil profissionais que serão absorvidos gradativamente e em conjunto com o treinamento em Cingapura. " O Grupo Sembcorp Marine, do qual a empresa faz parte, investiu US$ 4 milhões em um projeto de capacitação para a indústria naval que será desenvolvido em cinco anos. Estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) fazem um treinamento que é equivalente a um curso de pós-graduação em tecnologia naval e oceânica no Ngee Ann Polytechnic de Cingapura, por um período de um ano. Eles passam por estágio nos estaleiros da Jurong e podem atuar como multiplicadores", explica.

Segundo ela, o programa tem como objetivo preparar mão de obra especializada na indústria naval e oceânica para atuar no Jurong Aracruz com treinamento nos padrões internacionais. Além disso, propicia a transferência de tecnologia e capacitação de estudantes e docentes, com treinamento, informação e imersão nas culturas e práticas de trabalho de Cingapura.

De acordo com José Roberto Mendes Freire, diretor executivo de operações integradas do EAS, de Pernambuco, a empresa se preparou para vencer os desafios que a construção desses navios exige e será responsável pela fabricação de sete, sendo que o primeiro será entregue em 2016 e os demais em sequência até 2018.

"Desde 2009, a empresa vem investindo em qualificação de mão de obra, desenvolvendo lideranças, formando profissionais e apoiando a inserção dos jovens no mercado de trabalho. O EAS enfrentou uma oferta de mão de obra escassa, a inexistência de uma cadeia de suprimentos no mercado nacional e as dificuldades naturais de se criar uma nova fronteira do setor no país, aproveitando as condições de logística favoráveis do Nordeste", afirma. Ele destaca ainda que esse tipo de embarcação nunca havia sido construída no país, o que levou a empresa a absorver e aplicar tecnologias inovadoras, a capacitar mão de obra, envolvendo equipes e empresas de cinco continentes.

O Grupo Galvão, que atua no segmento de óleo e gás por meio de uma joint venture com a norueguesa Odfjell, também vê esse segmento de mercado como de grande potencial. A empresa atua com navios-sonda por meio da Odfjell Galvão, que é sócia da Sete Brasil para afretamento e operação de três dessas embarcações que serão construídas pela Jurong, sendo que a Sete tem 80% e a Odfjell tem 20% dessas unidades.

"Neste momento nossa visão é para o projeto com a Sete Brasil. Devido à dimensão desse projeto, esperamos consolidá-lo antes de ampliarmos nossas projeções nesse mercado", diz Leonel Queiroz Vianna, diretor-presidente da Óleo e Gás Participações S.A, do Grupo Galvão.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - DEMANDA POR PLATAFORMAS ANIMA OS CONSTRUTORES
Publicado em 08/12/2014 as 12:11 PM

Se o leilão do campo de Libra, o primeiro do pré-sal, realizado em outubro de 2013, já animava os estaleiros e empresas produtores de plataformas, cascos e módulos, a nova empreitada da Petrobras, que em junho foi autorizada pelo governo a produzir volumes excedentes na área da cessão onerosa, também no pré-sal da Bacia de Santos, elevou as expectativas. Estimativas dão conta de uma necessidade de mais de 70 plataformas até 2030.

O Plano de Negócios e Gestão 2014-2018 da Petrobras prevê investimentos totais de US$ 220,6 bilhões, dos quais US$ 153,9 bilhões em exploração e produção. E, para o óleo excedente da cessão onerosa, serão necessários outros US$ 50,7 bilhões até 2030, segundo apresentação enviada pela estatal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no fim de junho. Esses investimentos seriam acelerados a partir de 2019 para começar a produção do excedente em 2021.

Enquanto este extra não se materializa, a petroleira informa que está investindo, de 2013 a 2020, US$ 100 bilhões na indústria naval. É um montante que sustenta dez estaleiros em atividade e mais quatro em construção no país. Só para Libra, o megacampo do pré-sal que foi arrematado pela Petrobras em parceria com a Shell, a Total e as petroleiras chinesas CNOOC e CNPC, são previstas de 12 a 18 plataformas.

Há ainda a estimativa de outras dez plataformas para os volumes excedentes das áreas Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi (na cessão onerosa), no pré-sal da Bacia de Santos, a partir de 2021. Antes disso, segundo a Petrobras, serão necessárias 35 unidades de produção até 2020 para cumprir a curva de produção: chegar a 4 milhões de barris por dia, em média. Três dessas 35 plataformas entraram em operação este ano - a P-58, P-61 e P-62 -, 19 foram contratadas e 14 estão em processo de contratação.

Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) mostram que foram entregues seis plataformas no ano passado, construídas totalmente ou parcialmente no país. E que há, no momento, 14 sendo fabricadas em estaleiros nacionais - das quais duas tiveram seus cascos convertidos na Ásia.

O Sinaval também cita dados de uma apresentação do diretor de exploração e produção da Petrobras, José Formigli, do começo de julho, expondo a necessidade de outras 41 plataformas entre 2021 e 2030. A expectativa, segundo o sindicato, é que uma parte dessa demanda seja destinada à indústria naval brasileira, enquanto outras plataformas serão feitas por estaleiros internacionais, para depois serem afretadas à estatal por empresas parceiras.

Se as encomendas futuras tendem a se multiplicar, no presente vários estaleiros se preparam para os novos desafios enquanto dão conta de obras pedidas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Enseada Indústria Naval, formada por Odebrecht, OAS, UTC e a japonesa Kawasaki Heavy Industries, opera o Estaleiro Inhaúma, onde executa uma conversão e vai finalizar outras três conversões de cascos de navios em floating production, storage and offloading (FPSOs), espécie de navio-plataforma que produz, armazena e transfere petróleo.

São as P-74, P-75, P-76 e P-77 - que atuarão em áreas do pré-sal da cessão onerosa. O serviço está avaliado em US$ 1,7 bilhão. Desses quatro cascos, apenas a P-74 está sendo de fato convertido no Inhaúma. Já os cascos da P-75, P-76 e P-77 estão tendo seus trabalhos iniciais de conversão realizados no estaleiro Cosco, na China - para evitar atrasos no cronograma. Eles serão finalizados no Brasil.

As obras de conversão de todas essas plataformas devem estar concluídas até o primeiro semestre de 2016 e a construção dos módulos e integração de unidades serão realizados nos estaleiros EBR - Estaleiros do Brasil (RS), Honório Bicalho (RS) e Technip-Techint (PR), informa a petroleira. Sua previsão de entrada em operação da P-74 e da P-75 é em 2016. As P-76 e a P-77, começam suas atividades em 2017.

Segundo o diretor de relações institucionais e de sustentabilidade do estaleiro Enseada, Humberto Rangel, a política do governo e lógica do mercado foi focada nas encomendas do pré-sal. Isso gerou um nível de concentração e um momento oportuno para investimentos no segmento. "Agora, o grande desafio para as empresas do setor é se consolidar, ganhar competitividade e escala", ressalta.

O mercado, em expansão, oferece várias oportunidades para a indústria naval. "O Brasil terá que investir em navios especializados, cabotagem e reparo naval. As embarcações são expostas a condições que exigem um ciclo permanente de manutenção", analisa o executivo. A Enseada tem contratos totais de US$ 6,5 bilhões e inicia neste ano as operações do seu estaleiro na Bahia. Lá, fará seis sondas de perfuração.

Outro que vêm investindo para atender ao boom do setor e elevar a produtividade é o Brasfels, de Angra dos Reis (RJ), controlado pelo grupo Keppel Fels, de Cingapura. Estão sendo desembolsados cerca de R$ 300 milhões entre 2013 e 2016 em obras de expansão e melhorias. O Brasfels tem em carteira obras do FPSO Cidade de Mangaratiba, que deve ficar pronto este ano, e do FPSO Cidade de Itaguaí, com previsão de início de operação em 2015, além da construção e integração de módulos de outros dois FPSOs (P-66 e P-69).
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - PROMEF TEM 14 PETROLEIROS EM CONSTRUÇÃO
Publicado em 08/12/2014 as 12:11 PM



DivulgaçãoMendes Freire: EAS quer ocupar patamar competitivo no mercado externo



O Brasil tem, atualmente, a terceira maior carteira mundial de encomendas de petroleiros. É uma força e tanto para a indústria naval, garantida pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), criado há dez anos e realizado pela Transpetro, braço logístico da Petrobras. O investimento chega a R$ 11,2 bilhões se for considerado o pacote todo: 49 navios e 20 comboios hidroviários, do Promef Hidrovias, que representam R$ 432 milhões do total. Até agora, sete navios petroleiros foram entregues. O prazo final estimado é 2020, cerca de quatro anos além do previsto.

Segundo a Transpetro, existem 14 navios em construção, com cinco em fase de acabamento. A lista de 49 embarcações está distribuída em três estaleiros. O pernambucano Estaleiro Atlântico Sul (EAS) recebeu 22 encomendas. Seu conterrâneo Vard Promar, oito. Já com o estaleiro E isa Petro Um - Sociedade de Propósito Específico criada para fazer navios do Promef - que usa instalações do estaleiro Mauá (ambos do grupo Synergy) na Ponta d'Areia, em Niterói (RJ), há 12 navios contratados.

Outros três navios, do tipo bunker, serão repassados a outro construtor, porque o estaleiro carioca Superpesa, com problemas gerenciais, desistiu da empreitada. Segundo a Transpetro, o novo processo de licitação está em elaboração. E quatro navios de produtos que estavam a cargo do estaleiro Mauá estão entregues e operando - o último foi o José de Alencar, que entrou em atividade em janeiro. Este navio finaliza o lote inicial de encomendas, iniciada com o petroleiro Celso Furtado, entregue no fim de 2011.

A retomada da indústria de petroleiros não tem sido fácil. Mas depois de problemas gerenciais e falta de mão de obra qualificada que levaram a atrasos de mais de um ano nas primeiras entregas, algumas melhorias vem sendo observadas. "A indústria naval têm aprendido com o passar do tempo", ressalta o professor do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, Floriano Pires Júnior. "Temos avançado devagar, mas poderíamos ir mais rápido."

Ele lembra que muitos estaleiros nacionais têm sócios estrangeiros e isso ajuda a reduzir riscos de descumprimento de cronogramas. Mas ele defende metas específicas para que os brasileiros consigam, de fato, se apropriar da tecnologia de fora. "A inteligência, o maior valor agregado, está com os estrangeiros. Precisamos de uma estratégia mais articulada para o setor", analisa.

O estaleiro pernambucano, que chegou a ser multado por retardar entregas, vive nova fase. Tendo como sócios a Camargo Correa e Queiroz Galvão em parceria com o grupo japonês IHI, o EAS vem aprimorando processos e acelerando a absorção da experiência dos asiáticos, como, por exemplo, melhorias nos sistemas de solda visando automatização, acabamento no nível de bloco, rigor no controle dimensional, entre outras.

A carteira de encomendas do EAS para o Promef soma cerca de R$ 7 bilhões. Até agora, entregou três petroleiros: o João Cândido, em maio de 2012, o Zumbi dos Palmares um ano depois, e o Dragão do Mar, em abril. Há previsão de entregar, no segundo semestre, seu quarto navio, o Henrique Dias, que está em fase de acabamento, de interligações de sistemas e de testes antes de ir ao mar.

"Além do Henrique Dias, o estaleiro trabalha de forma simultânea em mais quatro navios e três navios-sonda, cada um em uma etapa distinta do processo construtivo", diz o diretor executivo de operações integradas do EAS, José Roberto Mendes Freire. Ele conta que, do início das atividades no Complexo Portuário de Suape, em 2007, ao ano passado, foram aportados cerca de R$ 2,1 bilhões.

Outros cerca de R$ 540 milhões serão desembolsados até 2016 em modernização, expansão das instalações e infraestrutura, com a construção de um novo cais para acabamento dos navios-sonda, oficinas e escritórios de apoio. "Esses investimentos permitirão que, até 2019, o EAS possa ocupar um patamar técnico competitivo no mercado internacional", destaca.

O estaleiro, avalia Freire, tem equipamentos modernos, que permitem trabalhar com a tecnologia de megablocos, e uma linha de painelização totalmente automatizada, que serve para gerar maior eficiência e produtividade ao processo de construção dos blocos de embarcações. Dados da Transpetro mostram que os sete navios entregues não só concretizaram o primeiro objetivo do Promef - revitalizar a indústria naval brasileira - como atingiram sua segunda meta, ao obterem um índice de conteúdo nacional mínimo de 65%.

O Vard Promar, que assim como o EAS fica na região portuária de Suape e nasceu pela força das encomendas do setor offshore, vai investir, nos próximos dois anos, R$ 100 milhões para ampliar a capacidade. "Além da expansão de oficinas, o investimento prevê o treinamento dos funcionários em diversas especialidades", afirma o presidente do Vard Promar, Miro Arantes.

Este valor se soma aos investimentos de R$ 350 milhões aplicados no desenvolvimento da infraestrutura, prédios administrativos, oficinas de corte, montagem e pintura, áreas de edificação e cais, equipamentos - como o pórtico para içamento de blocos - e o dique flutuante, que foram concluídos no fim do ano passado.

Dois navios gaseiros da lista dos oito do Promef sob responsabilidade do Vard Promar foram construídos no Vard Niterói (RJ), outro estaleiro integrante do grupo Vard. As embarcações estão em fase de acabamento. Os estaleiros são do grupo italiano Fincantieri. Além das obras para a Transpetro, o Vard Promar também foi contratado para construir dois navios de lançamento de dutos (Pipelayers) para a Dofcon Navegação.

"Somos o único grupo no Brasil com experiência neste tipo de embarcação", frisa Arantes. O estaleiro tem ocupação até o final de 2016 e o valor total da carteira soma cerca de R$ 1,5 bilhão.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - ERT PREPARA OS COMBOIOS PARA A TRANSPETRO
Publicado em 08/12/2014 as 12:10 PM

Inaugurado em 2012, em Araçatuba, interior de São Paulo, o Estaleiro Rio Tietê (ERT) prevê para as próximas semanas a entrega do primeiro comboio - formado por um empurrador e quatro barcaças -, do contrato de US$ 230 milhões assinado em 2010 com a Transpetro, braço logístico da Petrobras. A encomenda total soma 80 barcaças e 20 empurradores. Outros dois comboios estão previstos para ser entregues até o fim do ano.

Foram dois anos de atraso do cronograma inicial. De acordo com Rodrigo Andrade, diretor do ERT, houve problemas na construção do próprio estaleiro, iniciado em julho de 2011, que se deparou com desafios em relação às condições geomorfológicas da área não previstas nos estudos iniciais; seguido por ajustes no projeto e, até mesmo problemas na obtenção de licenças ambientais. As dificuldades colocaram, inclusive, a empresa na mira do Ministério Público.

Outro entrave foi a capacitação de mão de obra, que não existia na região. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que São Paulo concentra apenas 21% das empresas de construção de obras portuárias, marítimas e fluviais, porém, concentrados na região do litoral. "O mercado naval é muito específico. Tivemos que capacitar em torno de 400 pessoas para começar os trabalhos", afirma Andrade.

A expectativa é grande em torno da entrega do primeiro comboio, uma vez que o contrato com a Transpetro prevê que os pagamentos serão feitos apenas após a entrega. "Recebemos por enquanto 5% do valor previsto. A empresa vem sendo mantida por recursos próprios dos sócios, que mostram total comprometimento com o estaleiro, além de empréstimos bancários", diz Andrade. O ERT é de propriedade dos sócios do Estaleiro Rio Maguari, em Belém.

A capacidade de produção projetada pelo ERT é de 12 mil toneladas por ano em processamento de aço e, atualmente, a Transpetro ocupa cerca de 75% deste total, nas três linhas de fabricação. O plano é que a quarta linha de produção seja voltada para atender aos novos clientes.

"No momento, o contrato da Transpetro continua sendo o carro-chefe do ERT. Mas desde o início das operações, fomos procurados por diversas empresas interessadas na construção de embarcações para o transporte de seus produtos pela Hidrovia Tietê-Paraná (HTP)", afirma.

Andrade vê boas perspectivas para o atendimento de organizações que necessitem de uma melhor logística de transporte de granéis e carga geral nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. "Há muitos investimentos em andamento para a ampliação da capacidade da HTP. Isso fará com que o volume transportado e, consequentemente, o volume construído de embarcações subam de forma significativa nos próximos anos."
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - AMAZONAS BUSCA EXPLORAR POTENCIAL
Publicado em 08/12/2014 as 12:10 PM

A região do Amazonas vê na indústria naval um de seus grandes potenciais de desenvolvimento econômico para os próximos anos. No Estado do Amazonas, que tem cerca de 22 mil quilômetros de rios navegáveis e localização estratégica para a integração com países ligados pelos oceanos Atlântico e Pacífico, o objetivo é participar do processo de ressurgimento do setor no país com a construção de um complexo naval capaz de movimentar negócios em torno de R$ 1 bilhão ao ano, conforme estimativas da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan).

O projeto foi suspenso por determinação do Ministério Público Federal (MPF/AM), que exige consulta às comunidades ribeirinhas na definição das ações governamentais, mas, segundo o secretário-executivo da Seplan, Ronney Peixoto, o impasse está perto de ser resolvido. "Já temos o modelo de consulta pronto e deveremos alinhar bem o processo com a comunidade em agosto", diz Peixoto.

O polo naval faz parte de um projeto do governo amazonense denominado Complexo Naval, Mineral e Logístico, com o qual o Estado pretende atrair grandes indústrias. Hoje, o setor naval local fatura cerca de R$ 800 milhões por ano, segundo Peixoto. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é de cerca de R$ 60 bilhões. Ele conta que, em 2009, um levantamento mostrou que o Amazonas tinha cerca de 300 estaleiros, dos quais a maioria era informal e de pequeno porte. Do total, 60 estavam em Manaus. "São pessoas que acabaram absorvendo o conhecimento de construir pequenas embarcações, herança cultural em nossa região."

Um dos maiores construtores do Amazonas é o Estaleiro Bibi, de Manaus, com capacidade anual de processamento de 8 mil toneladas de aço. "Acredito que nossa região terá uma participação grande na exploração do pré-sal", afirma a diretora-geral da empresa, Danielle França. Essa perspectiva motivou um investimento de R$ 33 milhões para expandir da capacidade instalada e transformar o Bibi em um estaleiro de médio porte, promovendo melhorias tecnológicas para atender à demanda dos próximos anos. O estaleiro produz balsas, empurradores, canoas e embarcações mistas para clientes de vários Estados.

"Nossa indústria está capacitada e trabalha com tecnologia avançada. Acredito que, se continuarem os programas de incentivos federal e estadual no Amazonas, as nossas perspectivas são grandes", afirma o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval) - que também é o proprietário do estaleiro Bibi -, Alcimar da Silva Mota. Entre esses estímulos, ele cita o crédito de até 100% para construção de balsa para transporte e o incentivo fiscal de até 55%, para terminais portuários, concedidos pela Seplan. "É importante que o governo estadual dê atenção aos estaleiros existentes, aqueles que nos últimos anos têm atendido à demanda da região."

No Pará, o estaleiro Rio Maguari também se prepara para o aumento das encomendas, em razão da demanda surgida com a conclusão das obras que permitem o escoamento da produção agrícola pelo norte do país, principalmente o da soja produzida em Mato Grosso. Segundo Fabio Vasconcellos, diretor comercial do Rio Maguari, a pavimentação da BR-163 ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA) provocou um superaquecimento na demanda por balsas e empurradores, porque o transporte até o porto de Vila do Conde, no Pará, envolve um trecho hidroviário a partir de Santarém.

As boas perspectivas fizeram a empresa investir em um projeto para expandir em 50% a capacidade de processamento de aço, que é de 20 mil toneladas anuais.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - SANTA CATARINA REGISTRA PEDIDOS DE R$ 4,1 BILHÕES
Publicado em 08/12/2014 as 12:10 PM

A indústria naval de Santa Catarina vive uma fase de bonança. Entre 2013 e 2014, a Petrobras contratou o fretamento e a operação de 24 embarcações de apoio marítimo que serão construídas por três estaleiros até 2018, informa a assessoria de comunicação da empresa. O investimento de US$ 1,8 bilhão (R$ 4,1 bilhões) deve gerar até 4.500 postos de trabalho diretos e mais de 13,5 mil indiretos nos municípios portuários de Itajaí e Navegantes, que fornecem 80% das embarcações de apoio à exploração de petróleo e gás no Brasil.

