PORTO DE SANTOS EXPORTA US$ 17,7 BILHÕES ATÉ ABRIL; ALTA DE 16,5% SOBRE EXPORTAÇÕES DE 2015
Publicado em 06/01/2016 as 03:11 PM

Santos – O Porto de Santos exportou, de janeiro a abril de 2016, US$ 17,7 bilhões. O valor é US$ 2,5 bilhões maior que o verificado no mesmo período de 2015 (US$ 15,2 bilhões), número que representa cerca de 16,5% de aumento. O valor da participação do Porto de Santos na balança comercial brasileira, no acumulado do ano, é de US$ 29,7 bilhões (30,1% de um total de US$ 98,6 bilhões). Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e compilados pela Gerência de Estatísticas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Até abril de 2016, o total de exportações pelo Porto de Santos representa 31,6% do total nacional (US$ 55,9 bilhões). A China continua como principal parceira comercial. No total das exportações, em dólares, aquele país asiático tem participação de 18,4% no período, cerca de US$ 3,25 bilhões. Estados Unidos (10,9%, por volta de US$ 1,93 bilhões), Argentina (6%, aproximadamente US$ 1,06 bilhões), Holanda (4,4%), Japão (3,1%), México (2,9%), Bélgica, Alemanha (ambos com 2,8% de participação), Indonésia (2,6%) e Itália (2,4%) completam os dez principais importadores pelo cais santista.

Nas importações, o resultado do Porto de Santos entre janeiro e abril é de US$ 12 bilhões, correspondente a 28,2% do total brasileiro (US$ 42,7 bilhões). A participação da China é de US$ 2,37 bilhões (19,8% no total do porto). Em segundo, Estados Unidos, com US$ 2,14 bilhões e participação de 17,8%. Completam os dez maiores parceiros comerciais na importação: Alemanha (9,7% – US$ 1,16 bilhão), Japão (5%), Coréia do Sul (4,1%), França (3,3%), Itália (3,1%), México (2,9%), Índia (2,6%) e Espanha (2,3%).

Em valores comerciais, a principal carga exportada pelo Porto de Santos neste período é a soja, com US$ 2,76 bilhões, correspondente a 15,6% do total. O principal importador do produto foi a China. Em seguida estão a Tailândia, o Irã e outros dez países com menor participação.

O 2º produto de maior participação comercial nas exportações é o açúcar, com 8,3% de participação no total do Porto (US$ 1,46 bilhão). Neste período, a Argélia superou a China como principal importador, seguida de Bangladesh em terceiro. O açúcar também vai para outros 50 países com menor participação no total.

O 3º produto de maior valor comercial na exportação em 2016 continua sendo o café em grãos, com 7,2% (US$ 1,28 bilhão), exportado principalmente para Estados Unidos, Alemanha e Japão. Outros 64 países também recebem café embarcado no Porto de Santos.

Nas importações, as cargas de maior valor comercial desembarcadas em Santos foram óleo diesel (US$ 207,6 milhões), importado dos Estados Unidos, Emirados Árabes, Finlândia e outros quatro países; em segundo, peças de aviões e helicópteros (US$ 157,6 milhões), vindas do Japão, Estados Unidos, e Espanha e outros 15 países com menor participação. Em 3º, caixas de marchas (US$ 155,2 milhões), importadas do Japão, Indonésia, Coréia do Sul e outros 15 países.
Fonte : Portos e Navios
Data : 01/06/2016

PORTO DO PECÉM PASSARÁ POR LICITAÇÃO PARA AMPLIAR ÁREA
Publicado em 06/01/2016 as 03:11 PM

O Porto do Pecém, localizado no Ceará, passará por ampliação na área de contêineres. A Companhia de Integração Portuária do Ceará – Cearáportos abriu processo licitatório para contratar o serviço de cargas perigosas no Terminal, o que gerará a ampliação na área. As propostas devem ser enviadas até o dia 3 de junho.

A área já está em processo de expansão, com a construção de três berços de atracação, estando dois deles já prontos. O último deverá ser entregue ainda em novembro deste ano. O presidente da Cearáportos, Danilo Serpa, explica que as obras planejadas já estão 80% prontas.

“Estamos preparados para atender a Companhia Siderúrgica do Pecém e novos investimentos que venham a se instalar no complexo, mas vale ressaltar que isso é apenas o começo do que planejamos”, declarou.

O terminal portuário está localizado no distrito de Pecém, no município cearense de São Gonçalo do Amarante, uma área estratégica para a movimentação de cargas para a Europa e Estados Unidos. O terminal foi projetado como um porto que permite a atracação de navios a certa distância da costa, dando acesso a navios de maior calado, com capacidade para transportar grandes cargas. Com isso, a acostagem às instalações se dá de forma direta, não havendo canal de acesso, nem bacia de evolução. O porto conta com um Terminal de Insumos e Produtos Siderúrgicos e Carga Geral, um Terminal de Petróleo/Derivados e Granéis Líquidos, ponte de acesso de 2.142 metros de extensão, pátio de armazenagem de cargas e píer de rebocadores.

Recentemente, foi implantada a correia transportadora com 6 km de extensão e capacidade para movimentar 2.400 toneladas por hora; e o Terminal de Múltiplas Utilidades, que vai quintuplicar a capacidade na movimentação de contêineres, passando das atuais 150 mil contêineres/ano para uma projeção de movimentação estimada em 750 mil unidades por ano.

Setor em expansão

Para o advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, o setor portuário brasileiro está em franca expansão, promovendo os mecanismos logísticos e estruturais para a expansão da economia nacional por meio das exportações de produtos.
Fonte : Portos e Navios
Data : 01/06/2016

TRÂMITE NOS PORTOS-SECOS DE MINAS GERAIS REDUZ 30,3%
Publicado em 06/01/2016 as 03:10 PM

Sob impacto da crise econômica, os desembaraços nos portos-secos do Estado continuam com queda em relação ao ano passado. De janeiro a abril, foram desembaraçados US$ 1,992 bilhão em mercadorias nas aduanas mineiras contra US$ 2,861 bilhões no mesmo período de 2015, uma redução de 30,3%. Os dados foram divulgados pela Receita Federal do Brasil (RFB).

“O comércio exterior depende do consumo interno e a redução nos desembaraços é reflexo da queda de consumo de mercadorias no País. É tudo reflexo da crise e se houver uma retomada do consumo da população, certamente isso vai impactar no comércio exterior. No entanto, não há expectativa disso acontecer no curto prazo tendo em vista que produtos sazonais estão chegando em quantidade bem menor do que em anos anteriores. Isso vai afetar muito os números deste ano”, resumiu o diretor da Atlas Comércio Exterior, Frederico Pace Drumond.

No porto-seco de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, foi apurada a queda mais acentuada em termos de valores desembaraçados. O terminal desembaraçou US$ 13,4 milhões em mercadorias durante o acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, 58,4% menos que o montante do mesmo intervalo do exercício passado (US$ 32,4 milhões).

Recentemente, o terminal de Uberlândia foi adquirido pela LRCL Participações e Investimentos, empresa detentora de ativos logísticos sediada no município, da Libra Holding S/A. O valor do negócio não foi revelado por conta de cláusulas de confidencialidade contratuais, mas, conforme já informado, o objetivo do grupo é impulsionar a movimentação de cargas para desembaraço e exportação na aduana.

Já a aduana de Uberaba, também no Triângulo, desembaraçou US$ 259,9 milhões entre janeiro e abril, com alta de 8,5% frente ao valor desembaraçado em mercadorias nos mesmos meses de 2015 (US$ 239,5 milhões). O crescimento aconteceu ao mesmo tempo em que a movimentação no porto-seco de Uberlândia caiu. As duas aduanas concorrem entre si.

No porto-seco Granbel, controlado pela Usifast, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), houve queda nos desembaraços. A zona aduaneira, caracterizada pela variedade na movimentação de diferentes tipos de mercadorias, desembaraçou US$ 327,7 milhões de janeiro a abril, com baixa de 25% em relação ao mesmo intervalo de 2015, quando os desembaraços somaram US$ 437,2 milhões.

As importações por meio da aduana de Varginha, no Sul de Minas, totalizaram US$ 134,6 milhões no primeiro quadrimestre do ano. Na comparação com os desembarques de mercadorias em iguais meses do exercício anterior, quando eles chegaram a US$ 206,4 milhões, houve uma redução de 34,7%.

Os desembaraços no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (RMBH) também caíram. Até abril, as importações somaram US$ 921,7 milhões contra US$ 1,878 bilhão no mesmo intervalo de 2015, recuo de 50,9%. O terminal de Confins respondeu por 46,2% do total desembaraçado em todas as aduanas do Estado durante os quatro primeiros meses deste ano.

Na contramão dos desembaraços totais do Estado, o porto-seco de Juiz de Fora, na Zona da Mata, registrou um forte crescimento. A aduana desembaraçou US$ 335,1 milhões em mercadorias no acumulado até abril, um salto de 398,4% em relação ao valor de igual intervalo do exercício anterior, quando somou US$ 67,2 milhões. A Multiterminais, operadora do terminal, foi procurada pela reportagem para explicar o crescimento, mas até o fechamento desta edição não se posicionou sobre o assunto.
Exportações – Nem mesmo o dólar valorizado frente ao real foi capaz de impulsionar as exportações através dos portos-secos este ano. Ao contrário, os embarques também caíram. As remessas ao exterior através das aduanas mineiras encerraram o acumulado até abril deste ano com queda de 53,3%, somando US$ 221,3 milhões sobre US$ 143,9 milhões no mesmo intervalo do exercício passado.

Em termos de valor exportado em mercadorias, o Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação de Guaxupé movimentou US$ 103,2 milhões no primeiro quadrimestre. Pelo terminal de Confins foram embarcados US$ 87 milhões contra US$ 143,9 milhões nos mesmos meses de 2015, uma retração de 39,5%.
Fonte : Portos e Navios
Data : 01/06/2016

PLANO SAFRA TERÁ MENOS RECURSOS QUE O PROJETADO NA GESTÃO DILMA
Publicado em 06/01/2016 as 03:10 PM

O governo de Michel Temer reduziu em R$ 19 bilhões o montante estimado para financiamento no próximo Plano Safra, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) divulgada ontem. Isso porque, ao divulgar mudanças nas regras de captação de recursos para financiamento agrícola a partir de Letras de Créditos Agrícolas (LCA), o governo da presidente afastada Dilma Rousseff estimou que a alteração levaria a uma injeção de R$ 40 bilhões no setor, mas o CMN, ao regulamentar as mudanças, reviu esse número para R$ 21 bilhões.

"Neste momento, estamos tentado ser realistas, como tem tentado fazer o governo do presidente interino", afirmou o chefe de gabinete do diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operação de Crédito Rural do Banco Central, José Reinaldo Furlani. Segundo ele, as projeções da gestão anterior "não se concretizaram". Daí a revisão, baseada no montante captado com LCAs no Plano Safra 2015/16, que terminará no dia 30 de junho.

Uma das mudanças nas regras do Plano Safra 2016/17 permitiu que 35% do montante que for captado com LCAs, independentemente do lastro da operação, seja direcionado ao crédito rural. Em 2015/16, estão sendo destinados 50% do total captado com LCAs, mas apenas as lastreadas em operações controladas. Com R$ 19 bilhões a menos, o próximo plano terá R$ 183,8 bilhões, ante os R$ 187,7 bilhões inicialmente previstos para 2015/16.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

DISPUTA ENTRE LATICÍNIOS ELEVA COTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA NO PAÍS
Publicado em 06/01/2016 as 03:10 PM

A maior concorrência entre os laticínios em decorrência da oferta apertada de leite no país fez os preços da matéria-­prima subirem novamente em maio. O valor médio pago ao produtor brasileiro no mês passado ­ pelo leite entregue em abril ­ foi de R$ 1,061 por litro, aumento de 1,8% sobre o pagamento anterior, segundo levantamento da Scot Consultoria. Em relação a maio de 2015, a alta do leite ao produtor, em termos nominais, é de 14,2%.

Levantamento do Cepea/Esalq sobre o preço médio ao produtor no país, que considera sete Estados, indica uma alta mais acentuada, de 4,5%, para R$ 1,1571 por litro, entre abril e maio.
          
"A captação caiu novamente em razão da alta dos custos de produção e de problemas climáticos", diz Juliana Pila, analista da Scot. Entre abril e março, houve um recuo de 2,7% na captação conforme o índice de captação de leite da Scot, e dados prévios sinalizam nova queda entre maio e abril, de cerca de 0,5%, informa analista.

O recuo na captação deve ser menos acentuado, diz ela, em função da entrada da safra de leite do Sul, embora problemas climáticos também afetem a produção na região.

Segundo Juliana Pila, o aumento dos custos relacionados à alimentação do rebanho leiteiro tem sido um desestímulo para os produtores. Além da valorização dos preços do milho no mercado doméstico, ela destaca a alta dos suplementos minerais, que são importados.

Sinal de que a concorrência entre as empresas por leite é forte é o comportamento dos preços no mercado spot (negociação entre laticínios). Segundo a Scot, no spot paulista, a alta em maio foi de quase 7%, para R$ 1,597 por litro.

Se a demanda pelas indústrias é forte, no varejo, o consumo de produtos lácteos ainda patina. Um reflexo disso pode ser visto nos preços do leite longa vida, que subiram menos no varejo do que no atacado. Enquanto no varejo paulista, a alta foi de R$ 0,10 entre abril e maio, no atacado, o avanço foi de R$ 0,27 na mesma comparação.

Em abril, o preço do leite longa vida teve alta de 4,09%, conforme o IPCA. O peso do produto no índice no mês foi de 0,9458%.        
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

SAFRA DE LEITE MAIS 'JUSTA' NO SUL TENDE A SUSTENTAR PREÇOS
Publicado em 06/01/2016 as 03:10 PM

Problemas climáticos no período de formação das pastagens de inverno, preços baixos no ano passado e concorrência com culturas mais rentáveis como soja e milho estão reduzindo a produção de leite no Rio Grande do Sul, segunda maior bacia leiteira do país. Além da oferta menor, a safra também tende a atrasar, o que deve manter os preços sustentados em nível nacional. Isso porque a produção do Sul costuma amenizar a escassez durante a entressafra no Sudeste e Centro-­Oeste, quadro que está mais grave neste ano.                    

O presidente do Conselho Estadual do Leite (Conseleite­-RS), que reúne entidades de produtores e indústrias, Jorge Rodrigues, estima que a produção gaúcha no acumulado até maio ficará cerca de 20% menor do que no mesmo período de 2015. De acordo com ele, os volumes de junho e julho também devem permanecer abaixo do normal por conta do atraso das pastagens.  

Conforme o IBGE, as indústrias no Rio Grande do Sul adquiriram 1,373 bilhão de litros de leite cru no Estado de janeiro a maio de 2015. Em junho e julho foram mais 590,7 milhões de litros. O Estado é o segundo maior produtor nacional de leite, com 3,488 bilhões de litros vendidos para a indústria em 2015, atrás de Minas Gerais, com 6,440 bilhões de litros.

Rodrigues afirma que os preços aos produtores não acompanham o aumento dos custos há dois anos, e a tendência deve persistir nos próximos meses. Por isso, a soja ocupou áreas de pastagens devido à melhor rentabilidade. Segundo ele, o preço de referência do produto padrão foi de R$ 0,9886 por litro em abril e deve avançar para R$ 1,0091 em maio.

"Estamos abaixo da média [de produção] no segundo trimestre, e a dificuldade deve se manter no terceiro", diz o assistente técnico estadual de leite da Emater­RS, Jaime Rias. Segundo ele, o desestímulo gerado pela redução (deflacionada pelo IGP­M) de 9,7% nos preços médios ao produtor apurados pela entidade em 2015, soma­-se à alta dos custos com insumos como fertilizantes, e também do milho e farelo de soja usados na ração para o gado leiteiro.

Para o consumidor, a alta nos preços do leite UHT nos supermercados gaúchos chegou a 30% desde o início do ano, para cerca de R$ 2,70 o litro, calcula o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado (Sindilat­RS), Alexandre Guerra.  

Rias diz que o excesso de chuva e de geadas no outono prejudicou a formação das pastagens de azevém e aveia, típicas de inverno, e algumas áreas serão ocupadas por lavouras de milho em julho e agosto, o que sinaliza problemas mais adiante.  

Valter Galan, analista da MilkPoint, consultoria especializada em mercado de lácteos, acrescenta que houve menor disponibilidade de sementes para o plantio das pastagens este ano. Essa escassez é decorrência do excesso de chuvas em abril de 2015, que levou ao alagamento de algumas regiões de plantio no Sul.

Agora, as áreas de pastagens plantadas em abril deste ano enfrentam escassez de chuvas em alguns regiões e excesso em outras, segundo Galan. "Deve haver um comprometimento da produção da pastagens", diz. Outro fator que pode afetar a oferta de leite na região Sul são os preços altos do milho que desestimulam o investimento, pelos produtores, na ração para o gado.

Diante desse cenário, diz o analista, a produção na safra de leite do Sul não deve ser tão grande quanto se imaginava. "Normalmente, o pico de preços do leite [no país] acontece em maio e junho e a partir de julho começa a cair. Mas, este ano, os preços mais altos tendem a se sustentar".

Com a menor produção local de leite e os baixos preços internacionais, as importações de leite em pó pelo Brasil subiram 26,8%, para 35,7 mil toneladas de janeiro a abril deste ano, segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior. Para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro­RS), Paulo Pires, essa é mais uma "ameaça" que pode desestimular os produtores gaúchos.      
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

COMMODITIES EXPORTADAS PELO BRASIL TÊM ALTA
Publicado em 06/01/2016 as 03:09 PM

Sustentadas por problemas ou incertezas no campo das ofertas, as cotações das seis principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil encerraram maio em patamares mais elevados que em abril nas bolsas de Chicago (soja e milho) e Nova York (açúcar, café, suco de laranja e algodão). Na contramão, trigo e cacau ­ o primeiro referenciado em Chicago e o segundo em Nova York ­, matérias­-primas importadas pelo país, fecharam o mês passado em queda.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) mostram que a maior valorização foi a do açúcar (11,47%), seguida por soja (9,21%), suco (5,89%), milho (4,27%), algodão (1,5%) e café (1%). Já as quedas de trigo e cacau foram bem modestas ­ 0,64% e 0,22%, respectivamente. Em relação às médias de maio de 2015, apresentam ganhos açúcar (29,90%), suco de laranja (22,96%), soja (11,83%) e milho (7,6%), e há retrações nos casos do café (5,96%), do algodão (5,24%), do trigo (4,07%) e do cacau (0,69%).

No que depender dos mais recentes movimentos dos fundos especulativos que atuam nas duas bolsas, a tendência de alta pode até ganhar impulso nos casos de soja, milho, algodão e suco. Para açúcar, café e cacau, as apostas são de valorização, mas o ímpeto diminuiu, enquanto no de trigo os sinais de que haverá novas quedas se aprofundaram.

Segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), na semana terminada no dia 24 de maio, os gestores de recursos ("managed money") aumentaram em 32% o saldo líquido comprado no mercado de milho em Chicago, por conta de perspectivas mais pessimistas para a oferta da América do Sul neste ciclo 2015/16 e das incertezas que rondam o plantio da safra 2016/17 nos EUA, onde há indícios de migração de áreas para a soja.

Mesmo assim, o saldo líquido comprado da oleaginosa também registrou leve aumento no período, 1,4%, sobretudo em decorrência da quebra da produção da Argentina na atual temporada por causa das chuvas e do comportamento da demanda aquecida no exterior, puxada pela China. Como informou na segunda-­feira o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, a escalada em Chicago tem colaborado para que os preços da soja alcancem novos recordes no mercado brasileiro.

Ainda em Chicago, o cenário para os preços do trigo continua a ser negativo, em virtude das boas perspectivas para a colheita de inverno nos EUA e para a produção de países como Rússia, Ucrânia e Canadá. Na semana encerrada no dia 24, os gestores de recursos aumentaram seu saldo líquido vendido nos contratos de trigo brando em 23% ante a semana anterior, enquanto no trigo duro o incremento foi de 24%.

Na bolsa de Nova York, o grande destaque apontado pela CFTC no período em questão foi o aumento de 41% do saldo líquido comprado no mercado de suco de laranja, influenciado pelas projeções de queda da oferta brasileira. Isso porque as estimativas indicam forte queda da produção de laranja na safra 2016/17 em São Paulo e Minas, que formam o maior parque citrícola do mundo. Mas também houve incremento de 21% no saldo líquido comprado de algodão, por causa de atrasos no plantio nos Estados Unidos, na Índia e no Paquistão.

No mercado de café, os fundos especulativos reduziram de forma considerável suas apostas de que a alta de preços em Nova York terá prosseguimento, em razão do avanço da colheita no Brasil, acelerada em virtude do clima favorável. Na semana até o dia 24, o saldo líquido comprado caiu 68%. Também houve uma diminuição de 38% no saldo líquido comprado no mercado de cacau, basicamente em função do retorno das chuvas no oeste da África, que favorecem a safra intermediária da região.

E os fundos também reduziram, ainda que pouco (1,7%), seu saldo líquido comprado no mercado de açúcar. Mas, apesar do recuo, o saldo ainda é historicamente elevado, reflexo do apetite dos fundos por commodities em geral e pelo adoçante em particular, ainda em decorrência das previsões de déficit global no ciclo 2015/16 e da crescente expectativa de que a situação se repita na temporada 2016/17.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

INCÊNDIO ATINGE DEPÓSITO DE PAPÉIS DA SUZANO E DEIXA PELO MENOS UM FERIDO
Publicado em 06/01/2016 as 03:09 PM

Um incêndio de grandes proporções, iniciado no fim da tarde de ontem, atingiu a área de armazenamento de papel de um dos prédios da unidade da Suzano Papel e Celulose, na cidade de Suzano, na grande São Paulo. O Corpo de Bombeiros foi chamado por volta das 18h30 e 22 viaturas com cerca de 70 bombeiros foram acionados. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, por volta das 20 horas o fogo foi controlado.

Em nota, a empresa informou que "segundo informações preliminares, um prestador de serviços sofreu ferimentos leves, foi prontamente atendido e encaminhado a um hospital da região". A fabricante disse ainda que estava "acompanhando o atendimento médico e prestando toda a assistência necessária".

Sobre as causas do incêndio, a fabricante, também em nota, informou que ainda não tinha como identificar a origem.

A empresa possui cinco unidades industriais: Suzano, Rio Verde, Embu e Limeira, no Estado de São Paulo, e Mucuri, no Estado da Bahia. Uma sexta fábrica está em construção na cidade de Imperatriz, no Maranhão, com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

FIBRIA AMPLIA PROJETO DA NOVA LINHA DE TRÊS LAGOAS
Publicado em 06/01/2016 as 03:09 PM

Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria elevou em 11%, ou em cerca de 200 mil toneladas, a capacidade instalada do projeto de expansão em Três Lagoas (MS), que agora poderá produzir quase 2 milhões de toneladas por ano. Essa ampliação, possibilitada pela tecnologia usada na nova linha, não alterou o valor do investimento previsto, de R$ 8,7 bilhões, o que resultará em maior taxa de retorno.

De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Fibria, Guilherme Cavalcanti, a taxa de retorno alavancada (que decorre do uso de dívida na estrutura de financiamento) do projeto deve ficar acima de 20%, condicionada ao câmbio e aos preços da celulose.

Esse retorno é superior ao inicialmente estimado, uma vez que o aumento de capacidade instalada não alterou o investimento de capital (capex), que está 70% denominado em reais. Por causa do câmbio, porém, o desembolso em moeda estrangeira passou de US$ 2,2 bilhões para US$ 2,4 bilhões.

Com o início de operação, previsto para o quarto trimestre de 2017, a capacidade instalada total da Fibria será ampliada em 37%, para 7,25 milhões de toneladas por ano, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) crescerá cerca de 50% ­ no ano passado, o Ebitda da companhia totalizou R$ 5,34 bilhões.

Além disso, a produção proveniente da nova linha e as 900 mil toneladas por ano de celulose da Klabin que serão vendidas pela companhia ampliarão de maneira significativa a distância entre a Fibria, líder global na produção de celulose de mercado, e a segunda colocada, que terá metade do tamanho da companhia brasileira.

A nova linha, que já está em construção, poderá produzir até 1,95 milhão de toneladas por ano de celulose de eucalipto, frente ao projeto original de 1,75 milhão de toneladas. Em 2018, a linha, que entrará em operação no quarto trimestre de 2017, deve produzir 1,74 milhão de toneladas. Em 2019, serão 1,85 milhão de toneladas, alcançando 1,95 milhão de toneladas em 2020.

De acordo com o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, o início de operação do Projeto Horizonte 2 pode ser antecipada. Neste momento, o cronograma do projeto segue rigorosamente dentro do previsto, com progresso físico de 32,5%. "O projeto Horizonte 2 está entre os melhores 'brownfields' do mundo, porque o site de Três Lagoas foi desde a concepção preparado para essa expansão", disse.

A celulose produzida no nova linha será escoada por meio rodoviário até Aparecida do Taboado (MS) e, de lá, seguirá por ferrovia de bitola larga da ALL até Mairinque (SP). De Mairinque, a celulose será levada até o Porto de Santos pela MRS. O volume da linha atual continuará a ser escoado pela ALL.

Castelli lembrou que a Fibria ganhou a concessão para operar o terminal de Macuco, no porto paulista, por prazo de 25 anos, renovável por mais 25 anos, "que comporta plenamente o volume de celulose do projeto". Com o aumento da capacidade final da nova linha, a Fibria teve de ampliar a base florestal necessária para atendimento ao projeto para 187 mil hectares, entre plantio próprio e parcerias. No primeiro ciclo da floresta, conforme Cavalcanti, o raio médio (distância entre fábrica e florestas) será de até 100 quilômetros. No segundo ciclo, essa distância será menor, com a redução da participação de madeira de terceiros.

A estrutura de financiamento do projeto já está equacionada e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestará até R$ 2,3 bilhões. "Todos os recursos necessários para a nova linha de produção estão formalmente contratados. Os valores do BNDES, ECA (agências de crédito à exportação) e FDCO (Fundo de Desenvolvimento do Centro­-Oeste) serão desembolsados à medida que o projeto for executado", disse Cavalcanti.

Conforme o executivo, o custo médio do financiamento do projeto, em dólar, ficou em 2,1%, com prazo médio de 5,8 anos. Diante disso, o juro médio da dívida da Fibria será reduzido de 3,4% a 2,8% ao ano, em dólar, e o prazo médio sobe a 4,7 anos.

Além de anunciar o aumento da capacidade instalada da nova linha de celulose, a Fibria informou ainda uma revisão da previsão de desembolsos relativos ao projeto. Inicialmente, entre 2016 e 2017, a companhia aportaria cerca de 93% dos recursos previstos. Agora, poderá reduzir essa fatia a 86%. "Pode haver postergação de investimento caso haja risco para a alavancagem da companhia, sem que isso afete o cronograma do projeto", ressaltou Castelli.

O executivo lembrou que a política financeira da companhia prevê teto de alavancagem de 3,5 vezes (dívida líquida/Ebitda) em dólar, enquanto há compromissos financeiros ("convenants") assumidos junto a detentores de bônus de limite de 4,5 vezes em dólar.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

ESTATAL VAI EXPLORAR GÁS NA PATAGÔNIA
Publicado em 06/01/2016 as 03:09 PM

A Pampa Energia, empresa que ficou com os ativos que a Petrobras vendeu na Argentina, a petrolífera estatal argentina YPF e a própria estatal brasileira se juntaram num grande projeto de exploração de gás em Río Neuquén, na região da Patagônia. Cada uma investirá em torno de US$ 150 milhões, segundo informações da Pampa Energia, para explorar o gás não convencional chamado "tight gas", encontrado em formações pouco permeáveis.

Para que essa associação fosse possível, depois de fechar negócio com a Petrobras, a Pampa organizou um peculiar jogo de troca de ativos. A empresa argentina vendeu à YPF e à Petrobras uma parte do que comprou da empresa brasileira. Em comunicado, a Pampa esclareceu que, com o objetivo de desenvolver rapidamente a região, decidiu associar­-se à YPF e Petrobras e, assim, vendeu um terço da área Río Neuquén a cada uma. "São duas das empresas de maior prestígio e experiência", destaca a nota.

Ao mesmo tempo, a companhia refutou informações, que circularam no Brasil e na Argentina, dando conta de que a Pampa teria intenções de continuar a vender os ativos adquiridos da Petrobras. Segundo porta­-voz da empresa, a exploração de gás em Río Neuquén é um caso específico, voltado a um projeto que demanda alto investimento. Daí a associação das três.

No mesmo comunicado, a empresa também esclarece outro ponto que teria provocado a especulação. A legislação argentina proíbe que uma empresa produtora de gás detenha o controle do transporte do produto. Por isso, ao comprar a parte da Petrobras na Transportadora de Gas del Sur (TGS), a Pampa viu­-se obrigada a colocar sua parte à venda (25,5%).

A YPF informou que fechou com a Pampa um acordo por meio do qual a Petrobras Argentina cede à YPF participação nas concessões de exploração na região de Neuquén, onde há grande potencial de exploração de gás tipo "thight" e de xisto. Para isso, segundo a empresa petrolífera, a YPF concedeu à Pampa empréstimo de US$ 140 milhões.

Interessada na exploração de gás não convencional, a Petrobras decidiu não se desfazer totalmente dos ativos que tinha na Argentina. Por isso, ficou com um terço da concessão de Rio Neuquén.

Os demais ativos que a Petrobras tinha na Argentina foram vendidos à Pampa por US$ 892 milhões. O pacote abrange áreas de exploração de petróleo, uma refinaria em Bahía Blanca, ao sul do país, uma rede de estações de serviço, uma central térmica e unidades de produção petroquímicas, além da participação na transportadora de gás.

A Pampa prepara­-se, agora, para unificar os ativos, o que envolve, principalmente, a mudança visual dos postos de serviços. Segundo a empresa, essa mudança será concluída em 18 meses.

Depois de fechar acordo com a Petrobras, no início de maio, o presidente e proprietário da Pampa, Marcelo Mindlin, reuniu­-se com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, para anunciar os projetos no setor, principalmente a associação das três empresas para investir na exploração de gás na Patagônia.

A Pampa Energia faz parte de um grande conglomerado da área de geração e distribuição de energia. Sob controle do grupo está a Edenor, uma das principais distribuidoras de energia da Argentina, que ganhou perspectivas de expansão com a mudança de governo no país. Uma das primeiras decisões de Macri foi começar a reduzir os subsídios em tarifas públicas, uma das marcas do populismo implantado durante o ciclo kirchnerista e que retardou investimentos no setor. (Colaborou Claudia Schüffner, do Rio)
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

DESAFIO DE PARENTE NA PETROBRAS É REDUZIR A DÍVIDA
Publicado em 06/01/2016 as 03:08 PM

Um dos maiores desafios de Pedro Parente na presidência da Petrobras, cargo em que toma posse oficialmente hoje, será dar consistência e ritmo ao programa de desinvestimento da estatal, ao mesmo tempo em que terá que acompanhar a situação financeira da empresa e garantir a independência do governo. O convite para a permanência de Ivan Monteiro à frente da diretoria mostra o reconhecimento dos esforços feitos por ele para equacionar a dívida da Petrobras, que o agora ex­-presidente Aldemir Bendine chamava de "monstruosa" em conversas reservadas.

A Petrobras é a empresa de petróleo mais endividada do mundo e captou R$ 53 bilhões no ano passado. O analista Frank McGann, da Merrill Lynch Bofa, avalia que a questão mais importante que Parente terá que considerar é a redução da dívida para restaurar a solidez financeira da Petrobras. "Além disso, acreditamos que a empresa precisa mostrar progressos na conclusão da venda de ativos para manter a liquidez e lidar com as dificuldades associadas às investigações em curso", escreveu o analista.

Ele mencionou a Operação Lava­-Jato, a Securities and Exchange Commissionn (SEC), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e as ações coletivas em curso naquele país. Ele diz esperar ainda que o novo presidente atue rapidamente e pro­ativamente na direção de buscar solução os desafios mencionados.

Até o momento a única operação da Petrobras visando explicitamente o alongamento dos vencimentos foi fechada no mês passado por Monteiro e teve a participação de 629 investidores.

Antes do fechamento dessa operação a Petrobras tinha que pagar R$ 53,8 bilhões entre juros e principal este ano. A partir do próximo ano a conta a pagar aumenta progressivamente, para R$ 64,5 bilhões em 2017, chegando a R$ 80 bilhões em 2018 e R$ 99,9 bilhões no ano seguinte. Comparar o tamanho da dívida com as projeções de produção de petróleo traz preocupação.

Em dólares, a dívida líquida da companhia estava em US$ 103,8 bilhões no dia 31 de março e no mês passado captou US$ 6,75 bilhões que vencem em cinco e dez anos. O dinheiro será usado em parte para trocar dívida de curto prazo por dívidas mais longa. Mas a avaliação corrente é que para equilibrar a estrutura de capital será preciso mais dinheiro com menos dívidas. Se ela precisará ou não de capitalização, só o tempo dirá.

Por enquanto, os planos de Parente para a diretoria não são conhecidos. Ele herda também um problema gigantesco que é a dívida da Eletrobras com a empresa que ele passa a dirigir. Além de não pagar pelo combustível usado para gerar energia na Região Norte do país, a subsidiária da Eletrobras no Amazonas está se valendo de liminares na Justiça para contornar a decisão da Petrobras de vender apenas à vista.

Será um "revival" dos tempos em que além de assento no conselho (por três anos) lidou com todos os agentes do setor elétrico para negociar as regras do racionamento de energia em 2001.

Ele também terá que equacionar a política de preços da Petrobras, que atualmente vende combustíveis no Brasil mais caros do que no exterior. É uma tentativa de manter o fôlego depois da sangria no caixa provocada pela política de preços subsidiados adotada depois de 2010, no primeiro governo de Dilma Rousseff, e as discussões a respeito no conselho de administração não foram pacíficas. Parente tem um bom relacionamento com o presidente do conselho, Luiz Nelson Carvalho, e isso pode ser um indicativo de que sua relação com o colegiado não terá os embates ocorridos entre Aldemir Bendine e Murilo Ferreira, antecessor de Carvalho no cargo.

Também é bom lembrar que a estatal tem várias investigações sobre a participação de funcionários envolvidos com a corrupção descoberta pela Lava-Jato. O ponto alto é uma audiência marcada para setembro em Nova York, onde a empresa enfrenta processo bilionário de investidores. A Petrobras também renegocia contratos com fornecedores de equipamentos e serviços, sendo que o mais complicado é com a Sete Brasil, que entrou em recuperação judicial e tem dois acionistas, a EIG e a Luce, que entraram na justiça.

Outra questão bem esclarecida é o tratamento dado pela Petrobras aos executivos que tiveram participação direta ou indireta com esquemas de corrupção e que passaram a ser investigados. As investigações internas e externas são realizadas em sigilo e não se tem notícia de punições.

Não menos importante, Parente pode enfrentar um aumento da oposição dos sindicatos de petroleiros controlados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que tentou convencer o conselho a não referendar o nome do executivo, que foi aprovado por unanimidade. Parente toma posse hoje em Brasília e para amanhã às 10h está marcada a cerimônia de transmissão do cargo na sede da Petrobras, no Rio.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

VALE QUEIMA CAIXA NO ANO COM PREÇO ATUAL, AVALIA BTG
Publicado em 06/01/2016 as 03:08 PM

A queda das commodities metálicas durante maio muda o jogo para a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, e piora o resultado esperado para a companhia durante 2016, opina o BTG Pactual em relatório.

Os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, que assinaram o texto enviado a clientes, calculam que aos preços atuais do minério, do níquel e do cobre, a empresa passa a queimar caixa no ano. O fluxo de caixa livre é projeto em cerca de US$ 600 milhões negativos. Nas últimas semanas, lembra a dupla, a valorização havia deixado a Vale no azul.    

O cálculo é feito com a geração operacional de caixa, menos os investimentos, o serviço da dívida e potenciais dividendos e recompras de ações. As contas também não consideram eventuais vendas de ativos.

O BTG levou em conta a cotação de US$ 50 por tonelada para o minério, de US$ 3,85 por libra (US$ 8.488 por tonelada) para o níquel e de US$ 2,15 por libra (US$ 4.740 por tonelada) para o cobre. As matérias­-primas, contudo, fecharam o mês em níveis ainda piores, de US$ 49,60, US$ 8.440 e US$ 4.653, nessa ordem.  

Nos cálculos do banco, as commodities metálicas em baixa levariam ainda a Vale a um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) entre US$ 8,5 bilhões e US$ 8,6 bilhões no ano. Mesmo com os insumos valendo menos, o indicador subiria no mínimo 20% sobre 2015.

Além disso, a depressão de maio das commodities mantém a alavancagem financeira da Vale expressiva, acrescenta o banco. O nível do índice que relaciona dívida líquida e Ebitda permanece acima de 3 vezes.

As ações da mineradora, afirma o banco, sugerem que investidores esperam a curva de preços do minério de ferro entre US 45 e US$ 47 daqui para frente ­ próximo da estimativa de US$ 47 para 2016 do BTG. Nos mercados futuros, os contratos demonstram expectativa perto de US$ 35 no longo prazo. "Se essa curva se materializar, haverá pouco valor na Vale", dizem os analistas.

Os dois analistas dizem torcer para que os investidores de futuros estejam enganados sobre essa perspectiva no longo prazo e aguardam uma surpresa no lado dos preços do minério.

Os papéis da mineradora, acrescenta o BTG, parecem baratos nessa análise. "Mas acreditamos que os preços atuais já estão justos, dado que a percepção do mercado é de que o nível atual do minério de ferro ainda é insustentável", diz a dupla. A recomendação de ambos para a Vale é neutra.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

MINÉRIO DE FERRO PERDE FORÇA E PETRÓLEO AVANÇA EM MAIO
Publicado em 06/01/2016 as 03:08 PM

O mês de maio trouxe como destaques entre as commodities industriais a perda de força para o minério de ferro e a continuidade da alta do petróleo, mesmo que em desaceleração. Os metais não ferrosos também sofreram queda, com alguns, como o zinco, mantendo boas perspectivas para o restante do ano.

O minério de ferro com pureza de 62% encerrou o mês cotado em US$ 49,60 por tonelada no porto chinês de Tianjin, segundo a "The Steel Index". O recuo mensal foi de 23,9%, apesar de no acumulado de 2016 o insumo ainda ostentar alta de 15,6%.        
A baixa contrasta com abril, quando a commodity registrou valorização de 22,6%, em meio ao ganho de rentabilidade das siderúrgicas da China por conta dos maiores preços do aço local. A produção foi elevada na época, mas já começa a arrefecer por conta do aço mais barato. A cotação da bobina a quente, por exemplo, já se aproxima do mesmo nível em que terminou 2015.

No segundo semestre, escreve o BTG Pactual em relatório, a pressão sobre o minério provavelmente será muito elevada. Está marcado para a metade final do ano o início de produção dos projetos Roy Hill, na Austrália, e S11D da Vale, no Pará ­ o maior do mundo. A perda de margem recente das usinas chinesas também deve reduzir a demanda e abalar ainda mais o equilíbrio do mercado, diz o banco.

A perda de força do setor de aço na China ajudou a derrubar sua principal matéria-­prima em 27,8% desde o pico recente, de US$ 68,70, no fim de abril.

No caso do petróleo, o movimento foi positivo. Os investidores se animam com a menor atividade nos Estados Unidos ­ que levou a uma queda não esperada nos estoques ­, a paradas pontuais na Nigéria e no Canadá, principalmente, e agora viram os holofotes para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que vai ocorrer amanhã.

O Brent com vencimento em julho fechou a US$ 49,67 o barril na ICE Futures de Londres, após ultrapassar US$ 50 durante o mês, uma alta de 3,2% em maio. Já o WTI avançou 6,7%, para US$ 49,10, em Nova York.

Analistas, contudo, acreditam que o déficit esperado no mercado pode diminuir no segundo semestre por conta da alta na cotação. Algumas produtoras americanas podem voltar a produzir a patamares acima de US$ 50 e a expectativa é que no mínimo a exploração se estabilize como está atualmente, em vez de seguir em queda.

"A commodity ensaiou uma recuperação similar no começo de 2015, mas despencou logo depois", alerta a Capital Economics.

Dentre os metais não ferrosos, o mês foi de queda. Analistas atribuem o desempenho a um movimento de retirada dos investidores de suas posições financeiras nessas commodities, se aproveitando da valorização anterior para realizar lucros, e também a estoques ainda muito altos dos produtos. Apesar disso, dados econômicos podem sustentar uma recuperação nos próximos meses.
Na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês), os preços dos futuros de três meses do cobre caíram 7,8% para US$ 4.653 a tonelada em maio; o níquel recuou 10,8%, para US$ 8.440; e o alumínio perdeu 7,1%, terminando em US$ 1.555. O zinco teve a melhor performance, uma desvalorização de apenas 1%, para US$ 1.924.

O zinco é o metal com as melhores perspectivas. De acordo com o alemão Commerzbank, o insumo se aproxima das máximas em um ano, o volume armazenado já recuou para a menor quantidade de 2016 e as perspectivas são promissoras. A produção do mineral caiu drasticamente no primeiro trimestre fora da China e até no gigante asiático começou a arrefecer em abril. Os estoques no país chegaram a 320 mil toneladas, os menores do ano até agora.

Por outro lado, o níquel ainda esbarra na demora para o desligamento de unidades impactar a oferta. Paralisações como no Brasil, pela Votorantim Metais, não aliviam os preços por conta dos altos estoques, escreve a consultoria Capital Economics em relatório, afirmando também que espera que a demanda "reviva" neste ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 01/06/2016

ECONOMIA BRASILEIRA ENCOLHE 0,3% NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Publicado em 06/01/2016 as 03:07 PM

Frente a igual período de 2015, queda é de 5,4%; recuo de 4,7% em 12 meses é o maior da série

RIO - A economia brasileira encolheu 0,3% no primeiro trimestre na comparação com os três últimos meses do ano passado, anunciou o IBGE nesta quarta-feira. Este é o quinto resultado trimestral negativo seguido, mas melhor do que o recuo de 0,8% esperado pelo mercado financeiro. Em relação a igual período do ano anterior, a queda foi bem mais intensa, de 5,4% — oitavo tombo consecutivo nesta comparação. Já o resultado acumulado em 12 meses registrou variação negativa de 4,7%. Este é o pior resultado acumulado em quatro trimestres desde o início da série histórica do IBGE, em 1996. Em valores correntes, o PIB ficou em R$ 1,47 trilhão no primeiro trimestre.

O resultado frente ao trimestre anterior veio melhor das expectativas dos analistas. As projeção do mercado financeiro era de retração de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), segundo a mediana das projeções compiladas pela Bloomberg.

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explicou que, a manutenção das condições da conjuntura econômica ajuda a explicar a queda de 0,3% do PIB:

— Na verdade, a conjuntura está muito parecida do primeiro com o quarto trimestre. Algumas taxas vieram melhores, mas em termos do desempenho da economia está bem parecido e não tem grandes mudanças. Na agropecuária, a taxa piorou; na indústria, ficou parecida, só melhorou um pouquinho; os serviços melhoraram um pouco por comércio e transportes (...) A leitura é que o cenário é muito parecido, continua o espalhamento de taxas negativas pela economia como um todo.

Na avaliação do IBGE, ainda não é possível dizer que o resultado indica uma melhora do desempenho da economia. Apesar da queda menos intensa na comparação com o quarto trimestre, já que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o tombo ainda é intenso, de 5,4%.

— Melhora, por enquanto, não houve, porque na margem (frente ao trimestre anterior) continuou negativa — explicou Rebeca. — Na margem, essa série pode dar soluços. O dado precisa ser olhado em conjunto com outras séries.

Pela ótica da oferta, agropecuária, indústria e serviços tiveram recuo tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior quanto em relação ao mesmo período de 2015. A atividade agropecuária registrou, respectivamente, queda de 0,3% e 3,7%; a indústria recuou 1,2% e 7,3%; e os serviços, 0,2% e 3,7%.

Apesar da queda de 7,3% da indústria, frente ao primeiro trimestre do ano passado, os serviços responderam pela maior contribuição para a queda do PIB, nessa base de comparação. Isso ocorre porque o setor de serviços tem peso de 72% na economia, contra apenas 22,7% da contribuição da indústria.

A queda de 3,7% da agropecuária, registrada frente ao primeiro trimestre, foi influenciada principalmente pela baixa da produtividade da safra da soja, cuja produção é 60% concentrada no primeiro trimestre. A expectativa de produção até cresceu, em 1,3%, mas menos que o registrado no ano passado, quando houve aumento de 12%. Além disso, houve perda de produtividade, já que a área plantada subiu 3,1%, mais que a expectativa de produção.

— O principal motivo foram fatores climáticos. No Sul, foi o período mais chuvoso. Já o Centro-Oeste sofreu mais com a seca. No Centro-Oeste também, houve problemas por praga em alguns municípios — explicou Claudia Dionísio.

Pela ótica da demanda, que corresponde à soma de tudo o que é gasto, houve recuo da Força Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica o nível de investimentos, e do consumo das famílias nas duas comparações. A FBCF encolheu 2,7% em relação ao último trimestre do ano passado e 17,5% em um ano. Já o consumo das famílias caiu 1,7% na passagem de trimestre e 6,3% em um ano. O consumo do governo cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior, mas em relação a um ano, caiu 1,4%.

— Pelo lado da oferta, a indústria teve o maior declínio. Pelo lado da demanda, a demanda interna teve impacto negativo no PIB, com queda no consumo das famílias e do investimento. A maior influência veio do consumo das famílias — afirmou Claudia Dionisio, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

Rebeca Palis destacou também que, para a queda menos acentuada, de 0,3% do PIB, na passagem de trimestre, foi determinante a estabilização, na mesma comparação, da queda do consumo das famílias, que representa 60% do total da atividade econômica. Houve desaceleração porque indicadores que influenciam diretamente o consumo, como inflação e juros, se mantiveram no mesmo patamar na passagem do ano.

O primeiro trimestre de 2016 apresentou taxa de investimento — que é a relação entre a FBCF e o PIB — de 16,9%. Em igual período de 2015, a taxa tinha sido de 19,5%. Já a taxa de poupança foi de 14,3%, também inferior ao resultado registrado no primeiro trimestre de 2015, de 16,2%.

IMPACTO POSITIVO DO SETOR EXTERNO

O setor externo teve contribuição positiva para o desempenho do PIB no primeiro trimestre, na comparação com o quarto. As exportações de bens e serviços tiveram expansão de 6,5%, enquanto as importações recuaram 5,6%.

Frente ao primeiro trimestre de 2015, as exportações tiveram alta de 13%, enquanto as importações registraram perda de 21,7%. Segundo o IBGE, os dois resultados foram influenciados pela desvalorização cambial de 37% e pelo desempenho da atividade econômica no período.

Na comparação anual, os destaques nas exportações foram a agropecuária — tanto soja quanto milho —, petróleo e derivados, metalurgia e veículos automotores. Pelo lado das importações, o destaque negativo ficou com máquinas e tratores — um indicador de investimentos fracos. Mas também se destacaram siderurgia, veículos automotores, eletroeletrônicos, extrativa mineral e serviços de transporte e viagem.

— A gente está vendo aqui uma contribuição positiva do setor externo. Esse comportamento já vem ocorrendo desde o primeiro trimestre de 2015 — afirmou Claudia.

Em relação ao último trimestre do ano passado, na indústria, a maior queda se deu na extrativa mineral, com retração de 1,1%. A indústria de transformação apresentou resultado negativo pelo sexto trimestre consecutivo, de 0,3%. A construção caiu 1%.

Na comparação com o quarto trimestre, a produção e distribuição de eletricidade foi o destaque positivo entre os segmentos pelo lado da produção, com alta de 1,9%. Isso ocorreu, segundo Claudia Dionísio, porque houve desligamento de usinas térmicas, o que reduziu o custo para produção de energeia.

— Houve melhora no quadro hidrológico, com mais chuvas, e o próprio desempenho da economia fez com que o consumo ficasse menor, especialmente na indústria.

Nos serviços, as maiores quedas foram do comércio (-1%), da intermediação financeira e seguros (-0,8%) e de informação (-0,7%). Transporte, armazenagem e correio teve variação negativa de 0,4%, enquanto outros serviços (0,1%), administração, saúde e educação pública (0,1%) e atividades imobiliárias (0,0%) mantiveram-se praticamente estáveis.

QUEDA FRENTE AO 1º TRI DE 2015

Quando comparado a igual período do ano anterior, a queda de 3,7% da atividade agropecuária pode ser explicada pela baixa na produtividade de safras relevantes no primeiro trimestre.

Pesou na queda de 7,3% da indústria, a de transformação (-10,5%). A construção recuou 6,2% e a extrativa mineral caiu 9,6%, puxada pela queda da extração de minérios ferrosos e de petróleo e gás. A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou expansão de 4,2%, influenciada pelo desligamento de termelétricas no terceiro trimestre de 2015 e no primeiro trimestre de 2016.

— Na comparação anual, a indústria foi afetada negativamente principalmente pelo recuo da produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Todas as categorias da indústria tiveram queda, mas essas recuaram mais. São duas atividades diretamente relacionadas ao investimento, que já vem caindo a níveis bastante altos há muitos trimestres — explicou Claudia.

A queda de 3,7% da atividade de serviços em um ano foi puxada pela contração de 10,7% do comércio e de 7,4% de transporte, armazenagem e correio, devido à queda do transporte e armazenamento de carga. Também caíram serviços de informação (-5%), outros serviços (-3,4%), intermediação financeira e seguros (-1,8%) e a administração, saúde e educação pública (-0,8%). As atividades imobiliárias ficaram estáveis.

CONSUMO DO GOVERNO

Segundo o IBGE, a alta de 1,1% do consumo do governo é explicada por um corte menor nos cortes de despesas públicas, após quatro trimestres de reduções mais intensas. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, os gastos do governo caíram 1,4%, recuo menos intenso que o de 2,9% registrado no quarto trimestre, também frente ao mesmo período do ano anterior.

— Estava havendo uma redução, que continuou no primeiro trimestre, mas como ela foi menor, comparando com o trimestre imediatamente anterior, dá essa subida. O governo estava fazendo uma contenção da despesa de consumo. Essa contenção continuou, mas ela foi menor do que ocorrido no trimestre anterior, que tinha sido a mais forte desde o início da série histórica. Durante o ano passado todo, o governo restringiu as despesas de consumo em relação ao ano anterior — explicou Rebeca, do IBGE.

IMPOSTOS PUXAM PIB PARA BAIXO

Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o resultado foi influenciado não só pelo desempenho dos setores da economia, mas também da arrecadação de impostos. Nos três primeiros meses do ano, o chamado valor adicionado do PIB recuou 4,6%. Esse tombo foi ampliado por uma queda de 10,4% no volume de impostos sobre produtos.

— Para a queda desses impostos, foi importante a queda do IPI e do imposto de importação, em volume. Isso está bem relacionado com a importação que teve a maior queda da série histórica (21,7%). Isso contribuiu para o número negativo — explicou Claudia Dionísio.

REVISÕES

O IBGE divulgou a revisão dos resultados do PIB com ajuste sazonal, ou seja, frente ao trimestre imediatamente anterior. No quarto trimestre, a queda passou de -1,4% para -1,3%. Já no terceiro trimestre o recuo, que tinha sido de 1,7%, ficou em 1,6%. No segundo trimestre, por sua vez, a perda passou de 2,1% para 2%. Por fim, a retração do primeiro trimestre do ano passado, que tinha sido estimada inicialmente em 0,8%, foi maior, de 1,2%.

No ano passado, a atividade econômica registrou queda de 3,8%, a mais profunda recessão desde 1990. Para este ano, a expectativa é de um tombo de proporções semelhantes, 3,81%, de acordo com o mais recente boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. Os analistas esperam alta de 0,55% em 2017, segundo o relatório.

No início do mês, o BC estimou que a economia encolheu 1,44% no primeiro trimestre, segundo o IBC-Br, considerado uma espécie de “PIB do BC”. O número surpreendeu analistas, que, na ocasião, projetavam queda de 1,32%. Embora antecipe o dado oficial, o indicador usa metodologia diferente da utilizada no PIB calculado pelo IBGE.

Ao registrar mais uma queda, a economia brasileira completa uma série de oito tombos seguidos. Segundo o Comitê da Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas, a mais longa recessão já registrada no Brasil ocorreu entre o terceiro trimestre de 1989 e o primeiro trimestre de 1992, quando o PIB recuou por 11 trimestres consecutivos, acumulando baixa de 7,7%.
Fonte : O Globo
Data : 01/06/2016

DOS 27 ESTADOS, 18 JÁ ESTÃO NO VERMELHO
Publicado em 06/01/2016 as 03:07 PM

Em abril, contas públicas voltam a ter superávit de R$ 10 bilhões, 24% menor do que no ano passado

“Os estados jogaram boa parte do déficit para debaixo do tapete no ano passado” Raul Velloso Economista e especialista em contas públicas

Dezoito estados gastaram mais do que arrecadaram nos últimos 12 meses. No Rio, o déficit alcançou R$ 4,2 bilhões. A agência S&P rebaixou a nota do Estado do Rio. -BRASÍLIA E RIO- Abalados por uma forte crise fiscal, 18 dos 27 estados estão com as contas no vermelho. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que esse grupo gastou bem mais do que arrecadou nos últimos 12 meses encerrados em abril. A situação mais grave é a do Rio de Janeiro, cujo déficit primário chegou a R$ 4,2 bilhões naquele mês. Em seguida, estão Ceará, com rombo de R$ 2,2 bilhões, e Bahia, com R$ 1,3 bilhão. Os números do BC também deixam claro que houve um agravamento do quadro desde 2015. No mesmo período do ano passado, 11 unidades da federação estavam deficitárias.

Esse cenário foi tornado público ontem durante divulgação das contas do setor público consolidado (governo central, estados, municípios e estatais) em abril. Após dois meses no vermelho, os números voltaram a ficar no azul e apresentaram um superávit de R$ 10,182 bilhões. O valor, contudo, é 24% menor do que no ano passado. A redução do superávit dos estados e municípios foi a mais elevada, de 38% — R$ 2,6 bilhões para R$ 1,6 bilhão.

Diante do quadro negativo dos governos estaduais, a equipe econômica está disposta a dar um alívio extra no pagamento das dívidas desses entes com a União. O tamanho da ajuda vai começar a ser negociado hoje, em uma reunião entre o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy, e os secretários de Fazenda estaduais. Como antecipou O GLOBO, a ideia do governo é propor, inicialmente, um desconto entre 60% e 80% nas parcelas que são pagas mensalmente ao governo federal por um período de até um ano. DÉFICIT DE R$ 139 BI EM 12 MESES Segundo integrantes do governo, no entanto, dependendo do quadro, a União pode conceder uma moratória (permitir que os estados suspendam totalmente o pagamento dos débitos) por um prazo de seis a oito meses. A ideia é que o acordo valha por tempo suficiente para que se negocie uma reestruturação das finanças estaduais, com ajustes nas despesas com pessoal e Previdência. Até sexta-feira, os governadores devem se reunir com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Os secretários de Fazenda estaduais estão preparados para pedir mais. Vários vão defender na reunião de hoje que haja uma carência de até dois anos no pagamento das dívidas. Eles afirmam que os três estados mais endividados — Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais — precisam de ajuda adicional.

Uma proposta encaminhada pelo governo Dilma Rousseff ao Congresso este ano já previa um desconto de 40% nas dívidas por dois anos. Junto dessa proposta estava o alongamento das dívidas dos estados com a União por 20 anos em troca de contrapartidas. A equipe de Meirelles vai mudar os termos.

Só depois de definir qual o custo para o governo federal com a renegociação das dívidas dos estados é que a equipe econômica e o mercado conseguirão fazer uma projeção mais realista do destino das contas públicas este ano. Nos quatro primeiros meses do ano, o superávit primário foi de apenas R$ 4,4 bilhões: o pior desde quando o BC passou a registrar os dados, em 2001. O governo estima que esse resultado deve piorar. Por causa da indefinição da renegociação com os estados, técnicos da equipe econômica apostaram em rombo alto. A meta do setor público é déficit de R$ 163,9 bilhões. O número é a combinação do déficit de R$ 170,5 bilhões previsto para o governo central e superávit de R$ 6,6 bilhões projetado para estados e municípios.

Para o economista Raul Velloso, a forte queda no resultado dos estados em abril mostra que é muito provável que os governos regionais cheguem ao fim do ano no vermelho, pois não têm mais receitas extraordinárias, que diminuiram a crise fiscal em 2015:

— Os estados jogaram boa parte do déficit para debaixo do tapete no ano passado.

Analistas do mercado destacam que ainda há muitas incertezas em relação à situação fiscal do país. Em relatório enviado a clientes, o banco Brasil Plural informou que prevê déficit primário de R$ 130 bilhões, ou 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Só nos 12 meses encerrados em abril, o rombo já chega a R$ 139,3 bilhões (2,33% do PIB). Esse número tem piorado desde o início do ano. No fim de 2015, a relação era de 1,88% do PIB.

O governo interino sofreu críticas ao estipular uma meta fiscal muito pessimista. O câmbio, os juros e a inflação tendem a dar alívio nas contas públicas daqui para frente. E a tendência é de resultados mais favoráveis do que o previsto.

— Até aqui, os resultados fiscais não parecem tão ruins a ponto de chegar em R$ 170,5 bilhões de déficit neste ano. Mas algumas despesas ainda devem ser colocadas nessa conta, como a renegociação da dívida dos estados, o aumento de 9% no Bolsa Família e o possível aumento de servidores — disse o diretor de pesquisas do Bradesco, Octavio de Barros.

Nos últimos 12 meses, o Brasil deveria ter pago R$ 464,4 bilhões em juros da dívida, ou seja, 7,76% do PIB. Como o país não consegue economizar nenhum centavo para pagar essa conta e, pelo contrário, gasta mais do que arrecada, o rombo final das contas públicas é muito maior. O chamado déficit nominal está em R$ 603,7 bilhões nos últimos 12 meses. Isso representa 10% do PIB.
Fonte : O Globo
Data : 01/06/2016

METRALHADORA APONTADA
Publicado em 06/01/2016 as 03:05 PM

Avançam delações de OAS e Odebrecht, que Sarney, em grampo, disse ter potencial destrutivo

Empreiteiros serão ouvidos e, após essa fase, podem ter cooperação confirmada; Expedito Machado promete revelar caminho do dinheiro desviado da Transpetro por integrantes da cúpula do PMDB

A Odebrecht assinou com a Lava-Jato um termo que dá início formal às negociações de delação premiada. Compromisso semelhante já havia sido firmado com a OAS, mas só agora foi conhecido. Executivos das duas empresas, entre eles os ex-presidentes Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro, falarão, por exemplo, sobre as obras no tríplex e no sítio usados pelo ex-presidente Lula. Expedito Machado Neto, filho do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, teve a delação homologada pelo STF, assim como a do pai. Sócio de um fundo de investimento em Londres, ele deve revelar a movimentação financeira da cúpula do PMDB. As duas mais esperadas delações premiadas de executivos acusados de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras começam a tomar forma. Na Odebrecht, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, deu o primeiro passo ao assinar semana passada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato o termo de confidencialidade, que marca o início formal do processo de negociação. A expectativa é que as revelações tenham potencial de uma “metralhadora ponto 100”, como definiu o ex-presidente José Sarney em conversa gravada com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Do lado da OAS, as negociações começaram no início do ano, segundo fontes envolvidas nas conversas. O ex-presidente da empreiteira José Aldemário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro, está em tratativas com o Ministério Público. Em ambos os casos, os acordos de delação ainda não foram fechados por completo, o que só ocorrerá se a Lava-Jato considerar relevantes as informações prestadas.

A informação sobre o avanço das negociações, que no caso da Odebrecht pode envolver de 45 a 50 executivos, foi adiantada por Lauro Jardim em sua coluna no GLOBO.

O termo de confidencialidade assinado pela Odebrecht prevê que as informações nele contidas devem ser mantidas em sigilo e só poderão ser usadas nas investigações caso o acordo seja homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

Se aceita, a delação de Pinheiro ajudará a esclarecer o relacionamento da empreiteira com o governo Lula. Pinheiro e Lula eram amigos. Está em nome da OAS o tríplex no Guarujá, que seria do ex-presidente. A OAS também pagou por reformas no sítio de Atibaia, que também seria de Lula, e por móveis planejados instalados no tríplex e no sítio, todos comprados numa mesma loja. Pinheiro foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão, mas segue em liberdade, aguardando o julgamento de recursos. Hoje, prestará depoimento no inquérito que investiga o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Outro assunto que será explorado na delação são as escutas telefônicas. Numa delas, o deputado Eduardo Cunha se queixa a Léo Pinheiro por ele ter pagado R$ 5 milhões a Michel Temer e adiado compromisso “com a turma”, segundo documento da Procuradoria-Geral da República.

Já Marcelo Odebrecht e seus advogados começarão, nos próximos dias, a detalhar os temas que serão revelados à força-tarefa e listar os documentos que serão entregues.
O termo de confidencialidade é uma garantia jurídica para que o empresário comece a explicar fatos ocorridos no esquema de corrupção da Petrobras, sem que as informações tenham validade legal. Só após a análise do conteúdo apresentado por Marcelo é que os procuradores e a Justiça darão ou não o aval para o acordo de delação.

Os investigadores tratam com cautela a formalização das negociações com Marcelo Odebrecht. No passado, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque também assinou o termo de confidencialidade, mas não conseguiu fechar um acordo. O Ministério Público Federal considerou que as informações apresentadas por Duque não eram suficientes para fazer as investigações avançarem.

A expectativa em torno da delação dos executivos da Odebrecht está na lista apreendida pela Polícia Federal em março deste ano, na casa de um funcionário da empresa, onde aparecem os nomes de cerca de 300 políticos que receberam recursos da empreiteira, boa parte com codinomes. A quantia alcança R$ 55 milhões.

PAI DE MARCELO TAMBÉM DEVE FALAR

Além de Marcelo, outros executivos da Odebrecht devem fazer parte do acordo de colaboração. O pai de Marcelo, Emilio Odebrecht, também prestará depoimentos, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO. Em nota, a Odebrecht informou que não vai se manifestar. A primeira proposta de delação apresentada pela construtora, semanas atrás, foi rejeitada pelos investigadores. Os advogados do maior empreiteiro do país apresentaram uma versão dos fatos que atribuía a contabilidade do “Setor de Operações Estruturadas” a apenas uma estrutura de caixa dois da empresa. Esse setor era conhecido internamente como o “departamento de propina” da Odebrecht.

A partir do termo de confidencialidade, Marcelo deve entregar todas as informações sobre contribuições feitas às campanhas eleitorais majoritárias. O empresário poderá detalhar os pedidos de contribuição feitos por políticos a ele e ao grupo Odebrecht. Todos os partidos investigados no esquema de corrupção podem ser implicados na delação da Odebrecht.

A planilha com os 300 nomes, apreendida na 26ª fase da Lava-Jato, era de Benedicto Barbosa Silva Júnior, conhecido como “BJ”, presidente da Odebrecht Infraestrutura e um dos principais interlocutores de Marcelo Odebrecht na alocação de recursos a campanhas políticas. O juiz Sérgio Moro decretou sigilo sobre o processo ao qual as planilhas foram anexadas.

RENAN E CUNHA EM PLANILHA

Os papéis relacionam políticos de diversos partidos do país a valores pagos pela Odebrecht, vários deles com foro privilegiado, como Renan, Eduardo Cunha, e outros senadores e deputados federais.

Os executivos da empresa poderão explicar que verbas relacionadas a políticos são doações legais de campanha, se foram de fato pagas e se podem ser relacionadas a esquemas de propinas. Além das planilhas, também foram apreendidos documentos que citam obras feitas pela Odebrecht em diversos estados e municípios, o que pode abrir novas investigações.

Outros documentos descobertos pela Lava-Jato indicam que alguns desses repasses podem ter sido feitos sem o conhecimento da Justiça Eleitoral, por meio de caixa dois. Em depoimento à PF, em fevereiro, quando foi preso pela Lava-Jato, Benedicto Júnior disse que Marcelo Odebrecht aprovava os “valores globais” que seriam doados pela empresa.

Na lista da Odebrecht, chamam a atenção principalmente os apelidos dados aos políticos. O senador José Sarney, por exemplo, é chamado de “Escritor”. Renan, de “Atleta”. Eduardo Paes, prefeito do Rio, de “Nervosinho”. Eduardo Cunha é o “Caranguejo”. O senador Humberto Costa é o “Drácula”. Lindbergh Farias aparece como “Lindinho” — como, de fato, é conhecido. O apelido de Manuela d’Ávila, deputada federal pelo PCdoB, é “Avião”. (*Enviado especial) l
Fonte : O Globo
Data : 01/06/2016

INVESTIDORES QUEREM ALTERAR LEILÃO DE PORTOS
Publicado em 06/01/2016 as 03:05 PM

Representantes do setor privado deverão se reunir nesta semana com o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella Lessa, para pedir mudanças nas regras de leilão de arrendamento de seis áreas em portos do Pará, que eles consideram muito desequilibradas em favor do Estado. Programado para o próximo dia 10, o certame corre o risco de ser adiado por falta de interessados, segundo informou o ministro na semana passada.

Nesta segunda-feira, 30, Quintella recebe o ministro da Integração Nacional, Hélder Barbalho, que foi secretário de Portos até o afastamento da presidente Dilma Rousseff. A ideia é fazer uma avaliação sobre as chances de sucesso do leilão e, eventualmente, optar por uma nova data.

Como secretário de Portos, Barbalho tinha uma boa interlocução com o setor privado. Por isso, está ciente das críticas feitas pelos potenciais interessados. "Está dito no contrato que o vencedor assume total responsabilidade por passivos ambientais e outros problemas, sem direito de propor depois uma reavaliação econômico-financeira", disse o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli. "Isso afasta os investidores privados."

O ponto considerado mais grave, porém, é o que abre espaço para o Estado alterar ou rescindir o contrato de forma unilateral. "É um atentado à Constituição e ao Estado Democrático de Direito", afirmou o executivo.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) diz que essas avaliações são exageradas. Ela diz que os contratos não serão rescindidos sem que haja um processo, com amplo direito de defesa do empreendedor.

Adiamento

As ressalvas constaram de uma carta enviada à Secretaria de Portos em março passado, pouco antes do leilão, então programado para o dia 31 daquele mês. No dia 29, Barbalho mandou suspender a concorrência.

Oficialmente, por uma falha ocorrida no sistema da Antaq, que deixou sem respostas 48 questionamentos enviados por empreendedores. Mas também porque já estava claro que alguns lotes não haviam atraído nenhuma proposta e outros sairiam pelo preço mínimo fixado no edital: R$ 1,00.

O leilão dos arrendamentos no Pará, que envolverão investimentos estimados em R$ 1,6 bilhão, é o primeiro de grande porte a ser realizado pelo governo do presidente interino, Michel Temer. As concessões em infraestrutura são uma aposta para a retomada da atividade econômica no curto prazo. Daí a pressa em avançar com o programa.

Salvador

Na semana passada, foi realizado o leilão de um terminal de passageiros no porto de Salvador, construído a um custo de R$ 40,7 milhões. Com preço mínimo de R$ 1,00, ele saiu por um lance de R$ 8,5 milhões, o que foi considerado um sucesso pelo governo Os vencedores se comprometeram a investir mais R$ 7 milhões e a pagar à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) taxas de arrendamento no total de R$ 34,5 milhões ao longo dos próximos 25 anos.

No total, o governo pretende leiloar quatro terminais desse tipo, que foram construídos para a Copa do Mundo. O próximo da lista é o de Recife, no dia 31 de agosto. Ainda sem data marcada, irão a leilão também os terminais de Fortaleza e Natal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte : Portos e Navios
Data : 31/05/2016

PORTO DO RIO GRANDE MOVIMENTA MAIS DE UM MILHÃO DE TONELADAS DE SOJA POR MÊS
Publicado em 06/01/2016 as 03:05 PM

A soja movimentada no Porto do Rio Grande, basicamente, é de origem gaúcha das mais diversas regiões produtoras. Cerca de 90% do que é produzido no Estado, com destino à exportação, acaba passando pelo complexo portuário local. O principal destino é a China. Em 2015, por exemplo, o Porto exportou mais de 14 milhões de toneladas de soja, deste volume, mais de 10 milhões de toneladas foram encaminhadas para o país asiático.

Organização

A Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) começa a organizar o processo da safra, sempre, quando um ciclo é encerrado. De acordo com o diretor-superintendente do Porto, Janir Branco, o planejamento da safra de soja é realizado, pensando no período de abril a setembro, quando a movimentação ultrapassa a marca de um milhão de toneladas do item soja em grão, por mês. O complexo soja trabalhado no porto, segundo Janir, representa o óleo, o farelo e o grão.

“Fizemos uma avaliação da safra 2015, vimos os gargalos, que ocorreram ano passado, para melhorarmos o que vem ocorrendo em 2016. Desde o início do ano, a Diretoria Técnica, que é a responsável direta pela organização do Plano Safra, vem realizando reuniões com cada componente envolvido. Além disso, realizamos reuniões com todos os protagonistas de forma conjunta e, também, apresentamos as ações ao Conselho de Autoridade Portuária. Em 2015, ultrapassamos a marca de 14 milhões de toneladas. A nossa expectativa, baseado em informações que chegam da zona produtora, é de ultrapassarmos o que obtivemos no último ano”, informou Janir

Logística

Questionado sobre a logística para receber tanto volume, Janir informou que, através do Plano Safra, é possível visualizar os principais gargalos e atuar com antecipação, para que os impactos da movimentação sejam os menores possíveis. “Os terminais ano a ano buscam alternativas para diminuir os entraves, e a Superintendência tem trabalhado, fortemente, para que todo o complexo esteja organizado e trabalhando, de forma conjunta, para evitar situações que possam causar transtorno para a operação e para a sociedade. O agendamento eletrônico de descarga, implantado pela maior parte do complexo, tem se tornado um forte aliado, para garantir a organização e evitar filas e transtornos”, disse o superintendente.

Com relação aos caminhões que costumam se aglomerar na estrada da Barra no período, Janir afirmou que os primeiros quilômetros da BR-392 estão inseridos dentro do contexto portuário, por ser a via de acesso aos terminais. “O agendamento eletrônico, como mencionado, já atua para diminuir as filas que antes eram formadas em cima da rodovia. Situações como essa já ocorrem em bem menos quantidade do que em anos anteriores. Além disso, a Suprg distribui, nas praças de pedágio, um informativo que indica ao caminhoneiro como chegar, da melhor forma, ao pátio que ele precisa estar”, explicou. Segundo Branco, são mais de 1,7 mil vagas em pátios de estacionamento, sem considerar o do Sindicam, que fazem parte da estrutura montada pelos terminais, para evitar que os caminhões fiquem aglomerados em suas portarias e na estrada.

Desafio

Branco afirmou que o principal desafio para o período da safra é conciliar as necessidades da operação com as necessidades sociais. “Entendemos que a rodovia é de uso da sociedade e precisamos pensar em como manter o desenvolvimento e a agilidade do complexo, sem causar transtorno social. Além do agendamento, também mantemos constantes conversas com a empresa Rumo ALL, responsável pelo modal ferroviário, para evitar as manobras em cima da rodovia nos horários de pico. Lidamos com uma via simples, com grande volume de caminhões, ônibus e veículos civis e, por isso, é importante que todos os protagonistas da operação da soja trabalhem em sintonia, para evitar os mais diversos tipos de transtornos”, informou o superintendente.

Outras cargas

Apesar de todo o volume de soja, outras cargas também se destacam em movimentações no Porto, que está, diretamente, ligado à cadeia agrícola do Estado do Rio Grande do Sul. Os principais segmentos de produtos fazem parte dessa atividade que, para o superintendente, é o motor de desenvolvimento do nosso Estado. “Temos uma vasta movimentação de granéis, dos mais variados produtos. O arroz, por exemplo, no primeiro quadrimestre do ano, teve crescimento de mais de 40% quando comparado ao ano passado. São mais de 600 mil toneladas movimentadas. Outros grãos também fazem parte de nossa rotina, como o milho que já movimentou mais de 240 mil toneladas e o trigo que soma mais de 300 mil toneladas. Tudo isso voltado para a exportação. Além dos grãos in natura, também trabalhamos com produtos de valor agregado como a celulose, por exemplo, que já totaliza mais de 900 mil toneladas”, contou

Sobre a movimentação em importação, Janir afirmou o seguinte: “Estando o porto voltado à cadeia agrícola, nossas principais importações têm o campo como destino final. Os insumos para fertilizantes são os principais produtos que chegam ao porto, dos mais variados compostos como: ureia, polietileno e cloreto de potássio. Em 2015, o país, que mais enviou produtos nesse segmento de carga, foi a Rússia”, finalizou.
Fonte : Portos e Navios
Data : 31/05/2016

PIVÔS CENTRAIS CRESCEM E GANHAM ESPAÇO NA IRRIGAÇÃO BRASILEIRA
Publicado em 06/01/2016 as 03:05 PM

A irrigação é o principal setor usuário dos recursos hídricos. De um lado, há uma tendência crescente de expansão da agricultura irrigada. De outro, um aumento de conflitos pelo uso desse bem.

Diante disso, há a necessidade de um planejamento e de um ordenamento da atividade em bases econômicas e ambientais sustentáveis.

Irrigação com pivôs centrais Conceição das Alagoas (MG)

Foi o que levou a Embrapa Milho e Sorgo e a ANA (Agência Nacional de Águas) a fazer um levantamento dos pivôs centrais para irrigação em operação nas diversas regiões hidrográficas do país.

Dados de 2014 da ANA indicam que a taxa média anual de crescimento da irrigação brasileira é de até 7,3%.

Mesmo assim, o país ocupa apenas o nono lugar quando se trata de áreas irrigadas.
No início dos anos 1960, o Brasil tinha 462 mil hectares irrigados, segundo o IBGE. As estimativas para 2014 são de uma área de 6,1 milhões de hectares –distante, no entanto, do potencial de até 47 milhões de hectares.

A grande discussão sobre a irrigação é o aumento do uso de água na lavoura. Atualmente, 55% da vazão de retirada de água é de responsabilidade da agricultura, ficando as cidades com 22%, e as indústrias, com 15%.

Os dados são previsões da ANA feitas neste ano. Segundo a agência, a vazão de retirada considera o consumo acrescido das parcelas que retornam aos corpos hídricos.

O consumo de água pela agricultura no Brasil é inferior ao da média mundial e abaixo do dos concorrentes diretos do país na agricultura, como os Estados Unidos.

O estudo da Embrapa e da ANA destaca, no entanto, que há realmente aumento do uso da água, mas também oferta maior de alimentos, maior valor agregado para o produtor, redução de custos na produção e utilização dos espaços agrícolas durante todo o ano.

Além disso, o crescimento da área irrigada inibe a expansão da agricultura para outras áreas, apontam os técnicos das duas entidades.

"As perspectivas de crescimento da irrigação passam pelos pivôs centrais. Esse sistema será o que mais vai se desenvolver nos próximos anos", afirma Thiago Fontenelle, especialista em recursos hídricos da ANA.

O mapeamento nacional dos pivôs centrais de 2014 indicou 19,9 mil equipamentos, com ocupação de 1,3 milhão de hectares. Essa área é 43% superior à registrada pelo IBGE no Censo Agropecuário de 2006, quando os números indicavam 893 mil hectares.

Os biomas cerrado e mata atlântica concentram 79% e 11%, respectivamente, dessa área coberta por pivôs. Pelo menos 80% dessa área está em Minas, Goiás, Bahia e São Paulo. Só a região hidrográfica Paraná responde por 44%.

Há uma concentração nessa distribuição de área irrigada por pivôs centrais. Apenas 40 municípios têm 50% da área total, com destaques para Unaí (MG), Paracatu (MG) e Cristalina (GO). São 2.243 pivôs nesses municípios, irrigando 177 mil hectares.

Entre os diversos tipos de irrigação, os pivôs centrais vêm ganhando espaço, com crescimento médio de 104 mil hectares anualmente no último triênio.

Os dados do Censo Agropecuário de 2017 deverão indicar um forte crescimento desse segmento na irrigação, na avaliação de Fontenelle.

Entre as lavouras temporárias, a utilização maior de pivôs centrais são para as culturas de algodão, soja, milho, cana e feijão.

Já café e laranja se destacam entre as lavouras permanentes irrigadas por esse sistema. É o que aponta o estudo "Levantamento da agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil", que deverá ser divulgado nesta semana.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 31/05/2016

PRESSÕES POR NOVAS NORMAS E GESTÃO
Publicado em 06/01/2016 as 03:04 PM

Setor pede mudanças no marco regulatório e nas licitações de arrendamentos e critica a grande pulverização de terminais no país

Com o fim da administração PT, os agentes descontentes com a política portuária se movimentam para mudar não só o novo marco regulatório, aprovado em junho de 2013 com a Lei nº 12.815, como a própria gestão do setor. Se, por um lado, o fato de não ter mais ministério próprio, com a extinção da Secretaria Especial de Portos (SEP), não é bem visto pelas entidades
e empresas; por outro, a possibilidade de pôr fim à centralização das decisões em Brasília anima alguns segmentos. Agora, a gestão portuária passa para o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, comandado por Maurício Quintella Lessa (PR-AL). A SEP tornou-se uma secretaria do ministério.

A política portuária do governo petista teve como marco a criação da SEP, em 2007, e procurou destravar investimentos, porque a percepção era que, com as licitações a cargo da administração portuária, ninguém entrava e ninguém saía dos portos públicos. A nova lei centralizou os processos licitatórios na SEP, mas os leilões foram sufocados pelos questionamentos do Tribunal ele Contas da União (TCU), que aprovou só um dos quatro editais.

"A centralização não foi positiva, porque a SEP não estava preparada. Só no governo Dilma foram seis ministros. Passados três anos, apenas três dos 159 terminais foram licitados", diz Aluisio Sobreira, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Agora, os 14 portos delegados reivindicam a descentralização do setor; e os arrendatários com contratos anteriores a 1993, que pela nova lei não tiveram direito a renovação, confiam que um governo do PMDB irá restaurar-lhes esse direito.

"É uma luta que existe desde 1993. Esperamos que o novo governo conceda ao menos os dez anos aprovados no Congresso que a Dilma vetou", diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) está entre os órgãos reguladores que poderão ter o comando trocado na administração interina de Michel Temer (PMDB-SP). Fernando Fonseca, diretor-geral até a posse de Temer, lembrou que a agência tinha vinculação
ao Ministério dos Transportes por conta da regulação do transporte marítimo. Segundo ele, antes da criação da SEP, a gestão dos portos cabia ao ministério, e o setor tinha de disputar prioridades com rodovias e ferrovias.