Treze embarcações estão sendo construídas pela Starnav Serviços Marítimos no estaleiro Detroit, de origem chilena. Elas são do tipo PSV 4500 (Platform Supply Vessel), para transporte de carga. Quatro delas estão previstas para 2016 e nove para 2017. A Bram Offshore fará sete navios até 2018 no estaleiro Navship, de propriedade do grupo americano Edison Chouest Offshore. Três são PSV 4.500 e quatro, do tipo AHTS 21.000 (Anchor Handling Tug Supply), que manobra âncoras. Até 2018, quatro AHTS 18.000 serão construídas pela Companhia Brasileira de Offshore no estaleiro Oceana.

Também está em andamento um contrato assinado em 2012 pela Petrobras com o consórcio MGT para construção dos módulos de geração elétrica e desidratação de gás. Eles atenderão seis FPSOs (sigla em inglês para unidade flutuante que produz, armazena e transfere petróleo e gás), denominadas "replicantes": as plataformas P-66, P-67, P-68, P-69, P-70 e P-71. O consórcio é formado pela DM Construtora de Obras e pela TKK Engenharia. Outras obras de módulos para as plataformas estão a cargo da Amal, multinacional portuguesa subcontratada da Integra Offshore.

Grande diferencial do polo catarinense é o valor agregado aos navios pela tecnologia embarcada

Localizadas a 100 km da capital catarinense, as cidades de Itajaí e Navegantes oferecem infraestrutura portuária e aeroviária que facilita a extração de petróleo na região sul da Bacia de Santos. A Petrobras produz 74 mil barris diários de petróleo de alto valor comercial no campo de Baúna, a 210 km da costa, no pós-sal, em uma lâmina d'água de 250 metros. Para dar apoio ao navio-plataforma e às atividades exploratórias nos três estados do Sul, a empresa possui um edifício-sede em Itajaí.

Entre 2009 e 2011 os dois municípios tiveram crescimento de mais de 50% em seus Produtos Internos Brutos (PIB), conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2011, o PIB de Itajaí chegou a R$ 18,6 bilhões, encostando na maior economia de Santa Catarina, Joinville. No ano passado, a cidade ganhou 3 mil novas empresas - são hoje cerca de 19 mil, abrangendo desde serviços portuários a pesca industrial, comércio atacadista de alimentos, logística, construção e outros.

"Temos uma localização privilegiada para negócios", diz o secretário de Desenvolvimento Econômico Onézio Gonçalves Filho: "Cinco municípios incluídos entre os cem maiores PIBs do Brasil estão num raio de cem quilômetros daqui".

O Complexo Portuário de Itajaí, centro nervoso da economia local, é o segundo do Brasil em movimentação de contêineres. Outro destaque é a indústria pesqueira. Com uma frota de 700 embarcações, ela faz de Santa Catarina o maior produtor de pescado do país. A atividade é reforçada pela tradição da carpintaria naval, que movimenta estaleiros artesanais em Navegantes.

"As consultorias internacionais indicam Itajaí como a melhor opção brasileira hoje para quem quer se instalar na área de petróleo e gás", diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin) e diretor da Federação das Indústrias (Fiesc), Carlos Frederico da Cunha Teixeira. "Muitas empresas estão fazendo prospecções para se instalar em Santa Catarina, atraídas pelo desempenho econômico do estado e pelas boas condições aqui existentes". Um estudo da Fiesc indica que, no acumulado 2014/2013, as vendas da indústria catarinense cresceram 2,1%, enquanto a média brasileira foi de 0,3%. O índice de emprego no Estado cresceu 3,1% de janeiro a maio, contra 1,3% na média nacional.

Itajaí e Navegantes têm investido no apoio marítimo pelas circunstâncias geográficas: a pouca largura do rio Itajaí-açu só permite construções de até 180 metros de comprimento. O grande diferencial do polo catarinense é o valor agregado aos navios pela tecnologia embarcada. Um petroleiro consome cinco vezes mais aço que uma embarcação de apoio e custa apenas duas vezes mais, compara Teixeira: "Nossos estaleiros não podem ser grandes, mas têm de ser bons - e são bons". Embora o ritmo de investimentos tenha diminuído, a produção continua aquecida. O maior entrave é a escassez de mão de obra.

O governo tem enfrentado o problema por meio do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), criado para viabilizar a qualificação profissional e aumentar a nacionalização de conteúdo no setor. Desde 2003 o programa qualificou 97 mil trabalhadores no setor com cursos gratuitos abrangendo 185 categorias profissionais em 17 estados, informa a assessoria de comunicação da Petrobras.

No processo seletivo realizado em 2012, foram oferecidos em Itajaí cursos de caldeireiro, soldador de estrutura e de tubulação, montador, mecânico montador, encanador industrial, eletricista montador e eletricista de força e controle. Em 2013, o programa passou por algumas mudanças. As empresas passaram a se responsabilizar pela seleção dos alunos e por parte dos custos do programa.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - OBRAS DE QUATRO ESTALEIROS ENTRAM NA RETA FINAL
Publicado em 08/12/2014 as 12:09 PM

Quatro novos estaleiros estão na reta final de construção: Oceana, em Santa Catarina; EBR, no Rio Grande do Sul; Jurong Aracruz, no Espírito Santo; e Enseada, na Bahia. Com eles, o setor passa a contar com cerca de 50 estaleiros distribuídos de norte a sul do país, segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Há mais empreendimentos em fase de instalação, com previsão de abertura em médio ou longo prazos.

As novas indústrias, assim como projetos de ampliação de estaleiros já constituídos, são resultado dos investimentos que reergueram o parque naval do país nos últimos anos para atender à demanda da Petrobras por plataformas, embarcações e equipamentos necessários à exploração do petróleo do pré-sal e para permitir o escoamento de uma crescente produção agrícola. Passado este primeiro momento, o setor busca a consolidação de suas conquistas com tecnologia de ponta, qualificação de mão de obra e aumento da produtividade para se tornar competitivo no mercado global.

"A Petrobras atua no limite da tecnologia de prospecção em mar aberto, e nos poços mais profundos possíveis, o que significa que as embarcações fornecidas para suportar essas operações também precisam estar no limite do conhecimento. Este é um dos nossos grandes desafios", afirma Luiz Maurício Portela, presidente da Companhia Brasileira de Offshore (CBO), adquirida no fim do ano passado pelos grupos Vinci Partners e o fundo P2 Brasil - parceria entre Pátria Investimentos e Promon -, que detêm o controle do estaleiro junto com a empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar). Portela cita o caso das embarcações de apoio ligadas a satélites, que se aproximam de plataformas sem encostar nelas - um exemplo de recurso tecnológico avançado que otimiza as operações.

O Oceana, que ocupa uma área de 320 mil metros quadrados em Itajaí (SC), tem sua produção voltada para embarcações de apoio offshore de médio porte e possui capacidade para processar 15 mil toneladas de aço por ano. Segundo Portela, esta capacidade instalada equivale ao fornecimento de seis platform supply vessels (PSVs) por ano. Hoje, o estaleiro tem em sua carteira de encomendas dois PSVs e dois anchor handling tug supply (AHTS). "Nossas embarcações estão no estado da arte da tecnologia que existe hoje", afirma Portela. A conclusão das obras está prevista para agosto.

No início de julho, uma nova tecnologia aportou em Aracruz, no Espírito Santo, trazida do Japão pelo Sembcorp Marine, grupo de Cingapura que está construindo o estaleiro Jurong Aracruz no local. É um guindaste flutuante gigante, de 140 metros de altura, 110 metros de comprimento, 46 metros de largura e quatro ganchos de 900 toneladas cada -, capaz de içar até 3,6 mil toneladas. O equipamento foi encomendado pelo Sembcorp a uma empresa japonesa para ser utilizado no Brasil, inicialmente na produção de sete sondas que o Jurong Aracruz vai produzir para a Sete Brasil, empresa que tem contrato para fornecer 29 sondas para a exploração do pré-sal à Petrobras. "O guindaste tem bandeira brasileira e poderá ser utilizado para prestar serviços para outros estaleiros", diz a diretora institucional do Jurong Aracruz, Luciana Sandri.

O estaleiro, cujo investimento é orçado em R$ 1 bilhão, terá capacidade para processar 4 mil toneladas mensais de aço e foi planejado com conceito integrado - fabrica todo o tipo de equipamento naval e atua também nos segmentos de transformação e reparo. O Jurong emprega cerca de 2,5 mil pessoas e, no pico da produção, prevista para agosto de 2016, deverá ter este número ampliado para 5,4 mil vagas.

Segundo Luciana, os equipamentos terão conteúdo local entre 55% e 65%, privilegiando fornecedores de navipeças brasileiros. O Jurong Aracruz é primeiro estaleiro do Espírito Santo. "O projeto deverá provocar uma diversificação da indústria capaz de representar uma nova era para a economia local", afirma Luciana.

Para Portela, do Oceana, a qualificação é um ponto crítico no processo de ressurgimento do parque naval nos últimos 15 anos. "O Brasil fez um projeto industrial antes de fazer um projeto educacional."

Ele conta que o Oceana criou um centro de treinamento que inclui grandes simuladores, cujos programas de capacitação podem durar meses antes de o profissional fazer seu primeiro embarque para o alto mar.

No Jurong, apenas um dos programas de qualificação, realizado em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), recebeu US$ 4 milhões, segundo Luciana. Duas mil pessoas passaram por treinamento.

"É uma dificuldade, mas temos potencialidade grande, porque há anos são desenvolvidos projetos no país voltados para a capacitação no setor", diz Humberto Rangel, diretor de relações institucionais e de sustentabilidade da Enseada Indústria Naval, citando o exemplo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), da Petrobras.

Maior projeto privado da Bahia, com investimentos de R$ 2,6 bilhões, o Enseada terá capacidade de processamento anual de 36 mil toneladas por turno de oito horas. Segundo Rangel, 75% das instalações estão prontas, incluindo o primeiro cais, e o estaleiro recebeu três navios. Um deles trouxe para o Brasil a primeira parte do guindaste Goliath, comprado do grupo finlandês Konecranes. O equipamento tem 150 metros de altura, e capacidade para içar 1,8 mil toneladas. O término da construção do empreendimento está previsto para 2015.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - ENCOMENDAS DA PETROBRAS SOMAM US$ 7 BI
Publicado em 08/12/2014 as 12:08 PM


Regis Filho/ValorAlmada: "Ecovix investe R$ 1,4 bi na ampliação do ERG 2 e construção do ERG 3"



Com pouco mais de sete anos, alguns dos estaleiros implantados no Rio Grande do Sul já apresentam bom desempenho. Outros, no entanto, não deslancharam ou enfrentam dificuldades financeiras, segundo empresários e fontes do governo.

O QGI Brasil, antigo Quip, uma das primeiras empresas a se instalar no município de Rio Grande, tem dado bons resultados. Em 2013, concluiu a construção de três plataformas em seu canteiro de obras: a P-55, a primeira plataforma semissubmersível, do tipo quadrada, construída no Estado; a P-58 e a P-63, projetos 100% realizados por uma empresa nacional. Significam contratos em torno de US$ 5 bilhões, informa Marcos Reis, diretor-geral do QGI.

No momento, o estaleiro desenvolve os projetos de engenharia de outras duas plataformas do tipo o FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás) para a Petrobras. O contrato foi assinado no fim de 2013 e os cascos estão em processo de conversão na China. A construção dos módulos e a integração dos cascos às plataformas P-75 e P-77 serão feitas em 2015.

Duas outras unidades industriais navais, os Estaleiros Rio Grande 1 e 2, pertencentes à Ecovix, cujas operações começaram em 2010, concluíram a entrega de sua primeira encomenda: o casco da plataforma P-66, do tipo FPSO, saiu do dique seco do Estaleiro Rio Grande 1 (ERG1), com destino a Angra dos Reis, onde será feita a parte de integração e complementação. O casco tem engenharia básica feita pela sueca GVA e consultoria da chinesa Cosco, que apoia o processo produtivo do estaleiro brasileiro.

A operação da plataforma P-66 é considerada um marco para a Ecovix por se tratar do primeiro casco replicante da série de oito plataformas, que estão em construção para atender à exploração de petróleo nos campos do pré-sal na bacia de Santos. No total, os oito cascos e mais três navios-sondas encomendados pela Petrobras somam contratos da ordem de US$ 5,9 bilhões, segundo Gerson Almada, presidente da empresa.

Trata-se, evidentemente, de um bom negócio para os empresários. Os fatores de atração são positivos, avalia Alberto Padilha, presidente da Estaleiros Brasil Ltda. (EBR). A empresa, especializada em construções offshore, originada da associação entre a japonesa Toyo Engineering e a brasileira SOG Óleo e Gás (Setal), está investindo R$ 500 milhões na montagem de um estaleiro, em área de 1,5 milhão de hectares, no município de São José do Norte, em frente ao superporto do Rio Grande. O empreendimento, em fase de acabamento, terá um cais de 650 metros de comprimento e as oficinas terão capacidade para processar 110 mil toneladas de aço por ano.

A carteira de encomenda prevê a construção e integração de módulos da plataforma FPSO P-74, para o consórcio Petrobras Netherlands B.V. (PNBV), que irá operar nos campos do pré-sal, e deve ser entregue em dezembro de 2015. "Os programas da Petrobras, de necessidade crescente de equipamentos, principalmente para perfuração nas áreas do pré-sal, nos encorajaram a buscar financiamento para fazer esse novo estaleiro", diz Padilha. "O aumento da demanda justificou o tamanho de nossas instalações."

A carteira de projetos garante a ocupação dos estaleiros em Rio Grande até pelo menos 2018. Mas a estratégia é investir na expansão das operações, afirma Almada. Em outubro de 2013, cinco empresas japonesas - Mitsubishi Heavy Industries Ltd. (MHI), Imabari Shipbuilding Co. Ltd., Namura Shipbuilding Co. Ltd., Oshima Shipbuilding Co. Ltd. e Mitsubishi Corporation - concordaram em adquirir 30% do capital da Ecovix. A iniciativa, segundo ele, marcou o primeiro investimento de um consórcio de estaleiros japoneses e uma trading internacional no mercado brasileiro da construção oceânica. "Ecovix investiu R$ 1,4 bilhão, principalmente para a ampliação do estaleiro ERG 2 e construção do novo estaleiro ERG 3."

Nessas unidades, com cerca de oito mil empregados, serão construídas três sondas de perfuração para o consórcio Sete Brasil, fornecedor da Petrobras, num contrato de US$ 2,4 bilhões.

O impacto da indústria naval na economia gaúcha é sensível, afirma Aloísio Nóbrega, vice-presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), braço do governo estadual. Em 2013, de acordo com a Secretaria da Fazenda, o setor de indústria oceânica, que inclui a fabricação de embarcações, inclusive de lazer, representou 1,363% do valor total de vendas no Rio Grande do Sul.

Os valores investidos pelos quatro grupos na região de Rio Grande e São José do Norte ultrapassam R$ 12 bilhões. E as encomendas das Petrobras representam US$ 7 bilhões - US$ 911 milhões em encomendas no polo de Jacuí e US$ 90 milhões no nascente polo do Guaíba, que conta com dois empreendimentos, um deles da Ecovix, para construção de módulos.

"No momento, estamos num movimento conjunto com os estaleiros e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para criar um parque científico e tecnológico do mar, o Oceantec", diz Nóbrega.

Mas há projetos ainda empacados. O projeto do grupo Wilson Sons, anunciado em 2010, chegou a receber um terreno do governo estadual, mas não deu prosseguimento à instalação de seu estaleiro. Em nota, o grupo reafirma sua intenção de construir seu estaleiro em Rio Grande, e aguarda a liberação da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para uso da faixa de cais. O projeto prevê investimentos de até R$ 200 milhões e pode gerar cerca de 800 empregos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - INVESTIMENTOS EM PE JÁ PASSAM DE R$ 4,5 BILHÕES
Publicado em 08/12/2014 as 12:07 PM

Os estaleiros de Pernambuco intensificam suas operações e ampliam os investimentos para alcançar um patamar tecnológico mais competitivo com o mercado internacional. Até 2016, por exemplo, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), um consórcio formado por Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Aker Promar, com tecnologia da coreana Samsung, deve investir mais R$ 540 milhões na expansão de suas instalações e infraestrutura, com a construção de um novo cais para acabamento dos navios sondas, oficinas e escritórios de apoio.

Desde o início do projeto do estaleiro, em 2007, foram investidos no empreendimento um montante estimado em R$ 2,1 bilhões.

O estaleiro Vard Promar, sociedade entre a Vard (do grupo italiano Fincantieri) e a brasileira PJMR Empreendimentos, nem bem acabou de concluir as obras físicas de seu canteiro industrial no Complexo Portuário de Suape, com investimento de R$ 350 milhões, e já se prepara para expandir suas instalações com um novo desembolso de R$ 97 milhões, repassados pelo Fundo da Marinha Mercante. "Nossas previsões de aumento da demanda do mercado se confirmaram", justifica Miro Arantes, presidente da empresa. "Só a Petrobras deve contratar a construção de cerca de 150 navios até 2020 e nossa pretensão é conquistar 30% desse mercado", afirma.

Há obstáculos com relação ao treinamento e qualificação de mão de obra especializada

Não obstante as pretensões, a indústria naval pernambucana ainda não é um polo plenamente consolidado, claro. Os investimentos programados pelos dois estaleiros, para ser executados ao longo dos próximos anos, beira a casa de R$ 4,5 bilhões, além de R$ 1 bilhão previsto para ser desembolsado pela cadeia de fornecedores. O Complexo Portuário de Suape, localizado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, tem uma área de 13,5 mil hectares, mais de duas vezes o tamanho da cidade de Olinda.

Nele, o EAS é que está mais próximo de fechar a curva de aprendizado, segundo José Roberto Mendes Freire, diretor executivo de operações integradas. A planta industrial já está devidamente concluída. O empreendimento ocupa um terreno de 1,6 milhão de metros quadrados, e emprega 5,3 mil pessoas diretamente. O valor total da carteira do EAS PE é de US$ 7,5 bilhões, dos quais US$ 2,2 bilhões para 22 navios contratados pela Transpetro e US$ 4,6 bilhões para os navios sonda da Sete Brasil.

Segundo Freire, as premissas estabelecidas pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) - nível de importação de partes de navios e respeito do conteúdo nacional de 65% - "estão sendo rigorosamente cumpridas". Há vários questionamentos no setor, no entanto, em relação ao volume das importações feitas atualmente pelo EAS. Foram mais de US$ 80 milhões em importação de partes de navios da China ao longo de 2013, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). "Estão sendo realizadas importações e elas irão continuar se isso for necessário para acelerar o cronograma de entrega das embarcações. A operação, além de não implicar redução da força de trabalho do EAS, mantém o empreendimento dentro do índice de nacionalização exigido pelos contratos", diz Freire.

A curva de aprendizado de um estaleiro é um processo que demora pelo menos dez anos, na opinião de Miro Arantes, presidente do Vard Promar. Em dezembro, a empresa concluiu a primeira fase de instalação do estaleiro e as operações industriais têm pouco menos de um ano. Atualmente o estaleiro emprega 1,2 mil colaboradores, mas o quadro deve chegar a 1,8 mil ao longo de 2015.

O Vard Promar tem carteira de encomendas com oito navios gaseiros para Transpetro e dois navios de lançamento de dutos (Pipelayers) para a DOFCON Navegação. O valor total desta carteira é de cerca de R$ 1,5 bilhão. Com dois estaleiros no Brasil, o grupo Vard adota a estratégia de subcontratar parte das obras para sua unidade no sudeste, o Vard Niterói, como é o caso dos dois primeiros gaseiros da Transpetro (2 navios de 7.000 m3). "A atual carteira de encomendas permite a ocupação do estaleiro até o fim de 2016", diz Arantes.

Há obstáculos com relação ao treinamento e qualificação de mão de obra, e dificuldades de atração de empresas para formação de um cluster naval dentro do Complexo Industrial de Suape. No que se refere à formação de pessoal, de acordo com Roberto Abreu e Lima, secretário executivo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC), está em execução um conjunto de ações voltadas ao aprimoramento profissional. "Estamos formando a primeira turma de engenheiro navais do Nordeste, na Universidade Federal de Pernambuco, e já temos cursos de pós-graduação em engenharia naval, além de parceria com Senai e escolas técnicas federais para realização de cursos voltados ao setor", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - DEFASAGEM TECNOLÓGICA PREJUDICA O POLO DO RIO
Publicado em 08/12/2014 as 12:07 PM




Leo Pinheiro/ValorAriovaldo Rocha: Rio tem diversificação não é encontrada em outros polos



Maior polo naval do país, o Rio de Janeiro ainda tem conseguido se diferenciar pelas vantagens locais e por ter resgatado a capacitação que restou dos anos de ouro do setor, nas décadas de 1970 e 1980. Trata-se do polo naval mais antigo e o mais diversificado, que representa 37,5% do total do empregos diretos gerado no setor, estimado em quase 80 mil pessoas.

Hoje, está longe do que representou no seu apogeu quando estaleiros como Mauá, Emaq, Caneco, Verolme e Skawagima - que chegaram a formar o segundo maior polo naval do mundo, com a produção de até 15 navios por ano - e respondiam por 90% da produção nacional. Atualmente, são 18 estaleiros instalados nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Angra dos Reis e São João da Barra.

"Entre as vantagens locais estão a ampla rede de fornecedores, a existência de arranjos produtivos com os estaleiros prestando serviços entre eles e a oferta de recursos humanos", diz Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Para Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o Rio é o polo mais competitivo pela tradição e pelo fato de ter mão de obra especializada e que reside próxima ao estaleiro.

Apesar dos diferenciais, a competitividade do polo fluminense está em cheque, e vários estaleiros enfrentam dificuldades. O Estado reúne estaleiros centenários, como Eisa e Mauá (agora denominado Eisa Petro Um); outros que surgiram da recuperação do setor associando-se a parceiros globais, caso do antigo Verolme, agora Brasfels; além de estaleiros de menor porte, como Rio Nave, Aliança, Vard, Brasa, Mac Laren, Cassinu, Inhauma e São Miguel. Mas o polo sofre com a falta de espaço para crescer, layouts defasados e problemas financeiros e de gestão.

"O Rio de Janeiro ainda é o maior polo, mas não tem a mesma infraestrutura em termos de capacidade, tecnologia e layout dos estaleiros mais modernos que estão sendo implantados em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia. Os estaleiros são antigos, defasados e pequenos e não houve nenhum grande projeto, a não ser o da OSX, que não foi adiante", analisa Floriano Pires, professor de engenharia oceânica da Coppe/UFRJ e presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobema).

O OSX, que era a promessa de um estaleiro de padrão internacional no Estado, tenta se viabilizar em meio a um processo de recuperação judicial. Com a crise que atingiu o grupo EBX, de Eike Batista, o OSX sequer chegou a terminar sua construção e o que tinha a receber de seu principal cliente - a OGX - foi convertido em ações da empresa de petróleo, que, diante do cenário, não têm valor real.

O estaleiro chegou a construir os FPSOs OSX1 e OSX3 que estão em operação nos campos da OGX, mas o OSX2 está parado na Ásia. Vladimir Ranevsky, CEO do OSX, diz que as obras aguardam a aceitação pelos credores do plano de recuperação judicial encaminhado em 16 de maio, que deve ser votado em assembleia a ser marcada em agosto.

O estaleiro ainda conta com 400 funcionários, e, por meio do acordo com a Mendes Jr na Sociedade de Propósito Específico Integra, está construindo as plataformas P-67 e P-70 para a Petrobras. Outro projeto é a construção de um pipe-laying support vessel (PSLV) para a japonesa Sapura. O acordo de transferência de tecnologia com a Hyundai foi interrompido, mas as negociações continuam.

Outra crise vive o estaleiro Eisa, apesar da bilionária carteira de encomendas. Segundo reportagem publicada no Valor em 16 de julho, o empresário Germán Efromovich, que controla o Eisa via Synergy Group, e os administradores do estaleiro tentam encontrar uma saída, e no mercado fala-se que estariam buscando compradores.

O estaleiro está com as atividades paralisadas desde junho, mas conta com uma carteira de 26 contratos que somam US$ 1,5 bilhão em encomendas, segundo declarou Josuan Moraes Junior, presidente do Eisa. Defasado tecnologicamente, o estaleiro enfrenta problemas de produtividade e teria sido impactado pela inadimplência em um mau contrato com a PDVSA e pelos atrasos na aprovação - por parte de agente financeiro - dos empréstimos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), cujos recursos seriam utilizados para a sua modernização.

Apesar desses cenários de crise, o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, reitera a solidez do polo naval do Rio. "Estão em construção, no Estado do Rio, plataformas, sondas, navios de apoio marítimo, graneleiros e porta-contêineres, petroleiros, navios de derivados de petróleo, navios-patrulha e submarinos para a Marinha Brasileira. É uma diversificação que não é encontrada em nenhum outro polo naval no Brasil", afirma. Mas, para especialistas, caso não acelere sua modernização, o polo tende a ficar com um papel complementar na indústria naval brasileira.

É o caso, por exemplo, do grupo norueguês Vard, que adquiriu, no ano passado, as operações do STX OSV. Por falta de espaço para expansão no Rio, o grupo construiu o estaleiro Promar numa área de 250 mil metros quadrados no Complexo Industrial de Suape, Pernambuco, com capacidade de processamento de 20 mil toneladas por ano. Segundo Miro Arantes, presidente do Grupo Vard, o estaleiro de Niterói, agora denominado Vard Niterói, será complementar ao Vard Promar Pernambuco.

"O Vard Niterói é líder em construção de embarcações especializadas, e construiu 30 unidades. Mas o layout é pobre e antigo, e não há espaço para crescer e se atualizar de acordo com os padrões modernos. Para mantermos a atividade, ele ficará responsável pelo acabamento dos navios que estão sendo construídos no Vard Promar, em Pernambuco."
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - BUROCRACIA TIRA COMPETITIVIDADE
Publicado em 08/12/2014 as 12:06 PM

Os entraves tributários e a burocracia estão presentes em todos os segmentos da indústria naval. A reclamação é unânime. Um dos gargalos é a exigência de, no mínimo, 44 documentos para alguns tipos de embarcações. Outro entrave é o preço combustível destinado ao transporte fluvial. Por conta da incidência do PIS, Cofins e ICMS, esse combustível é 37% superior ao de outros tipos de navegação. E, para completar, a alta tributação no setor de navipeças e de naviserviços afeta fortemente o preço dos navios e plataformas.

Na avaliação do sócio da Buschmann & Associados Advogados, Marcus Vinicius Buschmann, o que pesa em todas as áreas do setor naval é a falta de uniformidade na legislação tributária e excesso de burocracia.

"O excesso de processos separados, burocráticos, para se chegar à alíquota zero, em cada segmento do setor (plataformas, navios, reparo e modernização de embarcações) compõe o custo brasil. É necessária a implantação de um tratamento legislativo ao setor naval com foco em competitividade", diz Buschmann, também assessor especial do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre cabotagem - tipo de transporte que movimenta cargas entre portos de um mesmo país, utilizando a via marítima - teve como um dos objetivos identificar os principais gargalos nesse segmento.

A burocracia e a alta carga tributária, seja na prestação do serviço de cabotagem ou na carga transportada, foram apontadas pelos 92 usuários da navegação de cabotagem durante a pesquisa. "As exigências de documentos na cabotagem são análogas às da navegação de longo curso, apesar de ser utilizada para o transporte local de produtos. São exigidos no mínimo 44 documentos para as embarcações, outros 9 podem ser demandados conforme o tipo de carga", consta no estudo "CNT do Transporte Aquaviário - Cabotagem 2013".

Atualmente, os principais produtos transportados na navegação de cabotagem são os combustíveis e óleos minerais e produtos (77,2%), seguido pela bauxita (10,1%) e, em terceiro lugar os contêineres (5,1%). Outra pesquisa da CNT identificou os principais componentes dos custos da atividade. O valor do combustível é o principal item, seguido pelos gastos com tripulação, tributos e mão de obra avulsa.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - PARCERIAS COM SISTEMA S ASSEGURAM CAPACITAÇÃO
Publicado em 08/12/2014 as 12:06 PM

A indústria naval e offshore brasileira deverá empregar 100 mil pessoas até 2017. A projeção, da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), está embasada no crescimento constante do setor, sustentado pelas encomendas da Petrobras. Atualmente, a indústria emprega cerca de 80 mil profissionais diretos.

Apesar do otimismo, há o crônico problema de falta de profissionais qualificados, com o agravante de que essa indústria ficou "adormecida" por mais de duas décadas. "Com o boom da demanda, precisou-se de uma quantidade de trabalhadores qualificados que não possuíamos. Isso gerou um déficit de mão de obra e, agora, precisamos de tempo para formar pessoal. Mas, não adianta formarmos profissional às pressas e sem qualidade", afirma Augusto Mendonça, presidente da Abenav.

Para ele, é necessário que o governo monte um plano de investimento para instituições de ensino, visando a modernização e a adequação às necessidades dos estaleiros. "Existem bons cursos como os do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e outros particulares. O desafio de formação de recursos humanos exige colaboração contínua e ampliada entre os estaleiros, universidades, escolas técnicas e órgãos estaduais e municipais", destaca.

Em muitos casos, são os estaleiros, em parceria com órgãos como o Senai, que formam sua própria mão de obra ou oferecem cursos para os moradores da região onde atuam. Eles estão especialmente no Rio Grande (RS), Suape (PE), Aracruz (ES) e Maragojipe (BA).

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, tem um Centro de Desenvolvimento Humano (CDH), desde 2013, no qual foram investidos R$ 2 milhões em infraestrutura e equipamentos. São ao todo 11 salas de aula com capacidade para atender simultaneamente 500 pessoas, auditório para 120 pessoas e seis laboratórios técnicos. Ao todo, mais de 400 colaboradores foram capacitados no Programa de Formação Profissional para os cargos de montadores, soldadores, mecânicos, encanadores, eletricistas e instrumentistas.

"Até o momento, foi investido R$ 1,9 milhão em qualificação, intercâmbio internacional e desenvolvimento da liderança. O CDH tem parcerias com instituições de ensino locais e programas governamentais destinados à educação", afirma José Roberto Mendes Freire, diretor-executivo de operações integradas do EAS. O desenvolvimento interno de profissionais é uma das prioridades do centro, porque projetos que demandam tecnologias mais complexas exigem cada vez mais profissionais especializados. "Precisamos também alavancar os ganhos de produtividade e custo", diz.

Em Itajaí (SC), onde estão cerca de dez estaleiros, o Senai tem atuação intensa, de acordo com seu diretor regional, Donald Falconer Smith Jr. "O cenário continua a ser de crescimento, a demanda em nossa região permanece aquecida, principalmente na área de construção naval."

Os estaleiros, de acordo com Mendonça, montaram estruturas próprias para formação de mão obra especializada como soldadores, pintores e outros. No entanto, segundo ele, há maiores dificuldades para conseguir pessoal de nível médio e técnico, como projetistas, mestres, caldeireiros, encarregados, além de administradores, profissionais de tecnologia de informação, recursos humanos e engenheiros.

Mas, o interesse de jovens por carreiras ligadas à indústria naval pode reverter o quadro em alguns anos. De acordo com Ingrid Ribeiro Couto, coordenadora da Escola Técnica Estadual (ETE) Henrique Lage, em Niterói (RJ), que integra a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), o curso de construção naval foi um dos mais procurados no último concurso de ingresso para o ensino médio integrado ao técnico.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - SETOR TEM EMPRÉSTIMOS APROVADOS PARA MAIS DE 400 PROJETOS
Publicado em 08/12/2014 as 12:06 PM

Não faltam recursos para financiar os projetos do setor naval. Atualmente, o percentual máximo de financiamento varia de 90% a 100% para a construção, modernização e ampliação de navios e estaleiros. Em 2013, os navios-sonda, voltados à exploração de petróleo, entraram na lista de prioridades do setor.

De 2013 até agora, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) se reuniu quatro vezes, aprovando R$ 30,3 bilhões para os projetos apresentados. Nas quatro reuniões, 430 projetos foram submetidos à análise do conselho. Apenas um foi negado e o restante aprovado. "Não há falta de recursos", diz o diretor do Fundo da Marinha Mercante (FMM) do Ministério dos Transportes, Gustavo Lobo. A próxima reunião do CDFMM para a análise de projetos está agendada para 29 de agosto.

O FMM liberou R$ 5 bilhões em 2013. No primeiro semestre deste ano, foram desembolsados R$ 995,4 milhões, próximo do valor liberado no mesmo período de 2013. É na segunda metade do ano que a saída de recursos costuma ser mais generosa.

O FMM é o principal instrumento de fomento das indústrias de construção e de reparo navais no Brasil. Os recursos chegam às empresas por meio dos agentes financeiros governamentais, entre eles, BNDES, Banco do Brasil (BB), Caixa, Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Banco da Amazônia (Basa). Nem tudo da indústria naval é financiado pelo FMM. Geralmente, estaleiros e embarcações são financiados com recursos do fundo em até 90%. Já os equipamentos da cadeia de fornecedores ou plataformas de petróleo são recursos das linhas do BNDES.

Atualmente, o BNDES é o principal agente repassador do FMM. No primeiro semestre, a carteira total do banco era composta por R$ 29,5 bilhões em operações contratadas para 83 projetos. As liberações utilizando os recursos do FMM são crescentes ao longo do tempo. Em 2009, foi liberado cerca R$ 1,8 bilhão. Em 2013, R$ 2,6 bilhões. Para 2014, a perspectiva é de manutenção do montante desembolsado em 2013.

O BNDES apoia a Transpetro na construção de 30 barcos, integrantes do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef 1 e 2). No primeiro semestre, foram contratadas operações de R$ 8,02 bilhões para os navios da Transpetro e R$ 3,41 bilhões para as operações nos estaleiros onde serão construídos os navios da empresa.

Aprovado o financiamento pelo CDFMM, a empresa tem o prazo de um ano para efetivar a contratação com um agente financeiro (BNDES, BB, Caixa, BNB ou Basa). Os prazos e as condições de financiamento são regulados pela resolução do CMN 3828. Variam de acordo com o tipo da obra, conteúdo nacional e com o tipo do beneficiário. O prazo mínimo de carência é de quatro anos e máximo de 20 anos. O financiamento é atualizado pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), acrescida da taxa de risco, que varia de 1% a 8,5%, conforme o projeto e o seu conteúdo (nacional ou importado).

Diante do aumento das descobertas de reservas de óleo e gás, sobretudo do pré-sal, o BB, em 2011, expandiu o atendimento especializado ao setor naval por meio de escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. Também constituiu equipes para prestar assessoria nos financiamentos a projetos do setor. Segundo o diretor de corporate bank do BB, Edson Costa, a linha que financia a expansão de frotas de embarcações de apoio, com uso de recursos do FMM, desde 2011, cresceu 370%.

Em junho, o BB contava com cerca de 30 projetos ligados à industrial naval em sua carteira de financiamentos, envolvendo R$ 10 bilhões. A participação da parcela de financiamentos nesses projetos situa-se entre 70% e 75% dos investimentos totais. "O banco analisa outras operações que poderão elevar o volume de investimentos para R$ 28 bilhões até o fim de 2014. Esses projetos incluem especialmente navios-sonda, embarcações de apoio e estaleiros", diz Costa.

De acordo com ele, o início de exploração de petróleo em áreas do pré-sal garante boas perspectivas para a indústria naval. Haverá demanda de recursos para a construção de navios-sonda e de embarcações de apoio. "Além das fontes tradicionais de financiamento ao setor, as captações via mercado de capitais serão importantes, dado o volume de recursos necessário para viabilizar os projetos."

Na avaliação do sócio da área de infraestrutura do Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, Mauro Penteado, a entrada de mais financiadores nos projetos navais - além dos bancos públicos - é questão de tempo. "As primeiras operações estão sendo realizadas. Com as experiências e compromissos honrados, haverá mais alternativas de financiamentos. A continuidade dos projetos no mercado, estabilidade e previsibilidade vão incentivar a participação dos bancos comerciais."
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - ÍNDICES DEVEM SE MANTER INALTERADOS
Publicado em 08/12/2014 as 12:05 PM



Itzaina, da Rolls-Royce: nova unidade para atender à crescente demanda e impulsionar a base de clientes



As regras de conteúdo local para o setor de óleo e gás têm sido objeto de polêmica. Se por um lado ajudam a desenvolver a cadeia de fornecedores, por outro, dizem os especialistas, atrasam o cronograma de produção da Petrobras porque a demanda tem sido superior à capacidade de atendimento. A estatal tem indicado que manter a curva de produção é prioridade - tanto que mandou fazer em estaleiros da China parte de obras de cascos de plataformas -, mas também diz que cumprirá as exigências contratuais de conteúdo local.

Para Pedro Dittrich, sócio responsável pela área de petróleo e gás da Tozzini Freire Advogados, o conteúdo local é benéfico para o país porque, ao visar o desenvolvimento da indústria nacional, estimula também a inovação tecnológica, a geração de empregos e a capacitação de profissionais especializados. Ele lembra que o Reino Unido, EUA, Canadá e Austrália, por exemplo, têm políticas similares alcançando níveis satisfatórios.

No entanto, observa que no Brasil, a cadeia de bens e serviços para o setor offshore não é capaz de suprir completamente a demanda. "Até o fim do ano passado, cerca de 30% dos contratos de concessão fiscalizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) resultaram em multas aplicadas aos concessionários por descumprimento do conteúdo local estabelecido em contrato", afirma.

Para Dittrich, o governo não dá sinais de flexibilização dos índices de conteúdo vigentes, porque isso mudaria as regras dos contratos de concessão assinados pelas petroleiras. "O ideal seria revisar nas próximas rodadas, de modo a calibrar os percentuais exigidos de acordo com a capacidade da indústria", opina. Para ele, governo e setor industrial deveriam discutir os parâmetros aplicados, "considerando até mesmo a dispensa de itens que são mais difíceis de produzir no país".

Há quem ressalte mais o lado positivo da questão. O diretor comercial da Wilson Sons Estaleiros, Matheus Vilela, diz que a exigência de conteúdo local só traz benefícios: colabora com a geração de empregos, transfere know how para a indústria e oferece oportunidade de desenvolvimento às empresas ligadas à construção naval. Para ele, ainda não chegou a hora de flexibilizar as regras.

"Uma possível flexibilização tem que ser bem planejada", avalia. E, acrescenta, para que essa mudança ocorra, é fundamental que sejam levados em consideração o prazo, o preço e a qualidade das embarcações.

Um exemplo é o PSV (barco de apoio à plataforma) Prion, entregue no ano passado pelo estaleiro à Wilson Sons Ultratug Offshore, empresa de apoio marítimo que presta serviço à Petrobras. Integrante do Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo (Prorefam) da estatal, o Prion alcançou 77% de conteúdo local, acima dos 60% exigidos na fase de construção e dos 70% para a operação para esse tipo de embarcação.

Enquanto o debate continua, novos investimentos estrangeiros chegam ao país. Um deles é o da multinacional Rolls-Royce, que está aportando R$ 80 milhões na unidade de Duque em Caxias (RJ). Dedicada à montagem e teste de grandes propulsores e outros equipamentos, deve iniciar operações no primeiro trimestre de 2015. "A abertura da unidade não foi motivada apenas pelo conteúdo local, mas para atender à crescente demanda do mercado e impulsionar nossa base de clientes", diz o CEO da Rolls-Royce para a América do Sul, Francisco Itzaina.

Os primeiros propulsores construídos na nova fábrica serão para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). De acordo com Itzaina, para atender ao conteúdo local, a Rolls-Royce aposta em trazer de fora processos de fabricação e estreitar o relacionamento com fornecedores nacionais. Para tanto, há investimentos sendo feitos na unidade de Santa Cruz (RJ) visando à substituição de importações no valor de US$ 1,5 bilhão nos próximos dez anos. Isso porque, hoje, os turbogeradores da empresa têm parte do material comprado localmente e parte importada. "A montagem é feita parcialmente no exterior, e a expectativa é que esses processos sejam nacionalizados até 2016", destaca.