A SEP viabilizou investimentos privados da ordem de R$ 25 bilhões. Desde a Lei nº 12.815/2013, foram concedidas 53 novas instalações privadas, conhecidas como Terminais de Uso Privado (TUP), somando R$ 16,1 bilhões, e assinados oitos contratos de renovação antecipada, num total de R$ 8,82 bilhões. Já o Plano Nacional de Dragagem (PND) destinou R$ 1,5 bilhão no PND I para 16 portos públicos, e o PND II, em andamento, soma R$ 1,4 bilhão de obras contratadas em quatro portos públicos. Os três primeiros arrendamentos renderam R$ 2 bilhões, fora os investimentos previstos pelos novos arrendatários.

"Peter Drucker diz que quem tem três prioridades não tem nenhuma. Enviamos carta ao presidente interino Temer pedindo que a SEP não fosse extinta. Agora que foi, enviamos outra carta informando que queremos a oportunidade de mostrar nossas preocupações e apresentar soluções. Tudo que envolver descentralização tem nosso apoio. Nossa proposta é que se privatizem as companhias docas e se abra o capital", diz Manteli, da ABTP.

Diante das incertezas, não há como assegurar a realização do segundo leilão de arrendamento transferido de 31 de março para 10 de junho. No primeiro adiamento, as empresas nem sequer chegaram a entregar proposta, e a licitação seria declarada deserta, mas a alegação do governo para a postergação foi uma falha no sistema da Antaq. Seriam oferecidas seis áreas no Pará, sendo cinco para terminais de granéis sólidos vegetais - três em Outeiro, uma em Vila do Conde e outra em Santarém, onde também seria arrendado um lote para fertilizantes.

Há três meses, a OdebrechtTransport e a APM Terminais haviam confirmado interesse. Hoje, estão arredias. Outra incógnita são as tradings agrícolas. A Bunge tem o complexo portuário Miritituba-Barcarena (PA), que envolve a estação de transbordo em Miritituba e o Terminal Portuário Fronteira Norte (Terfron), em Barcarena. A Cargill possui um terminal portuário em Porto Velho (RO); enquanto a ADM, em uma joint venture com a Glencore, opera um porto em Barcarena.

Novos players poderão apresentar-se, como a Caramuru, que articula associação com empresas chinesas. Especializado no processamento de soja, milho, girassol e canola, o grupo tem investimentos no porto de Santos (SP) e de Tubarão (ES), em ferrovias e na Hidrovia Tietê-Paraná. A saída por Santos é uma parceria com a ALL e a Rumo para escoamento de milho, soja e farelo. Há ainda uma unidade em Sorriso (MT), que usa a hidrovia do rio Tapajós com saída dos produtos pelo Amapá.

"Estamos avaliando as áreas do Pará para o caso de fazermos um movimento maior de exportação. Estamos conversando com alguns chineses para a possibilidade de uma ação conjunta. Mas o prazo é curto, e com a troca de governo a gente não sabe o que vai acontecer", diz Cesar Borges de Souza, vice-presidente da Caramuru.

Há expectativas também em relação à China Communications Construction Company (CCCC), conglomerado de infraestrutura que acaba de adquirir participação em um TUP em São Luiz (MA), projeto de multicargas da WTorre, orçado em R$ 1,5 bilhão, dos quais R$ 400 milhões caberão à CCCC. A empresa reservou R$ 1 bilhão para investimentos no Brasil.

O destino dos futuros leilões vai depender se o novo governo aceitará ou não a proposta de descentralização dos 14 portos delegados, que conta com o apoio de duas principais associações, a ABTP e a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec). Casemiro Tércio Carvalho, presidente da Cia Docas de São Sebastião, ressalta que na China, na Europa e nos Estados a administração dos portos é municipal. "Nosso projeto de um terminal multipropósito está parado há quatro anos em Brasília."

Há queixas sobre projetos emperrados. Bernardo D'Almeida, vice-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, afirma que o porto conta com projeto para licitação de um segundo terminal de contêiner desde 2011, além de terminais de minério, trigo e veículos. Com o atraso, o grupo deixou de investir R$ 3 bilhões, que gerariam 2 mil empregos diretos. "O objetivo da lei de destravar investimentos não foi cumprido", destaca.

Luiz Henrique Dividino, presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), lembra que a Lei dos Portos tem um parágrafo determinando que o governo pode delegar aos portos as licitações. Mas, para ele, agora que todos os processos licitatórios já foram desenvolvido em Brasília, é melhor que eles conduzam os leilões. Em Paranaguá, são três áreas para granel de exportação, uma de granel de importação, uma de carga geral e uma para veículos.

Para Sérgio Salomão, presidente da Abratec, há uma grande pulverização de terminais, afirmando que o poder concedente tem de levar em conta a economia de escala. "As melhores práticas não admitem a fragmentação operacional. Se em outras atividades quanto mais players melhor, no segmento de contêineres isso beira a irresponsabilidade", ressalta.

Luiz Alves, presidente do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), concorda que há no país um número excessivo de terminais, 20 no total para um mercado de apenas 9,8 milhões de TEU. Segundo ele, a tendência é que o número seja reduzido pela metade, citando o que vem ocorrendo no porto de Santos. O grupo Rodrimar e a Ecoporto deixaram de receber navios de contêineres, e a Libra, que chegou a ser o segundo maior player em Santos, está operando com pouco mais de 10% da capacidade. A empresa perdeu dois serviços da Ásia por conta de reestruturação dos armadores: o da Mitsui Osk Lines (MOL) para a BTP e o Ásia I, que, especula-se, deve juntar-se com o ESA, operado pela Santos Brasil.

A Libra informa suspensão temporária de 13 semanas, a partir de junho de 2016, de um de seus serviços. O contrato desses serviços terá nova licitação em julho, como ocorre anualmente. Segundo a empresa, seu plano de expansão segue com investimentos de R$ 750 milhões. Mas a eventual paralisação das atividades da Libra preocupa até os armadores.

"É ruim a saída do mercado de um player como a Libra. Estamos conversando com os demais armadores e pensado em como ajudar com a transferência de algum serviço", diz José Salgado, diretor de operações e logística da Aliança, empresa do grupo Hamburg Süd.

A crise afeta até os novos terminais que conquistaram contratos da Libra e da Santos Brasil. A Embraport iniciou as operações em julho de 2013 e tem 22% de participação. Bruno Ferretti, gerente comercial da Embraport, diz que nem assim a empresa está numa situação confortável. Controlada pela OdebrechtTransport e pela DPWorld, a terceira maior do mundo, a empresa opera com apenas 45% da capacidade, quando esperava atingir 75%.

"Quando iniciamos a operação havia oito serviços da Ásia para o Brasil, hoje há apenas três. Operamos o maior deles, o consórcio encabeçado pela Hamburg Süd, Hapag Lloyd e CMA CGM. A presença da DPWorld ajuda, mas não é garantia de conquistar contratos. Nosso maior diferencial é a produtividade", diz Ferretti.

O caso da BTP mostra que o movimento de consolidação dos armadores afeta as empresas. O terminal começou a operar parcialmente em agosto de 2013 e a plena capacidade em julho de 2014. Neste ano, deve atingir 37% de participação do mercado. Como tem armadores na estrutura societária, a empresa conquistou serviços da Libra e da Santos Brasil. Depois obteve ainda operações da MOL, companhia que se acabou unindo à Maersk e à MSC, que já trabalhavam com a BTP. Apesar de assinar novos contratos, a empresa também perde negócios, como o da Amazon, no Golfo dos Estados Unidos.

"Estamos operando a 50% de nossa capacidade, mas esperávamos estar entre 60% e 65%. A reestruturação dos serviços visa torná-los viáveis, porque os armadores estão perdendo muito dinheiro. O frete na importação, o que teve maior queda, começa a subir", afirma Cláudio Oliveira, diretor comercial da BTP.

A Santos Brasil chegou a deter 52% de market share e, embora continue líder, caiu para 39%. Mas a empresa acredita que estará no lado dos consolidadores. Seu contrato venceria em 2022, mas foi renovado até 2047, tendo como contrapartida investimento de R$ 1,3 bilhão. "Se houver o edital dos terminais de contêineres de Manaus (MA) e Suape (PE), vamos olhar. Mas o foco é a expansão em Santos. Estamos operando a 55% da capacidade, mas temos conseguido entregar produtividade acima dos concorrentes", diz Marcos Tourinho, diretor comercial da Santos Brasil.

Há uma tendência no aumento de custos para vendas externas do Brasil. Segundo Oliveira, da BTP, "as exportações brasileiras eram subsidiadas porque o frete era basicamente para reposicionamento de contêineres para a Ásia. Agora, a tendência é haver alta também no custo elo frete das exportações", afirma.

A Hamburg Süd/Aliança já aumentou em US$ 300 o valor de embarque do contêiner de 20 TEU e em US$ 500 o de 40 TEU. Segundo Julian Thomas, diretor-superintendente da Aliança, esse é o valor máximo que pode ser negociado caso a caso com os clientes e é válido só para os contratos "spot" e não para os de longo prazo. Ele não descarta novos aumentos em função da demanda.

Além da pulverização ele terminais no Brasil, no mundo está havendo uma reestruturação de armadores e existem duas alianças globais: a Ocean Alliance, que reúne CMA-CGM, China Cosco Shipping e OOCL; e a 2M, formada por Maersk e MSC. Está em formação uma terceira, cujo nome não foi divulgado, mas deve aglutinar outros grandes armadores, como Hapag-Lloyd, Uasc, Hanjin, NYK Line, MOL e Hyundai.
Fonte : Valor Setorial
Data : Maio de 2016

PREÇOS DA SOJA BATEM RECORDES NO PAÍS
Publicado em 06/01/2016 as 03:04 PM

Problemas na oferta, sobretudo na Argentina, em tempos de demanda aquecida no exterior e dólar valorizado em relação ao real levaram as cotações da soja em grão a patamares recorde nos últimos dias no Brasil, segundo maior país produtor e principal exportador global da commodity.

Analistas realçam que a disparada, também contaminada pela crise política que resultou no afastamento da presidente Dilma Rousseff, causou um relativo "descolamento" dos preços domésticos das oscilações internacionais, num comportamento poucas vezes visto nesta época do ano, quando o escoamento da safra brasileira está a pleno vapor.

Levantamento publicado diariamente no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, mostra que a saca de 60 quilos do grão já é negociada por cerca de R$ 80 em diversas cooperativas do Paraná, com alta nominal superior a 30%, em termos absolutos, na comparação com o mesmo período de 2015. Mesmo em relação ao nível verificado antes do feriado de Corpus Christi, a valorização chega a 4,5%.

Em polos de Mato Grosso, como Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, a saca é negociada entre R$ 82 e R$ 84, o que significa um ágio de 12% sobre a paridade de exportação, conforme Francisco Peres, sócio da corretora Labhoro, de Curitiba. Sem dúvida uma boa notícia para os exportadores, mas um problema para integrações de aves e suínos, cujas margens também estão apertadas pela alta do milho, e foco de pressão sobre a inflação, que continua a preocupar.

"Trabalho nesse mercado há 35 anos e nunca vi algo semelhante acontecer no primeiro semestre. Tradicionalmente, um ágio tão grande só ocorre entre outubro e novembro, quando não há soja no país". Nas contas de Peres, levados em consideração o câmbio, as cotações na bolsa de Chicago e a demanda, que é liderada pela China, a saca de 60 quilos deveria estar custando de R$ 73 a R$ 74 nos polos mato-grossenses.

No Rio Grande do Sul, o preço de referência atingiu, em média, R$ 84, e no porto de Rio Grande, principal porta de saída das exportações do Estado, chegou a R$ 88, segundo Adelson Gasparin, analista da XPF Agro. No porto de Paranaguá, no Paraná, a soja para pagamento em 30 de junho vale R$ 91, e no porto paulista de Santos está em R$ 89. "O prêmio nos portos está acima de R$ 0,50, em média, o que é histórico para esta época do ano", diz Gasparin.

"O volume das exportações brasileiras de soja deverá bater um novo recorde e as tradings, com medo, estão antecipando as compras", diz Peres. Segundo ele, as grandes tradings aceleraram suas compras também porque o preço do farelo está muito competitivo. Na semana passada, a tonelada do farelo superou US$ 400 em Chicago, o que não acontecia desde julho de 2015, como destacou a consultoria Safras & Mercado.

Segundo a Abiove, entidade que representa as principais indústrias de óleos vegetais que atuam no Brasil, os embarques de soja em grão do país somarão 55,3 milhões de toneladas em 2016, 1 milhão a mais que em 2015 e pico da série histórica.

Para a receita dos embarques, a Abiove ainda prevê queda na comparação ­ de 8%, para US$ 19,4 bilhões ­, mas especialistas acreditam que o número poderá ser revisto para cima nas projeções que a associação divulgará nos próximos meses. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, até abril o Brasil exportou 20,9 milhões de toneladas do grão, 60% mais que no primeiro quadrimestre de 2015.

Em boa medida, a duração desse período de bonança para os produtores e exportadores brasileiros, e de pressão "altista" sobre os preços ao consumidor de itens como carnes e óleos vegetais, dependerá das condições da safra que está sendo plantada nos EUA (2016/17). E, depois dos problemas climáticos enfrentados pela Argentina, essa incerteza também alimenta muita especulação, o que ajuda a inflar os preços internacionais ­ e, por tabela, os nacionais.

Glauco Monte, diretor de commodities da consultoria FCStone, diz que as indicações são de alta na bolsa de Chicago. "A única dúvida fica por conta do câmbio, devido às incertezas políticas no país. Em Chicago, os preços só vão se estabilizar com a consolidação da safra americana. Por enquanto, os gestores fundos estão comprados [apostando na alta] em volumes que quase se igualam aos recordes de 2012". Ele afirma que a saca de soja no Brasil poderá alcançar o patamar de R$ 100 no porto de Paranaguá se a combinação entre preços em Chicago, prêmio e câmbio continuar favorável.

Afora os reflexos sobre as cotações do grão, a quebra da safra da Argentina, terceiro maior país exportador da matéria­-prima, provocada pelo excesso de chuvas, ajudou a impulsionar as cotações do farelo, já que o país sul-americano lidera os embarques globais do derivado.

Assim, afirma Peres, da Labhoro, muitas empresas correram para comprar no Brasil mais grãos destinados ao esmagamento, para tentar preencher a lacuna deixada pelo vizinho. "Uma trading começou a antecipar as compras de soja para esmagar e exportar, e as outras foram atrás". Gasparin, da XPF Agro, reforça: "Geralmente, aqui no Rio Grande do Sul, as indústrias não são tão atuantes durante a janela de exportação do Estado [entre abril a julho]. Mas, neste ano, estão disputando lotes com a exportação 'no tapa'".
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

EUA 'SACODEM' MERCADO DE FRANGO
Publicado em 06/01/2016 as 03:04 PM

O retorno "mais rápido do que o esperado" dos Estados Unidos ao mercado global de carne de frango está sacudindo o comércio internacional e pressionando os preços da proteína exportada pelo Brasil, aponta relatório divulgado ontem pelo banco holandês Rabobank.

Entre 2014 e 2015, os EUA sofrerem uma série de embargos devido ao surto de gripe aviária que atingiu o país, o que acabou abrindo espaço para que o Brasil, líder nas exportações globais de carne de frango, elevasse sua participação de mercado.

Neste ano, porém, os EUA registraram apenas um caso do vírus da gripe aviária, em janeiro. Com isso, os americanos conseguiram retomar as exportações a mercados que haviam embargado o país. Assim, "tem havido uma competição especialmente intensa", notou o banco holandês, no relatório.

Em reação à volta dos EUA, os exportadores brasileiros deflagraram uma estratégia agressiva, reduzindo preços para manter mercados. De acordo com dados compilados pelo Rabobank, o preço do peito de frango exportado pelo Brasil para a União Europeia caiu 6% na comparação entre a prévia do segundo trimestre e o primeiro trimestre deste ano. No caso da carne de frango processada, a queda foi superior a 20%.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para as exportações brasileiras de carne de frango in natura também apontam queda dos preço (ver gráfico acima). Enquanto a receita obtida pelos exportadores recuou 0,9% no primeiro quadrimestre na comparação com igual intervalo de 2015, o volume exportado pelo Brasil cresceu 16,6%.

Na avaliação do Rabobank, a competição no mercado de carne de frango deve continuar acirrada ao longo de 2016, uma vez que os EUA tendem a ficar ainda mais ativos no mercado internacional.

Se são afetados pela competição com os americanos, os exportadores brasileiros poderão se beneficiar da menor oferta de frango na Ásia. Em decorrência do surto de gripe aviária nos EUA, países como China, Hong Kong e Tailândia proibiram as compras de material genético, o que se traduzirá em uma menor produção de frango no segundo semestre.

Para o Rabobank, o Brasil pode explorar esse espaço, ampliando as vendas para a China, principalmente. Em fevereiro, os chineses habilitaram mais oito frigoríficos brasileiros de carne de frango para exportação.

Enquanto lida com a concorrência, a indústria brasileira também precisa recompor a rentabilidade que foi corroída pela alta dos preços do milho. Em 2016, o preço do milho subiu mais de 50%, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa. De acordo com o Rabobank, a indústria terá de repassar a alta do cereal ao preço final dos produtos e, possivelmente, reduzir a oferta de frango.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

QUEDA NAS VENDAS JÁ CHEGA A 27% NO ACUMULADO DO ANO
Publicado em 06/01/2016 as 03:03 PM

Em mais um mês de queda vertical nas vendas, as montadoras caminham para terminar maio acumulando menos de um milhão de veículos emplacados desde janeiro, num desempenho negativo que não se via desde 2007.

Entre carros de passeio, utilitários leves, como picapes, caminhões e ônibus, números preliminares mostram que o consumo de veículos no país está caindo 22,4% neste mês, comparativamente ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, a queda dos volumes é de 27%.

Embora tenho um dia útil a mais de venda, os emplacamentos recuam, por enquanto, 6,2% este mês em relação a abril, mostrando que as vendas perderam ainda mais ritmo.

Na média, as concessionárias estão vendendo menos de 8 mil carros a cada dia que abrem as portas. Nessa cadência, o setor tende a fechar maio com menos de 170 mil veículos licenciados. No acumulado do ano, isso significa um volume inferior a 960 mil unidades, o menor número em nove anos. Desde 2007, quando as vendas somaram 883,6 mil veículos nos cinco primeiros meses, não se via quantidade tão baixa.

Na falta de reação do mercado, as montadoras seguem adotando medidas para adequar tanto o ritmo de produção quanto a força de trabalho nas fábricas. Para eliminar um excesso de mão de obra estimado em 2 mil funcionários, a Mercedes­-Benz abre amanhã em sua fábrica no ABC paulista um programa de demissões voluntárias que vai se estender até 8 de julho. Na mesma região, férias de 20 dias estão previstas a partir de segunda­-feira nas linhas das Volkswagen, segundo informações do sindicato, não comentadas pela fabricante.

O incentivo da Mercedes ao desligamento, a depender do tempo de casa do funcionário, chega a R$ 115 mil. Com o fim da jornada de trabalho reduzida devido à não renovação do programa de proteção ao emprego, a unidade, nesta semana, também aumentou para 1,8 mil o total de trabalhadores em licença remunerada, 300 a mais do que os 1,5 mil afastados em fevereiro.

Mas na contramão do ciclo de demissões na indústria automobilística, a Renault contratou 550 funcionários temporários na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, para atender a encomendas vindas do exterior.

Com contratos válidos por seis meses, esse grupo vai, gradativamente durante o mês que vem, se juntar aos cerca de 5,5 mil trabalhadores já empregados no parque industrial, onde são fabricados o hatch Sandero, o sedã Logan e o utilitário esportivo Duster, além da picape Oroch.

A queda de 26% das vendas da marca no mercado doméstico ­ conforme números registrados até abril ­ tem sido compensada pela reação das vendas ao exterior, incluindo a retomada das exportações à Argentina, o que, segundo informações do sindicato dos metalúrgicos da região, fez a Renault convocar algumas jornadas extras de trabalho aos sábados na fábrica paranaense.

A volta das contratações de temporários, conforme a montadora, tem como objetivo atender a pedidos totais de 8 mil veículos dos modelos Sandero, Logan e Duster dos mercados argentino, chileno, colombiano e peruano.

A demanda, classificada como momentânea, aumentará a cadência de produção da fábrica de 43 para 60 carros por hora, no limite da capacidade instalada.

Amparada pelo câmbio mais competitivo e pela retirada de barreiras à entrada de carros na Argentina, principal destino das exportações, a Renault começa a reverter o quadro que há dois anos levou a montadora a encerrar o terceiro turno de produção na unidade. A medida ­ motivada, sobretudo, pela parada dos embarques ao mercado argentino ­ foi seguida por programas de incentivo a demissões para ajustar o quadro de operários no local. Dos mais de 63 mil veículos exportados em 2013, os embarques da montadora francesa a partir do Brasil caíram para 34,4 mil e 32,5 mil nos dois últimos anos, respectivamente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

FIBRIA TAMBÉM ANUNCIA REAJUSTE DE PREÇO EM JUNHO
Publicado em 06/01/2016 as 03:03 PM

Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria acompanhou o movimento de concorrentes e anunciou ontem nova tabela de preços para a matéria-­prima, válida a partir de amanhã, com aumento em relação às cotações em vigor. A companhia, porém, não informou o tamanho do reajuste ou os valores anteriores.

A partir de amanhã, a tonelada de celulose vendida pela Fibria ao mercado americano terá preço de referência de US$ 870. Na Ásia, a cotação passará a US$ 550/tonelada e na Europa, a US$ 710/tonelada. Essa é a primeira vez no ano que a companhia reajusta sua tabela.

Na semana passada, a Suzano Papel e Celulose, segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto, e a Eldorado Brasil, da J&F Investimentos, anunciaram a segunda rodada de reajustes deste ano, de US$ 30 por tonelada, também a partir de amanhã, primeiro dia útil de junho.

Com o novo reajuste, o preço de referência da celulose vendida na Ásia pelas empresas brasileiras vai a US$ 570 a tonelada. A Eldorado, que fez o anúncio na quarta-­feira, não informou os novos valores para os mercados europeu e americano, mas indicou que, na Europa, o preço já com o reajuste ultrapassa os US$ 700 por tonelada.

A Suzano, por sua vez, informou na quinta-­feira a seus clientes que a nova cotação de referência é de US$ 710/tonelada na Europa, US$ 570/tonelada na Ásia e de US$ 870/tonelada na América do Norte. O Valor apurou que esses preços embutem alta de US$ 30/tonelada

Apta a produzir 5,3 milhões de toneladas por ano atualmente, a Fibria responde por 11% da capacidade global de produção de celulose de mercado. Esse elevado grau de fragmentação da indústria, na avaliação do presidente do conselho de administração da companhia, José Luciano Penido, resultará em uma nova rodada de consolidação do setor, que não deve ocorrer no curto prazo.

"Sem dúvida, a indústria caminhará para a consolidação, mas isso acontece em momentos de dificuldade de produção de valor", afirmou o executivo, ponderando que hoje, ao contrário, o momento é de criação de valor para as diferentes companhias. "Hoje cada empresa está trabalhando em seu projeto".

Neste momento, a Fibria está focada na construção da segunda linha de produção de celulose de eucalipto na cidade de Três Lagoas (MS) e, em abril, iniciou a venda de parte da celulose produzida pela Klabin em sua nova fábrica, conforme previsto em acordo comercial firmado entre as empresas.

Além disso, comentou Penido, a companhia tem inúmeros projetos, em diferentes etapas de execução, de desenvolvimento de novos produtos, como biocombustível e biocompostos. "No médio e longo prazo, serão fonte importante de geração de caixa da empresa", ressaltou.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

ESTATAL PRECISA MELHORAR SEUS CONTROLES INTERNOS
Publicado em 06/01/2016 as 03:03 PM

Apesar de ter tomado uma série de medidas para evitar atos de corrupção e para minimizar riscos de anulação de controles internos na contratação de serviços, a Petrobras admite que essas ações "precisam alcançar níveis maiores de maturidade para serem eficazes". A afirmação consta no formulário de referência de 2015, entregue ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Embora reconheça que as deficiências administrativas constatadas não causaram impacto nos relatórios financeiros do ano passado, a estatal lembra que elas tiveram importante contribuição para falhas nos controles que deveriam ter evitado uma superavaliação de ativos imobilizados em 2014.
          
No formulário de referência daquele ano, a estatal já havia identificado condutas que "anularam, infringiram ou burlaram" os controles internos. Entre os efeitos dessas deficiências estavam dificuldades de identificar e evitar pagamentos indevidos, que levaram a companhia a superestimar os ativos imobilizados em R$ 6,1 bilhões.

No formulário arquivado ontem, a petroleira faz menção aos indicativos do documento de 2014, destacando falhas no reconhecimento de perdas por baixas contábeis e deficiências com a "tempestividade" na reclassificação de ativos à época.

Para o ano de 2015, a Petrobras afirma que identificou uma nova deficiência em relação à revisão de alterações em determinados grupamentos de ativos como unidades geradoras de caixa (UGC). Segundo a empresa, não houve revisão suficiente para detectar se certos grupamentos se adequavam à definição de uma UGC. Por esse motivo, foi preciso modificar certos grupos de ativos identificados como UGC em 31 de dezembro de 2015.

"Essa deficiência resultou em uma falha de controle interno sobre os relatórios financeiros em detectar uma superavaliação de ativos e uma subavaliação de despesas em 2015", diz.

Para fazer frente aos problemas, a Petrobras destaca que vem adotando uma série de ações, como fortalecimento da governança corporativa, com novos critérios para inclusão de membros na alta administração e foco na atuação da diretoria de risco e conformidade, melhoria dos canais de denúncia e no programa de prevenção à corrupção, além de continuidade nas investigações internas.

A empresa também está implementando medidas corretivas em relação aos controles de ativo imobilizado, entre elas a melhoria de procedimentos internos para que as alterações de unidades geradoras de caixa "sejam tempestivamente reconhecidas", revisadas conforme as normas contábeis e aprovadas.

Além disso, a companhia trabalha no fortalecimento dos controles de pagamentos de contratos, como, por exemplo, adiantamentos concedidos a fornecedores e custos relacionados com distratos antecipados.

"A administração analisou todas as deficiências significativas, realizou todos os ajustes necessários nas demonstrações contábeis consolidadas e concluiu que as demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2015 apresentam adequadamente a condição financeira, os resultados de operações e os fluxos de caixa", afirma.

No fim de abril, a Petrobras também admitiu à Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, ter deficiências significativas em seus controles internos para preparação das demonstrações financeiras anuais. A admissão consta no relatório 20­F, entregue à autoridade americana. No documento, a estatal cita elementos semelhantes aos listados agora no formulário entregue à CVM. (Colaborou Thais Carrança)        
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

PARENTE ASSUME HOJE A PRESIDÊNCIA DA PETROBRAS
Publicado em 06/01/2016 as 03:03 PM

O ex­-ministro Pedro Parente vai assumir hoje a presidência da Petrobras. Ele foi eleito ontem para o cargo em reunião extraordinária do conselho de administração realizada à distância, depois que os membros receberam carta de renúncia de Aldemir Bendine. Parente também foi eleito ontem membro do colegiado da estatal.                  

A posse dele como presidente da Petrobras vai acontecer na quinta-­feira, no Rio, depois de cerimônia em Brasília na quarta com o presidente interino Michel Temer. Parente já vinha fazendo reuniões na Petrobras desde a semana passada. Ontem, ele despachou em uma sala ao lado do conselho. O mandato de Parente, vence no dia 20 de março de 2017. O ainda presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também renunciou e deixará o conselho quando for eleito novo membro.  

Para evitar um vácuo no poder, mesmo que breve, o conselho indicou o diretor de Recursos Humanos, SMS e Serviços da Petrobras, Hugo Repsold, como presidente interino da Petrobras com mandato até hoje.

Na carta de renúncia enviada, Aldemir Bendine, que também abriu mão do conselho da BR Distribuidora, afirmou que a Petrobras tinha uma "ameaça de apagão financeiro" quando assumiu, e que deixa a empresa com "um caixa robusto", superior a R$ 100 bilhões. O ex-presidente da Petrobras não fez nenhuma menção à dívida de R$ 450 bilhões que a companhia acumulou até março.

Bendine lembrou que chegou na Petrobras ­ em fevereiro de 2015 ­ em um momento de pessimismo com relação aos rumos da estatal, que não tinha seus balanços aprovados pela certificadora e por isso corria o risco de execução precoce das dívidas. Ele classificou como "tempestade perfeita" os problemas "de natureza distinta" que se sobrepunham e se potencializavam no início dos dezessete meses de sua gestão.  

"Não bastasse a queda aguda nos preços do petróleo, fomos obrigados a enfrentar forte desvalorização do real frente ao dólar e lidar com as descobertas da Operação Lava Jato, que revelou um conjunto de crimes praticados contra a companhia, com a participação inclusive de ex­-executivos da empresa", escreveu Bendine.  

Bendine enumerou entre as medidas que permitiram elevar o caixa da companhia o corte nos investimentos e o enxugamento de custos operacionais. Também citou as mudanças na estrutura organizacional e a revisão do modelo decisório que obriga que as contratações de fornecedores, por exemplo, sejam colegiadas.  

A troca no comando da Petrobras levou um grupo de aposentados a pedir a renúncia do presidente da Petros, Henrique Jäger, indicado por Bendine. A carta é assinada por Sérgio Salgado, ex­-membro do conselho fiscal da Petros. O grupo acusa Jäger de ter feito uma "gestão calamitosa". Jäger não se pronunciou. A Petros teve déficit técnico de R$ 6,2 bilhões em 2014 e tem até 31 de julho para apresentar o resultado de 2015.    
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

PROPOSTA AGRÍCOLA VAI DEFINIR RUMOS COM UE, DIZ SERRA
Publicado em 06/01/2016 as 03:02 PM

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, declarou ontem em Paris que o avanço das negociações para um acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul depende das propostas do bloco europeu na área agrícola. O Brasil também aposta na expansão do comércio com os Estados Unidos e o Canadá como forma de pressionar a UE a acelerar a conclusão de um acordo com o Mercosul.

"A bola está agora nos pés da União Europeia, principalmente com a questão agrícola", disse o chanceler brasileiro, que chegou a Paris no domingo para participar da reunião ministerial anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na quarta e quinta-feiras.

Após inúmeros adiamentos, o Mercosul e a União Europeia realizaram, em 11 de maio, a troca de ofertas entre os dois blocos. As negociações para a criação de uma zona de livre comércio se arrastam há quase duas décadas. Na avaliação do Brasil, as ofertas apresentadas pela UE em maio seriam insuficientes por não ter incluído alguns produtos relevantes para o país, como carne e etanol.

"A União Europeia ainda está pendente de entregar partes de suas conclusões. No Brasil e na América Latina há pessoas dizendo que o acordo Mercosul­-UE não sai por causa do Mercosul. Isso podia ser verdadeiro no governo anterior, mas não é mais", afirmou Serra. Serra criticou os subsídios agrícolas europeus, citando o montante de cerca de € 100 bilhões anuais "em dinheiro" entregues aos produtores.

A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, é uma das autoridades que o chanceler brasileiro deverá encontrar durante a reunião ministerial na OCDE, amanhã e quinta-­feira. Serra disse esperar um "bom avanço" nas discussões com a comissária europeia, ressaltando que o Brasil não irá fazer concessões unilaterais. "O Brasil não vai fazer concessões unilateriais, não faz sentido. Eles [o bloco europeu] não fazem. Por que a gente vai fazer?"

Serra também deve se reunir esta semana com o representante para o comércio dos Estados Unidos, Michael Fromam, e destacou que o Brasil deve diversificar seus parceiros comerciais. "Vamos insistir nas possibilidades de expansão do comércio com os Estados Unidos e Canadá até como fator para estimular mais a União Europeia a se apressar", disse o chanceler ontem.

"Um bom player no comércio internacional tem sempre de se diversificar. Não podemos ficar dependentes de uma ou duas regiões do jeito como o mundo é hoje", declarou Serra.

O chanceler disse ainda que não estava a par das reticências da ministra argentina das Relações Exteriores, Susana Malcorra em relação à proposta brasileira de flexibilização do Mercosul, com o objetivo de dar maior liberdade aos membros do bloco para negociar acordos comerciais. Malcorra afirmou que mudanças desse tipo no Mercosul devem ser feitas com prudência e poderiam até atrapalhar as negociações atuais com a UE.

"Não estou sabendo disso, não vi nada a respeito", afirmou Serra ontem, acrescentando que irá se encontrar com a ministra argentina em Paris. Hoje Serra deve ter reuniões de trabalho para preparar seus encontros com autoridades durante o evento da OCDE. No início da noite de hoje ele deve participar de uma recepção no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, para celebrar a semana da América Latina em Paris, com uma série de eventos culturais.

No evento da OCDE, Serra será um dos palestrantes do painel que discutirá "uma agenda universal para o desenvolvimento inclusivo e sustentável". "Vou fazer um balanço da economia brasileira, superconjuntural, baseado em coisas que eu mesmo fiz ou que pegamos nos jornais neste final de semana. As perspectivas são boas, relativamente", completou.

Serra se recusou a comentar sobre questões políticas no Brasil. Apenas voltou a defender, ao falar sobre sua viagem a Cabo Verde, a adoção do sistema de semi­-presidencialismo no Brasil, como existe no país africano.

"O semi­-presidencialismo é precisamente o que eu acredito que seria melhor para o Brasil. Tem o primeiro-­ministro, que cuida do governo, e o presidente, que cuida dos assuntos de Estado", disse Serra, citando também Portugal, onde também há eleição direta para presidente, diferentemente de países como a Itália ou a Alemanha.

Serra reiterou ontem que não existem decisões sobre o eventual fechamento de embaixadas do Brasil na África. "Eu apenas mandei fazer uma análise da utilidade e dos custos de cada embaixada. É uma providência elementar", disse o chanceler, em resposta a rumores de que as embaixadas em Serra Leoa e no Libéria seriam as primeiras fechadas no continente. "Como esse pessoal do PT não tem nada para falar a respeito do atual quadro, ficam caraminholando em torno dessas coisas."

Antes de chegar à capital francesa, na noite de sábado, Serra esteve em Cabo Verde para discutir, com autoridades do país, temas de cooperação nas áreas de saúde, educação e Defesa. Ele ressaltou o interesse do Brasil pelo continente. "A África Subsaariana cresceu entre 2000 e 2010 ao ritmo equivalente ao dobro da América do Sul. De 2010 a 2016, o ritmo é equivalente ao triplo. É um mercado crescente e que nos interesse bastante."
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

GOVERNO JÁ TEM ATÉ OITO ALVOS PARA ACORDOS BILATERAIS
Publicado em 06/01/2016 as 03:02 PM

Governo já tem até oito alvos para acordos bilaterais

À caça de acordos bilaterais para dar mais dinamismo ao comércio exterior e inserir o país nas cadeias globais de produção, o chanceler José Serra dispõe de um punhado de alvos imediatos.

São países com quem o governo brasileiro já vinha conversando nos últimos meses sobre a possibilidade de lançar ou intensificar negociações, mas cujas perspectivas ganham nova dimensão com as diretrizes recém­-anunciadas pelo novo ministro.

Fora da América do Sul, região onde produtos brasileiros já gozam de acesso privilegiado, pelo menos seis a oito países ou blocos econômicos estão no radar das equipes diretamente responsáveis no governo pelas negociações de novos acordos bilaterais.

Os resultados mais rápidos podem vir das discussões com o México. Elas não precisam ser tocadas em conjunto pelo Mercosul porque foram iniciadas antes da norma que impede seus sócios de negociar isoladamente. O acordo atual concede descontos mútuos nas tarifas de importação para quase 800 produtos industriais e agrícolas do Brasil. Há consenso para expandir essa lista para cerca de 4,5 mil itens. Busca-­se uma ampliação ainda maior, para até 6 mil produtos, com redução gradual das tarifas em um período máximo de dez anos. O novo tratado, que envolverá maior abertura em serviços e em compras públicas, tem boas chances de ser assinado no segundo semestre.

O Mercosul, no entanto, não é visto como empecilho por funcionários do governo brasileiro acostumados às negociações comerciais. A Argentina tem adotado um discurso de maior liberalização após a posse do presidente Mauricio Macri. Uruguai e Paraguai, dependentes de mercados externos e com menos setores para proteger, têm uma postura historicamente mais agressiva.

O único complicador apontado pelos brasileiros, em conversas reservadas, é a Venezuela. E a razão passa longe de divergências ideológicas. O país, que exercerá a presidência rotativa do bloco na segunda metade do ano, tem menos estrutura e experiência administrativa para concentrar as atividades negociadoras ­ isso exige organizar reuniões, compilar textos e liderar discussões entre os sócios do Mercosul.          

Dois blocos estão na mira para acordos de livre comércio. Um é o EFTA, formado por quatro países ­ Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein ­ que não aderiram à União Europeia. Eles têm uma reunião agendada para a próxima semana, em Montevidéu, a fim de explorar a possibilidade de lançamento de negociações formais. A avaliação brasileira é que existe um caminho livre para avançar. Por ter apenas quatro membros, esse bloco não precisa enfrentar o mesmo exaustivo trâmite de consultas internas que Bruxelas precisa fazer aos 28 integrantes da UE ao discutir ofertas de liberalização para o Mercosul.

No caso da SACU, união aduaneira liderada pela África do Sul, os sul-americanos já têm um acordo de preferências tarifárias desde 2008. As alíquotas menores só entraram em vigência há dois meses porque o Congresso Nacional, no Brasil, aprovou um texto remetido pelo governo que tinha erros de tradução do inglês para o português e precisou ratifica-­lo novamente para corrigir as falhas constatadas. Agora, os dois lados querem discutir um tratado que não beneficie apenas setores específicos e cubra uma parte "substancial" do comércio.

Outra frente considerada promissora é com o Canadá. Há interesse manifestado pelos canadenses e a indústria brasileira não indicou, em consulta pública realizada pelo Ministério do Desenvolvimento (MDIC) no ano passado, grande quantidade de setores com necessidade de proteção ­ conhecidas pelas áreas técnicas como "sensibilidades".

O mapeamento de interesses "ofensivos" e "defensivos" feito pelo MDIC ­ rebatizado como Ministério da Indústria, Comércio e Serviços ­ com a iniciativa privada abrangia possibilidades de negociações com outros três países: Índia, Tunísia e Líbano.

"Todos oferecem perspectivas promissoras", afirma o ex­-ministro Armando Monteiro. Ele não vê contraposição, mas complementaridade entre os acordos bilaterais e as discussões no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que considera o foro adequado para buscar redução dos subsídios à agricultura.

Para o embaixador Régis Arslanian, que chefiou a equipe de negociadores do Itamaraty na década passada e hoje é sócio sênior da GO Associados, Serra poderá colher os primeiros resultados em pouco tempo. A ampliação da cobertura de acordos existentes, como SACU e Índia, tende a ser mais rápida. "É uma tarefa que o novo chanceler poderia levar adiante, com resultados, em um período de seis a oito meses."

Para tratados de livre comércio, que eliminam completamente as tarifas de pelo menos 85% a 90% dos produtos, o desafio é maior. Arslanian ressalta que os acordos discutidos atualmente não abrangem só bens e entram na discussão de temas como serviços, compras governamentais, normas técnicas e regras ambientais ou trabalhistas.

Por isso, sem deixar de buscar a abertura para seus produtos agropecuários, o embaixador recomenda que o Brasil não fique refém da agenda agrícola para sentar­se à mesa de negociações com outros parceiros. "Precisamos demonstrar espírito construtivo e que somos guiados pela flexibilidade", frisa Arslanian.

Monteiro concorda com a visão de que as negociações não passam mais somente pela questão de bens, mas afirma que sua gestão à frente do ministério já havia se pautado por esse princípio. Tanto que foram fechados acordos com os Estados Unidos, que não dependiam do Mercosul, para harmonizar regras e normas técnicas para setores da indústria. Acordos de serviços, de investimentos e compras governamentais foram firmados com países da América do Sul e da África.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

BRASIL NEGOCIARÁ 'WAIVER' COM ARGENTINA
Publicado em 06/01/2016 as 03:01 PM

O governo interino de Michel Temer pedirá à Argentina um "waiver" para evitar a aplicação de multas pesadas às montadoras instaladas no Brasil que exportam automóveis para o mercado vizinho. As fabricantes brasileiras têm ultrapassado os atuais limites fixados no acordo automotivo em vigência entre os dois países.

Para cada dólar importado da Argentina em automóveis e autopeças, o Brasil pode embarcar até US$ 1,5 sem a cobrança de tarifas. Essa relação é conhecida no setor como índice "flex" e busca evitar um grande desequilíbrio no comércio bilateral. Tudo o que excede o "flex" está sujeito ao pagamento da alíquota de 35% imposta a fornecedores que não têm acordos com o Mercosul.

Pela primeira vez nos últimos anos, entretanto, o limite foi realmente excedido. Isso tem ocorrido porque a recessão derrubou as vendas de carros no mercado brasileiro ­ para onde os argentinos destinam cerca de metade de toda a sua produção. Do lado contrário, o real mais fraco e os pátios cheios incentivaram as montadoras no Brasil a desovar seus estoques no país vizinho.

Esses dois movimentos desequilibraram o intercâmbio bilateral: a relação nos quatro primeiros meses do ano estava em quase US$ 1,7 exportado para cada US$ 1 de importação quando se contabiliza apenas o comércio de veículos (automóveis, ônibus e caminhões). E chega a praticamente US$ 2 por US$ 1 quando se somam autopeças, chassis, motores, reboques, pneus e máquinas.

Os valores que excedem o "flex" não geram tarifas imediatas e a cobrança das tarifas às montadoras é feita de modo retroativo ao fim de 12 meses. Entre janeiro e abril, a exportação de carros brasileiros à Argentina aumentou 50% sobre o mesmo período de 2015. Em compensação, a compra de automóveis argentinos pelo Brasil caiu 31%.

Os dois países vinham negociando a renovação do acordo em vigência, que expira no dia 30 de junho. A gestão da presidente afastada Dilma Rousseff pedia o estabelecimento do livre comércio no setor, mas a Casa Rosada temia uma invasão de automóveis brasileiros no mercado local e adotou postura mais cautelosa.

Depois do afastamento de Dilma, as negociações serão retomadas formalmente na próxima semana, com o envio de uma missão técnica a Buenos Aires.

O histórico dos acordos automotivos indica, porém, que as discussões frequentemente requerem conversas em nível ministerial ou até entre os presidentes para driblar impasses. O Brasil continuará insistindo no livre comércio, mas vê o excedente do índice "flex" como um problema muito mais urgente a resolver.

Por isso, já se comenta do lado brasileiro que a renovação do acordo pode até mesmo ter um caráter provisório, enquanto se negociam as bases de um acerto de longo prazo. A única questão que precisa ser tratada imediatamente é uma espécie de perdão (waiver) para o estouro do "flex" nos últimos meses, que tende a se repetir no restante de 2016.

Os dois ministros responsáveis pela negociação devem ter uma oportunidade, daqui a duas semanas, para conversar pessoalmente sobre o assunto. O brasileiro Marcos Pereira (Indústria, Comércio e Serviços) e o argentino Francisco Cabrera (Produção) são presenças aguardadas no encontro latino-americano do Fórum Econômico Mundial, que ocorrerá em Medellín, nos dias 16 e 17.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

COM PRESSÃO DE AGRÍCOLAS, IGP-M DOBRA E SURPREENDE
Publicado em 06/01/2016 as 03:01 PM

A forte pressão dos produtos agropecuários no atacado ­ que aumentaram 2,58% em maio no Índice Geral de Preços ­ Mercado (IGP­M), divulgado ontem pela FGV ­ surpreendeu economistas e pode ser um risco à previsão de desaceleração para os alimentos ao consumidor no meio do ano.

O indicador avançou de 0,33% para 0,82%, acima do teto de previsões de analistas ouvidos pelo Valor Data, de 0,79%. Com peso de 60% no IGP­M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) foi a maior influência de alta no período, ao aumentar de 0,29% para 0,98%, puxado pelos produtos agrícolas.

A trajetória da soja e do milho, que subiram 12,38% e 7,93% em maio, respectivamente, foram as maiores surpresas desfavoráveis em relação ao IGP­M, diz Márcio Milan, economista da Tendências Consultoria, que previa alta de 0,76%. Os itens industriais, que aumentaram 0,30% no último mês, depois do recuo de 0,15% em abril, teve impacto de insumos da cadeia do aço, disse.

Para Milan, a escalada dos grãos no atacado, provocada pelas cotações no mercado externo, é temporária, e o IGP­M deve ceder para uma taxa mais próxima de 0,40% em junho. Do lado do varejo, no entanto, a alta do milho representa risco para os preços de alimentos nos próximos meses. O grão é importante para a ração animal.

"Este seria o momento mais benéfico do ano para a inflação de alimentos, e é possível que pelo menos esse grupo suba. É um risco que existe sobre o IPCA", afirma o economista da Tendências. Em seus cálculos, o indicador oficial de inflação vai desacelerar de 0,81% em maio para cerca de 0,35% em junho. A depender do repasse para o consumidor, porém, essa projeção pode mudar, assim como a dos próximos meses, diz.

Para Leonardo Costa, economista da Rosenberg, o aumento dos grãos em maio é um risco e precisa ser monitorado atentamente. "Precisamos ficar de olho. A expectativa é de desaceleração nos próximos meses, e não de sustentação desses preços", diz. Por enquanto, diz, a avaliação é de que a alta do IGP­M foi pontual e não interfere na estimativa de perda de força do IPCA nos próximos meses. "Até porque a valorização recente do real em relação ao dólar, que já apareceu nos IGPs, demora um pouco mais para chegar ao varejo, o que deve ocorrer ao longo do segundo semestre".

Para Jankiel Santos, economista-­chefe do Banco Haitong, o IGP­M subiu um pouco mais do que sua projeção, que era de alta de 0,76%, mas não o suficiente para alterar sua avaliação sobre a dinâmica inflacionária. "Assim como tivemos problema com tomate no início do ano, por exemplo, agora houve uma questão pontual com a soja, por problemas na lavoura. A expectativa é de devolução nos próximos meses".

Santos avalia que a inflação no varejo deve desacelerar, até por causa da sazonalidade mais favorável. A valorização recente do câmbio, diz, deve reforçar esse movimento. Santos observa ainda que os alimentos, por exemplo, já perderam um pouco de força no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), ao passarem de aumento de 0,85% para 0,77% no período. Esse movimento, comenta, poderia até ser mais intenso, mas já é sinal de alguma acomodação.

A inflação ao consumidor, que tem peso de 30% no índice, subiu 0,65% em maio (0,39% no mês anterior). A alta dos planos de saúde e o reajuste autorizado para medicamentos pesaram nessa aceleração. O grupo saúde passou de alta de 1,33% para 2,21% no período.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

ESTRADAS PERDEM 3 MIL KM DE PAVIMENTAÇÃO
Publicado em 06/01/2016 as 03:01 PM

A extensão da malha rodoviária pavimentada brasileira caiu em 2015. De acordo com o anuário da Confederação Nacional do Transporte (CNT), apresentado ontem, o país fechou o ano passado com 210 mil quilômetros de estradas asfaltadas, o que representa uma queda de 3 mil quilômetros em relação à extensão calculada em 2014.

Segundo a CNT, a malha pavimentada vem crescendo 1,5% ao ano, em média, nos últimos 15 anos. Na avaliação da entidade, esse ritmo de evolução é insuficiente para um modal que responde atualmente por cerca de 60% das movimentações de carga e mais de 90% dos deslocamentos de pessoas no país.

Segundo pesquisa recente da CNT, a avaliação geral das rodovias melhorou no ano passado. As estradas classificadas como "boas" ou "ótimas" passaram de 37,9% para 42,8% da malha entre 2014 e 2015.

A participação das rodovias com avaliação "regular" caiu de 38,2% para 34,8% no mesmo período. A classificação de "ruim" e péssimo" também recuou, passando de 23,8% para 22,4% do total de 100 mil quilômetros de rodovias avaliados.

O anuário da CNT também destacou o crescimento na movimentação dos portos do país, que atingiu 1 bilhão de toneladas em 2015. O volume é 4% superior às 969 milhões de toneladas registradas em 2014.

Os graneis sólidos representaram a maior parte da movimentação, com 632,7 milhões de toneladas, alta de 7,2% sobre o ano anterior. Os graneis líquidos movimentaram 226,2 milhões de toneladas, avanço de 2,4% no mesmo intervalo de comparação.

Houve queda de 5,7% na movimentação de contêineres, que somou 100 milhões de toneladas em 2015. Já a carga geral apresentou crescimento de 2,4%, com 48,7 milhões de toneladas.

Os terminais privados, mais conhecidos como TUPs, responderam por 656 milhões de toneladas movimentadas, quase o dobro do verificado pela CNT nos portos públicos, cuja movimentação somou 351 milhões de toneladas no ano passado.

Nas ferrovias, a entidade destacou o crescimento de 7,9% no volume de cargas transportado, que fechou 2015 em 331 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil).

Os investimentos das concessionárias cresceram 6,9%, encerrando o ano passado com pouco mais de R$ 6,5 bilhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

SETOR PORTUÁRIO VAI PEDIR FIM DE 'INTERVENÇÃO' ESTATAL
Publicado em 06/01/2016 as 03:00 PM

Representantes da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) se reunirão na quinta­-feira com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, para pedir a redução do intervencionismo estatal no setor. Os empresários querem brecar a escalada estatizante que marcou a gestão de Dilma Rousseff, materializada basicamente na excessiva regulação da Antaq ­ a agência do setor ­ e na falta de governança que desaguou numa inversão de papéis, dizem.

Segundo eles, o Tribunal de Contas da União (TCU), órgão de fiscalização, assumiu o papel da Secretaria de Portos (SEP), recém­-extinta e que era responsável pela formulação da política portuária, e da Antaq. "Vamos pedir o realinhamento do setor para que ele seja mais atrativo", disse Wilen Manteli, presidente da ABTP. Recentemente o presidente interino Michel Temer incorporou os Portos ao Ministério dos Transportes.  

Desde 2015 a ABTP encampou de forma mais veemente a bandeira da liberalização da atividade, na contramão do que classifica de cerceamento da livre iniciativa.

Para a ABTP, o excesso de intervencionismo se refletiu em "constantes mudanças nos marcos regulatórios, na precariedade que se introduziu nos contratos de exploração dos terminais portuários, bem como por uma densa burocracia que retarda, quando não afasta, investimentos em novas instalações portuárias e na ampliação das atuais", diz comunicado que será entregue ao ministro.  

Um dos resultados dessa política teria sido a falta de interessados no leilão de seis áreas do Pará, que seriam licitadas no dia 31 de março, e foi remarcado para o próximo dia 10. O adiamento deveu­-se, oficialmente, a uma falha no sistema da Antaq que impediu o envio de respostas aos pedidos de esclarecimentos. Mas os empresários consideram que as condições dos editais e minutas dos contratos estão desequilibradas em desfavor do investidor, o que teria repelido interessados.

Segundo Manteli, porém, não está na pauta pedir o adiamento ou suspensão do leilão. "Nossa bandeira é mais ampla. Vamos falar sobre o todo". Também na quinta, a ABTP e outras associações devem ir ao TCU para debater aspectos técnicos dos futuros arrendamentos. "Não estamos pedindo mudanças, estamos apontando impropriedades nos editais para avaliação do TCU. A parte política, se vão manter ou adiar o leilão, não é da nossa alçada", diz o consultor para logística e infraestrutura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Luiz Fayet, segundo quem o debate com o TCU sobre infraestrutura tem ocorrido sistematicamente.

Fayet defende, por exemplo, que os leilões sejam acelerados, em vez de se licitar de acordo com um cronograma fixo. Até agora, das 93 áreas previstas só três foram a leilão. "A frustração do leilão do Pará se deu por problemas de natureza técnica dos editais mas, principalmente, devido ao ambiente político daquele momento. Demanda por áreas há, pois o volume nem de longe está sendo atendido por aquela região, sai pelos portos do Sul e Sudeste, que são em média US$ 46 mais caros por tonelada".

O Ministério dos Transportes disse que a SEP sempre definiu a política portuária e considera que dá maior segurança jurídica ao setor ter a aprovação prévia do TCU para os leilões de arrendamento, para evitar questionamentos posteriores às disputas. O TCU afirmou que sua atuação se limita à fiscalização dos atos praticados pelas agências "com base em aspectos legais e normativos e que não interfere na elaboração dos editais". E que analisa a legalidade de cada um dos estágios da licitação com base em padrões internacionais de auditoria.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

BRASIL PERDE COMPETITIVIDADE E TEM PIOR GOVERNO EM 61 PAÍSES
Publicado em 06/01/2016 as 03:00 PM

A competitividade da economia brasileira situa-­se no grupo de pior nível no Relatório Mundial sobre a Competitividade publicado ontem pelo IMD, uma das melhores escolas de administração do mundo, sediada em Lausanne (Suíça).

O Brasil fica em 57º entre os 61 países avaliados. Perdeu apenas uma posição em relação ao ano passado, mas o principal responsável pelo relatório, o professor Arturo Bris, diz que não dava para a economia brasileira cair mais do que a dos quatro últimos: Venezuela, Mongólia, Ucrânia e Croácia. A Ucrânia, envolvido em conflito militar com a Rússia, ganhou uma posição.      
Entre 2010 e 2016, o Brasil perdeu 19 posições no ranking global da competitividade, numa das maiores deteriorações registradas.

"O Brasil tem o pior governo do mundo no relatório deste ano", nota Bris, em entrevista ao Valor. "A eficiência do governo fica em 61º lugar, o mais baixo nível em gestão das contas públicas, transparência, barreiras ao comércio exterior, regulações laborais".

Segundo o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, que assessora o IMD na coleta de dados sobre o Brasil, dois terços da avaliação são baseadas em dados econômicos e um terço em opinião de centenas de executivos.

A contração econômica e a deterioração das contas públicas pesaram forte. Mas foi determinante a percepção negativa de empresários, ouvidos entre janeiro e abril, em meio aos escândalos de corrupção, governo frágil, falta de transparência e incapacidade de reanimar a economia brasileira.

Além dos problemas recorrentes, como custo Brasil, infraestrutura deficitária e corrupção, outra evidência que aparece, conforme Arruda, é o tamanho do desafio sobre gestão pública e também privada, particularmente nas áreas de telecomunicações, saúde e educação.

"O Brasil está entre os 10 países que mais gastam nessas áreas, mas também está entre os piores do mundo em termos de eficiência", diz ele. "Para melhorar a competitividade brasileira, é preciso repensar gestão pública e privada."

Bris identifica um padrão comum entre os 20 países mais competitivos do mundo: o foco na regulação favorável aos negócios, infraestrutura física e intangível e instituições fortes. Enquanto isso, avalia Bris, no Brasil e na América Latina em geral o setor público continua a ser um entrave para as economias.

"O Brasil não fez reformas quando podia e não adianta só melhorar regulações ou abrir mercado", diz ele. "O combate à corrupção, a melhora da educação e da saúde vão levar várias gerações no país, vai demorar muito."

Arruda compara a situação atual à de fim do governo de Fernando Henrique Cardoso e começo do governo Lula, quando a percepção sobre a competitividade chegou a níveis muito baixos. Sua expectativa é que a percepção empresarial melhore a partir de agora, como ocorreu no segundo ano do governo Lula e como ocorre na Argentina com o governo de Macri.

Arruda aponta também elementos positivos no Brasil. As exportações dão sinais de melhora. A infraestrutura aeroviária mostra que o esforço de privatização está na direção certa. E não há mais gravidade no abastecimento de água.

"O Brasil continua recebendo volume significativo de Investimento Estrangeiro Direto. Imagine com uma economia ajustada", nota o professor.

O desastre da competitividade, em todo caso, é generalizado na América Latina. Somente o Chile consegue posição menos desconfortável, em 36º entre 61 países. México (45º) e Brasil caíram uma posição. A Colômbia se manteve em 51ª. Somente a Argentina ganhou quatro posições (de 59ª para 55ª), pela aposta do setor privado em melhorias com o novo governo. A Venezuela é a lanterna, como o menos competitivo do mundo.

Neste ano, Hong Kong lidera o ranking de economia mais competitiva do planeta, jogando os Estados Unidos para o terceiro lugar. A Suíça fica em segundo. Os outros mais competitivos são Cingapura, Suécia, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Noruega e Canadá.

Centro financeiro e bancário, Hong Kong encoraja inovação por meio de política tributária simples e baixa carga de impostos. O país não impõe restrições sobre fluxos de capitais. Também oferece um portão para investimento na China, o novo poder economico, e permite que os negócios ali tenham acesso ao mercado de capital global, conforme o relatório.

No entanto, afora Hong Kong e Cingapura, o IMD indica que a competitividade declinou também na Ásia desde o ano passado. A China caiu três posições, para 25º lugar.
Fonte : Valor Econômico
Data : 31/05/2016

GOVERNO VOLTA A TER SUPERÁVIT
Publicado em 06/01/2016 as 03:00 PM

Resultado federal foi de R$ 9,7 bilhões em abril, o menor para mês desde 2013

-BRASÍLIA- As contas públicas voltaram ao azul em abril. O governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou superávit primário de R$ 9,751 bilhões no mês. Esse valor é o mais baixo para o mês desde 2013 e representa queda de 3,2% em relação a 2015. No acumulado do ano, o saldo das contas continua negativo. O déficit primário registrado entre janeiro e abril foi de R$ 8,4 bilhões — pior resultado da série histórica do Tesouro, iniciada em 1997. No mesmo período em 2015, o resultado havia sido superávit de R$ 14,6 bilhões.

O secretário do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, explicou que abril é um mês em que tradicionalmente as contas públicas têm bom resultado em razão do calendário de pagamentos de impostos. O resultado de 2016 também foi influenciado por fatores sazonais e por mudanças nas regras do programa Minha Casa Minha Vida.

Ele lembrou que parte dos repasses do Fundeb — R$ 1,1 bilhão — foi adiada de abril para maio por decisão judicial. Além disso, as despesas do Minha Casa Minha Vida saíram do Orçamento da União e passaram para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Isso melhorou em R$ 3,32 bilhões as contas do governo central.

A redução nos pagamentos de subsídios, subvenções e Proagro também ajudou. Os gastos foram maiores em 2015 por causa do acerto das pedaladas fiscais (atrasos nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para bancos públicos). Houve redução de R$ 4 bilhões (96,5%) nos desembolsos dessa rubrica este ano.

Relatório divulgado pelo Tesouro mostra que houve queda tanto nas receitas quanto nas despesas em abril. A receita líquida do governo central somou R$ 103,6 bilhões, o que representa queda real de 6,9% (R$ 7,644 bilhões) em relação ao mesmo mês do ano passado. Já os gastos atingiram R$ 93,861 bilhões, com retração de 6,4% (R$ 6,391 bilhões).

No acumulado do ano, as receitas chegaram a R$ 379,718 bilhões, o que representa queda real de 4,1% sobre 2015. A despesa, no entanto, continua crescendo. Entre janeiro e abril, o total dos gastos foi de R$ 388,169 bilhões, alta de 2,2% sobre o ano passado.

Ladeira não quis avaliar se o superávit primário de abril pode significar que o rombo das contas públicas do ano, estimado em R$ 170,5 bilhões, pode ser menor. Em 12 meses encerrados em abril, o resultado primário é um déficit de R$ 137,75 bilhões. Segundo ele, ainda há fatores de incerteza. Um deles é a renegociação das dívidas de estados com a União:

— O resultado (R$ 170,5 bilhões) pressupõe o uso do espaço total da nova meta que foi aprovada pelo Congresso. Há muitos eventos incertos e, então, temos que aguardar para termos uma previsão melhor. Para sabermos se haverá espaço fiscal possível após esses eventos. Se estados e municípios não alcançarem a meta fiscal, por exemplo, o governo federal deverá cobrir a diferença — disse ele.

Ladeira, afirmou que a meta fiscal de R$ 170,5 bilhões considera receitas “razoavelmente bem estimadas” e a decisão de não empurrar para 2017 despesas de 2016, como vinha sendo feito em anos anteriores:

— Pela primeira vez em alguns anos, estamos colocando as contas em dia, para que o valor devido de um ano não seja pago só no ano seguinte. Para que 2017 venha sem a pressão de despesas que deveriam ser pagas dentro do ano de 2016.

Segundo o relatório do Tesouro, as despesas com benefícios previdenciários atingiram R$ 152,9 bilhões no primeiro quadrimestre, o que significa um aumento de 4,8% em relação a 2015. Também houve elevação em outras despesas obrigatórias devido ao pagamento maior de subsídios e subvenções (R$ 7,1 bilhões) e do abono e seguro desemprego (R$ 6,3 bilhões). Já os desembolsos com investimentos continuam em queda. Os gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, ficaram em R$ 14,290 bilhões, uma redução de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda de acordo com o relatório, Tesouro Nacional e Banco Central registraram superávits primários de R$ 29,6 bilhões e R$ 244,2 milhões entre janeiro e abril, respectivamente. Já a Previdência Social apresentou déficit de R$ 37,8 bilhões, o que representa um crescimento de 60,9% em relação a 2015.
Fonte : O Globo
Data : 31/05/2016

BRASIL CAI PARA 57ª POSIÇÃO EM RANKING GLOBAL DE COMPETITIVIDADE DO IMD
Publicado em 06/01/2016 as 02:59 PM

Com crise econômica e política, país só está à frente de Mongólia, Ucrânia, Croácia e Venezuela

O Brasil caiu para 57º lugar no ranking global de competitividade da escola de negócios IMD. Agora, o país só está à frente de Mongólia, Ucrânia, Croácia e Venezuela.

-SÃO PAULO- O Brasil perdeu mais um posição e agora ocupa o 57º lugar no ranking global de competitividade, de acordo com o World Competitiveness Yearbook (WCY-2016), divulgado ontem pelo Institute for Management Development (IMD) — uma das principais escolas de negócios do mundo, sediada na Suíça — em parceria com a Fundação Dom Cabral. Foi a sexta queda consecutiva do país na lista das economias mais competitivas — em 2010, o Brasil era o 38º, tendo despencado 19 posições desde então. O país está agora em sua pior posição desde que o índice de competitividade do IMD foi criado, em 1989.

Na edição do ranking deste ano, entre as 61 economias analisadas pelo estudo, o Brasil só está à frente de Mongólia, Ucrânia, Croácia e Venezuela, a lanterninha da lista.

— O que puxou o país ainda mais para baixo foi a recessão que afeta todos os indicadores — diz a pesquisadora Ana Burchart, da Fundação Dom Cabral: — Aliado a esse quadro, há o pessimismo generalizado do empresariado, a falta de confiança na estrutura institucional e nos marcos regulatórios, reflexo da crise de governabilidade e ética que o país vive.

Entre as economias latino-americanas, o Chile tem a melhor classificação, em 36º, tendo caído uma posição em relação a 2015. O México é o 45º, a Colômbia, 51º, o Peru, 54º e a Argentina, que avançou quatro posições, agora aparece à frente do Brasil, na 55ª posição.

— O avanço da Argentina deveu-se principalmente a uma mudança de expectativas entre os empresários com a ascensão do governo de Mauricio Macri. Acreditamos que, para reverter as expectativas aqui, como aconteceu no país vizinho, é fundamental uma agenda positiva, que gere aproximação entre o poder público e o setor privado e que defina como vamos nos inserir em cadeias globais de valor, novos acordos internacionais, por exemplo — diz Burchart.

O ranking de 2016 mostra, ainda, que os Estados Unidos perderam a hegemonia como economia mais competitiva. Posto agora ocupado por Hong Kong (China), que ascendeu uma posição, seguido da Suíça, com os EUA agora em terceiro. Cingapura (4º), Suécia (5º), Dinamarca (6º), Irlanda (7º), Holanda (8º), Noruega 9º) e Canadá (10º), completam a lista dos dez primeiros.

Entre os principais problemas que a economia brasileira tem a superar para se tornar um player mais competitivo, Ana Burchart, da FDC, cita a pouca abertura do Brasil.

— Nossa economia ainda é muito fechada, não só ao fluxo de produtos e serviços mas também ao conhecimento. Nós não somos parte do processo de desenvolvimento da inovação e é importante aprender com países que estão à frente para absorver conhecimentos e tecnologias — diz.

Diretor do Centro de Competitividade Mundial do IMD, o professor Arturo Bris observa que o setor público continua sendo um empecilho para o avanço das economias da América Latina.

— O padrão comum entre os 20 países do topo do ranking é o foco na regulação ideal para os negócios, infraestrutura física e intangível e instituições inclusivas. E nenhuma economia latino-americana hoje chega perto de possuir essas qualidades com a medida necessária para fazer progressos significativos — afirma Bris.

Para compor o ranking, o IMD avalia mais de 340 critérios derivados de quatro fatores: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Respostas de pesquisa em profundidade com executivos, que avaliam a situação de seus respectivos países, também são consideradas no estudo.
Fonte : O Globo
Data : 31/05/2016

CONSELHO APROVA PARENTE PARA PETROBRAS
Publicado em 06/01/2016 as 02:59 PM

Novo presidente passou na avaliação exigida pelo estatuto da petrolífera

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou o nome de Pedro Parente para assumir o cargo de presidente da companhia, em substituição a Aldemir Bendine, que entregou sua carta de renúncia ao cargo ontem. O nome de Parente passou por uma avaliação do Comitê de Remuneração e Sucessão da estatal, conforme prevê o novo estatuto, aprovado em abril. O comitê, segundo fontes, indicou a aprovação do nome de Parente. A posse está prevista para a próxima quinta-feira, 2 de junho, e deverá contar com a presença do novo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

Dos dez membros do Conselho, Parente recebeu oito votos a favor. Não votaram apenas o próprio Bendine, que deixou ontem o cargo, e Luciano Coutinho, que também entregou ontem sua carta de renúncia ao cargo de conselheiro e que deixará a presidência do BNDES nesta semana.

A reunião extraordinária do Conselho foi virtual, e, por isso, os conselheiros tiveram prazo para dar voto até as 18h horas de ontem.

Pedro Parente permanecerá na presidência do Conselho de Administração da BM&FBovespa. Mas, segundo uma fonte próxima, ele vai renunciar aos demais cargos que exercia nos conselhos da SBR-Global e do Grupo ABC, além do de sócio-diretor do grupo Prada, de consultoria e assessoria financeira.

Parente foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso e coordenou o programa de racionamento de energia adotado no país em 2001.

PRIMEIRA GREVE

Sua missão será missão equilibrar as finanças da Petrobras, que tem uma dívida de R$ 450 bilhões, uma das maiores do mundo. Atingida pelo maior escândalo de corrupção de sua história, a companhia vem acumulando elevados prejuízos desde 2014.

Um dos primeiros testes de Parente será no próximo dia 10, quando os petroleiros marcaram uma paralisação de 24 horas.
Fonte : O Globo
Data : 31/05/2016

CARGILL TENTA DIMINUIR DEPENDÊNCIA DA COMERCIALIZAÇÃO DE COMMODITIES
Publicado em 05/30/2016 as 02:40 PM

A maior empresa de agronegócios do mundo vem dando passos para se "descommoditizar". Esse foi o termo usado por um alto executivo da americana Cargill ao descrever como a mudança nas preferências alimentares dos consumidores vem modificando a estratégia da companhia.

O termo choca, porque há um século e meio a Cargill é conhecida como a mais pura essência da comercialização de commodities, negociando rios e mais rios de grãos, oleaginosas, açúcar e outros gêneros alimentícios.

A Cargill, no entanto, passou a ajustar sua cadeia de suprimentos de produtos a granel diante do crescente número de consumidores que querem alimentos produzidos de acordo com certos padrões sociais e ambientais ou alimentos naturais que cumpram algumas condições, como a ausência de transgênicos.

A empresa criou um xarope de milho livre de transgênicos para atender um cliente no ramo de doces, segundo o balanço anual da firma. Na semana passada, o diretor de finanças da Cargill, Marcel Smits, explicou em Nova York que a empresa dedicou uma fábrica inteira para fazer o produto, cujo volume já representa 10% do total de sua produção de xarope de milho.

"Se as pessoas pedem uma versão transgênica e outra não transgênica, inicialmente pensamos e dizemos: 'Ah, isso vai ser complicado, porque temos que manter nossos grãos separados, em silos separados'", disse Smits, na conferência "Farm to Market", da BMO. "Se pensamos um pouco mais, dizemos: 'Ah, isso na verdade é interessante porque vai descommoditizar nosso negócio'".

A Cargill é uma das maiores produtoras de carne bovina na América do Norte. Produz quase 3,6 milhões de toneladas de carne bovina embalada e de derivados por ano, de acordo com o site da empresa. Atualmente, é capaz de manter esse tipo de separação "na carne de 20 animais durante todo o processo até a embalagem [final]".

Por definição, essa fragmentação encolhe as economias de escala possíveis quando se lida com grandes volumes de commodities. Construir silos separados de grãos aumenta os custos.

Smits disse, contudo, que negócios especializados, como o xarope de milho sem transgênicos, também trazem margens de lucro maiores. "A fragmentação de nosso setor está descommoditizando as cadeias de abastecimento agrícolas. Isso não vai mudar. A propósito, isso é realmente uma boa notícia para a Cargill", disse.

Naturalmente, a Cargill há muito tem operações fora da esfera das commodities. A divisão de "química verde" da empresa fabrica polímeros e polióis à base de soja, usados, por exemplo, na espuma de travesseiros, e formula produtos especiais derivados de ovos, usados em redes de lanchonetes. Também continua desenvolvendo seu negócio principal, de comercialização de commodities, tendo investido, por exemplo, em um porto para grãos na Ucrânia, neste ano.

Em tempos de excesso de oferta e queda de lucros na comercialização de grãos, não é de surpreender que a Cargill e outras grandes do setor falem em linhas de produtos fora do mundo das commodities.

A ADM, por exemplo, comprou em 2014 a Wild Flavors, uma empresa de bebidas saborizadas e alimentos especiais, por € 2,3 bilhões. A Bunge, que também fabrica alimentos e comercializa grãos e oleaginosas, quer que as operações de valor agregado representem 35% de seu lucro antes de juros, impostos e depreciação, em comparação aos 15% de 2015.
Fonte : Portos e Navios
Data : 30/05/2016

EMPRESÁRIOS DO SETOR PORTUÁRIO E MINISTROS DEBATEM DRAGAGEM
Publicado em 05/30/2016 as 02:40 PM

A dragagem do Porto de Santos pautou algumas reuniões ministeriais nos últimos dias, em Brasília. O assunto foi levado ao Distrito Federal por empresários do setor, que, preocupados com a redução do calado no complexo marítimo e suas consequências, procuraram os parlamentares da região e começaram os diálogos com representantes do Governo Federal, buscando resolver a questão da profundidade.

Na última terça-feira (24), o grupo de executivos esteve com o primeiro secretário da Câmara Federal, o deputado federal Beto Mansur (PRB-SP). “A gente está com um problema e o assoreamento (a deposição natural de sedimentos no canal, trazidos pelas correntezas) não espera. Já tem navios maiores chegando. Os empresários fizeram grandes investimentos e estão preocupados”, afirmou.

Mansur conta que o objetivo da comitiva é formular uma proposta para dragagem, não só para Santos, mas para o Brasil, e analisar de que maneira isso pode ser feito.

A questão foi levada ao ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella (PR). Mansur esteve reunido com ele ontem, para pedir uma solução. “Eu ponderei essa situação com o ministro, que se inteirou do problema e chamou sua assessoria”, disse.

O deputado João Paulo Tavares Papa (PSDB) também recebeu os empresários e os acompanhou em uma reunião com o secretário do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Moreira Franco. “Eles querem discutir uma agenda ampla, mas foi apenas uma primeira reunião”, afirmou Papa. Segundo ele, ficou acordado que os executivos devem mandar, em breve, uma proposta e sugestões para melhorar o setor.

Mais força

Também na terça-feira (24), o deputado federal Marcelo Squassoni (PRB) foi escolhido para ser um dos vice-líderes do Governo na Câmara dos Deputados. Na nova posição, ele garante que vai ajudar na questão portuária. “Temos poucos dias desta nova gestão, mas a falta de um secretário atrasa todos os trabalhos. Vou cobrar o Governo para nomear o secretário de Portos. Vou pedir prioridade”.

Com a redução ministerial, que levou a Secretaria de Portos (SEP) a ser incorporada ao novo Ministério dos Transportes, o setor ficou sem comando e vários projetos estão atrasados. Um deles é o início de um novo contrato de dragagem. A empresa vencedora da licitação, a EEL, aguarda a assinatura da ordem de serviço para iniciar seus trabalhos.

Enquanto as atividades da EEL não têm início, a saída é contar com contratos firmados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Mas um deles, o que cuida da dragagem de manutenção no canal de navegação e nas bacias de evolução nos trechos 2, 3 e 4 do estuário (entre a Ponta da Praia e a Alemoa), foi encerrado e o serviço, interrompido. A solução proposta pela Codesp é incluir o serviço no contrato de dragagem do Trecho 1, que vai da Ponta da Praia até a Barra de Santos. A ideia será apresentada ao Conselho de Administração (Consad) da empresa.

A falta de manutenção na profundidade nos trechos 2, 3 e 4 fez com que, na área onde está instalada a empresa Brasil Terminal Portuário (BTP), os navios tivessem reduzido o limite máximo de seu calado (a altura da parte do casco que fica submersa, que varia conforme o carregamento da embarcação). Com isso, os cargueiros são obrigados a navegar por esta região com menos mercadorias, o que torna a operação mais cara para importadores e exportadores.
Fonte : Portos e Navios
Data : 30/05/2016

QUEBRA DA SAFRA DEIXA MILHO MAIS CARO
Publicado em 05/30/2016 as 02:40 PM

O percurso de cinco dias entre Dourados, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, e Goiânia deu uma mostra das condições pouco favoráveis das lavouras de milho na região, o que tende a manter a pressão sobre as margens dos pecuaristas que utilizam o grão no confinamento e, principalmente, dos produtores de aves e suínos.

Produtor de gado em Poxoréu (MT) e de milho em Paranatinga, na região leste de Mato Grosso, Anderson Zanetti já conta com uma quebra de 75%. "Plantei mais de 2 mil hectares e vou colher em torno de 500 hectares. E, do jeito que perdemos, a grande maioria perdeu", lamentou ele.
Nesse contexto, é menos provável que os preços do milho recuem a ponto de recompor a rentabilidade dos pecuaristas. "Não há tendência de baixa do milho", afirmou Zanetti.

A avaliação é reforçada pelo sócio da Agroconsult, André Debastiani. De acordo com ele, a consultoria trabalhava com um cenário de preços estáveis, com o grão próximo de R$ 40 por saca. "Mas agora, com a confirmação de quebra de safra, você fomenta o preço do milho", afirmou, durante evento com produtores realizado pelo Rally da Pecuária no início de maio. No acumulado de 2016, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho em São Paulo registrou valorização de 43,8%, a R$ 52,97 por saca."

Para Debastiani, a quebra da safra de milho foi um risco assumido pelos agricultores, uma vez que o plantio do cereal ocorreu mais tarde do que o habitual devido ao atraso na colheita de soja.

Segundo ele, é normal plantar milho até fevereiro, mas neste ano houve plantio até o fim de março. Como o clima não ajudou, houve quebra de safra. Em seu último relatório mensal, divulgado em maio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cortou a estimativa para a colheita de milho de inverno em 7,4%, de 57,1 milhões de toneladas para 52,9 milhões de toneladas.

A quebra da safra de milho pode, inclusive, dificultar o abastecimento e afetar os produtores que estão ingressando no sistema de confinamento pasto. "Pode ser que não encontrem milho", afirmou o coordenador de pecuária da Agroconsult, Maurício Nogueira, lembrando que já há relatos de escassez do cereal em granjas de frango.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

TEMOR DE NOVAS INTERRUPÇÕES NA PRODUÇÃO DE PETRÓLEO SUSTENTA PREÇO
Publicado em 05/30/2016 as 02:40 PM

As paralisações no fornecimento de petróleo alcançaram o volume mais alto em mais de dez anos, fortalecendo o "prêmio do medo" que ajudou a levantar o preço do barril para US$ 50.

Um volume de 3,5 milhões de barris diários está deixando de ser produzido devido a diversas interrupções provocadas por eventos como ataques de militantes na Nigéria, incêndios florestais no Canadá e turbulência política na Líbia ­ mais de 3% do total mundial, segundo a firma de pesquisas ClearView Energy Partners LLC. É provavelmente o maior volume desde que a guerra do Iraque afetou a produção do país em 2003, diz Jacques Rousseau, diretor-­gerente da firma na área de petróleo e gás.

Ao mesmo tempo, há menos folga para suprir as lacunas no abastecimento, já que a capacidade de produção não utilizada que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo pode ativar rapidamente está diminuindo. Além disso, o excesso de oferta de outros produtores, incluindo as petrolíferas americanas que exploram formações de xisto, também recuou, uma vez que as empresas estão cortando investimentos diante dos preços baixos do petróleo.

"Não há muita oferta extra por aí", diz Ann­Louise Hittle, principal analista do mercado de petróleo na Wood Mackenzie, consultoria britânica do setor energético. "É quando você começa a ter um prêmio de risco de volta ao mercado. É totalmente de se esperar e, na nossa opinião, isso é só o começo."

Catástrofes naturais ou instabilidade política em países produtores podem interromper a produção e prejudicar o fornecimento. Eventos assim sempre costumaram dar impulso aos preços do petróleo porque os negociadores da commodity começam a recear uma escassez no suprimento futuro.

Em 2014 e 2015, porém, o mercado de petróleo ignorou a maioria dos problemas ocasionais no abastecimento, das sanções contra o Irã aos fechamentos de terminais de exportação na Líbia. Os negociadores preferiram se concentrar no crescente excedente produzido pelas petrolíferas de xisto nos Estados Unidos, o que fez com que os preços despencassem 76% até fevereiro, quando voltaram a subir.

Depois do fracasso, em abril, das discussões dos principais países produtores sobre um congelamento na produção, os negociadores dizem que a redução da oferta devido a interrupções não planejadas tem sido o fator principal na alta dos preços nos EUA, que saltaram de menos de US$ 27 o barril em fevereiro para atingir mais de US$ 50 durante a quinta­feira. O petróleo fechou a sexta-­feira negociado a US$ 49,33 o barril nos EUA, com queda de 0,3%.

Em abril, uma greve de petroleiros no Kuwait paralisou brevemente quase metade da produção do país. Em maio, incêndios florestais na província de Alberta, no Canadá, levaram à paralisação de várias instalações em campos de areias betuminosas.

Na Nigéria, um grupo militante autodenominado Vingadores do Delta do Níger assumiu a responsabilidade por ataques a instalações de petróleo e um terminal de exportação. A produção do país caiu ao nível mais baixo desde 2009.

Alguns acham que o aumento das paralisações é, em parte, uma consequência dos preços baixos. O petróleo mais barato reduz a receita de países exportadores, privando alguns governos das verbas necessárias para aumentar gastos e evitar agitações sociais. Ao mesmo tempo, instalações ficam sem dinheiro para a manutenção.