Outra multinacional de equipamentos pesados, a SKF, está de olho na movimentação do mercado para dar seus próximos passos. A empresa, focada na manutenção de navios e plataformas, por enquanto não produz no país nenhum item específico. Mas pode passar a fabricar no futuro, segundo o gerente do segmento naval para América Latina, Ricardo Vieira do Amaral, "se a demanda justificar o investimento", afirma.

O atendimento aos clientes no Brasil hoje é feito principalmente com importações da Europa. A expectativa da SKF é atingir US$ 10 milhões anuais em vendas no país em cinco anos. Para Amaral, uma flexibilização do conteúdo local reduziria o investimento de fabricantes de equipamentos. "É muito importante para as empresas terem uma visão clara e de longo prazo das regras e dos investimentos contratados para definir estratégias", diz.

Seguir as normas de conteúdo local é parte relevante do planejamento estratégico da Enseada Indústria Naval, formada por Odebrecht, OAS, UTC e KHI (Kawasaki Heavy Industries). O diretor de relações institucionais e de sustentabilidade da empresa, Humberto Rangel, diz que o cumprimento das regras de conteúdo local é a diretriz de trabalho. "A Enseada apoia a política do governo e acredita que ela seja uma oportunidade de desenvolvimento sustentável da indústria naval no país e de absorção de tecnologia", ressalta.

O Estaleiro Inhaúma (RJ) tem em carteira a conversão de quatro cascos de navios em plataformas FPSO (que produz, armazena e transfere óleo).
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

ESPECIAL INDUSTRIA NAVAL - ÁGUAS AGITADAS
Publicado em 08/12/2014 as 12:04 PM

Por Simone Goldberg | Para o Valor, do Rio



Depois de anos de euforia, trazida pela chuva de encomendas e investimentos do setor de petróleo e gás, parte da indústria naval brasileira enfrenta agora águas turbulentas. No Rio de Janeiro, o estaleiro Eisa, do grupo Synergy, em crise financeira, paralisou atividades, e o OSX está em recuperação judicial. No Rio Grande do Sul, o polo naval do Jacuí, em Charqueadas, vive outro drama. Sua principal empresa, a Iesa Óleo e Gás, passa por dificuldades de caixa, que agora deverão ser resolvidas com a aquisição do estaleiro pela Andrade Gutierrez.

Esta situação localizada contrasta com os números e as expectativas do setor naval, que permanecem gigantescos. Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) mostram que há 390 encomendas na carteira dos estaleiros nacionais. Elas estão avaliadas em mais de R$ 110 bilhões, considerando que a maior parte do bolo - cerca de R$ 54 bilhões - se refere à produção de 29 sondas para a Sete Brasil, que vai arrendar 28 delas à Petrobras, e as plataformas para a estatal, avaliadas em R$ 53,4 bilhões. Não estão sendo contados os valores de navios e embarcações diversas.

Embora as perspectivas sejam positivas, os imbróglios gaúcho e fluminense acenderam um sinal de alerta sobre a gestão de empresas ligadas ao setor naval e a capacidade de cumprimento de prazos. A presidente da Petrobras, Graça Foster, tem dito que o cronograma de entrada em operação das unidades de produção da empresa é prioridade. Tanto que a estatal chegou a encomendar obras de cascos de plataformas fora do Brasil, para evitar atrasos. Em meados de julho, Graça Foster esteve com o governador Tarso Genro (PT), no Rio Grande do Sul, em busca de soluções para Charqueadas.

Explica-se o interesse: a Iesa Óleo e Gás tem um contrato para fabricar 24 módulos para Floating Production Storage and Offloading (FPSO), espécie de navio-plataforma, para a estatal. É um negócio de US$ 800 milhões e os primeiros módulos estão atrasados. O Eisa tem contratos de US$ 1,6 bilhão, entre eles sete cargueiros para a Log-In Logística Intermodal. Três foram entregues, um deveria ficar pronto até o fim do ano e os demais estão atrasados. A previsão era que o Eisa retomasse as atividades no fim de julho. No mercado, comenta-se que o estaleiro será vendido.

"O sistema produtivo da construção naval brasileira é muito bem estruturado e tem uma demanda firme de encomendas", diz o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha. Para ele, os problemas pontuais estão sendo equacionados e tendem a ser resolvidos com soluções de mercado, de forma a preservar os contratos e os empregos criados em diversos Estados. Segundo o Sinaval, o setor emprega mais de 78 mil pessoas, das quais 30 mil no Rio de Janeiro. Estima-se que outros 20 mil postos de trabalho diretos sejam gerados com os novos estaleiros que estão surgindo.

A Petrobras é a maior força do setor naval. Dados da empresa revelam que de 2012 a 2020 são US$ 100 bilhões contratados para barcos de apoio, sondas, navios e plataformas. Só o seu braço logístico, a Transpetro, toca o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), com encomendas de 49 petroleiros e 20 comboios hidroviários. Soma US$ 11,2 bilhões e tem entregas previstas até 2020. Já o Promef Hidrovias prevê R$ 432 milhões para a construção de 20 empurradores e 80 barcaças. Eles formarão 20 comboios hidroviários para transporte de etanol.

Há ainda outras demandas bilionárias da estatal. As estimativas apontam necessidade de mais de 70 plataformas até 2030, levando em conta o desenvolvimento do pré-sal e da produção dos volumes excedentes da cessão onerosa, empreitada que a Petrobras recebeu em junho do governo. Só aí são cerca de 10 bilhões de barris óleo a serem tirados do mar.

Segundo a estatal, existem 19 plataformas contratadas e 14 em processo de contratação. Três entraram em operação neste ano. Dados do Sinaval mostram que foram entregues seis plataformas em 2013, construídas total ou parcialmente no país. No momento, há 14 delas sendo fabricadas em estaleiros nacionais - das quais duas tiveram seus cascos convertidos na Ásia.

Por conta da demanda da Petrobras, vários estaleiros estão sendo criados no país. O Rio Tietê, em Araçatuba (SP), que está construindo os comboios hidroviários, é um deles. A previsão é entregar os três primeiros comboios hidroviários neste ano. Os demais serão entregues entre 2015 e 2017. Outros nascidos em função da estatal são o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) e o Vard Promar, em Pernambuco; o EBR- Estaleiros do Brasil, no Rio Grande do Sul; o Enseada, na Bahia; e o Jurong Aracruz, no Espírito Santo.

Há dois outros em implantação, segundo o Sinaval: o OSX, no Rio, e o CMO Offshor e, em Santa Catarina. O EAS, além de ter recebido encomendas de 22 petroleiros para o Promef, tem em carteira sete sondas de perfuração. O Vard Promar, além de construir navios para a Transpetro, se prepara para produzir barcos de apoio, seu maior foco. Começou a operar em meados de 2013. O EBR fará, a partir deste ano, a construção e a integração de módulos para uma plataforma.

O Enseada, no Rio, onde opera o estaleiro Inhaúma, toca a conversão de cascos de navios em plataforma. Já em sua instalação na Bahia fará seis sondas de perfuração neste ano. O Jurong Aracruz, que deve estar concluído em 2015, também tem encomendas de sete sondas. As sondas ainda estão na carteira de outros dois estaleiros: o Brasfels, de Angra dos Reis (RJ), e do Estaleiro Rio Grande (ERG), no Rio Grande do Sul. O prazo para a conclusão do conjunto desses equipamentos é de 2016 a 2020.

A Petrobras também puxa o setor por outras cordas: o Programa de Renovação da Frota de Embarcações de Apoio Marítimo (Prorefam) e o Empresas Brasileiras de Navegação (EBN). O primeiro foi criado em 2008 e prevê a contratação de 146 embarcações, em sete rodadas. Em maio, a estatal aprovou a contratação de 23 barcos de apoio, integrantes da sexta rodada.

Essas contratações aprovadas, segundo a estatal, somam um investimento de cerca de US$ 1,7 bilhão para a fase de construção, a ser feito pelos afretadores. Até o fim de outubro, a empresa assina os contratos dos barcos da sétima rodada, lançada em março. No total, foram contratadas mais de 100 embarcações em 11 estaleiros. O investimento do programa é de US$ 11,2 bilhões e os barcos têm até quatro anos para ficar prontos a partir da assinatura do contrato.

O EBN, por sua vez, anda devagar. Trata-se de uma iniciativa para a Petrobras afretar, por 15 anos, embarcações construídas no país e operadas por empresas brasileiras, como forma de reduzir os gastos com frete marítimo. Mas dos 39 navios que compõem a iniciativa - e que devem ser entregues até 2017 -, só um ficou pronto. Outros dois estão em construção e os demais, sendo negociados entre armadores, estaleiros e agentes financeiros.

Para Rocha, os estaleiros nacionais têm a missão de oferecer capacidade estratégica para as necessidades do país, mas isso não significa que poderão atender a todas as demandas da Petrobras, "que realiza o maior programa de investimentos em produção de petróleo offshore do mundo". E defende parceria internacional. Segundo ele, a construção naval brasileira é competitiva em itens como plataformas e módulos de serviço, mas esbarra nos incentivos fiscais concedidos por estaleiros da Ásia, que provocam distorção para análise do preço final de navios.

Ainda assim, Rocha aponta o aumento da produtividade e a capacitação de pessoal como os grandes desafios da indústria. Para superar essas limitações, existe um esforço da iniciativa privada e do governo para ampliar as vagas no ensino técnico profissionalizante. Os estaleiros, por sua vez, fazem sua lição de casa investindo na formação de pessoal.

Petroleiros, plataformas, sondas e barcos de apoio têm outra coisa em comum além de estimular a atividade dos estaleiros nacionais. Precisam cumprir índices de conteúdo local que variam de 50% a 70%, em média. E é a demanda, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, o principal incentivador dessa cadeia de fornecedores de bens e serviços.

"Ela garante os investimentos, e a competitividade virá pelo volume e pela atração de novas empresas para o setor", aposta Mendonça. Mas há gargalos a ser vencidos, como escassez de mão de obra qualificada e deficiência no suprimento interno de alguns itens, considerados críticos, como válvulas, equipamentos eletrônicos, motores de grande potência, turbinas a gás, entre outros.

Pelos cálculos da Abenav, o setor naval e offshore e sua cadeia de fornecedores são responsáveis por cerca de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. A previsão é de crescimento, uma vez que vários estaleiros estão começando ou prestes a começar a operar. "Vencendo a curva de aprendizado, a indústria deve, nos dois próximos anos, dobrar sua capacidade de produção", diz Mendonça.

Para ele, permanece a busca por competitividade em prazo, qualidade e preço visando não só a perpetuação do setor como para ganhar o mercado internacional. Para chegar lá é preciso investir em tecnologia, inovação, boas condições de infraestrutura e o batido tópico da qualificação de mão de obra, itens para os quais existem iniciativas em curso, segundo ele.

Mendonça afirma que novas áreas de exploração significam mais contratações de plataformas de produção, sondas de perfuração e embarcações de apoio marítimo. Nesse contexto, o leilão do megacampo de Libra, o primeiro do pré-sal arrematado em outubro pela Petrobras em parceria com Shell, Total e duas petroleiras chinesas, a CNOOC e a CNPC, ilustra bem o cenário.

Somente para Libra, diz Mendonça, serão necessários 15 plataformas de produção e 50 barcos de apoio, movimentando cerca de US$ 30 bilhões. Ele afirma que nesses quase 15 anos de ressurgimento da indústria naval, o Brasil pode se equiparar, em termos de competitividade, em alguns setores, com países que são considerados parâmetros no áreas, como Noruega e Cingapura. "Este avanço, em um pouco mais de uma década, é bem mais acelerado do que o ocorrido em países como Coreia e Japão."

Na visão da chefe do Departamento de Gás, Petróleo e Cadeia Produtiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Priscila Branquinho, a indústria naval brasileira ainda tropeça em problemas de gestão, especialmente na parte de processos produtivos. E nesse ponto, a participação de sócios estrangeiros - todos japoneses - como o grupo IHI no EAS, o KHI no Enseada, o Toyo no EBR e o MHI no Engevix, ajuda a acelerar o ganho de conhecimento.

"Mais que a tecnologia, o comprometimento dos sócios traz avanços em conhecimento e processos de gestão, elevando a produtividade", diz Priscila. E isso acaba fomentando a cadeia produtiva como um todo.

Para o gerente do Departamento de Gás, Petróleo e Cadeia Produtiva do BNDES, Luiz Marcelo Martins Almeida, a indústria no Brasil deveria fugir de commodities do setor como os petroleiros, e apostar em barcos de apoio offshore. "Eles exigem mais tecnologia embarcada e uma mão de obra mais especializada, de alto nível."
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

EFICIÊNCIA É SAÍDA PARA QUEDA DA ATIVIDADE NO PAÍS
Publicado em 08/12/2014 as 12:04 PM

Julián Eguren, da Usiminas: A empresa está em melhor patamar de eficiência e lucratividade do que há dois anos

Mesmo enfrentando um ano difícil, as principais siderúrgicas com atuação no Brasil avançam em 2014 mais fortalecidas e resistentes às instabilidades econômicas e de mercado. Isso se deve, em grande parte, ao trabalho das equipes dessas grandes empresas, que dirigiram seu foco à melhoria contínua da eficiência operacional e maior integração com os clientes. O que não é pouco frente à redução do consumo em alguns dos principais mercados, como o setor automotivo, e a uma situação de excesso de oferta global de aço. O momento desfavorável refletiu-se no Ibovespa. No primeiro semestre, Usiminas, CSN e Gerdau estiveram entre as quatro maiores quedas da bolsa brasileira, atrás apenas da MMX.

Flutuações no preço das ações à parte, o presidente da Usiminas, Julián Eguren, afirma que no segundo trimestre deste ano a disciplina de gestão levou a companhia a resultados expressivos. "Em que pese o cenário conjuntural interno de baixa demanda de aço, com consequente redução do volume vendido, o Ebitda da Usiminas cresceu 24% frente ao segundo trimestre de 2013".

Esse resultado reflete melhoria da operação e controle de custos. O que pode sinalizar que o setor como um todo está respondendo adequadamente ao panorama internacional adverso, reforçando estratégias de desenvolver novas oportunidades de negócios. Afinal, no mercado interno há um claro cenário positivo pela frente: construção naval, infraestrutura, pré-sal, Olimpíada 2016, programa Minha Casa Minha Vida e estímulo ao consumo das classes que migraram recentemente para um patamar superior.

A Usiminas comercializou no segundo trimestre deste ano 1,5 milhão de toneladas de aço, queda de 7% em relação ao mesmo período de 2013, mas aumento de 1% em relação ao primeiro trimestre/2014. Especificamente no mercado doméstico foram vendidas 1,2 milhão de toneladas, redução de 13% em relação ao segundo trimestre/2013 e de 3% em relação ao primeiro trimestre/2014. A performance é consequência do desaquecimento da atividade industrial brasileira no período, com impacto nos consumidores de aços planos. Já as exportações foram de 220 mil toneladas, crescimento de 53% frente ao segundo trimestre/2013 e aumento de 30% frente ao primeiro trimestre do ano.

Os investimentos da Usiminas no segundo trimestre/2014 totalizaram R$ 261 milhões, focados na atualização tecnológica das plantas e na modernização da Coqueria II, na Usina de Ipatinga. Do total dos investimentos no trimestre, foram aplicados 86% na siderurgia, 11% na mineração, 2% na transformação do aço e 1% em bens de capital.

Segundo Egurem, a Usiminas está consolidando uma nova cultura. "A companhia está em outro patamar de eficiência e lucratividade em relação ao que tinha há dois anos, o que nos motiva a superar os atuais desafios do mercado olhando para frente, de posse de uma agenda de melhoria contínua", diz.

Esse tipo de política indica que o setor siderúrgico nacional se prepara para futuros saltos, ainda que o cenário para 2014 continue sendo desafiador, em função dos elevados estoques mundiais e das perspectivas de desaceleração da economia no mercado doméstico.

Na visão de Carlos Rotella, presidente da Votorantim Siderurgia, essa conjuntura exigirá empenho na busca por melhores sinergias operacionais e melhorias constantes em processos.

O braço siderúrgico do grupo Votorantim atua no Brasil com três unidades. Uma em Barra Mansa (RJ), outra em Resende (RJ) e a terceira em Três Lagoas (MS), esta em sociedade com o empresário Alexandre Grendene. No exterior, a Votorantim Siderurgia tem o controle acionário da PazDelRio, única siderúrgica integrada da Colômbia que produz aços longos, e da AcerBrag, segunda maior produtora de aços longos da Argentina.

"Apesar da demanda estável e do acréscimo da oferta de aço estrangeiro na América Latina, principalmente os importados da China e da Turquia, o volume de vendas de aços longos da Votorantim Siderurgia totalizou 1,8 milhão de toneladas em 2013, resultado 7% maior que o de 2012, com aumento do volume de vendas nos três países em que atuamos", afirma Rotella.

Apontando para uma perspectiva favorável, o diretor-presidente (CEO) da corporação multinacional Gerdau, André Gerdau Johannpeter, comprova que o ano de 2013 foi um período especialmente desafiador, mas de oportunidades para a companhia. "Ao mesmo tempo em que vivenciamos as adversidades decorrentes do cenário econômico mundial, ampliamos de forma expressiva nossa atuação no Brasil, com o início da produção de aços planos e a expansão das atividades de mineração".

Johannpeter conta que no ano passado a Gerdau aumentou a sua capacidade instalada global em aços especiais, voltados principalmente para atender a indústria automotiva, com investimentos no Brasil e nos Estados Unidos. "Além disso, completamos o primeiro ano de operação na Índia", diz, acrescentando que no exercício a companhia apresentou receita líquida consolidada de R$ 39,9 bilhões, 5% superior à de 2012.

Segundo o CEO, em 2013 as vendas físicas consolidadas mantiveram-se estáveis em 18,5 milhões de toneladas, na comparação com o ano anterior, ao passo que a produção de aço foi de 18 milhões de toneladas, volume 4,8% menor em razão do esforço de redução de estoques da empresa, o que resultou na otimização de seu capital de giro. "A geração de caixa operacional consolidada [Ebitda] cresceu 14,6% sobre 2012, alcançando R$ 4,8 bilhões, enquanto que o lucro líquido consolidado chegou a R$ 1,7 bilhão, 13,2% de acréscimo".

Atualmente a Gerdau possui três empresas de capital aberto - Gerdau S.A., Metalúrgica Gerdau S.A. e Empresa Siderúrgica Del Peru S.A. (Siderperu). As ações da Gerdau S.A. são negociadas na BM&FBovespa, na New York Stock Exchange (NYSE) e na Bolsa de Madrid (Latibex). "Por atuar no mercado de capitais dos Estados Unidos, a Gerdau S.A. segue os requisitos da Lei Sarbanes-Oxley, que estabelece boas práticas de governança corporativa, bem como um rigoroso controle sobre os processos internos", diz Johannpeter. Já a Metalúrgica Gerdau S.A. negocia seus papéis na BM&FBovespa e a Siderperu atua na Bolsa de Valores de Lima.

Já Benjamin Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América do Sul, informa que a produção anual de aços planos aumentou de 4,39 milhões de toneladas anuais (2012) para 4,43 milhões (2013) de toneladas anuais. Já a produção de aços longos expandiu de 3,42 milhões de toneladas anuais (2012) para 3,51 milhões (2013). "Para 2014 é esperado um crescimento de 30% na produção de aços planos, especialmente com a retomada, a partir de julho, do Alto Forno 3, localizado na unidade ArcelorMittal Tubarão, em Serra [ES], que tem capacidade nominal de 2,8 milhões de toneladas por ano".

Baptista Filho explica que parte da produção do terceiro Alto-Forno vai abastecer a AM/NS Calvert, joint-venture entre o grupo ArcelorMittal e a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, localizada em Alabama (Estados Unidos). No segmento de aços longos, com os recentes dados do setor industrial e da construção civil, espera-se por um crescimento nulo ao contrário da previsão inicial de 3% para o ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

SEIS ENTRE OS DEZ MAIORES GRUPOS SÃO CHINESES
Publicado em 08/12/2014 as 12:03 PM

A liderança da China no mercado mundial de aço é incontestável. Foram 779 milhões de toneladas de aço bruto no ano passado, crescimento de 7,5% em relação a 2012. Segundo do ranking, o Japão produziu 110,6 milhões de toneladas, aumento de 3,1%. Relatório de World Steel Association (WorldSteel), a maior organização do setor, mostra que seis entre os dez maiores grupos siderúrgicos do mundo são chineses.