"A US$ 100 o barril, é possível encobrir muitos problemas com dinheiro", diz Helima Croft, diretora de estratégia de commodities da gestora canadense RBC Capital Markets. Este ano "está se mostrando o ano da verdade para os produtores mais fracos."

Alguns analistas creem que o fôlego dado aos preços pelas paralisações já está se dissipando. Autoridades canadenses suspenderam a ordem de evacuação obrigatória em certas áreas produtoras de Alberta e a produção do Kuwait voltou ao normal. Até na Líbia, onde agitações mantiveram a produção abaixo da capacidade durante anos, uma alta nas exportações está sendo prevista por analistas.

"Um pouco desse otimismo tem que diminuir", diz Rob Haworth, estrategista sênior de investimentos da americana U.S. Bank Wealth Management, que administra US$ 128 bilhões.

Já outros não têm tanta certeza de que as interrupções no suprimento vão acabar. Iraque, Nigéria e Venezuela, juntos, foram responsáveis por 25% da produção total de petróleo da Opep em abril, segundo a Agência Internacional de Energia. Os três estão às voltas com possíveis problemas na produção.

Muitos analistas alertam que a produção pode cair na Venezuela devido à crônica falta de energia no país e a disputas sobre pagamentos às prestadoras estrangeiras de serviços petrolíferos. Já o Iraque está tentando manter um nível alto de produção em meio à ameaça do Estado Islâmico.

Ataques de militantes continuam na Nigéria, incluindo um na quinta­-feira que afetou instalações da petrolífera americana Chevron Corp. "Podemos ter aqui uma paralisação sustentada por um longo período", diz Croft, da RBC, referindo­-se à produção nigeriana total.

As interrupções não planejadas estão no ponto mais alto desde pelo menos 2003, quando a guerra no Iraque interrompeu brevemente quase toda a produção do país, dizem analistas.

Desde o fim de 2012, problemas no fornecimento em todo o mundo retiraram mais de dois milhões de barris diários do mercado global de petróleo, segundo a ClearView. Receios de queda na produção depois que o Estado Islâmico tomou algumas cidades iraquianas, em meados de 2014, ajudaram a erguer brevemente os preços globais para mais de US$ 110 o barril.

Se a oferta ainda estivesse crescendo depressa, as interrupções poderiam não afetar tanto os preços. Mas, nos EUA e outras partes do mundo, as petrolíferas estão cortando gastos, fazendo a produção recuar.

"Não parece que vamos ver uma volta às condições de excesso de oferta", diz Bo Christensen, analista­-chefe da Danske Invest, que administra US$ 100 bilhões em ativos. "Isso torna o mercado suscetível a outros tipos de riscos, incluindo, é claro, riscos geopolíticos."
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

COM CRISE, ARCELORMITTAL OCUPA 70% DA USINA DE TUBARÃO COM EXPORTAÇÃO
Publicado em 05/30/2016 as 02:39 PM

Na contramão da média de ocupação da capacidade de siderúrgicas brasileiras ­ em torno de 60% ­, a ArcelorMittal Tubarão vem operando quase à plena utilização de sua usina em Serra (ES). A empresa, subsidiária de aços planos do grupo ArcelorMittal, aproveita a boa maré de exportação de produtos, favorecida em parte por câmbio, por recuperação dos preços internacionais e por novos clientes e mercados.
Tubarão está embarcando tanto placas, um produto semi­acabado, quanto bobinas laminadas a quente. Em relação às bobinas, a empresa busca compensar a retração da demanda no mercado brasileiro de aço. No primeiro trimestre, as vendas locais de aço do grupo sofreram decréscimo de 14%, conforme seus balanço.

"Estamos operando em Tubarão ao nível de produção de 7 milhões de toneladas de aço bruto [placas]", disse Benjamin Baptista Filho, presidente da empresa e responsável por Aços Planos da ArcelorMittal na América do Sul.

A fabricante tem capacidade de fazer 7,5 milhões de toneladas de placas ao ano. Desse volume, dispõe de instalação para beneficiar, em bobinas à quente, 4 milhões de toneladas, cujo principal mercado de destino, em teoria, é o brasileiro. Uma pequena parte era para clientes latino-americanos, que com a crise ganharam peso nos embarques da empresa.

Baptista Filho: “Margens de ganho das empresas no Brasil estão um desastre”

Tubarão, informou Baptista Filho, exporta praticamente toda a produção excedente de placas (que supera 3 milhões de toneladas) e o correspondente à metade ­ 1,5 milhão de toneladas ­ da produção de chapas laminadas em bobinas. "Estamos destinando quase 70% do volume produzido para exportação, principalmente em razão da melhora dos preços internacionais", afirmou.

Do fim de 2015 até algumas semanas atrás, as bobinas a quente chegaram a ter alta US$ 200 a tonelada no mercado chinês, impulsionando os preços do aço no mercado global. Nos Estados Unidos, o produto superou fácil a marca de US$ 500. "O mercado americano está bom, com a economia crescendo", disse Baptista.

Segundo o executivo, as margens de ganho das siderúrgicas no Brasil antes dos aumentos de preços estavam "um desastre", gerando prejuízos para as empresas. A recuperação dos preços no exterior levaram as fabricantes locais a elevar preços, com reajustes de 10 a 12% em abril e maio e outro igual previsto para junho.

"Hoje temos o aço para a indústria automotiva mais barato do mundo", diz Baptista. Por meio da unidade Vega, em São Francisco do Sul (SC), a empresa vende laminados a frio e galvanizados para montadoras, fabricantes de linha branca e construção civil.

As vendas de placas de Tubarão ganharam velocidade a partir de julho de 2014 ao ganhar contrato do próprio grupo para suprir parte da necessidade de aço da laminadora americana de Calvert, no Alabama. A unidade foi adquirida da ThyssenKrupp por um consórcio entre ArcelorMittal e Nippon Steel & Sumitomo. Com isso, a empresa reativou um alto-­forno que estava desligado fazia muito tempo e já embarca para Calvert cerca de 1 milhão de toneladas de placas.

O mercado de aço no país caiu 35% nos últimos três anos, diz o executivo. "Tem de haver crescimento da economia do país para puxar o consumo", Segundo ele, o novo governo trouxe animação para o empresariado. "Com mais de dois terços de apoio do Congresso, o presidente Temer poderá aprovar e fazer coisas". Na posição-­chave, diz, conta com a competência de Henrique Meirelles [ministro da Fazenda]. "Já sentimos uma mudança de expectativa, ao gerar credibilidade e confiança aos agentes econômicos", afirma.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

SETOR ESPERA MAIS LEILÕES NA MUDANÇA DO PRÉ-SAL
Publicado em 05/30/2016 as 02:39 PM

Apesar de ainda carregar R$ 500 milhões em créditos em atrasos em obras da Petrobras, os fabricantes de máquinas para o setor têm alguns motivos para se animar, avalia o presidente do conselho de óleo e gás da entidade, Cesar Prata, como o mercado externo e um possível aquecimento na demanda por equipamentos com mudanças regulatórias que facilitassem a realização dos leilões das áreas do pré-­sal.

Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades com os cortes nos planos de investimentos da estatal, que é quem movimenta em grande parte a demanda do mercado brasileiro, Prata acredita que a exportação pode ser uma saída para as companhias. A avaliação é de que existe espaço para os fabricantes brasileiros no mercado externo.

A AZ-­Armaturen, uma das empresas que tem valores pra receber de contratadas da Petrobras conta, para garantir o crescimento de sua receita, com a diversificação dos segmentos de atuação no Brasil e investimentos para atuar no mercado externo.

Além disso, a Abimaq recebe com animação o retomada da discussão sobre a obrigatoriedade da entrada da petroleira em leilões do pré­-sal. Em um cenário em que a Petrobras não precise entrar em todos os certames, diz Prata, "teríamos mais leilões pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) com outras empresas participando e gerando mais demanda. Isso seria uma luz do fim do túnel".

A animação do setor vem da notícia de que o governo teria definido como prioridade aproveitar um projeto do senador José Serra (PSDB) que propõe mudanças na atuação da estatal em contratos do pré-­sal.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

EXPORTADORES QUEREM REVISÃO DE 100% DE ESCANEAMENTO DAS CARGAS
Publicado em 05/30/2016 as 02:39 PM

Exportadores querem a revisão da exigência de 100% dos contêineres destinados a exportação serem escaneados antes do embarque nos navios. O serviço gera um custo adicional cobrado pelos terminais portuários, onde ocorre a vistoria. Segundo os embarcadores, não existe previsão legal expressa para que a totalidade dos contêineres sofra a chamada "vistoria não invasiva".

A medida cumpre determinação das alfândegas nos portos, ligadas à Coordenação­Geral de Administração Aduaneira (Coana), da Receita Federal. Conforme a Coana, é inerente às atribuições do órgão a fiscalização de 100% das cargas, sendo o percentual definido após análises de riscos.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao qual o Valor teve acesso mostra que terminais nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Itapoá (SC), Rio Grande (RS) e Pecém (CE) passaram a exigir o crivo do scanner em 100% dos casos. Apesar de a medida já estar em vigor há três anos em alguns portos, os exportadores estão reclamando agora de forma mais incisiva devido ao aumento das vendas externas, estimuladas pelo câmbio. Foram feitas 75 entrevistas com representantes de associações e grandes exportadores de 6 a 27 de abril.

O principal problema apontado pelos embarcadores é o valor cobrado por contêiner escaneado, que foi de menos de R$ 200 (em 58% dos casos) a mais de R$ 400 (1%) no período. Para 47% dos entrevistados, a cobrança tem alto impacto na competitividade das exportações e importações ­ também as importações são alvo de escaneamento. Para 31% o impacto é médio; o restante não viu reflexo (16%) ou não respondeu (6%).

A CNI critica a cobrança. "Se o serviço decorre de exigência do poder público e isso envolve cobrança de uma taxa essa taxa não pode ser maior que o necessário para amortizar o serviço. A impressão é que os terminais estão tendo lucro com a obrigação", diz o gerente­-executivo de comércio exterior da CNI, Diego Bonomo. A CNI defende que se trabalhe com gestão de risco e somente se a gestão apontar necessidade "se faça 100% de escaneamento por um período, mas que isso não se perenize", disse Bonomo.

A Coana informou que é justamente após a gestão de análise de risco que as aduanas locais estipulam os percentuais. No porto de Santos, por exemplo, a alfândega adota a inspeção não invasiva de 100% dos contêineres vazios e cargas com destino apenas à Europa, esclareceu o órgão, devido à maior frequência de tentativas de envio de drogas ao exterior. Os demais são escaneados conforme indicação do gerenciamento de risco ou dos Oficiais do Customs and Border Protection, via o programa Container Security Initiative, exclusivamente para cargas destinadas aos Estados Unidos.

No caso de Paranaguá, há uma ação judicial obrigando o terminal de contêiner local a escanear 100% das cargas. Itapoá, disse a Coana, realiza por conta própria o escaneamento na exportação, sem custo para o exportador. "De acordo com o terminal, o eventual custo somente é repassado nos casos solicitados pela fiscalização", disse.

A Coana explicou ainda que a alternativa de inspecionar 100% das exportações "subsiste como corolário" da previsão de que os scanners à disposição da fiscalização aduaneira nos terminais "devam ser suficientes para inspeção da totalidade das cargas neles movimentadas". Mas adiantou que está trabalhando com as alfândegas numa ampla reformulação que deve sair em junho.

Sobre os preços, a Antaq afirmou que se a exigência de escaneamento for para todas as cargas o terminal não pode instituir uma cobrança específica. Neste caso, diz a agência, o valor deve integrar a base da formação geral dos preços e ser repassado "de forma linear e rateada, entre todos os clientes e usuários, diluídos nos preços dos serviços já existentes, prestados sem discriminação".
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

FABRICANTES BUSCAM RECEBIMENTO DE ENCOMENDAS PARA A PETROBRAS
Publicado em 05/30/2016 as 02:38 PM

Em pouco mais de um ano, os fabricantes de máquinas e equipamentos devem assistir nesta semana a segunda troca no comando da principal empresa que movimenta demanda no setor de óleo e gás no Brasil, a Petrobras. Ao assumir a vaga de Aldemir Bendine, o novo presidente, Pedro Parente, deve encontrar um grupo de pequenos e médios fabricantes representados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com um problema para discutir: cerca de R$ 500 milhões em encomendas feitas por contratadas da petroleira e que não foram pagos. A questão está na mesa da estatal desde o fim da gestão de Graça Foster, no início de 2015.

O valor envolve máquinas faturadas e não pagas e equipamentos que já foram produzidos, mas não foram entregues e estão parados nos pátios das empresas ­ como se trata de produtos feitos sob demanda, não podem simplesmente serem colocados em prateleira.

Não são dívidas propriamente da estatal com fabricantes, mas Abimaq tenta sentar com a Petrobras para conseguir desenhar uma solução conjunta para os fornecedores. Uma das expectativas era conseguir passar os pedidos à petroleira para que as obras pudessem continuar e as entregas pudessem ser realizadas.

Passado mais de um ano, o presidente do conselho de óleo e gás da entidade, Cesar Prata, acha pouco provável a obtenção de um acordo único que sirva para todos os casos. Ele explica que a condição de cada projeto é diferente, o que, portanto, muda as chances de sucesso de cada negociação. No caso das encomendas feitas para a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) V, em Uberaba (MG), por exemplo, ele acha pouco provável que haja grandes perspectivas de negociar o recebimento dos valores com a Petrobras ou a entrega do que já foi produzido e ficou parado, uma vez que o projeto foi cancelado pela estatal. Há esperança, porém, de que uma solução seja pensada para projetos ainda em operação, como é o caso da Refinaria Abreu e Lima (Renest).

Alguns casos foram resolvidos de maneira pontual. A Metroval, fabricante de medidores, disse ter conseguido receber os R$ 3 milhões que eram devidos pela Ecovix. A empresa de saneamento Ecosan também teve quitados os R$ 3,8 milhões que tinha para receber de uma fornecedora da petroleira. Tratou-se, porém, de um caso de exceção: a negociação aconteceu sem interferência da Petrobras e tendo em vista que a Ecosan tem outros contratos com a empreiteira em projetos que não dizem respeito à petroleira. Além de não ter mais nenhum contrato ativo em obra da estatal, a empresa diz que não faz esforço comercial para entrar em obras da Petrobras.

Ao mesmo tempo, a fabricante de válvulas AZ­Armaturen ainda carrega R$ 2 milhões a receber da Alumini, que teve pedido de recuperação judicial deferido, e R$ 1 milhão da TKK Engenharia. No início do ano, teve nova encomenda, de R$ 1 milhão, cancelada, ficando com os equipamentos já prontos parados na empresa ­ válvulas para o Comperj, informou a companhia. A empresa pretende entrar na Justiça para pedir os recebíveis mais recentes. As perspectivas não são boas. Conforme um porta­-voz da empresa, tudo que diz respeito à Petrobras está parado, "até pequenas compras, manutenção, coisas do dia a dia. No curto prazo, não estamos muito otimistas".

A empresa de Prata, ASVAC, por sua vez, tem cerca de R$ 750 mil em pedidos para obras da Petrobras para receber. O valor, apesar de pequeno, representa 10% do seu faturamento e diz respeito a válvulas para a construção de sondas pela Sete Brasil.

Para o diretor da Abimaq, a nomeação de Pedro Parente para o comando da estatal passa credibilidade por conta de seu currículo, mas pondera que não chega a dar indícios de soluções para essa questão, uma vez que "ainda não se sabe qual será o papel da Petrobras na economia". O Bendine, disse, "estava enxugando a empresa para deixar economicamente viável, administrando o passivo, cortando despesas, não estava olhando para o papel da empresa na economia e nos investimentos."
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

CENÁRIO DE PREÇOS AINDA PODE ESTIMULAR AQUISIÇÕES
Publicado em 05/30/2016 as 02:38 PM

Depois da união entre Shell e BG no ano passado, uma das maiores do setor nos últimos tempos, 2016 pode trazer outra fusão ou aquisição de grande porte, prevê a casa de análise de dívida corporativa CreditSights. Os preços do petróleo se recuperam, mas ainda abaixo de US$ 50 por barril, e se estabilizam, dando maior previsibilidade para as empresas, explica a instituição.

Os preços do Brent e do WTI se aproximam de US$ 50, valor baixo perto dos mais de US$ 100 observados em 2014, mas mesmo assim em alta de 55% frente à menor cotação recente. Na ICE Futures de Londres, os investidores já apostam em US$ 53 para o fim do ano que vem, mostrando que a commodity pode ter atingido sua estabilidade. Analistas creem que a dinâmica entre oferta e demanda se equilibre em 2016 e até falte petróleo a partir de 2017.

Segundo dados da Dealogic, empresa de inteligência de mercado, o setor de petróleo e gás ­ que compreende produtoras, fornecedoras, transportadoras e o segmento de refino ­, foram realizadas 234 operações de fusões e aquisições no primeiro trimestre, a um valor total de US$ 27 bilhões. Esse é o pior nível para esse período desde 2005. No acumulado do ano até maio, foram 376 negócios, ou US$ 46 bilhões.

A CreditSights prevê que em 2016 as companhias do setor farão negócios desse tipo em um total de US$ 285 bilhões. Apesar de representar uma queda de 18% ante o volume do ano passado, esse valor significa que no segundo semestre o mercado deve ser mais agitado do que foi até agora. Só nos Estados Unidos, a casa de análise crê em US$ 110 bilhões. Mas para que a projeção se concretize, a instituição aposta em pelo menos um negócio gigante de associação entre empresas, opina o analista Brian Gibbons.

Recentemente, rumores de que a gigante americana ExxonMobil possa comprar a conterrânea Anadarko Petroleum surgiram entre os investidores. A operação, informa a CreditSights, faz sentido e ajudaria as fusões e aquisições a alcançarem o nível previsto. Ao mesmo tempo, transações entre companhias de tamanhos semelhantes, especialmente as menos alavancadas financeiramente e operadoras do xisto nos Estados Unidos, também são aguardadas.

No ano passado, o lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e gastos com exploração (Ebitdax, na sigla em inglês) ajustado da Anadarko, para não refletir as baixas contábeis de US$ 1,5 bilhão realizadas, foi de US$ 38 milhões. O valor de mercado do grupo encontra­-se próximo a US$ 27,67 bilhões, atualmente. O Ebitdax da ExxonMobil foi de US$ 41,85 bilhões, seu valor de mercado alcança a cifra de US$ 374,77 bilhões e seu caixa ao fim de março era de US$ 4,8 bilhões.

Para efeito de comparação, a Shell pagou US$ 53 bilhões pela BG em dinheiro ­ cerca de 7,5 vezes o Ebitdax da concorrente em 2015. O montante significou 15% de prêmio sobre o valor de mercado da britânica à época do anúncio.

No caso de ExxonMobil e Anadarko, se essas métricas forem semelhantes, o valor da transação poderia ser de aproximadamente US$ 31 bilhões ­ 70% do valor de todos os negócios no setor até agora no ano, ou 30% do que a CreditSights espera nos EUA para 2016.

No segmento de produtos e serviços para petróleo e gás, o banco americano Jefferies afirma que a atividade nos EUA provavelmente chegou ao patamar mais fraco neste ano. Em relatório divulgado esta semana, a instituição lembra que a contagem de sondas exploratórias em operação já se encontra em menos de 400 e a mensagem de produtoras é de que não há como o investimento cair muito mais do que já foi cortado.

A instituição financeira ainda sugere que o período agora será usado para arrumar as finanças. "As companhias parecem agora mais confiantes em se beneficiar da geração de caixa maior com a alta dos preços para equilibrar seus balanços em vez de elevar os gastos", afirma o texto. É nessa hora, aposta a CreditSights, que as fusões e aquisições têm mais espaço para ocorrerem ­ em um ambiente de preços ainda baixos demais para acelerar a atividade, mas com perfil de crédito mais robusto.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

CONSELHO DA PETROBRAS VAI DEFINIR NOVO PRESIDENTE
Publicado em 05/30/2016 as 02:38 PM

A condução do ex-­ministro Pedro Parente para a presidência da Petrobras depende da renúncia de Aldemir Bendine, que deve acontecer hoje. Parente esteve várias vezes na Petrobras na semana passada e participou de reuniões. Pelo rito, Bendine deve apresentar uma carta de renúncia tanto do conselho como da presidência da estatal e, em seguida, Parente será eleito para um assento no colegiado. Ato contínuo, os conselheiros devem indica-­lo para a presidência da companhia.

Segundo uma fonte qualificada, os conselheiros poderão fazer uma reunião virtual hoje, sem a necessidade de que se encontrem formalmente, já que a indicação de Parente já foi apreciada pelos comitês responsáveis pela análise de integridade e atende aos requisitos, segundo uma fonte a par do assunto. Oficialmente, não existe reunião do conselho marcada e a companhia não tem uma data para a posse do novo presidente.
          
Outra mudança esperada para breve é a saída de Luciano Coutinho, ainda presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele é o membro mais longevo do colegiado da estatal, e ocupa uma vaga desde 2008. A troca de seu nome no conselho ainda não tem data, e deve ocorrer após posse de Parente. Segundo o Valor apurou, o substituto de Coutinho será escolha do conselho de administração.

A indicação do engenheiro passou pela análise do Comitê de Remuneração e Sucessão e o resultado também passa pela área de conformidade e integridade. A nova regra, que foi adicionada ao Estatuto Social da Petrobras na Assembleia Geral Ordinária realizada dia 28 de abril, já tinha sido aplicada durante a reestruturação que reduziu o número de gerências de 54 para 41 cargos, na qual Antônio Sergio Santana foi substituído na diretoria de Recursos Humanos, SMS e Serviços por Hugo Repsold.

Todos os executivos atualmente em funções gerenciais na Petrobras e os diretores já foram analisados por esse processo antes que a medida fosse incluída no Estatuto. Parente foi um dos coordenadores da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, conhecido como "ministério do apagão" no governo FHC, quando teve assento no conselho da Petrobras. Na iniciativa privada, comandou o grupo de comunicação RBS e a multinacional de grãos Bunge. Ultimamente, se dedicava à Prada Assessoria. Também preside o conselho da BM&F Bovespa, onde é colega de Luiz Nelson Carvalho, atual presidente do conselho da Petrobras.        
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

BTG AVALIA VENDA DE PARTICIPAÇÃO NA PETROAFRICA
Publicado em 05/30/2016 as 02:37 PM

O BTG Pactual avalia a venda da participação de 50% que detém na PetroÁfrica, associação com a Petrobras que reúne ativos no continente africano. A informação, publicada pela agência "Bloomberg", foi confirmada pelo Valor. O banco não abriu um processo formal de venda da companhia, mas tem recebido consultas, principalmente de empresas internacionais de petróleo interessadas no negócio, segundo uma fonte. Procurado, o BTG não comentou o assunto.                  

O banco se tornou sócio da Petrobras em junho de 2013, depois de pagar cerca de US$ 1,5 bilhão pela metade dos ativos que a estatal detém na África. A companhia possui negócios em Angola, Benin, Gabão, Namíbia, Nigéria e Tanzânia.

O interesse pelas operações ocorreu após o BTG colocar à venda todos os ativos considerados não essenciais para preservar a liquidez, em meio à crise provocada pela prisão do ex-controlador André Esteves, em novembro passado. O executivo foi solto posteriormente e voltou à instituição em abril, na condição de "sócio sênior", mas sem integrar o grupo de executivos que controla o banco.

A situação do BTG agora é considerada mais estável e não há necessidade imediata de venda da PetroÁfrica ou de outros ativos, segundo a fonte. Para fazer caixa, o banco se desfez de uma série de negócios, incluindo a empresa de recuperação de crédito Recovery, a Rede D'Or de hospitais, a Pan Seguros e a varejista Leader, além do controle do banco suíço BSI.

Embora continue avaliando eventuais propostas, não há nenhuma transação para a venda da PetroÁfrica em andamento no momento, de acordo com o executivo, que pediu para não ser identificado. Caso se concretize, a transação deve ocorrer a partir de negociações individuais, na linha do que ocorreu, por exemplo, com a participação que o banco detinha na Rede D'Or, vendida para o GIC, fundo soberano de Cingapura.

Até o momento, o negócio com a Petrobras só trouxe problemas para o banco. Na época do investimento do BTG, o barril do petróleo era negociado na casa de US$ 100. Hoje, não passa da metade desse valor. A referência para a avaliação dos ativos da PetroÁfrica, contudo, é a curva futura da commodity, que apresentou uma queda menor, segundo a fonte.

A compra da participação na PetroÁfrica também levantou suspeitas de um possível favorecimento ao BTG, informação negada pela estatal e pela instituição. Recentemente, uma investigação externa contratada pelo banco, a cargo do escritório de advocacia americano Quinn Emanuel, informou não ter detectado práticas irregulares na transação.

No fim do ano passado, o BTG fez uma baixa contábil da ordem de R$ 1 bilhão em investimentos nos setores de óleo e gás e varejo, que incluem a PetroÁfrica. Os ativos já haviam sofrido uma baixa parcial em 2014, após o fim da campanha exploratória em blocos na região sem a descoberta de petróleo.

Outra investida malograda do BTG no setor de óleo e gás foi na Sete Brasil, fornecedora de sondas para o pré-­sal que entrou em recuperação judicial em abril. O banco é o maior cotista do fundo de participações (FIP) que controla a companhia, que possui dívidas da ordem de R$ 18 bilhões.      
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

PETROQUÍMICAS À BASE NAFTA, COMO BRASKEM, SEGUEM COMPETITIVAS
Publicado em 05/30/2016 as 02:36 PM

A recuperação das cotações do petróleo ainda não foi suficiente para afetar a competitividade das petroquímicas que usam nafta como matéria-­prima, entre elas a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Para este segundo trimestre, a expectativa é a de que a diferença de preços entre nafta e petroquímicos básicos e resinas (os chamados spreads) permaneça positiva, com provável suporte a uma nova rodada de resultados operacionais fortes no setor.

Segundo a consultoria MaxiQuim, a cotação da nafta no mercado interno está em R$ 1,2 mil a tonelada, frente à média de R$ 1,5 mil no primeiro trimestre, influenciada pelo câmbio e, com algum atraso, pelo recuo do petróleo no início do ano. Já o preço médio da nafta ARA (referência europeia), que foi de US$ 321 por tonelada nos três primeiros meses do ano, subiu para aproximadamente US$ 400 a tonelada neste mês, refletindo imediatamente a valorização do petróleo.

Desde o início do trimestre, o barril do Brent já subiu cerca de 19%, em busca do nível de US$ 50.

Os preços da nafta na Europa começaram a se recuperar em abril, mas esse movimento ainda não chegou ao mercado doméstico, de acordo com Solange Stumpf, diretora da MaxiQuim. Isso se deve à defasagem que sempre existiu entre as cotações domésticas e internacionais da matéria-­prima ­ de três meses no ano passado e de um mês a partir de 2016.

Por causa dessa defasagem, avalia Solange, é provável que o preço médio da nafta no país seja ainda mais baixo neste trimestre do que o registrado nos três primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, os valores de resinas termoplásticas no mercado internacional não caíram com a mesma intensidade que o petróleo e, sobretudo no caso do polipropileno comercializado no mercado americano, as cotações permanecem em alta. Com isso, os spreads têm se sustentado em níveis elevados. "O cracker base nafta ainda está no páreo", comentou a especialista.

Em linhas gerais, a previsão da indústria petroquímica global é a de manutenção de spreads positivos ao longo de 2016, uma vez que não há sinais de que as cotações do petróleo avançarão com muita força e a demanda deve e manter robusta, sobretudo em polietileno. Na China, a entrada em operação de novas fábricas de PP pode trazer alguma volatilidade ao mercado, em movimento que pode ser atenuado pelo consumo crescente da resina nos Estados Unidos.

Para a equipe de análise do Bank of America Merrill Lynch (BofA), esse ciclo de alta da petroquímica pode persistir até 2017. Na avaliação de especialistas do banco, o mercado pode estar superestimando o crescimento esperado para a oferta global de eteno, ao ignorar o atraso na entrada em operação de determinados complexos industriais nos últimos três ciclos e ao incluir no cálculo projetos que ainda carecem de financiamento ou licenças.

Em relatório do início do mês, que traz uma visão da indústria petroquímica global, o BofA estima que a oferta mundial de eteno vai crescer em média 2,4% ao ano até 2017, frente ao consenso de mercado de alta de 4,3%, com declínio mais suave do que o esperado dos spreads. "A demanda deve crescer em linha com o PIB global, mas poderá surpreender para cima com a diminuição dos estoques, a redução da reciclagem na China e a manutenção da demanda firme em mercados emergentes", diz o relatório.

Em outro relatório, de 23 de maio, o banco elevou a recomendação para as ações e ADRs (recibos de ações) da Braskem de neutra para compra, com preço­-alvo de R$ 34 por papel (US$ 17 por ADR), na esteira da desvalorização de 23% registrada nos últimos três meses e da expectativa de resultados positivos para a companhia.

"Olhando para a frente, continuamos a ver fortes resultados, impulsionados por elevados spreads internacionais para as resinas e pelo início de operação do projeto Etileno XXI no México", afirmaram os analistas Vicente Falanga Neto e Frank McGann.

O banco estima em US$ 620 a tonelada, em média, o spread para as resinas polietileno e polipropileno até 2018 e em US$ 230 a tonelada para o PVC.

No primeiro trimestre, a Braskem teve resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recorde, de R$ 3,06 bilhões, o dobro do valor registrado um ano antes. A empresa foi beneficiada principalmente pelos spreads mais elevados e maior exportação de resinas.

Nesse período, conforme a companhia, o spread médio internacional das resinas produzidas no país ficou em US$ 616 a tonelada, com alta de 6% frente ao quarto trimestre e queda de 7% na comparação anual.

Nos principais petroquímicos básicos, informou a Braskem, essa diferença de preços totalizou US$ 342 a tonelada, com avanço de 7% frente ao intervalo imediatamente anterior e 16% acima do apurado um ano antes. O destaque do período, porém, ficou com o polipropileno produzido nos Estados Unidos, com spread 116% superior em relação ao mesmo trimestre de 2015, diante da queda de preços do propeno e do petróleo e do aumento da demanda pela resina no mercado americano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

QUEBRA DE SAFRA ELEVA PREVISÃO DE IGP-M PARA 0,74%
Publicado em 05/30/2016 as 02:36 PM

Quebras de safras no mercado doméstico e a alta de grãos no exterior pressionaram os preços de produtos agropecuários e, em consequência, a inflação no atacado em maio, avaliam economistas, apesar da trajetória favorável do câmbio no período. Segundo a estimativa média de 16 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice Geral de Preços ­ Mercado (IGP­-M) avançou de 0,33% em abril para 0,74% neste mês.

As projeções para o indicador, a ser divulgado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV), vão de alta de 0,61% até 0,79%. Se confirmadas as previsões, o IGP­M acumulado em 12 meses terá subido de 10,63% para 11% na passagem mensal.

Novos choques de oferta acabaram pressionando os preços de culturas com peso relevante nos IGPs, diz Flávio Serrano, economista-­sênior Haitong, com destaque para a soja, que aumentou 11,2% em maio.
Em seus cálculos, O IGP-­M acelerou para 0,76% no mês atual, influenciado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do indicador geral e avançou de 0,29% em abril para cerca de 0,90% agora.

Dentro do Índice de Preços no Atacado (IPA, um dos componentes do IGP­-M), Serrano avalia que a maior pressão partiu dos preços agropecuários, que devem ter subido 2,35%, um ponto percentual a mais do que a variação apurada no indicador no mês anterior.

Outros itens além da soja devem ter contribuído para esse movimento de elevação, como a batata inglesa e o tomate, que aumentaram ao redor de 30% e 15% em maio, respectivamente, estima o economista. O milho também faz parte dessa lista, que já vinha em trajetória ascendente e subiu 8% no mês.        

"Destaque para a aceleração do IPA, que deve contar com maior pressão advinda dos grãos, especialmente de soja", comenta a equipe econômica da Rosenberg Associados. Nas projeções da consultoria, o IGP-­M registrou alta de 0,61% na medição deste mês, enquanto o índice acumulado do indicador em 12 meses atingiu 10,9%.

Serrano ressalta que o encarecimento dos grãos se refletiu sobre os preços industriais, que poderiam ter entrado em deflação, não fosse a pressão dos produtos agrícolas. A alta da soja, observa ele, se transfere ao IPA industrial por meio do item "óleos, gorduras e vegetais".

Por isso, e também pelo aumento das cotações do minério de ferro, o economista projeta que os produtos industriais deixaram recuo de 0,15% para alta de cerca de 0,30%.

A tendência para os preços no varejo, responsáveis por 30% do IGP­M, também é de ascensão, afirma a Rosenberg, devido ao reajuste autorizado de 12,5% para os medicamentos e ao aumento do cigarro, também em função dos impostos. O Haitong trabalha com alta entre 0,65% e 0,70% para o Índice de Preços ao Consumidor­-M (IPC­-M) no mês.

Na contramão, o Índice Nacional de Custo da Construção ­ M (INCC­-M), já divulgado pela FGV, desacelerou de 0,41% para 0,19% entre abril e maio, com perda de fôlego nas partes de mão de obra e materiais, equipamentos e serviços. O INCC tem peso de apenas 10% no IGP­-M.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

ECONOMISTAS PROJETAM QUEDA DE 0,8% NO PIB DO 1º TRIMESTRE
Publicado em 05/30/2016 as 02:36 PM

A forte retração das importações e a dinâmica mais favorável das exportações aumentaram a contribuição do setor externo à atividade no primeiro trimestre, avaliam economistas. Essa melhora foi insuficiente para compensar o comportamento ainda bastante frágil da demanda doméstica, que teve novo impacto negativo sobre a indústria, mas deve ter atenuado a queda do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a estimativa média de 21 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o PIB encolheu 0,8% de janeiro a março, na comparação com os três meses anteriores, feitos os ajustes sazonais, redução mais modesta do que a observada no quarto trimestre de 2015 (­1,4%). Na contramão do movimento geral da economia, 11 analistas projetam que as exportações de bens e serviços avançaram 5,5%, destaque positivo pelo lado da demanda, enquanto as importações caíram 5,3%.

As previsões para as Contas Nacionais Trimestrais, que o IBGE divulga nesta quarta­-feira, vão de recuo de 1,4% até queda de 0,3%. Pela ótica da oferta, a atividade industrial deve ter seguido como principal influência negativa para o PIB trimestral, com contração de 2,1% no período, estimam 12 economistas, desempenho relacionado ao declínio do consumo das famílias e do investimento, que devem ter diminuído 1% e 3,7% neste primeiro trimestre, respectivamente.

Na percepção de grande parte dos analistas, a "virada" da economia ­ momento em que o PIB deve parar de cair no dado trimestral ­ se aproxima e deve ocorrer do segundo para o terceiro trimestre. E, lentamente, as projeções para o ano que vem começam a ser reajustadas para cima por alguns economistas, levadas por expectativas mais benignas no campo político e fiscal.

Leandro Padulla, da MCM Consultores, estima que o setor externo adicionou 1,9 ponto percentual ao PIB do primeiro trimestre, acima da contribuição positiva de 0,8 ponto verificada no trimestre anterior, como resultado de alta de 4,5% das vendas externas e recuo de 6,3% dos bens e serviços importados. O nível mais competitivo da taxa de câmbio e a baixa base de comparação do último trimestre ajudaram a elevar as exportações, afirma Padulla, mas o significativo tombo das importações tem peso maior nesse processo.

"No segundo semestre, com alguma reação das expectativas, poderemos ver o início de um processo de melhora mais forte das exportações", diz o economista, para quem o PIB caiu 0,5% de janeiro a março. Por outro lado, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas, construção civil e pesquisa e desenvolvimento) e o consumo das famílias tendem a se manter em trajetória negativa.

São esses dois componentes que levam a equipe econômica do Santander a esperar queda de 0,8% do PIB no primeiro trimestre. O recuo de 0,7% da demanda das famílias e de 3,6% dos investimentos refletem uma piora generalizada dos fundamentos, diz Rodolfo Margato, economista do banco. "No caso do consumo privado, a deterioração do mercado de trabalho continua e não vemos reversão do processo até começo de 2017", afirma ele, que prevê continuidade da contração da renda real, aperto das condições de crédito e alto endividamento dos consumidores.

No caso dos investimentos, diz Margato, uma conjunção de fatores, como a alta taxa de juros e a situação delicada de setores muito representativos para a formação dos investimentos ­ construção civil e fabricação de caminhões, por exemplo ­, além de um nível da utilização da capacidade instalada ainda bastante baixo, inibem a retomada da formação de capital fixo no curto prazo e devem levar o componente a outra forte queda na média de 2016, de 12,7%.

Pelo lado positivo, diz Margato, não há novidades em relação aos últimos trimestres: é esperada uma contribuição positiva do setor externo, com crescimento significativo das exportações (4,4% no trimestre) e novo tombo das importações, de 4,8%.

Na ótica da oferta, os números positivos do setor externo ainda não se refletiram sobre o PIB industrial, que diminuiu 2,2% no primeiro trimestre, calcula Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, puxado para baixo pela "queda brutal" da absorção doméstica. "A dinâmica negativa de bens de capital e duráveis observada em outros trimestres continuou neste último", diz. Para Alessandra, os indicadores de confiança da indústria mostram sinais de estabilização, que podem estar relacionados à mudança do governo, mas esses indícios ainda são incipientes.

No início do ano, houve, ainda, impacto negativo da indústria extrativa sobre a atividade, observa a economista, devido à retração de 5,1% da produção de petróleo entre o quarto trimestre de 2015 e o primeiro de 2016. Já a produção de minério de ferro seguiu prejudicada pelo desastre da Samarco ocorrido no fim do ano passado, lembra Alessandra.

Os serviços, por sua vez, devem ter marcado seu quinto trimestre seguido de contração, afirma Marco Caruso, economista do banco Pine. "Vemos serviços com queda de 1%, mas a queda pode ser até maior. E o consumo, em queda de 0,8%, puxa o número total mais para baixo", diz.

Segundo Padulla, da MCM, o primeiro trimestre deve ter mostrado uma mudança na composição do recuo dos serviços, com redução mais forte naqueles relacionados à demanda das famílias do que ao comportamento da indústria. Nesse novo contexto, marcado pelo desaquecimento mais forte do mercado de trabalho e da renda, os serviços de transporte encolheram apenas 0,1%, enquanto a agregação "outros serviços" caiu 0,8%, calcula.

O "fundo do poço" da economia, na avaliação de Caruso, será atingido no terceiro trimestre. "Esperamos queda de 0,5% para o segundo trimestre, mas não dá para descartar que ele já venha com um número muito próximo de zero", diz o economista do Pine. Para ele, se o segundo trimestre vier realmente melhor do que o primeiro, o carregamento estatístico pode ficar muito próximo de zero para o ano que vem. "Estatisticamente, estamos com o ano de 2017 em aberto."

Na ponta mais otimista, o Santander espera alta de 2% para o PIB de 2017 ­ revisada há duas semanas, de 1,2% ­, ajudada por uma queda significativa da taxa de juros, que deve chegar 10% no fim de 2017, mais uma melhora da confiança do empresariado. "Tudo isso, considerando o comprometimento e a capacidade do governo em passar medidas de ajuste fiscal e tentar implementar reformas estruturais", pondera Margato.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

NA EUROPA, SERRA TRATARÁ DE COMÉRCIO COM EUA E UE
Publicado em 05/30/2016 as 02:35 PM

Em grave crise financeira, o Rio vai pressionar por mudanças na forma de tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nos derivados de petróleo e energia. O governo fluminense também quer que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) mude a fórmula de cálculo dos royalties sobre a indústria petrolífera. As duas medidas combinadas ­ o ICMS e os royalties ­ têm potencial de aumentar a arrecadação fluminense em R$ 12 bilhões por ano, estima Marco Capute, secretário estadual de desenvolvimento econômico. As medidas não são de fácil implementação.

A conversa com Malmström abordará as perspectivas para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. Os dois blocos trocaram ofertas de liberalização comercial em 11 de maio. A proposta sul-­americana elimina, em até 15 anos, as tarifas sobre 87% das exportações europeias. Na via contrária, Bruxelas ofereceu alíquota zero para 89% das vendas do Mercosul em um período de até dez anos. Agora cada lado tem de indicar possíveis concessões.

A agenda com Froman e com a secretária americana de Comércio, Penny Pritzker, envolve outra prioridade mencionada pelo ministro no discurso de posse: buscar soluções de curto prazo com os EUA. Isso inclui acordos de convergência regulatória, como os já firmados pelas indústrias de cerâmica e de têxteis, que tende a limitar a aplicação de barreiras não-­tarifárias.

Na quarta-­feira, Serra será um dos condutores no painel na OCDE dedicado ao "Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável". O ministro deve manter contato com outras autoridades para explicar o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Ele segue, no dia seguinte, para reunião na OMC com ministros dos oito países mais ativos nas negociações da Rodada Doha.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

CÂMBIO FAVORÁVEL MELHORA VENDA DE MANUFATURADOS PARA UE E ARGENTINA
Publicado em 05/30/2016 as 02:35 PM

As vendas para argentinos e europeus puxaram a elevação de exportação de produtos industrializados brasileiros nos primeiros meses do ano. A quantidade de manufaturados embarcada para a Argentina cresceu 16% de janeiro a abril contra iguais meses de 2015. Para a União Europeia subiu 15,6%, taxa considerada surpreendente por analistas. Os embarques para as duas regiões cresceram acima da média de 12,1%. O país vizinho e a zona do euro respondem por 36% das exportações brasileiras de manufaturados. Os Estados Unidos são o destino que frustra as expectativas até o momento. O embarque de manufaturados aos americanos cresceu apenas 2,4% no mesmo período. Os dados foram levantados a pedido do Valor pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

A fabricante de máquinas Romi é uma das empresas que contabilizam maior volume de exportações. "A venda para a Europa este ano está crescendo mais do que para a América Latina e Estados Unidos", conta Cassiano Rosolen, presidente da companhia. Os europeus são os que mais se destacam este ano. Os pedidos dos americanos estão estáveis enquanto os países latino-americanos, avalia ele, estão sentindo os efeitos da crise brasileira em suas economias.

As exportações da Romi, diz Rosolen, avançaram de 65% das receitas da empresa no primeiro trimestre do ano passado para 79% neste ano. O efeito benéfico não se dá somente por conta do efeito favorável do câmbio. No mesmo período, as vendas da Romi em volume para o mercado externo cresceram 10%. Se o câmbio ajudar, diz o executivo, a empresa deve fechar o ano com alta no volume de embarques entre 10% e 15%. Rosolen destaca que os pedidos para o mercado externo dos produtos fabricados pela Romi no Brasil subiram 12% no primeiro trimestre.

Os embarques compensam em parte a redução das vendas no mercado doméstico, principalmente de máquinas, que pressionam o resultado da empresa para baixo. Nos três primeiros três meses a receita total da empresa no Brasil caiu 20,7%.

"As exportações são boa alternativa neste momento e mostram que foi acertada a decisão da empresa de se consolidar no mercado externo", diz Rosolen. Ele lembra que a medida foi tomada há três anos, quando o a taxa de câmbio ainda não era favorável à exportação. Para o executivo, a valorização recente do real ainda manteve o dólar em patamar favorável à exportação. "Um dólar a R$ 4,00 sem dúvida aumenta o apetite para a exportação", diz ele, mas a moeda em torno de R$ 3,50 e R$ 3,60 ainda torna possível a cobertura de custos que tem sofrido a pressão da inflação interna.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que a sustentabilidade do crescimento das quantidades embarcadas depende de um câmbio em torno de R$ 3,50. "Se o dólar ficar abaixo de R$ 3,40, a exportação já fica comprometida."
A elevação do quantum exportado pelo Brasil, porém, tem sido acompanhada pela redução de preços em dólar permitida pela taxa de câmbio, segundo dados da Funcex. No caso das exportações de manufaturados brasileiros para a zona do euro, os preços médios recuaram 11,3% de janeiro a abril enquanto que para a Argentina a redução foi de 11,7%. Para os EUA, os preços foram cortados em 7,4%. Na média do total dos manufaturados, os preços caíram 12,2%. A queda de preços, explica Castro, faz com que a receita gerada com a exportação não acompanhe a evolução do aumento da quantidade embarcada de manufaturados.

No caso da venda aos europeus e argentinos, diz André Mitidieri, economista da Funcex, a reação de preços e alta dos quantidades embarcadas de manufaturados permite inferir que houve algum ganho de receitas de exportação. De fato, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), em valor, as exportações de manufaturados à União Europeia e à Argentina cresceram no primeiro quadrimestre 1,76% e 2,22%, respectivamente. O valor exportado aos americanos caiu 5,2%, enquanto o total brasileiro de manufaturados recuou 1,8%.

Edgard Dutra, diretor comercial da Metalplan, fabricante de bens de capital, conta que os preços que têm praticado para o mercado externo tem oscilado conforme o preço do dólar. Durante o ano passado, conta, a empresa reduziu por duas vezes os preços praticados em dólar para seus clientes. Com isso conseguiu ampliar negociações com novos clientes. Neste ano, porém, a valorização do real nos últimos dois meses resultou numa elevação dos preços de exportação.

Apesar disso, as vendas para o exterior, cujo principal destino é a América Latina, têm sido um refresco para a empresa, embora não compense ainda a queda de vendas no mercado doméstico. De qualquer forma, para este ano, diz Dutra, a perspectiva é que os embarques ajudem o faturamento a crescer pelo menos 15%, após dois anos consecutivos de queda.

O esforço das empresas de exportar começa a aparecer nas estatísticas, mas há alguns passos para a consolidação do fenômeno, diz Castro. No caso dos argentinos, a elevação de vendas de manufaturados, diz é puxada pelos automóveis de passageiros. O embarque de veículos ao país vizinho somou US$ 1,05 bilhão de janeiro a abril, valor 47% maior que o exportado em iguais meses de 2015. Os automóveis representaram um quarto do total de produtos brasileiros vendidos à Argentina.

Outros manufaturados também conseguiram aproveitar o mercado argentino. No primeiro quadrimestre, a venda de calçados para o país vizinho somou pouco mais de 2 milhões de pares, um pouco mais que o dobro do embarcado em iguais meses do ano passado, segundo dados da Abicalçados, reúne as indústrias do setor. Os dados mostram que houve redução de preço, já que o valor cresceu bem menos, em 52%. Heitor Klein, presidente da entidade, prefere a cautela: "Parece que as exportações começam a se recuperar, mas é preciso acompanhar o desempenho dos próximos meses."

Lia Valls, professora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), compartilha da cautela de Klein. Para ela, o crescimento está se dando muito mais pela melhora nas condições de exportação, como a redução de licenças de importação. "É preciso lembrar que não há perspectivas de crescimento da economia argentina para este ano."

De qualquer forma, os calçadistas também comemoram elevação de exportação pra outros destinos. Para os americanos, por exemplo, as vendas somaram 4,5 milhões de pares, com alta de 22,1% no primeiro quadrimestre. Em valores, a exportação cresceu 17,5%. No total exportado pelo setor, porém, o desempenho foi bem mais modesto. O volume cresceu 2,7% e o valor caiu 4,6%.

No caso da União Europeia, diz Lia, a pauta é muito mais diversificada, mas os números do Mdic mostram que a elevação de exportação de manufaturados é ainda errática. Entre os itens dessa classe de produtos mais vendidos para a zona do euro estão suco de laranja, tubos de ferro e aço e itens hidráulicos como torneiras e válvulas tipo gaveta.

Na venda à UE, diz Castro, o aumento de volume parece ter acontecido por conta de vários itens que pesam bem menos que os produtos básico na pauta de exportação para a região. Por isso, diz o presidente da AEB, a dúvida é se os embarques foram somente pontuais ou se sustentarão ao longo do tempo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

COM PAGAMENTO E SEM DEMANDA, BNDES ENCOLHE
Publicado em 05/30/2016 as 02:34 PM

Com pagamento e sem demanda, BNDES encolhe  
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ter seu tamanho reduzido, na esteira da devolução antecipada de R$ 100 bilhões do banco ao Tesouro proposta na semana passada, mas também, pelo menos por enquanto, pela baixa demanda. Boa parte dos economistas considera que seja positivo ter um BNDES menor, no entanto, ainda existem divergências sobre qual seria o tamanho ideal do banco de fomento e como fazer a transição para um encolhimento mais expressivo dos desembolsos.

Com os pagamentos antecipados ao Tesouro, se não houver nenhum novo aporte, seria preciso se desfazer de ativos e readequar a estrutura de financiamentos a esta nova configuração, até por conta das regras, explica Sérgio Lazzarini, pesquisador do Insper especialista no estudo da eficiência de empresas e órgãos estatais. Na visão de Lazzarini e de outros economistas, como Carlos Kawall, economista-­chefe do Banco Safra, isso seria bastante positivo, porque o banco acabou ficando muito inchado nos últimos anos. "O ideal é que os desembolsos não ultrapassem 2% do PIB, algo como R$ 120 bilhões", diz o professor do Insper.  

Outros economistas como o ex­-secretário de Política Econômica Julio Gomes de Almeida, ou o presidente do Banco BRP, Nelson Rocha Augusto, avaliam que essa poderia ser uma redução muito radical. Para Almeida, em um momento no qual a retomada da confiança e dos investimentos pode estar próxima, o recurso do BNDES fará falta. Para Augusto, um nível razoável de empréstimos ficaria em R$ 170 bilhões, mas o mercado de capitais também está apto a voltar de maneira rápida para ajudar no financiamento de projetos.

Gomes de Almeida: “Esse dinheiro (antecipado ao tesouro) pode fazer falta”

No momento, no entanto, nem é preciso entrar em tanta polêmica. Não há demanda. Os empréstimos do BNDES despencaram quase 30% em 2015. Nas contas de Kawall, o empréstimo total de R$ 18 bilhões do BNDES no primeiro trimestre deste ano ­ uma redução de 46% em comparação aos R$ 33 bilhões emprestados no mesmo trimestre de 2015 ­ corresponde a um volume anualizado de apenas R$ 72 bilhões. "A demanda está desabando".  

Antes da crise financeira global em 2008, o Brasil passava por um momento de ouro no mercado de capitais, com um "boom" de operações de captação e lançamentos de ações na bolsa. Com isso, o volume de operações no mercado de capitais, apontado como a grande alternativa ao BNDES para financiar projetos de longo prazo no país, ultrapassou os desembolsos que eram feitos pelo banco de fomento (veja gráfico). Após a crise, o banco voltou a ter forte atuação, com novos aportes do Tesouro, e os desembolsos atingiram seu pico em 2013, com R$ 190 bilhões, sob críticas de ter desestimulado o mercado de capitais e de não ter, ainda assim, elevado a taxa de investimentos. O banco e os defensores desta política afirmam que sem a atuação do BNDES a taxa de investimentos teria sido ainda pior.

Kawall, que também foi secretário do Tesouro, diz que o banco tem que ter uma atuação mais comedida no crédito subsidiado, algo que, segundo o Valor apurou, é partilhado inclusive por diversos profissionais do próprio banco. E que o encolhimento do BNDES ajudaria o processo de redução da taxa Selic e de recuperação da confiança, com foco maior na estruturação de operações de infraestrutura e no financiamento da pequena e média empresa.

Já economistas mais ligados ao setor industrial, como Júlio Gomes de Almeida, avaliam que o momento não é o mais adequado. "É um dinheiro que pode fazer falta num momento em que podemos começar a ver uma retomada de investimentos", diz ele. Para Almeida, o ideal seria esperar para implementar essas antecipações de pagamento em um momento que se tivesse mais clareza de que as taxas de juros estão caindo. Este movimento, diz, ajudaria empresas e projetos a encontrarem mais fontes de recursos alternativas ao BNDES. "Recurso para longuíssimo prazo, como são os projetos de infraestrutura, ainda praticamente não tem no Brasil fora do banco", diz ele. O argumento também foi usado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em entrevista recente ao Valor.

É justamente o financiamento de longuíssimo prazo o foco mais adequado ao BNDES mais enxuto, diz o economista-­chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. "O prazo do setor bancário privado hoje é cinco anos e projetos de infraestrutura olham para horizonte muito além disso". Para Borges, a devolução antecipada de R$ 100 bilhões ao Tesouro certamente vai reduzir o potencial de financiamento em relação ao auge, quando emprestava quase R$ 200 bilhões por ano. O economista estima que hoje, só com recursos próprios, o BNDES tem uma capacidade de empréstimo de R$ 100 bilhões a R$ 120 bilhões por ano.

A medida divulgada, diz Borges, representa basicamente um encontro de contas entre BNDES e Tesouro, já que o banco tem R$ 90 bilhões em títulos do Tesouro. Ao receber R$ 100 bilhões do banco, o Tesouro cancelaria essa dívida. "No curto prazo, a operação não afeta tanto a capacidade de financiamento do banco, dado que existe ociosidade hoje no BNDES. De 2017 em diante, sem sombra de dúvida, a capacidade de desembolso vai ser reduzida pela metade, o que vai exigir uma mudança de foco do banco", diz Borges que vê como prioridade os setores de infraestrutura e inovação.

Para Nelson Rocha Augusto, do Banco Ribeirão Preto, não faltará doador de recurso no setor privado para projetos consistentes. "Tivemos algumas operações de captação recentemente que foram bem sucedidas, o mercado está precisando colocar o dinheiro para trabalhar, o próprio volume de investimento direto continua alto no país", avalia. Ele não acredita, contudo, que a redução do BNDES deva ser tão brutal e os desembolsos poderiam ficar na casa dos R$ 170 bilhões. "Em relação aos R$ 190 bilhões de 2013, considerando a inflação, é uma redução bem razoável", diz. O que ele não vê ainda, no entanto, é ânimo do empresário para retomar investimentos.

Pedro Jucá Maciel, assessor econômico do Senado, lembra que a operação com o Tesouro pode ter alguma restrição legal, baseada na Lei de Responsabilidade Fiscal, que veda ao governo receber antecipadamente recursos de empresas públicas nas quais é controlador. "O que está em avaliação é se título público emprestado pelo Tesouro ao BNDES é caracterizado como recebível ou não", diz Maciel. Segundo ele, cabe ao governo construir um argumento justificável. "Seria ótimo se conseguisse".
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

AÇÕES DE INFRAESTRUTURA TÊM POTENCIAL DE ALTA
Publicado em 05/30/2016 as 02:34 PM

A despeito da instabilidade dos primeiros dias do governo interino de Michel Temer, há quase um consenso entre os analistas de que os investimentos em infraestrutura devem se tornar prioritários neste governo. Depois de anos de investimento pífio no setor, a retomada pode começar agora e ganhar força no médio prazo, entre 12 e 24 meses. Com isso, as ações de companhias dos segmentos de construção civil, imobiliário e logística podem ser beneficiadas e ter valorização nos próximos meses.

A percepção dos investidores foi reforçada pela criação da Secretaria de Programas de Parcerias e Investimento, chefiada por Moreira Franco, que deve atuar com intensidade nos projetos de concessão. É uma medida importante já que entre os países emergentes, o investimento em infraestrutura do Brasil só é menor do que o da Argentina. Em 2013, o investimento como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 5,8%, recuando em 2014 e 2015. A previsão é que os recursos destinados ao setor mantenham dinâmica semelhante em 2016, voltando a ganhar terreno no ano que vem.      
A corretora Guide preparou um estudo sobre as ações com maior potencial de alta. São elas: CCR ON, Rumo Logística ON, Eztec ON, Gerdau PN e Mills ON. Na análise, a casa considerou a relação entre o preço atual do papel e o lucro estimado no curto prazo e comparou com dados históricos das empresas. A corretora não fez projeções de preço-­alvo para ações.

A Magliano Corretora também tem uma perspectiva positiva para o setor de infraestrutura nos próximos meses, mas considera que análises mais profundas sobre potencial de valorização das ações só podem ser feitas após o fim da interinidade do governo Temer. "É provável que investidores estrangeiros só ingressem no país para participar dos leilões de concessão após a saída definitiva da presidente afastada Dilma Rousseff do governo. Os investidores esperam por previsibilidade econômica", disse Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Corretora.

De acordo com o economista Ignácio Crespo, da Guide, a CCR tem fundamentos sólidos, é bem administrada e conta com forte geração de caixa no médio e longo prazos. A empresa foi vencedora em três projetos no ano passado: o aeroporto de Confins, a BR­163 em Mato Grosso do Sul e o metrô de Salvador. "Mesmo assim, continua com espaço no balanço para entrar em novos projetos", disse. Neste ano, as ações já subiram 24,44%.

O analista da Coinvalores Corretora, Felipe Silveira, também considera que a CCR é a melhor ação do setor. Entretanto, devido à volatilidade recente do mercado de ações, a corretora está realivando o preço-­alvo do papel. Na sexta­-feira, as ações da CCR eram negociadas a R$ 15,32.

As ações da Rumo Logística, que já caíram 28,21% neste ano, são recomendadas por Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide. "O papel é atrativo porque com o aquecimento da economia deve haver aumento das safras de milho, açúcar e soja, aumentando a receita para empresa. A Rumo é prestadora de serviços ferroviários e, recentemente, passou por uma fusão com a ALL Logística. A companhia anunciou uma captação de recursos no valor de R$ 2,6 bilhões.

No setor imobiliário, a possível queda da taxa básica de juros da economia, que está em 14,25% ao ano, a partir do segundo semestre deve favorecer o segmento de compra de imóveis novos. "A melhor empresa é a Eztec, que tem uma estrutura bastante eficiente", disse Raphael Ohmachi, analista da Guide. Os papéis da construtora Eztec já subiram 36,53% neste ano.

A companhia é a sensação do setor. "A Eztec não tem endividamento, usa caixa próprio e tem margens superiores aos seus pares", disse Adeodato Volpi Netto, diretor da Eleven Research. No ano passado, por exemplo, a empresa teve retorno sobre patrimônio de 18%, acima dos seus concorrentes.

A opinião é compartilhada por Silveira, da Coinvalores. "Acreditamos que o papel vai começar a ter um desempenho positivo a partir de 2018 com a recuperação da renda e também do setor de construção", disse.

Outro destaque com potencial de valorização são os papéis da Gerdau, cujas ações já subiram 22,37% desde janeiro. A empresa é a única produtora de aços longos no país, usados na construção civil. "A construção civil vai se fortalecer mais rápido que os demais setores devido à recuperação da confiança", disse Adeodato, diretor da Eleven Research. A Gerdau, entretanto, é investigada pela Política Federal na Operação Zelotes. A companhia é acusada de sonegar R$ 1,5 bilhão. A empresa nega as acusações.

Outro papel com chance de valorização é o da Mills, companhia de produtos e serviços de engenharia, que já acumula alta de 68,42% no ano. "O potencial de retorno é alto, mas o risco também é elevado porque praticamente todos os clientes da companhia estão envolvidos na Lava­-Jato", disse Pereira.

A favor dos investimentos em infraestrutura também está uma possível retomada do PIL (Programa de Investimento em Logística), lançado em 2015, com valor de R$ 198 bilhões, equivalente a 0,8% do PIB. O programa tinha como objetivo incentivar o desenvolvimento da infraestrutura no país e, segundo analistas, poderia ser recuperado pelo governo interino de Temer.
Fonte : Valor Econômico
Data : 30/05/2016

CENTRO DE LAZER
Publicado em 05/30/2016 as 02:33 PM

À BEIRA DA BAÍA Mais um trecho da Orla Luiz Paulo Conde, entre a Praça Quinze e o Museu Histórico Nacional, é inaugurado e muda paisagem antes dominada pelo Elevado da Perimetral

Novo trecho da Orla Conde, no Centro do Rio, inaugurado ontem: arborizada, área de lazer revela ângulos diferentes de prédios históricos e da Baía de Guanabara. Com um novo Centro à vista, os cariocas puderam redescobrir ontem mais um pedaço do coração da cidade, desta vez em um ponto entre a Praça Quinze e o Museu Histórico Nacional. Menosprezado e cinzento nos tempos da Perimetral e, durante meses, fechado para obras, o trecho de 777 metros de extensão à beira da Baía de Guanabara agora tem áreas verdes, bancos de madeira e caminho livre para pedestres e ciclistas diante de prédios históricos da região.

Revitalização. Vista da Praça Marechal Câmara no Ancoramar: Área de lazer fica perto da estação das barcas

A área revitalizada, parte da Orla Luiz Paulo Conde, foi inaugurada pelo prefeito Eduardo Paes. Cruza a Praça Marechal Âncora, que abriga o restaurante Ancoramar (antigo Albamar), e vai até a Praça da Misericórdia, com uma passagem subterrânea que integra os dois espaços.

— É uma parte fantástica da cidade. Queremos que os cariocas venham aqui, pois perdemos esse hábito de frequentar o Centro, olhar para sua história — disse Paes, que explicou porque ainda havia alguns tapumes no caminho. — São do Túnel Marcello Alencar, que deve ficar pronto daqui a duas ou três semanas — afirmou o prefeito, que chamou a nova via de um alívio ao trânsito da Avenida Passos e dos túneis Rebouças e Santa Bárbara.

Com o trecho entregue ontem já são 2.677 metros da Orla Conde abertos — de um total de 3,5 quilômetros e nove praças. As próximas áreas a ficarem prontas, afirmou a prefeitura, serão a Praça da Candelária e a parte do boulevard do Porto entre os armazéns 6 e 8. Nos Jogos do Rio, lembrou o prefeito, o lugar vai receber uma pira olímpica.

— Essa orla será um grande espaço olímpico da cidade. Vai ser a primeira vez que a pira (depois de acesa na cerimônia de abertura no Maracanã) não ficará fechada dentro de um estádio — contou Paes. TEMOR QUANTO À SEGURANÇA Nas praças reabertas ontem, no entanto, os elogios dos visitantes vieram acompanhados de preocupações com a segurança no local. Receio manifestado, por exemplo, pela professora de música Helena Silva:

— Achei o lugar tudo de bom. Mas espero que não fique cheio de camelôs e que deem segurança para as pessoas poderem desfrutá-lo, porque está sem proteção.

Para a administradora de imóveis Mônica Vasconcelos, a falta de policiamento pode prejudicar a proposta da nova orla.

— Vai ser um espaço para marginais se não tiver policiamento — disse ela.

Até Paes ressaltou que a polícia precisa estar mais presente na área perto da estação das barcas:

— A prefeitura está cumprindo sua parte, urbanizando, pondo iluminação... Nós confiamos na polícia para agir e impedir que este seja um espaço que espante as pessoas. Quanto mais gente, menor o problema com a violência.

Conforme O GLOBO adiantou, o governo do estado vai adotar no Centro, a partir do dia 1º de julho, o modelo de policiamento em parceria com a iniciativa privada que já funciona em pontos como o Aterro. A Operação Centro Presente será apresentada hoje pela Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos e pela Fecomércio-RJ. O reforço na segurança da região deve contar com 522 PMs.
Fonte : O Globo
Data : 30/05/2016

MERCADO À ESPERA DA POSSE DO PRESIDENTE DA PETROBRAS
Publicado em 05/30/2016 as 02:33 PM

Para analistas, ação só deve se recuperar se Pedro Parente ampliar venda de ativos e reduzir dívida

Pedro Parente, que deve assumir a presidência da Petrobras amanhã, chega ao topo da estatal com o beneplácito do mercado financeiro graças a seu currículo e à promessa de acabar com indicações políticas na empresa. Mas analistas que acompanham a companhia afirmam que sua experiência e bom trânsito com o novo governo, apesar de bem-vindos, não garantem a tão sonhada recuperação da petrolífera na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Continuam sendo raros os bancos e corretoras com recomendação de compra para os papéis da Petrobras, devido, sobretudo, ao alto endividamento da companhia e a sua dificuldade em vender ativos, em um cenário de baixo preço do petróleo.

Desde que o engenheiro e ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso foi confirmado como presidente da Petrobras, no dia 19, a reação das ações da estatal não tem sido efusiva. O papel preferencial (PN, sem direito a voto) acumula baixa de 11,69%, enquanto o índice de referência Ibovespa recuou 2,98% no mesmo período. Comportamento muito diferente do salto de 15,5% registrado no pregão de 3 de fevereiro do ano passado, quando foi acertada a saída de Graça Foster do comando da petrolífera. MISSÕES URGENTES A CUMPRIR Parte da repercussão amena ao nome de Parente está no fato de que os investidores, em sua maioria, aprovam a gestão de seu antecessor, Aldemir Bendine. Embora achem que a saída de Bendine seja natural, dada sua ligação com a equipe da presidente afastada, Dilma Rousseff, os analistas apostam que o novo presidente seguirá as mesmas diretrizes, tornando pouco provável o desvio de rota na gestão da Petrobras.

— Não esperamos nenhuma mudança muito importante na gestão da empresa com a posse de Pedro Parente. Até porque o trabalho de Bendine tem sido bastante satisfatório, uma vez que ele conseguiu aprovar as contas referentes a 2014 e tem tido sucesso em seu plano de corte de despesas — avalia Phillip Soares, analista da corretora Ativa Investimentos. — Ele também implementou um importante programa de liquidação de ativos, embora não tenha obtido muito resultado nessa parte.
Entre oito analistas monitorados pela Bloomberg que divulgaram relatórios sobre a Petrobras em maio, cinco recomendam a manutenção das ações preferenciais, e três aconselham a venda. Nenhum tem recomendação de compra. A julgar por essas avaliações, quem espera ganhar dinheiro com as ações da Petrobras terá de ter (ainda mais) paciência. As mudanças necessárias, de acordo com os especialistas, demandam tempo, por se tratar de reformas estruturais na empresa. O cenário também depende das condições do mercado global de petróleo.

Isso não quer dizer que Parente não tenha missões urgentes a cumprir. Assim como Soares, da Ativa, a maioria dos analistas de bancos e corretoras concorda que o plano de desinvestimento de Bendine precisa ser ampliado e acelerado. Com a venda de negócios na Argentina e no Chile no início do mês, a Petrobras levantou US$ 1,38 bilhão. Mas seu último Plano de Negócios, que vai até 2019, prevê que a estatal obterá receita de US$ 14,4 bilhões apenas este ano com a venda dos ativos. MUDANÇA NA POLÍTICA DE PREÇOS Segundo Soares, Parente precisa focar seus esforços de venda nas áreas de refino e distribuição. Ele citou como essencial a venda do controle da BR Distribuidora, que foi avaliada em US$ 10 bilhões em 2015 por analistas do banco UBS. Só que o analista admite que o movimento precisa de vontade política — sob Dilma, o governo era contrário à privatização da subsidiária de postos de gasolina. Até o momento, a Petrobras tem procurado, sem sucesso, investidores interessados em adquirir apenas uma parcela da BR, sem abrir mão do controle.

— A venda de ativos precisa ser intensificada, seria algo que Parente teria de fazer — diz Luana Siegfried, analista de energia da empresa de serviços financeiros Raymond James no Texas (EUA), que acha que o novo presidente pode contribuir mais em outra frente. — Ele vai focar na eficiência da empresa. Por ter uma postura mais independente do governo do que os presidentes anteriores, talvez ele possa ser mais agressivo no corte das metas de produção e de investimento da Petrobras.

A analista da Raymond James “não considera mais realista” a meta de produção da Petrobras para 2020, de 2,8 milhões de barris por dia (considerando apenas a produção no Brasil), e espera que o novo plano de negócios traga cortes no número.

Esses cortes são necessários para que a empresa reduza sua dívida, considerada a maior do mundo no setor de petróleo. Embora a valorização do real no primeiro trimestre tenha conseguido diminuir em R$ 42,8 bilhões a dívida bruta, a Petrobras ainda deve na praça R$ 450 bilhões. A geração de caixa da estatal levaria hoje cinco anos para quitar todos esses débitos, o dobro do tempo considerado confortável.

Sérgio Tamashiro, analista do banco Haitong, espera que Parente convença o governo a adotar uma política de preços de combustíveis que seja vantajosa para a empresa. Segundo Tamashiro, apesar de a cotação internacional do petróleo estar em patamar historicamente baixo, a gasolina vendida no Brasil já está 5% mais barata do que no exterior (embora o diesel seja 25% mais caro aqui).

— Ele poderia maximizar os preços domésticos, adotando uma política para fazer caixa e reduzir o endividamento da empresa. A Petrobras não precisa ter uma regra escrita que atrele seus preços ao internacional. Além disso, não vemos problema algum em que ela cobre 30% a mais do que lá fora, uma vez que isso é comum em vários setores — afirma Tamashiro. — O problema é que não dá para saber se o governo vai fazer isso. Além disso, pode-se decidir fazer um aumento via impostos, que é a Cide. Isso só beneficia o governo e seria ruim para a empresa.

No que diz respeito às ações, alguns analistas argumentam que há possibilidade de desvalorização a curto prazo, pelo fato de o papel ter saltado 22,83% no ano.

— Interpretamos que as altas estavam sendo influenciadas pela conjuntura política. No fim, achamos que não foi muito merecido. Agora que o cenário político já está mais estabelecido, achamos que não existe mais força para que ela suba. Tudo vai depender agora da eficiência da empresa e da evolução de sua dívida — afirma Luana, cuja recomendação para a Petrobras é de venda.

Em relatório publicado na semana passada, o analista Luiz Francisco Caetano, da corretora Planner, destacou esse mesmo ponto. Além disso, em relação a Parente, escreveu que “uma troca de diretoria, por si só, não trará mudanças significativas na empresa no curto prazo.”
Fonte : O Globo
Data : 30/05/2016

PARA ECONOMISTAS, BC DEVE MANTER META DA INFLAÇÃO EM 4,5%
Publicado em 05/30/2016 as 02:33 PM

Mudança pode frustrar expectativa do mercado e afastar retomada econômica

O dilema entre os juros baixos e a vigilância da inflação traz um desafio ao Conselho Monetário Nacional (CMN), que, na sua próxima reunião, em junho, vai definir a meta para a inflação de 2018 e pode alterar a de 2017, que está em 4,5%, podendo chegar a 6%. Mas, para a maioria dos economistas, a tendência é que as taxas a serem buscadas sejam mantidas, para que não se frustrem as expectativas do mercado ou esfriem a tão esperada retomada da economia, forçando uma queda maior nos juros.

O economista da Uerj Luiz Fernando de Paula explica que uma meta maior que a atual daria mais espaço para se acomodarem choques e pressões inflacionárias, enquanto que uma meta menor mostraria um comprometimento maior do governo com uma inflação baixa — o que, em tese, ancoraria as expectativas inflacionárias e, se bem sucedido, permitiria reduzir a taxa real de juros. No entanto, acredita que a tendência é manter a meta de 4,5% para 2018:

— Forçar uma desinflação maior implicaria, possivelmente, numa redução futura menor na taxa de juros, o que arrefeceria a retomada de crescimento do país.

CORTES AINDA VÃO DEMORAR

Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, considera “muito difícil” uma mudança no regime de metas.

— Se o BC tentar mostrar para o mercado que vai aceitar uma inflação maior para reduzir os juros, vai criar uma reação muito negativa — afirma Velho.

Ele acrescenta que o mercado já prevê um cenário com juros mais baixos, tanto no curto prazo quanto no longo. O mais recente boletim Focus projeta que a Taxa Selic chegará ao fim de 2016 em 12,75% ao ano — 1,5 ponto percentual a menos que os atuais 14,25%. Já para a inflação de 2017, a expectativa é de 5,5%, acima do centro da meta prometido pelo BC.

Eduardo Loyo, economista-chefe do BTG Pactual e ex-diretor do BC, também aposta em uma saída sem a necessidade de alterar a meta de inflação, mas com uma mudança na comunicação do BC, alterando o prazo para atingi-la. Hoje, a autoridade monetária, ainda sob a gestão de Alexandre Tombini, persegue uma inflação de 4,5% já em 2017. No seminário sobre metas de inflação, no dia 20, Loyo sugeriu que o prazo poderia ser alterado:

— Mirar convergências em prazos diferentes. Acho que essa pergunta, essa decisão, só poderá ser tomada pelo Banco Central no momento que for de fato essencial para justificar uma redução de juros, e caso essa redução não seja compatível com chegar aos 4,5% no ano que vem.

Para o economista José Julio Senna, da FGV, uma opção para lidar com o dilema entre juros baixos e inflação pode ser a alteração da meta de 2017 na próxima reunião do CMN. O especialista não tem os cálculos de qual número seria viável, mas diz que o BC poderia tentar uma meta maior que os 4,5% para o ano que vem e, para amenizar os efeitos sobre as expectativas, propor uma referência menor para 2018.

Essa não seria a primeira vez que a autoridade monetária trabalharia com um ajuste de rota. O BC estabeleceu metas ajustadas para 2003 e 2004, após a inflação ultrapassar o limite de tolerância em 2002 — o IPCA fechou em 12,53%, bem acima ao teto da meta na época: 5,5%. Senna admite que o modelo não é comum, mas esta é uma situação atípica, na qual a renda per capita cai 10% em dois anos.

Mas Velho lembra, ainda, que os cortes nos juros devem demorar.
Fonte : O Globo
Data : 30/05/2016

GOVERNO DE SC ESTUDA UNIFICAR GESTÃO DE PORTOS PÚBLICOS
Publicado em 05/27/2016 as 01:36 PM

Em apresentação de resultados e perspectivas para o Porto de Imbituba, ontem, o governador Raimundo Colombo informou que o Estado, por meio da SCPar, estuda a unificação da gestão dos dois portos com administração estadual - Imbituba e São Francisco do Sul - e uma atuação conjunta junto a clientes na oferta dos serviços portuários do Estado pelos cinco terminais catarinenses. Segundo Colombo, a SCPar já está fazendo avaliações porque as gestões independentes de hoje encarecem os serviços. O governo centraliza a autoridade portuária, o que permitiria uma estratégia coordenada visando melhores resultados aos clientes e uso das estruturas com base nas necessidades de cada um.

– Não adianta só o Porto de Imbituba ir bem ou o de São Francisco. Queremos uma estrutura organizada entre todos eles. O Estado não exerce essa autoridade que tem no setor. Queremos apresentar Santa Catarina não apenas pelos dois portos públicos, mas por todos, num trabalho de atração conjunta – comentou o governador, ao observar que no caso dos privados o governo exerceria mais uma atividade de integração.

O presidente da SCPar, Paulo Costa (E), que está à frente desse trabalho, explica que o governador quer centralizar as autoridades portuárias para promover a sinergia entre os terminais e uma atuação mais colaborativa no futuro.

Com 17 metros de profundidade no canal de acesso e 15 metros nos dois principais berços, o Porto de Imbituba é o que tem as melhores condições para receber grandes navios na Região Sul do Brasil. Por isso, foi apontado no último masterplan (plano estratégico de investimentos) como o futuro Hub portuário do Sul. Segundo Colombo, em cerca de 10 anos, o terminal será o principal do Sul do país pelas suas condições de navegação e pela série de investimentos que está recebendo. Um dos principais gargalos, o acesso rodoviário a partir da BR-101, será resolvido em breve. Uma nova rodovia será feita com recursos do Estado, do município e do porto.
Fonte : Portos e Navios
Data : 27/05/2016

RECEITA POR CONTÊINER TRANSPORTADO CAI NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Publicado em 05/27/2016 as 01:35 PM

SÃO PAULO - Os maiores armadores de contêineres do mundo continuaram enfrentando redução dos valores de fretes marítimos no primeiro trimestre de 2016. A receita por Teu (contêiner padrão de 20 pés) da Maersk Line, por exemplo, maior transportadora marítima do mundo, saiu de US$ 1,417 mil de janeiro a março de 2015 para US$ 1,053 mil no mesmo intervalo deste ano.

A receita por Teu da CMA CGM caiu de US$ 1,297 mil no primeiro trimestre de 2015 para US$ 1,068 mil.

Na Hapag Lloyd, a queda na mesma base de comparação foi de R$ 1,410 mil para US$ 1,207 mil. Em todos os casos a receita por Teu no primeiro trimestre de 2014 foi maior que em 2015. Na Hanjin a receita por Teu foi de US$ 1,648 mil em 2015 para US$ 1,187 mil em 2016.

A derrubada dos fretes deriva do excesso de capacidade ociosa no transporte marítimo, após a corrida da indústria da navegação por navios cada vez maiores, muitos dos quais saíram dos estaleiros num cenário de queda de demanda de volumes de alguns mercados — como, mas não apenas, o do Brasil.
Fonte : Portos e Navios
Data : 27/05/2016

PORTO ORGANIZADO DE MACEIÓ GANHARÁ NOVO TRAÇADO
Publicado em 05/27/2016 as 01:34 PM

A área do Porto de Maceió receberá um novo desenho. A audiência pública sobre a proposta da linha que delimita o porto organizado, chamado de poligonal, foi realizada nesta terça-feira, 24/5, no auditório da Administração do Porto de Maceió (APMC), na capital de Alagoas.
A Secretaria de Portos do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil continua recebendo, por e-mail, sugestões e comentários sobre o tema até 16/6. As contribuições da consulta pública para o Porto de Maceió deverão ser enviadas para o endereço eletrônico poligonais.maceio@portosdobrasil.gov.br.

A delimitação da área pública do porto, pela linha chamada de poligonal, dá segurança jurídica a potenciais investidores. Nesse sentido, a definição abre caminho para investimentos em infraestrutura portuária na região.

A proposta do novo traçado e os elementos que a fundamentaram estão no processo 00045.000635/2016-66, cuja cópia está disponível no site da Secretaria de Portos (www.portosdobrasil.gov.br) nos links Assuntos-Gestão-Poligonais. As respostas devem ser divulgadas em 18/7.
Fonte : Portos e Navios
Data : 27/05/2016

RONDÔNIA TERÁ NAVIO PARA ATENDER COSTA BRASILEIRA E A ARGENTINA
Publicado em 05/27/2016 as 01:34 PM

Foi anunciado na 5ª Rondônia Rural Show, durante o Fórum de Logística da Amazônia, uma logística intermodal de transporte de produtos por um serviço semanal de cabotagem que vai conectar o porto de Porto Velho ao porto de Manaus seguindo uma rota que cruzará toda a costa brasileira, tendo como destino final Buenos Aires, na Argentina.

A notícia foi divulgada após a formalização de uma parceria envolvendo a Operadora Portuária SC Transportes de Porto Velho e a Log-In Logística Intermodal, que possui uma rede integrada de movimentação portuária por uma extensa malha intermodal com abrangência geográfica com todo o Brasil e o Mercosul.

Com essa rota, produtos de Rondônia poderão ser transportados através de balsas pela Hidrovia do Madeira até Manaus, de onde partirá um navio semanalmente com destino a Belém-PA, porto de Suape em Recife-PE, Fortaleza-CE, Salvador-BA, Rio de Janeiro - RJ, Santos-SP, Paranaguá-PR, Itajaí-SC, Rio Grande do Sul-RS e, por último, Buenos Aires.

O anúncio do serviço intermodal foi feito pelo diretor da SC Transportes Gilberto Maciel e pelos representantes da Log-In em Manaus, o diretor comercial Igor Teles, que é coordenador comercial para as regiões Norte e Nordeste, o gerente geral de operações Silvio Machado e o responsável comercial regional Leyson Nascimento.

Gilberto Maciel da SC explicou que, por essa rota semanalmente o frigorífico de peixes Zaltana Pescados, localizado em Ariquemes, vai enviar o pescado (tambaqui, pintado e pirarucu) para o Centro Sul do país, para abastecer as redes de supermercados dos grupos Pão de Açúcar e Wal-Mart; a Brazil Manganese Corporation (BMC) utilizará o serviço intermodal para enviar produtos de manganês extraídos das minas de Jaburi e Rio Madeira, próximas a Espigão d’Oeste para metalúrgicas em São Paulo e Salvador.

Segundo Gilberto Maciel, na volta do navio a parceria SC com a Log-In vai explorar o transporte de cargas para empresas de Rondônia que vão utilizar esse serviço para ter uma redução de custo significativa. A indústria de suplementos minerais Big Sal, de Ji-Paraná, está em negociação para utilizar o meio de transporte intermodal para trazer cargas de sal, e reduzirá no mínimo 70% do custo que atualmente é feito por transporte rodoviário, com carretas.

Os diretores das duas companhias se reuniram com o vice-governador Daniel Pereira e com Leudo Buriti, presidente da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH), e deram detalhes da nova rota de transporte hidroviário de produtos de Rondônia pela Costa Brasileira e o Mercosul.
Fonte : Portos e Navios
Data : 27/05/2016

CAPIXABAS TAMBÉM IMPORTAM MILHO
Publicado em 05/27/2016 as 01:34 PM

Depois que grandes empresas como a BRF e a JBS recorreram à importação de volumes significativos de milho para compensar a escassez doméstica, indústrias processadoras de carnes e criadores de frango e suínos do Espírito Santo fecharam nos últimos dias 17 contratos para a compra de aproximadamente 25 mil toneladas do cereal da Argentina.

A valorização do milho no mercado interno ­ reflexo da oferta reduzida e das exportações aquecidas ­ vem achatando as margens das companhias do segmento de carnes de vários Estados do país. E as empresas e granjas capixabas estão entre as mais prejudicadas, já que dependem do cereal produzido em outros Estados e regiões do país, como Mato Grosso, Goiás e Triângulo Mineiro.

Para facilitar a importação do produto, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, sancionou no dia 20 de maio uma lei que zera por seis meses o ICMS incidente nas importações do cereal. Durante esse período, o governo do Estado estima que o volume de milho proveniente de outros países poderá alcançar de 150 mil a 200 mil toneladas.

O secretário de Agricultura local, Octaciano Neto, explicou que a legislação estadual previa a cobrança de uma alíquota de 12% para cargas de milho importado de qualquer país. Mas a arrecadação que poderia vir desse comércio nunca se concretizou, pois não havia demanda da cadeia produtiva da avicultura e suinocultura para importar milho de outros países.

"Como os empresários precisam importar, o governo até poderia começar a arrecadar mais ICMS. Mas se fizéssemos isso produtores e indústria continuariam trazendo milho de outros Estados, o que na prática é mais caro do que comprar da Argentina", afirmou Neto.

Segundo o secretário, o milho proveniente de outros Estados tem chegado ao Espírito Santo por até R$ 60 por saca. O valor é elevado por conta do frete. O transporte rodoviário de uma saca de milho de Mato Grosso ao Espírito Santo custa entre R$ 15 e R$ 20. Já o frete do produto argentino sai por R$ 6 por saca, sendo que metade desse valor se refere ao frete de navio do país vizinho até o porto de Vitória e os outros R$ 3, ao transporte até as granjas. Assim, apesar de o milho argentino (que sai por cerca de R$ 40 por saca) ser mais caro que produto de Mato Grosso (R$ 37), ele está mais competitivo.

Na quarta­-feira, o Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) autorizou que a Conab venda em balcão até 160 mil toneladas de milho de seus estoques, numa medida para tentar minimizar a escassez do cereal. O preço para liberação desses estoques será de R$ 17,50 a saca para o produto de Mato Grosso.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

CARGILL TENTA DIMINUIR DEPENDÊNCIA DA COMERCIALIZAÇÃO DE COMMODITIES
Publicado em 05/27/2016 as 01:33 PM

A maior empresa de agronegócios do mundo vem dando passos para se "descommoditizar". Esse foi o termo usado por um alto executivo da americana Cargill ao descrever como a mudança nas preferências alimentares dos consumidores vem modificando a estratégia da companhia.

O termo choca, porque há um século e meio a Cargill é conhecida como a mais pura essência da comercialização de commodities, negociando rios e mais rios de grãos, oleaginosas, açúcar e outros gêneros alimentícios.

A Cargill, no entanto, passou a ajustar sua cadeia de suprimentos de produtos a granel diante do crescente número de consumidores que querem alimentos produzidos de acordo com certos padrões sociais e ambientais ou alimentos naturais que cumpram algumas condições, como a ausência de transgênicos.

A empresa criou um xarope de milho livre de transgênicos para atender um cliente no ramo de doces, segundo o balanço anual da firma. Na semana passada, o diretor de finanças da Cargill, Marcel Smits, explicou em Nova York que a empresa dedicou uma fábrica inteira para fazer o produto, cujo volume já representa 10% do total de sua produção de xarope de milho.

"Se as pessoas pedem uma versão transgênica e outra não transgênica, inicialmente pensamos e dizemos: 'Ah, isso vai ser complicado, porque temos que manter nossos grãos separados, em silos separados'", disse Smits, na conferência "Farm to Market", da BMO. "Se pensamos um pouco mais, dizemos: 'Ah, isso na verdade é interessante porque vai descommoditizar nosso negócio'".

A Cargill é uma das maiores produtoras de carne bovina na América do Norte. Produz quase 3,6 milhões de toneladas de carne bovina embalada e de derivados por ano, de acordo com o site da empresa. Atualmente, é capaz de manter esse tipo de separação "na carne de 20 animais durante todo o processo até a embalagem [final]".

Por definição, essa fragmentação encolhe as economias de escala possíveis quando se lida com grandes volumes de commodities. Construir silos separados de grãos aumenta os custos.

Smits disse, contudo, que negócios especializados, como o xarope de milho sem transgênicos, também trazem margens de lucro maiores. "A fragmentação de nosso setor está descommoditizando as cadeias de abastecimento agrícolas. Isso não vai mudar. A propósito, isso é realmente uma boa notícia para a Cargill", disse.

Naturalmente, a Cargill há muito tem operações fora da esfera das commodities. A divisão de "química verde" da empresa fabrica polímeros e polióis à base de soja, usados, por exemplo, na espuma de travesseiros, e formula produtos especiais derivados de ovos, usados em redes de lanchonetes. Também continua desenvolvendo seu negócio principal, de comercialização de commodities, tendo investido, por exemplo, em um porto para grãos na Ucrânia, neste ano.

Em tempos de excesso de oferta e queda de lucros na comercialização de grãos, não é de surpreender que a Cargill e outras grandes do setor falem em linhas de produtos fora do mundo das commodities.

A ADM, por exemplo, comprou em 2014 a Wild Flavors, uma empresa de bebidas saborizadas e alimentos especiais, por € 2,3 bilhões. A Bunge, que também fabrica alimentos e comercializa grãos e oleaginosas, quer que as operações de valor agregado representem 35% de seu lucro antes de juros, impostos e depreciação, em comparação aos 15% de 2015. (Tradução de Sabino Ahumada).
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

EMBARQUE DEVE SUBIR 12% NESTA SAFRA, DIZ CONSULTORIA
Publicado em 05/27/2016 as 01:33 PM

A perspectiva de aumento da produção de açúcar no Centro­-Sul e a escassez global da commodity prometem abrir alas para as exportações brasileiras nesta safra. A consultoria Datagro estima que o Brasil exportará 27 milhões de toneladas de açúcar na temporada atual (2016/17), um crescimento de 12,5% sobre a temporada anterior, quando 24 milhões de toneladas de açúcar saíram do país.

De acordo com Plinio Nastari, presidente da Datagro, a redução da produção no Sudeste Asiático tem colaborado para manter a demanda firme pelo açúcar brasileiro (ver a reportagem Países da Ásia vêm ao Brasil buscar açúcar)

Além disso, também há possibilidade de a Europa importar açúcar, ainda que em volume limitado, para recuperar seus níveis de estoques. A expectativa é que a Comissão Europeia aprove um leilão para permitir importações de 300 mil a 400 mil toneladas.

Mas o cenário para a participação do Brasil no mercado internacional não é de ascensão contínua. Ainda que a produção da Tailândia não se recupere na próxima temporada, o país tem ampliado o plantio de cana-­de­-açúcar sobre lavouras de arroz, o que deverá aumentar a produção no médio prazo. Esse incremento da produção seria estimulado por subsídios, segundo o Brasil, o que levou o país a abrir uma reclamação contra a Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Brasil também deve perder mercado com o início da vigência da Parceria Transpacífica (TPP), que prevê redução de tarifas de importação entre os 12 países signatários. "A Tailândia deve ter acesso preferencial a esses mercados, deslocando para si a exportação do Brasil", avaliou Nastari.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

PAÍSES DA ÁSIA VÊM AO BRASIL BUSCAR AÇÚCAR
Publicado em 05/27/2016 as 01:33 PM

Países do Sudeste Asiático estão recorrendo ao açúcar brasileiro para escapar de um aperto na oferta da região, provocado tanto pela quebra de safra em importantes polos produtores e exportadores quanto pelo contrabando da commodity para a China.

Recentemente, navios com bandeiras de tradicionais importadores de açúcar da Tailândia nesta época do ano ­ como Malásia, Bangladesh e Indonésia ­ encostaram nos portos brasileiros à espera de carregamentos do produto. Até a Índia, que chegou a exportar açúcar no ano passado, teve que recorrer ao Brasil.          
A demanda do Sudeste Asiático pelo açúcar brasileiro tem chamado a atenção desde fevereiro, quando o Centro­-Sul ainda estava na entressafra. Entre aquele mês e abril, os embarques nacionais para e região somaram 367 mil toneladas, 87% mais do que o volume médio exportado nesse período nos últimos três anos, de acordo com levantamento feito pela consultoria FCStone a pedido do Valor.

Considerando os preços médios de exportação do açúcar bruto nesse período indicados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), esses embarques representaram uma receita superior a US$ 107 milhões.

Embora o volume movimentado ainda seja pequeno frente ao que o Brasil deve exportar nesta safra, esse crescimento foi possível porque o açúcar brasileiro se tornou uma alternativa mais barata que o produto tailandês. A Tailândia é o segundo maior exportador global de açúcar, atrás do Brasil, e está mais perto desses centros consumidores. Mas o produto que circula em seus portos está sendo negociado com prêmios elevados.      

Segundo a FCStone, o açúcar tailandês de alta polarização (HP) é negociado com um prêmio de 126 pontos sobre o contrato de açúcar demerara com vencimento em julho na bolsa de Nova York. Ontem, esses papéis fecharam cotados a 17,42 centavos de dólar a libra-­peso. Nas últimas duas safras, o prêmio cobrado nesta época do ano oscilou entre 20 e 30 pontos.

Já no porto de Santos, por onde é escoado 80% do açúcar exportado pelo Brasil, o açúcar VHP (polarização muito alta) é negociado, desde março, com desconto de 10 a 20 pontos em relação ao mesmo contrato na bolsa americana.

"O preço alto na Tailândia tem direcionado a demanda global para o Brasil", afirmou João Botelho, analista da FCStone. O diferencial é tamanho que mesmo países que têm vantagem tarifária para importar açúcar tailandês, como é o caso da Indonésia, estão direcionando seus navios ao Brasil.      

Um dos motivos para a elevação dos preços da commodity na Tailândia é a quebra da safra local, estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 10% no atual ciclo 2015/16 ­ para 9,74 milhões de toneladas ­, após uma forte seca no ano passado. Mas o próprio órgão prevê que os embarques do país não serão afetados, projetando um aumento de 6%, para 8,8 milhões de toneladas. Mesmo assim, a menor oferta tem encarecido o produto para o exterior.

Outra razão é a sangria provocada pelo aumento do contrabando de açúcar para a China neste ano ­ que pode ter chegado a cerca de 1,2 milhão de toneladas do comércio global nas contas de Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Em 2015, o governo chinês passou a regular a liberação de licenças de importação de açúcar, retirando a automaticidade do processo justamente em um momento de quebra de safra no país. Como uma quantidade elevada de açúcar que as refinarias já tinham contratado ficou parada no porto, "os comerciantes de Mianmar começaram a comprar da Índia e da Tailândia para colocar o produto ilegalmente na China [por terra] entre os meses de janeiro e março", disse Botelho.

A Tailândia chegou a exportar, apenas por navio, quatro vezes mais açúcar para Mianmar durante seu período de safra (de novembro do ano passado a março deste ano). O volume, de 356 mil toneladas, porém, indica apenas uma parcela do que pode ter sido contrabandeado à China via Mianmar, uma vez que não há registros da quantidade exportada por terra.

A Índia chegou a responder por um volume bem maior exportado para Mianmar, com 958,3 mil toneladas embarcadas entre seu período de safra (de outubro a fevereiro), contra apenas mil toneladas enviadas ao país vizinho no mesmo período da safra anterior.

Parte desse açúcar foi originada inclusive no Brasil, uma vez que a produção indiana também foi afetada pela seca, segundo o analista da FCStone. O Brasil tem sido um importante fornecedor da Índia. Embarcou, de janeiro a abril, 513,4 mil toneladas, o triplo do total do mesmo período de 2015.

Além das nações do Sudeste Asiático, outros compradores que costumam importar açúcar da Tailândia também estão recorrendo mais ao Brasil nos últimos meses. É o caso de países do Oriente Médio e do norte da África, que também importaram um volume acima da média desde janeiro. Conforme a FCStone, o Brasil exportou para essas duas regiões 3,1 milhões de toneladas de açúcar, 14% acima do volume médio embarcado nesse período nos três anos anteriores.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

COM MAIS AÇO NA CHINA, COTAÇÃO DO MINÉRIO RECUA
Publicado em 05/27/2016 as 01:32 PM

O brilho do aço chinês, que de repente ficou mais intenso no início do ano, começa a esmorecer. E com isso o do minério de ferro. Desde que subiram 54% no ano até abril, os preços dos contratos futuros de primeiro vencimento de vergalhões de aço recuaram cerca de 30% na bolsa de Xangai. A alta do aço ajudou a elevar em 60% o preço do minério de ferro, sua principal matéria­-prima, mas depois ele caiu 27%.        

Embora a especulação no mercado futuro tenha sido o estopim, o que realmente alimentou a alta pode ter sido a redução dos estoques físicos. As tradings de aço iniciaram o ano com o menor nível de estoques em quatro anos, o que gerou um aperto na oferta quando medidas de estímulo e efeitos sazonais elevaram a demanda.        

Agora, oferta e demanda estão se equilibrando porque as usinas chinesas elevaram a produção para abocanhar os lucros repentinos. Essa produção extra não será absorvida facilmente, considerando que a demanda de aço da China deve ter uma queda sazonal a partir de junho.    
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

SUZANO E ELDORADO REAJUSTAM SEUS PREÇOS
Publicado em 05/27/2016 as 01:32 PM

A Suzano Papel e Celulose, segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto e a Eldorado Brasil vão elevar em US$ 30 a tonelada o preço da matéria­-prima vendida nos três mercados mundiais de referência (Ásia, Europa e América do Norte) a partir de 1º de junho. É o segundo reajuste anunciado pelas duas companhias no ano, após os preços da fibra curta terem caído fortemente desde o fim do ano passado.

Com o novo aumento, o preço de referência da celulose vendida na Ásia vai a US$ 570 a tonelada. A Eldorado, que fez o anúncio na quarta­-feira, não informou os novos valores para os mercados europeu e americano, mas indicou que, na Europa, o preço já com o reajuste supera US$ 700 a tonelada. A Suzano, por sua vez, informou ontem aos seus clientes que a nova cotação de referência é de US$ 710 a tonelada na Europa, US$ 570 na Ásia e de US$ 870 na América do Norte. O Valor apurou que esses preços embutem alta de US$ 30 a tonelada.

"O momento é propício. As vendas estão reagindo bem e os estoques estão caindo", disse o diretor Comercial e Logística da Eldorado, Luis Felli. Conforme o executivo, os preços da fibra curta, especialmente no mercado asiático, caíram abaixo do que os produtores marginais (que têm custo de produção elevado) poderiam suportar, o que sustenta esse movimento de recuperação das cotações.

"Houve desestocagem de celulose nos produtores de papel e isso contribuiu para a pressão sobre os preços. Mas o mercado de papel nunca parou", afirmou Felli, acrescentando que a demanda por celulose na Europa e na América do Norte tem se mantido firme.
Além disso, a diferença de preços entre fibra longa (que tradicionalmente é mais cara) e fibra curta voltou a atingir níveis elevados, em torno de US$ 110 por tonelada, o que favorece a substituição do primeiro tipo de celulose pelo segundo tipo. Na quarta-­feira, a Domtar e a Resolute também anunciaram novos aumentos para a fibra longa, de US$ 30 por tonelada, o que confere ainda mais sustentação à alta da fibra curta.

No início do mês, a Eldorado e a Suzano anunciaram o primeiro aumento do ano, de US$ 30 por tonelada para o mercado asiático, o que levou a cotação a US$ 540 a tonelada. Segundo Felli, a Eldorado já firmou contratos com os principais clientes na região com o novo preço.

A volta dos chineses às compras de fibra curta sustentou o primeiro reajuste na Ásia. No início de maio, a Suzano foi a primeira produtora brasileira a anunciar novo preço para a celulose de eucalipto vendida na Ásia, de US$ 540 a tonelada, válido imediatamente. O Valor apurou que esse preço embute aumento líquido de US$ 30 a tonelada. A Fibria, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, não anunciou reajustes até agora.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

FALTA DE DRAGAGEM REDUZ CALADO E GERA CUSTO EXTRA À BTP
Publicado em 05/27/2016 as 01:32 PM

A Capitania dos Portos de São Paulo restringiu o calado ­ parte da embarcação que fica submersa ­ permitido para grandes navios acessarem o terminal de contêineres da Brasil Terminal Portuário (BTP), no porto de Santos (SP). A medida decorre do assoreamento da área devido a um "vazio" na realização da dragagem. O contrato firmado pela Codesp, estatal que administra o porto, com a empresa que fazia o serviço terminou em fevereiro e não foi renovado.

A BTP é uma joint venture entre a APM Terminals e TIL, empresas dos mesmos grupos dos armadores Maersk Line e MSC, os maiores do mundo. É um dos seis terminais de contêineres de Santos e foi inaugurado em 2013. Desde então, vem ganhando mercado e se tornou o segundo em movimentação do cais santista, atrás do Tecon Santos, da Santos Brasil.

A restrição, válida desde o dia 20, já causou perdas operacionais e consequente aumento de custos para a BTP, que vislumbra um cenário de "desastre", nas palavras do presidente Antonio Passaro, se o assoreamento perdurar.

Pela regra da Marinha, somente navios com calado de 12,30 metros na maré baixa ou 13,30 metros na alta podem fazer o "giro", manobra realizada para atracar ou desatracar. Isso equivale a uma diminuição de 0,90 metro sobre o calado máximo até então permitido na maré alta (14,2 metros). Navios com esse calado medem geralmente 336 metros ­ cerca de 45% das escalas mensais na BTP são de navios desse porte. Cada metro perdido numa embarcação dessas representa até 700 contêineres que deixam de ser embarcados.

Com a restrição, a BTP mudou o momento do "giro" das embarcações. Está "girando" o navio que chega cheio depois que os contêineres já foram desembarcados ­ portanto, quando o navio está com o calado menor. E faz o inverso com o navio que receberá a carga; neste caso, "gira" a embarcação antes do início da operação, quando ela ainda está vazia. A alteração, contudo, já causou atrasos. Um dos navios da Maersk teve de esperar para operar no domingo. Para atendê­-lo dentro da "janela" contratada pelo armador, a BTP aumentou a mão de obra de três para cinco ternos, um gasto extra de R$ 40 mil. "Sem contar o pessoal administrativo e os gastos do armador", diz Passaro.

Questionado se isso poderia gerar um pedido de reequilíbrio do contrato de arrendamento com a Codesp, disse: "Posso pedir equilíbrio pelos custos que estou perdendo hoje. E os clientes que vão embora e não voltam, como posso equilibrar isso?". O problema maior, dizem especialistas, é a falta de horizonte de uma solução.        

Pela Lei dos Portos, cabe à Secretaria de Portos (SEP), recém-­extinta, e ao Ministério dos Transportes a contratação da dragagem ­ a Codesp estava "tapando buraco" enquanto a licitação da SEP para dragar o porto todo não era concluída. Em abril, depois de diversas idas e vindas, a SEP assinou o contrato com a EEL Infraestruturas, mas não há previsão de quando a ordem de serviço será dada.

A Codesp tenta agora incluir a dragagem do acesso à BTP e de demais trechos em um contrato existente para a entrada do porto. A estimativa é que um aditivo seja aprovado em reunião do conselho de administração da estatal na próxima semana, e, na seguinte os trabalhos comecem. Mas em reunião do conselho de autoridade portuária nesta semana o presidente da Codesp, Alex Oliva, disse que a extensão teria de passar pelo TCU, pois seria uma ampliação de escopo. "Essa é a bomba", disse Passaro, referindo­-se ao tempo de análise da corte.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

AÇÕES DETIDAS PELO BNDES VALEM ATÉ R$ 56 BI
Publicado em 05/27/2016 as 01:31 PM

A valores atuais, o BNDES poderia levantar cerca de R$ 56,2 bilhões se vendesse as participações que detém em companhias de capital aberto, principalmente por meio de seu braço de participações, a BNDESPar. Apesar de a medida enfrentar alguns obstáculos, analistas começam a apostar que essa alienação de ativos seria uma estratégia positiva para a instituição se financiar.

O montante envolve empresas como Petrobras e Eletrobras, nas quais o banco de fomento possui fatia estratégica por conta do controle da União. Além disso, em alguns casos há acordos de "lock up" ­ de manter a participação por tempo determinado ­ e também acordos de acionistas envolvidos. Algumas empresas teriam preferência na compra e a alienação poderia ensejar mudança de controle.

Para o BTG Pactual, a fabricante de celulose Fibria, a geradora de energia AES Tietê, o frigorífico JBS e a fundição Tupy seriam os mais afetados no caso de o BNDES se desfazer de sua posição acionária. A pressão que esse desinvestimento causaria sobre os preços dos papéis seria "imensa", afirma o banco. Fatias grandes como essas teriam de ser vendidas em bloco, não no pregão regular, escrevem Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira.

Na carteira do BNDES, o setor com mais relevância é o elétrico. São R$ 7,3 bilhões em valor de mercado, considerando fatias em AES Tietê, Cemig, CPFL Energia, Copel, Eletrobras, Equatorial, Energisa, Light, Renova, Tractebel e Taesa.

Na análise do J.P. Morgan, a Ourofino, de saúde animal, Renova, de energia renovável, e a concessionária de rodovias Triunfo estão entre as empresas cujas ações poderiam ser mais impactadas na hipótese de alienação de uma só vez. O valor de mercado da participação do BNDES nessas companhias é grande demais ante o giro financeiro dos papéis no pregão da BM&FBovespa.

As ações ordinárias da elétrica paranaense Copel seriam muito influenciadas por uma venda, segundo a equipe do analista Pedro Martins Júnior, do J.P., já que o valor de mercado em poder do banco de fomento é 7,9% maior do que o giro em bolsa. No caso dos papéis PNB da empresa, a participação valeria 2,9% do giro diário.

Dentre as participações que poderiam ser vendidas de uma vez sem muitos problemas ­ abaixo de 2% do volume financeiro ­, aparecem CSN, Gerdau ON e PN, Cemig PN, Oi ON, Rumo, Equatorial, EcoRodovias, Tractebel ON, Vale PNA, Suzano PN, Totvs, Taesa, Light, Klabin, Iochpe­Maxion e Braskem PNA. Juntas, renderiam R$ 5,17 bilhões ao banco.

A Petrobras é a empresa que mais poderia render numa potencial venda de ações ­ R$ 21,34 bilhões somando capital votante e não votante. A JBS aparece com R$ 6,21 bilhões em segundo lugar, seguida pela Fibria, com R$ 5,09 bilhões. A Vale tem peso de R$ 3,79 bilhões na carteira do BNDES, a Eletrobras, R$ 2,16 bilhões, e a AES Tietê, R$ 1,52 bilhão. A instituição ainda tem R$ 1,21 bilhão da CPFL Energia.

"Dada a equipe que está indo para o BNDES, a venda de participações deve ocorrer e é desejável", avalia o professor do Insper Sérgio Lazzarini. Para ele, empresas maduras como Petrobras, Fibria, CPFL e Embraer têm condições de se capitalizar no mercado privado, liberando recursos para investimentos mais relevantes neste momento, como abater a dívida pública.

Além disso, as participações acionárias geram perdas à BNDESPar, cuja carteira tem historicamente desempenho abaixo ao do mercado. Há 12 meses, a soma das fatias que hoje renderia cerca de R$ 56 bilhões aos cofres públicos valia pouco mais de R$ 71 bilhões ­ a queda de 36% se deve à desvalorização das ações no período.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

ESTADO ELEVA PRESSÃO PARA MUDAR COBRANÇA DE ICMS SOBRE PETRÓLEO
Publicado em 05/27/2016 as 01:31 PM

Em grave crise financeira, o Rio vai pressionar por mudanças na forma de tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nos derivados de petróleo e energia. O governo fluminense também quer que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) mude a fórmula de cálculo dos royalties sobre a indústria petrolífera. As duas medidas combinadas ­ o ICMS e os royalties ­ têm potencial de aumentar a arrecadação fluminense em R$ 12 bilhões por ano, estima Marco Capute, secretário estadual de desenvolvimento econômico. As medidas não são de fácil implementação.

O Rio responde por 60% da produção nacional de petróleo e gás. Em um cenário de aumento de custos e perda de receitas, o governo do Rio quer trabalhar com a bancada fluminense no Congresso para aprovar, com o apoio de outros Estados produtores de petróleo e energia, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para que a cobrança de ICMS sobre energia e derivados de petróleo seja feita na origem e não no destino, como ocorre hoje.

Só a alteração na forma de cobrar o ICMS poderia trazer mais R$ 10 bilhões por ano aos cofres do Estado, considerando preços na faixa de US$ 50 por barril e uma fórmula de cálculo do imposto que considere o preço de mercado da commodity, não o custo de produção, disse Capute.

O Rio também quer que a ANP retome a discussão sobre a mudança na forma de cálculo dos royalties sobre petróleo e gás, medida que poderia trazer mais R$ 2 bilhões por ano para o Estado, disse Capute. Desse total, R$ 1 bilhão poderá vir da mudança no cálculo sobre os royalties do petróleo e mais R$ 1 bilhão sobre royalties do gás natural, previu o secretário. A ANP informou que em breve vai retomar a revisão dos cálculos. O tema passará por consulta e audiência públicas.

O tema vem motivando polêmica. A ANP vinha trabalhando na revisão quando o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) emitiu, em janeiro, a resolução nº 1/2016 determinando que a agência mantivesse a atual sistemática de apuração dos preços mínimos de petróleo e gás para efeito do pagamento de royalties ou de participações especiais (PE). O Rio conseguiu decisão liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os efeitos da resolução. O tema ficou assim para ser decidido pela própria ANP.

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) é favorável à decisão emitida pelo CNPE, disse Antonio Guimarães, secretário-­executivo da entidade. Segundo ele, a eventual alteração na fórmula de cálculo dos royalties pode impactar negativamente decisões de investimento no país. A Associação Brasileira de Exploração e Produção (Abep), que trabalha em cooperação com o IBP, ingressou este mês com recurso no STF para restabelecer a decisão do CNPE.

"Se entrar em vigor com a redação proposta na minuta da consulta pública da ANP, a revisão da sistemática de apuração dos preços mínimos terá forte impacto sobre a indústria. Se aplicada aos volumes produzidos em 2015, haveria aumento de R$ 2,1 bilhões em royalties e participações especiais", disse o IBP em nota. Sobre a hipótese de o ICMS ser cobrado na origem e não no destino, Guimarães, do IBP, avaliou que essa é uma discussão federativa que não tem impactos sobre o setor. "Ao invés de se cobrar [o ICMS] na bomba, [o Rio] quer cobrar na refinaria", disse.

Capute entende que há hoje um elemento político a ser considerado para eventual aprovação da PEC do ICMS. Essa variável é o novo governo do presidente interino Michel Temer. Capute disse que o governo Temer conta com o apoio da bancada fluminense do PMDB. Esse novo cenário pode permitir a aprovação da PEC e, por consequência, a mudança na sistemática de cobrança do ICMS, acredita o secretário. Mas o jogo de pressões contrárias também deve ser forte, avaliam fontes.
Capute disse que a decisão de cobrar o ICMS sobre derivados de petróleo e energia no destino foi resultado da Constituição de 1988. A Constituição também assegurou a manutenção do pagamento de royalties aos Estados e municípios produtores. Até 2010 a indústria de petróleo operou sob o modelo de concessão. Mas a partir daquele ano foram introduzidos dois novos regimes de contratação para a indústria petrolífera: a partilha da produção e a cessão onerosa.

A lei 12.734, de 2012, que instituiu um novo marco regulatório para o setor de petróleo e gás, determinou novas regras de distribuição de royalties e participação especial (PE) entre os entes da federação, lembra o Estado do Rio. Capute afirmou que os efeitos da lei encontram-­se suspensos por liminar concedida ao Estado em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN).

"Modificou-­se a forma de distribuição de participações governamentais, retirando receitas dos entes produtores, mas não se deu nenhuma contrapartida para perda das receitas como a adequação da regra de incidência invertida do ICMS", diz trecho de documento técnico do Estado que dá amparo aos argumentos de Capute. O texto completa: "Estima-­se que [no Estado do Rio] a perda de arrecadação do ICMS incidente no volume de petróleo destinado a outros Estados é de R$ 14 bilhões, na hipótese de taxação com uma alíquota de 18% sobre a produção estadual." O cálculo considera um volume diário de produção de 1,5 milhão de barris por 12 meses, com o barril do petróleo Brent a US$ 40 e o câmbio a R$ 4 por dólar.

"Urge medida de revisão constitucional para que passe a ser aplicada a regra geral de tributação do ICMS sobre o petróleo, transferindo sua tributação para a origem, como todos os outros produtos do país", afirma a nota do Estado.

Capute também defendeu a política de incentivos fiscais do Estado, que tem sido criticada. "Não se trata de renúncia [fiscal]. Sem essa política de incentivos, a crise financeira do Estado seria hoje muito pior", disse Capute. Entre 2010 e abril de 2016, a política de incentivos gerou R$ 29 bilhões em investimentos no Estado, gerando mais 34 mil empregos, disse o secretário.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

A REFUNDAÇÃO DA PETROBRAS
Publicado em 05/27/2016 as 01:30 PM

A falta de disciplina de capital da Petrobras fez com que em período de apenas 5 anos findos em dezembro de 2015, sua dívida líquida aumentasse em R$ 331 bilhões e seu saldo de leasing operacional em R$ 307,2 bilhões. Os expressivos investimentos realizados não geraram os resultados esperados.

A produção de petróleo no Brasil cresceu apenas 6,2% neste período e a meta de produção para 2020 é de apenas 2,7 milhões de b/d (barris por dia), já tendo sido de 4,2 mm b/d no Plano de Negócios de 2011­2014. A média de produção de petróleo no 1º trimestre de 2016 foi igual à média anual em 2012. Na área de abastecimento, os investimentos no Comperj e nas novas refinarias foram desastrosos, tendo sido amplamente divulgados na mídia.

A Petrobras, por ser uma sociedade de economia mista, além de ter objetivo comum às sociedades privadas, é instrumento de atuação do Estado, devendo também perseguir objetivos de interesse público. O porte e histórico de sucesso da Petrobras a tornou equivocadamente um verdadeiro Estado dentro do Estado brasileiro. Arcou com desde subsídio dos preços de derivados até o papel de grande indutor de crescimento do PIB industrial brasileiro. Quando o setor elétrico começou a dar sinais de problemas, foi escalada para acudi-­lo.

A Lei de Petróleo, aprovada há 18 anos, refletiu o entendimento que a desregulamentação de preços era fundamental para atrair investimentos para o segmento de refino e estabeleceu um período de transição, com término previsto para dezembro de 2001. A Lei de Petróleo também determinou acerto de contas entre a União e a Petrobras relativo à conta petróleo, derivados e etanol até o fim do período de transição.

Destacamos importantes pontos contrários à ingerência política na Petrobras: 1­ objetivos de interesse público não se confundem com interesses político partidários; 2­ o Artigo 116 da Lei das S.A. diz que "o acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender"; e 3­ a Lei de Petróleo é clara no sentido de que política de preços do governo (no caso de haver) deve ser arcada pelo governo e não pela Petrobras e outros participantes da indústria.

A imensa destruição de valor da Petrobras foi causada por diversos fatores: 1­ perda de foco de atuação; 2­ falta de disciplina de capital; 3­ expressivas falhas em sua governança corporativa; e 4­ imenso escândalo de corrupção revelado pela operação Lava­-Jato.

É curioso observar que em junho de 2012, durante a apresentação do Plano de Negócios e Gestão 2012­2016 (PGN), sua diretoria, ao falar da refinaria Abreu Lima, disse que era uma experiência a ser aprendida para nunca ser repetida, pois a construção estava com atraso de 3 anos e seu orçamento tinha aumentado de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões.

A diretoria também disse que "são evidentes o descumprimento integral da sistemática de aprovação de projetos e a existência de falhas no acompanhamento físico e financeiro da obra". A admissão destes problemas foi surpreendente e parecia indicar que haveria uma importante melhoria na governança da empresa. Essa expectativa foi imensamente frustrada. O nível de dívida líquida/Ebitda atingiu 5,3 vezes em 31 de dezembro de 2015, sendo importante ressaltar que este valor de 5,3 vezes baseia­-se em Ebitda ajustado pela companhia (R$ 75,9 bilhões) expurgando o efeito de impairment de ativos realizado no montante de R$ 47,7 bilhões.

O porte da Petrobras e seu impacto na economia brasileira exigem urgentes medidas visando sua refundação. Sob a ótica de gestão da empresa os três pontos críticos são:

1­ - Melhorar sua governança corporativa: a empresa precisa ser blindada contra ingerência política, ter Conselho de Administração altamente eficaz, ter firme liderança de sua diretoria, recuperar meritocracia na empresa, assegurar o cumprimento de seus processos e controles, disseminar a ética como grande pilar dos negócios e introduzir grande disciplina de capital.

2­ - Plano Estratégico de qualidade e realista: cabe ao Conselho de Administração decidir sobre direcionamento estratégico da empresa. A Petrobras precisa reduzir as suas áreas de atuação, focando nas mais atrativas. Programa de desinvestimento deve priorizar área de downstream.

3 ­- Melhorar sua estrutura de capital: as negociações com investidores tendem a ocorrer em termos mais favoráveis e serem mais efetivas se perceberem melhoras expressivas na sua governança e tiverem confiança na qualidade e robustez do plano de negócios da empresa. A experiência da capitalização em 2010 foi muito traumática para os investidores.

Sob o ponto de vista setorial, é fundamental que o Regime de Partilha seja revisto, a imposição de a Petrobras ser operadora única e deter no mínimo 30% dos blocos licitados significa um pesado ônus para a empresa. No momento, não faz sentido a Petrobras participar de licitações, já que detém volume expressivo de áreas a serem desenvolvidas e sua situação financeira não permite. Caso o modelo não seja revisto, a Petrobras se tornará um limitador para a indústria de petróleo brasileira.

Sob a ótica de seu acionista controlador, é fundamental blindar a Petrobras contra interferências políticas e indicar para o seu Conselho de Administração, conselheiros altamente qualificados, cientes de suas responsabilidades e de seu dever de lealdade com a empresa.

A manutenção de política de preços com prêmio sobre preços internacionais de derivados é importante durante algum tempo para geração de caixa. O governo precisará aumentar a alíquota da Cide na importação para coibir possível arbitragem por parte de importadores.

Os desafios da reconstrução são imensos e seu tempo de execução será longo, porém o caminho é conhecido. Longo histórico de sucesso e a recente destruição de valor da Petrobras deixaram fortes registros do que funcionou e o que não funcionou. Se o tripé governança, plano estratégico e capitalização estiverem bem endereçados, os resultados virão!
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

NOVA META PODE LIBERAR R$ 4 BI PARA DNIT E VALEC
Publicado em 05/27/2016 as 01:30 PM

A revisão da meta fiscal do governo, aprovada na madrugada de quarta-­feira no Congresso Nacional, abre espaço para tirar da penúria orçamentária o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a estatal de ferrovias Valec. Para evitar atrasos em diversas obras espalhadas pelo país, o Ministério dos Transportes pediu um reforço de quase R$ 4 bilhões à equipe econômica.

A situação do Dnit, sem uma suplementação no orçamento, é dramática. Em uma tentativa de recuperar o fôlego de seus prestadores de serviços, a autarquia federal reduziu de R$ 1,5 bilhão para cerca de R$ 140 milhões os compromissos financeiros atrasados com empreiteiras que atuam em obras rodoviárias.

Diminuir ou quitar o passivo, no entanto, comprometeu o futuro. Sobraram apenas R$ 1,3 bilhão como limite para gastos em todo o restante do ano. Uma lista de 61 obras chegou a ser elaborada e havia risco de paralisação. A dotação representava migalhas perto do orçamento no patamar de R$ 12 bilhões que foi executado, em média, no período de 2009 a 2014.
"Mal daria para fazer a manutenção da malha", afirmou o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, em referência à diminuição drástica de recursos disponíveis. Ele informou ter pedido R$ 3,7 bilhões ao Ministério do Planejamento para reforçar o caixa do Dnit em 2016 e está otimista quanto à liberação do dinheiro.  

Para a Valec, que tem limite de R$ 868 milhões para gastar neste ano, Quintella fez um pedido de R$ 161 milhões adicionais. No fluxo atual de pagamento às construtoras contratadas pela estatal, a extensão da Ferrovia Norte­-Sul rumo ao interior de São Paulo só poderia ficar pronto no fim de 2017. A suplementação orçamentária permitiria antecipar esse cronograma para agosto ou setembro do próximo ano. Originalmente, o governo prometia entregar esse trecho em dezembro de 2012. Não parou mais de adiar a conclusão da obra.
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

INDÚSTRIA DE PETRÓLEO JÁ CONTA COM NOVAS LICITAÇÕES NO PRÉ-SAL EM 2017
Publicado em 05/27/2016 as 01:30 PM

A indústria de petróleo instalada no Brasil já considera factível o lançamento de uma nova rodada de licitação de blocos exploratórios no início de 2017. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Jorge Camargo, considera que a expectativa ganhou força após o novo governo ter demonstrado interesse em aprovar rapidamente a liberação da Petrobras do papel de operadora única da exploração das reservas do pré­-sal ­ a medida está em tramitação no Congresso Nacional.

Jorge Camargo, presidente do IBP: "Ficamos muito animados com a liberação da Petrobras como operadora única"

O presidente do instituto considera que o primeiro alvo da licitação deve ser as reservas que estão interligadas com campos do pré­-sal leiloados no passado, mas que não podem ser exploradas por não fazerem parte dos atuais contratos. São as chamadas "áreas unitizáveis".      
"Essas áreas seriam licitadas sem obrigação da Petrobras ser operadora. Ela teria a opção, mas sem a obrigação. Portanto, abre a perspectiva de um leilão no começo do ano que vem", disse Camargo ao Valor, que se reuniu na quarta­-feira com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

Com o fim da obrigação de atuar como operadora única, a Petrobras também deixaria de assumir o mínimo de 30% de participação nos consórcios e essa mesma proporção em investimentos nos projetos. O ajuste no marco aprovado no governo do ex-­presidente Lula está previsto no projeto de lei de autoria do agora ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB­SP). A mudança na lei já passou pelo Senado e está sendo discutida na Câmara dos Deputados.

O primeiro momento de entusiasmo do setor veio com o pronunciamento do presidente interino Michel Temer, no dia anterior ao encontro do presidente do IBP com o ministro.

"Ficamos muito animados com o anúncio que o presidente Temer fez ontem de colocar a liberação da Petrobras como operadora única do pré­sal já no primeiro pacote de medidas econômicas. A posição do governo em relação a isso é muito importante", afirmou o presidente do IBP.

Camargo disse que o ministro mostrou uma visão "muito clara" sobre o novo ciclo que o setor de óleo e gás está vivendo no país. Segundo ele, há uma "grande convergência dos atores", que incluem governo, investidores e Petrobras, sobre o esgotamento do modelo em que o estado assume um maior protagonismo no setor.

"Saímos muitos satisfeitos com a postura do ministro que se mostrou muito aberto ao diálogo. Ele quer participar, quer se envolver abertamente", disse o presidente do instituto. A entidade estima que a realização de nova rodada abre perspectiva de investimento de mais de US$ 100 bilhões nos próximos anos.

Além do interesse de destravar investimentos, o governo cobiça o retorno imediato para as contas públicas havendo o recolhimento do bônus de assinatura já no próximo ano. Somente na licitação do campo de Libra, o governo recebeu R$ 15 bilhões de bônus de assinatura que foram pagos em 30 dias após o leilão. Este foi o primeiro e único campo do pré­sal ofertado pelo regime de partilha.

Camargo explicou que somente as áreas unitizáveis reúnem reservas de petróleo de 8 a 10 milhões de barris a serem desenvolvidos. Segundo ele, os números são comparáveis ao volume registrado em Libra. "A dimensão do projeto de Libra, comparada à das áreas e das reservas que poderiam ser licitadas, é da mesma ordem de grandeza, quanto ao volume de petróleo a ser desenvolvido", afirmou.

O presidente do IBP ressaltou, no entanto, que os parâmetros de cálculo do bônus de assinatura mudaram deste a licitação de Libra. Segundo ele, o cálculo vai depender de "circunstâncias conjunturais", o que inclui o momento de baixa do preço internacional do petróleo. Na prática, as novas condições devem puxar para baixo o bônus de assinatura em relação ao valor cobrado anteriormente.

O executivo do IBP se diz satisfeito com o primeiro encontro com o ministro. "Na nossa opinião, ele vai ter um papel fundamental de liderar essa transição para a nova fase do setor, que vai ser mais diversificada, mais competitiva por conta dos preços do petróleo estarem deprimidos", afirmou Camargo. Segundo ele, o novo momento exigirá que todas as petroleiras sejam mais competitivas, mas "certamente será um ambiente mais saudável", comentou.

Outro assunto tratado com o ministro foi o ajuste nas exigências de conteúdo local. "É preciso fazer evoluir essa política para que estimule mais investimentos em vez de ser um obstáculo nesse momento que a indústria passa", disse Camargo.

A agenda do presidente do IBP em Brasília incluiu uma visita ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. "Buscamos uma indústria que ajude o país a sair da recessão, mas de forma sustentável. Queremos, sim, ter um licenciamento ambiental bem feito que não precisa ser tão burocrático."
Fonte : Valor Econômico
Data : 27/05/2016

COTAÇÃO DO PETRÓLEO CHEGA A SUPERAR US$ 50
Publicado em 05/27/2016 as 01:29 PM

Barril do Brent encerra a US$ 49,59, mas analistas esperam recuperação

-NOVA YORK E LONDRES- Uma queda na produção diária de petróleo, de quase 4 milhões de barris, fez com que o barril superasse ontem a marca dos US$ 50, o que não ocorria há sete meses. As cotações depois recuaram, mas a breve alta criou a expectativa de que o périodo de excesso de oferta da commodity esteja chegando ao fim.

O barril do tipo Brent, negociado em Londres, chegou a ser cotado a US$ 50,50, para depois recuar a US$ 49,59, em queda de 0,30%. Já o WTI atingiu US$ 50,19 em Nova York, para depois encerrar a US$ 49,40, com recuo de 0,16%, de acordo com dados da agência Bloomberg.

— É um marco psicológico — disse à Bloomberg Michael Wittner, diretor de pesquisa do Société Générale. — Os US$ 50 são para valer. Pode haver recuo, mas será temporário, com um reequilíbrio no segundo semestre.

Havia uma combinação de fatores por trás da alta de ontem: incêndios junto a áreas produtoras no Canadá, conflitos na Nigéria e na Líbia, e o agravamento da crise econômica na Venezuela. Além disso, o governo americano informou que seus estoques recuaram em 4,2 milhões de barris na semana passada, para 537,1 milhões de barris.
Fonte : O Globo
Data : 27/05/2016

PETROBRAS E ELETROBRAS VÃO VENDER EMPRESAS
Publicado em 05/27/2016 as 01:27 PM

Entre os ativos estão gasodutos, fatias em empreendimentos, parques eólicos e distribuidoras de energia

“A venda da Celg deve acontecer rápido. A ideia é fazer a desmobilização desse e outros ativos, que são valiosos e importantes” Fernando Coelho ministro de Minas e Energia

Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho afirma que Petrobras e Eletrobras venderão empreendimentos, como gasodutos, parques eólicos e distribuidoras. -BRASÍLIA- Na corrida para tentar equilibrar as contas, o governo finaliza uma grande oferta de ativos na área de energia. A lista de tudo que será ofertado estará no programa “Crescer”, a ser divulgado pelo Palácio do Planalto nos próximos dias. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, serão vendidas subsidiárias de Petrobras e Eletrobras já neste ano e ofertados campos de petróleo em 2017. A estatal do setor elétrico deve se desfazer de ativos como parques eólicos do Nordeste, linhas de transmissão e de sua participação em sete companhias estaduais de distribuição.

Só no caso da goiana Celg, a União pretende arrecadar R$ 1,4 bilhão. O dinheiro chega num momento importante, em que o governo tenta equacionar o rombo fiscal e indicar caminhos de sustentabilidade antes da votação final do impeachment.
— A venda da Celg deve acontecer rápido. A ideia é fazer a desmobilização desse e de outros ativos — explicou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, que complementou:

— São ativos valiosos e importantes.

Coelho disse que o governo pretende vender não apenas a empresa goiana, mas as companhias de Alagoas, Piauí, Rondônia, Acre, Roraima e Amapá, como previsto pela gestão Dilma Rousseff. Ao todo, a Eletrobras pode se desfazer de mais de 200 Sociedades de Propósito Específico (SPEs), criadas em parceria com o setor privado ou estados. No caso da Celg, por exemplo, a Eletrobras tem 49% da companhia.

No dia 15 de maio, o GLOBO antecipou que o presidente interino, Michel Temer, faria um grande esforço para a venda de ativos estatais, para levantar receitas. A União precisa de caixa para equilibrar as contas públicas, que devem ter rombo de R$ 170,5 bilhões este ano e, sem a aprovação do pacote fiscal, de até R$ 100 bilhões em 2017. LEILÕES DE PETRÓLEO VOLTAM EM 2017 Todas as decisões sobre venda de ativos na área de energia devem ser tomadas apenas após a resolução do imbróglio envolvendo a não apresentação do balanço de 2014 da Eletrobras. Segundo uma fonte do governo, Temer já teria determinado a troca da diretoria da empresa. As mudanças, entretanto, só serão feitas após a divulgação das contas da estatal nos EUA.

Enquanto isso, o governo fecha a lista do que pode ser vendido, esperando que a melhora do ambiente macroeconômico e setorial eleve o valor dos ativos. No setor elétrico, a ideia é acabar com a lógica anterior, de maior dirigismo e ações pontuais para desenvolver ativos específicos. A busca agora é por uma redução da intervenção governamental e da Eletrobras.

No segmento de óleo e gás, o objetivo é similar. O governo quer avançar com a proposta de desverticalização do setor de gás para dar mais competitividade ao insumo. Hoje, a Petrobras controla toda a cadeia, da extração ao transporte do gás. Por isso, os gasodutos de sua propriedade estão na lista de empreendimentos a serem privatizados.

No setor de petróleo, a ideia é continuar com o plano de venda de ativos da Petrobras — como fatia da BR Distribuidora —e a retomada dos leilões já em 2017, a começar com as áreas contíguas a blocos já concedidos, onde há mais certeza de potencial e, portanto, capacidade de arrecadação.

A expectativa de aprovação do projeto que desobriga a Petrobras de ser a única operadora do pré-sal também deverá colaborar para destravar investimentos da ordem de R$ 300 bilhões no setor de petróleo. O governo Temer considera promover alterações no projeto, que já foi aprovado no Senado.

Na última semana, a cúpula da área energética do governo convidou Luiz Barroso, diretor da consultoria PSR, para assumir a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento de longo prazo. O ministério deverá convidar, nos próximos dias, consultores e acadêmicos para debater um novo modelo para o setor de energia, com menos intervencionismo.
Fonte : O Globo
Data : 27/05/2016

GREVE DE REFINARIAS FAZ FRANÇA USAR RESERVAS
Publicado em 05/27/2016 as 01:26 PM

País recorre a estoque estratégico de combustíveis. Protestos contra reforma atingem usinas nucleares

Contra reforma trabalhista, sindicatos bloqueiam estradas e refinarias, provocando desabastecimento -PARIS- A França começou a utilizar suas reservas estratégicas de combustível para enfrentar os problemas de abastecimento decorrentes dos protestos contra o projeto de reforma trabalhista, que bloquearam refinarias pelo país, anunciou ontem a União Francesa de Indústrias Petroleiras (Ufip). Forças policiais entraram em confronto com manifestantes na tentativa de liberar as unidades.

Pegando fogo. Policiais tentam desfazer bloqueio montado por funcionários de refinaria em Douchy-Les-Mines

Esta é a primeira vez em seis anos que o país precisa recorrer às reservas, de acordo com o jornal “Financial Times”.

— Há dois dias, como havia problemas de funcionamento no refino e bloqueios de depósitos, começamos, em colaboração com os poderes públicos, a utilizar as reservas — afirmou o presidente do organismo, Francis Duseux.

As ações da polícia, contudo, não intimidaram os sindicatos.

— Enquanto governo se recusar a discutir a lei conosco, as greves continuarão — prometeu ontem, na Rádio France Inter, Philippe Martinez, secretário-geral do maior sindicato da França, o CGT.

O governo informou que 20% dos 12.200 postos da França estavam enfrentando falta de combustível, embora algumas organizações privadas estimem que 40% dos postos estejam sem pelo menos um tipo de combustível. — explicou Maciel.

O medo do desabastecimento levou muitos motoristas a fazer fila nos postos, o que elevou a demanda a três vezes o nível normal, disse o ministro do Transporte Alain Vidalies ao canal de TV iTele.

SUPRIMENTO PARA 115 DIAS

O ministro explicou que país tem reservas suficientes para abastecer os veículos, mesmo que a greve dure semanas. Ele informou que a França já usou o equivalente a três dias das reservas, de um suprimento que corresponderia a 115 dias. O problema, disse Vidalies, é como entregar o combustível.

Já Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, ressaltou a influência da crise nos dados. Disse que o consumo deve cair ainda mais, por causa da retração muito acentuada do investimento interno e um real mais fraco. Em menos de um ano, a moeda americana chegou na casa dos R$ 4,20 e agora orbita em torno de R$ 3,60.
Não está claro quando a situação ficará calma o suficiente para permitir que os caminhões-tanque entrem nas refinarias. Isso tem feito com que motoristas enfrentem longas filas para abastecer em algumas regiões, enquanto em outras há racionamento. No Nordeste da França, segundo o jornal “The New York Times”, há relato de motoristas atravessando a fronteira com a Bélgica.

Todas as oito refinarias francesas estão paralisadas, total ou parcialmente, por movimentos de greve, disse o “FT”.

O movimento, que também afeta trens (urbanos e intermunicipais), portos e a aviação civil, pode impactar, ainda, a produção de energia elétrica, após uma convocação de greve para hoje nas centrais nucleares — de onde vem a quase totalidade da energia elétrica do país.

Espera-se para hoje uma intensificação das greves, já que o governo afirmou que não vai recuar nas mudanças da legislação trabalhista. As empresas alertaram para possíveis prejuízos à economia se os protestos continuarem.

O projeto de reforma na lei trabalhista, há dois meses alvo de protestos e manifestações — incluindo o movimento Nuit Debout (Noite em Claro), de ocupação das praças —, foi aprovado em primeira leitura sem a votação dos deputados, depois que o governo invocou um artigo da Constituição que permite a adoção de um texto sem debate ou voto parlamentar, exceto quando há uma moção de censura ao governo.

GREVE EM MOMENTO DIFÍCIL

A França afirma que a reforma trabalhista permitirá um melhor combate ao desemprego, hoje em torno de 10%. O texto dá mais poderes às empresas em termos de organização do tempo de trabalho (como horas extras e intervalo de descanso) e demissões.

Os críticos consideram que a lei aumentará a precariedade do mercado de trabalho e que a prioridade concedida à negociação das empresas sobre as negociações com sindicatos significará que a legislação não será a mesma para todos os trabalhadores.

O site CNNMoney ressaltou que a briga entre sindicatos e governo acontece em um momento delicado na França, que já enfrenta queda no turismo depois dos ataques terroristas em Paris em novembro do ano passado. Além disso, acrescenta o site, a perspectiva é que a economia francesa cresça apenas 1% em 2016. E no próximo mês, várias cidades do país vão sediar o campeonato europeu de futebol.
Fonte : O Globo
Data : 26/05/2016

BILHÕES PARA RIOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, anunciou que os governos Federal e de São Paulo investirão R$ 2,1 bilhões em melhorias na Hidrovia Tietê–Paraná, cuja navegabilidade tem sofrido com o baixo nível de águas em razão da seca que impacta São Paulo. “Estamos acabando de finalizar essa parceria, que tem de ser depois da chuva e começa no início do segundo semestre de 2015”, disse durante a divulgação do Plano de Escoamento da Safra 2014/2015, que prevê ações integradas dos ministérios da Agricultura, Portos e Transportes.

Segundo Rodrigues, as obras incluem a construção de um novo terminal no Tietê na região de Araçatuba. O Governo Federal irá assumir uma parcela de R$ 1,19 bilhão do total previsto. Recém-empossado como ministro da principal pasta de infra-estrutura, Rodrigues não soube detalhes do projeto.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

PETROBRAS É CASO DE DESTRUIÇÃO DE VALOR PARA DAMODARAN
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

A crise enfrentada pela Petrobras está reverberando mundo afora. Também pudera. Com uma base de acionistas extensa e pulverizada e dada sua relevância global, a empresa está no foco das atenções dos mais variados públicos. E desta vez foi um representante do meio acadêmico que teceu fortes críticas à situação da companhia, mesmo sem mencionar os episódios de corrupção.

Em texto extenso publicado em seu blog na terça-feira, o indiano Aswath Damodaran, professor de finanças corporativas da Stern School of Business, na Universidade de New York, fez uma espécie de retrospectiva da história da Petrobras, colocando os interesses centrais do governo desde a abertura de capital, com uma ingerência política que vem marcando as diferentes fases da empresa.

O acadêmico endureceu o tom principalmente em relação à destruição de valor de mercado da companhia, com a perda de US$ 160 bilhões desde o pico em 2010 (próximo de US$ 244 bilhões), e antes mesmo da queda do petróleo, que reforçou a tendência nos últimos meses.

"Colocado em termos brutalmente diretos, se você recebeu um negócio valioso e com o objetivo perverso de destruí-lo completa e rapidamente, você deve replicar o que a Petrobras tem feito em cinco etapas", assinala Damodaran, que descreve um roteiro da "tempestade perfeita para a destruição de valor".

"Invista primeiro, preocupe-se com retornos mais tarde (talvez nunca)" é o primeiro passo citado. Para ilustrá-lo, o guru das finanças corporativas aponta que, de 2009 a 2014, a Petrobras intensificou as despesas de capital e custos de exploração a mais de 35% das receitas, enquanto o retorno sobre o capital caiu para 5%, mesmo com o barril de petróleo cotado a cerca de US$ 100,00 na maior parte do período.

"Cresça, baby, cresça, e a rentabilidade que se dane." Essa foi a segunda etapa vivida pela estatal, caracterizada pelo professor como um crescimento disfuncional, com as receitas saltando de 1997 para 2014, em meio à queda drástica das margens de lucro. E o governo contribuiu para esse movimento, segundo ele, diante das pressões para a Petrobras vender gasolina a preços subsidiados no Brasil.

"Pague dividendos como uma empresa de serviços públicos (mesmo que você não seja uma)" responde pelo terceiro passo do processo, conforme o indiano. Em meio ao histórico da petroleira em pagar fartos dividendos aos acionistas, Damodaran diz que as ações preferenciais vieram com exigência de pagamento de dividendos onerosos, quando há uma ambição de crescimento por parte de uma empresa.

"Tome dinheiro emprestado para cobrir o déficit de caixa" é a quarta etapa descrita. A crítica do professor reside na dependência de contratação de dívidas pela Petrobras para se financiar, o que a levou a ter um endividamento total de US$ 135 bilhões ao fim do ano passado, acima de qualquer outra petroleira no mundo.

"Destrua valor (missão cumprida)", afirma o acadêmico, no passo final. Ao investir e crescer muito sem prestar atenção à rentabilidade, pagar dividendos com os quais você não pode arcar e tomar emprestado mais recursos do que deveria, foi criada a tempestade perfeita para a destruição de valor da companhia.

"A forma como a Petrobras tem sido gerida desafia o senso comum e os princípios básicos de finanças corporativas, de forma que, se eu fosse um adepto da teoria da conspiração, estaria praticamente pronto para comprar a ideia de que isso tudo é parte de um plano diabólico criado por gênios do mal para destruir a empresa", afirma. "Aprendi, contudo, por meio de uma dura vivência, que não se deve atribuir à maldade o que pode ser explicado por ganância, abuso de poder e sistemas ruins de incentivos."

Acompanhando à substituição de Graça Foster por Aldemir Bendine na presidência da Petrobras, o acadêmico, que não quis tecer comentários sobre o novo executivo por não conhecê-lo, deu sugestões sobre o que ele pode fazer nas próximas semanas.

São elas: contratar um diretor de operações que conheça o negócio petroleiro e delegar responsabilidades operacionais para ele; demitir qualquer pessoa na cúpula da gestão que tenha qualquer conexão política; alinhar-se aos conselheiros que representam os acionistas minoritários e defender um conselho mais independente e transparente; recusar-se a vender combustível subsidiado; fazer pressão para haver apenas uma classe de ações com direitos iguais de voto e cortar os dividendos a zero; tirar os investimentos em exploração do piloto automático e reduzir o foco no crescimento para o bem dele; e começar a pagar suas dívidas.

O pior que poderá acontecer, prossegue Damodaran, será a demissão de Bendine, mas, se ela ocorrer, o acadêmico avalia que o executivo poderá usá-la como um "distintivo de honra", uma vez que sua reputação será reforçada e ele vai sair da situação tido como herói. Se prosseguir com a empresa sem fazer mudanças, Damodaran assinala que não só Bendine vai enfrentar o mesmo destino de Graça Foster, como vai presidir a destruição final do que um dia foi a "joia da coroa do Brasil".
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

ITALIANOS E CEARENSES FARÃO ESTALEIRO
Publicado em 02/13/2015 as 02:25 PM

A empresa cearense RB Aquicultura, em parceria com a italiana Dellapasqua, investirá cerca de R$ 20 milhões na construção de um estaleiro de médio porte nas margens do rio Coreaú, em Camocim. O empreendimento fabricará embarcações de fibra, de tamanhos médios entre 12 e 14 metros, para a pesca do atum.

O terreno do estaleiro já está comprado e é de posse da RB Aquicultura. A construção deve iniciar em meados de junho deste ano, mas ainda depende de liberação de licenças pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

Serão produzidas 50 embarcações por ano para o mercado nacional e internacional. “O barco atual de atum consegue trazer de 10 a 12 toneladas e esses vão trazer de 12 a 20 toneladas”, diz o sócio-diretor da RB Aquicultura, Max Mapurunga.

No Brasil, são cerca de 20 mil licenças para pesca e Mapurunga acredita que pode alcançar 20% desse mercado. Ou seja, 4 mil embarcações. “O barco é feito de fibra, tem capacidade de giro a bordo, consome uma média de 20% menos combustível que outras embarcações e é ecologicamente correto”, explica. Ele acrescenta ainda que não está definida a participação de cada uma das empresas no estaleiro, mas adianta que deve ser de 50%.

Fábrica de enlatados
A RB Aquicultura também tem parceria com o grupo espanhol Crusoé Food, que possui uma fábrica de enlatados de atum no município de São Gonçalo do Amarante. A ideia é que Dellapasqua produza barcos, os comercialize e, para quem comprar e pescar no Ceará “terá a segurança de que vai ter a pesca do atum absorvida pela Crusoé”, detalha Mapurunga.

No Brasil, o foco é atingir o Norte e Nordeste. “O pescado representa cerca de 2% do PIB (Produto Interno Brito) do Estado e a gente pode dobrar esse índice. Então, nosso objetivo é transformar o Ceará em um polo atuneiro, que abastecerá a fábrica da Crusoé, que tem capacidade para 250 mil latas de sardinha por dia, e mandará matéria prima também para a Espanha”, declara.

Mapurunga diz que, apesar do investimento ser do setor privado, precisa de capacitação de mão de obra, por meio de apoio governamental. “O Ministério da Pesca e Aquicultura está dando todo apoio, mas o Governo do Estado ainda não recebeu o setor”, critica. O Estado vai entrar apenas com parte de incentivos fiscais.

Protocolos
A titular da Secretaria de Desenvolvimento do Estado (SDE), Nicolle Barbosa, afirma que há quatro intenções para empreendimentos voltados para a indústria da pesca no município de Camocim.

Além da Dellapasqua, seguem com intenção de instalação: fábrica de lanchas e iates de luxo do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nélson Piquet; estaleiro da empresa alemã Nordic Yard com a empresa russa JSC Shipbuilding & Ship Repair Technology Center; e fábrica de rebocadores da maranhense Internacional Marítima, com empresa holandesa.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

CSP SERÁ AGORA A PRIORIDADE DO CE
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Perdida a refinaria de petróleo da Petrobras, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) passa a ser a prioridade do governo do Estado, em termos de empreendimento estruturante de base, em paralelo com o terminal portuário do Pecém. Com o avanço das obras da usina, representantes da CSP reuniram-se no fim da tarde de ontem, com o governador Camilo Santana, no sentido de identificar as pendências e apontar as responsabilidades de cada parte para evitar atrasos no início das operações, previstas para 2016.

Na reunião, foram discutidos o andamento das obras da correia transportadora de minério do Porto para o empreendimento; o desenvolvimento dos trabalhos de construção uma nova ponte no terminal portuário, o fornecimento de água para a siderúrgica, bem como novas estratégias de segurança para a região do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), em São Gonçalo do Amarante.

Reuniões mensais

Participante do encontro, o secretário chefe de gabinete do governador, Élcio Martins, disse que a proposta é detalhar as pendências, definir responsabilidade e traçar um cronograma de atividades. Para tanto, ficou acertado entre governo do Estado e CSP que, a partir de agora, as reuniões serão mensais, sempre na primeira quarta-feira de cada mês - até o início definitivo das operações da usina.

Martins ratificou matéria divulgada na edição de ontem, com exclusividade, pelo Diário do Nordeste, em que o governo já projeta estudos para o uso de água dessalinizada do mar e tratada dos esgotos de Fortaleza, para abastecer o Cipp. Ele ressaltou, no entanto, que para a primeira fase de produção de ação da usina, os recursos hídricos já estariam garantidos, por meio do Eixão das Águas.

Cenários

"Os cenários que já começamos a discutir é para (o abastecimento hídrico) daqui a 20 ou 30 anos, não apenas para a segunda fase da CSP, mas para todo o Complexo Industrial do Pecém e para todo o Ceará", destacou Martins. Segundo ele, a própria usina irá ajudar nesse processo, a partir da perspectiva de que a siderúrgica irá reutilizar mais de 90% da água consumida.

Com o crescimento no fluxo de pessoas, de cargas e de investimento no Cipp, a segurança é outro fator que, conforme explicou Martins, demanda olhar especial por parte do governo.
Fonte : Portos e Navios
Data : 13/02/2015

WILLIAMS BRASIL: 18 NAVIOS AGUARDAM PARA EMBARCAR AÇÚCAR NOS PORTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Grande quantidade será embarcada no Porto de Santos

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 19 para 18 na semana encerrada em 11 de fevereiro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil.



O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 28 de fevereiro. Foi agendado o carregamento de 677,40 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 572,80 mil t, ou 85% do total. Maceió responderá pelos 15% restantes (104,60 mil t).

Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 71,40 mil t. No da Rumo, estão agendadas 501,40 mil t no período analisado. A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 655,50 mil toneladas. Os embarques do B-150 somam 20,90 mil t. Não há agendamentos para o cristal A-45. O A-45 e o B-150 são embarcados ensacados.
Fonte : Globo.com
Data : 13/02/2015

GOVERNO TENTA ATRAIR CONCESSÕES PARA MODERNIZAR PORTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

Ministro-chefe da Secretaria de Portos informou que o governo analisa modelos internacionais para definir a modelagem a ser aplicada no Brasil

O governo busca firmar contratos de longo prazo com empresas especializadas em serviços de dragagem para manter a capacidade dos portos brasileiros de receber embarcações de grande porte. "Buscamos uma solução definitiva", disse ao Estado o ministro-chefe da Secretaria de Portos, Edinho Araújo. "Assim como fizemos concessões de rodovias, podemos fazer a concessão da malha líquida."

As concessões em dragagem e também em hidrovias foram anunciadas pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso de posse. O ministro informou que o governo analisa modelos internacionais para definir a modelagem a ser aplicada no País. Uma possibilidade é conceder o serviço em um grupo de portos, o que permitirá às empresas utilizar os equipamentos numa espécie de rodízio. Outra possibilidade é fazer porto a porto.

O governo tem enfrentado dificuldades para contratar serviços de dragagem para o Porto de Santos (SP). Na terça-feira, foi lançado o terceiro edital, cujas propostas devem ser entregues até março. As duas tentativas anteriores fracassaram. O governo não conseguiu ofertas na faixa de preço pretendida. O ex-ministro dos Portos César Borges chegou a falar na existência de um cartel. Desta vez, o prazo do contrato foi reduzido de três anos para 17 meses. Pelo serviço, o governo se dispõe a pagar R$ 378,5 milhões.

Outra novidade em preparação para o segundo mandato de Dilma é um plano de cabotagem para transportar cargas por navios entre os portos nacionais. Isso é visto como uma forma de reduzir custos de frete e desafogar as rodovias. O plano, em elaboração, pode envolver desoneração tributária para a construção de embarcações, admitiu o ministro. A falta de navios para cabotagem é um dos principais gargalos para desenvolvimento do serviço.

O governo chegou a elaborar, em 2013, um programa de estímulo para o setor. Mas nem chegou a anunciá-lo, por falta de espaço fiscal para estímulos tributários. Agora, os estudos foram retomados, em conjunto com o Banco Mundial. Edinho Araújo espera as conclusões em junho.

Num ano difícil para os investimentos por causa do ajuste fiscal, dos eventuais racionamentos de água e energia e da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, a Secretaria de Portos é vista no governo como uma área capaz de gerar boas notícias. As investigações pouco atingem as empresas do setor, ao contrário do que ocorre nas áreas de rodovias, aeroportos e energia.

Araújo prometeu autorizar, até março, a prorrogação do contrato de arrendamento da Santos Brasil - que está para vencer em alguns anos, mas permite uma prorrogação. A empresa pretende investir R$ 3,126 bilhões na modernização de suas instalações. Esse contrato faz parte de um conjunto de quatro que estão sobre a mesa do ministro, com investimentos totais de R$ 6,5 bilhões. "Vamos dar celeridade a eles no primeiro semestre."

A nova Lei dos Portos permite a prorrogação antecipada dos contratos firmados após 1993, em troca de investimentos. Os pedidos são analisados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e submetidos à SEP. No momento, a agência analisa outros 23 pedidos, que somam R$ 4,7 bilhões em investimentos. Também resultado da nova lei, já foi autorizada a instalação de 38 Terminais de Uso Privado (TUPs), que somam investimentos de R$ 11 bilhões. Há mais 48 pedidos em tramitação, que somam R$ 12,9 bilhões.

Indicado ao cargo pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e deputado eleito pelo PMDB de São Paulo, Araújo admite que a discussão sobre troca de comando nas companhias docas, subordinadas à pasta, é "inevitável". Segundo ele, os critérios serão "eficiência, competência e nenhum preconceito contra políticos". Em 2012, durante a discussão do novo marco regulatório dos portos, a politização das docas foi apontada pelo próprio governo como causa da má gestão do serviço no País.
Fonte : Globo.com
Data : 13/02/2015

IBGE PREVÊ SAFRA RECORDE ESTE ANO, APESAR DA SECA
Publicado em 02/13/2015 as 02:24 PM

A safra nacional de grãos deve render 201,3 milhões de toneladas aos agricultores em 2015, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas a mais do que a produção já recorde registrada no ano passado, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Não fosse a forte estiagem que atinge o País, o montante seria ainda maior. A estimativa para este ano é 0,7% inferior à previsão divulgada anteriormente pelo instituto, no terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola de 2015.

A falta de chuvas que afeta algumas regiões do País levou à redução das expectativas dos agricultores. A soja renderá 770 mil toneladas menos do que o esperado, enquanto o milho de segunda safra terá produção menor em 924 mil toneladas.

A estiagem atrasou o plantio de soja em algumas regiões, o que prejudicou também a entrada do milho de segunda safra nas áreas que recebem primeiro a soja. "Houve uma área importante de Mato Grosso que atrasou o plantio (de soja), isso está diminuindo a área do milho de segunda safra. Também há uma questão econômica: o preço do milho não está atrativo, está abaixo do custo de produção. Muito produtor está receoso se vai plantar o cereal ou não", explicou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

Milho

O forte calor e o atraso nas chuvas prejudicaram ainda a qualidade do milho já plantado na primeira safra. "A planta de milho está com tamanho normal, mas quando abre a espiga não tem grão nenhum. Não vai ter semente. Faltou água no momento da floração mesmo", disse o pesquisador.

Apesar da revisão, o Brasil registrará nova safra recorde de soja em 2015. A produção deve totalizar 95,517 milhões de toneladas, 10,5% maior que a de 2014, graças a um aumento na área plantada. "A soja ocupou área de milho de primeira safra, de algodão, de arroz", disse Andreazzi.

Caso as previsões do IBGE para 2015 se confirmem, o País terá condições ainda de assegurar o consumo interno do prato mais tradicional brasileiro: o arroz com feijão. A produção de feijão está estimada em 3,406 milhões de toneladas - incluindo as três safras do produto -, um aumento de 5,7% em relação a 2014.

Feijão

O consumo interno de feijão é de 3,35 milhões de toneladas ao ano, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A recuperação de 6,2% no rendimento médio ocorreu graças a uma estiagem mais branda do que a verificada em 2014. A melhora no pre- ço do produto também incentivou o plantio do feijão de segunda safra.

"O preço aumentou de setembro para cá, isso pode melhorar a nossa expectativa de feijão de segunda safra", comentou o gerente do IBGE. Quanto ao arroz, a produção será de 12,546 milhões de toneladas em 2015, alta de 3,3% ante 2014. O consumo interno do grão é de 12 milhões de toneladas.

Já o café brasileiro deve ter em 2015 o seu terceiro ano consecutivo de baixa. A estimativa de produção é de 2,6 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% em relação a 2014.
Além dos prejuízos à lavoura causados também pela estiagem, houve recuo na área plantada devido aos altos custos de produção e à falta de investimentos no campo por causa de preços baixos praticados em anos anteriores. "Tem muito café que ainda é colhido manualmente, então o custo de produção fica caro. As máquinas para colheita são caríssimas, o pequeno produtor não consegue acompanhar e para de plantar", justificou o gerente de Coordenação de Agropecuária.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

MINISTRO ESPERA QUE TCU APROVE LOGO ARRENDAMENTOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

O ministro-chefe da Secretaria dos Portos (SEP), Edinho Araújo (PMDB), disse nesta quinta-feira que espera ter em breve a aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) para a realização dos primeiros arrendamentos portuários. "Temos uma expectativa muito positiva de que o TCU possa apreciar o Bloco 1, diretamente ligado a Santos e Pará, e depois avançar nos demais blocos", disse, sem dar um prazo para que isso aconteça.

"Minha expectativa é positiva tendo em vista o diálogo que temos mantido com Tribunal de Contas", afirmou. De acordo com ele, tão logo a modelagem seja aprovada no TCU, a SEP já estará em condições em dar andamento aos processos.

As licitações, assim como a renovação dos arrendamentos portuários e a liberação de novos Terminais de Uso Privado (TUPs), estiveram no centro das discussões de uma reunião realizada hoje entre o ministro e diversos atores do setor portuário paulista, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Essa era a pauta: investimentos, e ninguém melhor para responder imediatamente (a isso) que o setor privado, tendo em vista a possibilidade de implantação de TUPs, as licitações, os novos arrendamentos e as antecipações de arrendamentos", disse. "Com isso você antecipa também novos empregos e modernização dos portos, que é fundamental para exportação e para torná-los cada vez mais competitivos", acrescentou.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

PETRÓLEO SOBE COM ALERTA DA SHELL
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

Os preços do petróleo encerraram o dia em alta na quinta-feira, em reação ao alerta da Shell de que os preços poderão se recuperar rapidamente, caso muitos projetos de produção sejam cancelados, e à baixa do dólar diante das principais moedas. Muitos traders compraram o tipo Brent para cobrir posições antes do vencimento dos contratos para março na Intercontinental Exchange (ICE) na quinta-feira, após o fechamento.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos para março fecharam a US$ 51,21 por barril, em alta de US$ 2,37 (4,85%). Na ICE, os contratos para março fecharam a US$ 57,05 por barril, em alta de US$ 2,39 (4,37%). Já os contratos do Brent para abril foram cotados a US$ 59,28 por barril, em alta de US$ 3,36 (6,01%).

Para o analista Phil Flynn, do Price Futures Group, "o cessar-fogo na Ucrânia reduzirá as possibilidades de novas sanções contra a Rússia, o que deve ajudar a perspectiva de crescimento da região". "Há várias razões levando ao movimento de cobertura de posições. Ninguém quer ficar sentado segurando a bolsa se os preços continuarem a subir", disse Peter Donovan, da Liquidity Energy.

Ouro

O preço do ouro também subiu, justamente no rastro da queda do dólar frente a principais moedas e aos indicadores fracos de pedidos de auxílio-desemprego e vendas no varejo nos EUA.

A alta do ouro foi limitada por causa do informe do Conselho Mundial do Ouro (uma associação de mineradoras) de que a demanda global pelo metal caiu 4% em 2014, para 3.924 toneladas; a queda da demanda na China foi de 38%, para 814 toneladas.

Na Comex, divisão de metais da Nymex, os contratos do ouro para abril fecharam a US$ 1.220,70 por onça-troy, em alta de US$ 1,10 (0,09%). Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

BRASKEM DESISTE, POR ORA, DE PROJETO NO COMPERJ

Companhia decide pela expansão da produção em Duque de Caxias, após identificar que haverá maior taxa de retorno do que a construção de uma unidade em Itaboraí

A petroquímica Braskem concluiu estudos sobre a adição de capacidade produtiva no Rio de Janeiro e decidiu pela expansão de sua produção no município de Duque de Caxias, desistindo por ora do projeto no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O projeto da Braskem no Comperj previa a construção de uma unidade petroquímica na cidade de Itaboraí, mesmo local onde a Petrobras constrói uma refinaria de petróleo. Porém, uma decisão vinha sendo adiada pela Braskem, cuja ideia era utilizar o gás do pré-sal como matéria-prima para alimentar o complexo petroquímico. Segundo o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, a companhia identificou que haveria maior taxa de retorno ampliando a produção do parque atual em Duque de Caxias do que se a companhia iniciasse uma nova unidade do zero.

"Havendo matéria-prima, o melhor uso é primeiro aproveitando o parque industrial existente em Duque de Caxias, antigamente chamado Rio Pol, e somente depois disso faria sentido avançar em um projeto 'greenfield' em Itaboraí", afirmou Fadigas na quinta-feira, após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2014. A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2014 com alta anual de 17% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a R$ 1,359 bilhão.

A Petrobras anunciou no fim de janeiro que passou a revisar o cronograma de construção do Comperj e da Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, como um dos efeitos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Matéria-prima

Segundo a Braskem, o avanço dos planos da companhia para ampliar as instalações em Duque de Caxias dependerá da viabilização de um contrato de longo prazo para o fornecimento de matéria-prima pela petroleira.

"Não é que ele (projeto do Comperj) não existe mais. Em algum lugar os estudos estão arquivados. Talvez num futuro fa- ça sentido econômico, mas nosso empenho é mais para crescimento de capacidade em Duque de Caxias."

A Braskem possui na cidade uma unidade de petroquímicos básicos e outra de produção de resinas termoplásticas. A companhia não chegou a fazer investimentos relevantes no Comperj. Até o momento, havia apenas estudos de engenharia e diálogos com Petrobras e governos. Procurada, a Petrobras não havia se pronunciado sobre o assunto até o fechamento desta edição.

A Braskem também informou que está em conversas com a nova administração da Petrobras para um terceiro aditivo ao contrato de fornecimento de nafta para a petroquímica. "Parece mais factível trabalharmos uma solução (para o contrato de nafta) que dê tempo a essa equipe para se familiarizar com o assunto. Já fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria uma meta realista e possível", disse Fadigas, acrescentando que considera como baixa a probabilidade da empresa alcançar uma solução de longo prazo para o impasse com a estatal.

Fadigas acrescentou que a Braskem tem demandas para melhorar o aditivo do contrato, mas que o "tempo não está a nosso favor", indicando que o preço da nafta deve ser mantido em aberto. "Está longe de ser o ideal, mas entendemos que dos males, o menor", acrescentou o executivo.

O contrato atual de fornecimento de nafta vence no fim deste mês. A Petrobras tem usado a nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica.

A Braskem tem contestado a postura da estatal e Fadigas afirmou manter a posição, já que considera que os custos de importação "não são pertinentes à indústria química", que não teria condição de absorvê-los.

Atualmente, a Braskem importa 30% das necessidades de nafta e, segundo Fadigas, não seria economicamente viável nem razoável para a indústria elevar esse patamar. "O setor não foi construído para operar com matéria-prima importada", disse.

Para 2015, a Braskem espera uma demanda por resinas neutras no mercado interno, em linha com as atuais projeções para o Produto Interno Brasileiro (PIB) e após ter previsto demanda estável em 2014 e observado um recuo de 1% no mercado ante o ano anterior.

Mercado

Em termos de petroquímicos, a Braskem disse ver o mercado equilibrado pelo menos até 2017, com bons spreads internacionais e boa demanda.

Sobre a crise hídrica, Fadigas afirmou que a Braskem está acompanhando o quadro de restrição de água, mas que não espera um impacto relevante na empresa por conta de investimentos feitos em reaproveitamento.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 13/02/2015

CAI IMPORTAÇÃO DE EMPRESAS DO AGRONEGÓCIO
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

As empresas ligadas ao agronegócio se anteciparam, em 2014, ao atual estágio da economia nacional e aos novos rumos que a agricultura brasileira deverá ter neste ano. Reduziram as importações voltadas para o setor.