Mesmo com o aumento de produção, parte do setor produtivo chinês enfrenta sérios problemas financeiros. No início do ano, o site custeel.com noticiou, citando informações da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa), que 20 membros registraram prejuízos conjuntos de US$ 188,55 milhões em novembro de 2003. A Cisa agrega cerca de 80 siderúrgicas, parte delas estatais, responsáveis por 80% da produção chinesa.

Enquanto o consumo de produtos siderúrgicos caiu nos últimos anos nas nações desenvolvidas, continuou em franco crescimento nos países em desenvolvimento. Na China, foi de 34,1 quilos per capita para 515,1 quilos. O aumento na produção foi igualmente espetacular. Em 2007, o país produzia 490 milhões de toneladas de aço bruto. Em 2013, pulou para 779 milhões de toneladas - a China foi responsável por 48,4% da produção mundial. No primeiro semestre de 2014, foram fabricadas 69,3 milhões de toneladas, aumento de 4,5% em base anual.

Este crescimento sem precedentes contribui para derrubar os preços dos produtos siderúrgicos no mercado internacional, onde existe uma oferta excedente de cerca de 600 milhões de toneladas de aço.

As exportações chinesas continuam em franca expansão. Em 2000, po país respondia por apenas 1,4% dos negócios externos mundiais. Em 2013, ficou com a maior participação, de 37,8%. No mesmo período, apenas a Ásia (14,1%) e a Oceania (1,8%) conquistaram novos espaços no mercado internacional. As maiores perdas ficaram com a América Latina, Brasil incluído, que viu a participação cair de 33,1% para 9,4%, e a Europa, que foi de 48% para 33,1%.

O avanço chinês na América Latina continua. De janeiro a maio deste ano, as exportações de aço laminado do país totalizaram 3,4 milhões de toneladas, 81% a mais do que o registrado em igual período de 2013 - no total, a China vendeu no mercado externo 30,5 milhões de toneladas, aumento de 39%, como mostra a Associación Latino-americana Del Acero (Alacero). O maior comprador foi o Brasil, com 887,3 mil toneladas, crescimento de 138%. Analistas da organização estimam que a continuidade de vendas tão agressivas poderá transformar a América Latina em um dos principais destinos do aço laminado chinês nos próximos anos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

CENÁRIO ADVERSO
Publicado em 08/12/2014 as 12:03 PM

Desafio. Esta provavelmente será o substantivo mais falado durante o 25º Congresso Brasileiro do Aço, que começa hoje, em São Paulo. Enfrentando uma conjuntura adversa tanto no cenário interno quanto no externo, empresários e executivos do setor vão discutir formas de recolocar a indústria na rota do crescimento. "A siderurgia quer condições para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades existentes no mercado", diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil (IAB), que promove o evento.

O setor produziu 34,2 milhões de toneladas de aço bruto no ano passado. O resultado praticamente empatou com o de 2007, quando as perspectivas de expansão eram promissoras. A estagnação pode ser medida por outros parâmetros. Um deles chama a atenção: o consumo de produtos siderúrgicos. No Brasil, era de 100,6 quilos por habitante em 1980. No ano passado, foi de 131,4 quilos, quando a média mundial é de 216,9 quilos por habitante. Já a China saiu de 34,1 quilos em 1980 para 515,1 quilos por habitante em 2013, enquanto o Chile passou de 56,4 quilos para 155,3 quilos. "O consumo de aço é um indicador seguro do desenvolvimento de uma nação", argumenta Lopes.

O fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) é particularmente ruim para a siderurgia. "Quando o PIB aumenta menos de 4%, o consumo de aço cresce próximo a zero. Quando ultrapassa os 4%, supera os 8%. O setor precisa de um crescimento sustentado", diz Germano Mendes de Paula, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A estagnação da siderurgia se insere em outro contexto preocupante, o da desindustrialização da economia nacional. A indústria de transformação representava 36% do PIB em 1982. A participação caiu para 25% em 1990 e para 13% no ano passado. Mendes de Paula ressalta que a este processo somam-se as perdas de competitividade da siderurgia nos últimos anos. "A indústria perde também em qualidade ao atingir uma das atividades industriais mais importantes", diz.

Ronaldo Valiño, sócio da consultoria PwC Brasil, lembra que a siderurgia situa-se no meio da cadeia produtiva e influencia desde segmentos ligados à produção de matérias-primas, a exemplo da mineração, aos grandes consumidores de aço, como os setores da construção civil, automotivo e de bens de capital - estes três ramos respondem por 80% do consumo de aço no Brasil. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a indústria do aço gera 23,57 vagas de trabalho para cada um dos 137.950 empregos diretos oferecidos. Ou seja, são 3,251 milhões de postos de trabalho nas diversas cadeias produtivas nas quais se insere.

O setor é bem estruturado no Brasil, o nono maior produtor mundial de aço em um mercado dominado pela China. Responsável por 4% do PIB, engloba 14 empresas privadas, controladas por 11 grupos. São 29 usinas, distribuídas por dez Estados, com uma capacidade instalada de 48,4 milhões de toneladas. "De 2008 a 2013, a indústria do aço investiu US$ 20 bilhões na estruturação de um parque produtivo extremamente moderno, na ampliação do mix de produtos e na capacitação da mão de obra", explica Lopes. Mas a produção não consegue ultrapassar os 36 milhões de toneladas de aço bruto em função de entraves internos e externos.

Problemas como baixo PIB, desindustrialização, infraestrutura inadequada, logística, juros altos, política cambial, custo da energia e carta tributária levam à perda de competitividade do aço nacional. O custo médio mundial era 39% superior ao do aço brasileiro em 2004. A diferença caiu para 3% em 2012. Dados compilados por Mendes de Paula, mostram que a participação do Brasil na produção mundial passou de 3,3% em 2000 para 2,1% em 2013. Nas exportações globais de produtos siderúrgicos, após terem alcançado 3,9% em 2003, recuaram para 2,4% em 2012. A participação nas importações passou de 0,3% em 2000 para 1%.

Mas o setor está disposto a enfrentar os desafios. "Há muito espaço para avançar porque o país precisa desenvolver sua infraestrutura para se tornar mais eficiente. No Brasil, as oportunidades são maiores que os desafios", diz Julián Eguren, presidente da Usiminas.

"A indústria do aço necessita de medidas emergenciais que possam compensar, ainda que parcialmente, a perda de competitividade do produto brasileiro frente à concorrência de outros países, principalmente dos que outorgam subsídios e praticam câmbio artificialmente desvalorizado", explica André Gerdau Johannpeter, diretor presidente da Gerdau. "É importante frisar que não queremos protecionismo, e sim isonomia para competir", afirma Luis Fernando Barbosa Martinez, diretor-executivo comercial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

REI DA SOJA DECLARA VOTO EM DILMA
Publicado em 08/12/2014 as 12:03 PM

Empresário Eraí Maggi: "Eu estou com a Dilma porque, até que enfim, as coisas estão acontecendo. A BR 163 está 80% concluída. Nem parece o Brasil"

Soja e eleições. São esses os dois assuntos que atualmente não saem da cabeça de Eraí Maggi. Ele se apresenta como maior produtor de soja do mundo e é assim que outros grandes sojicultores do Mato Grosso o definem. Neste ano, Maggi também é o maior cabo eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT) no bilionário setor do agronegócio no Estado.

Primo de Blairo Maggi, ex-governador do Mato Grosso e atual senador pelo PR, Eraí Maggi nunca teve cargo eletivo, mas partilha com o primo o gosto pela política. Apoiou as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma e agora diz estar trabalhando pela reeleição da presidente. Ele é filiado ao PP.

No Estado que é o centro do agronegócio do país e onde estão todas suas plantações, Eraí Maggi nada contra a corrente. Lula venceu José Serra (PSDB) em 2002, mas perdeu em 2006 para Geraldo Alckmin (PSDB). Dilma perdeu em 2010 para Serra.

Em maio, numa pequena amostra do ânimo dos ruralistas em relação ao governo, Dilma foi vaiada três vezes, num evento agropecuário em Uberaba (MG) que reuniu empresários de diferentes pontos do país. Entre os problemas atribuídos aos governos do PT, de Lula e Dilma, estão o que classificam como insegurança jurídica no campo relacionada a demarcações de terras indígenas, ao Código Florestal (que ainda não foi regulamentado) e à infraestrutura precária que encarece o escoamento da produção.

No Mato Grosso, como nas eleições anteriores, a preferência pelos tucanos parece se repetir neste ano. Entre os empresários do agronegócio, em particular, a opção pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) é majoritária, segundo outros produtores rurais com quem a reportagem conversou em Cuiabá na última semana de julho.

Um deles disse que Maggi fala praticamente sozinho ao defender o governo Dilma no agronegócio mato-grossense.

Mas aos 55 anos - mais de 40 deles em meio a lavouras -, Eraí Maggi diz que está começando a se reunir com pessoas do setor para defender o voto na presidente petista e mudanças que, segundo ele, favoreceram o campo.

"Estamos trabalhando, mostrando como era o agronegócio lá atrás e como é agora. Tudo o que está acontecendo", diz Maggi, que concedeu entrevista ao Valor em quatro etapas, pessoalmente e por telefone, entre o fim de julho e início de agosto. "O Brasil é uma potência. A economia tem alguns problemas, mas a gente tem que ter otimismo."

Sua rotina como cabo eleitoral está ainda se estruturando, afirma. "Estamos nos reunindo com grupos. Tem uma associação com quem a gente está conversando. Está começando agora."

Maggi lista os argumentos pró-Dilma. "A infraestrutura, a biotecnologia, a questão fundiária, as condições para aquisição de máquinas, tudo melhorou. Eu estou com a Dilma porque, até que enfim, as coisas estão acontecendo. A BR 163 está 80% concluída. Tem um monte de empreiteiras trabalhando lá. Nem parece o Brasil", afirma.

Sua produção de soja, algodão, milho e outras culturas é escoada por caminhão até os portos de Santos e Paranaguá. Parte de trem, pelo porto Vitória, e pelas hidrovias de Porto Velho e Santarém. Maggi se entusiasma com a finalização da pavimentação da BR 163, que é vista por produtores do Centro-Oeste como uma opção decente e muito mais prática para a exportação para a Ásia.

"Isso vai ajudar o pessoal do Sul. Hoje, a produção daqui, escoada por lá, transforma aqueles portos num gargalo. Até que fim a BR 163 está quase pronta. Ficaram 40 anos falando nisso."

A ferrovia que liga Santos a Rondonópolis (MT) - inaugurada neste ano com a presença de Dilma - e as obras de pavimentação da BR 158 e da BR 80 são outros pontos que reforçam os argumentos pró-Dilma.

Maggi comanda, ao lado de seus irmãos Elusmar e Fernando e do cunhando José Maria Bortoli, o Grupo Bom Futuro. Entre 2013 e este ano, plantaram 255 mil hectares. No plantio de 2014/2015, o plano é cultivar uma área de 264 mil hectares.

O plantio de soja começa entre setembro e outubro, quando as campanhas estiverem pegando fogo. Maggi já vive com um pé na política e outro no campo e nos dois próximos meses os dois assuntos devem ocupar ainda mais seus dias.

Eraí Maggi Scheffer (ele é mais conhecido pelo sobrenome da mãe) é gaúcho de Torres e cresceu na roça, num sítio da família em São Miguel do Iguaçu, no oeste paranaense. Foi frequentar escola só a partir dos nove anos. Após a morte do pai, nos anos 70, migrou para o Mato Grosso, na época em que o Estado era ainda uma grande área inóspita, sem estradas nem energia elétrica.

Ele e os irmãos começavam então a construir o que é hoje a Bom Futuro: um grupo com cinco mil funcionários, 80 fazendas, 100 mil cabeças de gado, cerca de 100 mil hectares de milho e mais de 80 mil hectares de algodão. Além da área de soja e de outras atividades, entre elas a piscicultura, são 470 mil hectares. A empresa se apresenta como proprietária de 6% da área de plantio do Brasil.

A Bom Futuro também está na produção de energia, por meio de pequenas centrais hidrelétricas, e no setor de transporte, com caminhões. Ele conta que recursos para investimentos vem do caixa próprio e de empréstimos de bancos privados e públicos. É um leque mais variado do que o da maioria dos produtores do Mato Grosso, que custeia plantações basicamente com recursos do Banco do Brasil.

O faturamento no ano passado foi de R$ 1,57 bilhão. Neste ano, a depender dos preços, Maggi, espera um resultado semelhante. "Aqui, no Mato Grosso, ser grande não é novidade. Em qualquer outro lugar do mundo, as lavouras são menores", diz ele.

Se tem algum outro empresário no planeta que tenha tanta área de soja quanto ele? "Lá fora não tem, não. Soja, algodão, milho, semente. A liderança é nossa. Somos o principal do mundo também em boi em confinamento."

Na quarta-feira, 30 de julho, em Cuiabá, Eraí Maggi não se parecia em nada com um magnata do campo. Com jeans batido, sapatênis, camisa para fora da calça e celular na mão, ele circulava pelo comitê de campanha do candidato a governador do Mato Grosso, o senador Pedro Taques (PDT). Era dia de apresentação do novo candidato a senador na chapa da Taques, Rogério Salles, que também é ligado ao agronegócio. Maggi apoia Taques e participou das discussões que levaram ao nome de Salles. E no evento passou algumas boas horas em conversas com políticos e outros empresários, entre tapinhas nas costas e apertos de mão.

O fato de apoiar Pedro Taques e não o candidato do PT, Lúdio Cabral, ao governador do Estado, não é uma contradição. "A gente conversou sobre isso. O nosso candidato aqui a governo sabe que nós estamos trabalhando para a presidente Dilma, sem problema nenhum."

O partido de Taques, o PDT, é da base de Dilma no Congresso. Ele, no entanto, defende o voto no candidato de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB).

Maggi já chegou a fazer planos para se candidatar a governador. Neste ano, entre políticos no Mato Grosso, seu nome voltou a ser cogitado. "Não estou mexendo com isso, não. Sou só apoiador", desconversa.

O primo, o senador Blairo Maggi, diz que não vai participar da campanha no Mato Grosso. "Minha atividade vai ser em prol da presidente. Defendo a tese da continuidade do governo dela em função do que recebemos e do que podemos receber de um governo que pôs na sua pauta temas de interesse do agronegócio", afirma Blairo Maggi. "Agora, eu não tenho nenhum papel na campanha."

Em parte por sua personalidade expansiva e também por estar mais perto do pessoal do agronegócio do que o primo de Brasília, Eraí Maggi parece mais ativo do que ele no corpo a corpo pró-Dilma.

E o que motiva um empresário do tamanho de Maggi a adotar uma posição de militante de um governo cujo setor do qual faz parte vê com resistência? "Sou ligado ao PP, partido da base de Dilma. E vivo em Brasília, discutindo infraestrutura, logística, liberação de moléculas [de inseticidas e fungicidas] para as plantações no Mato Grosso, questões envolvendo terras indígenas. E quero que o governo continue e acelere projetos de infraestrutura."

Sua militância, diz ele, tem a ver com seu jeito de já há muito tempo não ficar olhando só para sua empresa, mas de se envolver com mutirões, associativismo, com lobby e colaboração em projetos de governos. Maggi não tem cargo na Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), a influente e abonada entidade que reúne cinco mil fazendeiros no Estado. Mas sua presença é decisiva.

Diz que mantém um diálogo constante com o governo Dilma, via Aprosoja, via a associação dos produtores de algodão e outras entidades. Em seu smartphone, ele tem arquivado uma foto em que está junto com ela.

Na semana passada, num evento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Dilma falou do que considerou avanços em sua gestão e em aumentar investimentos num segundo mandato. Aécio prometeu criar um "superministério" da agricultura com mais autonomia para políticas na área de logística e infraestrutura. Eduardo Campos defendeu a importância em equilibrar agricultura familiar, agronegócio e questões ambientais e defendeu que a meta é garantir alimentos de qualidades e baratos ao país.

Maggi diz ter pouco interesse nos candidatos da oposição: "Não tive conversas com outros candidatos. Não vi as propostas e não vi esse carinho pelo Mato Grosso e com o agronegócio que eu estou vendo nesse governo."

Perguntado se fará doações à campanha de Dilma, o empresário, porém, desconversa. "Estamos discutindo. Está começando agora."
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

SIDERÚRGICAS ELEVAM INVESTIMENTOS NA MINERAÇÃO
Publicado em 08/12/2014 as 12:02 PM

André Gerdau: sustentabilidade e eficiência no "negócio mineração"

As siderúrgicas com atuação no Brasil vêm investindo fortemente em mineração. Segundo o consultor José Mendo, especialista no setor, o fenômeno é mundial, mas agora ganha corpo no país. "As empresas de transformação estão deixando de apenas produzir aço e passam a fornecer também o minério de ferro, matéria-prima de seu principal produto", confirma, acrescentando que entre as empresas siderúrgicas que têm avançado na área de mineração estão a Gerdau, a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Num primeiro momento busca-se a autossuficiência em matéria-prima, mas a meta final é gerar excedentes para a exportação."

Segundo André Gerdau Johannpeter, diretor-presidente (CEO) da Gerdau, o grupo - que deu início aos seus investimentos na mineração em 2004 com a aquisição de vários direitos minerários - tem vários programas em andamento. "Esses projetos têm como objetivo dar sustentabilidade e alcançar ganhos em eficiência operacional no 'negócio mineração', além de visar expansão da produção."

Johannpeter recorda que tudo começou em 2006, quando a Gerdau iniciou os investimentos para a instalação da primeira unidade de tratamento de minerais (UTM I), na mina de Miguel Burnier (MG), que se encontra em operação desde 2007. Em 2013, foi concluída a segunda fase do projeto mineração, para o aumento da capacidade - das 6,5 milhões de toneladas por ano para as 11,5 milhões de toneladas atuais, incluindo projetos de uma estrutura de logística própria. "Agora a meta é alcançar a capacidade de produção de 18 milhões de toneladas por ano em 2016".

Conforme explica o CEO, a decisão de investir em mineração, sem comprometer a sustentabilidade do negócio do aço, representa mais uma iniciativa para a melhoria dos resultados da Gerdau em um cenário de elevados custos de matérias-primas e menor crescimento da demanda mundial por aço frente ao previsto anteriormente".

Num breve histórico, o especialista José Mendo lembra que a partir de 2002 o dinamismo da economia mundial, impulsionado pelo forte crescimento da China, induziu ao aumento da demanda por aço e, consequentemente, estimulou a procura por minério de ferro. "Para se ter ideia, a demanda chinesa pelo minério cresceu a uma taxa média de 23,3% ao ano, no período 2003-2008, enquanto a do resto do mundo permaneceu praticamente constante, crescendo em média 1,4% ao ano".

Segundo Mendo, a crise financeira do fim de 2008, que freou o consumo global de aço e de minério de ferro, também derrubou o sistema de determinação de preços pelo sistema padrão (benchmark), vigente há décadas, em que o preço é determinado anualmente pelo primeiro contrato firmado por uma das três principais produtoras de minério de ferro.

Com isso, o mercado spot (a vista) passou a ser uma alternativa atraente, pelas vantajosas margens. Estas ofereciam a possibilidade de aumentar a receita das empresas e melhorar seu resultado operacional. "Nesse processo, as siderúrgicas passaram a adquirir plantas de minério de ferro porque, pela primeira vez na história, o negócio mineração tornara-se melhor que o da siderurgia", diz Mendo, acrescentando que a tendência prevalece até hoje.

Pelos lados da siderúrgica CSN, empresa autossuficiente em minério de ferro, foram investidos em 2013 cerca de R$ 700 milhões nas minas Casa de Pedra e Namisa, ambas em Minas Gerais. Em nota para esta edição, a companhia declarou ser a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil. No ano passado a CSN comercializou 25,7 milhões de toneladas de minério, das quais 5,7 milhões de toneladas para consumo próprio.