As compras a serem feitas neste ano, devido à aceleração da valorização do dólar, deverão representar um custo maior para os produtores, quando repassados esses produtos para o campo.

As 38 empresas ligadas ao setor, entre as 250 principais listadas pelo Ministério do Desenvolvimento, reduziram em 7,5% as compras externas de produtos voltados para o agronegócio em 2014.

Pelo dados do ministério, as importações dessas empresas recuaram para US$ 18,9 bilhões. O setor que mais pisou no freio neste período foi o de máquinas e equipamentos agrícolas, exatamente o que tem uma das principais desacelerações do agronegócio neste ano.

Após importações de US$ 2,32 bilhões em 2013, as principais indústrias de máquinas agrícolas e de construção trouxeram mercadorias no valor de US$ 1,84 bilhão para o país em 2014, um recuo de 21%.

Já as empresas voltadas para as tecnologias de defensivos agrícolas e outros insumos, as que lideram as importações no setor do agronegócio, fizeram compras externas no valor de US$ 7,5 bilhões no ano passado, 4% mais do que em 2013. A liderança nesse segmento é da Syngenta, que manteve o mesmo patamar de importações de 2013: US$ 1,8 bilhão.

No setor de carnes, a tendência foi de intensa aceleração nas importações. As duas principais empresas desse setor gastaram US$ 632 milhões com compras externas.

O primeiro lugar ficou com a JBS. Líder nacional em exportações entre as empresas do agronegócio, a JBS também foi a maior importadora no setor de carnes no ano passado. As compras da empresa somaram US$ 348 milhões, com crescimento de 27% em relação a 2013.

Outro setor importante nas importações agrícolas do país, o de fertilizantes, praticamente manteve os mesmos gastos de 2013 no ano passado.

As 12 principais empresas do setor gastaram US$ 4,42 bilhões em 2014, um recuo de 0,45% em relação ao período imediatamente anterior.

A Yara Brasil Fertilizantes, ao somar US$ 2,1 bilhões de importações no ano passado, foi a principal empresas importadora do setor agrícola, desbancando a Syngenta, líder de 2013.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

EXPLOSÕES EM PLATAFORMAS DO PAÍS AUMENTAM 32,5 VEZES EM 5 ANOS
Publicado em 02/13/2015 as 02:23 PM

ANP registrou 2 casos em 2008 e 65 em 2013; número de poços subiu só 6,5% nesse período

Estatal, que terá que responder pelo acidente, tem seguro para indenização de até US$ 750 milhões

A ocorrência de explosões e incêndios como os verificados no acidente do navio-plataforma Cidade de São Mateus, no Espírito Santo, nesta quarta (11), vem crescendo exponencialmente. Segundo relatórios da ANP, de apenas 2, em 2008, o número cresceu 32,5 vezes, para 65 em 2013, dado mais recente.

O total de incidentes comunicados à agência aumentou 526% no período, de 150 para 939. A quantidade de acidentes se expandiu em ritmo muito maior que a exploração. Nesse mesmo intervalo de tempo, o número de poços perfurados em terra registrou queda de 39%, e, no mar, expandiu-se em 37%.

O número de poços em produção tanto em terra quanto em mar cresceu 6,5%.

A Petrobras responde por 90% da produção no país.

NAVIOS INCOMPLETOS

Para Norton de Almeida, diretor de Segurança do Sindicato dos Petroleiros no norte fluminense, o aumento nos incidentes é resultado "do elevado nível de degradação das plataformas no mar, sem correspondente manutenção", e também do fato de que há navios que partem para as áreas de produção sem sua construção concluída.

A Petrobras será o alvo da investigação do acidente desta quarta, para a ANP, porque é a concessionária dos dois campos --um deles em sociedade de 35% da Ouro Preto Energia (leia texto abaixo).

Punições e multas, caso haja ao fim do processo, serão aplicadas só à estatal.

A Petrobras não comentou a investigação da ANP.

A justificativa da Petrobras para ter dado até agora poucas explicações sobre o caso é que o navio pertence à norueguesa BW, de quem contrata o serviço.

Nesses casos, de toda a equipe embarcada, apenas um ou dois são funcionários da Petrobras. A plataforma tinha 74 pessoas a bordo na hora do acidente.

A Petrobras reconhece o risco de ter de arcar com indenizações por acidentes em seus relatórios financeiros.

Em um deles, o 20F, relata possuir dois seguros para "responsabilidade operacional de terceiros", no valor total de indenização de US$ 750 milhões, em caso de acidente no mar. Cobrem danos causados pela empresa ou por terceirizados "em caso de dano material, lesão pessoal ou morte". A empresa diz no documento, porém, ter direito de buscar, posteriormente, ressarcimento do fornecedor.

Relatório do Ministério Público do Trabalho revelado pela Folha no ano passado listava irregularidades em seis plataformas vistoriadas.

Descontrole sobre emissões de gases, rotas de fugas mal delineadas, despejo de dejetos sem tratamento no mar, botes salva-vidas incapazes de salvar, ferrugem acentuada, controle de manutenção deficiente e jornadas excessivas de profissionais de saúde foram os problemas que chamaram a atenção do MPT na ocasião.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 13/02/2015

GOVERNO FOI ALERTADO SOBRE RISCO EM NAVIOS-PLATAFORMA
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

O governo foi advertido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no fim de 2012, de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deixava de realizar auditorias de segurança operacional em navios-plataforma por "longos períodos" e de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não vinha fiscalizando regularmente a disponibilidade de equipamentos usados em resposta a situações de emergência.

A fiscalização do tribunal foi feita por causa do vazamento de óleo, em novembro de 2011, no Campo de Frade. Para evitar novos acidentes ambientais ou humanos, como o ocorrido anteontem na FPSO Cidade São Mateus, o órgão de controle resolveu avaliar as condições de segurança nas unidades "offshore" de produção de petróleo e gás natural.

Para entrar em funcionamento, um navio-plataforma precisa de três chancelas imprescindíveis: o documento de segurança operacional da ANP, a declaração de conformidade da Marinha e a licença de operação do Ibama.

Depois de emitir esse documento liberando as plataformas, a agência reguladora deve fazer inspeções regulares em que seus fiscais vão a bordo das plataformas, para que sejam avaliados os requisitos de segurança operacional das estruturas. Essas inspeções servem para verificar a implementação dos sistemas de gerenciamento da segurança e a conformidade com os requisitos técnicos para operar as FPSOs.



Quando foram passar um pente-fino nos trabalhos da ANP, os fiscais do TCU descobriram que 37% das plataformas de perfuração e 19% das plataformas de produção nunca haviam recebido a auditoria de segurança operacional da agência. O diagnóstico do tribunal era que faltava pessoal para desempenhar essa função e o quadro poderia agravar-se. "A situação tende a tornar-se crítica com o cenário de forte ampliação da exploração e produção do pré-sal", observa o relatório, enviado à Casa Civil e ao Ministério de Minas e Energia.

"A ANP se expõe ao risco de ocorrência de acidentes na medida em que não confirma previamente as informações prestadas por ocasião da aprovação das DSOs (documentos de segurança operacional) e deixa de realizar auditorias em algumas estruturas por longos períodos", afirma um trecho do relatório, que foi aprovado em plenário pelos ministros do tribunal de contas.

O órgão de controle defendeu o estabelecimento de periodicidade mínima para realização das auditorias de segurança. A ANP contestou essa sugestão, argumentando que uma plataforma de menor risco operacional poderia se tornar prioritária em relação a outra de maior risco, independentemente dos prazos.

Procurada pelo Valor, a agência disse que o TCU se manifesta aos órgãos públicos que fiscaliza por meio de acórdãos aprovados por seus ministros. "O acórdão produzido a partir do relatório citado não aponta falhas na fiscalização da ANP, faz apenas recomendações de aprimoramento", afirma a nota. De acordo com a agência, todas as recomendações do acórdão eram pertinentes e todas foram implantadas".

O Ibama também foi objeto do relatório. No licenciamento ambiental, os técnicos da autarquia visitam todas as plataformas antes de sua entrada em operação. "No entanto, após o início das operações, não há avaliação periódica da disponibilidade dos materiais de resposta a emergências que foram inspecionados durante o licenciamento", diz o TCU.

Materiais de resposta podem ser, entre outras coisas, barcos de apoio e resgate para acionamento imediato em situações excepcionais. Em muitos casos, essas embarcações precisam estar de prontidão em alto-mar, já que há plataformas longe da costa e o socorro poderia levar tempo demais para chegar ao local do acidente. "A falta de fiscalização frequente do cumprimento dos planos de emergência diminui a expectativa de controle sobre a indústria."

A reportagem procurou o Ibama, mas a assessoria do órgão não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

CONAB E IBGE BAIXAM PREVISÕES PARA PRODUÇÃO NACIONAL
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

Adversidades climáticas localizadas sobretudo em regiões produtoras do Centro-Oeste e do "Mapitoba" (confluência entre os Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) levaram a Conab e o IBGE a ajustarem para baixo suas estimativas para a colheita total de grãos no país nesta safra 2014/15. O IBGE confirmou que há problemas pontuais inclusive no Paraná, onde a situação em geral é favorável (ver Clima e câmbio animam colheita na região Sul).

Segundo a Conab, a produção, puxada pela soja, somará 200,1 milhões de toneladas, 1% menos que o previsto em janeiro mas ainda 3,4% mais que em 2013/14. O IBGE passou a projetar 201,3 milhões de toneladas. Conforme a Conab, a colheita de soja chegará a 94,577 milhões de toneladas - 1,4% menos que a projeção, mas volume, recorde, quase 10% superior ao do ciclo anterior. Para o milho, a autarquia agora vislumbra 78,4 milhões de toneladas, com quedas de 0,8% sobre a estimativa de janeiro e de 2,1% em relação à temporada anterior.

De acordo com os dados da Conab, Mato Grosso voltará a liderar a produção brasileira de grãos, com participação de 24,1% no total. Em seguida aparecem o Paraná e o Rio Grande do Sul, com fatias de 18.4% e 14,8%, respectivamente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

AGRICULTORES DE MS AMPLIAM APORTES E GANHAM EFICIÊNCIA
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

O Estado de Mato Grosso do Sul tem muito mais do que apenas fronteiras com Paraná e Mato Grosso, os dois maiores produtores de soja do país. Nos últimos anos, os sul-mato-grossenses vêm lançando mão de uma série de investimentos em técnicas mais avançadas de cultivo e na estrutura das fazendas, que caminham para levar a produção a outro patamar.
"Houve uma mudança de perfil de tecnologia surpreendente de quatro anos para cá, possivelmente porque os preços da soja também foram favoráveis", diz Marcos Rubin, sócio da Agroconsult.

O risco de problemas climáticos no Estado, bastante exposto a veranicos, costumava afugentar investimentos mais pesados. Mas, na medida em que ficaram mais capitalizados, os produtores locais de grãos começaram a turbinar os aportes em adubação (há solos mais arenosos na região), variedades com maior rendimento e maquinários. Essa mudança também coincide com o avanço em Mato Grosso do Sul de cooperativas agropecuárias tradicionais do Paraná (a exemplo de Coamo e Lar), no vácuo das crises financeiras de algumas cooperativas locais.

"Desde 2010, investi R$ 6 milhões em tratores, colheitadeiras e plantadeiras", diz Nédio José Anzilago, de Aral Moreira, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Ele personifica a emergente categoria dos produtores de vanguarda no Estado. "Este ano, devo investir mais R$ 1,5 milhão em plantadeiras".

A família Anzilago chegou à cidade na década de 1970, vinda de Concórdia (SC), e na época ocupou 20 hectares. Hoje, já toca 2,3 mil hectares cobertos com soja, em terras que se estendem até o Paraguai. A produtividade esperada para a atual temporada 2014/15 é de 60 a 65 sacas por hectare, semelhante à do ano anterior, mesmo com a seca que afetou as lavouras entre o fim de dezembro e janeiro.
Em Ponta Porã, também na divisa com o Paraguai, os irmãos Ademir e Walter Galende preveem uma média acima de 50 sacas, ante as 45 do ciclo passado. "Plantamos soja de 120 dias de ciclo e com 100 dias já estávamos colhendo, já que as altas temperaturas aceleraram a maturação da planta. Mas a lavoura está melhor este ano, choveu bem no plantio", conta Ademir.

As regiões mais atingidas pela estiagem estão no sul do Estado, em municípios como Naviraí, Caarapó e Laguna Carapã, indicam avaliações de campo conduzidas pelo "Rally da Safra" e acompanhadas pelo Valor esta semana. Já na região de Maracaju e Dourados, no centro-sul, o potencial das lavouras não está totalmente definido e ainda é necessário que o clima colabore nas próximas semanas. Mas as perspectivas são positivas.

Dados divulgados ontem pela Conab indicam que Mato Grosso do Sul deverá colher 6,9 milhões de toneladas de soja em 2014/15, 12,2% mais que em 2013/14, o que coloca o Estado na quinta posição entre os maiores produtores da oleaginosa no país. A área plantada cresceu 8,5% na comparação, para 2,3 milhões de hectares. Ao que tudo indica, assim, a disputa de terras na região que opõe a soja à cana e às pastagens só tende a ficar mais acirrada no futuro próximo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

CLIMA E CÂMBIO ANIMAM COLHEITA NA REGIÃO SUL
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

Colheita de soja em Boa Esperança, no Paraná: produção do grão deverá superar 17 milhões de toneladas no Estado

Acostumado a lidar com os sobressaltos inerentes à sua vulnerabilidade climática, o Sul do Brasil vem se destacando nesta safra de grãos por condições surpreendentemente favoráveis. Contemplada por temperaturas em geral adequadas e chuvas regulares e volumosas, a região tende inclusive a amenizar prováveis perdas em outros Estados produtores que sofrem com a seca.

Essa tendência é puxada pela soja, carro-chefe do agronegócio nacional. A oleaginosa, que encabeça as exportações do setor, já apresentava melhores perspectivas de rentabilidade que na época do plantio em razão da valorização do dólar, que tem aliviado o efeito da queda das cotações na bolsa de Chicago. Isso mesmo para quem está sem água. Mas com o clima a elevar a produtividade, tônica no Sul, serão mais sacas lucrativas, o que poderá animar a economia da região como um todo.

"Desde junho, o câmbio significou uma oferta de preços R$ 12 maior por saca no mercado brasileiro, enquanto Chicago tirou R$ 10 desse valor no mesmo período", calcula Marcos Rubin, sócio da Agroconsult e um dos coordenadores do "Rally da Safra", expedição técnica realizada há 12 anos pela consultoria. O Valor participou da terceira etapa do rally deste ano (são nove no total) e, entre 4 e 9 de fevereiro, visitou 27 cidades e cerca de 30 lavouras em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

Com a alta do dólar, a Agroconsult estima que em Campo Mourão, principal polo produtor no centro-norte do Paraná, a rentabilidade da soja em 2014/15 ficará positiva em R$ 628 por hectare. O montante é bem inferior aos R$ 1.273 por hectare da safra passada, quando os preços estavam mais atraentes, mas ainda garante uma boa remuneração ao agricultor, que vem capitalizado após uma sequência de três ou quatro anos de resultados positivos.



Não bastassem as margens maiores que as previstas na semeadura e o clima generoso, a região Sul, que concentra quase 40% da produção brasileira de grãos, também comemora o fato de não ter sofrido, pelo menos até agora, ataques agressivos de pragas ou doenças. Da helicoverpa, vilã nas duas últimas temporadas em muitas lavouras, mal se ouve falar. As plantações estão excepcionais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul - embora, especialmente neste último, seja necessário chuvas por mais 30 dias para que o potencial produtivo se defina.

Mas são os produtores de soja do Paraná que parecem mais ansiosos. Vice-líder na produção nacional de soja (atrás apenas de Mato Grosso) e recém-saído de uma safra marcada por golpes do clima, o Estado nutre grande expectativa em relação a uma reação neste ano. No ciclo passado, os paranaenses colheram uma média de 49,5 sacas por hectare, bem abaixo das 56 sacas projetadas inicialmente pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à secretaria estadual da Agricultura.

"Sofri um pouco com a estiagem no ano passado, mas agora está excelente, não tenho do que reclamar", diz Anselmo Hernandez, que cultiva soja em 73 hectares no município de Tupãssi, oeste do Paraná - região de solos férteis e alta tecnificação que costuma puxar para cima a produtividade média do Estado. A colheita começou e a previsão do agricultor é de um rendimento de 70 sacas por hectare, ante as 66 do ciclo anterior.

Levantamento da Conab divulgado ontem confirmou que, após alguns solavancos nos últimos anos, a soja do Paraná voltará a ter a melhor produtividade do país nesta safra 2014/15, em torno de 3.328 mil quilos (55,5 sacas) por hectare. A produção total da oleaginosa está estimada em 17,3 milhões de toneladas, um recorde. "Algumas lavouras ainda precisam de chuva, principalmente no sul do Estado, mas o potencial é fantástico", diz Rubin.

Em 2013/14, o outro extremo do Paraná foi o que mais sofreu. Uma estiagem prejudicou a produtividade da soja no norte do Estado, mas os agricultores já respiram mais aliviados. Osmar Fritsche, de Engenheiro Beltrão, chegou a enfrentar um período seco no plantio do ciclo atual, em outubro, e outro em janeiro, mas nada tão severo. "Espero uma média de 60 sacas por hectare, bem mais que as 45 sacas de 2013/14", afirma.

Há regiões do Paraná, contudo, que formaram bolsões onde recuos de produtividade não estão descartados. "A tendência é de safra boa no geral, mas há problemas pontuais, como no oeste paranaense", diz Alan Malinski, analista da Agroconsult. É o caso do município de Boa Esperança. O produtor Mário Ferreira de Souza chegava a escutar a chuva no município vizinho, Campo Mourão. "Mas aqui não caía uma gota". Ele prevê que a colheita alcançará 64 sacas por hectare, ainda assim acima da estimativa média estadual.

Estendendo a análise do mapa produtivo da soja no país, o termômetro da tensão se aquece na medida em que se aproxima da região que abrange Goiás, noroeste de Minas, sul do Piauí e do Maranhão e oeste da Bahia. Nesta última, as chuvas em janeiro ficaram em 63 milímetros, quando o normal seria 178 mm, conforme a Agroconsult.

Para a primeira quinzena de fevereiro, a previsão é de 67 mm, também abaixo da média de 80 mm. Em muitas dessas áreas, as lavouras de soja ainda estão em fase de enchimento de grãos, período que requer bom nível de umidade (o que significa que os potenciais produtivos já foram afetados e seguem sob risco).
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, houve problemas com a falta de chuvas, mas a produtividade é boa até o momento. Com 17% da área colhida, o rendimento médio está em 52,4 sacas por hectare, próximo à média da última safra, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

No front de comercialização, os mato-grossenses já negociaram 49,9% da produção de soja a ser colhida, abaixo dos 61,9% do mesmo período do ano passado. No Paraná, o percentual é de 12%, ante 24% um ano atrás, nas contas do Deral. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos de soja no Paraná estava na casa de R$ 60, quase 8% aquém do mesmo período de 2014.

Em termos de produção, parece que só algum grande fato novo será capaz de fazer os preços da soja mudarem de direção. "Mesmo com problemas climáticos, não haverá uma quebra tão grande", estima Rubin. A Agroconsult projeta uma colheita de 93,9 milhões de toneladas da oleaginosa no país, um pouco menos do que a Conab (ver Conab e IBGE baixam previsões para produção nacional).

Para a safra 2015/16, a tendência é que a rentabilidade continue baixa, diz Rubin. "No Paraná as margens são mais folgadas [do que em Mato Grosso], mas também tendem a ficar mais apertadas". E já há quem, como Alexandre Moreira, produtor de Luiziana (PR), tenha decidido não colocar a mão no bolso agora. "Investi R$ 600 mil em máquinas nas últimas três safras, mas parei este ano. Prefiro esperar, até para ver como fica a nossa política econômica", afirma.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

LUCRO GLOBAL DA BUNGE MAIS QUE DOBROU NO ANO PASSADO
Publicado em 02/13/2015 as 02:22 PM

A americana Bunge, uma das maiores companhias do agronegócio global, informou ontem que teve em 2014 um lucro líquido de US$ 659 milhões, mais que o dobro dos US$ 306 milhões de 2013. Uma menor despesa com imposto de renda - uma diferença no ano de US$ 610 milhões - foi decisiva no robusto resultado. Operacionalmente, no entanto, houve retração. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) caiu 18% para US$ 1,080 bilhão, na comparação com 2013.

A notícia negativa veio da demanda mais fraca da China, com forte impacto no resultado global da companhia. "Na China, não tivemos a margem de esmagamento que esperávamos no trimestre. Mas olhando para a frente, o mercado chinês deve melhorar", afirmou o CEO da companhia, Soren Schroder.

A receita líquida da multinacional em 2014 caiu 5,7%, a US$ 57,8 bilhões. No último trimestre do exercício, a queda foi de 15%, para US$ 13,9 bilhões.

O segmento de agronegócios, o mais importante para a multinacional e onde a China tem um peso importante, registrou uma receita líquida 6,5% mais baixa no ano (US$ 42 bilhões), e 19% menor no quarto trimestre (US$ 9,992 bilhões). Na mesma comparação, o Ebit desse segmento caiu 13,7%, para US$ 890 milhões, e 9,2%, a US$ 314 milhões.

Pesou positivamente no balanço, segundo o CEO da Bunge, Soren Schroder, as maiores margens de processamento de grãos na América do Norte e na Europa, além de um fluxo de caixa livre "neutro" para o negócio sucroalcooleiro, após trimestres consecutivos de resultados decepcionantes nessa frente.

Apesar de uma melhora no trimestre e nas perspectivas para o mercado de etanol no Brasil, o executivo ressaltou em comunicado a investidores que o objetivo de reduzir a exposição da empresa ao setor brasileiro de cana-de-açúcar não mudou.

A receita líquida do segmento de Açúcar & Bioenergia cresceu no ano 7,7%, para US$ 4,5 bilhões, e 32% no 4º trimestre, para US$ 1,359 bilhão. Conforme a empresa, a redução de custos e os elevados volumes e margens com a venda de energia produzida a partir do bagaço de cana mais que compensaram os baixos preços e volumes de açúcar e etanol. Em 2014, a companhia vendeu 513 mil megawatts-hora, 69% acima do comercializado em 2013.

O resultado operacional desse segmento, no entanto, foi uma perda de US$ 142 milhões, ante o prejuízo operacional de US$ 43 milhões de igual trimestre de 2013. Em 2014, as usinas no Brasil processaram 19,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um pouco acima das 19,1 milhões de 2013.

Para 2015, o executivo antevê mais negócios com milho no Brasil, onde apenas 40% da segunda safra foi vendida antecipadamente. A companhia também espera que os volumes de milho vindos dos produtores americanos melhorem daqui em diante. "Esperamos um crescimento no consumo de milho e trigo, combinados, de 2% em 2015", afirmou Schroder.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

KAROON ENXERGA OPORTUNIDADES EM ÁREAS NO BRASIL
Publicado em 02/13/2015 as 02:21 PM

A petroleira australiana Karoon pretende posicionar o Brasil como principal fonte de seus investimentos nos próximos anos. Mesmo diante da crise de credibilidade da indústria brasileira de óleo e gás, em meio aos desdobramentos da Operação Lava-Jato, a empresa vê o momento favorável para crescer no país. O plano é aproveitar a queda dos preços do barril para comprar participação em campos em fase de desenvolvimento e produção, enquanto aumenta investimentos na avaliação de Kangaroo, sua principal descoberta no mundo.

Para Tim Hosking, diretor-geral na América do Sul, oportunidades devem crescer no ano com preços baixos do petróleo

"As oportunidades devem crescer este ano com os preços baixos [do petróleo]", disse diretor-geral da Karoon na América do Sul, Tim Hosking, ao Valor.

O plano da empresa é adquirir uma fatia em algum campo marítimo com foco em óleo. A ideia é entrar como não operador e adquirir experiência com produção, antes de operar em Kangaroo, na Bacia de Santos.

A descoberta, anunciada em 2013, é a principal aposta da empresa, que só possui ativos exploratórios (no Brasil, Peru e Austrália). A expectativa da companhia é que a área seja a primeira da carteira global de projetos da companhia a entrar em fase de produção, entre 2020 e 2021.

Listada na Bolsa de Valores da Austrália, a Karoon foi fundada em 2003, mas ainda não produz. As receitas da companhia são geradas a partir da venda de participação em blocos exploratórios. No ano passado, por exemplo, a empresa vendeu para a Origin, por US$ 800 milhões, sua fatia de 40% nos blocos WA-315-P e WA-398-P, na Austrália, onde esta concentrada a descoberta de gás de Poseidon.

Este ano, a companhia pretende investir cerca de US$ 100 milhões na perfuração de dois poços de avaliação de Kangaroo. O plano é concluir os compromissos obrigatórios, que contemplam a perfuração do poço Kangaroo-2, finalizado esta semana, e Kangaroo West, entre os blocos S-M-1101 e S-M-1165. A Karoon, contudo, avalia a perfuração de mais dois poços, nas áreas de Kangaroo e Emu. Para 2016, a expectativa da companhia é perfurar mais dois a quatro poços.

O momento, segundo Hosking, é favorável para investimentos em exploração. De acordo com o executivo, os custos de exploração caíram cerca de 30% no mercado global desde o ano passado na indústria petrolífera. A Karoon tem planos de participar da 13ª Rodada da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O olhar da empresa está direcionado para áreas maduras em mar.
"Estamos olhando algumas regiões em particular, sempre no offshore, em áreas próximas dos mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro, em bacias como a de Campos e a do Espírito Santo", disse Tim Hosking.

Para bancar seus investimentos, a companhia tem hoje um caixa disponível de US$ 589 milhões, mas pretende ir ao mercado nos próximos anos atrás de captações. Além disso, a empresa estuda reduzir sua participação nos blocos que detém no Brasil.

Com participação de 65% nas concessões S-M-1037, S-M-1101, S-M-1102, S-M-1165 e S-M-1166, a petroleira quer reduzir sua fatia para 40%, mantendo-se como operadora. O objetivo é diminuir a necessidade de investimentos no momento em que as descobertas passarem para a fase de desenvolvimento e produção.

A companhia chegou a abrir um data-room no final do ano passado, mas pretende esperar um momento mais oportuno para negociar os ativos. O objetivo é aumentar o conhecimento de dados sobre as descobertas no Brasil, enquanto aguarda a recuperação dos preços do barril no mercado internacional.

"Vamos pegar todos os dados dos poços, organizar, estudar, criar valor e enviar convites. Queremos vender parte de nossa participação para pagar as contas mais altas do desenvolvimento [de Kangaroo]", disse Hosking.

Os testes no poço Kangaroo-2 indicaram um fluxo de produção de 6 mil a 8 mil barris diários de óleo a partir de poços verticais, mas a companhia acredita que a produção pode ultrapassar os 10 mil barris/dia se utilizada a técnica de perfuração horizontal.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

BRASKEM DESISTE DE PARTICIPAR DO COMPERJ
Publicado em 02/13/2015 as 02:21 PM



Depois de anos de negociações e indefinição sobre o preço de matéria-prima, a Braskem desistiu de participar do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), polo encabeçado pela Petrobras que está em construção em Itaboraí (RJ). A maior fabricante de resinas das Américas, que tem Odebrecht e a estatal como acionistas majoritários, assumiria a central petroquímica e a produção de polietileno e poliproprileno a partir de gás no complexo, que vai custar US$ 13,5 bilhões, quase duas vezes mais do que o previsto no início.

Fadigas: "Ampliar é melhor do que fazer um projeto do zero" e prevê crescimento no Rio com expansão da antiga Riopol

A primeira fase do Comperj (refinaria de óleo), que representa o principal investimento em curso da indústria no país, deve ser entregue em 2017, com seis anos de atraso. Paralisação das obras por causa de chuvas, greves e, agora, o fato de ser um dos alvos de investigação da Operação Lava Jato explicam boa parte desse atraso. Ainda assim, até pouco tempo atrás, a Braskem mantinha o Comperj no radar de investimentos.

"O crescimento no Estado do Rio de Janeiro, que é onde chega a matéria-prima do pré-sal, se dará pelo parque atual [da Braskem], em Duque de Caxias. Ampliar é melhor do que fazer um projeto do zero [no Comperj]", afirmou ontem o presidente da Braskem, Carlos Fadigas. A expansão em Duque de Caxias, porém, dependerá de um contrato de fornecimento de matéria-prima.

Segundo o executivo, um estudo de viabilidade indicou que a expansão da antiga Riopol, instalada a 100 km do Comperj, terá taxa de retorno mais interessante. Com a expansão, esse polo, o primeiro complexo industrial gás-químico integrado do país, poderá dobrar de tamanho. Hoje, pode fazer 520 mil toneladas de eteno por ano.

Conforme Fadigas, não há definição sobre o montante de investimento nem quanto ao tamanho da expansão. "Não estamos falando de aumentar em 20% ou 30%. É mais provável que estejamos falando de duplicação", explicou.

Para se ter uma dimensão do tamanho dos projetos do setor, no México, onde a Braskem e a mexicana Idesa estão construindo em parceria um polo gás-químico, com capacidade para 1 milhão de toneladas por ano da resina polietileno, os investimentos acumulados até 2014 são de US$ 4,2 bilhões.

O projeto mexicano foi viabilizado por um acordo de fornecimento de etano com a Pemex Gás, a preços referenciados pelo gás Mont Belvieu - que no ano passado caiu de US$ 212,40 por tonelada, em junho, para US$ 110,37 por tonelada em dezembro.

A redução do ritmo de preparativos para o Comperj se refletiu nos investimentos da Braskem em 2014. Fadigas disse que os desembolsos (de R$ 2,526 bilhões) ficaram 5% abaixo do previsto, devido a menos aportes em outros projetos que não o do México, principalmente no Comperj.

A indefinição sobre preços de matéria-prima no Brasil tem tirado o sono da Braskem, sobretudo no que tange às operações existentes da petroquímica.
Fadigas informou, durante a conferência de detalhamento do balanço financeiro do ano passado, que a companhia já iniciou conversações com a nova diretoria da Petrobras referentes ao contrato de fornecimento de nafta, que venceu em fevereiro de 2014. Esse contrato vem sendo renovado por meio de aditivos com prazo de seis meses.
O executivo afirmou que, diante do prazo enxuto para negociação - o aditivo em vigor vai expirar no dia 28 -, a tendência é de nova postergação, provavelmente também de seis meses, com manutenção do preço em aberto da nafta.

"O ponto positivo é que há uma nova administração com a qual a Braskem já começou a conversar, mas não seria justo pedir [aos novos diretores] que achem uma solução de longo prazo neste momento", ponderou o presidente da petroquímica. A negociação do contrato é feita com a diretoria de Abastecimento da estatal.

"Fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria hoje uma meta factível, realista, para que eles possam se capacitar ao assunto. Esse é um foco da Braskem", explicou. O outro foco é justamente evitar que a petroquímica fique sem contrato de fornecimento de nafta com a Petrobras depois dessa data.

A Braskem consome 10 milhões de toneladas por ano de nafta, das quais 70% fornecidas pela Petrobras. O restante é importado de diversas fontes.

A estatal propôs repassar ao preço da matéria-prima que fornece os custos com importação, o que poderia elevar em 5% a 7% os valores pagos pela Braskem. É justamente isso que tem travado as negociações de renovação do contrato dentro dos parâmetros que a petroquímica considera que traz competitividade para as suas operações.
Fonte : Valor Econômico
Data : 13/02/2015

HIDROVIA: UM RIO DE SOLUÇÕES PARA O BRASIL
Publicado em 01/28/2015 as 02:39 PM

O custo do frete para o escoamento da produção é um dos grandes desafios a ser superado pelo produtor rural. O clima favorável e técnicas modernas de produção tornam a agricultura brasileira uma das mais competitivas do mundo, mas o baixo investimento em logística de transporte aumentam os custos da produção e tem impacto direto na renda do agricultor.

A Ministra Katia Abreu sabe que o empresário do campo deseja condições para produzir com menor custo e vem trabalhando para a melhoria de infraestrutura para o agronegócio desde que foi eleita Senadora pela primeira vez. Uma de suas bandeiras para melhorar o transporte da produção agrícola é a implantação de hidrovias nos rios brasileiros. Transportar uma tonelada na hidrovia custa, em média, R$ 45,00 por quilometro contra R$ 170,00 gastos na rodovia. Os comboios fluviais usados na bacia Amazônica podem transportar 40 mil toneladas. Isso retira das estradas o equivalente a 1.200 carretas, reduzindo o impacto ambiental e econômico, descentralizando os portos e descongestionando as rodovias.

O principal entrave para a implantação de mais hidrovias é a construção de hidrelétricas, mas a Lei 13.081/2015 pode ser o que faltava para resolver o problema. Essa norma determina a construção de dispositivos de transposição de desníveis em barragens de hidrelétricas em rios potencialmente navegáveis.

A Ministra sempre defendeu a construção de eclusas (uma espécie de elevador de água) juntamente com a construção da hidrelétrica para baratear os custos e permitir que os cidadãos possam continuar usando o rio como meio de transporte. Segundo Katia Abreu “as hidrovias proporcionariam uma transformação fundamental para o sistema logístico de transporte no Brasil”.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PORTO SECO DE FOZ BATE RECORDE DE LIBERAÇÃO DE CARGAS EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Com o total de 158.954 caminhões liberados em 2014 (incremento de 2,9% em relação a 2013, quando foram registrados 154.409 caminhões) o recinto aduaneiro de Foz do Iguaçu foi, pelo terceiro ano consecutivo, o porto seco rodoviário de maior movimentação de cargas em toda a América Latina.

As exportações brasileiras liberadas pelo recinto tiveram um incremento de 2,8% quando comparadas ao ano anterior, atingindo a cifra de US$ 3,16 bilhões (num total de 71.737 caminhões). No que toca às exportações realizadas pela tríplice fronteira, o Paraguai representou o destino de 89% do volume, ao passo que os restantes 11% tiveram como destino a Argentina.

Como o Paraguai é um país fortemente agrícola, importa muitos insumos para produção, por isso entre os produtos mais exportados se destacaram fertilizantes e máquinas agrícolas. Já para a Argentina, os bens mais exportados foram ferro fundido, máquinas e veículos.

As importações processadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu tiveram aumento de 5,7%, fechando o ano com um volume de US$ 2,46 bilhões (correspondentes a 87.209 caminhões). Do volume total de cargas de importação que ingressaram no Porto Seco em 2014, 63% tiveram como origem o Paraguai, 32% a Argentina e 5% o Chile.

Dentre os produtos mais importados do Paraguai, destacam-se grãos e sementes, carnes e cereais, da Argentina o que mais se importou foi madeira, produtos de horticultura e frutas e do Chile, peixes e frutos do mar, além de frutas.

Considerando-se as operações realizadas no âmbito do Porto Seco de Foz do Iguaçu, verifica-se nesta região fronteiriça a ocorrência de um superávit comercial da ordem de US$ 700,5 milhões, que corresponde à diferença positiva entre as exportações e importações processadas no referido recinto aduaneiro.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PORTO DE PARANAGUÁ PREVÊ AUMENTO DE 6% NO EMBARQUE DE SOJA
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Com o crescimento nas previsões da safra de grãos e a manutenção do câmbio favorável para as exportações, o embarque de soja pelo Porto de Paranaguá deve ser 6% maior em 2015 em relação ao ano passado. Segundo a estimativa, os embarques com o grão podem ultrapassar as 7,9 milhões de toneladas ao longo de todo o ano.

O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho, disse que o aumento da eficiência no Porto foi um dos compromissos assumidos pelo Governo do Estado. “Os bons resultados serão percebidos pela indústria, pelo agronegócio e pelo comércio como um todo”, enfatizou Richa Filho.

Na última sexta-feira (23), o primeiro navio de soja foi carregado no porto, dando início à temporada de escoamento do grão, que terá movimento cada vez mais intenso até os meses de março e abril, quando a exportação da safra de soja atinge seu pico, com mais de 1,4 milhões de toneladas em cada um dos meses.

A conjuntura econômica e as condições favoráveis para exportação devem puxar o aumento no embarque da soja. “O crescimento deve ser puxado pelo aumento da produtividade no campo e pela tendência de melhora no preço do produto em função da taxa de câmbio”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

Segundo o prognóstico do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a área a ser cultivada na safra 2014/15 em todo o Brasil deverá ser de 31,29 milhões de hectares, número que é 3,7% maior do que a safra anterior, quando foram plantados cerca de 30,17 milhões. Com base nisso e nos ganhos de produtividade por hectare, a estimativa para esta safra é que sejam produzidas cerca de 90,54 milhões de toneladas. Se confirmada, esta quantidade será 5,1% superior às 86,12 milhões de toneladas produzidas na temporada passada.

A desvalorização do real frente ao dólar também foi amigável ao produtor que vai exportar o grão. Nos últimos seis meses, a moeda saltou dos R$ 2,20 para R$ 2,60 - no final das contas, o produtor comprou os insumos com o dólar mais baixo e vai vender o grão com um câmbio mais favorável.

O aumento no escoamento total acompanha a expectativa de crescimento na movimentação de carga dos operadores do porto. Segundo o responsável técnico da Coamo no Porto de Paranaguá, Alexandro Cruzes, o aumento de patamar da safra deve puxar os embarques. “Com este patamar de preço, devemos partir para um crescimento de 5% a 6% na exportação”, completa.

EFICIÊNCIA - O aumento previsto no escoamento está também diretamente ligado às melhorias logísticas implementadas pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Neste ano, quatro novos shiploaders passarão a carregar os navios que atracam no. Corredor de Exportação. Os carregadores permitirão operar com navios de maior porte, reduzindo o tempo de embarque e o custo de transporte.

A capacidade nominal de carregamentos dos novos shiploaders é de duas mil toneladas por hora. “Estes novos shiploaders rendem um carregamento 30% maior que a dos equipamentos substituídos. O porto ganha em produtividade e capacidade de escoamento”, explica Dividino.

Além disso, investimentos recentes tem aumentado gradativamente a eficiência do porto no carregamento dos grãos, como, por exemplo, a readequação do sistema Carga Online, que ordena o recebimento de caminhões e permitiu acabar com as filas no acesso ao Porto. Ao todo, foram cerca de R$ 480 milhões em investimentos entre 2011 e 2014.

FARELO - Parte do chamado “complexo-soja” é complementado pela exportação do farelo da soja. O processamento do grão moído tem maior valor agregado e rende mais ao produtor agrícola.

Neste tipo de produto, o Porto de Paranaguá é o líder em exportação no Brasil, com 5,17 milhões de toneladas embarcadas. No total, o porto paranaense foi responsável por 37,7% do total exportado pelo Brasil.
Fonte : Portos e Navios
Data : 28/01/2015

PREÇOS SOBEM COM RISCO DE INTERVENÇÃO SAUDITA
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

Os preços do petróleo subiram, ontem, depois de o presidente da estatal saudita Saudi Aramco, Khalid alFalih, dizer que a companhia adiará alguns projetos por causa da queda de receita que resultou da baixa dos preços. Ele também disse que a Arábia Saudita "não agirá sozinha para equilibrar o mercado". Na segunda-feira, o secretáriogeral da Opep, Abdalla Salem al-Badri, havia dito que os preços aparentemente estavam próximos do fundo do poço e poderiam estar posicionados para o movimento de recuperação.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para março fecharam a US$ 46,23 por barril, em alta de US$ 1,08 (2,39%). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do Brent com mesmo vencimento foram cotados a US$ 49,60 por barril, em alta de US$ 1,44 (2,99%).

Os analistas da Simmons & Co. International disseram que as declarações do presidente da Aramco podem ser interpretadas como sinal de que a Arábia Saudita pode estar disposta a se juntar a uma reação coordenada com outros produtores para conter a queda dos preços. "Um número maior de pessoas está dizendo que os sauditas vão capitular em breve. Não penso que isso seja necessariamente verdade, mas não há dúvida de que há uma batalha interna acontecendo", comentou Kyle Cooper, da IAF Advisors. (Com agências)
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 28/01/2015

PRODUTIVIDADE E DESENVOLVIMENTO
Publicado em 01/28/2015 as 02:38 PM

O Desenvolvimento está atrelado ao aumento da produtividade. É possível crescer com base quantitativa, mas sem os fundamentos qualitativos, não haverá elevação da Renda per capita. Quais são esses fundamentos? Pela visão do custo de produção é possível identificar alguns dos principais: mão-de-obra; maté- ria prima; tecnologia; infraestrutura; custos financeiros e tributários. Sobre eles é possível fazer uma análise objetiva, mostrando oportunidades e óbices para o Desenvolvimento. A mão-de-obra é sempre destacada e sua produtividade é confundida com a global. No Brasil ela é relevante, mas talvez não seja a mais importante, pois o trabalho tem custo baixo, apesar de onerado pelos encargos sociais. Mas sua utilização não é adequada.

Tomando o exemplo da China (também do Japão de alguns anos atrás), a competitividade de seus produtos parte do uso intensivo da mão-de-obra, barata e culturalmente preparada. No Brasil, em face dos elevados encargos sociais – que nada mais são que tributos – enveredou-se pela produção capital intensiva, que não consegue competir com os bens produzidos no exterior, pois a tecnologia é limitada e, sobretudo, os custos financeiros são exagerados. Não se tira vantagem do trabalho de baixo custo. Cabe então avaliar a matéria prima. Quando se origina no País, é competitiva, mas para seu uso adotam-se componentes e conjuntos importados, além de processos tecnológicos copiados do exterior, fatores que acabam reduzindo a produtividade.

Deve-se destacar que, mesmo detendo bens primários abundantes e baratos, como o minério de ferro que é amplamente exportado in natura, importa-se o aço manufaturado, o que não se pode debitar apenas ao custo com tributos da mão-de-obra, mas também aos demais fatores ora listados. Especialmente no que se refere a produtos tecnologicamente mais sofisticados, com reduzidas exceções, o Brasil não se mostra competitivo. É interessante observar que países com limitações de matéria prima, importam e a processam, manufaturando bens totalmente competitivos. Deste modo a riqueza em bens primários não é diferencial tão importante, pois seu transporte tem custos relativamente reduzidos. A seguir cabe cotejar a tecnologia.

O Brasil pouco desenvolve tecnologia própria e, apesar de ter investido nos últimos anos pesadas parcelas do PIB para tal, os resultados foram pequenos. As empresas preferem adquiri-la do exterior. Mas os processos vindos de fora não foram criados para as condições brasileiras, em especial as características da mão-de-obra e clima, e a produtividade decorrente é limitada. A tecnologia própria é mais adequada e produtiva e ainda colabora para o enriquecimento nacional. O exemplo acima das Nações que importam matéria prima serve para comprovar ser esse o caminho correto. Um dos fatores para que suas produções sejam competitivas é exatamente a excelente tecnologia que desenvolvem. Falar da infraestrutura também é necessário.

Peca-se na infraestrutura brasileira quanto à qualidade e aos custos. A energia é bem suprida (sem contar a atual sazonalidade das chuvas) e as telecomunicações melhoraram muito. Todavia os transportes são desastrosos, seja quanto ao escoamento das áreas de produção para os pontos de embarque, seja no tocante à ineficiência portuária. No que se refere aos bens primários, o tempo perdido nas estradas é terrível, onera os preços e traz grandes perdas. O que salva é o trabalho da Embrapa e produtores agropecuá- rios. No entanto, a competitividade no mercado de commodities, também quanto a minerais, é oscilante em função dos preços. Mas os maiores óbices ao aumento da produtividade são os tributos e custos dos financiamentos.

A maioria dos ônus da infraestrutura decorre dos tributos. A geração de eletricidade no Brasil é das mais baratas no Mundo, mas as tarifas para os consumidores estão entre as mais elevadas. Não se consegue desonerar os impostos das exportações ao nível dos competidores mundiais. A distorção de se trabalhar intensamente usando equipamentos, em vez de mão-de-obra, exige maior dose de capital. E os juros brasileiros ultrapassam os de quase todos os países. Há diversos fundamentos que obstam o aumento da produtividade, que precisa crescer para não limitar o Desenvolvimento. Na procura de resolver os aspectos fundamentais ora listados, o caminho será difícil e demorado, mas é vital que se implante um Projeto para o Desenvolvimento.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 28/01/2015

EM CRISE, SETOR DE AÇÚCAR E ÁLCOOL PEDE APOIO AO GOVERNO
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Empresa sucroalcoleira quer aumento do percentual de álcool na gasolina

Um protesto contra a crise do setor sucroenergético reuniu trabalhadores, empresários e políticos na cidade de Sertãozinho, interior paulista, na manhã desta terça (27).

O ato, que segundo a PM teve adesão de quase 20 mil pessoas, bloqueou as rodovias de acesso ao município e fechou parte do comércio local. Sindicatos de metalúrgicos, associações de plantadores de cana-de-açúcar e representantes de comércios de 45 cidades do interior aderiram à manifestação, que cobrou do governo Dilma Rousseff medidas para incentivar o consumo do etanol.

Os organizadores preparam uma marcha em Brasília para pressionar a União a sancionar a medida provisória, aprovada pelo Senado em agosto, que eleva o percentual de etanol na gasolina.

"Nós nos desenvolvemos com o Proálcool e estamos vendo o governo federal jogar fora 40 anos de investimento", disse o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB).

No ano passado, o setor metalúrgico, alicerce da economia local, registrou 3.200 demissões, segundo Samuel Marqueti, presidente do sindicato dos metalúrgicos.

Já o Ministério do Trabalho do Emprego contabilizou a perda total de 2.046 vagas, num cenário de 42 mil postos formais existentes.

Com a crise, os cofres públicos também foram atingidos: em 2014, o município deixou de arrecadar R$ 18 milhões de ICMS, de um total de R$ 82 milhões.

"Produzimos energia elétrica do bagaço da cana e combustível limpo, mas o governo federal nos ignora", disse Manoel Ortolan, que representa plantadores de cana da região.

O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, esteve presente e criticou a falta de políticas públicas para o setor.

CRISE

O emprego no setor de refino de petróleo e produção de álcool, aferidos conjuntamente pelo IBGE, caiu 7,7% de janeiro a novembro de 2014, dado mais recente disponível.

Intensivo em mão de obra, o setor de açúcar e álcool é um dos principais responsáveis pela queda de 6,1% das vagas na indústria paulista.

O setor sofre com a seca e, em 2014, foi afetado pelo freio no preço da gasolina enquanto o petróleo subia no exterior. O reajuste da Petrobras só veio no fim do ano, quando o preço internacional do produto recuava.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

EMPRESAS DE GRÃOS TÊM RECEITA MENOR COM EXPORTAÇÃO EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Das dez principais empresas exportadoras brasileiras, apenas uma, a JBS, do setor de carnes, teve evolução de receitas com as vendas externas em 2014.

Com o desempenho do ano passado, a empresa saiu da nona posição do ranking das exportadoras brasileiras, em 2013, para a terceira posição da lista de 2014, quando consideradas também as receitas da Seara e da JBS Aves.

A empresa, líder no setor de agronegócio, fica atrás apenas da Vale, do setor de mineração, e da Petrobras, do setor de petróleo, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Já as empresas do setor de grãos, principalmente as multinacionais, registraram intensa queda no volume financeiro de 2014, em relação a 2013. Mas, na contramão, as empresas menores desse setor tiveram forte elevação.

A JBS assume a liderança do agronegócio devido à evolução que vem obtendo no comércio exterior e à incorporação de novas empresas.

Além disso, as bases da empresa nos EUA, na Austrália e na América do Sul facilitam a colocação dos produtos das indústrias adquiridas.

As exportações da JBS somaram US$ 4,7 bilhões no ano passado, 28% mais do que em 2013. Quando consideradas outras empresas do grupo, como Seara e JBS Aves, as vendas externas sobem para US$ 7,1 bilhões, 3,2% de todas as exportações do país durante 2014.

A segunda mais bem colocada no ranking dos agrícolas ficou para a Bunge Alimentos, cujas exportações renderam US$ 6,2 bilhões, 15% menos do que em 2013.

Entre as gigantes dos grãos, a maior perda foi da ADM, cujas exportações caíram para US$ 3,3 bilhões, 23% menos do que no ano anterior. No setor de grãos, um dos destaques fica para a Nidera. A empresa, que teve evolução de 25% nas exportações do ano passado, já é a sétima na listas das exportadoras do setor de agronegócio. No total geral, está classificada como a 14ª maior empresa exportadora de 2014. Há três anos, ocupava apenas a 47ª posição.

Apesar da obtenção de um volume financeiro menor com as exportações, o cenário foi bom para as exportadoras de grãos em 2014.

As tradings viveram um ano difícil na "originização" (compra de produtos do produtor). Isso porque a soja disparou na boca da safra, atingindo US$ 15,31 por bushel em Chicago em 30 de abril.

Capitalizados, devido aos últimos quatro anos de bons preços das commodities, os agricultores seguraram o produto à espera de novas altas. As tradings, diante da dificuldade de compra, se retraíram.

Em seguida, os preços começaram a cair, atingindo o menor patamar cinco meses depois, em 26 de setembro, quando a soja foi negociada a US$ 9,10 por bushel.

No último trimestre, devido à desvalorização do real, os preços voltaram a ficar favoráveis aos produtores. A valorização da moeda norte-americana favoreceu as vendas e esse foi o período de maior comercialização.

Apesar das receitas menores nas exportações, as tradings tiveram um bom ano, com margens melhores e valorização das ações, como mostram os relatórios divulgados nas matrizes.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

EM MEIO A RUMORES, AÇÕES DA PETROBRAS FECHAM EM ALTA DE 2,6%
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Especulação sobre troca na diretoria e balanço baliza negócios; documento não havia sido divulgado até a conclusão desta edição

Após operarem boa parte do dia no vermelho, as ações da Petrobras mudaram a tendência no meio da tarde e fecharam em alta de mais de 2%. O movimento, segundo analistas, foi estimulado por boatos em relação ao balanço da companhia e a uma possível troca de sua presidente, Graça Foster.

Os papéis preferenciais da Petrobras, mais negociados e sem direito a voto, fecharam em alta de 2,62%, para R$ 10,17 cada um. Eles chegaram a cair 3,83% mais cedo, antes de subir até 4,64% ao longo da tarde. Já os ordinários, com direito a voto, encerraram a sessão com ganho de 1,05%, para R$ 9,64, após oscilar entre alta de 3,56% e baixa de 4,19% durante o dia.

O movimento amenizou a queda do principal índice da Bolsa brasileira. Depois de ter atingido baixa de até 2,52%, o Ibovespa fechou a terça no zero a zero, com ligeira valorização de 0,03%, para 48.591 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,716 bilhões.

Analistas citaram que a forte virada dos papéis da Petrobras pode ter refletido rumores de que o ex-presidente do BC Henrique Meirelles pudesse substituir Graça Foster.

Esse rumor já havia sido ventilado no mercado quando as denúncias de corrupção dentro da companhia, reveladas pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, surgiram.

"Não é primeira vez que há essa especulação. É improvável, mas, se fosse confirmada, a entrada de Meirelles poderia dar um choque de credibilidade à Petrobras", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

A presidente Dilma Rousseff (PT), no entanto, já afirmou em outras ocasiões que não há intenção de substituir Graça Foster. A Petrobras decidiu divulgar o balanço com os resultados do terceiro trimestre sem as baixas contábeis referentes a desvios por corrupção e por perda de valor recuperável de alguns de seus ativos, informou reportagem do site do jornal "Valor" na noite desta terça (27), mas, até a conclusão desta edição, o documento ainda não havia circulado.

O mercado estima baixa contábil de R$ 10 bilhões a R$ 48 bilhões referente aos casos de corrupção revelados pela Lava Jato.

A avaliação é que uma mudança tão grande no desempenho das ações da estatal nesta terça possa ter sido também estimulada por apostas de que a baixa contábil seja menor do que a esperada.

“Os rumores podem ter motivado os ‘vendidos’ (que apostam na queda das ações) e zerar suas posições, gerando uma reação em cadeia que catapultou os preços dos papéis”, afirma Rogério Oliveira, especialista em bolsa da Icap.

Para Ricardo Kim, da XP Investimentos, a grande questão é de quanto será a baixa contábil e quando a companhia divulgará a versão auditada do balanço. “Vale ressaltar que Graça Foster também admitiu a dificuldade em tornar público os números oficiais, já que, a cada denúncia de desvio de recursos, a realidade financeira da companhia é alterada”, disse em relatório.

CÂMBIO

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou o dia com desvalorização de 0,47% sobre o real, para R$ 2,577 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,73%, também para R$ 2,571. A moeda americana teve alta nos dois últimos pregões.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 28/01/2015

USO DE ALGODÃO VOLTARÁ A CAIR NO BRASIL ESTE ANO
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

O uso de algodão pela indústria no Brasil deve alcançar em 2015 o menor nível em pelo menos 12 anos. Já em declínio em decorrência da tendência global de maior uso de fibras sintéticas, o consumo da pluma no país deve cair pelo segundo ano consecutivo, pressionado também pelas cotações mais baixas do petróleo, do qual deriva, por exemplo, o poliéster, o maior concorrente do algodão no mundo atualmente.

Lavoura de algodão em Luiz Eduardo Magalhães (BA): pluma nacional está perdendo mercado para fibras sintéticas

Nas contas da associação que representa a indústria têxtil brasileira (Abit), o consumo da pluma natural deve ficar entre 700 mil e 800 mil toneladas este ano, perto do patamar de 2003, quando alcançou 800 mil toneladas.

Os preços do algodão estão em declínio, mas nada comparado ao mergulho das cotações do petróleo. Desde setembro de 2014, os futuros da pluma na bolsa de Nova York caíram 7,4% para o patamar de 60 centavos de dólar por libra-peso (contrato de segunda posição), segundo o Valor Data. Na mesma comparação, os preços do petróleo recuaram 48,8%, para os níveis de US$ 50 o barril (Brent).

Segundo estimativas do mercado, em média, o valor do poliéster equivale à metade do preço do algodão atualmente. Apesar do diferencial elevado, o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel, diz que a situação atual está longe de ser comparada ao que aconteceu em 2011, quando a libra-peso do algodão na bolsa de Nova York saiu do patamar de 60 centavos de dólar para US$ 2.

Naquela época, os preços internacionais do poliéster estavam superiores aos do algodão e, passaram a ficar 20% a 30% mais baixos por conta da escalada pluma em Nova York. Naquele momento, lembra Pimentel, houve uma forte substituição da pluma natural pela sintética. De 27 milhões de toneladas, o uso de algodão no mundo caiu para algo entre 24 milhões e 25 milhões de toneladas, observa.

De qualquer forma, diz, é difícil medir o impacto do barril do petróleo a US$ 50 na substituição de algodão por sintéticos. Na sua visão, os empresários do setor estão ainda observando até onde vão as cotações do petróleo. Se ficarão nesses novos patamares ou se retração será efêmera.

Globalmente, o Brasil e outros países em desenvolvimento são espécies de "ilhas" no mercado mundial, onde o algodão já perdeu nos últimos anos muita participação para os sintéticos. A pluma natural representa 30% (25 milhões de toneladas) do total de 85 milhões de toneladas de fibras consumidas no mundo por ano. O poliéster abocanha uma fatia de 58%.

No Brasil, a relação é oposta. Os últimos dados da Abit, referentes a 2013, mostram que do total de 1,458 milhão de toneladas de fibras consumidas pela indústria têxtil (algodão, poliamida, poliéster e acrílico) naquele ano, o algodão representou 887 mil (ou 60%), enquanto o poliéster representou 32%, ou 465 mil toneladas. No auge do consumo de algodão no Brasil, em 2010, a fibra natural representou 64%, e o poliéster, 29,6%.
"Mais do que um movimento de substituição de matéria-prima motivado por preços, o uso de poliéster no país nos últimos anos vem atender uma demanda da moda, do mercado feminino", diz Pimentel.

O setor produtivo, que tem feito campanhas de marketing para divulgar a qualidade do algodão brasileiro no exterior, agora visa o mercado nacional. Os produtores de algodão devem neste ano começar uma nova campanha para atacar o que consideram o maior concorrente da fibra natural: a sintética. A Abrapa (que representa os cotonicultores) pretende lançar uma campanha publicitária para tentar reverter a queda persistente de uso do algodão no mercado interno, diz o presidente da entidade, José Carlos Jacobsen. "Queremos chegar ao consumidor final e também à indústria".

O algodão brasileiro, afirma Jacobsen, conquistou seu espaço no exterior, mas o mercado interno representa a maior parte do consumo. Nesta safra 2014/15, o país deve colher 1,450 milhão de toneladas, das quais 700 mil devem ser exportadas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

LUCRO DE DIVISÃO AGRÍCOLA DA DUPONT CAIU EM 2014
Publicado em 01/28/2015 as 02:37 PM

Apesar da queda nas vendas de sementes de milho no Brasil e do impacto negativo do câmbio, a redução dos custos e a maior comercialização de agroquímicos ajudaram a sustentar os ganhos do braço agrícola da DuPont em 2014. Em balanço divulgado ontem, a múlti americana reportou um lucro operacional de US$ 2,35 bilhões no ano passado da divisão, 5,3% abaixo dos US$ 2,48 bilhões de 2013.

Já as vendas desse segmento recuaram 4% na mesma comparação, a US$ 11,30 bilhões. Desse total, US$ 1,73 bilhão veio do quarto trimestre de 2014, montante 4% inferior ao do intervalo de outubro a dezembro de 2013. O lucro operacional, por sua vez, cresceu 47% no último trimestre do ano, para US$ 129 milhões.

O negócio agrícola da DuPont é o que tem maior peso nos resultados da companhia química, que opera ainda em nutrição e saúde, eletrônicos e comunicações e materiais de alta performance. Em 2014, a múlti registrou vendas líquidas totais de US$ 34,72 bilhões, recuo de 2,8% na comparação com os US$ 35,73 bilhões de 2013. O lucro líquido, entretanto, enfrentou queda mais expressiva: de 25,2%, para US$ 3,62 bilhões em 2014.

Em nota que acompanhou o balanço, a DuPont disse que os números demonstram o "progresso contínuo" do plano estratégico de entregar maior crescimento e volume, o que inclui "o refinamento contínuo do portfólio" e "o avanço no plano de separação da Chemours. Em outubro de 2013, a DuPont decidiu separar do restante da companhia sua tradicional área de químicos - que passará a atender pelo nome de The Chemours Company. A expectativa da companhia é concluir esse processo até julho deste ano.

"Em 2015, continuamos focados em gerar retornos superiores para nossos acionistas, inclusive por meio do retorno de capital a partir do esperado dividendo da Chemours, enquanto posicionamos a DuPont para nossa próxima fase de crescimento", disse em nota Ellen Kullman, CEO da DuPont.

Para 2015, a companhia espera um lucro operacional de US$ 4 a US$ 4,20 por ação - no ano passado, esse valor ficou em US$ 4,01. A estimativa inclui um impacto cambial negativo de US$ 0,60 por ação, em função do recente fortalecimento do dólar ante uma cesta de moedas. (Colaborou Ligia Tuon)
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

ATRASO EM COMPRA AFETA PREÇOS INTERNACIONAIS DE FERTILIZANTES
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

O atraso na compra de fertilizantes pelos produtores para o plantio da segunda safra de milho do país, a chamada safrinha, está contribuindo para evitar a alta dos preços internacionais dos adubos nitrogenados neste primeiro trimestre, mostra estudo da consultoria INTL FCStone. O nitrogênio é um dos principais nutrientes utilizados nas lavouras de milho.

Conforme a consultoria, nas áreas plantadas com o cereal na última safra (2013/14) no Centro-Oeste, 53,9% de toda a demanda por fertilizantes para a segunda safra foi composta por nitrogenados, 17,8% por fosfatados e 25,6% por cloreto de potássio.

João Santucci, analista da FCStone, diz que muitos produtores deixaram para comprar este mês os fertilizantes para a safrinha de milho - cujo plantio ganha força a partir de fevereiro - em função do atraso no plantio da soja e dos preços baixos do cereal. Relatos de distribuidores e lojas de insumo no Centro-Oeste mostram que as vendas de adubos foram fracas em novembro e dezembro, período em que normalmente se concentra a comercialização desses produtos.

Mas Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos (Ama-Brasil), afirma que a demanda por fertilizantes para a segunda safra de milho está voltando à normalidade. Ele avalia que não há preocupações em relação à oferta de adubos.

Segundo Santucci, da FCStone, Brasil e Estados Unidos são grandes players no mercado mundial de fertilizantes nitrogenados, por isso influenciam a cotação desses produtos. Os preços da ureia granular, por exemplo, caíram nas últimas duas a três semanas. Em Paranaguá (PR), a tonelada do produto que chega ao porto estava em US$ 349 (antes da internalização) no último dia 22, ante US$ 363 em 8 de janeiro. Na última semana de janeiro de 2014, o mesmo produto valia US$ 438, diz Santucci.

Apesar do recuo, o analista não vê uma reversão de tendência de preços, já que a demanda dos EUA por nitrogenados deve ser grande. A aplicação de amônia nas lavouras americanas foi menor em 2014 e precisará ser reposta. Isso poderá sustentar os preços do produto. Para ele, "quanto mais [o agricultor brasileiro] esperar [para adquirir o adubo], maior é o risco cambial".

A FCStone acrescenta que a demanda brasileira ainda é grande, mesmo com o atraso nas compras. Isso, aliado à oferta ajustada no mercado internacional, deve permitir que os preços fiquem em patamares superiores aos do fim de 2014.

Diante da demanda atrasada de adubos para a segunda safra de milho, a programação de chegada de navios para descarregar fertilizantes nos portos brasileiros neste mês (o último a tempo de abastecer a safrinha) e o volume de produtos são menores que em anos anteriores, segundo a FCStone. Ao todo, deverão chegar 71 navios com fertilizantes em todo o país, em janeiro, contra 82 no mesmo mês do ano passado.

Na avaliação de João Santucci, os estoques de adubos em Mato Grosso - o maior produtor de milho de segunda safra do país - são suficientes para atender à demanda pelo produto.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

PETRÓLEO BARATO FAVORECE FUSÕES, DIZ A.T. KEARNEY
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

As empresas de petróleo vão responder à atual situação de queda dos preços da commodity da mesma forma que fizeram no fim da década de 1990: com fusões e aquisições. Essa é a expectativa da consultoria A.T. Kearney, que após encontros com representantes de indústrias do setor nos últimos meses afirma ter identificado uma maior disposição para transações.

Com a queda do preço do petróleo - de 56% desde o início de 2014 - e a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não reduzir a produção, a expectativa da consultoria é de que 2015 seja marcado por uma intensa atividade de fusões e aquisições em toda a cadeia de valor de petróleo e gás, com as companhias em busca de sinergias, complementaridade, reforço de caixa com venda de ativos e aumento de eficiência e competitividade.

"Abordagens estratégicas para fusões e aquisições são fundamentais para abordar as intensas pressões de custo e fluxo de caixa experimentadas pelas empresas de petróleo e gás", afirma Richard Forrest, sócio líder da A.T. Kearney para Energia e coautor do estudo.

As fusões e aquisições em óleo e gás já tiveram forte recuperação em 2014, após um fraco 2013, segundo o estudo "Fusões e Aquisições em Petróleo e Gás", que será divulgado hoje pela consultoria. No ano passado, foram feitas 1.826 transações, totalizando US$ 440 bilhões, enquanto em 2013 foram fechados 2.017 fusões ou aquisições, somando US$ 338 bilhões.

Na opinião dos analistas da A.T. Kearny, as empresas com fluxo de caixa mais forte e balanço patrimonial mais saudável serão as consolidadoras, "enquanto que outras precisarão definir estratégias só para sobreviver". Ele afirma que, em conversas com executivos do setor, ficou evidente grande chance de concretização das operações nos próximos 6 a 12 meses.

No Brasil, são esperadas fusões e aquisições em produção e exploração e nos segmentos de equipamentos e serviços para óleo e gás, com a busca por redução de custos. "É razoável esperar as transações e mudanças de portfólios de ativos de produção, já que o país teve rodadas de licitações nos últimos anos", diz Edson Bouer, diretor do escritório da A.T Kearney no Brasil. Entre as empresas fornecedoras, ele afirma que transações fechadas no exterior podem ter reflexos no Brasil. "Grandes grupos internacionais também são fornecedores de equipamentos aqui. Movimentações nessas empresas podem ter impacto na cadeia de suprimentos no Brasil", diz.

Já as operações de logística, transporte e refino, que têm domínio da Petrobras, devem ter poucos movimentos, diz Bouer. Ele afirma que potenciais vendedores podem ver as transações como forma de levantar capital para projetos em andamento ou revisão de portfólio. O petróleo fechou em alta ontem. Em Londres, o Brent para março subiu US$ 1,44 (3%) e fechou a US$ 49,60. Em Nova York, o WTI para o mesmo mês subiu US$ 1,08 (2,4%), para US$ 46,23.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

MONTADORAS PREPARAM NOVAS PARADAS DE PRODUÇÃO
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

Menos de um mês após o retorno das férias coletivas de fim de ano - dessa vez, mais longas do que o normal -, a indústria de veículos volta a programar paradas de produção para adequar o ritmo das fábricas a um mercado que perdeu força depois do forte movimento de antecipação de compras em dezembro.

As interrupções de linhas, conforme o planejamento das empresas, devem ser intensificadas a partir do Carnaval, que acontece na terceira semana do mês que vem. No parque industrial da General Motors (GM) em São Caetano do Sul, no ABC paulista, assim como em fábricas da Agrale e da Randon, as paradas nessa semana vão além da Quarta-feira de Cinzas. Ao mesmo tempo, a MAN, montadora dos veículos comerciais da marca Volkswagen, e a Marcopolo, que produz carrocerias de ônibus, pretendem conceder novas férias coletivas, complementando o recesso concedido em dezembro.

Essas medidas acontecem após as montadoras brasileiras fecharem 2014 com queda de 15,3% na produção e 12,4 mil vagas de trabalho eliminadas. Durante a maior parte do ano passado, o setor lançou mão de férias coletivas, semanas curtas de produção, com um dia útil a menos, licenças remuneradas e suspensão temporária de contratos de trabalho - o chamado "layoff" - para ajustar o ritmo das linhas da montagem a um mercado que caiu 7,1%. A situação foi agravada pelo excesso de estoques em pátios de fábricas e concessionárias, combinado ao recuo das exportações para o nível mais baixo em doze anos. Hoje, por volta de 3,4 mil operários seguem afastados das montadoras por "layoffs" ou licenças remuneradas.



Como não há perspectiva de reação neste ano, a tendência é que medidas do tipo continuem sendo adotadas. Em Resende, no sul do Rio de Janeiro, a MAN está discutindo com o consórcio de fornecedores de sua fábrica de caminhões e ônibus qual será o período das férias coletivas. A expectativa do sindicato dos metalúrgicos da região é que as linhas voltem a parar por dez dias após o Carnaval. No último dia 5, os operários da MAN voltaram a trabalhar após três semanas de férias coletivas, período um pouco mais curto do que a maioria dos concorrentes, como a Mercedes-Benz, a Volvo e a Ford, que concederam um mês de recesso.

Assim como na General Motors, parada nas linhas de produção da Randon vai além da Quarta-feira de Cinzas

Diante da tendência de que o mercado de caminhões continue em baixa neste ano - dadas as condições menos favoráveis das linhas de financiamento a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, a MAN abriu um programa de demissões voluntárias para reduzir o excesso de mão de obra em Resende, estimado pelo sindicato em 1,5 mil trabalhadores. Também fechou acordo trabalhista no mês passado para congelar salários neste ano, em troca de um abono salarial de R$ 2,5 mil. A cada quatro semanas, a MAN pode ainda, como resultado desse acordo, dar dois dias de folgas sem remuneração aos trabalhadores.

Já em São Caetano do Sul - onde, em tempos de bonança, a montadora tem capacidade de produzir um carro por minuto -, a General Motors vai interromper a produção durante toda a semana de Carnaval. Segundo a empresa, os operários receberão folga entre 16 e 20 de fevereiro, com retorno na segunda-feira da semana seguinte: dia 23. As folgas dos dias 16 e 18 serão dadas em regime de compensação, enquanto as dos últimos dois dias - 19 e 20 de fevereiro - serão descontadas do banco de horas dos metalúrgicos.

Os trabalhadores da GM em São Caetano voltaram a trabalhar na semana passada após um mês de férias coletivas. No retorno, a montadora afastou mais 100 operários da fábrica em esquema de "layoff". Eles se juntam a outro grupo de 850 funcionários da unidade que já estavam em "layoff" desde novembro. A montadora de origem americana também terá de decidir na próxima semana o futuro de 930 trabalhadores em "layoff" no parque de São José dos Campos (SP), já que a volta deles está prevista para 9 de fevereiro.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

PRÉVIAS INDICAM PERDA DE R$ 203 MILHÕES PARA FIBRIA NO 4º TRI
Publicado em 01/28/2015 as 02:36 PM

A valorização do dólar sobre o real deve pesar sobre os resultados da produtora de celulose Fibria no quarto trimestre, que devem ser divulgados hoje, após o fechamento do mercado. Pelo lado positivo, a companhia deve reportar resultado operacional forte, beneficiado pela desvalorização cambial e alta no preço da celulose. Na ponta negativa, o efeito do dólar mais forte sobre a dívida em moeda estrangeira da companhia deve pesar sobre a linha final do balanço.

Na média das cinco instituições financeiras consultadas pelo Valor - Santander, Itaú BBA, HSBC, Citi e Morgan Stanley -, os analistas esperam um prejuízo líquido de R$ 203,6 milhões no quarto trimestre de 2014. As estimativas variam de perdas de R$ 100 milhões (Morgan Stanley) a R$ 384 milhões (HSBC). A expectativa média representa um aprofundamento de 10% no prejuízo de R$ 185 milhões de igual período de 2013.

A receita da empresa deve avançar 3%, na base de comparação anual, para R$ 2 bilhões, segundo a média das cinco casas. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) tem expectativa de alta de 5,6%, para R$ 869 milhões. Na base de comparação trimestral, porém, o avanço do Ebitda deve ser significativo, de mais de 41%.

"Esperamos que o ritmo dos resultados operacionais da Fibria continue positivo, sem surpresas", preveem os analistas Felipe Reis e Renato Maruichi do Santander. O banco prevê volume de celulose de 1,39 milhão de toneladas, estável frente ao trimestre anterior devido à ausência de paradas para manutenção no trimestre, mas com queda de 3% na base de comparação anual. Quanto ao prejuízo líquido, calculado pelo Santander em R$ 170 milhões, os analistas esperam que o impacto do câmbio sobre a dívida seja em parte compensado pelo benefício fiscal do Reintegra.

O Itaú BBA destaca a depreciação do real, volumes estáveis de celulose e menor custo devido a menos gastos com paradas para manutenção, para estimar um Ebitda de R$ 852 milhões, num avanço de 40% em relação ao trimestre imediatamente anterior. "O momento de fortes lucros da Fibria deve continuar no primeiro trimestre de 2015, com preços da celulose em dólar estáveis ou ligeiramente melhores e contínua desvalorização cambial", preveem os analistas.

O HSBC espera que a relação entre dívida líquida e Ebitda (em dólar) permaneça em 2,5 vezes, "pois o impacto positivo da expansão de margem Ebitda é neutralizado pelo reflexo negativo da desvalorização da moeda na dívida". O banco destaca que os analistas estarão de olho na opinião da administração sobre os preços da celulose e o cenário da demanda. Também o cenário de custos e escopo de ganhos adicionais a partir da receita de energia devem merecer atenção, assim como a atualização quanto à expansão da fábrica de Três Lagoas II, em Mato Grosso do Sul, e possíveis fusões e aquisições.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

AEROPORTO DE BRASÍLIA JÁ É O SEGUNDO MAIOR DO PAÍS
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM



No ano em que, pela primeira vez, o movimento nos aeroportos brasileiros rompeu a marca de 200 milhões de passageiros, o terminal de Brasília (DF) - que passou por uma operação tumultuada até o ano passado, graças às obras de expansão da concessionária - aproveitou boa parte da demanda. Com crescimento de 10% (para 18,1 milhões de passageiros), Brasília passou Congonhas (SP) e Galeão (RJ) e chegou ao posto de segundo maior do país.

Aeroporto de Brasília: após obras de R$ 1,2 bi, concessionária passa Congonhas e Galeão em número de passageiros

Controlada pelo grupo brasileiro Engevix e pela argentina Corporación América, a concessionária do aeroporto de Brasília argumenta que o aumento na movimentação de passageiros só foi possível após o investimento de R$ 1,2 bilhão em reforma e ampliação.

Outra razão foi a redução do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível de aviação no Distrito Federal em 2013 - de 25% para 12%. Com isso, companhias aéreas passaram a incluir Brasília na rota dos voos - para que as aeronaves abasteçam os tanques pagando menos impostos do que em outras regiões. Em São Paulo, por exemplo, o imposto continua em 25%.

Somados, os aeroportos concedidos cresceram 7,2% e lideraram a expansão no país, embora os que estejam sob controle da Infraero também tenham registrado aumento (de 5,6%). O cenário de expansão em todo o setor levou o país a movimentar 210 milhões de passageiros em 2014 (contra 197 milhões em 2013). O levantamento foi feito pela equipe de economistas do Valor Data a partir da soma da movimentação da rede Infraero com os valores fornecidos pelas concessionárias privadas. O cálculo leva em conta números de embarque e desembarque.

Além de Brasília, outro destaque dentre os privados foi o aeroporto de Guarulhos, que manteve crescimento robusto em 2014. Foram 39,5 milhões de passageiros movimentados em 2014, ou 9,94% mais que um ano antes. Os números mantêm o aeroporto na liderança no país e também o transforma em um dos mais movimentados no Hemisfério Sul.

Segundo Carlos Fernando Pereira Sellos, diretor de gestão comercial da GRU Airport (da Invepar), os investimentos feitos recentemente atraíram novas rotas. Há mais voos principalmente do grupo Latam e da Gol, com foco nas rotas internacionais. "É conveniente para as duas partes. Nós temos um passageiro mais qualificado para transitar pelo aeroporto, que tem um gasto médio mais alto. E eles têm a contrapartida da infraestrutura do novo terminal", diz. "Ainda há espaço para crescer", afirma.
Já o aeroporto de Viracopos (em Campinas), concedido na mesma época, teve um ano menos confortável. As obras do empreendimento ainda não foram concluídas, o que tem impedido um aumento mais expressivo nos números de passageiros. Em 2014, o crescimento foi de 5,92%, para 9,84 milhões de pessoas transportadas.

Para 2015, a concessionária espera que a transferência das operações para o novo terminal, com capacidade para 25 milhões de passageiros ao ano, traga novas rotas. "Tivemos um grande salto em nossas operações para o exterior. Passamos de três frequências semanais para 38. Isso é muito significativo e representa uma mudança importante para Viracopos", afirmou o presidente da Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Küster. A expectativa dos controladores é que o aeroporto transporte 10,5 milhões de pessoas em 2015 (um crescimento de 7%), influenciado pela maior presença internacional.

Os outros dois aeroportos assumidos pela iniciativa privada no fim de 2014, Galeão (RJ) e Cofins (MG), ainda têm números mais tímidos de crescimento. Isso, no entanto, deve mudar. No caso do aeroporto do Rio, o crescimento deve ser impulsionado nos próximos anos pela economia da capital fluminense e pelos Jogos Olímpicos de 2016.

"O Galeão voltou a ter crescimento em 2014, depois de uma queda em 2013. Isso já é um sinal do ganho de confiança do nosso cliente, que está acreditando no aeroporto", diz Randall Aguero, diretor de desenvolvimento estratégico da concessionária RIOgaleão. Segundo ele, há negociações em curso com novas companhias aéreas. A alemã Condor, por exemplo, começa ainda neste ano a fazer a rota Rio-Frankfurt.

Para o sócio da área de governo e infraestrutura da KPMG, Mauricio Endo, os números do ano mostram que os aeroportos do país continuaram com forte atividade mesmo em um cenário de baixo crescimento da economia. E os privados acabam beneficiados por ganhos de eficiência. "Quem é usuário percebe que, nos privados, além dos investimentos em infraestrutura, alguns processos foram simplificados".

Mesmo com os novos concorrentes, os aeroportos da Infraero conseguiram registrar crescimento em 2014 (se retirados todos os dados dos já concedidos). As "joias da coroa" da estatal atualmente são Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Apesar do interesse privado pelos dois aeroportos, o governo federal dá sinais que não vê sentido em concedê-los - por eles não terem espaço para grandes investimentos em ampliação. Mais abaixo na lista dos mais movimentados da estatal estão os terminais de Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

Para Endo, da KPMG, os aeroportos continuarão sendo um bom negócio nos próximos anos por causa de fatores como o preço das passagens aéreas e do nível de renda da população. "O setor ainda vai ver muitos passageiros novos, de primeira viagem. Quem fazia viagens de 30 horas de ônibus, por exemplo, percebeu que pode ir de avião com preços até menores. Os aeroportos continuam muito ativos", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

RECEITAS ALTERNATIVAS E PROJETOS DE INFRAESTRUTURA
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM

Por Rafael Véras de Freitas

Em recente visita ao país, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, afirmou que o Brasil não tem condições de arcar com os investimentos necessários para sanar os gargalos de infraestrutura do país. Não foi por outra razão que, nos idos da década de 90, o Estado brasileiro se reposicionou na economia, transferindo para o setor privado atividades indevidamente exploradas pelo setor público (artigo 1º, incisos I e IV, da Lei nº 9.491/1997 - lei que alterou o Programa Nacional de Desestatização). Se essa foi a razão que justificou a delegação de serviços públicos para a iniciativa privada, por meio de contratos de concessão - uma das modalidades de desestatização -, é evidente que não cabe ao poder público, em manifesta postura contraditória, exarar interpretações que militem em desfavor da exploração de formas alternativas de financiamento desses contratos pelos particulares.

É, justamente, o que vem ocorrendo com as interpretações que a administração pública vem conferindo ao artigo 11 da Lei nº 8.987/1995 (Lei Geral de Concessões de Serviços Públicos). Esse dispositivo autoriza que o poder concedente preveja, em favor do concessionário, a possibilidade de auferir receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados, com vistas a favorecer a modicidade das tarifas. Trata-se de mecanismo de financiamento do serviço concedido, que não onera os seus destinatários (usuários), nem o poder público (nas hipóteses de concessões comuns subsidiadas e de parcerias púbico-privadas).

Tais receitas podem guardar, em razão das externalidades do serviço público prestado, relação direta com o contrato de concessão (a exemplo da exploração da faixa de domínio em rodovias), ou terem vinculação indireta (como na exploração de empreendimentos imobiliários associados à concessão de um VLT).

Não cabe ao poder público exarar interpretações contra a exploração de formas alternativas de financiamento

Ocorre que, não raro, reguladores se posicionam no sentido de que essas receitas: (i) só poderiam ser vocacionadas à redução tarifária, e não ao lucro do concessionário; e (ii) não poderiam ser implementadas durante a execução do contrato de concessão. Tais entendimentos, contudo, não se coadunam com o regime jurídico da exploração dessas receitas ancilares.

Isto porque se trata de atividades econômicas em sentido estrito, exercidas no âmbito da liberdade de iniciativa (artigo 170, caput e parágrafo primeiro da CRFB), as quais, embora vinculadas, não estão submetidas ao regime do serviço púbico concedido. Daí porque não cabe à administração pública se imiscuir na sua exploração, nem, tampouco, expropriar direito dos concessionários.

Pois bem. O primeiro entendimento, no sentido de que todas as receitas acessórias obtidas pelo concessionário devem ser revertidas à modicidade tarifária desconsidera, por completo, o próprio parágrafo único desse dispositivo, o qual determina que essas receitas sejam obrigatoriamente consideradas para a aferição do inicial equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Ora, se tais receitas integram o equilíbrio econômico-financeiro da concessão, é porque devem ser revertidas não só à modicidade das tarifas, como à "justa" remuneração do concessionário - interpretação consagrada, por exemplo, no artigo 108, §2º, da Lei nº 9.472/1997 (Lei Geral de Telecomunicações). Afora isso, interpretação nesse sentido desestimularia o concessionário a explorar essas atividades (como já observado, pelo TCU, no Acórdão nº 393/2002 - Plenário), o que poderá, inclusive, exigir o dispêndio de recursos públicos. Esse dispêndio poderá ter maiores impactos no equilíbrio econômico de parcerias público-privadas, sobretudo na modalidade de "concessão administrativa", considerando que a sua remuneração envolve integralmente o aporte de recursos públicos.

O segundo entendimento, no sentido de que essas receitas só poderiam ser exploradas pelo concessionário se originalmente previstas no edital de licitação (de acordo com uma interpretação literal do artigo 18, VI, da Lei nº 8.987/1995) também não se coaduna com o próprio regime dos contratos de concessão. Isto porque, na qualidade de contratos relacionais, os pactos concessórios são regidos pelo princípio da mutabilidade, o qual autoriza que esses ajustes venham a se adaptar às circunstâncias supervenientes, para melhor atenderem ao interesse público. Além disso, esse entendimento violaria o princípio da modicidade tarifária (previsto no artigo 6º, §1º, da Lei nº 8.987/1995), já que parte das receitas obtidas pelo concessionário será, necessariamente, destinada à modicidade tarifária.

Caso tais interpretações venham a prevalecer - em âmbito administrativo, ou judicial -, a administração pública, além de violar os princípios da eficiência e da economicidade, estará colaborando para a retração de investimentos no país.

Rafael Véras de Freitas é professor de regulação na FGV Direito Rio e sócio do LL Advogados

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

DÓLAR PERDE FORÇA COM CENÁRIO EXTERNO
Publicado em 01/28/2015 as 02:35 PM

O dólar caiu ontem frente às principais divisas diante do dado mais fraco que o esperado de encomenda de bens duráveis nos Estados Unidos e a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve manter um tom moderado no comunicado da reunião que termina hoje. No mercado local, o movimento de queda da moeda americana foi mais acentuado, diante da perspectiva de continuidade do ciclo de aperto monetário e ajuste da política fiscal, que tornam o país atrativo para aplicações em renda fixa.

O dólar comercial caiu pelo segundo dia consecutivo, encerrando em baixa de 0,75%, a R$ 2,5697.

Além do cenário externo, o discurso da presidente Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial do ano, sinalizando que apoia as medidas de ajuste fiscal anunciadas recentemente pela nova equipe econômica, foi bem recebido pelo mercado, com o dólar ampliando a perda frente ao real.

De forma geral, o mercado local acompanhou a queda do dólar em relação às principais divisas no exterior. A moeda americana perdeu força após a divulgação do dado mais fraco que o esperado de encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos, que recuaram 3,4% em dezembro, enquanto a expectativa do mercado era de alta de 0,3%.

Esse dado reforça a visão de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed deve repetir o termo usado na reunião anterior, em que destacou que a autoridade monetária americana deve ser "paciente" para começar a elevar a taxa básica de juros.

A menor pressão no cenário externo, em meio ao aumento da liquidez com o programa de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), favorece as aplicações em ativos de maior risco, como as operações de "carry trade" - como é conhecida a estratégia em que o investidor toma recursos em moedas de países com juros baixos no exterior e os aplica em papéis lastreados em divisas de mercados com retornos mais altos.

Nesse cenário, o Brasil se mostra atrativo, como um dos únicos mercados emergentes em processo de aperto monetário em um cenário que muitos países estão cortando a taxa básica de juros. Além disso, o anúncio de medidas de ajustes fiscal tem melhorado a percepção dos investidores em relação ao Brasil.

Ontem, a presidente Dilma disse, em discurso na primeira reunião ministerial de 2015, que os ajustes da política fiscal são necessários para manter o rumo, preservando as prioridades econômicas e sociais, sinalizando que apoia as medidas anunciadas recentemente pela nova equipe econômica, que envolveram corte de gastos públicos e aumento de impostos.

A recuperação das contas públicas é importante para evitar um rebaixamento do rating soberano do Brasil e a sinalização do esforço do governo para cumprir a meta de superávit primário, de 1,2% do PIB para este ano, ajuda a reduzir a pressão sobre o câmbio.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

BRASIL VAI PROPOR QUE VENEZUELA PAGUE IMPORTAÇÕES COM PETRÓLEO
Publicado em 01/28/2015 as 02:34 PM

O Brasil estuda propor à Venezuela um mecanismo que use o petróleo da estatal PDVSA, e derivados, como garantia para as exportações brasileiras ao país vizinho. A ideia parte da avaliação em Brasília de que esse importante parceiro comercial, que no ano passado assegurou o maior superávit na balança brasileira com outros países, está ficando sem divisas para o pagamento das exportações - quadro que deve se agravar no curto prazo com a queda dos preços do petróleo.

Segundo fontes do governo brasileiro, a intenção é "desmonetizar" ao máximo o comércio entre os dois países, dada a crescente falta de dólares no lado venezuelano. Também cogita-se garantir as exportações com o ouro depositado no Banco Central da Venezuela, que atualmente compõe cerca 60% das reservas internacionais do país, próximas de US$ 21 bilhões.

"O objetivo é criar mecanismos que deem alternativas ao pagamento em moeda física", disse ao Valor uma fonte do governo brasileiro. "Tudo o que eles importam de nós é pago em dólares. Não precisa e não pode ser assim."

A falta de divisas na Venezuela já se reflete em grandes atrasos no pagamento a exportadores brasileiros e também a empresas brasileiras instaladas no país, que não conseguem obter dólares do BC para repatriar à matriz. A Câmara de Comércio Venezuela-Brasil (Cavenbra) estima que esses atrasos já cheguem a US$ 5 bilhões - valor superior às exportações brasileiras para a Venezuela ao longo de todo o ano passado, de US$ 4,6 bilhões.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) confirma que tem recebido relatos de exportadores brasileiros sobre os atrasos. Sofrem mais setores tidos como não prioritários, como têxteis e autopeças, segundo a Cavenbra. Alimentos e medicamentos, que compõem o grosso das exportações brasileiras, estão com a situação quase normalizada - em grande parte por exigirem pagamento adiantado.

Outros mecanismos também estão sendo estudados. Pelo menos desde 2013, quando os atrasos começaram a se intensificar, o Mdic estuda criar um mecanismo semelhante ao Programa de Financiamento às Exportações (Proex), operado pelo Banco do Brasil, para esse fim. Pelo modelo a ser proposto, o estatal Banco de Venezuela seria o tomador e garantiria a operação. A instituição repassaria os dólares diretamente ao exportador brasileiro, quitando o empréstimo com o Banco do Brasil de maneira parcelada.

Mais a longo prazo, os dois países estudam ampliar a integração de suas cadeias produtivas. Uma das ideias envolve integrar a Zona Franca de Manaus a zonas econômicas especiais do lado venezuelano, possivelmente com investimentos brasileiros.

A crise política e econômica na Venezuela e as eleições presidenciais brasileiras em 2014 travaram as conversas entre os dois governos. Um grupo de trabalho econômico e comercial, criado em 2013 pelos dois países para discutir esse e outros temas, ainda não se reuniu. Segundo o Mdic, isso deve acontecer na primeira quinzena de março, com a visita do novo secretário-executivo, Ivan Ramalho, a Caracas. Se as conversas avançarem, disse outra fonte, o assunto será novamente tratado em junho, em encontro bilateral entre os presidentes Dilma Rousseff e Nicolás Maduro, em meio à Cúpula do Mercosul, em Brasília.

O uso de petróleo como garantia ou remuneração a exportações não é novidade para os venezuelanos. A China, por exemplo, já recebe essa commodity em troca de boa parte das exportações e serviços prestados por suas empresas na Venezuela. Estima-se que o país asiático tenha emprestado US$ 45 bilhões à Venezuela em troca de petróleo nos últimos anos.

Esse fato, no entanto, torna alguns em Brasília céticos com relação à capacidade do pais de comprometer ainda mais o seu petróleo num acordo com o Brasil. Uma terceira fonte nota que "a Venezuela já tem mais da metade de sua renda petroleira comprometida com a China até 2017". O quadro fica ainda pior porque a produção venezuelana está em queda, diz.

A mesma fonte, porém, afirma que outras empresas brasileiras já utilizam mecanismos semelhantes. Boa parte da nafta venezuelana importada pela Braskem, por exemplo, é uma forma de remuneração para obras da Odebrecht, sua controladora, no país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

FATORES 'IMPONDERÁVEIS' ESTÃO JOGANDO CONTRA O PAÍS, DIZ LOES
Publicado em 01/28/2015 as 02:34 PM

O ajuste macroeconômico "rápido e duro" que tem sido sinalizado pela nova equipe econômica pode levar o Brasil a entrar em recessão em 2015, mas a recuperação da atividade, nesse cenário, seria também mais rápida, afirma Andre Loes, economista-chefe para América Latina do HSBC.

Em dezembro, Loes já estimava queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Um dos primeiros economistas a falar em recessão, Loes acredita que o Brasil pode crescer 2,8% já em 2016, caso o ajuste seja bem conduzido. O crescimento mais forte, diz, virá da retomada da confiança e dos investimentos do setor industrial, taxa de câmbio mais favorável às exportações e recuperação do consumo.

Loes, do HSBC: Apesar do pessimismo neste ano, Brasil pode crescer 2,8% em 2016 caso o ajuste seja bem conduzido

O problema, afirma, é que os "imponderáveis" parecem estar, quase todos, contra o Brasil. Os ganhos com investimentos em infraestrutura, por exemplo, poderiam ser mais rápidos, mas a paralisa no setor com a Operação Lava-Jato pode levar o investimento em infraestrutura a cair 20% neste ano.

Outros "imponderáveis" são a queda dos preços das commodities e o risco de racionamento de água e energia no Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O ministro da Fazenda tem sinalizado algumas mudanças na condução da política econômica, com ajuste fiscal e redução de subsídios setoriais. O ajuste é possível?
Andre Loes: Acho que as sinalizações dadas pela nova equipe econômica são muito positivas. Com os aportes para o setor elétrico e para o BNDES, o Tesouro assumiu um fardo muito grande, o que levou a uma piora do resultado fiscal. Em 2014, o crescimento foi baixo e atrapalhou a arrecadação, mas parte relevante da piora veio do aumento de subsídios. É preciso reverter essa situação, ou corremos o risco de perder o grau de investimento. Não sei se o superávit primário vai ser de 1,2% do PIB, mas o que os investidores querem ver é mudança de curso. Então se o resultado for de 0,9% do PIB e governo mostrar que está caminhando para entregar 2% em 2016, a reação será boa.

Valor: O pacote da semana passada ainda não é suficiente?

Loes: Para o ajuste total, não. Para chegar na meta, o ajuste tem que ser de R$ 80 bilhões. A elevação da Cide, as demais medidas anunciadas no mesmo dia, o restabelecimento da alíquota de IPI e as medidas de readequação de direitos trabalhistas somam cerca de R$ 50 bilhões. Caso o governo não consiga trabalhar muito o lado do gasto, acho que CPMF é uma possibilidade, por mais que a gente saiba que tem custo político e resistência no Congresso.

Valor: O ajuste é necessariamente recessivo?

Loes: Ao fazer ajuste fiscal, o governo está subtraindo recursos do setor privado, com intuito de poupar. Se é bem feito, as expectativas do setor privado começam a melhorar, os projetos de investimento saem das gavetas, a demanda privada começa a se contrapor a essa redução de gasto público. Agora, o primeiro impacto é sempre contracionista. Aumento de superávit primário é política contracionista.

Valor: Mas dá pra esperar que o fim do ano seja mais positivo?

Loes: Tenho a impressão que o Joaquim [Levy, ministro da Fazenda] vai tentar fazer um ajuste duro no início para reverter rapidamente as expectativas. Essa é a maneira mais correta de fazer o ajuste. Você sai mais rapidamente da lógica de contração para lógica de expansão. Tudo que tem sido proposto até agora vai nesse sentido.

Valor: Como se comporta o investimento nesse cenário?

Loes: Temos no nosso cenário uma queda de 7% do investimento, e a estimativa tem um quê de "impressionismo" do que pode acontecer no setor de infraestrutura. Os relatos são de paralisação de decisões no momento. Se isso durar seis meses, o investimento do setor pode cair 20% neste ano, em relação a 2014. Não fosse isso, talvez o investimento até ficasse estável.

Valor: O cenário contempla racionamento de energia e água?

Loes: Não. Se houver racionamento, o crescimento será pior. Mas acho que o impacto é menor do que em 2001, pois hoje o racionamento não seria uma surpresa para consumidores e empresários.

Valor: Alguns analistas começam a falar em convergência da inflação para a meta em 2016. É o cenário mais provável?

Loes: A inflação brasileira é resistente à queda, mas não é uma rocha. Mas acho difícil em 2016 ter convergência tão grande. Estimamos inflação de 5,3% no ano que vem, e mesmo assim vai depender de evolução do setor elétrico. Se as chuvas continuarem muito ruins, os custos de geração vão seguir altos e os repasses para os consumidores podem ser maiores. Infelizmente, os imponderáveis estão mais para o lado ruim.

Valor: Então o que vai trazer esse crescimento de 2,8% que vocês projetam no próximo ano?

Loes: Em parte, é o consumo. A demanda vai crescer só 0,5% em 2015, e depois volta a crescer 2% em 2016. Mas ainda é um crescimento abaixo de 3%. Para crescer mais, precisamos resolver problemas estruturais que se armaram e são relevantes.

Valor: Quais são os principais?

Loes: A infraestrutura. Espero que governo volte com concessões e isso pode ser muito positivo. É tão premente que a gente não tem nem ideia da melhoria de custos que esses ganhos podem acarretar. Mais para a segunda metade deste mandato podemos ver esses resultados. A agenda é de ganho de produtividade. Não é forma fácil de crescer, mas é mais sustentável.

Valor: A redução de preço do petróleo ajuda ou atrapalha?

Loes: A redução de preço de petróleo é positiva para Petrobras, que estava subsidiando valor da gasolina, e pode ser positiva para inflação. Mas os preços das commodities se correlacionam e as demais tendem a acompanhar a queda do barril. E aí é ruim para o Brasil, já que 65% das exportações são commodities, enquanto só 25% são importações desses produtos. A variável de ajuste é a taxa de câmbio. O HSBC tem projeção de R$ 2,80 de média para 2015, e de R$ 3 para o fim do ano. Agora, isso é bom para vários setores. Começa a ajudar mais a indústria, que de fato ficou muito exposta.

Valor: O setor externo está entre os imponderáveis negativos para Brasil em 2015?

Loes: Temos visão pior para economia global. Neste primeiro semestre, o cenário é ruim para mercados emergentes, com commodities em queda e economias desenvolvidas ainda fracas. Quando há essa piora, começam a apontar os mais frágeis, e o Brasil tem sido colocado nesta lista. De fato ficou mais frágil com piora fiscal e pode ter maior volatilidade da taxa de câmbio, por exemplo. Mas se o critério para falar de crise for balanço de pagamentos, estamos mais preparados do que na maior parte da história do país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

LAVA-JATO DERRUBA PROJEÇÕES DE PIB E INVESTIMENTO
Publicado em 01/28/2015 as 02:33 PM

A paralisia em projetos da Petrobras e das construtoras envolvidas nas investigações da Operação Lava-Jato pode resultar em uma queda na ordem de 15% nos investimentos em infraestrutura no país em 2015 e, com isso, puxar a economia inteira para baixo. Isso confirmaria a perspectiva crescente de uma recessão em um momento em que a atividade já caminha fraca. A estimativa é da Tendências Consultoria, que mapeou o peso das empresas envolvidas no escândalo e calcula que o desdobramento das investigações deve retirar até 1,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Isso levou a consultoria a revisar sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2015 de alta de 0,6% para queda de 0,5%. "Já contávamos com uma redução na projeção anterior por conta da Lava-Jato, mas o impacto deve ser maior do que imaginávamos inicialmente", disse a analista Alessandra Ribeiro.

Isso significa que, na visão da consultoria, não fosse pelo estouro do escândalo e suas consequências sobre os negócios de algumas das maiores empresas do país, o PIB poderia crescer 1% em 2015, mesmo sob os efeitos negativos de um consumo já fraco e do aperto nos gastos do governo, que já estavam na conta. A Tendências engrossa uma lista de consultorias e instituições financeiras que começam a revisar as estimativas e, em muitos casos, a vislumbrar um PIB negativo no ano, conforme evoluem as investigações da operação da Polícia Federal.

"O efeito multiplicador da Petrobras é muito grande", explica Alessandra. A estimativa da Tendências, com base no histórico do PIB e dos investimentos da empresa, é de que para cada R$ 1 que a Petrobras aplica, alavanca-se mais R$ 1,90 na economia. Além disso, sozinha, a companhia representa cerca de 2% do PIB - é o quanto representaria, anualmente, os US$ 220 bilhões planejados inicialmente no programa de investimentos de 2014 a 2018 da empresa. O peso das empreiteiras é igualmente grande. O levantamento da Tendências estima que os projetos tocados por elas atualmente, uma carteira que abrange a maior parte das obras de infraestrutura do país, representem 2,8% do PIB.

É por isso que a revisão cortou crescimento em praticamente todos os segmentos da economia: o PIB industrial foi revisado de alta de 0,8% para queda de 2,6%, puxado por um encolhimento de 6% só na construção civil. A projeção para a formação bruta de capital fixo (FBCF), a medida do PIB para os investimentos, saiu de alta de 1,1% para queda de 4,3%. Isso deve ter impacto no mercado de trabalho - com desemprego subindo a 6,3% e a renda crescendo 0,2%, em vez de 0,4%. Com consequências também para o consumo, que foi cortado de 0,8% para 0,2%.

O corte generalizado vem pelo entendimento de que a Lava-Jato, somada às próprias questões de financiamento que a Petrobras já enfrentava, engessa a estatal e as construtoras investigadas em várias frentes. Além de problemas financeiros reais, principalmente nas empreiteiras, onde em alguns casos a suspensão de contratos deflagrou problemas de dívidas, segue-se também os problemas jurídicos, que impedem novos contratos ou licitações, e uma crise de credibilidade, o que dificulta a captação de financiamento em bancos nacionais, internacionais e também na bolsa de valores.

"Há implicações tanto legais quanto financeiras, e os efeitos colaterais podem ser maiores do que se imaginava", diz Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra, que revisou o PIB de 2015 de alta de 0,3% para queda de 0,5%, sendo que o "efeito Lava-Jato", sozinho, cortou 0,3 ponto do total. O restante entra na conta de prováveis racionamentos de água e de energia no segundo semestre.
"A Petrobras representa cerca de 10% da formação bruta de capital fixo. Cada 10% que ela reduz de seu investimento tira 0,3 ponto do PIB", explica Kawall. É uma conta parecida com a do banco Credit Suisse, que, em conferência a investidores ontem, estimou que para cada corte de 10% nos investimentos da estatal se perde 0,2 ponto de PIB. O banco revisou sua projeção para o ano também de crescimento de 0,5% para queda de 0,5%.

"Estamos falando de uma revisão significativa em uma cadeia, a de petróleo e gás, que representa um terço dos investimentos da indústria", pontua o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Sua projeção para o PIB de 2015 saiu de alta de 0,5%, no cenário de economia fraca e ajustes fortes, para queda de 1%, no cenário da mesma economia fraca piorada pelas crises na Petrobras, na energia e na água.

"A importância da Petrobras para nós é indiscutível, basta olhar o tamanho da participação dela no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]", disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins. A Cbic, no entanto, vê a crise menos como um colapso da construção nacional e mais como uma oportunidade para as pequenas e médias empresas - "não será por falta de construtora que não haverá investimentos", reforça Martins.

Os investimentos, de qualquer forma, estão parados. "Todas as empresas com algum vínculo a projetos da Petrobras estão com milhares de equipamentos parados em suas fábricas", conta César Prata, presidente do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo Prata, da metade do ano passado para cá, com os projetos entre Petrobras e empreiteiras suspensos, máquinas que já estavam encomendadas foram abandonadas, enquanto novas encomendas praticamente zeraram. "São produtos feitos sob encomenda para a Petrobras, especiais para cada projeto, prontos, embalados e parados. Não servem para mais ninguém. Para quem vamos vender?", conclui.
Fonte : Valor Econômico
Data : 28/01/2015

POR QUE A LEI DOS PORTOS NÃO RESOLVEU O PROBLEMA
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Há cenas que beiram o bizarro no Porto de Santos, o maior do país, pelo qual passa 25% do comércio exterior brasileiro, algo como US$ 122,5 bilhões em 2013. Pelas ruas que dão acesso aos terminais de grãos, garis recolhem mensalmente 36 toneladas de lixo. A varrição diária inclui soja, milho e açúcar que caem dos caminhões, em grande quantidade. Em outro ponto, a área em que caminhões descarregam açúcar foi apelidada de Holiday on Ice, graças ao efeito causado nos passantes. Do outro lado, na margem esquerda do porto, cerca de 4,1 mil famílias das favelas de Conceiçãozinha e Prainha vivem vidas praianas tendo navios gigantescos no quintal: crianças brincam e homens pescam em águas contaminadas por metais pesados e o próprio esgoto da favela. Há ainda os vários problemas das empresas: estruturas precárias, terminais que só operam graças a medidas judiciais, problemas ambientais variados e – tão impressionante quanto – alguns bilhões de reais em investimentos parados.

O pior: nada disso é novo. Com a promulgação da nova lei dos portos, há um ano, esperava-se que esse cenário não só mudasse, como a modernização, o ganho de competitividade, a maior competição e a redução do Custo Brasil já tivessem começado a acontecer. O próprio governo tinha a expectativa de receber R$ 54,2 bilhões em investimentos nos portos até 2017, sendo que R$ 31 bilhões chegariam até o ano que vem. Não só nada disso aconteceu, como o efeito foi o oposto. Segundo a Inter.B Consultoria, o investimento no setor, que alcançou R$ 7 bilhões em 2012, caiu para R$ 4,53 bilhões no ano passado, uma retração de 35%. Em relação ao PIB, o valor equivalente percentual é de 0,09%, o mesmo investido entre 2007 e 2011. Também houve aumento no Custo Brasil pelas mudanças trabalhistas e uma série de efeitos que atravancaram os negócios.

Como no setor de energia, cuja principal meta das mudanças era reduzir o preço pago pelo consumidor, a intenção do governo federal nos portos também foi nobre. “O objetivo foi aumentar a competitividade na logística do transporte de carga, que custa 13% no Brasil, ante 8% ou 9% nos países mais desenvolvidos”, afirma Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B. Porém, a maneira de chegar lá, como disseram vários entrevistados, mais uma vez foi o problema. “Nos portos, houve a repetição do modus operandi desse governo, já visto em outras áreas: autoritário, com uma lei imposta de cima para baixo e centralizando o comando em Brasília”, diz Frischtak. “É um padrão que gera incertezas e desconfianças, em vez de atrair e facilitar os investimentos.”

O principal problema para o atravancamento do setor foi a mudança da lei. Para que pudesse ser posta em prática foi necessária a elaboração de artigos no último ano. “Não era preciso mudar e passar uma régua em todas as regras do setor portuário”, diz Claudia Bonelli, sócia do escritório Tozzini Freire. “Havia problemas, sim, na lei anterior, mas algumas mudanças pontuais teriam sido suficientes para melhorar a competitividade e não teriam criado toda a incerteza jurídica de um novo marco regulatório.” O mesmo recado foi transmitido por entidades setoriais e empresas ao governo, antes de a nova lei ser implantada: numa área em que os investimentos maturam e têm retorno no longuíssimo prazo, trocar a legislação significa mexer com decisões futuras e com aportes feitos, inclusive, no passado. Cálculos de Frischtak indicam que o custo da incerteza regulatória aumenta a taxa de retorno para o capital em 150 pontos, ou 1,5%. “É muita coisa”, diz ele.

Houve ainda outro agravante nos planos de reformulação da área, de acordo com especialistas. A pressa na elaboração de um projeto que abrangesse todo o setor, no país inteiro – sem uma discussão ampla com os envolvidos – fez com que ele tivesse erros e acabasse numa longa discussão no TCU. “Foi uma mudança estrutural muito grande, infelizmente concretizada num ano anterior ao da eleição”, diz Maria Eduarda Berto, da EBP (Estruturadora Brasileira de Projetos), responsável pelos estudos técnicos. Além das restrições do TCU ao modelo apresentado, a própria participação da EBP, que pertence a nove bancos e já tinha sido responsável por outros 15 estudos semelhantes em obras públicas, foi discutida num processo que levou sete meses. “Esse processo era mais complexo porque envolvia vários modais e interesses”, diz Marcelo Saintive, presidente da EBP.

Até o fim de junho, o TCU não havia tomado uma decisão sobre os arrendamentos. Porém, muitos investidores tinham dinheiro e times preparados há meses. “Tenho interesse em áreas e já me estruturei financeiramente”, diz Antonio Carlos Fonseca Cristiano, dono da Marimex, uma das maiores operadoras de contêineres de Santos. Segundo Claudia, as consultas de clientes interessados também se multiplicaram no escritório. “Fomos um dos primeiros a manifestar interesse em antecipar a renovação da concessão e participar das licitações, especialmente contêineres e veículos”, afirma Mauro Salgado, diretor comercial da Santos Brasil, a maior da América Latina. “Temos não só os recursos humanos como meios para obter fundos necessários para participar nesse processo.”

Centralizar e enfraquecer
O argumento do governo para mudar totalmente a lei foi evitar uma colcha de retalhos para a área. Para vários especialistas, porém, o objetivo seria criar uma estrutura que permitisse centralizar as decisões em Brasília, ao mesmo tempo em que as autoridades portuárias (as companhias docas), os conselhos deliberativos (Conselho de Autoridade Portuária) e a agência reguladora do setor (Antaq) fossem enfraquecidos, para evitar longas discussões nas decisões a serem tomadas. “O problema desse modelo é que, se a intenção do político de plantão é boa e correta, muito bem”, diz Claudia. “Mas a estrutura, tal qual foi montada, deixa o setor portuário na ótica da caneta da vez.”

As impressionantes filas de 25 quilômetros de caminhões parados, à espera de sua vez de descarregar grãos nos portos, em 2013, evidenciaram um problema mais do que sabido: a infraestrutura brasileira, após décadas sem investimentos, havia chegado ao limite. As imagens deram força à aprovação da lei que, em linhas gerais, permitiu que terminais privados movimentassem cargas próprias ou de terceiros e mudou a relação trabalhista do setor. Ela também deveria ter acelerado novos arrendamentos em terminais públicos e antecipado a prorrogação de contratos já existentes. Até agora, isso não aconteceu.

A lei permitiu a criação de terminais privados que podem movimentar cargas suas e de terceiros – uma figura que não existia até então – e também tornou legais empreendimentos como a Embraport e a Portonave, que são terminais privados em portos públicos. A medida foi aplaudida porque incentivava a competição e ampliava a capacidade dos portos. “Houve um choque de oferta em Santos [com a entrada em operação de novos terminais]”, diz Henry Robinson, ex-presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP) e atual membro do conselho da empresa. “Mas, como numa nova pizzaria que chega ao bairro, saem ganhando os que gostam de pizza.” A BTP não está operando com capacidade plena por falta de dragagem, cuja licitação deve sair até o fim do ano. Apesar da maior oferta em Santos, os preços da movimentação de contêineres já vinha caindo desde a lei anterior, de 1993 (leia tabela à pág. 89).  

Ao mesmo tempo que aumentou a competição, a mudança na lei criou novas incertezas. “Os arrendatários que já tinham contratos em terminais públicos vão passar a competir com terminais privados, em portos privados, com estruturas diferentes e mais ágeis”, diz Claudia. “Isso é isonômico?” Segundo ela, em alguns anos, quando o tema estiver sedimentado, há o risco de empresários buscarem na Justiça o direito de se submeter às mesmas regras. Mais uma vez, a garantia dessa isonomia estará nas mãos da Secretaria Especial de Portos (SEP), que tem status de ministério, e da Antaq. “O problema é que a agência reguladora enfraqueceu”, diz o diretor de uma operadora. “Ela passou a ser subordinada à secretaria de portos, o que não era antes.” Segundo ele, há vários sinais de que o Executivo não confia na agência. “Tanto que a regra emitida por ela em janeiro, sobre como fazer a prorrogação contratual, não foi levada adiante”, diz.

Nos terminais públicos, a novidade mais incômoda é a trabalhista que, na prática, aumentou o Custo Brasil. Agora, os arrendatários são obrigados a contratar empregados por meio das Ogmos (Órgão Gestor de Mão de Obra). O objetivo era fazer com que trabalhadores avulsos fossem priorizados na contratação. “É inexequível”, diz o diretor de uma grande operadora. “Se eu precisar contratar cem motoristas de caminhão e a Ogmo só tiver 20, ela os buscará no mercado, o que cria uma etapa – e um custo – desnecessário.”

Além disso, a nova lei também implantou categorias sindicais separadas. Agora, as empresas têm de negociar com portuários, conferentes, estivadores, operadores de guindaste, de caminhão, capatazes, vigias e consertadores, entre outros.  “Na prática, os funcionários deixarão de ser promovidos”, diz esse diretor. “O cargo mais almejado no porto é o de operador de portainer [guindaste de grande porte, usado para carregar e descarregar contêineres de navios]. Muitos dos que hoje trabalham nessa função começaram em cargos mais simples, foram treinados e promovidos.” Para ele, os sindicatos não deixarão as promoções acontecer, para evitar a perda de bases, e pressionarão por salários maiores, mesmo em funções em que a qualificação for menor. “Ou seja, teremos empregados frustrados, talvez ganhando um pouco mais, mas que não conseguem progredir na carreira”, diz. “É mais Custo Brasil, sem dúvida.”


“Credo desse governo”
A mudança trazida pela nova lei que levanta mais questionamentos em todo o porto é a centralização da gestão em Brasília. “A experiência anterior que tivemos foi com a Portobrás [órgão extinto no governo Collor] que sofria por centralizar tantas coisas diferentes, em lugares tão distantes”, afirma Claudio Loureiro de Souza, diretor executivo da CentroNave, entidade que reúne os armadores. Ele está longe de ser o  único a recear que a gestão do porto se torne ainda mais arrastada: a preocupação foi expressa por advogados, operadores, entidades de classe e mesmo órgãos públicos, acostumados à morosidade do sistema. “Tirar poder da Codesp [as docas de Santos] é mais um complicador”, diz César Valente, gerente da Cetesb em Santos. “Em vários momentos conseguimos nos aliar à Codesp para pressionar as empresas a resolver irregularidades ambientais.” Se antes a Codesp fiscalizava e multava, agora ela apenas fiscaliza e tenta resolver os problemas na instância administrativa. Para diversos presidentes de companhias docas ouvidos, eles deixaram de ser gerentes para se tornar zeladores dos portos.

A nova diretoria da Codesp nega que haja qualquer perda de poder. Ao contrário. “Perder o canhoto de multas é perder poder?”, diz Angelino Caputo, que saiu da Casa Civil em abril para presidir a Codesp. “Não, não é. Se a empresa não se ajustar ao que determinamos, vira infração grave e ela é multada pela Antaq.” Para ele, não existe fronteira entre companhia docas e SEP e, até mesmo, Antaq. “Somos uma única equipe que tem uma parte no porto e outra em Brasília”, afirma. “Eles cuidam da política do setor e traçam a estratégia com a visão nacional, enquanto estamos focados na realidade local.”

Segundo Luis Montenegro, diretor de planejamento estratégico da Codesp, a mudança fez com que o poder institucional da autoridade portuária se tornasse maior. “Qualquer decisão que a gente toma hoje é feita com mais tranquilidade porque tem a diretriz do ministério e o aval da agência reguladora”, diz ele. “Antes, as decisões eram tomadas sozinhas pela autoridade portuária, quase sem efeito prático.” De acordo com ele, havia muito desgaste na compra de brigas institucionais. “Na questão das filas [de caminhões], por exemplo, chegou um momento em que precisamos discutir com os donos de cargas para que assumissem certas responsabilidades”, afirma. “Eu tinha limitação para conseguir falar com os grandes produtores nacionais, mas quando o Ministério da Agricultura foi envolvido, a coisa mudou de figura.” Em casos nos quais prevejam um embate jurídico, diz, a Codesp pode acionar a Advocacia Geral da União (AGU). “Isso muda toda a argumentação, já na assinatura de contratos.” Os ganhos de sinergia também podem ser ampliados no desenvolvimento de sistemas, a ser adotado em todo o país.

Executivos do setor reconhecem o esforço por melhorias da nova gestão. “Eles estão empenhados em ter bons resultados”, diz Salgado, da Santos Brasil. Na busca pela eficiência da autoridade portuária, foi implantado um PLR (Programa de Participação nos Lucros e Resultados) dos dirigentes, bem como um sistema de honorários mensais variáveis. Assim, não só o bônus anual, como o salário mensal podem variar. “O PLR está ligado a metas da empresa, enquanto o honorário variável é calculado sobre metas de gestão”, diz Caputo. “Se um diretor tiver de concluir um projeto em determinado prazo e não puder fazê-lo porque teve dificuldades com o Ibama ou a prefeitura e ficou sentado esperando a solução, ele já perdeu parte do salário.” A Codesp conseguiu atingir 98% das metas de gestão trimestrais estabelecidas pela SEP, na primeira avaliação. “A ideia é que as metas comecem a ser apertadas até que, no futuro, 50% da remuneração seja variável.”

Outro projeto de ganho de eficiência foi a contratação da consultoria Deloitte para mapear processos, identificar gargalos e ineficiências. As soluções serão propostas pelos participantes do sistema. “A consultoria trouxe a metodologia, mas é um projeto da SEP com as docas e, espero, com o apoio da comunidade portuária”, afirma Caputo, para quem esse projeto é a “menina dos olhos”. “Temos muita coisa para evoluir em termos de agilidade do porto e eles é que vão dizer onde o negócio pega.”

Paulo Barbosa, prefeito de Santos, é um dos que estão doidos para serem ouvidos pela Codesp. “Há uma grita geral em relação à falta de diálogo com o governo federal: não foram ouvidos nem a esfera pública e muito menos o setor portuário”, diz Barbosa. “Do jeito que as mudanças foram feitas, de maneira impositiva, nada vai funcionar.” O problema que envolve a cidade diz respeito ao terminal de grãos, na Ponta da Praia. O corredor de exportações, por onde sai boa parte das commodities produzidas pelo país, virou bairro nobre e objeto de especulação imobiliária. Isso fez com que as reclamações dos moradores crescessem.

“Quando a soja não é varrida, a chuva molha e o sol fermenta os grãos”, diz Valente, da Cetesb, que recebeu mais de cem reclamações no ano passado sobre o porto. “O cheiro é de galinheiro.” Além disso, o medidor de qualidade do ar do órgão localizado na mesma região também indica índices piores em relação ao resto da cidade. Nuvens de poeira podem ser vistas no carregamento dos navios, de longe. “Somos grandes interessados na expansão e no crescimento econômico do porto, mas há impactos negativos que precisam ser mitigados”, diz Barbosa. “Tínhamos um plano de zoneamento portuário discutido à exaustão com todos os participantes, inclusive o governo federal, no qual não haveria ampliação para o transporte de grãos ali, e ele foi ignorado.” O resultado é que a cidade de Santos criou uma lei tentando impedir que os grãos ficassem na Ponta da Praia e o governo federal foi à Justiça, já que a área portuária é da União. O processo está no Supremo. Para a Codesp, o governo federal está pensando no longo prazo, quando o modal ferroviário diminuirá o impacto dos caminhões e os investimentos dos novos arrendatários diminuirão a poluição.

Já na outra margem do porto, no Guarujá, a transferência de 1.052 famílias da favela de Conceiçãozinha para um complexo habitacional, prevista para acontecer em 2013, não foi realizada. A obra demorou mais que o previsto e a mudança deve ser feita somente no próximo ano. Das mais de 4 mil famílias moradoras das favelas, só algumas serão transferidas. Nos planos de arrendamento do porto, não está prevista a remoção total da favela: os moradores continuarão com navios em suas janelas ou tendo de recolher a roupa na hora do carregamento de açúcar. “Eles gostam de morar lá”, diz Caputo. A retirada só será discutida caso a área se torne prioridade à expansão da atividade portuária. “Se ela se tornar essencial, discutiremos uma solução social”, diz Montenegro.
“Se a favela se tornar essencial à expansão, buscaremos uma solução social”, diz Montenegro

Além das disputas locais, as idas e vindas dentro do próprio sistema político também podem dificultar os objetivos das autoridades. Um balanço da gestão da SEP elaborado há três meses mostrava que quase todas as metas estabelecidas não haviam sido cumpridas ou foram cumpridas só parcialmente. O próprio Caputo, depois de ter trabalhado no desenvolvimento de um artigo que determinava o regime de contratação simplificado nos portos, em sua época na Casa Civil, viu a possibilidade de o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) ser estendido também para a área, numa das mudanças de leis no Congresso. “Não precisaríamos aí regulamentar a lei dos portos”, diz. Porém, os legisladores voltaram atrás e o regime incluiu só presídios. “Agora será necessário avaliar se será retomado de forma isolada ou se haverá uma nova tentativa [mais ampla]”, afirma.

Outro complicador é a dificuldade em lidar com o pessoal escasso e grupos poderosos. Os lobbies e interesses são fortíssimos e aparecem das mais diversas fontes. Num exemplo simples, Valente mostra o número crescente de advertências e multas aplicadas a empresas, conforme a movimentação do porto aumentou nos últimos anos. “Essas empresas têm um corpo jurídico gigante”, diz. “Qualquer ação da Cetesb tem uma reação imediata e o andamento é lento.”

As dificuldades são tantas que há quem aposte numa eventual volta atrás na nova lei, caso a presidente Dilma Rousseff não seja reeleita. “Não haverá a revogação ou a edição de uma nova lei, mas acredito que o espírito será substancialmente mudado”, diz um operador. Ele não é o único a ter essa opinião. “A questão trabalhista terá de ser revista, bem como a centralização em Brasília.” Para ele, o resultado serão alguns anos perdidos com a paralisia dos investimentos. “Mas, o Brasil vive perdendo tempo, não é mesmo?”
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

ACORDO ENTRE BRASIL E BÉLGICA CRIA CENTRO DE TREINAMENTO PARA TRABALHADOR PORTUÁRIO
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Um Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria de Portos (SEP/PR) e o Centro de Capacitação do Porto de Antuérpia (APEC), na Bélgica, assinado ontem, terça-feira, 16/12, na embaixada da Bélgica, vai garantir a criação do primeiro Centro de Capacitação dos Gestores e dos Trabalhadores Portuários no Brasil. O Centro será montado em Vitória (ES) e conta com o apoio do Instituto Federal do Espírito Santo – IFES, SEST/SENAT e Companhia Docas do Espírito Santos (CODESA).

O ministro da Secretaria de Portos, César Borges, esteve na cerimônia de assinatura do Acordo. Também estiveram presentes o embaixador do Reino da Bélgica, Josef Smet, e representantes das instituições envolvidas no Acordo. O ministro ressaltou a importância da capacitação dos trabalhadores portuários. “A classe dos trabalhadores, que estão aqui representados, e são fundamentais e imprescindíveis. É o entendimento do Governo e nós queremos avançar na política de ter portos cada vez mais eficientes e sem a participação de trabalhadores qualificados e treinados, esta tarefa seria impossível’, disse.

O embaixador Josef Smet destacou as relações entre Brasil e Bélgica. “Com a APEC do Brasil, o Porto da Antuérpia e seus especialistas estreitam ainda mais seus laços com o Setor Portuário Brasileiro, e se inserem totalmente na abordagem definida pela Presidenta Dilma Rousseff e do Senhor Ministro, da transferência de conhecimento para o Brasil e de uma parceira inovadora com um dos maiores portos da Europa”.

O Porto de Antuérpia é um dos maiores do mundo e seu Centro de Treinamento (APEC) é internacionalmente reconhecido como vanguarda na área de ensino portuário. Desde 2010, o Brasil mantém relações com a APEC. Gestores portuários e profissionais da SEP/PR, ANTAQ, INPH, Cias Docas e dos Portos delegados foram treinados na Bélgica. Em 2013, este Acordo de Cooperação Técnica foi renovado com duas fases: Na primeira, a APEC organizou Seminários que ainda estão em andamento no Brasil, abrangendo diferentes temas. A segunda fase é o estabelecimento da APEC do país. As ações estão em consonância com Lei nº 12.815/2013, que prevê investimentos na capacitação de gestores e trabalhadores portuários.

Outras estão envolvidas no Acordo como Federação Nacional dos Estivadores (FNE), a Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Carga e Descarga, Vigias Portuários, Trabalhadores de Bloco, Arrumadores e Amarradores de Navios, nas Atividades Portuárias (FECCCONVIB), Federação Nacional dos Portuários (FNP) e das Associações dos Operadores do setor privado (Federação Nacional dos Operadores Portuários FENOP e Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados - ABTRA).

No Brasil, a APEC será montada nas instalações do IFES e do SEST/SENAT em Vitória. Entre os dias 19 e 21 de novembro, uma missão técnica com representantes do IFES, SEST/SENAT, FNE e do OGMO de Vitória foram à Antuérpia para uma visita técnica com o objetivo de selecionar os cursos que serão ministrados no Brasil e obter o material didático já elaborado pela APEC para tradução. Além disso, o Sindicato dos Estivadores do Estado do Espírito Santo e do OGMO serão os responsáveis pela verificação, negociação e eventual aquisição dos simuladores de equipamentos portuários de grande porte, considerados essenciais para o treinamento adequado dos Trabalhadores Portuários Avulsos

A Secretaria de Portos já avalia a instalação da APEC em outros portos do Brasil.
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

TCP ROMPE BARREIRA DOS 160 MPH E BATE NOVO RECORDE DE PRODUTIVIDADE
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) atingiu uma nova marca no último sábado, 13/12, em Paranaguá. A operação do navio "Cosco Napoli" foi realizada com produtividade recorde de 168 movimentos por hora (MPH).

Este é um recorde histórico para o terminal, ultrapassando sua própria marca de movimentação por navio.

Após receber um dos maiores pacotes de investimentos privados do setor portuário brasileiro nos últimos anos (R$ 365 milhões em três anos), o TCP atualmente tem capacidade para movimentar 1,5 milhão de TEUs/ano, conta com 320 mil metros quadrados de área de armazenagem e oferece três berços de atracação, com extensão total de 879 metros.

O TCP tem como acionistas o fundo de private equity Advent International, a Pattac Empreendimentos e Participações S/A, TUC Participações Portuárias S/A, Soifer Participações Societárias Ltda., Grup Marítim TCB S.L. e Galigrain S.A.
Fonte : Portos e Navios
Data : 17/12/2014

SINDICOM: DEMANDA POR COMBUSTÍVEIS FECHA ANO COM SALDO POSITIVO
Publicado em 12/17/2014 as 02:43 PM

Apesar das dificuldades econômicas, a demanda por combustíveis fechou 2014 com saldo positivo. As empresas associadas ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) distribuíram 105 bilhões de litros. Este resultado representa crescimento de 6,1% nas vendas, enquanto que o mercado, que movimentou 133 bilhões de litros, avançou 5,6%, conforme anunciou nesta terça-feira o presidente do Sindicom, Alísio Vaz.

Segundo ele, esse bom desempenho foi puxado pela demanda por etanol hidratado, que subiu 11,1% nas associadas, impulsionada por dois fatores: desoneração do PIS/Cofins na distribuição do produto e a atuação rigorosa dos estados na fiscalização e controle do mercado. Além disso - diz -, o consumo de gasolina também subiu, refletindo o aumento da frota de passeio nos últimos anos.

- Relevante neste contexto foi o alinhamento das estatísticas oficiais do mercado de etanol hidratado à realidade das vendas, numa vitória da ANP sobre as distribuidoras que ocultavam informações - disse, acrescentando que a crescente formalização da distribuição do biocombustível, o ajuste do Sistema de Informações, o ajuste do Sistema de Informações de Movimentação de Produtos (Simp) da agência permitiu a entidade acompanhar com dados reais a evolução do segmento..

Alísio disse ainda que a locomotiva de vendas da gasolina C e o óleo combustível foram as Regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. O Norte registrou crescimento de 9% na gasolina e 2% de óleo diesel; o Nordeste 9% e 4%, respectivamente. Já a Região Centro-oeste, cresceu 8% na vendas de gasolina C e 6% no óleo diesel.

Quanto às vendas de querosene de aviação, Alísio disse que às associadas a entidade registraram crescimento de 3,5%, enquanto que as outras distribuidoras registraram queda de 6,5%. Já o mercado registrou crescimento de 3,5%.

- A distribuição de querosene de aviação, feita pelas associadas, também registrou saldo positivo de 3,5%, com 7,5 bilhões de litros. A favor desse resultado, que reverteu a queda do ano anterior, pesaram a retomada da demanda por passagens domésticas em torno de 5%, após um ano de ajuste na oferta de vôos por parte das companhias, e o aumento do número de vôos internacionais, por conta da manutenção de trajetos criados pelas aéreas por ocasião da Copa do Mundo - disse, ressaltando que o faturamento das lojas de conveniências pulou de R$ 3,1 bilhões em 2013, para R$ 3,8 bilhões neste ano.

Alísio fez questão de externar sua preocupação com a atuação da milícia no setor. Segundo ele, aos poucos eles vão eliminado os postos tradicionais.

- O revendedor tradicional é expulso do setor pela milícia que ocupam determinada região. Eles oferecem preço baixo para conquistar o consumidor utilizando algum tipo de fraude. A ANP sozinha não consegue resolver isso. Tem que ter atuação da Polícia. Esses postos também servem como locais para lavagem de dinheiro das milícias.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

CNI PREVÊ LEVE MELHORA DA INDÚSTRIA EM 2015
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Após um 2014 “difícil e duro”, durante o qual o setor industrial teve “desempenho frustrante, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê leve melhora dos indicadores econômicos em 2015. A expectativa da entidade é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça timidamente ao longo do próximo ano, mas que os juros continuem em alta, freando o consumo e os investimentos.

Segundo o seu Informe Conjuntural Anual, o PIB do país deve crescer 1% ano que vem, metade dos 2% estimados pelo governo federal. Este ano, pelos cálculos dos economistas da entidade o crescimento não passará de 0,3%, confirmando a estagnação da economia.

A entidade calcula que os juros terminarão 2015 em torno de inacreditáveis 12,5% e que a inflação encerrará o próximo ano em 6,2%, dentro da meta do governo de até 6,5%. A CNI projeta 6,4% de inflação para 2014.

Para o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, o desafio do país a partir de 2015 será aumentar a competitividade da indústria, tarefa considerada difícil, já que a CNI prevê que o consumo das famílias crescerá 0,7%. Esse aumento contribuiria para a atividade industrial crescer 1%, mas não criaria as condições sustentáveis de um crescimento maior, avalia a CNI.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

MULTIS EXPORTAM QUASE US$ 1 TRI ILEGALMENTE
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Maior parte da sangria veio dos Brics em operações como subfaturamento

Em 2012, US$ 991 bilhões, apenas em capitais ilícitos, foram retirados de economias em desenvolvimento, quase 5% mais do que no ano anterior. O número é estimado pelo instituto Global Financial Integrity (GFI), sediado em Washington, nos EUA, que acompanha fluxos de capital ilegais.

A maior parte do dinheiro foi retirado dos países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na sigla em inglês).

A organização considera capital ilícito aqueles frutos de manobras como faturas comerciais adulteradas, registros artificiais de exportações e importações para fugir do pagamento de impostos ou ocultar transferências vultosas para as matrizes.

De acordo com o documento da Global Financial Integrity, entre 2003 e 2012, US$ 6,6 trilhões foram retirados de forma ilícita de países emergentes, rumo a nações desenvolvidas ou paraísos fiscais.

Desse total, aproximadamente US$ 3 trilhões, ou quase metade, saíram de países dos Brics. Da China, segunda maior economia do mundo, saíram US$ 1,25 trilhão ao longo da década.

A Rússia foi a segunda maior exportadora de dinheiro ilícito; a Índia, a quarta; o Brasil, o sétimo e a África do Sul, o décimo segundo.

É importante destacar que o levantamento refere-se apenas a formas ilegais de retirada de capitais. O documento não trata de outras sangrias, como remessas de lucros, royalties para as matrizes ou paraísos fiscais.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

VALOR DA SAFRA EM 2013 FOI A R$ 232,5 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

A produção agrícola em 2013 chegou a 188,1 milhões de toneladas e bateu recorde, crescendo 16,1% em relação a 2012. No período, o valor da safra foi de R$ 232,5 bilhões, um aumento de 14% na comparação com o ano anterior, informou hoje (16) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou a Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2013.

O documento também revela que em 2013 foram cultivados 72,4 milhões de hectares, sendo 3,2 milhões a mais que 2012, reflexo da expansão do cultivo de soja e de milho.

Das 64 culturas investigadas, a soja, a cana-de-açúcar e o milho foram as que mais contribuíram para o valor da produção de R$ 232,5 bilhões e equivalem a 29,7%, 18,5% e 11,5%, respectivamente, do total. Juntas, as culturas respondem a quase 60% da produção nacional, “impulsionadas pelos bons preços praticados no mercado”, diz o IBGE.

Por causa de estiagens no Nordeste em 2012 e 2013, a mandioca, por exemplo, apontada com um dos principais alimentos do brasileiro, teve queda de preço de 6,8%, impactando o valor da produção da raiz, que subiu 28,5% e influenciou o montante geral.

A pesquisa sobre a produção agrícola mostra ainda que das 64 culturas, 33 tiveram produção menor em 2013 em relação à 2012 e 31 tiveram aumento.

A soja bateu novo recorde da safra, com 81,7 milhões de toneladas, 24% a mais. A área plantada cresceu 2,9 milhões de hectares e somou 27,9 milhões, sendo o Mato Grosso, o principal produtor, com 28,7% da produção nacional de soja. Este também é a principal cultura em 40 dos 50 principais municípios produtores.

No ano passado, a produção de cana-de-açúcar também foi recorde, com 768,1 milhões de toneladas, aumento de 6,5%; enquanto a safra de milho cresceu 12,9%.

“Isso porque a produção da 2ª safra de milho aumentou substancialmente no Mato Grosso, em função de maiores investimentos nas lavouras e do clima favorável do outono”, diz a pesquisa. Já a safra de trigo, apesar de ter sofrido com geadas tardias, cresceu 29,9% e chegou a 5,7 milhões de toneladas.

Entre as regiões do país, o estado de São Paulo foi o que mais contribuiu com a produção nacional, embora a participação tenha passado de 17,8% para 16% entre 2012 e 2013. Influenciado pelo aumento de preços da batata-inglesa, da soja, da cebola, da mandioca e do tomate, a o Paraná expandiu a área plantada e subiu do quarto para o segundo lugar no valor da produção, o equivalente a R$ 31,9 bilhões, ultrapassando Mato Grosso e Minas Gerais.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 17/12/2014

INDÚSTRIA DA CHINA JÁ SOFRE RETRAÇÃO
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

Um importante indicador da atividade industrial na China caiu em dezembro para o nível mais baixo em sete meses, mesmo após ações tomadas pelo banco central para flexibilizar as condições monetárias. O mau desempenho das fábricas aumenta a expectativa de economistas quanto ao anúncio de novas medidas do governo para impedir a desaceleração.

O resultado preliminar do Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) compilado pelo banco HSBC e pela empresa de informações financeiras Markit recuou de 50,0 para 49,5. O índice procura sinalizar como estará a atividade industrial dentro de alguns meses. Números acima de 50 indicam expansão da produção e abaixo desse nível, retração.

O relatório HSBC/Markit aponta declínios na produção, encomendas, empregos e preços de insumos e produtos.

"Os números destacam as crescentes pressões de baixa sobre o setor manufatureiro", disse Darius Kowalczyk, economista do Crédit Agricole em Hong Kong. "A situação exige ação das autoridades para garantir que o pouso suave [da economia chinesa] prossiga e que a desaceleração não se torne muito brusca."

Relatório divulgado pela empresa de pesquisa e análises Economist Intelligence Unit afirma que a indústria da China ainda é "altamente competitiva" no mercado internacional e continuará assim, já que os custos trabalhistas no país devem permanecer ao redor de 12% dos mesmos custos nos Estados Unidos até 2020.

Também ontem, o Ministério do Comércio informou que em novembro houve uma alta de 22,2% nos investimentos estrangeiros diretos, na comparação com o mesmo mês de 2013. No período janeiro-novembro, o avanço foi de apenas 0,7% em relação aos primeiros 11 meses do ano passado.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SONDAGEM MOSTRA RECUO NA INTENÇÃO DE INVESTIR EM 2015
Publicado em 12/17/2014 as 02:42 PM

A proporção de empresas que elevou os investimentos neste ano caiu em relação a 2013, enquanto aumentou de forma significativa a fatia daquelas que reduziram os aportes, de acordo com pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Quanto a 2015, o levantamento mostra um setor privado cauteloso, com queda na intenção de investimento das empresas.

Ao todo, foram consultadas 3866 companhias: 545 do setor de construção, 824 na indústria de transformação, 957 no comércio e 1540 no setor de serviços, ao longo do bimestre outubro-novembro. Pela primeira vez, são divulgados resultados de outros setores produtivos, além do tradicional segmento industrial.

Na indústria de transformação, 38% das empresas informaram ter aumentado seus investimentos e 31% diminuíram os aportes. Em 2013, esses percentuais foram de 40% e 25%, respectivamente. No setor de serviços, houve movimento semelhante: 36% das empresas informaram aumento nos investimentos em relação a 2013, e 15%, redução, para percentuais de 41% e 10% no ano passado na comparação com 2012. No comércio foi registrado o maior percentual de empresas indicando aumento nos investimentos em 2014 (42%) e o menor percentual de empresas informando redução (12%), mas ambos são números piores que os de 2013, de 49% e 6%. O pior resultado setorial foi na construção, na qual 26% das empresas perceberam aumento dos investimentos em relação ao ano passado, ante 33% em 2013; e 24% diminuição, fatia maior que a de 17% em 2013.

Enquanto isso, o fraco desempenho econômico atual e as incertezas em relação a 2015 se refletem nas previsões das empresas para a realização de investimentos no ano que vem.

Entre as empresas industriais, 41% programam ampliação dos investimentos, contra 47% que previam o mesmo no 4º trimestre do ano passado. A parcela das que projetam diminuição de investimentos ficou praticamente estável, ao passar de 19% para 18% no mesmo período.

Em serviços, 45% projetam aumentar os investimentos produtivos no próximo ano, número inferior aos 48% que projetavam o mesmo no ano anterior. O percentual de empresas que projetam diminuição de investimentos também variou ligeiramente, ao subir de 7% para 8%, nas projeções para 2014 e 2015, respectivamente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

VENDA DE CARNE BOVINA PARA MERCADO RUSSO CAI EM DEZEMBRO
Publicado em 12/17/2014 as 02:41 PM

A severa crise que atinge a Rússia continua a prejudicar as exportações brasileiras de carne bovina, que logo após o embargo de Moscou à União Europeia e Estados Unidos tinham sido favorecidas. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária das exportações de carne bovina in natura nas duas primeiras semanas de dezembro recuaram 46,43% ante a média de dezembro de 2013, atingindo US$ 2,268 milhões. Na comparação com novembro, a retração também é significativa, de 20,23%. Em novembro, a crise russa já havia derrubado as vendas dos frigoríficos brasileiros - as vendas recuaram 60% em relação a outubro.

No acumulado de 2014, porém, a receita com exportações de carne bovina para a Rússia cresceu, impulsionada pelos preços elevados e pela demanda aquecida até meados de outubro, período em que o Brasil vinha se beneficiando do embargo de Moscou ao Ocidente em retaliação às sanções econômicos em decorrência do conflito na Ucrânia. Segundo dados da Secex compilados pela Abiec, associação que reúne exportadores de carne bovina, as exportações somaram US$ 1,124 bilhão, alta de 13,8% na comparação com igual período de 2013. A Rússia é o segundo principal importador de carne bovina do Brasil, só atrás de Hong Kong.

Nos casos das carnes de frango e suína, o impacto ainda é relativo. Enquanto há forte queda da receita média diária quando comparada às vendas de novembro, a comparação com dezembro é bastante favorável. Conforme a Secex, a receita média diária das exportações de carne de frango in natura para a Rússia foi de US$ 976 mil, mais do que o triplo de dezembro de 2013, mas 62,7% inferior à de novembro deste ano. Para a carne suína, a média ficou em US$ 2,503 milhões, avanço de 65,5% sobre dezembro de 2013 e queda de 39,71% sobre novembro de 2014. O comportamento das vendas de frango reflete os efeitos do embargo russo. Até agosto, o Brasil exportava muito pouco para os russos. Com o embargo, a Rússia precisou se abastecer de frango no Brasil, o que faz com que a comparação com dezembro de 2013 seja amplamente favorável. Em contrapartida, a comparação com novembro já é um alerta de que demanda - e, sobretudo, os preços - não resistirão à crise na Rússia.

Para a carne suína, as explicações são um pouco diferentes, uma vez que a Rússia já era o principal cliente do Brasil. Nesse caso, o que ocorre é escassez global de oferta de suínos, o que impulsiona preços e ajuda a elevar a receita de exportação. Mas, levando-se em consideração a comparação com novembro, esses preços altos estão com os dias contados.

A crise russa deve reduzir ainda mais a contribuição do comércio bilateral para a balança brasileira. Desde 2001 o Brasil manteve, ano a ano, superávit no comércio com a Rússia. Nos últimos dois anos, porém, a queda da exportação brasileira para os russos em ritmo mais acelerado que o da importação achatou os saldos. Em 2011 o superávit com os russos foi de US$ 1,27 bilhão, mas com a perda de fôlego das exportações brasileiras o saldo caiu e no ano passado chegou a US$ 298,1 milhões. Em 2014, a alta do embarque brasileiro de carnes aos russos em razão do embargo de Moscou fez o superávit acumulado até novembro chegar a US$ 824,6 milhões. O desempenho, porém, não deve se sustentar. Em 2015 o Brasil ainda deve manter superávit com a Rússia. Mas, segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), será um "superávit de forma negativa", gerado não pelo aumento dos embarques mas sim pelo recuo das importações. (Colaborou Marta Watanabe, de São Paulo)
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CRISE RUSSA DEVE AGRAVAR QUEDA DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS
Publicado em 12/17/2014 as 02:40 PM

A forte queda dos preços das commodities derrubou as exportações dos principais mercados emergentes nos últimos meses, entre eles o Brasil, situação que deve ser agravada pela crise na Rússia, avaliam economistas. De acordo com cálculos da Capital Economics, a média móvel trimestral das exportações dos países latino-americanos caíram 2,7% no trimestre encerrado em outubro, em relação a igual período de 2013. Nos emergentes europeus, a queda foi de 4,4% e na África e no Oriente Médio, 1,1%.



No Brasil, as exportações no período foram 16% menores. Para economistas, os efeitos diretos e indiretos da crise russa sobre a economia doméstica e a valorização do dólar em relação a maioria das moedas globais colocam em risco a perspectiva de algum aumento da demanda externa por produtos brasileiros em 2015. Na melhor das hipóteses, dizem, o setor externo terá contribuição nula para a economia brasileira no ano que vem, mesmo com a retomada da atividade nos Estados Unidos.



Monica Baumgarten de Bolle, da Galanto: impacto sobre as exportações brasileiras de carnes e na recuperação europeia.

Os problemas enfrentados pela economia russa, que já vinham se acumulando com as sanções econômicas impostas por EUA e União Europeia diante dos conflitos na Ucrânia, tomaram proporções maiores com a forte queda do petróleo a partir do fim de outubro. Com o barril mais barato nos mercados internacionais, o rublo teve forte desvalorização, mesmo com uso de reservas e flexibilização do regime de câmbio pelo BC russo. Para Monica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria, a crise, que já parecia inevitável na última semana, tomou contornos mais problemáticos com a decisão do Banco Central de implementar um choque nos juros, com aumento da taxa de 10,5% para 17% ao ano na segunda-feira.

Para Monica, o enfraquecimento da economia russa deve ter reflexos visíveis sobre o Brasil. De um lado, há a perspectiva de redução das exportações de carnes brasileiras, que ganharam relevância nos últimos meses com o embargo.

Além do efeito sobre as vendas externas, a situação na Rússia torna mais remota a recuperação da economia europeia, diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e consultor da Barral M Jorge. Há seis meses, diz, a expectativa era de que os países europeus tivessem alguma retomada a partir de 2015. "Claro que não se esperava nada de estrondoso, mas a avaliação era de que seria ao menos o início de uma aceleração pequena e lenta. Agora, com a crise da Rússia, mesmo essa pequena recuperação fica remota."

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o cenário europeu, a partir do agravamento da crise russa, é uma incógnita adicional dentro das incertezas que rondam o comércio exterior em 2015.
A avaliação, diz Castro, é que a já combalida importação russa sofra ainda mais no ano que vem. De janeiro a setembro, a importação da Rússia caiu 6,3% contra iguais meses do ano passado. No mesmo período, a importação global cresceu 2%. Em outubro, contra igual mês de 2013, a importação russa caiu ainda mais, em 12,4%. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne informações de 70 economias responsáveis por 90% do comércio mundial.

A demanda em queda dos russos também não deve ser compensada por outros países. Barral avalia que a expectativa será mantida em relação à reação dos Estados Unidos, mas a avaliação, porém, é que a recuperação americana continuará lenta. Ao mesmo tempo, a economia chinesa deve seguir crescendo, mas ainda em desaceleração, diz.

Há ainda a perspectiva de contágio financeiro, comenta Monica, da Galanto. "Um grande país emergente entrando em convulsão está longe de ser um cenário confortável", afirma a economista, lembrando que a Rússia também dispõe de elevados volumes de reservas cambiais, o que não foi suficiente para conter forte desvalorização do rublo. "O mesmo tipo de avaliação pode ser feito sobre o Brasil, de que reservas não são suficientes", diz a economista. Ontem, o dólar encerrou o dia em R$ 2,73, maior patamar desde 2005.

A desvalorização, diz Barral, é um ponto favorável para o manufaturado brasileiro, mas talvez não seja suficiente para alavancar exportações, já que há um movimento geral de outros países também com depreciação cambial. Outro entrave é que o mercado latino-americano também deve perder receita de exportação por conta da queda de preços de commodities.

Para Carlos Thadeu de Freitas Jr, economista da Franklin Templeton, os três fatores que influenciam os preços de matérias-primas estão contribuindo para a derrubada das cotações desses produtos, sem perspectiva de reversão desse movimento no curto prazo. Com a desaceleração da economia chinesa e menor crescimento dos demais países emergentes, a demanda por commodities vem caindo. A oferta, por outro lado, segue firme, com boas safras de grãos esperadas neste ano nos Estados Unidos e manutenção do nível de produção de petróleo. Por último, a normalização da política monetária nos EUA tem motivado um forte movimento de valorização do dólar contra as demais divisas globais, o que diminui o poder de compra dos outros países e a demanda por commodities.

O economista projeta alta de cerca de 0,2% do PIB brasileiro no próximo ano. "Temos ajuste fiscal, commodities em queda, piora dos termos de troca, então não há nada que me faça acreditar em um ano mais positivo".

Monica avalia que a crise na Rússia e a queda das commodities devem levar, em algum momento, a uma nova rodada de revisão de projeções para a economia em 2015. Segundo o último boletim Focus, os analistas de mercado projetam alta de 0,7% do PIB em 2015. "Não acho que estamos falando de recessão, mas deve haver alguma piora", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

MERCADO PROJETA APERTO MAIS FORTE DA SELIC
Publicado em 12/17/2014 as 02:39 PM

Em meio ao aprofundamento da depreciação do real, desencadeado pela fuga de ativos de emergentes, investidores não apenas turbinaram os prêmios de risco ontem na BM&F, como chegaram a montar apostas para um eventual "choque de juros" - ou seja, um cenário em que o Banco Central brasileiro tenha que acelerar o ritmo de aperto monetário.

Diante do derretimento do rublo, o BC da Rússia se reuniu extraordinariamente na noite de segunda-feira e elevou a taxa de juros em 6,5 pontos percentuais, para 17% ano. O tombo das divisas emergentes - já acossadas tanto pela queda das commodities quanto pela expectativa de um aperto monetário nos Estados Unidos no primeiro semestre em 2015 - suscita pressões inflacionárias e sugere que mais bancos centrais tenham que elevar seus juros.

Ontem o dólar subiu pelo quinto pregão, fechando em alta de 1,8%, a R$ 2,7341, o maior patamar desde 24 de março de 2005. Durante as operações, a moeda alcançou os R$ 2,76. Em tal ambiente, se estreita o espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se paute pela "parcimônia" ao elevar a taxa Selic, como prometeu em sua ata. Não por acaso, as taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) que abrigam as apostas para os próximos passos do Copom dispararam ontem e, nos momentos de maior estresse, chegaram a atingir o limite de oscilação estabelecido pela BM&F.

Depois de correr até a máxima de 12,49%, o DI com vencimento em abril de 2015 fechou a 12,27% (ante 12,05% na véspera). De longe o mais líquido do pregão (mais de 730 mil contratos negociados), o DI para janeiro de 2016 - que abrange as apostas para o rumo da Selic ao longo do ano que vem - subiu de 12,64% para 12,92%.

Segundo cálculos da gestora Quantitas, a curva de juros embute 99% de chances de uma alta da Selic em 0,75 ponto percentual em janeiro e grandes chances de repetição da dose em março. No auge da tensão, as taxas chegaram a refletir alta de 1 ponto da Selic em janeiro. Embora parte expressiva do avanço das taxas futuras tenha um caráter técnico, já que resulta da zeragem de posições, não há dúvida de que já se formam apostas em torno de um ciclo de aperto monetário mais forte e extenso.



Segundo o diretor executivo e chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas da Nomura Securities International em Nova York, Tony Volpon, como o sistema de preços no país é muito rígido por causa do nível de indexação, a receita para uma alta do dólar é o aperto monetário. "Do contrário, veremos a inflação subir acima de 7%", afirma, ressaltando, contudo, que a aposta de choque de juros não é a mais adequada. "Acho que o que estamos por ver é o prolongamento do ciclo. O BC deve elevar o juro em 0,5 ponto e, então, observar o mercado", diz.

Para o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Marcio Camargo, a forte instabilidade vivida pelos mercados financeiro pode impedir que o BC cumpra seu objetivo de fazer um ciclo de aperto monetário curto. Camargo trabalha com uma alta da taxa Selic para 13% ao longo dos próximos meses e ressalta que sua projeção pode estar "otimista".

Para Bruno Rovai, estrategista do Barclays, um "choque de juros" não seria adequado. Ele ressalta que a depreciação do real vem no bojo de um movimento global e não por conta da piora da percepção dos fundamentos domésticos. "Não vejo um ataque especulativo contra o real que exija essa resposta da política monetária", afirma Rovai, que mantém expectativa de alta de 0,50 ponto percentual em janeiro e elevação final de 0,25 ponto em março.

Em meio à expectativa de aperto monetário mais forte, as taxas longas também dispararam, com aumento da percepção de risco. O DI para janeiro de 2021 subiu de 12,49% para 12,64%. A instabilidade dos mercados ontem fez com que o Tesouro Nacional cancelasse o leilão de venda de 450 mil NTN-B, papel atrelado à inflação.

Para o estrategista para a América Latina do Standard Chartered Bank, Italo Lombardi, o BC dispõe de diversos instrumentos cambiais, que podem ajudar a minimizar os efeitos da turbulência russa. Para tentar amenizar a forte pressão de desvalorização do real, tem realizado leilões de linha de dólar com compromisso de recompra, cujo volume ofertado já soma US$ 6 bilhões, mais do que os US$ 4 bilhões ofertados no ano passado.



Os investidores também reduziram a exposição a risco à espera da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que anuncia hoje sua decisão de política monetária.

Flavia Cattan-Naslausky, estrategista de câmbio para América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), espera que o Fed retire de seu comunicado a expressão "período considerável" para se referir ao prazo em que a taxa de juros permanecerá perto de zero. O Fed pode afirmar que será "paciente", repetindo um terno usado em 2004.

Com a instabilidade externa, o Ibovespa trocou de sinal ao longo do pregão, oscilando entre queda de 2,47% e alta de 1,22%. No fim do dia, marcou baixa de apenas 0,02%, aos 47.008 pontos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

ADM VENDE À OLAM OPERAÇÃO DE CACAU POR US$ 1,3 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:39 PM

Em mais um movimento de concentração no setor de cacau e derivados, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, a americana Archer Daniels Midland (ADM) chegou a um acordo com a Olam International Limited para vender seu negócio de processamento de cacau, por US$ 1,3 bilhão, sujeito a ajustes. Trading agrícola com base em Cingapura, a Olam é uma das maiores fornecedoras mundiais de cacau.

De acordo com comunicado da ADM, o negócio deve ser concluído no segundo trimestre de 2015 e não interfere na venda da área de chocolates da ADM para a Cargill, anunciada em setembro deste ano.

"Nós continuamos a gerir nosso portfólio para criar valor ao acionista, melhorando o retorno e reduzindo a volatilidade dos ganhos", afirmou, em comunicado, a CEO da ADM, Patricia Woertz. "Essa transação nos permitirá redistribuir o capital para investimentos que ofereçam retornos melhores e menor volatilidade que o negócio de cacau, ou distribuir o excedente de capital aos acionistas, ou uma combinação de ambos."

Em setembro, na ocasião do anúncio do negócio com a Cargill, Patricia disse que a ADM manteria as operações de processamento de cacau, apesar de fechar a unidade do Estado americano da Pensilvânia.

O negócio abrange as operações brasileiras de cacau em Ilhéus (BA) e as demais instalações de processamento da ADM em Mississauga, no Canadá; Koog aan de Zaan e Wormer, na Holanda; Mannheim, na Alemanha; Abidjan, na Costa do Marfim; Kumasi, em Gana; e Cingapura. Estão incluídas as centrais de compra da ADM no Brasil, Camarões, Costa do Marfim e Indonésia, bem como as marcas da empresa deZaan e UNICAO. Os 1,5 mil funcionários da ADM nessa área serão transferidos para a Olam.

Procurada, a ADM no Brasil não se pronunciou sobre o assunto. Uma fonte do setor estima que a Olam - que ainda não tem operações com cacau no país - poderá dar um novo fôlego ao processamento da amêndoa, já que a ADM não estava "confiando" no segmento e não tinha interesse em ampliar a atividade.

Em comunicado, a Olam afirmou que o acordo com a ADM vai incorporar um dos maiores processadores e fornecedores de derivados de cacau, com oito fábricas e capacidade total de processamento de 600 mil toneladas da amêndoa, dez armazéns, duas usinas, quatro centros de inovação, a marca deZaan e sua franquia com mais de 2.150 clientes, e uma rede de comercialização em 16 países.

O negócio a credenciará como uma das três maiores processadoras de cacau do mundo. "Esta proposta de aquisição representa para a Olam se tornar um líder global integrado em um mercado com perspectivas de crescimento atrativas", disse Sunny Verghese, CEO da companhia. A Olam espera que o acordo traga sinergias de custos e receitas entre US$ 35 milhões e US$ 40 milhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SORRISO VOLTA AO TOPO DO RANKING AGRÍCOLA DO PAÍS
Publicado em 12/17/2014 as 02:38 PM



Na "disputa" particular que travam há alguns anos pela liderança entre os municípios brasileiros com maior valor da produção agrícola do país, Sorriso (MT) superou São Desidério (BA) em 2013. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no polo mato-grossense, onde a soja é o carro-chefe, o valor atingiu R$ 2,067 bilhões, mesmo nível do ano anterior. Mas na cidade baiana, onde o algodão garantiu o topo do ranking em 2012, o valor recuou 26%, para R$ 1,729 bilhão, e ficou abaixo também do resultado de Cristalina (GO).

No total, o valor da produção agrícola nacional subiu 14% e alcançou R$ 232,469 bilhões, com destaque para as colheitas recorde de soja, milho e cana. Também em 2013, o IBGE identificou aumentos nos rebanhos de bovinos, aves e suínos, e avanços nas produções de leite e ovos. E o instituto, pela primeira vez, traçou o perfil da aquicultura brasileira.


Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

INDÚSTRIA DA SOJA ESPERA OUTRO ANO DE PREÇOS REMUNERADORES
Publicado em 12/17/2014 as 02:38 PM

A despeito do recuo nos preços internacionais e da expectativa de queda na receita com os embarques de soja do Brasil, diante da abundante oferta global, 2015 será um ano "razoável" para o segmento, projetou ontem a Abiove, associação que representa as indústrias de óleos vegetais do país, fazendo coro com outras projeções recentes. "Não será tão bom quanto 2014, mas ainda favorável, com preços remuneradores", afirmou Fábio Trigueirinho, secretário-geral da entidade, em encontro com jornalistas ontem.

A Abiove prevê uma colheita de 91 milhões de toneladas de soja na atual safra 2014/15, em fase final de plantio. O volume é bem inferior às 95,8 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas está acima das 86,1 milhões colhidas no ciclo anterior. Para as exportações de soja em grão, a estimativa é de um crescimento de 46 milhões para 48 milhões de toneladas.

"Como estamos ajustando o valor da soja em grão para US$ 370 por tonelada no porto [foram US$ 510 em 2014], a expectativa é que a receita [do complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo] fique entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões em 2015", disse Trigueirinho. Com isso, o montante será até 25% inferior aos US$ 30,7 bilhões deste ano.

Nos cálculos da Abiove, o novo corredor do Norte do país, formado pela rodovia BR-163 e a hidrovia do Rio Tapajós, no Pará, deve escoar um volume superior a 3 milhões de toneladas em 2015, ante as 1,1 milhão deste ano, quando a rota começou a ser efetivamente operada. "Já saem pelo Norte pouco mais de 3 milhões de toneladas, o equivalente a 7% do total exportado de soja. Mas esperamos um acréscimo sensível por lá, levando esse número a mais de 10%", afirmou Carlo Lovatelli, presidente-executivo da Abiove.

O frete de escoamento de grãos a partir das importantes regiões produtoras de Mato Grosso (caso doa municípios de Sinop e Sorriso) custa em torno de US$ 150 por tonelada aos portos do Sul e Sudeste, mas a Abiove calcula que a saída pelo Norte permita uma economia de US$ 50 por tonelada. "Em 2014 já tivemos uma logística mais organizada, com menos filas nos portos", ressaltou Trigueirinho.

A Abiove prevê uma elevação de 2 milhões de toneladas no processamento brasileiro de soja em 2015, para 38,3 milhões de toneladas - um recorde histórico -, embalado pelo mercado doméstico. O aquecimento do segmento de carnes tende a fazer a produção de farelo (destinado à fabricação de ração) crescer para 29,1 milhões de toneladas, ante as 27,6 milhões deste ano, diz a entidade.

Para o óleo, a perspectiva é de que o estímulo venha do biodiesel, cuja adição obrigatória ao diesel no país passou de 5% para 7% em novembro deste ano. A previsão é que, com o B7, a produção do biocombustível avance dos 3,45 bilhões de litros deste ano para 4,2 bilhões. "Esse volume coloca o Brasil na segunda posição mundial de produção e consumo de biodiesel, atrás dos EUA", disse Leonardo Zilio, assessor econômico da Abiove.

Em 2015, a associação planeja concentrar atenções em duas outras propostas de flexibilização do uso de biodiesel: o B20 metropolitano e o BX opcional. A primeira ideia é que a mistura de 20% ao diesel seja utilizada na frota de transporte urbano de passageiros em cidades com mais de 500 mil habitantes.

Já o BX opcional permitiria uma maior "flutuação" no uso do biodiesel quando houver atratividade econômica. "Em Mato Grosso, por exemplo, as distribuidoras estão comprando diesel a cerca de R$ 2,20 o litro, e o biodiesel, a R$ 1,85 por litro. Então, se elas podem adquirir o biodiesel mais barato, por que não flexibilizar a mistura?", questionou Zilio. Ele ressaltou que a Abiove discute essas medidas "paralelas", mas mantém o foco no objetivo de estabelecer o marco regulatório do B10 para 2020.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

3CORAÇÕES AVANÇA COM VALOR AGREGADO
Publicado em 12/17/2014 as 02:37 PM

Pedro Lima, presidente da 3corações: além das cápsulas, empresa investirá em nova linha de cafés especiais em 2015

Reforçando o movimento de expansão que o levou à liderança no mercado de café torrado e moído no país, o grupo 3corações aposta em estratégias para ampliar ainda mais sua presença. Depois de iniciar a comercialização de cápsulas este ano, a empresa pretende lançar em 2015 uma nova linha de cafés especiais, que hoje representam uma parcela pequena de sua receita.

Graças ao aumento das vendas e ao ganho de participação no mercado, a receita da 3corações este ano deve somar R$ 2,7 bilhões, alta de 12,5% sobre 2013, de acordo com Pedro Lima, presidente da companhia. Ele diz que o aquecimento maior na comercialização dos cafés da companhia é observado nas regiões Sul e Sudeste.

E Lima afirma que a meta é crescer ainda mais em 2015. Nos últimos anos, a 3corações vem ampliando seu faturamento em dois dígitos anualmente. O impulso maior ocorreu a partir de 2005, com a joint venture entre a São Miguel Holding, da família Lima, e a israelense Strauss, que detinha a marca Três Corações desde o ano 2000, negócio que deu origem ao grupo 3corações. Nos anos seguintes, a empresa adquiriu várias marcas com forte presença regional, que garantiram a expansão.

Pedro Lima, presidente da 3corações: além das cápsulas, empresa investirá em nova linha de cafés especiais em 2015



Em sua estratégia de se aproximar mais do consumidor da região Sul, a 3corações comprou neste ano o Café Itamaraty, do Paraná. Apenas os ativos de café foram adquiridos da empresa, que atua também em outros segmentos, como o de biscoitos. A marca Itamaraty, que está sendo transferida à 3corações, tem forte presença principalmente nos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, além do interior de São Paulo, de acordo com Lima.