Em 2014, a CSN deverá investir ainda mais, visando dobrar a produção da mina Casa de Pedra e ampliar as operações de seu terminal portuário em Itaguaí (RJ), de olho nas exportações. Em uma primeira fase, a companhia projeta ampliar sua capacidade de produção em Casa de Pedra para 40 milhões de toneladas anuais, tendo o porto em Itaguaí atingido uma capacidade de 45 milhões de toneladas já em 2013.

No caso da Usiminas, seu presidente Julián Eguren informa que a companhia de mineração integrada à cadeia de valor do conglomerado - a Musa - está se tornando um ativo de classe mundial. "Nossa expectativa é capturar maiores oportunidades de exportação ainda neste ano, mantendo opções no mercado interno e abastecendo nossas usinas com produtos de maior qualidade", afirma, acrescentando que a mineradora está em um novo patamar de volume, qualidade e gestão.

A Musa acaba de completar quatro anos de atividades, localizada na região de Serra Azul (MG). Sua estrutura acionária é dividida entre a Usiminas (70%) e a japonesa Sumitomo (30%). As vendas de minério de ferro da mineradora somaram 3,2 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, um volume 19% superior ao do mesmo período de 2013. Desse total, 1,9 milhão de toneladas foram destinadas ao abastecimento das usinas siderúrgicas da Usiminas em Ipatinga (MG) e, principalmente, Cubatão (SP).

Segundo Egurem, a Musa, mesmo diante de um contexto de intensa volatilidade no mercado, está mais preparada para o futuro. "Estamos com uma configuração operacional mais robusta e neste ano, com a conclusão dos investimentos do Projeto Friáveis, a capacidade instalada será de 12 milhões de toneladas, contra 6,5 milhões em 2013", diz. Nos últimos quatro anos, a Usiminas desembolsou R$ 1,3 bilhão no segmento de mineração.

O Projeto Friáveis recebeu investimentos da ordem de R$ 730 milhões em 2013. É composto por duas novas plantas de beneficiamento, um conjunto de dutos que interligam as duas unidades e equipamentos de mineração de maior porte.

Com isso, a empresa se posiciona em um novo patamar de volume e qualidade de seus produtos, principalmente sob a ótica da composição química.

Na última apresentação de resultados, o presidente da ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, informou que a empresa pretende aumentar a produção de minério de ferro em 14 milhões de toneladas até 2015, chegando a 84 milhões de toneladas no mundo. O Brasil possui dois ativos minerais, localizados em Minas Gerais - Mina do Andrade e Serra Azul, com capacidade de produção de aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

INFRAESTRUTURA DEVERÁ REFORÇAR O CONSUMO EM 2016
Publicado em 08/12/2014 as 12:02 PM

As obras de infraestrutura estimuladas pela Copa do Mundo, pela Olimpíada de 2016 e as concessões de rodovias e aeroportos deram impulso ao consumo interno de aço nos últimos cinco anos, mas para analistas e a indústria a perspectiva é de estagnação do crescimento pelo menos até 2016. "Governo ou oposição, seja lá quem assumir o comando do país em 2015, terá que primeiro botar a economia nos eixos, para depois pensar em promover novas concessões", diz o economista Bruno Rezende, da Tendências Consultoria.

A mesma opinião tem o CEO de Aços Longos Américas Central e Sul da ArcelorMittal, Jefferson de Paula, para quem o governo acerta em realizar parcerias com o setor privado para a realização de obras de infraestrutura, mas critica a lentidão do processo. "Eu acho que está caminhando, mas não em ritmo adequado, porque o investimento sobre o PIB no Brasil é de 2,5% enquanto que o Peru gasta 5% do PIB. E isso gera um custo para nós muito grande. Os custos logísticos no Brasil estão 35% maiores que nos Estados Unidos, isso gera aumento de custo para os clientes, é parte do famoso custo Brasil", diz ele, que prevê crescimento zero no consumo de aço até 2016.

De acordo com a Tendências, nos últimos cinco anos a participação dessas obras de infraestrutura no consumo total de vergalhão, perfil estrutural e barra de aço no mercado interno brasileiro passou de 10% a 15% para 15% a 20% atualmente. E a principal contribuição para esse crescimento veio das obras em aeroportos.

Indústria espera aumento da demanda de aço com a concessão para obras em ferrovias e portos no Brasil

"A tendência é estagnar nesse patamar, porque tivemos uma grande puxada com as obras de concessões de aeroportos, que demandam mais aço, e rodovias, que usam o produto em obras de apoio e cabines de pedágio. Mas a maioria das obras já saiu ou está em andamento, ficamos agora na espera das agendas de concessão de portos e ferrovias, o que vai depender do próximo governo".

A principal expectativa para os próximos anos, especialmente a partir de 2016, é com relação às concessões de ferrovias e portos. "De ferrovias a lista é gigante, são as ferrovias contempladas no Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado em agosto de 2012 pelo governo. Portos então são centenas, muitos já deveriam ter saído do papel", diz Claudia Oshiro, da Tendências. À época, o governo estimava que os investimentos na área de portos seriam de R$ 54,2 bilhões e, de ferrovias, R$ 91 bilhões.

Mas para Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituo Aço Brasil, o PIL está demorando muito para se concretizar e precisa de ajustes. "Existe uma distância muito grande entre o que é desejado, o que é anunciado e o que é realizado. Em ferrovias, não temos uma indústria nacional de trilhos. A única que tinha era da CSN, que foi desativada. É preciso de 500 mil toneladas anuais para justificar a instalação de um laminador voltado para a produção de trilhos. Como não há previsibilidade sobre a demanda, se ela ocorrerá e se ocorrerá de forma contínua, não se investe. Os trilhos para as ferrovias que estão em construção estão sendo importados".

Ele ainda reclama que havia grande expectativa para os investimentos em estádios e mobilidade urbana com a Copa do Mundo, mas o setor teve problemas com a importação do produto. "Não aconteceram como esperado (as obras). As estruturas de aço na cobertura dos estádios foram construídas principalmente por aço importado (muitas estruturas foram importadas). E os investimentos em mobilidade urbana não avançaram como o desejado", afirma. Já para a Olimpíada, a sinalização é positiva, "mas negócios efetivados quase não existem".

Além dos planos do PIL para ferrovias, em maio de 2014, o governo ainda revelou que estuda um plano para a volta do transporte de passageiros por meio de trens aproveitando a malha já existente. A terceira fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que começa este mês, prevê R$ 9,3 bilhões em investimentos na malha ferroviária.

Wermeson França, analista da LCA Consultores, diz que o que acontecerá com a agenda de concessões no próximo governo é imprevisível. Para ele, tendo em vista o PIL, as vendas de aço serão aquecidas pelas obras que comportam o programa, mas quando isso vai começar depende de quem será eleito em outubro. "Essa demanda vai aquecer as vendas de aço para o mercado interno. Não dá para falar que vai contrabalançar a queda nas exportações, porque o principal mercado para o setor é o mercado interno. Ainda há incerteza, mas se fizeram o que está no plano a demanda por aço estará aquecida nos próximos anos com essas obras de infraestrutura".

Além das obras de infraestrutura, o consumo de aço também foi importante na indústria naval, um dos principais clientes da Usiminas, explica o vice-presidente comercial da empresa, Sergio Leite. "No setor de infraestrutura, a Usiminas possui um importante foco nos mercados naval, offshore e de óleo e gás. Só nos últimos cinco anos, em média 36% das vendas para o segmento industrial da Usiminas correspondem ao atendimento direto da carteira de clientes destes mercado".

De acordo com ele, nesse período a Usiminas investiu na linha de laminação de chapas grossas da usina de Ipatinga, "com a instalação da tecnologia de Resfriamento Acelerado em 2010, e em uma nova Linha de Tiras a Quente, na Usina de Cubatão-SP, em 2012".

A empresa considera ainda que há uma demanda em potencial no setor de óleo e gás, principalmente devido à carteira de projetos da Petrobras. Já no mercado de energia eólica, por se tratar de uma energia mais econômica e renovável que vem crescendo no Brasil, a Usiminas também fornece aço aos fabricantes de aerogeradores e torres dos principais parques eólicos do país, localizados no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. "Para essas aplicações são comercializadas chapas grossas de alta resistência mecânica, boa soldabilidade e capacidade de absorção de energia ao impacto, garantindo a integridade estrutural da peça. Com o sucesso dos leilões que estão sendo realizados, a Usiminas vislumbra um bom potencial de mercado para os próximos três anos".

O aço da companhia está presente também nas maiores hidrelétricas em construção como Teles Pires, Belo Monte e Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, formado pelas usinas de Santo Antônio e Jirau. "Além disso, no fim do ano passado, a Usiminas começou a fornecer material para a hidrelétrica de Ituango, na Colômbia, maior obra em andamento na América Latina", diz o executivo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

CUSTO ELEVADO DO TRANSPORTE IMPEDE NOVOS NEGÓCIOS
Publicado em 08/12/2014 as 12:01 PM


Porto de Suape, em Pernambuco, que tem centro de distribuição da Usiminas para atender a indústria automotiva



Um navio leva 24 dias para percorrer as 11.612 milhas náuticas que separam os portos de Xangai, na China, e Pecém, no Ceará. Entre Santos (SP) e Pecém são três dias e meio de viagem para superar 1.776 milhas náuticas. No entanto, o transporte de uma tonelada de aço da China ao Ceará custa por volta de US$ 55. Enquanto no trajeto entre Santos e Pecém o preço é o dobro, US$ 120. Para Manaus, US$ 150. "Com números como esses não é difícil entender os motivos que levam as siderúrgicas brasileiras, que estão principalmente no Sudeste, a ter uma presença pequena no Norte e Nordeste", diz Carlos Loureiro, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider).

A deficiência da infraestrutura logística brasileira é apontada pelos executivos do setor como um dos principais fatores a reduzir a competitividade das siderúrgicas, com impactos tanto no custo da produção quanto do escoamento do aço. "O Brasil é um país continental e não temos ferrovias suficientes, muitas rodovias têm qualidade inadequada e a cabotagem ainda é pouco desenvolvida no país", diz Sergio Leite, vice-presidente comercial da Usiminas.

A Usiminas extrai minério de ferro em Serra Azul (MG) que abastece suas usinas em Ipatinga (MG) e Cubatão (SP). Para chegar a São Paulo, o transporte tanto do minério quanto das chapas de aço de Minas utiliza as linhas férreas da MRS Logística e da VLI. Um problema, elas possuem bitolas diferentes. "Perdemos um dia apenas para fazer o transbordo entre uma malha ferroviária e outra", afirma Leite. O transporte rodoviário também não é uma opção melhor. Ipatinga é servida pela BR 381, que apresenta uma pista simples até Belo Horizonte que só em 2014 passou a constar dos planos de duplicação do governo federal.

A distribuição dos produtos da siderúrgica é realizada por uma rede de 19 empresas, com suas atividades concentradas principalmente no eixo Sul-Sudeste. As exceções são a parceria com um distribuidor na Amazônia e dois centros de distribuição que pertencem à própria Usiminas, um em Camaçari (BA), e outro em Suape (PE), que atendem respectivamente Ford e Fiat. "Sem essas unidades seria impossível trabalhar no modelo just in time adotado pelas montadoras", diz o executivo. Segundo Sergio Leite, os custos logísticos tornam os produtos da empresa pouco competitivos nos demais Estados do Norte e Nordeste.

As deficiências logísticas do país também levam as siderúrgicas a investir capital próprio em infraestrutura, recursos que poderiam estar empregados no negócio principal, a produção de aço. A Usiminas, por exemplo, detém 25% do capital da MRS Logística, e dois terminais marítimos para o escoamento de sua produção e o recebimento de carvão importado. Um terminal é em Cubatão, na área de influência do porto público de Santos. O outro é o de Praia Mole, ao lado do porto de Vitória (ES), esse em parceria com a Vale e a Gerdau.

Jefferson De Paula, CEO da ArcelorMittal Aços Longos, diz que os custos logísticos no Brasil são 35% mais elevados do que os realizados na filial dos Estados Unidos. "Parte desse custo é repassada para os clientes, gerando perda de competitividade em toda a cadeia de produção. Outra parte absorvemos, representando menor rentabilidade", diz.

Pelos cálculos do executivo, a companhia gasta US$ 425 milhões por ano em logística e poderia economizar US$ 130 milhões se a infraestrutura brasileira tivesse o mesmo padrão que a americana. A ArcelorMittal Aços Longos possui seis fábricas no Sudeste que atendem 70 mil clientes no país e 75% do transporte é feito por rodovias. São 120 centros de distribuição e 26 unidades de serviços voltadas a atender a construção civil. Em São Paulo, a empresa possui um hub concentrador de mercadorias e, até 2015, deve investir R$ 60 milhões em dois novos hubs, um no Nordeste e outro no Centro-Oeste.

Jorge Augusto Doria Nascimento Silva, gerente geral de supply chain da Votorantim Siderurgia, diz que as empresas estão cada vez mais investindo em planejamento de redes logísticas, na otimização da malha de distribuição e em tecnologia para controle de fluxos. Mas o esforço esbarra nos gargalos da infraestrutura do país. " A Votorantim Siderurgia movimenta quase 3,5 toneladas de matérias primas, insumos e produtos para cada tonelada vendida, os custos logísticos afetam diretamente nossa competitividade", diz.

A companhia possui três usinas no Brasil, em Barra Mansa (RJ), Resende (RJ) e Três Lagoas (MS), além de uma unidade na Colômbia e outra na Argentina, que somam uma capacidade de 2,5 milhões de toneladas anuais de aço longo. A maior parte da produção é escoada por via rodoviária. No final do ano passado, a empresa começou a utilizar a cabotagem para levar produtos do Rio para o Norte.

Para Nascimento Silva, os novos modelos de concessão que estão sendo adotados para rodovias e ferrovias e o desenvolvimento de projetos em hidrovias, cabotagem e em terminais multi-modais ajudarão a destravar a movimentação de cargas no país e, com isso, reduzir os custos logísticos. "Mas é preciso acelerar esse processo", diz. O Programa de Investimentos em Logísticas (PIL), apresentado em 2012 pelo governo federal com previsão de investimentos de R$ 240 bilhões, pouco avançou até agora.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

AMAZONAS BUSCA EXPLORAR POTENCIAL
Publicado em 08/12/2014 as 12:01 PM

A região do Amazonas vê na indústria naval um de seus grandes potenciais de desenvolvimento econômico para os próximos anos. No Estado do Amazonas, que tem cerca de 22 mil quilômetros de rios navegáveis e localização estratégica para a integração com países ligados pelos oceanos Atlântico e Pacífico, o objetivo é participar do processo de ressurgimento do setor no país com a construção de um complexo naval capaz de movimentar negócios em torno de R$ 1 bilhão ao ano, conforme estimativas da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan).

O projeto foi suspenso por determinação do Ministério Público Federal (MPF/AM), que exige consulta às comunidades ribeirinhas na definição das ações governamentais, mas, segundo o secretário-executivo da Seplan, Ronney Peixoto, o impasse está perto de ser resolvido. "Já temos o modelo de consulta pronto e deveremos alinhar bem o processo com a comunidade em agosto", diz Peixoto.

O polo naval faz parte de um projeto do governo amazonense denominado Complexo Naval, Mineral e Logístico, com o qual o Estado pretende atrair grandes indústrias. Hoje, o setor naval local fatura cerca de R$ 800 milhões por ano, segundo Peixoto. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é de cerca de R$ 60 bilhões. Ele conta que, em 2009, um levantamento mostrou que o Amazonas tinha cerca de 300 estaleiros, dos quais a maioria era informal e de pequeno porte. Do total, 60 estavam em Manaus. "São pessoas que acabaram absorvendo o conhecimento de construir pequenas embarcações, herança cultural em nossa região."

Um dos maiores construtores do Amazonas é o Estaleiro Bibi, de Manaus, com capacidade anual de processamento de 8 mil toneladas de aço. "Acredito que nossa região terá uma participação grande na exploração do pré-sal", afirma a diretora-geral da empresa, Danielle França. Essa perspectiva motivou um investimento de R$ 33 milhões para expandir da capacidade instalada e transformar o Bibi em um estaleiro de médio porte, promovendo melhorias tecnológicas para atender à demanda dos próximos anos. O estaleiro produz balsas, empurradores, canoas e embarcações mistas para clientes de vários Estados.

"Nossa indústria está capacitada e trabalha com tecnologia avançada. Acredito que, se continuarem os programas de incentivos federal e estadual no Amazonas, as nossas perspectivas são grandes", afirma o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval) - que também é o proprietário do estaleiro Bibi -, Alcimar da Silva Mota. Entre esses estímulos, ele cita o crédito de até 100% para construção de balsa para transporte e o incentivo fiscal de até 55%, para terminais portuários, concedidos pela Seplan. "É importante que o governo estadual dê atenção aos estaleiros existentes, aqueles que nos últimos anos têm atendido à demanda da região."

No Pará, o estaleiro Rio Maguari também se prepara para o aumento das encomendas, em razão da demanda surgida com a conclusão das obras que permitem o escoamento da produção agrícola pelo norte do país, principalmente o da soja produzida em Mato Grosso. Segundo Fabio Vasconcellos, diretor comercial do Rio Maguari, a pavimentação da BR-163 ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA) provocou um superaquecimento na demanda por balsas e empurradores, porque o transporte até o porto de Vila do Conde, no Pará, envolve um trecho hidroviário a partir de Santarém.

As boas perspectivas fizeram a empresa investir em um projeto para expandir em 50% a capacidade de processamento de aço, que é de 20 mil toneladas anuais.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

DESTAQUES
Publicado em 08/12/2014 as 12:01 PM

Bandeira vermelha

Uma estimativa feita pela Comerc, trading de energia elétrica, mostra que, se o sistema de bandeiras tarifárias já estivesse em vigor, entrariam diretamente no caixa das distribuidoras R$ 9,6 bilhões este ano e R$ 6,9 bilhões em 2015. O governo federal, portanto, não precisaria socorrer as companhias. Com as bandeiras, os custos com a aquisição de energia seriam repassados imediatamente para a conta de luz. Hoje, as tarifas só são corrigidas uma vez por ano e em datas diferentes para cada distribuidora. As bandeiras já deveriam estar em vigor este ano, mas foram adiadas. As tarifas podem ser verde, amarela ou vermelha, dependendo do custo para geração do MWh naquele mês. Na tarifa vermelha, quando as condições hidrológicas são críticas como as atuais, os consumidores pagam R$ 3 a mais por cada 100 kWh consumido. Na amarela, o acréscimo é de R$ 1,50. Se a bandeira estiver verde, vale a tarifa normal, sem adicional.

Novela da OSX

O juiz da 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a realização da assembleia de credores das empresas da OSX, grupo de construção naval que pertence à holding EBX, de Eike Batista, e que estão em recuperação judicial. As assembleias estavam marcadas para a próxima quinta-feira, no Rio. "As assembleias gerais de credores serão redesignadas para novas datas, a serem oportunamente informadas aos credores por meio de publicação de novo edital", informou o juiz Gilberto Matos, em decisão publicada ontem, sem explicar o motivo da suspensão. No dia 16 de maio, foram entregues três planos diferentes: um para a OSX Brasil, a holding de capital aberto, um para a OSX Construção Naval, que tem direito de uso de 3,2 milhões de metros quadrados no porto do Açu (RJ), e a OSX Serviços.

Unicasa encerra marca

A Unicasa, que é dona das marcas Dell Anno e Favorita, fechou a Telasul Modulados, marca criada em 2007 e que fornecia móveis modulados para magazines. A meta é elevar a rentabilidade da Unicasa, concentrando as suas atividades em móveis planejados. As vendas da Telasul já haviam caído 82% no segundo trimestre. No período, as vendas da Unicasa recuaram 7,6%, enquanto o lucro líquido encolheu 21,2%, para R$ 3,3 milhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

CUTRALE E GRUPO SAFRA TENTAM COMPRAR AMERICANA CHIQUITA
Publicado em 08/12/2014 as 12:01 PM

Pouco mais de dois meses após a JBS ter apresentado, por meio de sua controlada Pilgrim's Pride, uma oferta hostil - frustrada - de mais de US$ 5,5 bilhões por 100% da Hillshire Brands, empresa de processados de carnes dos Estados Unidos, outra companhia brasileira movimentou o mercado americano de alimentos ontem.