Atualmente, a maior parte da receita da 3corações ainda vem da comercialização do café torrado e moído (75%). As exportações de café verde representam de 14% a 15%, e o segmento de cappuccinos, bebidas instantâneas e cápsulas, cerca de 10%, segundo a companhia.

Ainda que a receita com o torrado e moído deva continuar sendo a mais representativa para a empresa, o grupo quer aumentar a fatia das cápsulas e tem investido pesado nesse segmento. A 3corações fará um aporte de R$ 45 milhões em uma fábrica de cápsulas em Montes Claros (MG), cuja construção deve ser iniciada em 2015. E já prevê outros R$ 45 milhões para ampliação dessa unidade, caso a demanda pelo produto continue em alta.

O grupo escolheu Montes Claros para construir a fábrica pois já tem várias operações em Minas Gerais, o maior produtor nacional de café. Na cidade, a 3corações já tem uma unidade de negócios e distribuição. O mesmo município abrigará a primeira fábrica de cápsulas da Nestlé fora da Europa, anunciada na semana passada.

A 3corações prevê que a planta fique pronta no primeiro semestre de 2016, com capacidade para produzir 10 milhões de cápsulas por mês. Atualmente, a empresa comercializa cerca de 3 milhões de unidades por mês no país. As cápsulas são importados da Itália, por meio de sua parceria com a empresa italiana Cafittaly.

A comercialização do produto pela 3corações, na prática, começou este ano, embora a solução TRES de máquinas e cápsulas tenha sido lançada oficialmente em 2013. Já foram vendidas mais de 200 mil máquinas. As cápsulas não são compatíveis com equipamentos de outras empresas.

Os blends das cápsulas da 3corações contêm somente cafés brasileiros, que são enviados para a Itália, onde são encapsulados. Segundo Pedro Lima, mais dois sabores de cápsulas de café e um de chá deverão ser lançados pela companhia em 2015, além de uma edição limitada feita com café premiado em concurso do Cerrado Mineiro. Com os lançamentos, sobem para 16 as opções de cápsulas comercializadas pela empresa, entre cafés, chás, cappuccino e outras bebidas quentes.

Como vai passar a produzir as cápsulas no Brasil, a 3corações poderá, no futuro, exportar o produto, depois que o mercado interno para esse segmento estiver consolidado, observa Lima.

Com menos de um ano comercializando as cápsulas, a 3corações já está entre as três maiores empresas desse segmento no país. Desde 2012, é líder no mercado de café torrado e moído, hoje com 22% de participação, conforme a Nielsen, citada por Lima.

Embora o mercado de cápsulas tenha crescido muito no país, o presidente da 3corações diz que o segmento não deve "roubar" uma grande fatia do mercado de torrado e moído. Entretanto, ele estima que os consumidores serão cada vez mais exigentes e demandarão cafés especiais, produtos mais personalizados e novas tecnologias, como para a moagem do café na hora do consumo. "A cápsula vai atender à instantaneidade, mas a máquina não vai substituir tudo", afirmou ele.

Nessa frente, a companhia deve lançar cinco produtos na linha de cafés especiais no próximo ano, com a marca 3corações. E pretende fazer ingressar na área dos chamados alimentos funcionais - que além das funções nutricionais básicas, oferecem outros benefícios à saúde. O café em questão ainda está sendo desenvolvido pela companhia. "Tenho que oferecer diversidade. Somos especialistas em café", resume Lima.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

QUEDA NOS PREÇOS PÕE À PROVA APOSTA DA GE NO SETOR DE PETRÓLEO
Publicado em 12/17/2014 as 02:37 PM

As operações de petróleo e gás têm sido um ponto forte para a General Electric Co., que nos últimos anos construiu uma divisão de US$ 17 bilhões para aproveitar a demanda global por novas fontes de energia.

Mas hoje, essas operações estão se transformando em tema de preocupação para o conglomerado.

No encontro anual da GE com analistas e investidores, ontem, em Nova York, o diretor-presidente do gigante industrial americano, Jeff Immelt, admitiu que o colapso global nos preços do petróleo está afetando o desempenho da unidade de petróleo e gás. Tanto que a previsão da própria GE agora é que seu lucro no próximo ano fique abaixo das expectativas de Wall Street.

Immelt afirmou que a empresa já está avaliando oportunidades para cortar custos em sua divisão de gás e petróleo para navegar nesse novo cenário de preços baixos da commodity. Ele disse no encontro que a unidade deve se manter no ponto de equilíbrio ou gerar um prejuízo operacional no próximo ano, em meio a um "congelamento" dos gastos de capital na indústria petrolífera.

"Estamos realmente preparando a companhia para um 2015 de lentidão no setor de gás e petróleo", disse o executivo. "O resto da empresa está bem", acrescentou.

Esse panorama ressalta como uma empresa há muito conhecida por fabricar geradores, motores de avião e aparelhos médicos se encontra numa encruzilhada, depois de decidir dedicar uma parte substancial de seus negócios ao setor de energia num momento delicado.

A GE montou sua operação de petróleo e gás natural através de aquisições realizadas desde 2007 e avaliadas em mais de US$ 14 bilhões. A empresa colocou um de seus executivos jovens mais promissores, Lorenzo Simonelli, no comando da unidade. Mas a queda do preço do petróleo para cerca de US$ 60 por barril está pondo as premissas econômicas da empresa em cheque.

Há meros três meses, Simonelli disse aos investidores que entre os "supostos cenários" considerados pela GE estavam o petróleo a cerca de US$ 100 por barril nos próximos três anos.

Ontem, o preço do petróleo Brent, a referência internacional, recuou mais 2,1%, para US$ 59,80 o barril, seu menor nível desde maio de 2009. A cotação do petróleo nos Estados Unidos já despencou quase 50% desde junho. Ontem, ela fechou com ligeira alta, para US$ 55,93 o barril, na Bolsa Mercantil de Nova York.

Petrolíferas de todo o mundo já estão sob pressão para reavaliar projetos. A americana ConocoPhillips informou na semana passada que vai cortar seus investimentos em 20% em 2015.

"Considerando o que estamos vendo agora, se eles [a GE] conseguirem se manter no ponto de equilíbrio nos próximos 12 meses, já seria positivo", diz David Nelson, estrategista-chefe da gestora Belpointe Asset Management. "Não sei como vão conseguir crescimento" nesse cenário.

A mudança drástica do mercado de petróleo está criando um novo desafio para o plano da GE de retirar o foco de sua gigantesca unidade financeira e priorizar as operações industriais que os investidores valorizam mais.

Cerca de 21% do faturamento industrial da GE está exposto ao negócio de petróleo e gás, disseram analistas do J.P. Morgan Chase & Co. no início do mês. O maior impacto está nas unidades que fornecem equipamentos para perfuração, extração, medição e transporte de petróleo. Mas as unidades de equipamentos médicos e de geração de energia também podem ser afetadas se os preços do petróleo permanecerem baixos, reduzindo a receita de países produtores em que a GE vem tentando se expandir.

A cotação das ações da GE perdeu cerca de 7% nos últimos 12 meses. Ontem, ela recuou 0,4%, fechando em US$ 24,49.

Na teleconferência de resultados da GE no terceiro trimestre, realizada em outubro, o diretor financeiro, Jeffrey Bornstein, disse que a unidade de petróleo e gás tinha US$ 4,9 bilhões em encomendas, um aumento de 10% em relação ao trimestre anterior, mas estava reduzindo sua expectativa de crescimento futuro. A empresa cortou sua projeção de crescimento de pedidos de perto de 10% para em torno de 5%, disse Bornstein na época.

"Encomendas nessa área são muito voláteis e nós continuamos a ver alguns grandes projetos sendo adiados", acrescentou.

Immelt disse na época que a GE estava monitorando o negócio com cautela. "A atividade principal ainda está razoavelmente sadia", disse. "Existem partes que estão claramente mais fortes que outras."

Algumas áreas da empresa podem sair ganhando com a queda nos preços do petróleo. A unidade de motores de avião, por exemplo, pode se beneficiar indiretamente se a economia com combustível incentivar as companhias aéreas a ampliar seus investimentos em serviços e troca de motores, dizem executivos da GE. E o combustível mais barato pode ajudar outras unidades industriais da GE em regiões como Europa e EUA, compensando a queda na demanda em economias desenvolvidas ricas em recursos naturais, que são mais expostas aos preços do petróleo. Mesmo assim, os investidores estão preocupados.

"Receio que teremos más notícias daqui para a frente", previu Jack De Gan, diretor de investimentos da firma americana Harbor Advisory, que mantém ações da GE em nome de seus clientes. A GE pode manter sua projeção de vendas, considerando que a unidade já alinhou contratos com projetos de petróleo e gás existentes, diz ele, mas em relação a projetos futuros para 2015 e 2016, "creio que vamos ouvir certa moderação".

A GE acredita que será em parte protegida porque uma grande parcela da receita da divisão de petróleo vem de serviços, e porque poços que já estão em produção permanecerão ativos, apesar da queda nos preços. Comparada com seus pares, a empresa tem relativamente menos exposição a operações não convencionais, como em formações de areia betuminosa e de xisto, onde a exploração deve diminuir.

A empresa também acredita que será capaz de ajudar os clientes a explorar petróleo e gás de forma mais eficiente, o que pode ser uma vantagem num cenário de preços em queda. A redução nos preços também dá à GE a oportunidade de comprar mais ativos a preços menores, caso ela queira expandir seu negócio.

Mas com as oscilações nos preços do petróleo ainda em seus estágios iniciais, não é fácil dizer onde as coisas podem chegar.

"É realmente muito difícil se posicionar porque você não sabe a duração do processo", diz Scott Davis, analista que cobre a GE para a Barclays Capital. "Se o petróleo ficar em baixa durante seis meses, é uma coisa. Mas se a baixa durar três anos, é outra inteiramente diferente."
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

AQUA CAPITAL FECHA COMPRA DA COMFRIO E STOCK TECH
Publicado em 12/17/2014 as 02:36 PM

O fundo de investimentos Aqua Capital finalizou neste mês a aquisição da Comfrio e da Stock Tech e estabeleceu um grupo de logística refrigerada com capacidade de armazenagem de frios de cerca de 600 mil m3 e que deve ter em torno de R$ R$ 200 milhões em faturamento anual.

O Aqua já detinha metade das ações da Comfrio e o bom resultado do investimento levou o fundo montar uma companhia mais robusta para disputar o mercado, explica Evandro Calanca, que assumiu a direção executiva. "De 2011 para cá, nós triplicamos a receita da Comfrio e isso nos atraiu para o segmento."

Ainda sem decisão sobre se será criada uma nova marca ou serão mantidas as duas de forma independente, o novo grupo tem três áreas de negócio definidas.

Uma área é voltada para redes de restaurantes e que tem clientes como Outback. Uma segunda área é dedicada à indústria e conta com clientes como a Sadia. A terceira área oferece InHouse - serviço de terceirização de armazenagem e gestão - e já atende a Unilever.

A Comfrio e a Stock Tech devem fechar 2014 com faturamento de R$ 96 milhões e R$ 94 milhões, respectivamente.

O grupo já decidiu, no entanto, que manterá uma das unidades, a Comfrio Food Service, como uma empresa independe. A unidade responde por 28% do faturamento projetado para o grupo.

Segundo Calanca, como as duas empresas têm operações complementares, que envolvem armazenagem, gestão e logística de refrigerados, não serão necessários cortes expressivos de pessoal no grupo, que agora conta com 2 mil trabalhadores.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

COM ANOS DIFÍCEIS, VALE FOCA EM RECEITA E PRODUTIVIDADE
Publicado em 12/17/2014 as 02:36 PM

A Vale vai enfrentar o cenário adverso no mercado de minério de ferro, cujos preços à vista no mercado da China estão abaixo de US$ 70 por tonelada, com uma estratégia que combina redução de custos na produção e aumento de margem nas vendas. "Estamos com foco na otimização de margens [de vendas]

e melhoria da produtividade", disse o novo diretor-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, Peter Poppinga. A busca por medidas para capturar ganhos adicionais será relevante em 2015 e 2016, quando a mineradora deverá enfrentar anos difíceis.



Apesar dos desafios, a Vale se preparou para esse momento menos "exuberante" da mineração, afirmou o presidente da companhia, Murilo Ferreira. "Temos de continuar focados em disciplina, alocação de capital e austeridade para obter resultados em qualquer situação", disse Ferreira. O objetivo da Vale é estar posicionada entre os 25% mais eficientes da indústria no minério de ferro, níquel, cobre, carvão e fertilizantes. Ferreira afirmou que a Vale se beneficiou por ter enxergado antes, entre 2011 e 2012, o fim do "superciclo" das commodities, o que levou a uma política de austeridade. Como resultado, as despesas com vendas, gerais e administrativas, que estavam chegando a US$ 2 bilhões em 2011, ficaram em 2014 em patamar de US$ 800 milhões.

Ferreira, presidente: foco em disciplina, alocação de capital e austeridade para ter resultados em qualquer situação



Ferreira negou ontem, em encontro com jornalistas, que tenha sido sondado, indicado ou convidado para substituir Graça Foster como presidente da Petrobras. Ele disse que está "completamente" dedicado a implantar os grandes projetos em curso na companhia, como o de minério de ferro, conhecido pela sigla S11D, em Carajás, no Pará, e o de carvão, em Moçambique, em que a Vale anunciou, semana passada, parceria com a Mitsui. O negócio com os japoneses deve permitir à Vale economia de caixa de US$ 3,7 bilhões.

Ferreira também reforçou o argumento que sustenta a posição da Vale de fazer uma possível oferta inicial de ações em bolsa (IPO, na sigla em inglês) com os ativos de metais básicos (níquel e cobre). A Vale não está satisfeita com o valor percebido pelos investidores em relação a esses ativos. "Só vamos fazer uma transação de metais básicos se for para destravar valor, ou seja, se o mercado não estiver reconhecendo, via precificação das ações, o valor que esse negócio tem." Ele disse que estimativas de mercado indicam que o negócio de metais básicos da Vale pode valer entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões. Todo o trabalho para preparar o possível IPO, incluindo sinal verde do conselho de administração, pode levar de oito a nove meses, previu Ferreira.

Poppinga, de sua parte, detalhou como a Vale poderá reduzir mais custos de produção e aumentar margem de vendas. Disse que há novos projetos de minério de ferro entrando em atividade, como o de Conceição Itabiritos, em Minas Gerais, e o N4WS, em Carajás, que terão margem alta em termos de receita. Ao mesmo tempo, a Vale conta na sua estratégia com o papel a ser desempenhado pelo centro de distribuição da Malásia, inaugurado este ano, que permite misturar minérios mais pobres com o de Carajás enriquecendo o produto final e aumentando o preço de venda. Pelo produto de Carajás com 65% de teor de ferro, a Vale está conseguindo um prêmio de US$ 10 por tonelada, disse o presidente.

Ferreira afirmou que esta semana a Vale obteve autorização para supressão vegetal das expansões em Carajás, projetos que vão permitir à Vale ter produção acessível com menor custo. Ao mesmo tempo, Poppinga fará um trabalho de se aproximar de todos os clientes na China, país com o qual a Vale tem acelerado acordos envolvendo os seus supermineraleiros, os Valemax. A empresa tem 15 desses navios que poderá vender para armadores por valores de até US$ 2 bilhões em troca de acordos de aluguel de longo prazo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

OFERTA DE COMBUSTÍVEIS NÃO FOI AFETADA
Publicado em 12/17/2014 as 02:35 PM

O desdobramento das investigações sobre um esquema de corrupção na Petrobras não deve impactar o mercado de combustíveis no Brasil nos próximos anos. A avaliação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Segundo o presidente executivo da instituição, Alisio Vaz, as empresas do setor não reportaram nenhum indicador de que a situação terá repercussão no abastecimento de combustíveis no país.

Vaz, porém, afirmou ontem que a entidade não tem uma projeção oficial para o mercado de combustíveis em 2015, devido às incertezas com relação à economia brasileira no próximo ano. "É muito difícil projetar. Mesmo tendo feito algum tipo de conjectura em anos anteriores, pelo que vejo das dificuldades que economistas estão encontrando [em fazer projeções para 2015], não vamos arriscar nada", disse o executivo, em coletiva de imprensa para comentar o desempenho do setor em 2014.

Neste ano, o consumo de combustíveis no Brasil deve totalizar 132,9 bilhões de litros, significando um crescimento de 5,6% em relação ao ano passado, de acordo com o Sindicom. Os números incluem dados já registrados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre janeiro e outubro e previsões do sindicato relativas a novembro e dezembro.

"É um número bastante forte, considerando o desempenho da economia com um todo", afirmou o presidente do Sindicom.

Com relação ao mercado de óleo diesel, combustível mais comercializado no país, as vendas em 2014 deverão totalizar 59,9 bilhões de litros, com crescimento de 2,4% em relação ao observado no ano anterior.

"Embora o crescimento seja pequeno, ele é muito superior ao crescimento do PIB", disse Vaz. Segundo ele, o aumento se deve ao continuado predomínio das commodities na sustentação do PIB brasileiro. "O setor de commodities usa mais diesel do que a indústria", explicou o executivo.

Já o consumo de gasolina C (vendida nos postos com adição de etanol anidro) deve fechar 2014 com um crescimento expressivo, de 7,1%, em relação a 2013, totalizando 44,3 bilhões de litros. "Surpreendentemente, a demanda de gasolina cresceu ainda mais em 2014", afirmou Vaz.

Considerando que a frota de veículos leves deverá fechar 2014 com crescimento de apenas 2,8% (para 35,2 milhões de unidades), ante o ano passado, a explicação para o salto do consumo de gasolina, segundo técnicos do Sindicom, é o aumento dos engarrafamentos nos centros urbanos.

Com relação ao mercado de etanol hidratado, o consumo em 2014 deverá ser de 13 bilhões de litros, com alta de 10,4% em relação a 2013. Vaz, no entanto, explicou que os números relativos ao ano passado estão subdimensionados, devido a ações de distribuidoras não associadas que informaram um volume de vendas menor que o realizado. Fazendo o ajuste das contas, o crescimento será apenas de 2%.

"Os números [de 2013] estão subdimensionados. Os dados que as distribuidoras informam que venderam não batem com o produzido [pelas usinas]. Não existe desaparecimento de etanol. Logo, o que aconteceu foi uma irregularidade pelas distribuidoras que não informaram os dados corretos. A ANP vem buscando eliminar essa diferença", disse Vaz.

De acordo com o Sindicom, o mercado de gás natural veicular (GNV) deverá registrar nova queda, assim como o ocorrido em 2013. A expectativa do sindicato é que as vendas do combustíveis em 2014 alcancem 1,8 bilhões de metros cúbicos, com queda de 3,1% em relação a 2013.

Já o mercado de combustíveis de aviação (querosene de aviação e gasolina de aviação) devem reverter a queda observada em 2013 e fechar este ano com alta de 3,5%, frente o ano anterior, totalizando 7,5 bilhões de litros. Parte do aumento, segundo a equipe do Sindicom é explicada pela realização da Copa do Mundo no meio do ano.

As vendas de óleo combustível em 2014 também deverão fechar 2014 com crescimento expressivo, de 26,5%, em relação a 2013, totalizando 6,3 bilhões de litros.

Vaz afirmou ainda que o governo deve oficializar o aumento do teor de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27%, em fevereiro.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CRISE DA PETROBRAS PREOCUPA OS CENTROS DE P&D
Publicado em 12/17/2014 as 02:35 PM

Fornecedores da Petrobras que investiram em centros de pesquisa e desenvolvimento no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao longo dos últimos anos estão preocupados com os desdobramentos da Operação Lava-Jato. Empresas temem que a desaceleração do ritmo de investimentos anunciado pela petroleira na última semana reduza ainda mais os investimentos em projetos de P&D no Fundão.

De acordo o presidente do Parque Tecnológico da UFRJ, Maurício Guedes, a Petrobras vem reduzindo o fluxo de investimentos em P&D desde meados do ano passado. Só a Chemtech, empresa da Siemens com foco em soluções para o setor de óleo e gás, cortou 200 funcionários de seu quadro pessoal este ano, segundo a própria companhia.

"Estamos preocupados. Essas dispensas têm raízes nas restrições de investimentos e realinhamento do portfólio de projetos da Petrobras. No caso da Chemtech, soma-se a isso o redesenho global dos investimentos da Siemens", disse Guedes, em referência ao anúncio da alemã, no ano passado, de cortar 15 mil postos de trabalho no mundo. Ainda segundo Guedes, outras empresas, além da Chemtech, têm feito pequenos cortes em projetos no Fundão.

Para o gerente de Tecnologia do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Raimar van den Bylaardt, a desaceleração é fruto da reavaliação geral do plano de investimentos da Petrobras e vai na contramão dos aportes das demais concessionárias, que vem mantendo seus ritmos de investimento. "É uma questão de fluxo de investimento. É difícil precisar. Ela pode, inclusive, ter reduzido os aportes por ter antecipado investimentos nos últimos anos", considera o gerente do IBP.

Procurada, a Chemtech confirmou o desligamento de 200 colaboradores em 2014, em todas as áreas da companhia, e atribuiu os cortes a ajustes nas operações.

"Ajustes e flutuações no quadro de colaboradores é uma prática em muitas empresas de engenharia, inclusive na Chemtech. A empresa sempre analisa todas as possibilidades e considera a sustentabilidade de seus negócios, de forma que a redução do quadro de funcionários é adotada como último recurso. Em 2014, esse ajuste foi necessário para adequar a empresa à nova perspectiva de demanda de mercado", citou a empresa, em nota.

Os aportes das petroleiras em P&D é obrigatório por lei. Pelas regras, as concessionárias devem investir, em pesquisa e desenvolvimento, 1% da receita bruta de campos de alta rentabilidade que pagam participação especial. Pelo menos 50% dos recursos devem ser investidos em universidades e institutos de pesquisa.

Incluída nos contratos de concessão a partir de 1998, a Cláusula de Investimento em P&D resultou em obrigações de investimento de R$ 9,4 bilhões pelas empresas entre 1998 e 2014. Desde 2006, a Petrobras respondeu por mais de 93% dos recursos.

A UFRJ foi a instituição que mais recebeu recursos, num total de R$ 493 milhões até novembro, ou seja, 12,5% do total. O Fundão abriga 12 grandes fornecedores, como Schulumberger, FMC, Baker Hughes, Halliburton, Chemtech, GE e TenarisConfab.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

MERCADO VÊ ESPAÇO PARA MAIS QUEDA NO CURTO PRAZO
Publicado em 12/17/2014 as 02:34 PM

O preço do petróleo já acumula queda de 46% neste ano e pode tranquilamente cair ainda mais no curto prazo, na visão de analistas do setor. De US$ 100 por barril no último dia de 2013, a commodity caiu para perto de US$ 60 por barril, considerando o tipo Brent. O piso pode estar ainda mais embaixo pois ainda não há sinais de mudança da situação atual de excesso de oferta e desaceleração da demanda. O desequilíbrio foi agravado neste mês pela notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vai manter sua cota de produção em 2015.

A princípio, os analistas do setor não veem sinais de recuperação no primeiro trimestre do ano que vem, quando acham que o valor permanecerá próximo do patamar atual. Mas esperam recuperação para um preço médio próximo de US$ 75 por barril ainda em 2015, com uma melhora nos últimos nove meses do ano.


Nos últimos dias, considerando os atuais fundamentos do petróleo, Credit Suisse, Morgan Stanley, Natixis, Itaú e Standard & Poor's estão entre as casas que reduziram suas projeções para o preço médio nos próximos anos. Para 2015, o Credit cortou sua estimativa para US$ 75,25, de US$ 91,50, anteriormente. O Natixis reduziu seu preço para US$ 73,8 por barril, enquanto S&P e Itaú cortaram para US$ 70 o barril. Já O Morgan também estima US$ 70 em um cenário base. Pode chegar a US$ 53 em um pessimista ou a US$ 89 em um otimista.

"Projetamos que o petróleo do tipo Brent precisa permanecer em US$ 70 por barril para igualar oferta e demanda, o que significa uma queda de mais de 30% em relação ao equilíbrio pré-2014, de US$ 110", afirma o analista Artur Manoel Passos, do Itaú, em sua revisão mensal de commodities. Antes, ele estimava US$ 95 por barril.

Com as quedas recentes, o preço médio do Brent no ano caiu para US$ 101,2 o barril, 6% abaixo da média de US$ 108,1 no ano passado. A previsão para 2015 é, portanto, de preço médio cerca de 25% menor do que o de 2014.



Desde a decisão da Opep, o preço desabou cerca de US$ 20 por barril, de um patamar de US$ 80. A queda levou o preço ao menor valor desde julho de 2009. A diferença de cinco anos atrás para o momento atual é uma mudança estrutural. Antes, o preço foi muito impactado pela crise financeira global de 2008. Desta vez, há um excesso de petróleo no mercado e uma dificuldade do setor em reduzir seu ritmo de produção.

Apesar de uma parte relevante da produção global ter custo total superior aos preços atuais de petróleo, os produtores não costumam deixar de produzir nos poços em funcionamento, afirma Passos, do Itaú. Desse modo, afirma, "a reação ocorre via queda de investimento em novos poços", diz.



Para Abhishek Deshpande, responsável pela análise de petróleo no Natixis, é mais provável uma queda do crescimento da oferta de petróleo apenas em 2016. Ele afirma que empresas estão cortando investimentos, como é o caso da Conoco, com uma redução de 20%, mas diz que o impacto dessas decisões não serão sentidos em 2015.
No relatório "O Fim do Petróleo Caro", de 12 de dezembro, o Credit afirmava que seria necessário um corte de produção de 1 milhão de barris por dia pelos membros da Opep para que o mercado ficasse balanceado. Os analistas acreditam que o principal candidato a cortar sua produção serão os Estados Unidos, em operações em terra ("onshore"). A iniciativa dependerá de decisões tomadas no mercado de gás não convencional.

Além da pressão do lado da oferta, não há uma percepção clara no mercado de que a queda do preço levará a um aumento da demanda global por petróleo. No curto prazo, pelo menos, esse não é um cenário tão óbvio, segundo os analistas. A própria Agência Internacional de Energia (AIE), em seu último relatório, dizia que não acredita em um salto da demanda provocado pela queda dos preços.

Nesse ambiente, as perspectivas são de que as cotações seguirão pressionadas ao menos até o primeiro trimestre do ano que vem. Na estimativa do Credit, a cotação média ficará em US$ 68 para o barril do Brent no período de janeiro a março. Os altos estoques vão pesar sobre a curva de preços futuros do petróleo nos próximos meses, afirmam os analistas. Os primeiros sinais de recuperação dos preços devem vir somente a partir do segundo trimestre, diz o banco.

Para Deshpande, do Natixis, o preço mais baixo pode dar alguma força à demanda nos EUA, na Europa e no Japão. Ele também afirma, em relatório, que a China já teve no passado um teve comportamento de comprador oportunista quando os preços estavam baixos.

O preço do petróleo também foi pressionado nos últimos dias pela redução em 230 mil barris diários sobre a previsão da AIE de crescimento da demanda em 2015, revisada para alta de 900 mil barris.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

CREDIT SUISSE CORTA EMPRESAS DE COMMODITIES
Publicado em 12/17/2014 as 02:34 PM

O Credit Suisse cortou o preço-alvo dos recibos de ações negociados em Nova York (ADRs) da Petrobras, mas destacou que, se a companhia conseguir demonstrar ter adotado, de fato, medidas que a livram da necessidade de tomar crédito em 2015, os preços podem ser revistos. O preço-alvo das ADRs caiu de US$ 14 para US$ 7,30, prêmio de 9,6% em relação à cotação de segunda-feira. A recomendação continuou neutra.

Na sexta-feira, ao adiar a publicação de seus resultados não auditados, a Petrobras afirmou que tomou medidas para aumentar a liquidez, a fim de evitar necessidade de tomar novos empréstimos em 2015.

No entanto, segundo o Credit, a Petrobras já descumpriu promessas no passado, como metas de crescimento da produção e a mudança na metodologia dos preços de combustíveis.

"Para retomar a confiança dos investidores, que 'é diferente dessa vez', a Petrobras vai precisar providenciar mais detalhes e mostrar progresso trimestre após trimestre, em nossa visão. Essa não é uma tarefa simples", destacou o Credit. Como os credores são praticamente donos de 70% da companhia, encontrar um valor de referência para as ações "é cada vez mais desafiador", pondera o banco.

O Credit Suisse também cortou o preço-alvo dos ADRs da Vale de US$ 10,70 para US$ 7,50, refletindo os preços mais baixos das commodities metálicas. Se os preços atuais de minério de ferro, níquel e cobre permanecerem no longo prazo, o que é considerado improvável pelo banco, o "valuation" - metodologia usada pelo banco para determinar o valor teórico da ação - pode cair para US$ 3,70 por ADR.

Na segunda-feira, os ADRs da Vale negociados em Nova York fecharam com preço 21,4% inferior ao novo preço-alvo do Credit. A recomendação das ações continuou de venda.

Segundo o Credit, as estimativas para o Ebitda da Vale em 2015 ficaram 19% menores por conta da queda dos preços de commodities. Com isso, a expectativa é de que a mineradora registre fluxo de caixa negativo no ano que vem.

O banco suíço também diminuiu o preço-alvo para as ações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de R$ 6,40 para R$ 4,80, depois que as projeções para o minério de ferro pioraram e em meio à deterioração das finanças da empresa. Os analistas Ivano Westin, Renan Criscio e Santiago Teuffer, que assinam o relatório, mantiveram a recomendação de "underperform", equivalente a venda.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

DEFENSIVO AGRÍCOLA DEVE TER CRESCIMENTO DE 6%
Publicado em 12/17/2014 as 02:30 PM

Os defensivos agrícolas, também conhecidos como agroquímicos ou produtos fitossanitários, são responsáveis pelo segundo maior faturamento da indústria de química fina, um valor que deve atingir US$ 12,2 bilhões em 2014, conforme levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), 6% acima do registrado em 2013, a maior alta de todo o setor químico. As vendas do segmento correspondem a uma fatia de 27% do total da química fina, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina).

"Estamos satisfeitos por fechar o ano com crescimento de 6%, mas cautelosos para 2015", diz Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). O setor tinha expectativa de aumento maior para 2014, entre 6% e 9%. Segundo Daher, o cenário que já começa a se desenhar reúne fatores negativos para o mercado brasileiro, como recuperação da safra americana, abalada por grave seca nos últimos dois anos, estoques mundiais de commodities muito elevados, especialmente de soja e milho, e prolongamento da seca no Brasil. O conjunto de fatores pressiona para baixo os preços dos produtos agrícolas, levando os agricultores a reduzir o plantio e usar menos defensivos.

A seca também derruba as vendas de fungicidas, por diminuir a incidência de fungos nas lavouras. Mas nos insetos o efeito é oposto, favorecendo a proliferação de pragas como moscas e lagartas. Segundo o diretor da Andef, a utilização de defensivos costuma ser equilibrada entre as três principais classes de produtos, com um terço de herbicidas, outro terço de inseticidas e outro de fungicidas. Mas em 2013, com a maior incidência de insetos, as vendas de inseticidas chegaram a 42% das vendas do segmento e a previsão é de que tenham atingido 45% em 2014.

Em 2013, as vendas atingiram US$ 4,554 bilhões, segundo o Sindiveg. Já o mercado de herbicidas cresceu 19%, para US$ 3,739 bilhões, e os fungicidas tiveram aumento de 5%, ficando em US$ 2,592 bilhões. Os acaricidas expandiram 18%, chegando a US$ 119 milhões. O faturamento da indústria de defensivos agrícolas aumentou 18% no ano passado, chegando a US$ 11,454 bilhões.

As culturas que utilizaram mais defensivos em 2013, segundo Ivan Sampaio, gerente da área de estatística do Sindiveg, foram soja (52%), cana (10,1%), milho (9,5%) e algodão (9,1%). Em 2014 essa distribuição deve se repetir, com exceção apenas do milho, cuja área deve cair cerca de 5%, devido à queda de preços, mais acentuada do que na soja. O Estado que mais consome defensivos é o Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, que absorveu 22% da demanda brasileira por agroquímicos em 2013, seguido por São Paulo, com 14%, Paraná, com 12%, e Rio Grande do Sul, com 11%.

A maior parte do mercado brasileiro é suprida por importados, que atingiram 344 mil toneladas em 2013, 25% mais do que em 2012, ao custo de US$ 7,4 bilhões, 14% acima. O consumo brasileiro, que saltou de US$ 3,3 bilhões, em 2006, para os US$ 12,2 bilhões previstos em 2014, é um dos maiores do mundo, equivalente a 20% do mercado mundial, segundo estudo da Bain & Company.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

COMPLEXO INDUSTRIAL ABRANGE EXTENSO LEQUE DE PRODUTOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:29 PM

Responsável por 21% do faturamento do setor químico no país, o complexo industrial da química fina abrange uma extensa variedade de produtos, que vão dos chamados intermediários de síntese, que constituem o elo entre a química de base e a química fina, até os intermediários de uso ou de performance, que são os princípios ativos, e as formulações, misturas ou composições contendo tais produtos, denominadas especialidades, que incluem fármacos, medicamentos, vacinas, defensivos agrícolas e animais, catalisadores industriais, corantes e aditivos.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), os intermediários químicos de síntese são fabricados por meio de sínteses químicas, a partir de matérias-primas da química orgânica básica, de origem petroquímica ou da biomassa, e atendem a especificações técnicas definidas em normas internacionais. Os intermediários de uso também seguem padrões internacionais e têm características de aplicação muito bem definidas, como nos casos de matéria-prima para a fabricação de remédios e alimentos ou utilização industrial. Já as especialidades da química fina caracterizam-se por elevado conteúdo tecnológico e por se destinarem ao mercado final de produtos de grande valor unitário. "Algumas empresas consideram química fina exclusivamente os princípios ativos que utilizam, o que é um conceito equivocado", explica Nelson Brasil de Oliveira, vice-presidente da Abifina.


As principais cadeias produtivas da química fina são a de fármacos e produtos farmacêuticos e a indústria de defensivos agrícolas, que juntas representam 93% do complexo industrial. Ambas são reguladas e controladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece especificações rigorosas de produção, movimentação, embalagem, transporte, estocagem e comercialização. Os defensivos e seus intermediários químicos são registrados como medicamentos. Como estes, precisam trazer informações detalhadas sobre os ativos utilizados em sua formulação e os respectivos fabricantes.

Os princípios ativos do segmento de fármacos são intermediários destinados exclusivamente a medicamentos. Já na cadeia de alimentos, segundo Oliveira, o controle não é tão rigoroso. Há necessidade de registro do produto final, mas não do princípio ativo. "Quando o laboratório faz o registro do medicamento, tem que dizer qual é o princípio ativo, quem o fabrica e onde fabrica. Na área de alimentos, considera-se só o produto que vai ser comercializado", diz o executivo da Abifina.



"O segmento de química fina de farma é um mercado extremamente regulamentado, em que é essencial atender a todos os requisitos locais", diz Tatiana Kalman, diretora de nutrição & saúde da Basf para América Latina. Para isso, segundo ela, a empresa conta com uma equipe de suporte a vendas e marketing formada por profissionais experientes nas áreas técnica, regulatória e supply chain. Além de produtos do setor farmacêutico, a divisão de nutrição e saúde da Basf desenvolve, produz e comercializa uma vasta gama de produtos para nutrição humana e animal. Entre os produtos de nutrição humana estão vitaminas e carotenóides, esteróis de plantas, emulsificadores e ácidos graxos ômega-3. A empresa produz também ingredientes aromáticos como citral, geraniol e L-mentol para o setor de sabor e fragrância.

"Para garantir a pureza do produto, temos um controle rigoroso, que vai desde a produção até a entrega final ao cliente", diz Elaine Matos, gerente de marketing de propileno glicol da Dow para a América Latina. O produto, um intermediário químico, um solvente para vários produtos orgânicos insolúveis em água, é utilizado em dois tipos de aplicação: para a fabricação de produtos farmacêuticos, alimentos, produtos de cuidados pessoais e fragrâncias, em uma versão com alto grau de pureza, e para uso industrial, na fabricação de resinas, plásticos, indústria de tintas e setor de petróleo. Líder mundial em tecnologia e fabricação do produto, a Dow abastece a América Latina a partir de sua fábrica em Aratu (BA).

Segundo Elaine, no caso do produto para utilização humana, o Propileno Glicol USP/EP, a pureza de 99,8% faz toda a diferença para garantir sua sanidade e aplicação segura, isto é, sem contaminação. Na indústria farmacêutica, o produto é utilizado em xaropes e vacinas. Na indústria alimentícia, é usado como solvente e estabilizador nas formulações para cobertura de sorvete, bolos, bolachas, como antidescongelante de alimentos congelados e como agente inibidor da proliferação de bactérias, entre outras aplicações.

No setor de cosméticos, é utilizado para fabricação de xampu, condicionador, pasta de dente, enxaguante bucal, demaquilante, hidratante para pele, sabonete, desodorante e creme de barbear.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

GÁS DE XISTO ATRAI INVESTIMENTOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:28 PM



A exploração de gás não convencional nos Estados Unidos provocou a retomada dos investimentos de diversos elos da cadeia industrial e tornou o país um dos principais polos de atração de recursos da indústria química e petroquímica global, combinando um mercado consumidor relevante e matéria-prima abundante e barata. "Há seis anos, ninguém falava em novos investimentos nos Estados Unidos, com as empresas indo para a China e para o Oriente Médio, por conta do alto custo de produção. Hoje esse cenário mudou totalmente", afirma Calvin M. Dooley, presidente do Conselho Americano de Química (American Chemistry Council - ACC), que participou do 19º Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), realizado em São Paulo este mês.

Calvin Dooley: há seis anos, ninguém falava em novos investimentos nos EUA

Um levantamento realizado em novembro pela associação, que representa cerca de 85% da produção química americana, aponta que existem 215 projetos com US$ 132 bilhões em potenciais investimentos que poderão sair do papel nos próximos anos nos Estados Unidos. O montante é US$ 72 bilhões maior que o previsto há um ano. Cerca de 60% dos investimentos deverão ser feitos por empresas estrangeiras. "Temos capacidade de suprir gás por 30 anos a preços competitivos, isso é uma vantagem gigantesca, em um momento em que Europa e China ainda estão atrás na exploração de gás não convencional", destacou.!A China ainda terá de construir sua malha de gasodutos, além de iniciar a exploração de gás não convencional em grande escala. No Oriente Médio, a infraestrutura também é obstáculo. "O Brasil tem recursos para ser um player importante no mundo, desde que haja política para isso".

O preço do gás, metade do que custa o europeu, tem feito indústrias têxteis voltarem a produzir em solo americano e foi um dos fatores que levaram três fabricantes de pneus decidirem por instalar novas fábricas nos Estados Unidos. "A cadeia têxtil começou a voltar para os Estados Unidos, o que era impensável há mais de 15 anos, e estamos com um custo de energia quatro vezes mais competitivo do que o da Índia".

Até 2023, segundo estimativas da entidade, devem ser investidos US$ 91 bilhões em novos produtos químicos nos Estados Unidos, o que deve render pouco mais de 700 mil empregos. Esses recursos irão provocar outros US$ 274 bilhões em diversos elos da cadeia industrial - da têxtil a de autopeças, o que terá impacto sobre o PIB e a geração de empregos na economia americana. O preço do gás na Europa custa três vezes mais que o americano e a eletricidade é o dobro. "Isso nos dá grande competitividade".

Para ele, os Estados Unidos tiveram uma regulação eficiente que permitiu que o gás de xisto tivesse impacto sobre a economia e havia um grande conhecimento geológico do subsolo do país. A legislação permitiu acesso a reservas de gás não convencional e assegurou infraestrutura para escoamento da produção. Já as leis estaduais também deram flexibilidade. Segundo estudo do professor Edmar de Almeida, da UFRJ, em mais de 100 anos de indústria de óleo já foram perfurados mais de 5 milhões de poços de petróleo nos Estados Unidos.

No estudo, Almeida aponta que o processo de licenciamento é célere o bastante para se perfurar e fraturar milhares de poços por ano. Em 2011, o órgão regulador do Texas autorizou a perfuração de 22.480 poços. O escoamento e comercialização da produção são facilitados pela existência de uma extensa rede de gasodutos e distribuição e transporte (aproximadamente dois milhões de quilômetros de dutos), com regras de livre-acesso e um mercado liberalizado.

A exploração de gás não convencional provocou uma revolução nos Estados Unidos. Segundo estudo da Deloitte, publicado nos Estados Unidos este ano, o acesso aos hidrocarbonetos presos em formações rochosas fez a produção de petróleo americana pular de cinco milhões de barris por dia em 2008 para 7,4 milhões de barris por dia cinco anos depois, a maior expansão quinquenal da história daquela economia. Esse movimento coincidiu com uma queda da demanda de petróleo e seus derivados dos EUA, de 22 milhões de barris por dia em 2005 para 18,9 milhões barris diários em 2013. O déficit comercial relacionado ao setor de petróleo despencou de US$ 386 bilhões em 2008 para US$ 232 bilhões.

Além de melhorar as contas externas, a exploração de gás não convencional tem atraído diversas indústrias para os Estados Unidos, de olho no preço do gás, que está chegando ao mercado a US$ 4 o milhão do BTU, enquanto no Brasil as indústrias chegam a pagar mais de três vezes esse valor. Isso poderá provocar uma mudança geopolítica de investimentos na cadeia química e petroquímica, que poderá fincar bandeiras cada vez mais sólidas nos Estados Unidos. A produção de etileno está em 27 milhões de toneladas nos Estados Unidos e deve ter um acréscimo de 11 milhões nos próximos cinco anos. No Brasil, a produção está em quatro milhões de toneladas.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

PRÉ-SAL PODE OFERECER INSUMO MAIS BARATO
Publicado em 12/17/2014 as 02:27 PM

A extração de petróleo na camada do pré-sal já é superior a 500 mil barris diários desde julho, representando um acréscimo de 20% na produção da Petrobras. No entanto, o país ainda não estabeleceu uma política para aproveitar suas novas reservas de óleo e gás para impulsionar a indústria petroquímica local. O "Estudo do potencial de diversificação da indústria química brasileira", realizado pelas consultorias Bain & Company e Gas Energy atendendo a um chamado público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresenta uma proposta que repercutiu positivamente entre representantes da indústria química e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A proposta consiste em que a União utilize a parte que lhe cabe nas reservas do pré-sal estabelecida no regime de partilhas para ofertar o insumo com desconto para a industrialização petroquímica executada no país. No campo de Libra, o maior do pré-sal e o primeiro leiloado pelo sistema de partilha, a parcela da União é de 41,65% do volume de óleo e gás que exceder o necessário para reembolsar o custo operacional da produção.

"É um uso estratégico das reservas públicas advindas do pré-sal, capaz de gerar investimentos, empregos e arrecadação de impostos no país", diz Rodrigo Más, sócio-diretor da Bain & Company. O consultor diz que, com o pré-sal, na próxima década o país se tornará superavitário em energia e combustível, independentemente dos volumes da reserva do governo.

O sistema sugerido no estudo do BNDES pressupõe a realização de leilões do petróleo e gás natural da União com um desconto estimado entre US$ 500 milhões a US$ 1,2 bilhão por ano, tendo como base a destinação para uso petroquímico de 200 mil barris diários. O impacto esperado é a geração de investimentos de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões e algo entre 3 e 4 mil empregos diretos. O incremento no PIB seria de US$ 5,5 bilhões a US$ 6,5 bilhões por ano a partir de 2025, o que proporcionaria uma arrecadação tributária entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano. "A arrecadação é superior ao desconto oferecido. É um bom negócio para o governo", diz Más.

O desconto permitiria que a nafta de petróleo e o gás natural cheguem ao produtor petroquímico com preços mais compatíveis com os praticados na América do Norte e na Ásia. No Brasil o gás natural é comercializado em US$ 14 o BTU (Unidade Térmica Britânica), nos Estados Unidos e México é vendido por US$ 4. Os preços da nafta, cujo único comprador é a Braskem, não são públicos.

Alexandre Comin, diretor de competitividade do MDIC, diz que o governo trabalha no desenvolvimento de estratégias para agregar valor à produção proveniente do pré-sal e, para isso, está ciente da necessidade de equalizar os preços dos insumos para a indústria petroquímica no país com os praticados no exterior. A ideia é criar uma condição especifica de comercialização dos insumos para a indústria petroquímica, como sugerido pelo BNDES. "Hoje os preços são referenciados nos mercados de energia e combustíveis, que respondem por mais de 95% do consumo desses insumos, mas possuem uma lógica econômica distinta da cadeia petroquímica."

Carlos Fadigas, presidente da Braskem e do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), considera a proposta de descontos apresentada pelo BNDES adequada, capaz de impulsionar a indústria nacional sem onerar a União. "A petroquímica necessita de insumos com preços competitivos para ser viável. Hoje não temos essa condição no país, apesar de todas as expectativas geradas a partir do pré-sal", afirma.

Carlos Fadigas: "A petroquímica necessita de insumos com preços competitivos para ser viável"



A própria Braskem condiciona sua participação no futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) a uma oferta de natfa a preços internacionais, uma negociação iniciada em 2009. Ao mesmo tempo a empresa investe em parceria com a Idesa numa unidade petroquímica no México para a produção de etileno e estuda a participação em um novo polo petroquímico que está sendo desenvolvido em West Virginia (EUA) para produzir eteno e polietileno a partir do gás de xisto.

Empresas como Oxiteno, Unigel, e Artecola também estão optando por levar seus investimentos para os Estados Unidos e México. Fátima Giovanna Ferreira, diretora de economia e estatística da Abiquim, afirma que os altos custos no país dos derivados de petróleo também geram desinvestimentos, como a desativação da unidade de produção de metanol da GPC Química e da fábrica de isocianato da Dow.

Em média, informa a economista, a ociosidade das empresas químicas que usam o gás natural como matéria-prima está na casa dos 40%, Por outro lado, a estimativa é que as importações de produtos derivados do gás natural alcancem um valor de US$ 8,5 bilhões no ano.
Fonte : Valor Econômico
Data : 17/12/2014

SUPREMO GARANTE CONTRATOS PARA REVITALIZAÇÃO DE PORTO
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar na Reclamação (RCL) 17466 para suspender decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que manteve a anulação, por ato unilateral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), de concorrência, e contratos dela decorrentes, para revitalização e exploração do porto de Manaus. O ministro Lewandowski entendeu que a matéria em discussão – princípios da segurança jurídica, contraditório e da ampla defesa – tem status constitucional, atraindo a competência do STF para decidir o caso. A liminar garante a execução dos contratos até o julgamento de mérito.

De acordo com os autos, o diretor-geral do DNIT anulou a Concorrência 01/2001 e os contratos dela oriundos, celebrados entre a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus e a Estação Hidroviária do Amazonas S/A com a Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), para arrendamento do Porto de Manaus. As empresas obtiveram liminar no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) garantindo a execução dos contratos.

O TRF-1 entendeu que não se justificava o rompimento de contrato com mais de cinco anos de vigência sem a existência de prova concreta de irregularidade e sem a total obediência ao devido processo legal. Inconformada, a União ajuizou suspensão de segurança no STJ para suspender essa decisão.

Ao deferir a liminar para suspender a decisão do STJ, o presidente do STF argumentou que a matéria em discussão tem natureza constitucional, pois se trata de saber se, com a anulação administrativa de um contrato em vigor há mais de cinco anos, houve ou não violação às garantias previstas no artigo 5º, incisos LIV (ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal) e LV (aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes), da Constituição Federal.

O ministro Lewandowski constatou que a plausibilidade jurídica do pedido (debate sobre a violação ou não do devido processo legal, além do contraditório e da ampla defesa) torna prudente a suspensão da decisão reclamada a fim de garantir eventual utilidade do provimento de mérito. Observou ainda que o perigo da demora reside na abrupta paralisação de contrato em vigor há mais de cincos anos, “que representa grave prejuízo econômico às reclamantes, que após lograrem vencer o certame licitatório, realizaram vultosos investimentos para exploração do Porto de Manaus (AM)”.

PECULATO

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, negou o Habeas Corpus (HC) 111553, impetrado pela defesa do ex-vereador de Vitória (ES) Gilmário da Costa Gomes, condenado à pena de 12 anos e 1 mês de reclusão pelos crimes de peculato, concussão e corrupção passiva. A defesa pretendia restabelecer a sentença de primeiro grau, que havia reconhecido apenas a prática de concussão (exigir, para si ou outra pessoa, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida), o que consequentemente acarretaria a redução da pena.

De acordo com os autos, na condição de vereador, Gilmário (conhecido como Passarinho) nomeava assessores para seu gabinete e indicava outras pessoas para preenchimento de cargos em órgãos do Executivo municipal, exigindo, em troca das nomeações, parte dos salários e benefícios de alguns deles, sob pena de exoneração. O ex-vereador também desviava a função original de seus assessores para fins particulares e eleitorais.

O ministro Gilmar Mendes, relator do HC, afirmou que, diante das evidências das provas colhidas na investigação, o pedido da defesa se trata de “mero inconformismo” com a decisão. “O tribunal local concluiu pela prática de corrupção passiva lastreado tanto nos fatos descritos quanto nos elementos de convicção existentes nos autos, seja para prática de concussão, seja para a de corrupção passiva”, disse, acrescentando que não havia qualquer evidente ilegalidade a justificar a concessão da ordem.

Quanto à alegação de excesso cometido na dosimetria da pena, o ministro Gilmar Mendes sustentou que, de acordo com a decisão do tribunal local, o fato de o então vereador exigir e solicitar de funcionários parte de seus vencimentos e também se apropriar do salário de pessoas que sequer sabiam de suas nomeações requer um maior rigor punitivo da lei, afinal representa enriquecimento ilícito às custas do erário. Segundo o ministro, considerou-se também na fixação da pena a circunstância de os crimes terem sido cometidos durante o exercício do cargo de vereador.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

VALE PREVÊ CENÁRIO DIFÍCIL
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

Executivo destacou um cenário internacional complexo, com a economia europeia "anêmica", a japonesa em recuperação e os Estados Unidos em meio à queda de braço entre um Congresso Republicano e um governo Democrata

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, em encontro de final de ano com jornalistas ontem, traçou um cenário difícil para o setor de mineração em 2015 e 2016. O executivo destacou um cenário internacional complexo, com a economia europeia ainda "anêmica", a japonesa em recuperação e os Estados Unidos em queda de braço política entre um Congresso dominado por Republicanos e um governo Democrata. Ferreira se mostrou otimista em relação à China, destacando uma mudança de foco do governo do presidente Xi Jinping, olhando para a renda per capita da população e a redução das desigualdades no país, além da concretização de reformas. "Vejo o cenário mundial muito complexo e não é de se esperar uma situação muito prazerosa, mas a Vale tem a vantagem de ter enxergado o fim do superciclo ainda em 2011", disse. Ele mencionou cortes de despesas administrativas de US$ 2 bilhões para cerca de US$ 800 milhões nesse período.

No mesmo evento, o diretor de Ferrosos, Peter Poppinga, avaliou que a perspectiva de demanda do mercado transoceânico e chinês em 2015 atinja 1,5 bilhão de toneladas. Ele calcula que cerca de 220 milhões de toneladas de capacidade de minério de ferro não tenham competitividade para se manter operando com preços de US$ 70 por tonelada.

Na prática, a Vale espera a saída de capacidades do mercado, mas ainda não sabe precisar em que prazo. Segundo o executivo, em 2014 saíram de 50 milhões a 60 milhões de toneladas de minério de mercados não chineses e quase 100 milhões deixaram de ser produzidas na China.

"Estamos com foco na melhora da nossa margem e produtividade", afirmou. Poppinga lembrou que a Vale capturou um prêmio de US$ 10 por tonelada na venda de seu minério com teor de 65% de ferro. Além de cerca de US$ 4 referentes à maior qualidade o produto, a Vale conseguiu uma diferença de US$ 6 ao capturar outras características desse minério, como a redutibilidade e logística diferenciada. A empresa está buscando dar maior liquidez ao índice Platts 65%, que referencia o minério de Carajás de mais alto teor.

Apesar da previsão de entradas de novas capacidades de produção em operação, Poppinga acredita que a contrapartida do esgotamento de outras minas tende a trazer um reequilíbrio para o mercado em até dois anos.

Autorização ambiental

O presidente da Vale anunciou que a mineradora obteve autorização dos órgãos ambientais para a supressão vegetal na mina N4WS, em Carajás (Pará). O aval permite o início do desenvolvimento da mina. A etapa faz parte do Licenciamento EIA Global, que compreende a ampliação das cavas de N4WS, N5S, Morro I e Morro II, que contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas, e a permissão para pilhas de estéril no Sistema Norte em Carajás, Brasil.

Em novembro, a Vale conseguiu a licença de operação para a ampliação da cava N4WS, expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A licença engloba o plano de produção nos anos de 2015 e 2016 do Complexo Minerador de Carajás e é importante para o plano da empresa de aumentar sua produção de minério.

Em 2015, a Vale estima produzir 340 milhões de toneladas, passando a 376 milhões de toneladas em 2016, 411 milhões de toneladas em 2017, 453 milhões de toneladas em 2018 e 459 milhões em 2019.

Poppinga acredita que, em um cenário difícil de preços internacionais não controlado pela empresa, a mineradora deve focar em duas âncoras: produtividade e credibilidade, no sentido de entregar o aumento de produção prometido ao mercado.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

REPSOL COMPRARÁ TALISMAN ENERGY POR US$13 BI
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

A companhia de energia espanhola Repsol disse nesta terça-feira que chegou a um acordo para comprar a Talisman Energy, quinta maior produtora de petróleo independente do Canadá, por 13 bilhões de dólares.

A aquisição proposta elevará o braço de exploração e produção da Repsol e preencherá uma lacuna após a apropriação de seu negócio na Argentina em 2012. O negócio também ajudará a reduzir a dependência da empresa de áreas de alto risco de produção de petróleo como a Líbia.

O recuo do preço do petróleo reduziu os preços de produtores como a Talisman, motivando o interesse da Repsol, que tem estado em busca de alvos no setor de petróleo e gás na América do Norte e outros países com regulação estável.

A Repsol pagará 8,3 bilhões de dólares por 100 por cento das ações da Talisman, o que representa um prêmio de 56 por cento sobre o valor de mercado de segunda-feira de 5,33 bilhões de dólares da companhia com sede em Calgary. A Repsol também assumirá 4,7 bilhões de dólares em dívidas.

A companhia espanhola disse que a aquisição aumentará sua produção de petróleo em 76 por cento para 680 mil barris por dia enquanto suas reservas aumentarão 55 por cento.

Ela também afirmou que a compra trará benefícios anuais de 220 milhões de dólares, será neutra para seus resultados em 2016. O conselho da Talisman aprovou a transação e recomendou que acionistas a aceitem, disse a Repsol em um comunicado ao regulador do mercado acionário espanhol.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 17/12/2014

CEMITÉRIOS DE BARCOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:26 PM

Símbolo da imigração vinda da África, ilha italiana de Lampedusa acumula restos de embarcações que cruzaram o Mediterrâneo

O italiano Francesco Tuccio, 48, é figura popular na ilha italiana de Lampedusa, no sul da Sicília. Foi o carpinteiro que fez as cruzes, o báculo e o altar usados pelo papa Francisco em visita ao local em 8 de julho de 2013.

A pequena ilha de 6.000 habitantes e 20 km² foi escolhida para a primeira viagem do papa fora de Roma por ser símbolo da imigração clandestina do continente africano para a Europa pelo Mar Mediterrâneo.

Tuccio usa pedaços de barcos de imigrantes para montar as cruzes. Diz querer chamar a atenção para um drama que, em 2014, atingiu o recorde de mais de 163 mil resgatados no mar, como mostrou a Folha.

A ideia surgiu em abril de 2009, quando um terremoto matou 300 pessoas na cidade medieval italiana de Áquila. "Na mesma época, um barco de imigrantes vindo da Líbia naufragou com 200 pessoas e ninguém falava disso, só do terremoto. Decidi então protestar e comecei a montá-las", conta Tuccio.

Uma das cruzes foi entregue ao Vaticano com 60kg, 2,80m de altura e 1,50m de comprimento. Foi abençoada pelo papa para seguir em peregrinação pelas paróquias italianas. Quem quiser pode encomendar cruzes pequenas, mas aí o carpinteiro cobra a mão de obra: de € 5 a € 15 (R$ 17 a R$ 51), dependendo do tamanho da cruz.

Não é nada difícil achar matéria-prima. Palco de constantes desembarques de imigrantes na década, Lampedusa se tornou um "cemitério" de barcos usados por cidadãos de países como Somália, Nigéria, Eritreia, Mali e Senegal.

No dia em que a reportagem visitou a ilha, no fim de novembro, tratores retiravam parte deles para desobstruir um terreno ao lado do porto.

Impressiona a precariedade das embarcações, pequenas e sem condições de segurança para uma travessia perigosa pelo Mediterrâneo -- não à toa, as que não naufragam geralmente são resgatadas no meio do caminho por navios italianos.

A 113 km da Tunísia, Lampedusa está mais perto do continente africano do que a Itália (a Sícilia é o território italiano mais próximo, a cerca de 200 km).

Entre 2009 e 2011, o fluxo de imigração fora reduzido drasticamente após acordo entre a Itália, do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e a Líbia, na época sob o ditador Muammar Gaddafi.

Pelo trato, a Líbia, principal ponto de partida dos barcos, poderia monitorá-los e detê-los pelas águas dos dois países, enquanto a Itália teria mais autonomia para devolvê-los. Deu resultado: o número caiu de 31 mil imigrantes em 2008 para 12 mil em 2010.

Mas a derrocada de Gaddafi em 2011, a saída de Berlusconi do governo, somados aos distúrbios da Primavera Árabe em países vizinhos naquele ano, aceleraram novamente o fluxo, sobretudo para Lampedusa.

Em outubro de 2013, três meses depois de receber a visita do papa Francisco, a região viveu uma tragédia: 366 pessoas morreram afogadas a 1 km de sua costa.

Desde então, a ilha que tinha a pesca e o turismo de classe média como chamarizes tenta minimizar a imagem de rota de imigração.

Sob pressão da população, que entre 2011 e 2013 sofreu com o impacto para a imagem da ilha da onda de imigrantes, o governo tem evitado desembarcar na ilha os navios com resgatados no Mediterrâneo. O destino agora são cidades da Sicília.

Apesar do esforço, algo dificilmente será apagado: os túmulos de cerca de 50 imigrantes enterrados no cemitério de Lampedusa que morreram na rota para a Europa. Um deles conta uma história: ali está o corpo da nigeriana Ester Ada, resgatado em 2009 num barco com 153 pessoas. Ela tinha apenas 18 anos.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

VALE BUSCA US$ 2 BI COM VENDA DE NAVIOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:25 PM

Com preço do minério em baixa, empresa quer fazer caixa com a comercialização de 15 supernavios cargueiros

Para o presidente da mineradora, cenário externo preocupa e os próximos dois anos serão 'desafiadores'

Num momento de baixo preço do minério de ferro e sem perspectivas de recuperação no curto prazo, a Vale manterá, no próximo ano, a estratégia de vender ativos para fazer caixa.

A mineradora busca compradores para 15 supernavios cargueiros e espera levantar de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões (entre R$ 4 bilhões e R$ 5,4 bilhões) com essa venda.

Para Murilo Ferreira, presidente da Vale, o "cenário internacional é muito preocupante" com a freada do crescimento da China --que não deve ficar em torno de 7% neste ano--, a estagnação na Europa e a recessão no Japão.

Nesse ambiente de demanda fraca e com o excesso de produção de minério de ferro no mundo, não se vislumbra uma melhora substancial dos preços do minério.

Ao final de 2013, a cotação do principal produto da Vale estava em US$ 135 a tonelada. Neste mês, está em torno de US$ 70 a tonelada.

'DESAFIADORES'

Ferreira disse que 2015 e 2016 serão anos "desafiadores" para a Vale, pois não se esperam preços elevados e a empresa estará numa fase de pesados investimentos para colocar em operação daqui a dois anos a nova mina de Carajás, no Pará.

Por isso, a Vale procura compradores para seus navios, batizados de Valemax, e busca ainda um sócio para uma fatia de seus investimentos em fertilizantes. O objetivo é vender as embarcações e alugá-las do comprador por um longo período. Neste ano, a Vale fez essa operação com quatro navios, arrendados por 25 anos.

Os supercargueiros fazem parte da estratégia da Vale de transportar um volume maior de minério de ferro --cada navio tem capacidade para 400 mil toneladas-- para a China. Assim, ela consegue baratear o custo do frete e competir com as mineradoras australianas, geograficamente mais próximas daquele mercado.

Em seu programa de venda de ativos, a Vale conseguiu US$ 6 bilhões em 2013. Neste ano, trouxe para seu caixa algo em torno de US$ 5,5 bilhões. A maior operação foi a venda de participações numa mina de carvão e numa ferrovia em Moçambique para a japonesa Mitisui, no valor de US$ 3,7 bilhões.

MINÉRIO DE SOBRA

Para Peter Poppinga, diretor de Ferrosos da Vale, há uma produção maior de minério de ferro do que a demanda, situação que se manterá em 2015. Ainda assim, o executivo acredita que o mercado jogou os preços muito para baixo e deve haver uma recuperação no próximo ano. "Só não sabemos de quanto."

Apenas em 2016, porém, é que o consumo e a oferta de minério estarão equilibrados --o que, em tese, abre espaço para uma melhora mais firme dos preços.

CÂMBIO

Segundo Ferreira, a desvalorização do real ante o dólar beneficia a companhia, que tem a maior parte dos custos em reais por produzir no Brasil e receberá mais por suas exportações, cotadas na moeda norte-americana.

Para o executivo, porém, a Vale e a indústria como um todo têm de ser competitivas e buscar baixos custos, sem se fixar no patamar da taxa de câmbio. "Não podemos ficar presos a essa armadilha."
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

MOTOR DA BALANÇA COMERCIAL DEVE PERDER US$ 8 BI EM 2015

Se as coisas não andaram bem para a balança comercial neste ano, a situação poderá ficar ainda pior em 2015.

Isso porque o carro-chefe da balança comercial, a soja, deverá render US$ 8 bilhões a menos em exportações no próximo ano.

As vendas externas do complexo soja (grãos, farelo e óleo) estão previstas para US$ 30,5 bilhões neste ano, valor próximo dos US$ 30,7 bilhões de 2013.

Em 2015, no entanto, vão ficar entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões, segundo estimativas da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Este ano foi bastante favorável para a soja, cujos preços médios ficaram em US$ 510 por tonelada no porto. No próximo, no entanto, o valor recua para US$ 370.

Essa queda ocorre devido à recuperação da safra norte-americana, que atingiu o recorde de 308 milhões de toneladas e elevou os estoques mundiais.

Dependência maior do mundo em relação à soja brasileira e manutenção dos preços elevados fizeram com que neste ano as receitas com o complexo soja superassem as obtidas pelo país com o minério de ferro, tradicional líder nas exportações.

2014 ainda foi um ano de boa renda para os produtores, mas 2015 promete preços menores, principalmente para os que não adotarem um bom programa de vendas.

Mas os produtores terão alguns pontos positivos no próximo ano. Um deles é o dólar, cuja valorização significa um valor maior, em reais, nas receitas dos produtores.

Outro são os novos corredores de exportação que, aos poucos, são incorporados ao sistema brasileiro. Eles devem permitir, aos poucos, uma queda contínua dos preços do frete.

MONSANTO

Uma situação um pouco desconfortável para o produtor, no entanto, é a falta de acertos entre a Abiove e a Monsanto com relação ao recebimento da soja.

A Monsanto negocia para que as tradings façam o controle da soja Intacta no recebimento do grão, tarefa que, para a Abiove, não é dela.

Após muitas reuniões, a associação e a empresa ainda não chegaram a um acordo. A Abiove estipulou um valor médio de remuneração pela Monsanto por essa atividade, mas até a última segunda-feira (15) nenhuma empresa ainda havia feito um acordo com a multinacional.

"Não queremos um impasse, mas isso não é bom para o produtor", diz Carlo Lovatelli, presidente da Abiove.

Segundo ele, a associação é responsável pela compra de pelo menos 65% da soja produzida no Brasil.

Lovatelli acredita em um acerto nessa questão. E as saídas são várias: a remuneração, pela Monsanto, das empresas que compram soja; um arbítrio construtivo monitorado pelo governo entre a associação e a multinacional; ou a contratação, pela Monsanto, de uma empresa que faça a checagem da soja Intacta e garanta a certificação internacional.

Lovatelli diz que a questão deve ser resolvida, caso contrário seria "um tiro no pé" para todos. Há um risco até para a imagem do país lá fora, acrescenta.

Consultada, a Monsanto afirmou que continua negociando com cada uma das empresas envolvidas na captação de soja.

2015

O Brasil deverá exportar 48 milhões de toneladas de soja no próxima ano, além de 13,5 milhões de toneladas de farelo e 1 milhão de óleo de soja, na avaliação da Abiove.

A associação prevê que a produção brasileira da oleaginosa atinja 91 milhões de toneladas na safra 2014/15.

Sobre a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB) para o Ministério da Agricultura, Lovatelii diz que --embora ela tenha problemas com alguns setores-- é uma boa escolha. Ela tem bom conhecimento do setor e das atividades do ministério, diz ele.

Produção O Valor Bruto da Produção das lavouras e da pecuária brasileiras, após crescimento de 2,5% neste ano, deverá ficar estável em R$ 462 bilhões no próximo ano, de acordo com estimativas de José Gasques, do Ministério da Agricultura.

Quem cresce Enquanto a pecuária (setor que inclui a produção de bovinos, suínos, frango, leite e ovos) deverá subir para R$ 173 bilhões no próximo ano (10% mais), as lavouras recuam para R$ 288 milhões (menos 2%).

Soja Líder no setor, a oleaginosa deverá obter valor de R$ 86 bilhões no próximo ano, 2% mais do que em 2014.

Biodiesel Com a adoção de 7% de biodiesel ao óleo diesel, a moagem de soja para esse setor deverá ser de 15 milhões de toneladas por ano. Para 2020, a Abiove espera uma mistura de 10%.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

CAI O INTERESSE DOS EMPRESÁRIOS EM INVESTIR
Publicado em 12/17/2014 as 02:11 PM

41% das firmas esperam elevar investimentos em 2015, menor índice desde 2009, diz FGV

O desempenho da economia brasileira em 2014 fez empresários abandonarem investimentos previstos para este ano e afeta o nível de confiança para investir no próximo.

Segundo levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), somente 41% das empresas pesquisadas esperam um crescimento de investimentos próprios em 2015.

O índice é o menor desde 2009, ano no qual a crise econômica global exerceu maior efeito sobre o Brasil.

O aumento do pessimismo parte da frustração das companhias com o desempenho neste ano.

Ao final de 2013, 47% das companhias indicavam uma expectativa positiva para os investimentos. Perto do encerramento de 2014, um quarto dessas empresas afirmou que as expectativas não se realizaram e que os investimentos, na verdade, caíram.

Aloísio Campelo Júnior, responsável pela pesquisa, afirma que o empresário acredita ser difícil reverter a baixa atividade econômica.

"Por mais que o Brasil possa retomar um caminho virtuoso, já há uma convicção de que 2015 será ano ruim, mesmo com a troca dos ministros da Fazenda e do Planejamento", diz.

A mudança de nomes, de Guido Mantega por Joaquim Levy (Fazenda) e Miriam Belchior por Nelson Barbosa (Planejamento), é apontada por Fábio Pina, assessor econômico da Fecomercio, como um marco de renovação para os setores de serviços e comércio.

"No final do primeiro trimestre de 2015, já teremos expurgados os piores momentos da nossa economia. Estamos em um período de ajustes, mas não à beira do abismo. Tanto que alguns investimentos e contratações recomeçaram neste final de ano."

Mas José Ricardo Roriz, diretor da Fiesp, afirma que ações tomadas recentemente pela indústria não indicam melhoras no campo dos investimentos.

"A indústria vem perdendo espaço na economia há tempos e uma boa parcela dessa queda se deve à piora da confiança e à reticência do industrial em investir."
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

PESADELO DA CRISE DE 1998 ASSOMBRA RUSSOS
Publicado em 12/17/2014 as 02:11 PM

Com sanções ocidentais e rublo em queda, população faz estoques de alimentos e sofre com dificuldade de importar

Venda de energia para o exterior responde por 50% da arrecadação do governo; moeda segue declínio do petróleo

Elena recorda a crise de 1998, quando o rublo, a moeda local, despencou e destruiu a poupança de milhões de russos, e teme que o tumulto que afeta a divisa hoje possa ser ainda pior.

"Meus colegas e eu passamos horas no supermercado, para formar estoques. Estamos apavorados com a possibilidade de que a inflação continue a disparar", disse a contadora.

"Lembro-me da crise de 1998, mas desta vez vai ser muito pior porque o mundo está contra nós", disse, aludindo às sanções impostas pelo Ocidente à Rússia por causa da crise com a Ucrânia.

O embargo, somado à forte queda dos preços do petróleo nas últimas semanas, foi um pesado golpe para a confiança na economia da Rússia e despertou memórias da crise de 1998, quando o rublo desabou e o governo decretou moratória nos pagamentos da dívida pública.

Os preços do petróleo caíram praticamente à metade de julho para cá, o que puxou o tapete das finanças do governo, já que as exportações de energia respondem por 50% da arrecadação no país.

O banco central russo disse nesta segunda-feira (15) que o PIB pode se contrair em até 5% no ano que vem se os preços mundiais do petróleo continuarem no nível atual --em torno de US$ 60.

O rublo vem sendo arrastado pela queda do preço do barril do petróleo e acumula desvalorização de mais de 50% neste ano.

Yulia, 43, que dirige um salão de beleza em São Petersburgo, disse que agora está à beira da falência, porque o salão depende de produtos italianos. "Não consegui dormir a noite toda, pensando sobre o que fazer."

Em Moscou, Igor afirmou ter "medo de que os preços subam, o preço dos carros, da comida. Sabemos muito bem que não há como substituir as importações. Isso é um mito".

A Rússia proibiu a importação de produtos alimentícios da União Europeia e dos EUA, em uma represália às sanções ocidentais, agravando a situação porque produtos de outros países em muitos casos se provaram mais dispendiosos.

CONFIANÇA EM PUTIN

A despeito do tumulto nos mercados, que vem causando ondas de choque em todo o mundo e despertando questões sobre a saúde das economias de mercados emergentes, os russos ainda acreditam que seu presidente, Vladimir Putin, resolverá a crise.

"Sim, existe inflação [de 9,1% em novembro, em 12 meses, a mais alta em três anos], mas sabemos que Putin não tem escolha. Sua popularidade não sofrerá", disse Dmitry Briliyev, 35, osteopata que vive em Moscou.

"Não estou preocupada", disse Olga, 24. "Temos Putin, ele resolverá tudo."

A crise "não mudará nada no apoio ao presidente", afirmou Irina Istomina. "Não temos outros líderes e os russos estão acostumados a viver sob seu punho de ferro", acrescentou.

Enquanto isso, Alexei, 27, decidiu lucrar com a crise produzindo camisetas com frases irônicas sobre o rublo.

"Sobrevivemos à queda da União Soviética, à crise de 1998. Estamos acostumados a que as coisas vão mal e sabemos que sobreviveremos até ao pior", disse o empresário, que vende suas camisetas em euros.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 17/12/2014

VALE COLOCA SUPERNAVIOS À VENDA E PODE LEVANTAR ATÉ US$ 2 BILHÕES
Publicado em 12/17/2014 as 02:08 PM

Empresa tem frota de 15 cargueiros com capacidade para transportar 400 mil toneladas

A Vale estuda vender sua frota de navios Valemax, supercargueiros com capacidade para transportar 400 mil toneladas de minério. A medida é parte da estratégia para ampliar o caixa, num cenário de preço do minério de ferro em baixa no mercado internacional. A mineradora conta com 15 dessas embarcações, que renderiam de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões no mercado, disse Luciano Siani, diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores.



Em setembro, a Vale vendeu quatro Valemax para a chinesa Cosco, com contrato de arrendamento dos navios por 25 anos.

— É o tipo de negócio que queremos. A meta é ter benefício em frete, com o navio disponível por longo prazo a custo baixo — explicou Siani.

Murilo Ferreira, presidente da Vale, vê um cenário de dificuldades por mais dois anos, com melhora só depois de 2017:

— Temos um grande desafio pela frente. Em um ano, o preço do minério caiu de US$ 135 para US$ 70 — destacou.

O foco está em ampliar produtividade para garantir o melhor resultado em qualquer cenário.

A mineradora recebeu nesta semana autorização do Ibama para retirar vegetação, o que permite iniciar a lavra em uma mina de Carajás (PA).
Fonte : O Globo
Data : 17/12/2014

BARCA E QUATRO TRENS CHINESES CHEGARÃO AO PORTO DO RIO NESTA SEXTA-FEIRA
Publicado em 12/17/2014 as 02:07 PM

A barca Pão de Açúcar e mais quatro novos trens para a SuperVia, encomendados pelo governo do estado, chegam ao Porto do Rio nesta sexta-feira. O cargueiro Da Ling, que faz o transporte da barca e das composições, saiu da cidade de Ganghzou, na China, no dia 15 de novembro. Pela primeira vez, um navio traz, na mesma viagem, dois diferentes equipamentos de transporte público de alta capacidade, segundo o governo do Rio.

A Pão de Açúcar vai integrar a linha Praça XV-Arariboia e poderá substituir duas embarcações tradicionais, com previsão de transportar 30 mil passageiros por dia. Em nota, a secretária de Transportes, Tatiana Carius, disse que "otras seis barcas do mesmo porte serão totalmente integradas à frota já no ano que vem". Ainbda de acordo com a secretária, a oferta total com as novas barcas será de 24 mil lugares por hora no horário de rush, o dobro da média de passageiros transportados hoje no trajeto Praça XV-Arariboia.

Com capacidade para transportar 2 mil passageiros, as novas barcas têm dupla proa, ar-condicionado, janelas panorâmicas, bicicletário e espaço exclusivo para cadeirantes, além de dois andares, com possibilidade de embarque e desembarque simultâneos.

Já os trens poderão ampliar a oferta diária em 48 mil lugares para os passageiros dos ramais ferroviários do Grande Rio. Do total de cem trens chineses comprados pelo estado, 50 já estão em operação, segundo o governo. Com capacidade para transportar 1,2 mil pessoas, cada veículo chinês conta com refrigeração, passagem interna entre os carros, sistema que impede a abertura de portas durante as viagens, circuito interno de segurança, bagageiros, interiores mais amplos e iluminados, além de painéis de LED.

Da frota de 200 trens da concessionária SuperVia, 135 já são refrigerados. Até o fim de 2015, toda a frota contará com ar-condicionado, ainda de acordo com o governo.
Fonte : O Globo
Data : 17/12/2014

EXPORTAÇÃO DE MINÉRIO ELEVA MOVIMENTO EM HIDROVIA
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Enquanto a Hidrovia Paraná-Tietê enfrenta restrições no transporte de cargas por causa do baixo nível dos rios, os portos localizados em Corumbá e Ladário, na Hidrovia do Rio Paraguai, aumentaram em 27,38% o volume movimentado no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2013. O incremento foi puxado pela exportação do minério de ferro, que teve avanço de 29,91%, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

De acordo com a a Antaq, no primeiro semestre de 2014, “destaca-se o crescimento da exportação de minério de ferro e a significativa redução no transporte das commodities agrícolas, como a soja e o milho. Esses produtos utilizam rotas específicas com diferentes condições de navegação”.

A autarquia aponta que foi exportado pouco mais de 3,1 milhões de toneladas de minério de ferro, um incremento de 29,91% em relação ao primeiro semestre de 2013, com embarque em Corumbá e Ladário, sendo transportado pela Hidrovia do Paraguai até instalações portuárias localizadas na Argentina, de onde segue para outras partes do mundo. De acordo com o site da Antaq, “são poucas as restrições à navegação nesse percurso, sendo que o trecho navegável de Corumbá/MS à Assunção (Paraguai) comporta comboios 4x4, com 60 m de comprimento, 12 m de largura e capacidade para 25 mil toneladas, tendo calado médio de três metros, durante 80% do ano”.
Fonte : Portos e Navios
Data : 25/08/2014

AMAZONAS PRECISA DE R$ 20,9 BI PARA MELHORAR LOGÍSTICA, APONTA CNI
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Para solucionar os gargalos logísticos do Amazonas, são necessários investimentos de, no mínimo, R$ 20,9 bilhões, segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Em todo o País, as propostas indicadas somam R$ 987 bilhões. O Plano CNT de Transporte e Logística 2014 traz projetos prioritários de infraestrutura de transporte, abrangendo todos os modais, tanto na área de cargas como na de passageiros.

No Amazonas, os recursos são necessários para 97 projetos prioritários de infraestrutura. Somente para a Região Metropolitana de Manaus, os investimentos somam R$ 4 bilhões e incluem a implantação de corredor expresso ou Bus Rapid Transit (BRS), construção e adequação de terminal de passageiros, construção de infraestrutura para monotrilho ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), construção e adequação de vias urbanas e de plataformas de ônibus e terminais de passageiros.

O estudo elenca 2.045 projetos prioritários de infraestrutura de transporte em todo o País, abrangendo os modais, tanto na área de cargas como na de passageiros.

O objetivo, segundo a instituição, é contribuir para alavancar o desenvolvimento do País, reduzir os custos logísticos, aumentar a competitividade dos setores produtivos e permitir mais segurança e desempenho aos transportadores e à população. “São intervenções condizentes com o desenvolvimento econômico e social desejado ao Brasil, abrangendo a modernização e a ampliação de rodovias, aeroportos, portos, hidrovias, ferrovias e também dos terminais de cargas e de passageiros”, afirma o estudo.

O levantamento permite identificar o caminho a seguir para um sistema de transporte condizente com o desenvolvimento desejado para o Brasil.

“Uma significativa parcela da infraestrutura de transporte, em todas as modalidades, encontra-se obsoleta, inadequada ou ainda por construir. Algumas delas operam no limite ou mesmo acima da sua capacidade, enquanto outras carecem de manutenção”, conclui o estudo. Segundo análise da CNT, essa situação representa um entrave ao crescimento do País e gera reflexos negativos, como aumento do tempo de viagens, maior custo operacional, aumento do número de acidentes e dos níveis de emissão de poluentes.

Modais

Em 2013, a navegação interior - que utiliza vias navegáveis como rios, lagos, canais, lagoas, baías, angras, enseadas e áreas marítimas abrigadas - movimentaram, no Amazonas, 3,8 milhões de toneladas, 4,7% do total movimentado pelo modal no País, R$ 80,3 milhões de toneladas.

Para melhorar a capacidade desse modal, o Estado precisaria investir R$ 6 bilhões na adequação de 11,7 mil quilômetros (km) de hidrovias e implantação de um quilômetro de dispositivo de transposição.