Em parceria com o Grupo Safra, a Cutrale, uma das maiores exportadoras de suco de laranja do mundo, ofereceu, também por meio de oferta hostil, cerca de US$ 625 milhões para ficar com 100% da Chiquita Brands International, líder global no segmento de bananas, cujo mercado mundial movimenta US$ 7 bilhões por ano. Com sede em Charlotte, na Carolina do Norte, a Chiquita fatura mais de US$ 3 bilhões por ano.

Apesar de não estar presente no Brasil, a Chiquita, que também atua nas áreas de saladas e "snacks" saudáveis, atua em cerca de 70 países e emprega 20 mil pessoas. E anunciou, em março, a fusão de suas operações com as da irlandesa Fyffes, por meio de uma troca de ações equivalente a mais de US$ 1 bilhão.

Essa fusão, que poderá resultar em uma companhia com faturamento de quase US$ 5 bilhões, não está concluída (depende de autoridades antitruste) e representa um obstáculo às parceiras brasileiras - da mesma forma que a Tyson Foods "atravessou" a JBS e venceu a disputa com a Pillgrim's pela Hillshire. Ontem, as ações da Chiquita subiram 30% em Nova York, enquanto as da Fyffes recuaram 14% em Dublin.

Apesar de a Cutrale não divulgar seus resultados, a evolução de sua receita com exportações, que representa a maior parte de seu faturamento, é conhecida. Conforme a Secex, os embarques da empresa renderam US$ 1,719 bilhão em 2013, quase 62% mais que em 2012. Esse salto não reflete apenas as vendas ao exterior de suco de laranja, seja concentrado e congelado (FCOJ) ou pronto para beber (NFC). Já é resultado, conforme fontes que acompanham os passos da Cutrale de perto, de uma tendência de diversificação que agora poderá ser aprofundada com as bananas da Chiquita.

Ocorre que, nos últimos anos, a companhia sediada em Araraquara (SP) entrou de cabeça na área de trading de soja em grão - negócio com o qual já fatura, estima-se, US$ 800 milhões por ano. Não se trata da venda de soja própria, mas de terceiros, uma vez que a produção da família Cutrale é pequena e não está incluída nos balanços da companhia.

E, da mesma forma que a estrutura logística que a empresa mantém no exterior e no Brasil (que inclui um terminal graneleiro no porto de Santos) motivou o desenvolvimento dessa nova frente de atuação, poderá servir a operações com banana.

"A Cutrale tem presença global e conta com excelente estrutura logística nos mercados para os quais vende suco de laranja, como EUA e Europa. Além disso, tem uma carteira de clientes que poderá se interessar por banana, tendo em vista que o comércio internacional de frutas frescas tem crescido", afirma uma fonte.

A mesma fonte nota que a Cutrale tem elevado sua aposta nos embarques de laranja in natura, uma vez que se prolifera no varejo de mercados desenvolvidos tradicionais, de maior poder aquisitivo, o uso de máquinas que esmagam a fruta na hora para que os clientes tenham à disposição o suco mais fresco possível.

É mais um fator para atrapalhar a vida das grandes exportadoras de suco de laranja brasileiro (Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus), que há mais de uma década veem a demanda por seu produto declinar, sobretudo nesses mercados tradicionais.

Daí os esforços da Cutrale para diversificar. Do trio das grandes do suco de laranja, ela é a que ficou mais tempo dependente desse negócio e a que fez mais esforços para continuar espremendo seus resultados dele. Com a oferta de US$ 13 (em dinheiro) por ação da Chiquita, valor 29% superior ao do fechamento dos papéis na sexta-feira, quer tirar o atraso. Para tal, espera uma resposta até sexta-feira.
Fonte : Valor Econômico
Data : 12/08/2014

INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA - MENOR ‘CUSTO BRASIL’, DIZ MINISTRO
Publicado em 08/12/2014 as 12:00 PM

Moreira Franco comemora passagem dos aeroportos do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte, à iniciativa privada e afirma que ‘desoneração’ permitirá a aplicação dos recursos em serviços públicos
DA AGÊNCIA ESTADO

Oministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, afirmou ontem que os investimentos em infraestrutura aeroportuária a serem realizados neste e nos próximos anos contribuirão para diminuir o chamado “custo Brasil”. A partir de hoje, os aeroportos internacionais Tom Jobim (Galeão), no Rio, e Tancredo Neves (Confins), em Belo Horizonte, ficam sob comando da iniciativa privada, com promessas de melhorias imediatas. As empresas tiveram ontem o aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para explorar os terminais e detalharam mudanças que serão feitas daqui para a frente.

Desde a assinatura do contrato em abril até ontem, os consórcios que ganharam o leilão realizado em novembro do ano passado apenas acompanhavam o trabalho da Infraero, estatal que até 2012 comandou a operação de todos os terminais aeroportuários do País. Agora, os grupos ficarão encarregados da operação e terão assistência da estatal por um período de transição que deve durar de três a seis meses, até a entrega definitiva.

O ministro exaltou a concessão dos aeroportos à iniciativa privada, “desonerando” o governo federal de investir nestas frentes e possibilitando a aplicação dos recursos em serviços públicos como educação. “Vamos aumentar a capacidade do País de crescer, vamos permitir que a infraestrutura baixe o custo Brasil”, afirmou o ministro, durante cerimônia na qual o comando da operação do Galeão foi repassado à concessionária.

Segundo Moreira Franco, o repasse também será capaz de modernizar a Infraero, que deixa a situação de monopólio e passa a operar em ampla concorrência. “Há o entendimento de que devemos trabalhar investimento público com investimento privado, com um ambiente de negócios que respeite as regras e estimule as transformações.”

Galeão
No Rio, o consórcio Rio Galeão planeja dobrar o número de pontes de embarque de passageiros, criando 26 novos pontos até abril de 2016 por meio da construção de uma área chamada píer sul, anexa ao Terminal 2. O consórcio vai investir R$ 5 bilhões nos 25 anos de concessão, dos quais R$ 2 bilhões até os Jogos Olímpicos, daqui a dois anos.

O presidente da Rio Galeão, Luiz Rocha, anunciou mudanças já para hoje, como acesso a internet rápida (gratuita por 30 minutos), dois novos balcões de informação com atendimento bilíngue, reorganização das filas de táxi, câmeras de segurança nos estacionamentos e melhorias na limpeza.

Em contrapartida, o executivo espera que o Galeão recupere o título de “porta de entrada” de turistas no Brasil. O consórcio tem realizado reuniões na Europa e na Ásia para atrair novos voos.

Os investimentos planejados até a Olimpíada ainda incluem a construção de quatro novos andares de estacionamento, com 2,7 mil vagas para veículos, e de 68 novos balcões de check-in. O número de lojas também será ampliado. O pátio de aeronaves terá mais 500 mil metros quadrados, com 47 novas vagas de estacionamento para aviões, e a sinalização será renovada.

Mesmo com todo este esforço, Rocha garantiu que nada muda para os usuários em termos de preço. “Tarifas aeroportuárias são controladas e regulamentadas pela Anac. Os investimentos que serão feitos não terão nenhum impacto”, afirmou. O consórcio Rio Galeão é formado por Odebrecht Transport e Changi Airports International, que juntas detêm 51%, e Infraero, com 49%.

A construção de um terceiro terminal no aeroporto do Rio, que chegou a ser apresentada pelo consórcio, foi descartada ontem. “O desenvolvimento futuro do aeroporto não passa por um terceiro terminal, porque os terminais 1 e 2, na nossa avaliação, têm área suficiente para check-in e despacho de bagagem”, afirmou Rocha. Conforme o fluxo de passageiros aumente no futuro, está prevista a criação de um píer norte, com novas pontes de embarque.

Confins
Em Belo Horizonte, o consórcio BH Airport, formado pelo Grupo CCR e pelas concessionárias dos aeroportos de Zurique (Suíça) e Munique (Alemanha), além de Infraero, também detalhou ontem os planos para a concessão, que tem duração de 30 anos. O grupo assume hoje a operação do aeroporto de Confins.
Fonte : Jornal do Commercio – Rio de Janeiro
Data : 12/08/2014

OPINIÃO - CRESCE O ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO NA PETROBRAS
Publicado em 08/12/2014 as 12:00 PM

Contadora de Youssef, ao confirmar montagem de esquema dentro da estatal, para subtrair dinheiro de empreiteiras, amplia a dimensão das suspeições sobre a empresa

Enquanto o escândalo do mensalão estourou de uma vez, na denúncia feita pelo mensaleiro acuado Roberto Jefferson, do PTB , à “Folha”, o caso da montagem de um o esquema de corrupção dentro da Petrobras tem emergido aos poucos. Na última edição de “Veja”, contornos desse esquema ficaram mais nítidos, com a entrevista de Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, cumprindo prisão preventiva em Curitiba.

Youssef, acusa a Polícia Federal, é o principal gerente de uma bilionária lavanderia de dinheiro sujo remetido por empreiteiras, tendo como beneficiários finais políticos do “PT, PMDB e PP”, revela a contadora. Também como o doleiro, cumpre prisão preventiva em Curitiba, base de operação de Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa — tudo indica, o primeiro elo do sistema de bombeamento de cifras incalculáveis neste propinoduto. Os dois, apanhados na Operação Lava-Jato, da PF.

Paulo Roberto, mostram investigações e Meire Poza, fazia o clássico papel de criador de dificuldades para vender facilidades. Podia-se deduzir que o ex-diretor da estatal havia sido peça-chave na quadrilha, no tempo em que presidiu o conselho de administração da obra da refinaria Abreu e Lima, um monumento ao desvio de dinheiro público, como já atestam auditorias do TCU. Não é sempre que um projeto orçado em US$ 2 bilhões custa, ao final da obra, US$ 20 bilhões.

Com a decisão de Meire Poza de contribuir para as investigações da PF, as evidências de roubalheira na Petrobras e suposições de drenagem de dinheiro da estatal para financiar políticos do PT e aliados do governo passam a ter a sustentação de documentos e do testemunho de alguém que trabalhou nas armações. Pode-se dizer que o escândalo começa a ganhar dimensões de outro mensalão de petistas, este em sociedade com aliados próximos. É exemplar o pagamento de empreiteiras a empresas fantasmas de Youssef e a pelo menos uma “consultoria” de Paulo Roberto Costa. Ciosas, revelou O GLOBO, empreiteiras declararam à Receita Federal o que pagaram ao esquema de Youssef e Costa. Ou, pelo menos, parte.

A contadora pode contribuir para jogar luz na outra ponta desta lavanderia, a dos políticos. Até agora, haviam sido citados o Deputado André Vargas, sem partido, fora do PT devido às ligações com Youssef, e Luiz Argôlo (SDD-BA). Meire confirma um depósito para o senador Collor, já noticiado. O petista Cândido Vaccarezza, de São Paulo, também foi ajudado, para saldar dívida de campanha. E ela colocou na lista dos beneficiários Mário Negromonte (PP), ex-ministro das Cidades É certo que a contadora sabe mais, a considerar as “malas e malas” de dinheiro que ela diz ter visto passar à sua frente. A presidente Dilma diz que a Petrobras é alvo de “factoides políticos”. Não parece. Alvo ela foi de um aparelhamento que resultou em um escândalo formado por dois negócios desastrosos: as refinarias de Pasadena e Abreu e Lima. E ele começa a crescer.
Fonte : O Globo
Data : 12/08/2014

A BANALIZAÇÃO DO CRIME - MERVAL PEREIRA
Publicado em 08/12/2014 as 12:00 PM

Sem ter como desmentir as recentes denúncias de manipulação criminosa, os governistas e sua vasta rede de militantes que atuam na internet passaram a uma bem orquestrada ação de banalização dessas atividades ilegais, como se fossem corriqueiras. É o caso da preparação dos ex-diretores da Petrobras para depoimentos na CPI que apura a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de prejudicial aos cofres da empresa.

A própria presidente Dilma abriu essa discussão ao acusar publicamente o ex-diretor Nestor Cerveró de ter produzido um relatório falho tecnicamente, que induziu o Conselho Administrativo da Petrobras, presidido por ela na ocasião, ao erro de aprovar uma transação que se mostrou equivocada. Pois bem, como é sabido a Petrobras demitiu Cerveró, que à época trabalhava na BR Distribuidora, e a própria presidente da estatal, Graça Foster, admitiu no Congresso que aquela não fora uma boa compra. Descobre-se agora que a Petrobras está pagando as multas com que os ex-diretores foram punidos pelo TCU, e que todos eles, inclusive o culpado pelo prejuízo, estavam recebendo orientações especiais e treinamento para o depoimento na CPI da Petrobras.

Não bastasse a estranheza de a estatal prejudicada bancar a defesa de ex-diretores acusados de malversação de dinheiro público, gravações de uma reunião na sede da Petrobras revelaram que a chegada de Cerveró à sede da empresa foi cercada de preocupações e cautelas para que sua presença não fosse notada. E que as perguntas que seriam feitas a ele e a outros diretores já estavam previamente preparadas pelos próprios membros da CPI da base aliada do governo.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo, para justificar essa tramoia, deu uma declaração absolutamente absurda: segundo ele, desde Pedro Álvares Cabral, as CPIs são arranjadas. Esqueceu-se de que a CPI que derrubou o então presidente Collor foi liderada pelo PT, e que outras, como a dos Correios, acabaram levando à cadeia diversos líderes petistas envolvidos no mensalão.

Na verdade, as CPIs, um instrumento das minorias, sempre tiveram papel importante no desvendar de atos corruptos, e só quando a maioria resolve boicotá-la é que se transforma em uma farsa como a da Petrobras. Na própria gravação é possível ouvir os advogados da Petrobras procurando uma maneira segura de enviar as perguntas a José Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, o que não seria necessário se não fosse um ato escuso. Treinar os depoentes em CPIs é uma coisa, montar uma farsa com perguntas previamente combinadas é outra muito diferente. A mesma coisa acontece com o caso dos perfis da Wikipédia alterados por pessoas de dentro do Palácio do Planalto.

Que a Wikipédia é um ambiente aberto a todos, ninguém discute. Mas a inclusão de informações inverídicas e calúnias no perfil de alguém não pode ser considerada normal. Especialmente se essas ações são feitas no Palácio do Planalto, de onde saíram mais de 200 alterações em diversos perfis, muitas para incluir elogios a pessoas do governo, outras para atacar jornalistas independentes como Míriam Leitão ou Carlos Alberto Sardenberg.

A própria presidente Dilma, ao repudiar a ação, cometeu um ato falho ao dizer que “nesse caso específico, é algo que quem quiser fazer individualmente que faça, mas não coloque o governo no meio.” A fala da presidente é reveladora de uma maneira de pensar a luta política: distorcer informações sobre pessoas consideradas inimigas do governo pode ser uma atividade política que alguns utilizam, desde que não coloque embaraços para o governo.

Que a guerrilha virtual é uma atividade corriqueira dos petistas, já é sabido. A novidade, que agrava a situação, é que agora essa prática criminosa está sendo feita de dentro do Palácio do Planalto, numa demonstração de que não há mais um mínimo de separação entre o governo e a campanha eleitoral, até mesmo nas ações mais baixas. É uma ação de guerrilha de dentro do palácio do governo. Como a presidente pode lavar as mãos? Não há cadeia de comando? Nem dentro do Planalto? Como o Gilberto Carvalho pode dizer que foi “uma bobagem” e ficar tudo bem?

Nesse caso, pelo menos politicamente, o ônus da prova se inverte. É a Presidência que precisa entregar o culpado e provar que era um aloprado celerado agindo por conta própria. Caso contrário, é como se o Nixon dissesse que quem instalou aquelas escutas no prédio Watergate foram uns aloprados do Partido Republicano.
Fonte : O Globo
Data : 12/08/2014

PODER - FALTAM RECURSOS PARA INVESTIGAR ESTATAL, DIZ MINISTRO DA CGU
Publicado em 08/12/2014 as 12:00 PM

O ministro-chefe da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, afirma que o órgão responsável por fiscalizar o governo está com sua capacidade comprometida e cita o "volume de denúncias envolvendo a Petrobras" como um problema.

É a primeira vez que a CGU admite, de forma clara e inequívoca, o esvaziamento da sua capacidade de investigação, ao mesmo tempo em que chama a atenção para a quantidade de denúncias envolvendo a Petrobras.

O governo, sempre que é cobrado a se manifestar sobre suspeitas de corrupção, cita a CGU como prova de que tem disposição de investigar.

Os argumentos de Hage estão em duas cartas, enviadas para os ministros Miriam Belchior (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), em abril deste ano.

A revelação das cartas coincide com o momento em que o governo tenta reduzir desgaste político por causa das investigações envolvendo a estatal, além de rebater as críticas pelo controle da CPI sobre o assunto.

Para Hage, a CGU vive "dificuldades causadas pela drástica redução de seus recursos humanos". Na carta enviada ao Planejamento, o ministro argumenta que "o esforço de fazer mais com menos atingiu seu limite".

Segundo o ministro, "nos últimos meses, o volume de denúncias envolvendo a Petrobras, por sua vez, tem forçado a necessidade de remanejamento dos escassos quadros de analistas, de outras áreas, para os setores que fiscalizam as áreas de energia, petróleo e gás".

Hage escreve, conforme noticiou o jornal "O Estado de S. Paulo" na última quarta (6), que "quando se analisa a capacidade operacional da CGU para ações de controle, auditoria, prevenção da corrupção, correição, incremento da transparência e ouvidoria, verifica-se que o órgão central e suas unidades estão operando com capacidade aquém das reais necessidades".

Segundo ele, a CGU executa atualmente cerca de 12 mil ordens de serviço para fazer fiscalizações in loco.

Em 2010, esse número chegou a 15 mil ordens de serviço, uma queda de 20%.

No último dia 21, servidores promoveram um abraço simbólico na sede da CGU. De acordo com o sindicato da categoria, o ato foi motivado pela restrição orçamentária e carência de pessoal.

Pelos cálculos apresentados por Hage, a CGU perdeu 727 servidores entre os anos de 2008 e 2014. Por isso, a Controladoria cobra que 303 cargos de analistas sejam preenchidos.

OUTRO LADO

A Casa Civil informou, por meio de nota, que os pedidos da CGU (Controladoria-Geral da União) foram recebidos pelo ministro Aloizio Mercadante e a demanda está sob análise do setor de orçamento do governo federal.

O Ministério do Planejamento também informou que há cargos que dependem de viabilidade orçamentária.

Segundo a Casa Civil, "existe uma demanda da Controladoria-Geral da União (CGU) em relação ao seu quadro de pessoal, considerada relevante, assim como a de outros ministérios" da administração federal.

Segundo o Ministério do Planejamento, em 2012 houve autorização para a criação de 259 cargos para a CGU e em 2014, mais 40.

A CGU informou apenas que os ofícios tratam de um "pleito para recompor o quadro de servidores".
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 12/08/2014

PODER - FIRMA DE DOLEIRO FOI SUBCONTRATADA EM OBRAS DE NAVIOS DA PETROBRAS
Publicado em 08/12/2014 as 11:59 AM

Um consórcio que trabalha para a Petrobras na construção de seis navios, ao valor de cerca de R$ 400 milhões, subcontratou uma empreiteira que é do doleiro Alberto Youssef e tem como sócio informal o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA).

A Malga Engenharia foi subcontratada há dois anos pelo consórcio MGT para fornecer máquinas, como rolo compressor, para um estaleiro em construção no porto de Itajaí, em Santa Catarina.

A informação de que o doleiro e o deputado são sócios na Malga foi dada pela contadora Meire Baza, que trabalhou para o doleiro por três anos e resolveu colaborar com a Operação Lava Jato.

Ela contou que Youssef intermediava o pagamento de propina para políticos, feito por empreiteiras que faziam obras para a Petrobras, como a OAS e a Mendes Junior.

A Folha revelou nesta segunda (11) as informações da contadora sobre a suposta sociedade entre o doleiro e o parlamentar na empreiteira.

A Malga recebeu R$ 171 mil em 2013 do consórcio formado pelas empresas DM Construtora e TKK Engenharia. As duas empresas foram contratadas em agosto de 2012 para produzir navios que serão usados na exploração do pré-sal na baía de Santos.

Não é a primeira vez que a Malga é subcontratada. A empreiteira fez o trabalho da Delta Engenharia na duplicação de um trecho da rodovia no Paraná, a BR 163, num contrato de R$ 115 milhões.

A Delta envolveu-se em tantas irregularidades foi acabou proibida de ser contratada pelo poder público.

Apesar de a Malga ter sido apontada pela contadora como uma empresa que tem existência real, os policiais da Operação Lava Jato não têm certeza de que isso seja verdade nem que o serviço em Itajaí tenha sido prestado. A empreiteira é tratada por eles como "empresa fictícia, com propósito apenas de operacionalizar práticas criminosas como lavagem de dinheiro e desvio de recursos".

Segundo relatório da PF, "a sede da empresa é um sobrado residencial, numa rua onde ninguém nunca ouviu falar da firma". Uma das hipóteses é que a empresa, mesmo sem sede, pode ter existência real, mas a subcontratação em Itajaí teria sido forjada para dar uma aparência legal ao repasse de suborno.

OUTRO LADO

A Petrobras não respondeu até a conclusão desta edição se tinha comprovação de que o serviço para o qual a Malga fora contratada foi prestado.

A Folha procurou os advogados da TKK Engenharia, mas não obteve resposta.

O advogado de Argôlo, Aluisio Regis, nega que o parlamentar seja sócio do doleiro, mas não quis antecipar a linha de defesa que apresentará na Conselho de Ética que julgará o deputado.

Segundo Regis, "o que a contadora diz não é mentira, mas ela está descontextualizando as coisas". Para ele, o importante é que a Malga existe e Argôlo nunca procurou órgão público para conseguir contrato.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 12/08/2014

MUNDO - TRABALHADORES QUE ATRACAM NAVIOS TEMEM CHEGADA DO EBOLA AO BRASIL
Publicado em 08/12/2014 as 11:59 AM

Os práticos, profissionais encarregados de atracar e desatracar navios, temem uma contaminação do vírus do ebola na região Norte do Brasil, onde o saneamento básico é deficiente.

Nesta segunda (11), o Conapra (Conselho Nacional de Praticagem) protocolou requerimento ao Ministério da Saúde, em que pede o reforço "de imediato" do sistema de vigilância sanitária para que o controle das embarcações seja "absolutamente rigoroso", com a presença de equipes para dar suporte a eventuais suspeitas de contaminação.

São eles os primeiros a embarcarem nos navios que chegam ao país. A entidade teme que embarcações vindas da África ocidental, que acessam preferencialmente portos brasileiros ou rios da região Norte, tragam o vírus.

No documento, o Conapra pede ainda que o governo brasileiro considere a possibilidade de apenas permitir o desembarque de pessoas e mercadorias vindas do oeste da África após 21 dias do embarque destes no país de origem.

Este é o tempo que leva para uma pessoas exposta ao vírus manifestar os primeiros sintomas da doença. Normalmente, um navio vindo daquela região africana leva 15 dias para aportar no litoral brasileiro.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 12/08/2014

EXPORTAÇÕES CATARINENSES SOBEM 5% ATÉ JULHO
Publicado em 08/12/2014 as 11:59 AM

Os portos de Santa Catarina registram até julho um aumento de 5,09% no valor total das mercadorias exportadas, para US$ 5,488 bilhões, na comparação com os sete primeiros meses de 2013. Este resultado é influenciado, principalmente, pela elevação nas vendas externas de soja (75,09%) e suínos (57,32%). Os dados integram levantamento divulgado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) nesta segunda-feira (11).

Entre os dez principais produtos da pauta catarinense de exportações, estão negativos no ano os segmentos de frango (primeiro colocado; -4,3%), fumo (quarto colocado; -40,77%) e o motocompressor (sétimo colocado; -0,94%).

Após ultrapassar os Estados Unidos no mês anterior, a China abriu vantagem como o principal destino dos embarques realizados no Estado. O país asiático soma US$ 769,70 milhões em compras em 2014, uma alta de 45,24% sobre o registrado de janeiro a julho do ano passado. Os Estados Unidos também aumentaram seus pedidos, em 16,07%, mas têm no ano embarques totais de US$ 703,08.

As importações do Estado também estão em alta em 2014. Nos sete primeiros meses foram desembarcados US$ 9,210 bilhões, 12,09% a mais que no mesmo período do ano anterior. O catodo de cobre refinado, utilizado como matéria prima de diversas indústrias, lidera a pauta com US$ 544,40 milhões, com pouco menos que o dobro do segundo colocado, o polietileno sem carga, que soma US$ 282,90 milhões.

A balança comercial do Estado está negativa em US$ 3,722 bilhões, alta de 24,3% sobre o contabilizado entre janeiro e julho de 2013.
Fonte : Portal Porto Gente
Data : 12/08/2014

RUSSA RZD ENTRA NA DISPUTA PELA “FERROVIA DA SOJA”
Publicado em 08/12/2014 as 11:58 AM

A recém-anunciada parceria com a brasileira Progen é apenas uma ferrovia vicinal. A chegada da RZD ao país passa por trilhos de bitola muito mais larga. Segundo o Relatório Reservado, o grupo russo está em negociações avançadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o InfraBrasil – que reúne Previ, Petros e Funcef, entre outros fundos de previdência privada. O trio articula a formação de um consórcio para disputar a concessão da linha entre Lucas do Rio Verde (MT) e Uruaçu (GO). Para muitos, trata-se da licitação mais importante em curso no setor. Com investimento previsto de R$ 2,5 bilhões, este será um dos principais trechos da futura Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) – projeto orçado em R$ 6,5 bilhões.

Este emaranhado de mais de 4,4 mil quilômetros de trilhos, que cortará 52 municípios do Centro- Oeste, será fundamental para reduzir o tempo e os custos de escoamento da produção agrícola na região. Um dos maiores operadores mundiais do setor, a RZD administra mais de 90 mil quilômetros de ferrovias. Seu desembarque no país se dá no âmbito dos múltiplos acordos bilaterais assinados entre os governos do Brasil e da Rússia, que vão desde o setor de infraestrutura até a área de energia nuclear. O grupo deverá trazer a reboque o apoio de um pool de bancos conterrâneos, a começar pela agência de fomento Vnesheconombank. Paralelamente às licitações de novos trechos, os russos têm interesse também em concessões que foram devolvidas pelos operadores privados e serão novamente levadas a leilão pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT).

Estes projetos passam também pelas negociações com o BNDES e o InfraBrasil. No caso do banco de fomento, sua participação deverá se dar com um duplo figurino: acionista minoritário do consórcio e financiador da construção da linha ferroviária. Para o governo brasileiro, o apoio ao grupo russo vale cada centavo. A expectativa é que a presença de um candidato do porte da RZD no leilão da linha Rio-Verde - Uruaçu abra o apetite dos investidores e aumente a disputa pela concessão.
Fonte : Portal Porto Gente
Data : 12/08/2014

RENATO DUQUE DEVE SER OUVIDO NA CPI DA PETROBRAS
Publicado em 08/12/2014 as 11:57 AM

Substituído pelo conselho de administração da Petrobras juntamente com os diretores da empresa: Paulo Roberto Costa, de Abastecimento e Jorge Zelada, da Área Internacional, Renato Duque, de Serviços e Engenharia precisa ser ouvido na CPI do Senado. Essas mudanças foram aprovadas pela presidente Dilma Rousseff.

Os três diretores são remanescentes da gestão de José Sérgio Gabrielli e do governo Lula. Eles foram indicados politicamente para seus cargos na diretoria desde 2003, quando o PT chegou ao poder.

O ex-titular da área de Serviços e Engenharia, Renato Duque, devia o cargo ao líder petista José Dirceu, primeiro chefe da Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Discreto, era considerado um dos mais fortes e independentes integrantes da diretoria. No ano passado, Duque chegou a pedir demissão do cargo, como revelou esta coluna, mas foi demovido da intenção pela presidente, conforme comentou a revista Época.

Duque tem muito para dizer, principalmente no caso da refinaria de Pernambuco. Não se explica ele estar fora da CPI.
Fonte : Portal Porto Gente
Data : 12/08/2014

FÓRUM INTERNACIONAL - MICHEL TEMER E CÉSAR BORGES ABREM O SANTOS EXPORT NESTA TERÇA-FEIRA
Publicado em 08/12/2014 as 11:57 AM


Seminário contará com a presença de Michel Temer



A 12º edição do Santos Export - Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos, a ser realizado nessa terça e quarta-feira, no Hotel Jequitimar, em Guarujá, contará com as presenças do vice-presidente da República, Michel Temer, e do novo ministro dos Portos, César Borges.

O Santos Export é uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação e uma realização da Una Marketing de Eventos. Ele reunirá lideranças empresariais, especialistas, pesquisadores, autoridades federais, estaduais e municipais para analisar o futuro do principal complexo portuário do País.

O ministro César Borges dará início à programação do seminário, às 16 horas dessa terça-feira. Ele tratará dos planos do Governo para o complexo santista no painel Tribuna do Porto. Em seguida, participará da solenidade de abertura. O vice-presidente Michel Temer também estará da abertura do evento, marcada para as 18 horas.

O fórum prossegue na quarta-feira, com debates envolvendo temas como a infraestrutura e as operações portuárias, o projeto de dragagem do canal de navegação, além de palestra a respeito do Porto de Roterdã, o principal complexo marítimo do mundo ocidental.
Fonte : A Tribuna Digital
Data : 11/08/2014

SEMINÁRIO - A PARTIR DESTA TERÇA, SANTOS EXPORT IRÁ DEBATER O FUTURO DO PORTO DE SANTOS
Publicado em 08/12/2014 as 11:55 AM

Da Redação



No ano passado, evento trouxe várias alternativas



O vice-presidente da República, Michel Temer, o ministro dos Portos, Cesar Borges, e o governador Geraldo Alckmin estão entre as autoridades que vão debater o futuro do Porto de Santos entre esta terça e quarta-feira, durante a 12ª edição do Santos Export - Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos. O evento ocorrerá no Hotel Sofitel Jequitimar, em Guarujá. O candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, também participará do seminário.

O fórum é uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação e uma realização da Una Marketing de Eventos. Nele, autoridades federais, estaduais e regionais, lideranças empresariais e especialistas vão debater as medidas que devem ser tomadas para garantir a competitividade e a eficiência do complexo santista.

A programação do seminário será aberta nesta terça-feira, às 16 horas, com o ministro dos Portos. No painel Tribuna do Porto, Cesar Borges falará sobre seus planos para o setor e o cais santista, além de responder perguntas de empresários e jornalistas de A Tribuna e da TV Tribuna.

O aprofundamento do canal de navegação do cais santista e a nova realidade do Porto após as obras de dragagem serão temas analisados pelo ministro, além da modernização da gestão portuária e do pacote de arrendamentos de áreas.

Em seguida, às 18 horas, acontecerá a solenidade de abertura do Santos Export. Nela, estarão presentes o vice-presidente da República, Michel Temer, e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, além do ministro, prefeitos e autoridades do setor.

O fórum continuará amanhã, analisando a infraestrutura e as operações portuárias. Às 9h30, haverá um painel que abordará principalmente o projeto de dragagem do canal de navegação. Também serão debatidas a busca pela agilidade na liberação de cargas, com a implantação de um novo modelo de fiscalização para o Porto, as estratégias de modernização dos processos operacionais, na visão de terminais e armadores, e as obras necessárias para garantir uma melhor infraestrutura aquaviária.

O diretor de Infraestrutura da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Paulino Moreira Vicente, o secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos (SEP), Tiago de Barros Correia, o diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação (Centronave). Cláudio Loureiro de Souza, o secretário-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Matheus Miller, e o presidente da Praticagem de São Paulo, Paulo Sérgio Barbosa, serão os debatedores deste painel.

Experiência Internacional

Às 11h30, acontecerá uma palestra sobre o Porto de Roterdã, nos Países Baixos, o principal complexo marítimo do mundo ocidental. A exposição abordará a experiência de Roterdã na solução de seus problemas operacionais, lições que podem ser aproveitadas no cais santista.

A apresentação será feita pelo diretor de Negócios da autoridade portuária, Frans Jan Hellenthal, e pelo diretor do Porto de Rotterdam Participações do Brasil Ltda (a filial brasileira da administração portuária), Peter Lugthart.

O candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, falará sobre as suas propostas para o setor portuário brasileiro às 12h30. Às 14h30, os desafios e as soluções de infraestrutura do Porto de Santos serão debatidos sob vários aspectos. O futuro rodoviário e ferroviário do cais santista, as obras necessárias para o os acessos às margens Direita e Esquerda do Porto, as alternativas para o transporte através dos rios da região e a implantação de terminais fluviais e offshore estão entre as principais discussões.

Para este painel, os debatedores serão o consultor do Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transportes e Meio Ambiente (Idelt) Frederico Bussinger,o professor do Instituto do Mar da Univerisdade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultor portuário Rodrigo More e o engenheiro naval e pesquisador do Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Ricardo Sproesser.

O diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Luís Cláudio Santana Montenegro, o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), Martin Aron, e o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano, também participarão das discussões nesse painel.

Relação Porto-Cidade

As medidas que devem ser tomadas para minimizar os impactos das operações portuárias nos municípios serão abordadas no último painel do Santos Export, agendado para as 16h30 de amanhã. Os projetos de revitalização de áreas e para a formação de mão de obra portuária e os desafios nos acessos e no setor ambiental serão discutidos por autoridades da região.

O diretor-presidente da Codesp, Angelino Caputo e Oliveira, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, a prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito, e a prefeita de Cubatão, Márcia Rosa, debaterão essas questões com o diretor-presidente da TV Tribuna e presidente da Associação Comercial de Santos, Roberto Clemente Santini. Uma solenidade às 18 horas marcará o encerramento do seminário.

PROGRAMAÇÃO (Sujeita a alterações)

12 de agosto (terça-feira)
15h00        Credenciamento
          16h00        Tribuna do Porto

Debatedores:
CÉSAR BORGES, Ministro dos Portos

Moderadores:
LEOPOLDO FIGUEIREDO, Editor de Porto e Mar do Jornal A Tribuna
          
17h30        Coffee-Break
          
18h00        Solenidade de Abertura
          
13 de agosto (quarta-feira)
          
08h30        Credenciamento
          
9h30        Painel 1:
“Desafios e Soluções Operacionais do Porto de Santos”
Temas:
- O plano de dragagem do Porto de Santos – desafios e próximas etapas
- Obras complementares ao plano de dragagem – a busca por soluções longe dos tribunais
- A dragagem e as oportunidades de negócios para o Porto – os planos de terminais e armadores
- A fiscalização do comércio exterior em Santos – a falta de fiscais nas vigilâncias Agropecuária e Sanitária
- Agilidade na liberação de cargas – um novo modelo de fiscalização para o Porto de Santos
- Modernização dos processos operacionais do Porto de Santos – a visão de terminais e armadores

Debatedores:
PAULINO MOREIRA VICENTE, Diretor de Infraestrutura da Codesp
TIAGO DE BARROS CORREIA, Secretário de Infraestrutura Portuária da SEP
CLÁUDIO LOUREIRO DE SOUZA, Diretor Executivo do Centronave
MATHEUS MILLER, Secretário Executivo da ABTRA
PAULO SÉRGIO BARBOSA, Presidente da Praticagem do Estado de SP

Moderadores:
LEOPOLDO FIGUEIREDO, Editor de Porto e Mar do Jornal A Tribuna
          
11h00        Coffe-Break
          
11h30        
Palestra Internacional - Porto de Rotterdam
Expositores: PETER LUGTHART, Diretor da Porto Rotterdam
Participações do Brasil Ltda
                                    FRANS JAN HELLENTHAL, Diretor de Negócios do Porto de Rotterdam
          
12h30        Almoço
          
14h30        Painel 2: Desafios e Soluções de Infraestrutura do Porto de Santos

Temas:
- O futuro rodoviário e ferroviário do Porto de Santos
- Hidrovia, uma alternativa logística para Santos
- Os acessos às margens Direita e Esquerda do Porto - obras pontuais
- Soluções logísticas para Santos - agendamento de veículos, pátios e ZALs
- Novos modelos de gestão portuária - A nova Lei dos Portos e os reais impactos da centralização
- Terminais públicos e privados - um novo cenário portuário no Brasil
- As licitações de terminais em Santos - um novo complexo portuário
- O futuro do Porto de Santos - terminais fluviais e offshore

Debatedores:
FREDERICO BUSSINGER, Consultor do Instituto de
Desenvolvimento, Logística, Transportes e Meio Ambiente (Idelt)
RODRIGO MORE, Professor Doutor do Instituto do Mar da Unifesp e Consultor Portuário
RICARDO SPROESSER, Engenheiro Naval, Pesquisador do Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina
LUIS CLÁUDIO SANTANA MONTENEGRO, Diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp
MARTIN ARON, Presidente da ABTTC
JOÃO MARIA MENANO, Presidente da AMA

Moderadores:
LEOPOLDO FIGUEIREDO, Editor de Porto e Mar do Jornal A Tribuna
          
16h15        Coffee-Break
          
16h30        Painel: Porto-Cidade

Temas:
- O impacto portuário na mobilidade urbana I - os novos acessos ao complexo marítimo
- O impacto portuário na mobilidade urbana II - o transporte hidroviário de passageiros
- O Porto de Santos e seus impactos ambientais - quem tem medo dos portos verdes?
- Retroporto e oportunidades de novos negócios
- Revitalização de áreas portuárias - a parceria entre o Porto e os municípios
- Formação de mão de obra portuária - um novo gargalo?

Debatedores:
PAULO ALEXANDRE BARBOSA, Prefeito de Santos
MARIA ANTONIETA DE BRITO, Prefeita de Guarujá
MÁRCIA ROSA, Prefeita de Cubatão
ANGELINO CAPUTO E OLIVEIRA, Presidente Codesp
ROBERTO CLEMENTE SANTINI, Diretor Presidente da Tv Tribuna e
da Associação Comercial de Santos

Moderadores:
LEOPOLDO FIGUEIREDO, Editor de Porto e Mar do Jornal A Tribuna
          
18h00        Solenidade de Encerramento
Fonte : A tribuna Digital
Data : 12/08/2014

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO É A MAIOR EM 5 MESES, DIZ A OPEP
Publicado em 08/11/2014 as 11:11 AM

A Opep informou que a produção líbia aumentou em 200 mil barris por dia (bpd) no mês passado, ampliando o resultado geral do grupo em 167 mil bpd, a 29,9 milhões de bpd

A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) atingiu em julho seu maior nível em cinco meses, impulsionada pela reabertura de portos e campos de petróleo na Líbia, segundo relatório mensal divulgado nesta última sexta-feira (8).

A Opep informou que a produção líbia aumentou em 200 mil barris por dia (bpd) no mês passado, ampliando o resultado geral do grupo em 167 mil bpd, a 29,9 milhões de bpd.

Em julho, o governo da Líbia fechou um acordo com forças rebeldes para reabrir portos e campos de petróleo que estavam desativados há quase um ano, alimentando esperanças de que o país eleve suas exportações da commodity. No entanto, a continuidade de conflitos no país pode comprometer novos incrementos na produção.

Enquanto isso, o avanço da onda de violência no Iraque tem mantido a produção no norte do país isolada há vários meses. Embora continuem as operações no sul, onde se concentra a maior parte da produção iraquiana, cresceram os temores esta semana em relação à região semiautônoma do Curdistão.

"Até recentemente, a esperança da Opep se baseava particularmente no Iraque, já que o país deveria ser responsável por dois terços dos futuros aumentos na produção do cartel. No entanto, o Iraque está agora cada vez mais mergulhando no caos", comentaram analistas do Commerzbank em nota a clientes.

Os problemas políticos em países-membros da Opep ocorrem num momento em que a entidade já lida com a queda na participação do mercado, diante principalmente do aumento da produção nos EUA. No ano passado, a fatia da Opep na produção global ficou em 43,4%, ante 44,6% em 2012, de acordo com o relatório anual do grupo.

Em 2014, a Opep prevê que a demanda por seu petróleo seja de 29 6 milhões de bpd, o que representa uma revisão para baixo de 100 mil bpd em relação à estimativa anterior. Fonte: Dow Jones Newswires.
Fonte: Jornal do Commercio (PE)
Data : 11/08/2014

 

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