Já o modal rodoviário necessita de pelo menos R$ 13,9 bilhões em investimentos. Entre os projetos sugeridos, estão a adequação de 322 km de rodovias, 533 km de vias urbanas, 578 km de recuperação do pavimento de rodovia, construção de 1,1 mil km de rodovias e de 31 km de vias urbanas, além da implantação de 26 km de corredor expresso ou BRT e a pavimentação de 1,4 mil km de rodovias.

A movimentação de cargas nos 16 terminais portuários do Amazonas somam 21,6 milhões de toneladas. Entre as melhorias indicadas pelo estudo da CNT, estão a construção de cinco portos no Estado que somam investimentos de R$ 729,6 milhões.

Seriam necessários, ainda, a construção de 48 terminais de cargas no interior do Estado e de dois terminais de passageiros que somam R$ 1,5 bilhão em investimentos.

Sem nenhuma alternativa ferroviária, o Amazonas precisaria aplicar R$ 2,15 bilhões na construção de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou monotrilho.

O modal aéreo movimenta no Estado 168,3 milhões de quilos de cargas e 3,2 mil passageiros em três aeroportos. Na avaliação da CNT, seriam necessárias a ampliação de três aeroportos, da estrutura de carga de um aeroporto e a melhoria na pista de quatro aeroportos. Os projetos somam R$ 268,9 milhões.

De acordo com a CNT, a implementação dos projetos pode receber um impulso a partir da participação da iniciativa privada. Conforme a conclusão do plano, “a retomada dos investimentos públicos em infraestruturas de transporte, em anos recentes, apesar de assinalável, não tem sido suficiente para ajustar a oferta de transporte às demandas existentes e previstas”. E a execução dos investimentos também tem estado aquém dos valores planejados e autorizados. “Torna-se assim mais importante a participação da iniciativa privada nesses projetos de infraestrutura de transporte”, destaca o estudo.
Fonte : Portos e Navios
Data : 25/08/2014

ESQUEMA CHINÊS DRIBLA TAXA ANTIDUMPING
Publicado em 08/25/2014 as 03:36 PM

Empresas oferecem a importadores no Brasil documentos que forjam origem de cerâmica; governo vai investigar

Sobretaxa é aplicada desde julho, e não há dados sobre efeitos de fraude; firma diz propor "solução de comércio"

No início do mês, empresários do setor de cerâmica receberam um email de uma empresa chinesa oferecendo seus serviços para falsificar documentos e burlar as sobretaxas antidumping aplicadas pelo Brasil para importar porcelanato, tipo de ladrilho de alto valor agregado usado na construção civil.

A Folha teve acesso ao email e conversou com um representante da empresa XFA Group Forwarding, sediada em Shenzhen, que confirmou o esquema. A reportagem informou o governo, que vai investigar o caso.

"Já há indícios suficientes para apurar. Vamos chamar o setor para fazer uma avaliação técnica", afirmou Daniel Godinho, secretário de Comércio Exterior.

A operação funciona assim: o porcelanato chinês é embarcado para a Malásia, troca de contêiner na área de livre comércio ou num armazém já dentro do país, e segue para o Brasil.

Os chineses garantem todos os documentos falsos necessários, como declarações de origem e nota fiscal de uma empresa da Malásia.

Dessa forma, os produtos chegam ao Brasil como se fossem fabricados na Malásia e se livram da sobretaxa aplicada contra o produto chinês. A fraude é evidente porque na Malásia não há fabricantes de porcelanato.

Como as tarifas antidumping foram aplicadas há pouco mais de um mês e as importações são planejadas antecipadamente, ainda não há registro de queda de compras da China nem de aumento de embarques para a Malásia.

"Estamos monitorando as estatísticas", diz Antônio Carlos Kieling, presidente da Anfacer, que reúne fabricantes como Portobello e Eliane. "Eles foram muito rápidos, porque os emails começaram a chegar uma semana após a aplicação das sobretaxas."

As tarifas antidumping contra o porcelanato chinês foram aplicadas provisoriamente pelo Brasil no início de julho, após meses de investigação e queda de braço entre fabricantes e varejistas.

A investigação concluiu que os exportadores chineses praticavam dumping e chegavam a vender por US$ 5,87 o metro quadrado um produto cujo preço normal de mercado era US$ 21,37.

Para proteger os fabricantes locais, o governo passou a cobrar sobretaxa de US$ 3,01 a US$ 5,83 por metro quadrado do produto, dependendo da empresa exportadora.

"SOLUÇÃO DE COMÉRCIO"

No email, o grupo chinês qualifica seu serviço como "solução de comércio" e garante que "o custo será muito favorável, porque vai economizar muito em taxa antidumping". A empresa também informa que "tem muitos casos de sucesso no Brasil para esses e outros itens".

"Não é contra a lei, porque todos os documentos são malasianos", disse, por telefone, Simon Lee, funcionário da XFA Group, ao ser questionado pela reportagem se estava ciente que o procedimento é considerado ilegal pela legislação brasileira.

Segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da Barral MJorge, as fraudes têm ocorrido em outros casos de dumping de comércio exterior, com desvio de produtos chineses sobretudo para Malásia e Taiwan. "É necessário uma atuação rápida do governo quando se verifica o problema."

O governo informa que poderá tomar várias medidas dependendo da evolução do caso: de uma investigação de falsa declaração de origem a aplicação de multas e ao cancelamento de registro pela Receita Federal.

Se algum importador brasileiro for identificado cometendo fraudes, o caso pode ser levado à Polícia Federal.

OUTROS CASOS

Não é a primeira vez que o governo se depara com esse tipo de fraude. Até agora, já foram investigadas 29 empresas exportadoras que estavam enviando produtos chineses para o Brasil de forma fraudulenta.

Entre os produtos identificados, estão lápis de madeira, malhas de viscose, calçados e outros. Esses itens, sujeitos a tarifas antidumping, chegavam ao país como se tivessem sido fabricados na Malásia, em Taiwan, na Coreia do Sul e até no Japão para não pagarem sobretaxa.

"O importante é que hoje nós já temos todos os mecanismos e as regras para lidar com esse tipo de fraude", afirma Godinho.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 24/08/2014

SAFRA DOS EUA É BOA, MAS DEPENDE DO CLIMA
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

A safra norte-americana continua com bom potencial de produção, mas nada está definido. Em Illinois, o segundo maior produtor de grãos do país, as condições são excelentes, mas no líder Iowa as lavouras estão atrasadas e precisando de chuva.

A análise é de Daniele Siqueira, analista da AgRural e que acaba de percorrer sete Estados norte-americanos produtores de grãos. "A safra está com bom potencial, mas ainda depende do clima."

A temperatura é mais baixa, o que evita o estresse hídrico da planta, normal nesses meses no Meio-Oeste dos EUA. Mas o clima mais frio retarda o desenvolvimento da lavoura.

Esse ritmo mais lento coloca as plantas no foco de eventuais geadas, previstas para algumas regiões produtoras.

A temperatura mais baixa do que o normal neste ano faz com que a soja desenvolva bem as folhas, mas tenha poucas vagens.

No caso do milho, há um atraso no enchimento dos grãos das espigas.

Não está descartada a ocorrência de uma grande safra no Meio-Oeste dos Estados Unidos, segundo Siqueira, mas as condições climáticas terão de melhorar.

Mesmo com clima favorável, após a visita a lavouras e a produtores nesses sete Estados feita na última quinzena, a analista acredita que o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) está superestimando a safra do país.

A produção de soja na safra 2014/15 deverá atingir 103,9 milhões de toneladas, conforme o mais recente relatório dos Usda, divulgado neste mês. Se confirmada, a produção supera em 16% a do ano anterior.

Já a produção do milho foi estimada em 356,4 milhões de toneladas, um pouco acima dos 353,4 milhões obtidas no ano passado.

Relatórios desta semana apontam, no entanto, que as condições das lavouras começam a melhorar, mas os números desses analistas também indicam volume um pouco abaixo dos estimados pelo Usda na primeira quinzena deste mês.

A soja voltou a subir nesta sexta-feira (22) em Chicago. O primeiro contrato esteve a US$ 11,66 por bushel (27,2 quilos). O milho teve a mesma tendência e foi a US$ 3,66 por bushel (25,4 quilos).

Um dos destaques no setor é o preço do farelo de soja, que acumula alta de 12% nos últimos sete dias.

Etanol O preço médio do álcool recuou para R$ 1,883 por litro nesta semana nos postos de abastecimento da cidade de São Paulo, conforme pesquisa da Folha. O recuo foi de 0,11% no dia e de 0,53% em 30 dias.

Paridade A mesma pesquisa da Folha, feita em 50 postos da capital, apontou estabilidade nos preços da gasolina, que está, em média, a R$ 2,879 por litro.

Vantagem Com isso, o etanol vale 65,4% do valor da gasolina, sendo mais favorável a utilização do derivado de cana no abastecimento do veículo.

Perdas As contusões sofridas por animais enquanto são transportados aos frigoríficos causam perdas de até R$ 154 por animal ao produtor de Mato Grosso.

Inadequado Um dos motivos dessas perdas é o transporte inadequado da fazenda ao frigorífico. É o que aponta estudo da Acrimat (associação dos criadores), universidades e a empresa Beckhauser.

Químicos O mercado mundial de químicos a partir de renováveis poderá ser de até 25% em 2025. O Brasil desponta como grande destino para os investimentos.

Matéria-prima É o que aponta estudo da Bain & Company. O Brasil ganha importância porque tem matéria-prima e os que detêm a tecnologia buscam parcerias com fornecedor de matéria-prima e com empresa que já têm acesso ao mercado.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

PAÍS RESTRINGE VENDA DE CARNE BOVINA PARA O EXTERIOR
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

O secretário do Comércio argentino, Augusto Costa, informou aos ruralistas que irá restringir mais a exportação de carne. Na prática, o governo irá emitir menos licenças que autorizam a vender carne bovina a outros países.

Para exportar, frigoríficos precisam pedir uma autorização chamada ROE. Segundo o economista da Sociedade Rural Argentina Ernesto Ambrosetti, os produtores não sabem ao certo quais são os critérios pelos quais aprova-se ou reprova-se esse requerimento.

"[Costa] afirmou que vai restringir mais. A Argentina, historicamente, exporta 20% da sua produção de gado. Hoje exportamos de 4% a 5% do total. Com esse anúncio, irá cair ainda mais."

Ambrosetti diz que às vezes os pedidos são aprovados mediante um acordo: o frigorífico vende uma parte ao mercado interno a preços baixos. Depois disso, os exportadores ainda pagam imposto sobre o que vai para fora.

O intuito das medidas é baixar o preço da carne dentro da Argentina. Mas, como um efeito secundário, faz com que o país perca mercado externo.

PERDAS

Um estudo da Universidade Católica publicado recentemente aponta que, em dez anos, o país deixou de ganhar US$ 10 bilhões com vendas ao mercado externor.

Fernando Gil, um dos economistas que escreveram a tese, afirma que esse dinheiro acabou indo para outros três países: Brasil, Uruguai e Paraguai.

Ele afirma que a Argentina deixou o posto de terceiro maior exportador de carne do mundo para se tornar o 12º, atrás de Belarus.

Segundo Gil, entre 2003 e 2013, cerca de 130 frigoríficos fecharam as portas no país. Ele afirma que em 2005 a Argentina exportou 770 mil toneladas de carne, enquanto no ano passado foram cerca de 200 mil.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

OMC DECIDE QUE ARGENTINA VIOLA REGRAS COMERCIAIS
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

Queixa foi aberta por EUA, UE e Japão por causa de autorizações exigidas por Buenos Aires a importadores

País ainda poderá recorrer do veredicto, que permite retaliações por parte dos governos que se queixaram

A OMC (Organização Mundial do Comércio) decidiu nesta sexta (22) que a Argentina viola regras de comércio internacional ao restringir importações. A ação no órgão multilateral teve início em 2012 a pedido dos EUA, da União Europeia e do Japão.

Para comprar produtos de outros países na Argentina é preciso pedir uma autorização prévia à secretaria de comércio chamada DJAI (declaração jurada antecipada de importação). Essa regra foi considerada uma "restrição à importação de mercadorias e, portanto, incompatível com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio" que rege o intercâmbio internacionais.

Ainda cabe recurso da decisão da OMC.

Para o presidente da câmara dos importadores da Argentina, Miguel Ponce, a decisão da OMC não é uma surpresa. Ele afirma que já esperava a determinação.

Ponce diz que há arbitrariedades na decisão governamental de autorizar ou proibir a importação. "A grandes importadoras, que são poucas, não têm esse problema, mas a maioria [dos importadores] enfrenta travas até pela quantidade de pedidos: cerca de 8.000 por dia, volume que os funcionários não conseguem processar", diz.

A resolução da OMC não é uma sanção, mas ela habilita os países que entraram com a ação a tomar medidas de retaliação. Ponce calcula que isso representaria uma perda de cerca de US$ 6 bilhões em exportações.

Isso, no entanto, não aconteceria imediatamente --a Argentina deve apelar, o que obrigaria a OMC a repetir a decisão em cerca de três meses. O país, então, terá um ano para cumprir a recomendação. Só então podem ser aplicadas as retaliações.

As retaliações devem ocorrer no mesmo segmento de comércio que a Argentina restringiu. Se isso não for possível, estende-se a outros.

A câmara dos exportadores argentinos emitiu uma nota na qual afirma que "sem dúvida, essa situação afetará em curto prazo as negociações entre a União Europeia e o Mercosul", que envolvem o Brasil, e que o país deve recorrer da decisão.

O responsável pelo comércio exterior do governo dos EUA, Michael Froman, afirmou em comunicado emitido nesta sexta que a decisão da OMC se trata de "uma grande vitória para os trabalhadores, fazendeiros e fábricas americanos".

Froman disse ainda que "o protecionismo argentino custa bilhões de dólares aos EUA" assim como empregos de alta qualidade para a classe média do país.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 23/08/2014

CHOQUE DE GESTÃO E AUMENTO DE PRODUÇÃO DÃO FÔLEGO A HRT E OGPAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:35 PM

Protagonistas de perdas importantes e alvo de desconfianças do mercado financeiro, as petroleiras nacionais HRT e Óleo e Gás Participações (OGPar, antiga OGX) comemoram os resultados do primeiro semestre após um forte choque de gestão e mudanças de estratégias de atuação. No entanto, cortes de custos e crescimento da produção em relação a uma base fraca de comparação são os principais fatores que explicam o bom desempenho.

Levantamento feito pelo analista do setor de petróleo Walterde Vitto, da consultoria Tendências, com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que a produção das companhias do setor (sem considerar Petrobras) no País aumentou 73% no primeiro semestre de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao incluir a Petrobras, esse aumento é de apenas 6,9%.Entre os fatores que impulsionaram essa elevação está a maturação de investimentos feitos em anos anteriores e que começam a entrar em operação.

• Resultados

R$ 11,4 mi        
foi o Lucro da HRT no primeiro semestre; em 2013, em igual período, prejuízo havia sido de R$ 645 milhões

R$ 516 mi        
foi o lucro da OGPar, petroleira de Eike Batista, de janeiro a julho; empresa havia tido prejuízo de R$ 5,5 bilhões no mesmo período do ano passado

No caso da OGPar, a média diária de produção de barris equivalentes de petróleo cresceu 68% em j unho deste ano ante o mesmo mês de 2013, mostram os dados. A companhia começou a explorar o campo de Tubarão Martelo em dezembro de 2013 e retomou a produção de Tubarão Azul em fevereiro, ambos localizados na Bacia de Campos.

Situação semelhante acontece com a HRT, que repassou a operação do projeto Solimões e busca fazer o mesmo com ativos na Namíbia para se concentrar no seu único campo produtor, o de Polvo, na Bacia de Campos. A produção da companhia caiu 21% no semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a receita obteve ganhos em função de uma melhor negociação quanto ao preço do óleo produzido. Em teleconferência ao mercado, a empresa também destacou como responsáveis pela melhor situação financeira os avanços operacionais, com aumento de eficiência e redução de custos – a empresa cortou o quadro de funcionários em mais de 50%.

A HRT fechou o período com lucro de RS 11,4 milhões, ante prejuízo de R$ 645 milhões nos primeiros seis meses de 2013. Já a petroleira de Eike Batista registrou, no primeiro semestre, lucro de R$ 516 milhões, enquanto no mesmo período de 2013 a empresa teve um prejuízo de RS 5,5 bilhões.

Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora, acredita que as duas empresas entraram numa curva de aprendizado. “Parece que encontraram um ponto de equilíbrio. As empresas agora tendem a ter uma geração de caixa mais robusta para fazer mais investimentos e acelerara produção”.

A petroleira de Eike Batista conseguiu dar andamento a sua recuperação judicial, com a aprovação do plano pelos acionistas em 3 de junho. As recentes alterações na OGX permitiram a continuação dos negócios, mas também resultaram em planos menos ambiciosos, destacam analistas. “No caso da OGX, havia expectativa de que ela estivesse produzindo num patamar muito maior”, diz o analista da Tendências.

Desconfiança. Como consequência da redução das empresas, grande parte do mercado financeiro parou de acompanhar as operações de ambas as companhias. Na quarta-feira, por exemplo, a HRT anunciou a redução de participação do banco Morgan Stanley em sua composição acionária.

Apesar das melhoras reportadas no primeiro semestre, o tempo para a comemoração promete ser curto. A gestão da

HRT, por exemplo, é desacreditada por acionistas minoritários, em função de mudanças na composição dos conselhos via ação judicial.

À frente de um grupo de minoritários, Renzo Bernardi tentou se eleger conselheiro fiscal para acompanhar de perto a gestão. Ele afirma ter perdido 70% de seu investimento com a empresa, mas acredita no potencial da companhia. “Para achar petróleo e desenvolver o campo, você precisa de dinheiro e ela não tem. É um bom veículo, mas com um mau motorista”, diz.
Fonte : O Estado de São Paulo
Data : 23/08/2014

BAIXA INOVAÇÃO FREIA AVANÇO DO BRASIL.
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Estudo aponta que País é um dos menos competitivos em investimentos em P&D

O baixo investimento das empresas nacionais em inovação coloca o Brasil entre os menos competitivos dos países emergentes. Um estudo encomendado pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) mostra que os países produtores de atividades intensivas em conhecimento participam mais ativamente do comércio internacional.

Segundo o economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador desse estudo, para o Brasil se integrar às cadeias de conhecimento globais, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que hoje são de 1,2% do PIB, precisam chegar, no médio prazo, ao patamar da China, de 1,8%, e, no longo prazo, ao patamar dos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2,4%.

O estudo foca no setor privado - e não no Estado - o protagonismo da inovação brasileira. Desde 2005, o nível de investimentos das empresas brasileiras em P&D está estacionado em pouco mais de 0,5% do PIB, contra 1,8% nos Estados Unidos, 1,6% na zona do euro e 1,7% na China. "O setor privado investe muito pouco, é menos engajado. O ideal é que haja uma complementaridade entre Estado e empresas", disse Arbache.
A ABPI encomendou esse trabalho para ser debatido no 34º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual, que será realizado em São Paulo, entre amanhã e terça-feira. "Vamos colocar esse assunto em discussão e formalizaremos um documento oficial que deverá ser apresentado aos candidatos à Presidência", disse Elisabeth Kasznar Fekete, presidente da ABPI. Segundo ela, as empresas dos setores mais intensivos em conhecimento faturam e empregam mais, têm força de trabalho mais escolarizada e pagam melhores salários.

Para ganhar competitividade internacional, as empresas brasileiras não devem concorrer em custos, que no Brasil continuarão altos, destacou Arbache. O caminho é aumentar seus investimentos em ciência e tecnologia, inovações de produtos e de processos. "Atribuir o baixo investimento à agenda de custos não nos leva para a frente", afirmou.

Cadeia global. Com baixa produção em bens intensivos de conhecimento, o Brasil se beneficia pouco das rendas geradas pelas "cadeias globais de valor", aponta o estudo de Arbache. "A Embraer é um excelente exemplo de como o Brasil pode mostrar que é ambicioso", disse. No entanto, o caso Embraer é um dos poucos que podem ser citados como bom exemplo no quesito inovação.

"O Brasil parou de produzir aços especiais e ficou focado em produtos voltados para construção civil e chapas para o setor automobilístico. Mas não é apenas no setor siderúrgico que os investimentos em produtos inovadores são baixos. Há vários setores, entre eles o têxtil e o calçadista, por exemplo. Nós importamos projetos de engenharia."

O estudo aponta, ainda, que são as entidades públicas e multinacionais que respondem pelo grosso das patentes depositadas no Brasil. Mesmo assim, vêm declinando: de 3.400 patentes depositadas em 2003, houve queda para menos da metade em 2012.
Fonte : O Estado de São Paulo
Data : 23/08/2014

30 MILHÕES DE EUROS PARA ENERGIA EÓLICA
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

A Andrade Gutierrez e a francesa Alstom criaram uma joint venture para atuar no mercado de produção de torres de aço para aerogeradores, equipamento utilizado em parques eólicos. As duas companhias investirão aproximadamente 30 milhões de euros na construção de uma fábrica no município de Jacobina, na Bahia, que terá 51% de participação da Andrade Gutierrez e 49% da Alstom. A joint venture receberá o nome de Torres Eólicas do Nordeste (TEN).

A unidade terá capacidade para produzir anualmente 200 torres metálicas e deverá ser inaugurada no segundo semestre deste ano. A previsão das companhias é de que sejam gerados 250 empregos diretos e 600 indiretos.

A escolha do local foi determinada pela proximidade com o mercado consumidor, já que o transporte de equipamentos dessa natureza é um dos fatores de competitividade ao projeto. "É muito importante para os clientes locais contarem com fornecedores próximos de seus parques eólicos. Isso reduz os custos logísticos, tempo de entrega e aumenta a garantia de segurança no transporte deste grande equipamento. Isso traz ainda mais eficiência aos processos", destacou em nota o presidente da Alstom Brasil, Marcos Costa. As companhias lembram que 80% dos parques eólicos nacionais ficam localizados na região Nordeste.

Esta será a terceira unidade eólica da Alstom na América Latina. A primeira foi inaugurada em 2011, em Camaçari (BA), para a fabricação de naceles, e a segunda em 2013, em Canoas (RS), para a fabricação de torres a serem utilizadas no sul do Brasil e em países vizinhos como Argentina, Chile e Uruguai.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

OMC DECIDE CONTRA PAÍS EM NORMAS DE IMPORTAÇÕES
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Três árbitros independentes avaliam as regras argentinas de licenciamento violaram os acordos mundiais de comércio
  
Um painel de resolução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu contra a Argentina nesta sexta-feira em um caso aberto por Estados Unidos, União Europeia e Japão, em 2012, reclamando da regra de licenciamento do país sul-americano usada ??para restringir as importações.

As três potências econômicas argumentaram que a Argentina não concedia automaticamente as licenças para importadores como exigido pelas regras da OMC, permitindo-lhe proteger a sua frágil economia.

O painel de três árbitros independentes decidiu que as regras de licenciamento da Argentina violaram os acordos da OMC, e pediu ao governo da presidente Cristina Fernández Kirchner para alterar as normas para que fiquem alinhadas com as regras internacionais de comércio.

A Argentina tem um período de 60 dias durante o qual poderá apresentar recurso à decisão do painel da OMC.

O escritório de representação comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) disse em comunicado que a decisão foi "uma grande vitória para os trabalhadores norte-americanos, fabricantes e agricultores".

"As medidas protecionistas da Argentina impactam um segmento amplo de exportações dos Estados Unidos, afetando potencialmente bilhões de dólares em exportações norte-americanas ao ano que dão importante suporte aos empregos da classe média norte-americana", disse o USTR.

Uma autoridade do comércio dos EUA, que falou a jornalistas sob condição de anonimato, também disse que o caso da OMC foi concebido para enviar um sinal para outros países com tais restrições às importações, mostrando que claramente violam as regras da OMC.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

PETROBRAS LIDERA RANKING DE EMBARQUES EM JULHO
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

A Petrobras mais que dobrou as suas exportações no mês de julho, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados nesta sexta-feira, 22.

No último mês, as vendas externas da petrolífera somaram US$ 1,934 bilhão, alta de 109,3% na comparação com julho do ano passado, explicada, principalmente, pelo crescimento da produção da estatal. Em julho, a média da produção de óleo e LGN da Petrobras foi de 2,49 milhões de barris por dia, 2% superior à do mês de junho.

Com a alta, a Petrobras ficou à frente da Vale, que em julho exportou US$ 1,577 bilhão, montante que representa queda de 29,4% ante as vendas realizadas no mesmo mês de 2013.

Já no acumulado dos sete primeiros meses do ano, a Vale segue como maior exportadora do Brasil, com uma receita de US$ 12,833 bilhões. O valor, no entanto, é 10,8% inferior à receita da companhia com vendas externas em igual período do ano passado.

Na mesma base de comparação, as exportações da Petrobras, segunda colocada, acumulam crescimento de 16,5%, para US$ 7,945 bilhões.

Empresas alimentícias e tradings ocuparam da terceira à oitava posição do ranking divulgado pelo MDIC no acumulado do ano.

A Bunge segue em terceiro lugar, apesar da redução de 3,9% das exportações, para US$ 4,325 bilhões. Na quarta colocação, a Cargill exportou US$ 3,266 bilhões de janeiro a julho, alta de 7,8% na comparação com 2013.

As exportações da JBS, quinta colocada, acumulam um crescimento de 41,3%, somando US$ 2,651 bilhões. ADM do Brasil e Louis Dreyfus Commodities Brasil mantiveram a sexta e sétima colocação, respectivamente.

As vendas externas da ADM totalizam USS$ 2,472 bilhões, diminuição de 0,9%, enquanto a Louis Dreyfus exportou US$ 2,448 bilhões, queda de 18,7%. Em oitavo, a BRF faturou US$ 2,437 bilhões com vendas externas ao longo dos sete primeiros meses do ano, valor 19,5% menor na comparação com o mesmo período do ano passado.

O ranking das dez maiores empresas exportadoras conta ainda com Embraer, com exportações de US$ 1,967 bilhão (-1,73%) e Samarco Mineração, com 1,843 bilhão (2,69%).
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

LOGÍSTICA PRECISA DE QUASE R$ 1 TRI EM INVESTIMENTOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:34 PM

Estudo da CNT lista 2.045 projetos prioritários em todos os modais, incluindo movimentação de cargas e passageiros, e chega a um valor quase quatro vezes superior ao estimado no PIL

Para finalmente destravar os gargalos de logística de transportes no país, seriam necessários investimentos de quase R$ 1 trilhão, aponta um estudo divulgado nesta sexta-feira, 22, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
O documento listou 2.045 projetos prioritários em todos os modais, incluindo a movimentação de cargas e passageiros, que somados chegam a R$ 987 bilhões.

Para se ter uma ideia, todo o Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo federal soma empreendimentos avaliados em R$ R$ 270,1 bilhões - em uma conta que inclui o sempre adiado Trem de Alta Velocidade (TAV) a um custo de R$ 35,6 bilhões.

De acordo com a CNT, as necessidades do Brasil são maiores para que o desenvolvimento do país seja alavancado por meio de empreendimentos que darão maior competitividade ao setor produtivo.

Além de projetos de integração nacional, o estudo elaborado pela entidade também inclui diversos empreendimentos urbanos voltados principalmente para o transporte público em 18 regiões metropolitanas do país.

"Uma significativa parcela da infraestrutura de transporte, em todas as modalidades, encontra-se obsoleta, inadequada ou ainda por construir. Algumas delas operam no limite ou mesmo acima da sua capacidade, enquanto outras carecem de manutenção", afirma o documento.

Dentre as obras listadas estão a construção e duplicação de rodovias, a expansão de hidrovias, a dragagem em portos, a implantação de ferrovias, a construção e ampliação de aeroportos, além da construção e de adequações de terminais de cargas, entre outros.

Além disso, o estudo elenca corredores de ônibus e trens de passageiros, monotrilhos, metrôs e terminais de passageiros.

A CNT alerta ainda que a retomada dos investimentos públicos em infraestrutura de transportes não tem sido suficiente para adequar a oferta dos serviços à demanda do país.

Por isso, a entidade considera importante que o setor privado aumente sua participação nesses projetos.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 25/08/2014

EMBARCAÇÃO HISTÓRICA NÃO CONSEGUE MAIS SAIR DO LUGAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:33 PM

O Benjamin Guimarães está parado até a volta da temporada de chuvas



Um dos últimos barcos movidos a vapor de lenha em atividade no mundo teve sua navegação suspensa até a volta da temporada de chuvas. Ele está atracado no centro de Pirapora por causa do risco de acidentes que os bancos de areia e pedras surgidos no rio São Francisco podem causar no casco da embarcação. De fabricação americana, construído em 1913 e usado no rio Mississípi, o Benjamin Guimarães chegou ao Brasil para o transporte regular de cargas e passageiros.


O Benjamin Guimarães está parado até a volta da temporada de chuvas

A paralisação forçada do barco, um importante atrativo turístico da cidade, trouxe impacto imediato à economia local. O número de passageiros embarcados caiu 42% na comparação com o ano passado. Entre janeiro e julho, a quantidade de visitantes ficou no patamar mais baixo pelo menos desde 2011.

"Hoje o movimento aqui é praticamente zero", lamenta o presidente da Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur), Anselmo Rocha. Ele aponta a fraqueza das águas do rio para lembrar que o "balneário das duchas", onde os turistas eram premiados com uma espécie de hidromassagem natural com a força da correnteza, também perdeu o encanto.

No mês passado, a Emutur já havia encurtado os passeios a bordo do Benjamin Guimarães por causa da baixa vazão do rio. O barco continuou saindo todos os domingos, com até 190 passageiros, mas a necessidade de desviar dos obstáculos reduziu o trajeto percorrido e fez sua duração cair para duas horas e quinze minutos. Normalmente, chegava a três horas. Sua última viagem foi em 27 de julho. Não há previsão de retorno e tudo depende das chuvas. "A segurança está obviamente em primeiro lugar", diz Rocha.

Outro reflexo negativo do esvaziamento de Três Marias é que, ao gerar menos energia, a usina acaba reduzindo o montante de compensações financeiras pagas aos municípios do entorno. Oito prefeituras recebem recursos da Cemig de acordo com as áreas alagadas pela hidrelétrica e com a quantidade de megawatts produzidos anualmente. Em 2013, elas engordaram seus caixas com R$ 8,6 milhões. Em 2014, o pagamento chegará a R$ 4 milhões, no máximo.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ESPAÇO PARA NOVAS ALTAS NO MERCADO DE BOVINOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:32 PM

Em meio à restrição de oferta, típica do período de entressafra, e ante a forte demanda externa, o preço do boi gordo deve seguir firme nos próximos meses, apontam analistas. A cotação já subiu mais de 5% no acumulado de agosto, e há espaço para novas valorizações.

No início deste mês, o preço do boi gordo estava em R$ 121,24 por arroba e atingiu R$ 128 na última sexta-feira. Em agosto, o preço médio está em R$ 124,82 por arroba, valorização de 2,1% ante a média de julho, conforme o indicador Cepea/Esalq.

Na avaliação do sócio da consultoria MB Agro José Carlos Hausknecht, a menor oferta de bovinos por conta da entressafra de pastagens no país, entre maio e novembro, é um fator "altista" para as cotações do boi gordo. "Não é um cenário de explosão de preços, mas tem espaço para subir", afirma ele.

Do lado da demanda, Hausknecht ressalta que as exportações brasileiras de carne bovina seguem aquecidas, no contexto da persistente restrição de oferta de gado em concorrentes como os EUA. Em contrapartida, a demanda é mais fraca no mercado interno, devido à desaceleração econômica do país.



Para o analista da Scot Consultoria, Hyberville Neto, os preços do boi gordo devem continuar sustentados nos próximos meses. Segundo ele, nem mesmo a maior disponibilidade de boi de confinamento deve reverter a tendência.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

SOJA TEM REAÇÃO MOMENTÂNEA EM MT
Publicado em 08/25/2014 as 03:32 PM

A escassez de soja no mercado disponível em Mato Grosso provocou aquela que pode ser a última janela de aumento de preços da oleaginosa antes do início da colheita americana, que ganhará ritmo dentro de um mês. Nas últimas três semanas, as cotações da commodity reagiram no Estado, puxadas pela demanda aquecida por parte das esmagadoras - e muitas delas já se viram obrigadas a rever os níveis de processamento ou programar uma antecipação na parada das máquinas.

Conforme Jerson Carvalho Pinto, da Diversa Corretora de Cereais, de Rondonópolis (MT), circulam informações de indústrias que já decidiram pela diminuição da moagem. "Temos notícias de que a ADM reduziu de 4 mil para 2 mil toneladas o volume esmagado por dia. Parece que a Bunge está cogitando o mesmo", afirma ele.
A necessidade de abastecimento das processadoras passou a dar suporte às cotações da soja mato-grossense. A saca que vinha rondando os R$ 60 no fim de julho, com negociações até a R$ 58, já bateu os R$ 63 em agosto, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Ainda assim, é uma situação momentânea, que deve perder força na medida em que o cenário de superoferta nos EUA e de um novo recorde no plantio do Brasil se confirme na temporada 2014/15. "Se fossem acompanhar [a bolsa de] Chicago, os preços da soja teriam de estar mais baixos, provavelmente na casa dos R$ 55. Tivemos uma oscilação que só se sustenta pela questão da demanda mesmo", conclui Carvalho Pinto. As cotações da oleaginosa em Chicago estão no menor patamar em quatro anos, a menos de US$ 10,50 por bushel.



Ainda de acordo com o corretor, apesar da carência de estoques, as esmagadoras fazem um movimento pontual e "da mão para a boca" em Mato Grosso. "O comprador vem, paga e sai do mercado. Não fica mantendo a cotação lá no alto, é conforme a necessidade".

Dados do Imea indicam também que quase 94% da safra 2013/14 local já foi negociada. Portanto, os 6% restantes (o equivalente a cerca de 1,5 milhão de toneladas) é que são alvo de disputa no mercado.

Em Nova Mutum (MT), região central do Estado, os preços oferecidos vinham entre R$ 57 e R$ 58 por saca, chegaram a recuar a R$ 56 há cerca de 60 dias e nas últimas semanas novamente subiram para perto dos R$ 60, conta Ramicés Luchesi, da MT Corretora de Grãos. Segundo ele, muitas esmagadoras devem optar pela redução do processamento diário, inclusive como forma de conter os custos.

"Normalmente, as indústrias param em dezembro, mas acredito que tenham de interromper as atividades já em novembro, diante da pouco oferta". Procuradas, as companhias ADM, Bunge e Cargill, que detêm plantas de esmagamento em Mato Grosso, não quiseram se manifestar. Já a Amaggi, que também opera no Estado, não teve como confirmar a informação imediatamente.

Os preços da soja no mercado futuro de Mato Grosso, por outro lado, só apontam para baixo. Conforme o Imea, atualmente, a diferença entre os preços locais no mercado disponível e no futuro é de R$ 13,83 por saca, valor R$ 8,61 por saca superior ao do mesmo período de 2013.

Luchesi conta que as vendas antecipadas da nova safra, a 2014/15, estão "completamente estagnadas" nas últimas semanas. Os últimos negócios foram fechados há quase 90 dias, antes do recuo mais forte das cotações em Chicago. "A saca para retirada em fevereiro está em US$ 17,80, ou R$ 41, aqui na região. Esse preço precisa reagir muito, porque os custos de produção aumentaram, estão assustadores aos olhos dos produtores", diz.

De sua parte, as esmagadoras têm manifestado interesse em fechar contratos para entrega futura, mas os agricultores ainda resistem. "Eles querem esperar uns US$ 20 ou US$ 20,50 por saca, mas acredito que se chegar a US$ 19 haja vendas pontuais". A safra 2014/15 começa a ser plantada em meados de setembro no país e a colheita deve ser iniciada entre o fim de dezembro e início de janeiro. Apenas 8% da produção prevista em Mato Grosso está comercializada, ante 31,2% um ano atrás, aponta o Imea.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

POR ETANOL, USINAS CANCELAM VENDA DE AÇÚCAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:31 PM

De olho na remuneração do etanol, cerca de 14% maior do que a do açúcar, as usinas do Centro-Sul do país estão se posicionando para maximizar a fabricação do biocombustível nesta safra 2014/15. Nos últimos dias, a indústria começou a cancelar contratos de venda de açúcar para direcionar mais cana para a produção de etanol. O mercado estima que essas operações envolvam um volume entre 500 mil e 600 mil toneladas de açúcar que deixarão de ser produzidas.



Esse tipo de cancelamento, conhecido como "washout", está previsto em contrato e é consensual entre usinas e tradings. Implicam, no entanto, pagamento pela usina de uma multa à trading. Basicamente, o que os dois lados fazem é "dividir" o resultado adicional com a conversão de mais cana para etanol, em vez de seu uso para produzir açúcar. Diversas tradings estão estimulando esse tipo de negociação, explica o sócio da consultoria FGAgro, Gustavo Torrano Correa. "Além de ganharem o prêmio da usina, evitam um problema, uma vez que há dificuldades em dar destino para todo o açúcar na velocidade em que ele vem sendo produzido", afirma.



A estimativa da consultoria, com sede em Ribeirão Preto (SP), é de que esses cancelamentos possam chegar a um volume de 500 mil toneladas de açúcar. Já nos cálculos da comercializadora de etanol Bioagência, esse volume será próximo de 600 mil toneladas. O diretor da comercializadora, Tarcilo Rodrigues, diz que esses cancelamentos o levaram a revisar para baixo a produção de açúcar prevista para o Centro-Sul a 31 milhões de toneladas, ante as 31,6 milhões da última estimativa. Já para a produção de etanol, ele prevê 23,8 bilhões de litros, ante 23,4 bilhões iniciais.

O etanol hidratado vem se mostrando mais remunerador do que o açúcar há muitos meses, de forma que, nesta safra, ou seja, desde abril, em nenhum momento o etanol deixou de estar à frente da commodity (ver gráfico acima). Segundo cálculos da FGAgro considerando o fechamento da última quinta-feira do contrato de agosto do etanol hidratado na BM&FBovespa, o biocombustível está remunerando 13,3% acima do açúcar bruto em Nova York (primeiro vencimento).

O cenário se repete para os contratos com vencimento em 2015. As telas de mercado futuro (também com fechamento na última quinta-feira) indicam que, em março de 2015, o etanol estará remunerando quase 20% acima do açúcar - 19,22 centavos de dólar por libra-peso, ante 17,51 centavos de dólar por libra-peso do açúcar.

O consultor de gerenciamento de risco da FCStone, Bruno Lima, acrescenta que algumas usinas têm "receio de não terem cana suficiente para produzirem o açúcar contratado", outro motivo para os cancelamentos.

Até o momento, porém, as usinas não têm conseguido produzir todo o etanol que gostariam. O clima seco acelerou a moagem e o teor de açúcar na cana está elevado, o que "enche" as duas fábricas (de açúcar e etanol), reduzindo a flexibilidade da indústria para mudar o mix.

As operações de "washout" deram impulso aos preços do açúcar em Nova York na quinta-feira. Já na sexta, o produto voltou a sofrer diante da migração da demanda da bolsa para o mercado físico no Brasil. Com a expiração do contrato de outubro, os compradores estão com receio de receber na bolsa o açúcar da Tailândia, que está com baixa qualidade, explica Lima, da FCStone.

"O país vai entregar na bolsa porque não consegue encontrar destino no mercado físico pela qualidade baixa do produto. Mas ninguém quer correr risco de receber esse açúcar", afirma o analista.

Segundo Bruno Lima, o temor dos compradores é com os gastos adicionais para refinar esse açúcar deteriorado e deixá-lo pronto para ofertá-lo ao mercado. O cálculo é de que o gasto para retirar e transportar o açúcar do Brasil (em torno de 100 pontos acima da cotação em Nova York) é igual ou até menor que o custo de refino do produto tailandês.

Essa preocupação levou muitos compradores, mesmo os próximos à Tailândia, a venderem suas posições na bolsa e buscarem o produto no mercado físico brasileiro, considerado de melhor qualidade. Com isso, houve pressão negativa nos futuros do demerara na bolsa. Os lotes para outubro caíram 2,19%, para 15,64 centavos de dólar por libra-peso.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ODEBRECHT VÊ RISCO NA CONTINUIDADE DOS INVESTIMENTOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:31 PM

A Odebrecht Tecnologia e Defesa (ODT) está preocupada com as consequências que a falta de continuidade de investimentos estratégicos no setor terá para o processo de conquista de autonomia tecnológica e o fortalecimento da base industrial de defesa do país. Em nota enviada ao Valor, a empresa alerta que "o contingenciamento de recursos para a área de defesa pode colocar em risco a continuidade dos investimentos e ocasionar a perda do conhecimento já adquirido nos projetos em execução".

Entre os projetos que enfrentam dificuldades por conta do atraso no repasse de recursos, a empresa destaca o Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) desenvolvido em parceria com a francesa DCNS. Até junho deste ano, segundo dados do Portal Transparência, o Prosub recebeu R$ 757 milhões para a execução de obras e instalações do projeto.

O desenvolvimento do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, feito em parceria com empresas brasileiras (Mectron, Avibras e Optoeletrônica) e sul-africanas e do Link BR-2, sistema de comunicações por enlace de dados (datalink) para a Força Aérea Brasileira (FAB) também têm problemas com o repasse de verbas, segundo a ODT.

"O projeto do míssil A-Darter já acumula um atraso de dois anos, mas o desenvolvimento dele está praticamente parado porque a África do Sul também enfrenta dificuldades orçamentárias", explica o diretor da Optoeletrônica, Marco Stefani. "Com a paralisação, todas as empresas brasileiras mandaram suas equipes de volta ao Brasil", disse.

A Optoeletrônica é responsável pelo fornecimento do sistema seeker (cabeça de busca infravermelha), que funciona como olho do míssil. "Não conseguimos receber e estamos impedidos de seguir adiante por conta desse problema", comentou.

Em projetos de defesa, que normalmente envolvem risco, os atrasos não são incomuns, explica Stefani. O problema, segundo o executivo, é que a legislação brasileira penaliza a consequência desse risco e a empresa nacional, que cumpriu a sua parte, fica impedida de receber pelo atraso e até pode ser multada.

"O arcabouço jurídico da Lei 8666 somado à inconstância orçamentária do governo é extremamente hostil ao processo de desenvolvimento de tecnologia estratégica no Brasil", afirmou.

O projeto A-Darter é financiado com recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O Brasil, segundo o gerente do projeto na FAB, coronel Júlio César Cardoso Tavares, investiu R$ 300 milhões no seu desenvolvimento, sendo que R$ 60 milhões pela Aeronáutica. O governo da África do Sul, representado pela empresa Denel, investiu perto de R$ 200 milhões.

"Estamos aguardando a realização do último ensaio de desenvolvimento, previsto para o final deste ano, para dar prosseguimento ao processo de industrialização do míssil", explicou. A certificação do míssil, de acordo com o gerente do projeto, deve acontecer até o final do próximo ano.

Para a Odebrecht Tecnologia e Defesa, a garantia do fluxo de investimentos é fundamental para a criação de uma indústria forte e para garantir a soberania nacional. "Postergar esses investimentos nos torna dependentes de conhecimentos e tecnologias de outros países, além de deixar a base industrial de defesa incapaz de competir globalmente", declarou a empresa, em nota.

A ODT também destacou que os orçamentos aprovados para as Forças Armadas são inferiores às necessidades de investimentos previstos, ainda que tenham se preparado para realizar as contratações dos projetos previstos na Estratégia Nacional de Defesa (END), aprovada em 2008.

"O contingenciamento e o consequente corte de verbas também põe em risco a capacidade das empresas do setor em cumprir com os contratos e manter suas equipes ao longo do tempo", declarou. A empresa não fez comentário sobre os valores em atraso que tem a receber do governo, alegando questões de sigilo contratual.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

CIDADE PERDE ESPAÇO COM O PRÉ-SAL
Publicado em 08/25/2014 as 03:30 PM



Ao longo de 40 anos de exploração offshore, Macaé se firmou como polo logístico da produção de petróleo no país. Apesar de suas limitações, ocupa posição privilegiada para se consolidar como base de apoio à exploração do pré-sal. "Macaé tem a infraestrutura básica pronta e grande parte da indústria está instalada na cidade, principalmente quando entrar em operação o novo terminal portuário", explica Marcus D'Elia, sócio-executivo do Instituto de Logística e Supply Chain.

No entanto, por sua localização, a cidade não seria a melhor escolha para atender a Bacia de Santos ou do Espírito Santo. "As distâncias começam a ficar muito grandes e, nesse caso, Macaé perde competitividade, mas é a melhor opção para o Norte Fluminense", diz D'Elia.

Isso abre espaço para outras cidades desempenharem esse papel nas demais regiões. Carlos Assis, sócio do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, por sua vez, observa que uma das vantagens de Macaé é contar com o cluster industrial. "Mas há boas possibilidades em outras regiões de São Paulo e do Espírito Santo", diz. "Além disso, uma única base logística para todo Pré-Sal é insuficiente."

Assis observa que a escolha dessas bases deveria obedecer um planejamento integrado de toda a cadeia produtiva. "Ou corremos o risco de fazer escolhas erradas", alerta.



Para D'Elia, o ideal seria ter três polos logísticos para a exploração do pré-sal, com uma boa integração intermodal entre eles, o que permitiria uma gestão mais racional de estoques da cadeia produtiva. Isso inclui rodovias, ferrovias e aeroportos. "A logística offshore é dinâmica e em casos de emergência, o frete aéreo, mesmo mais caro, pode compensar", justifica.

Para D'Elia, os favoritos ao posto de base logística do pré-sal da Bacia de Santos, no momento, são os portos do Rio e de Santos. O especialista vê porém limitação na agilidade dos portos públicos. "Enquanto a carga e descarga convencionais levam 40 horas nesses portos, as operações de offshore levam em média seis horas, e cada hora parada de exploração por causa de uma peça de reposição na plataforma custa uma fortuna", diz.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

URUGUAI VIRA POLO DE SERVIÇOS PARA A REGIÃO
Publicado em 08/25/2014 as 03:29 PM

Materiais de distintas partes do mundo formam o imponente edifício em forma de cone invertido, que se distingue em meio a uma antiga área rural de Montevidéu. Os 1,5 mil tipos diferentes de vidro são da China, com acabamento brasileiro. Da Argentina saiu a estrutura metálica, feita com matéria-prima do Chile, e o piso que dá acesso a um jardim vertical interno é da Polônia.

A diversidade da origem dos materiais que compõem o Celebra, o edifício erguido em homenagem aos 20 anos que a primeira zona franca privada do Uruguai completou em 2010, simboliza o que seu fundador, Orlando Dovat, idealiza como modelo de negócios para o país.

O Uruguai tem 177 mil km2 de extensão - menor que o Paraná - e 3,5 milhões de habitantes, metade da população da cidade do Rio de Janeiro. Por isso, sustenta Dovat, precisa abrir-se para o mundo para movimentar sua economia.
Por meio das zonas francas, o país ganhou competitividade em relação aos dois vizinhos de fronteira. Não apenas as vantagens fiscais desse modelo levam multinacionais da Europa, Estados Unidos e Ásia a fazer do Uruguai seus pontos de escoamento para os demais países da região.



Essas empresas também encontraram em Montevidéu uma alternativa às rígidas restrições à importação na Argentina e aos gargalos portuários no Brasil, mesmo sendo o mercado brasileiro o principal cliente para a maioria.

Somente a Zonamerica é responsável por 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) uruguaio, que somou US$ 56 bilhões em 2013. O país tem 12 zonas francas, da quais 10 são privadas. Ao todo, os negócios movimentados por esse modelo respondem por 4% do PIB, segundo Alejandro Ferrari, que comanda a Uruguai XXI, uma agência de fomento.



A empresa sueca CPS Color, fabricante de máquinas para mistura de tintas, costumava usar o porto de Santos (SP) como porta de entrada para a América Latina. O Brasil representa 55% dos US$ 15 milhões que a empresa fatura anualmente na região.

Mas a demora no desembaraço do produto chegou a provocar a perda de clientes, segundo o diretor, Reubens da Cunha. As máquinas, que vêm da Itália e Índia e custam entre US$ 5 mil e US$ 50 mil, são usadas nas lojas que vendem tintas. O tempo de espera no porto paulista era de no mínimo 20 dias, segundo ele. "Agora em Montevidéu esperamos 10 dias no máximo", destaca. Com a concentração da operação na zona franca uruguaia os custos caíram 5%. Mas, para ele, não correr o risco de perder clientes é muito mais valioso do que qualquer incentivo fiscal.

Na Zonamerica só há empresas de serviços. O forte das atividades concentram-se nas áreas de logística, call centers, tecnologia da informação e serviços financeiros. Não existe ali nenhuma operação industrial desde a criação do Mercosul, que excluiu o sistema de zonas francas dos benefícios de integração do bloco.

A única atividade industrial que se beneficia dos incentivos fiscais das zonas francas uruguaias é UPM, fabricante finlandesa de celulose e motivo de conflito diplomático entre Argentina e Uruguai por questões ambientais. O foco da companhia são as exportações para regiões fora do Mercosul.

Graças ao modelo de incentivos, as exportações de serviços do Uruguai dobraram nos últimos oito anos e representam mais de 32% do comércio exterior do país. "Um país pequeno tem que trabalhar para o mundo, como se faz em Hong Kong", diz Dovat.

A Zonoamerica ocupa uma antiga escola agrícola, fundada por padres incumbidos de desvendar os mistérios da produção de lã a partir das ovelhas que chegaram ao país com imigrantes ingleses. Daquele tempo restaram a igreja de pedras e os prédios da escola, que foram restaurados e servem hoje às empresas para treinamento e aulas, inclusive de português.

Nenhuma das 350 empresas da Zonamerica, onde trabalham 9,5 mil pessoas, é brasileira. Motivo de frustração para os dirigentes do empreendimento, que frequentemente enviam representantes ao Brasil na tentativa de atrair novos investidores.

O espaço em nada lembra os galpões cinzentos típicos de uma tradicional zona franca. A área foi dividida em duas partes - uma para logística e outra para escritórios. A logística puxou os negócios. Mas Dovat logo percebeu que precisaria de ambientes mais sofisticados se quisesse atrair outros tipos de serviços. "Meus clientes não queriam que seus executivos entrassem pelo mesmo portão por onde passava a fumaça dos caminhões", diz.

Dovat teve forte influência quando o governo mudou a legislação que até 1990 fixava o Estado como único administrador de zonas francas. Os 300 mil metros de área - dos quais metade está construída - são concessão do governo até 2040, com possibilidade de renovação. E ninguém duvida que os próximos governantes terão interesse em manter o modelo.

A Zonoamerica constrói cada prédio e escritório com base no gosto do cliente. O aluguel das instalações e fornecimento de serviços, como banda larga e fibra ótica, além de segurança e jardinagem, são a fonte dos US$ 45 milhões que o negócio faturou em 2013.

Nas andanças pelo mundo para atrair investidores, os dirigentes dessa zona franca carregam uma longa lista de vantagens oferecidas não só pelo empreendimento como pelo país. O Uruguai ocupa posições altas no ranking do continente em quesitos como qualidade de vida, segurança, democracia, segurança jurídica e mão de obra bilíngue. E baixas posições em problemas como corrupção.

Outro atrativo é a liberdade cambial. No Uruguai um empregador pode pagar ao funcionário em euros ou abrir uma conta bancária em dólares. E também retirar dinheiro em moeda estrangeira em caixas automáticos. "Esse é um diferencial importante", afirma Jaime Miller, CEO da Zonamerica.

Algumas empresas faturam pedidos em moeda estrangeira. Os pacotes que a RCI, especializada em turismo e hotelaria, vende no Brasil são pagos em reais.

O Uruguai é reconhecidamente respeitado pela qualidade da sua carne. E recentemente aumentou o volume de divisas graças ao incremento do plantio da soja. Mas é a área de serviços que sustenta quase a metade do PIB do país.

A ausência de concreto é a principal característica do Celebra, o edifício da diversidade de origem de materiais transformado em símbolo da maior zona franca do Uruguai. A visibilidade é total em qualquer ponto do prédio. Como diz o arquiteto Carlos Steneri, autor do projeto, a vinculação com o mundo exterior é um dos pontos altos do edifício. Certamente é também esse o foco que o país decidiu perseguir.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ABC BUSCA DIVERSIFICAR PARQUE INDUSTRIAL
Publicado em 08/25/2014 as 03:27 PM

Com mão de obra qualificada e sindicatos que preferem o diálogo ao conflito, o ABC paulista tenta voltar a chamar atenção da indústria e reocupar galpões vazios. De um lado, negocia investimentos com as metalúrgicas que fizeram dela o maior parque industrial do país - e tem conseguido atrair algumas empresas, mesmo em meio à crise recente do setor. Em outra frente, busca diversificar a economia da região - ainda bastante concentrada no segmento automotivo -, com foco no polo químico e também no polo aeroespacial, que começa a ser implantado no ano que vem.

Na década de 80, antes da disseminação da indústria pelo país, os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul chegaram a empregar juntos mais de 250 mil pessoas no setor. No início da década passada, esse número havia caído quase pela metade. Voltou a subir levemente até 2008 e agora oscila entre 150 mil e 160 mil trabalhadores.



Este ano está sendo particularmente difícil. De acordo com o sindicato dos metalúrgicos do ABC, 2,3 mil foram demitidos até junho e outros 1,3 mil estão em "layoff" (suspensão temporária do contrato). O presidente da entidade, Rafael Marques, atribui os números negativos às dificuldades enfrentadas pela indústria, especialmente a automotiva. Por isso, diz acreditar em retomada do nível da ocupação da região nos próximos anos.

Mitsuru Shimizu, dono de metalúrgica que trocou São Paulo pelo ABC: ideia foi de trabalhador da fábrica da Mercedes

Um dos motivos da confiança é a expectativa de criação de um polo aeroespacial na região, que deve nascer no próximo ano a partir do investimento de R$ 150 milhões que a sueca Saab fará para construir em São Bernardo a unidade que fabricará os 36 caças Gripen comprados pelo governo. O desenvolvimento do setor pode adicionar entre 3 mil e 4 mil empregos ao estoque, calcula Marques.

Para ele, a postura de seus antecessores no sindicato - Luiz Marinho (PT), atual prefeito de São Bernardo, e Sérgio Nobre, hoje secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) -, mais aberta à negociação, tem sido importante para atrair novos investimentos. Representante dessa fase mais conciliadora, Marques preside também a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

A intervenção do sindicato foi fundamental, por exemplo, para que a metalúrgica MShimizu trocasse São Paulo por São Bernardo. A ideia de deixar Santo Amaro, na zona sul da capital, para ocupar parte dos 46 mil m2 que já foram da Magneti Marelli - fabricante de autopeças que saiu do ABC em 2011 - foi do presidente da comissão de fábrica da Mercedes-Benz, conta Mitsuru Shimizu, há mais de 20 anos à frente da metalúrgica que leva o seu nome.

A primeira conversa aconteceu durante uma negociação de dissídio, já que a MShimizu trabalha para a Mercedes, entre outras montadoras. O metalúrgico Sebastião Ismael de Souza sabia que a empresa queria ir além da prestação de serviços para lançar sua primeira máquina e que, por isso, precisava de espaço para crescer.

Souza intermediou o encontro com o sindicato dos metalúrgicos e posteriormente com o prefeito de São Bernardo, que conseguiram vencer o lobby feito pelo município de Mogi das Cruzes, pelo polo de Sorocaba e pelo Sul de Minas. "Eles tiraram a imagem de radicalismo que eu tinha do sindicato do ABC", afirma Shimizu.

A possibilidade de convênio com centros de ensino como a Universidade Federal do ABC e a Fundação Educacional Inaciana (FEI) fez diferença na decisão do empresário. Depois de mais de 20 anos consertando máquinas de apertar parafusos nas principais montadoras, a MShimizu passou a desenvolver produtos próprios e está prestes a lançar a primeira máquina de torque feita com tecnologia nacional - que deverá custar quase 30% menos do que as similares importadas, estima Shimizu.

Nesse sentido, a mão de obra qualificada do ABC também se encaixou nos planos de longo prazo da empresa. Atualmente, metade dos 280 funcionários já mora em São Bernardo. "Temos 23 países interessados nessa máquina nova", diz Shimizu.

A indústria alemã Kuka, que fornece robôs usados nas linhas de montagem das montadoras, mudou-se em novembro de 2012 de Guarulhos para São Bernardo. Edouard Mekhalian, diretor da fábrica, diz que a escolha de Guarulhos estava ligada à proximidade com o aeroporto internacional e aos baixos custos de instalação na região. Mas o ABC, explica o executivo, tem na localização uma vantagem que pesou para a empresa - a proximidade do porto de Santos, por onde chega parte dos robôs, importados da Alemanha -, além de rodovias importantes, como Anchieta e Imigrantes.

A fabricante de balanças Toledo chegou um pouco antes, no começo de 2007. Antes disso passou quase 50 anos dividida entre os bairros de Santo Amaro e do Ipiranga, em São Paulo. "As unidades estavam a 20 km uma da outra e estava ficando cada vez mais difícil transitar entre as duas", afirma Paulo Haegler, diretor-presidente.

Apesar da queda de quase 15% no faturamento no primeiro semestre em relação ao apurado no mesmo período de 2013, Haegler diz que não há intenção de sair da região. A mão de obra qualificada, o fácil acesso a fornecedores, a localização, importante para a logística de distribuição dos produtos, e o sindicato negociador são aspectos que, para o empresário, ainda fazem valer a pena eventuais custos mais altos de produção.

Nos últimos sete anos, o número de funcionários da Toledo cresceu de 1,1 mil para 1,8 mil, quase metade só no ABC e o restante em filiais espalhadas pelo Brasil. No ano passado, a empresa gastou cerca de R$ 10 milhões em maquinário e R$ 15 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

Além das metalúrgicas e do setor de defesa, a indústria química também está no radar do sindicato e dos órgãos de fomento. O polo instalado na região já tem um peso importante, avalia Giovanni Rocco, secretário-executivo da agência de desenvolvimento, e pode voltar a crescer no médio prazo.

Estudo realizado pela Braskem, que tem fábricas em Santo André e Mauá, mostrou que, apesar de praticamente não ter atraído novas indústrias nos últimos dez anos, o polo químico do ABC fatura 13,7% do total arrecadado no país (R$ 49,5 bilhões por ano). A região concentra 63% do faturamento da indústria de tintas e vernizes, 45% da de transformação de borrachas e quase um quarto do faturamento do ramo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Entre 2002 e 2012 o número de empresas na região oscilou em torno de 1,3 mil.

Liderado pela própria Braskem, um grupo de trabalho, que inclui representantes do sistema S (Senai, Senac), de sindicatos e das universidades da região, tem estudado novas propostas para estimular o setor.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

VALE E MANABI
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

A mineradora Manabi fechou acordo com a Vale para construção de um trecho de estrada de ferro no Espirito Santo. A Vale é responsável pela operação da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que liga os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde o projeto do porto Norte Capixaba da Manabi está em desenvolvimento. O acordo prevê implementação do novo trecho ferroviário de aproximadamente 80 quilômetros, interligando a estrada de ferro à área do porto Norte Capixaba da Manabi na costa de Linhares, Espírito Santo, entre outros investimentos. Serão transportados até 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano até o porto da Manabi por um período de 20 anos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

VALE GANHA BENEFÍCIOS
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou que sejam incluídos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) investimentos da Vale na Estrada de Ferro Carajás (EFC) no âmbito do projeto S11D. O enquadramento do Programa de Capacitação de Logística Norte da EFC nesse regime tributário representará uma economia estimada em R$ 409,2 milhões, segundo resolução publicada pela agência reguladora no "Diário Oficial da União" na sexta-feira. O valor corresponde a tributos que deixarão de ser recolhidos sobre bens e serviços adquiridos em função deste investimento.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

ALL E RUMO NO CADE
Publicado em 08/25/2014 as 03:26 PM

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aceitou os pedidos de diversos interessados que querem ser ouvidos no processo que analisa os impactos concorrenciais da fusão entre a Rumo Logística, do grupo Cosan, e a ALL. A decisão de permitir o ingresso no processo de partes preocupadas com efeitos negativos da operação, antes que ela seja aprovada, foi publicada no "Diário Oficial da União" de sexta-feira pela Superintendência-Geral da autarquia. Entre as empresas e entidades que se mostraram preocupadas com a fusão entre Rumo e ALL estão a Fibria Celulose e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

MÉXICO, NOVO BRASIL DO PETRÓLEO?
Publicado em 08/25/2014 as 03:25 PM


Em 11 de agosto o presidente do México Enrique Peña Nieto, cumprindo uma das suas principais promessas de campanha, promulgou as leis regulamentares da sua histórica reforma energética. Este foi só o mais recente passo de um histórico debate que ainda tem uma longa jornada pela frente. Esta estratégica reforma no entanto, é tão corajosa quanto necessária caso o México pretenda resgatar a sua indústria de petróleo e reconquistar a sua posição no cenário energético mundial. Os efeitos, porém, não serão só nacionais, mas regionais, podendo trazer significantes consequências para o Brasil, positivas e negativas.



Para entender o impacto desta reforma energética, não só no México, mas também no Brasil, deve se antes conhecer a evolução histórica de ambos países petroleiros. O ano era 1982, e o México, através da sua paraestatal Pemex, atingia seu primeiro grande pico de produção com 2,8 milhões de barris por dia, tornando-se o 4º maior produtor de petróleo do mundo, atrás somente da ex-União Soviética, Estados Unidos e Arábia Saudita. Esta produção era proveniente principalmente do campo "super-gigante" de Cantarell, descoberto em 1976, e com reservas recuperáveis (2P) estimadas em 11,3 bilhões de barris de óleo - o equivalente a cerca de 84% das reservas dos campos de Lula e Libra somadas. Enquanto isso, ao sul, o Brasil produzia aproximadamente 260 mil barris por dia, sendo apenas o 25º maior produtor mundial, e pela primeira vez com sua produção offshore ultrapassando a onshore, em um momento em que sequer se pensava nas grandes produções do pré-sal.

Naqueles dias teria sido difícil imaginar que, 32 anos depois, o Brasil, por meio da Petrobras, lideraria de forma pioneira a exploração mundial em águas profundas, com uma produção nacional total de aproximadamente 2,2 milhões de barris/dia, e segundo o último prognóstico da IEA (Agência Internacional de Energia), com a expectativa de produzir 4,1 milhões de barris/dia em 2020 e 6 milhões em 2030.

Dessa forma, espera-se que o Brasil ingresse a lista dos 10 maiores produtores mundiais em 2015, e seja o 6º maior em 2035. Enquanto que México, após ter sofrido um "peak oil" em 2004, com 3,4 milhões de barris por dia - o ano em que Cantarell chegou ao seu pico de produção - estaria prestes a deixar a lista dos 10 maiores produtores mundiais, e recorrendo a uma radical reforma energética para salvar uma fragilizada, desesperada e pressionada Pemex.

Entender os acontecimentos desse período é essencial, tanto para o México poder implementar de forma bem-sucedida sua reforma energética, aprendendo com os passos que o Brasil realizou anos atrás, por exemplo com seu regime de exploração e produção, assim como para o Brasil evitar os erros cometidos pelo seu vizinho latino-americano, tais como uma alta dependência nos ingressos do petróleo, que hoje representam mais de um terço da receita do governo mexicano. De fato, nunca na história dos dois países as suas empresas petroleiras nacionais (NOCs) tiveram tanto que aprender uma com outra, e nunca foram tão concorrentes.

Deste cenário percebem-se duas interpretações.

A primeira, talvez a menos positiva para o Brasil, tem o México com a aprovação da reforma energética, materializando assim a decisão de quebrar o monopólio de 75 anos da Pemex. Uma quebra que poderá permitir a criação, logo após a rodada zero, de joint-ventures entre a Pemex e empresas internacionais, especialmente nas descobertas de águas ultra-profundas do Golfo do México e parte dos campos de Chicontepec. Inclusive, das atuais reservas 2P do México, Pemex pediu ao governo manter apenas 83% delas, deixando quase que um quinto das mesmas abertas à privatização em futuras rodadas licitatórias. Isto dará um vital respiro a uma Pemex que, só no primeiro trimestre de 2014, registrou as perdas mais altas dos últimos 20 anos (cerca de R$ 11,8 bilhões).

Tal entrada de empresas estrangeiras pode também reduzir a grande pressão por um aumento urgente de produção nacional de petróleo, cumprindo a promessa do governo de inverter oito anos de declínio na produção e atingir uma produção entre 3,5 e 4 milhões de barris em 2025. Esta pressão é um quanto incoerente, já que, depois da Região do Ártico, o México é considerado a segunda região com maior reserva de petróleo não explorada. Pior ainda quando se consideram os avanços offshore no Golfo do México em território estadunidense, e da "revolução do shale gas" dos EUA, ainda replicados com o mesmo sucesso do outro lado da fronteira.

Todos estes fatores podem também trazer consigo uma forte concorrência para o Brasil. De fato, tais mudanças podem roubar a atenção por parte de empresas estrangeiras, que possam tanto ter desistido da espera por novas rodadas licitatórias no Brasil quanto terem ficado frustradas com as limitações no pré-sal pelo novo regime de partilha.

Já uma segunda interpretação descreve uma situação favorável para o Brasil, que pode trazer grandes oportunidades para a Petrobras, permitindo que ela diversifique seu portfólio e fortaleça sua presença no Golfo do México, além de contribuir ou vender seu know-how e tecnologia para exploração em águas profundas e ultra-profundas. Ademais, qualquer concorrência por parte do México pode ser minimizada, considerando que, assim como ocorreu no Brasil, estas mudanças poderão demorar muitos anos para terem efeitos práticos devido à burocracia, interferência política e limitações ambientais mexicanas. Sobretudo quando se considera que historicamente o México é um país de alta inércia em termos de reforma, quebra de monopólios, e com sindicatos muitos fortes, sendo o dos trabalhadores da indústria do petróleo um deles.

Ainda é incerto afirmar qual será o resultado final deste novo rearranjo geopolítico do petróleo latino-americano, mas, uma coisa é certa: se os planos de ambos os países se materializarem, podemos ter um cenário tão competitivo quanto frutífero. Só o futuro nos dirá.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

PROCESSO DE EXTRAÇÃO PODE SER MUITO POLUENTE
Publicado em 08/25/2014 as 03:25 PM

As manifestações da comunidade científica contra os planos de exploração do gás de xisto no Brasil têm encontrado ressonância entre os habitantes das áreas visadas e também no Congresso Nacional. Em junho, a população de Toledo, no oeste paranaense, foi às ruas protestar. O Paraná é um dos 12 Estados que tiveram áreas leiloadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para mapeamento e extração. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para suspender a atividade por cinco anos, até que a tecnologia atenda os requisitos mínimos de proteção às pessoas e ao meio ambiente. O autor da proposta, deputado Sarney Filho (PV-MA), invoca o princípio da precaução, balizador das políticas ambientais, e lembra que a exploração de gás de xisto já foi proibida por ao menos dez países.



Para os especialistas, o fraturamento hidráulico (fracking) das rochas de folhelho - ou xisto, como é mais conhecido - ainda é um processo industrial pouco estudado, o que demanda cautela. Estudos indicam que o método de injetar água pressurizada com aditivos químicos no subsolo pode representar risco de contaminação dos aquíferos Serra Geral e Guarani, onde se concentram as maiores reservas de água doce de qualidade da América do Sul. Outros efeitos potencialmente danosos são abalos sísmicos, contaminação de mananciais, poluição atmosférica com gases do efeito estufa pelo ciclo da eletricidade, prejuízos à agricultura e riscos à saúde humana e animal.



Em novembro de 2013, a ANP arrecadou R$ 165 milhões com o leilão de 72 blocos para mapeamento e extração de gás de xisto em sete bacias sedimentares nos Estados de Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo.

A Petrobras arrematou 49 blocos, dos quais 22 em consórcios com empresas. As outras vencedoras foram Alvopetro, Bayar, Companhia Paranaense de Energia, Cowan, GDF Suez, Geopark, Nova Petróleo, Ouro Preto, Petra Energia, Trayectoria e Tucumann.

"Houve açodamento da ANP", afirma o geólogo Luiz Fernando Scheibe, doutor em Mineralogia e Petrologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele lembra que ainda não existem pesquisas suficientes para comprovar a possibilidade de aproveitamento econômico sustentável do gás de xisto. Scheibe estima que a viabilidade da exploração comercial com segurança só poderá ser comprovada em cinco a dez anos.

No processo de fraturamento hidráulico, são injetados em cada poço em torno de 20 milhões de litros de água com aditivos. Metade do líquido retorna à superfície, junto com hidrocarbonetos e outros compostos minerais. "Nos fluidos utilizados até agora nos Estados Unidos, as principais substâncias encontradas são álcoois - metanol principalmente -, destilados de petróleo e soda cáustica", diz a pesquisadora em saúde pública Bianca Dieile da Silva, da Fundação Oswaldo Cruz.

Ela relata que foram identificadas substâncias como formaldeído, compostos de arsênio, fenóis e derivados do benzeno, que têm toxicidade confirmada: "O metanol pode ser letal se ingerido, e há várias substâncias nestes fluidos que apresentam propriedades cancerígenas, mutagênicas e tóxicas". Para Bianca, é insensato comprometer tanta água em uma atividade econômica, especialmente no atual quadro de escassez e de incertezas climáticas: "E isso não é só para a região Sudeste; o Brasil como um todo precisa urgentemente de ações que garantam água de boa qualidade para a sua população e as gerações futuras", diz.

Em julho de 2013, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo a suspensão da licitação até que estudos mais aprofundados fossem realizados. "Não é cabível que sejam imediatamente licitadas áreas de exploração a empresas, excluindo desta forma a comunidade científica e os próprios órgãos reguladores do País da possibilidade de acesso e discussão de todas as informações que poderão ser obtidas por meio de estudos", diz um trecho.

Apesar dos argumentos, o alerta não modificou a posição do governo, que reconhece os riscos, mas os minimiza. "A ANP negociou com o Ministério Público Federal (MPF) a retirada do gás de xisto do leilão até que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) regulasse a atividade, mas na véspera, decidiu incluí-lo de qualquer forma", conta Scheibe.

Rompida a negociação, a polêmica foi para a esfera judicial. No Piauí e no Paraná, a Justiça Federal atendeu pedidos do MPF e expediu liminares que suspendem os resultados das licitações, para evitar situações que provoquem danos ambientais irreversíveis. Em Cascavel, onde tramita o caso paranaense, a ANP recorreu, alegando que a decisão provocaria prejuízos econômicos. A Agência informou também que já regulamentou a técnica do fraturamento hidráulico, condicionando-o a critérios de segurança ambiental, mas o recurso foi negado.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

GÁS DE XISTO ESTÁ CERCADO DE POLÊMICAS AMBIENTAIS
Publicado em 08/25/2014 as 03:24 PM

A exploração de gás não convencional mal começou no Brasil e já é cercada de polêmicas. O Brasil é detentor de uma das maiores reservas desse insumo no mundo, que só deverá chegar ao mercado na próxima década. Tramitam ações do Ministério Público Federal no Paraná e no Piauí que suspendem o início de prospecção nesses dois Estados em áreas concedidas na rodada de licitações realizada pelo governo federal em dezembro passado. No Congresso, discute-se o projeto de lei 6904/13, que suspende a exploração do gás de xisto pelo período de cinco anos.

O início da exploração de gás não convencional ainda coincide com a falta de água em algumas das maiores cidades do Brasil, o que pode tornar ainda mais sensível política e ambientalmente a questão. A exploração é feita a partir de hidrocarbonetos que estão presos em formações rochosas impermeáveis em áreas subterrâneas profundas. Por serem rochas muito duras, a produção é possível somente quando a rocha que contém esses gases é fraturada sob pressão hidráulica, em uma técnica chamada de fracionamento.



A decisão proferida pela Justiça Federal do Paraná mantém suspensa a exploração de recursos não convencionais com uso de fraturamento hidráulico, até que a técnica seja objeto de maiores estudos, seja regulamentada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e elaborada a Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares. "Essas liminares trazem incerteza jurídica ao processo, além de que não se sabe o que sairá na resolução do Conama", diz a advogada Luciana Ferreira, do escritório Trench, Rossi e Watanabe. A judicialização poderá se estender a outros Estados que também tiveram áreas concedidas ano passado. "Há pressão sobre o Ministério Público em Minas Gerais e Bahia."



A exploração teve grande sucesso nos Estados Unidos, mas é cercada de polêmicas. O Estado de Nova York, nos EUA, instituiu moratória sobre as atividades de produção desde 2008. França e Bulgária baniram a atividade em 2011 e 2012, respectivamente. A Holanda decidiu em 2013 adiar por 18 meses a decisão sobre a exploração. Na Argentina, a atividade foi banida na província de Cinco Saltos em 2013, segundo levantamento do escritório de advocacia.

"É um desafio gigantesco produzir gás não convencional com custo e eficiência, não é uma tarefa simples e estamos ainda em um estágio muito embrionário", afirma José de Sá, sócio da Bain & Co, que ressalta que as experiências de empresas em outros países não são facilmente replicáveis, já que as formações geológicas são muito diferentes. "A curva de aprendizado é longa e ainda há outras questões como disponibilidade de equipamentos e materiais, como água e areia", diz ele, que acredita em uma inserção lenta do insumo na matriz energética.

Para Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy, o gás não convencional poderá levar mais de dez anos de desenvolvimento no Brasil, que detém a décima maior reserva mundial do insumo, com 245 bilhões de pés cúbicos, segundo estudo do Departamento de Energia dos Estados Unidos. Se 10% das reservas se provassem viáveis comercialmente, a oferta de gás poderia dobrar no país. O caminho para explorá-las é longo. "Boa parte das reservas está em regiões sem infraestrutura de transporte e distante dos centros consumidores", diz Ieda. Estudos do governo mostram que algumas das áreas promissoras estão ao redor de áreas de preservação ambiental e de reservatórios de hidrelétricas, o que dificultam as licenças.

Leda ainda aponta dois outros obstáculos. Primeiro, as empresas independentes de exploração americanas estão voltadas para os Estados Unidos, detentores do maior mercado do mundo de gás não convencional. Segundo: o regime tributário brasileiro é complexo e as regras de conteúdo nacional dificultam a importação de equipamentos de perfuração hidráulica das rochas, equipamento indispensável para realizar os trabalhos.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Augusto Salomon, acredita que o gás não convencional não deverá ter presença considerável na matriz em pelo menos seis anos. "Ainda é preciso aprender com as experiências de outros países", afirma.

A exploração de gás não convencional provocou uma revolução nos Estados Unidos. Segundo estudo da Deloitte, o acesso aos hidrocarbonetos presos em formações rochosas fez a produção americana de petróleo pular de cinco milhões de barris por dia em 2008 para 7,4 milhões cinco anos depois, a maior expansão quinquenal da história daquela economia. Esse movimento coincidiu com uma queda da demanda de petróleo e seus derivados dos EUA, que caiu de 22 milhões de barris por dia em 2005 para 18,9 milhões em 2013. O déficit comercial relacionado ao setor de petróleo despencou de US$ 386 bilhões em 2008 para US$ 232 bilhões.

Além de melhorar as contas externas, a exploração de gás não convencional tem atraído indústrias para os Estados Unidos, de olho no preço do gás, que está chegando ao mercado a US$ 4 o milhão do BTU. No Brasil as indústrias pagam mais de três vezes esse valor. Isso poderá provocar uma mudança geopolítica de investimentos na cadeia química e petroquímica, que poderá fincar bandeiras cada vez mais sólidas nos Estados Unidos. "Os Estados Unidos estão atraindo investimentos, a China já começa a se interessar, esse cenário poderá trazer grandes impactos sobre o Brasil, que tem um gás pouco competitivo", diz o superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.

Há preocupação dos industriais brasileiros de que os Estados Unidos se tornem um grande exportador do gás oriundo de fontes não convencionais. Em maio, o presidente Barack Obama liberou investimento de US$ 10 bilhões de uma unidade no Texas projetada para exportar gás para a Ásia.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

NOVO PATAMAR
Publicado em 08/25/2014 as 03:23 PM

O pré-sal poderá posicionar o Brasil como um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, com um excedente que pode superar 1,5 milhão de barris por dia, em um momento em que a demanda pelo insumo não será mais liderada pelos EUA, mas pela Ásia.



Essa nova fronteira de exploração também vai mudar o ranking das áreas produtoras de óleo no país, reduzindo a participação da Bacia de Campos e do Rio de Janeiro. Além disso, deverá promover debates sobre o destino dessa produção e ampliar a presença da China no mercado de energia do Brasil.

Há 20 anos, mais de 85% da produção de petróleo no Brasil vinham de poços na Bacia de Campos. Em junho, eram 75%, enquanto a Bacia de Santos já respondia hoje por 15%. São Paulo responde por 8% da oferta de óleo e 14% do gás doméstico. Em relação à produção por operador, 90% do petróleo vêm de poços da Petrobras, enquanto Shell e Statoil respondem, respectivamente, por 3,9% e 3,3%, segundo dados de junho da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com a exploração gradual do pré-sal, a Bacia de Santos e o Estado de São Paulo devem aumentar sua presença na exploração e produção, enquanto operadoras como a Shell, a francesa Total e as estatais chinesas CNPC e CNOOC, que venceram com a Petrobras a licitação do megacampo de Libra no ano passado, devem reforçar sua presença em território brasileiro.


Segundo José de Sá, sócio da Bain & Co, os resultados da campanha exploratória serão acompanhados de perto pelas empresas em todo o mundo, para avaliar os custos e os prazos do projeto. Nos últimos anos, muitos têm sofrido com atrasos e alta de preços, o que tem prejudicado o balanço de algumas petroleiras.

Para a Petrobras, o desafio não é pequeno. A empresa prevê chegar ao início da próxima década com uma produção de quatro milhões de barris por dia, o dobro do que extrai hoje. Ou seja, a estatal, que levou 60 anos para chegar à marca de dois milhões de barris por dia, pretende dobrar esse patamar em apenas sete anos. O pré-sal, que responde por 22% do total da produção atual da empresa, responderá em 2018 por 52% do total. Serão 19 novas unidades de produção instaladas na Bacia de Santos até o fim daquele ano. Com esses projetos, a expectativa é de que a produção de petróleo exclusivamente nas áreas do pré-sal, em 2017, ultrapasse a barreira de um milhão de barris por dia. Entre 2014 e 2018, a estatal prevê investir US$ 220 bilhões, o maior programa de investimento de uma petroleira no mundo.

Em 13 de julho, a produção da camada pré-sal das bacias de Santos e Campos atingiu a marca de 546 mil barris diários, um novo recorde. A produtividade média por poço em operação comercial no polo da Bacia de Santos tem sido de 25 mil barris de petróleo por dia, maior que a registrada no Mar do Norte (15 mil barris de petróleo por poço/dia) e no Golfo do México (10 mil barris de petróleo por poço/dia). "Nossas reservas têm o diferencial de estar próximas ao maior mercado consumidor de energia do país, o que resulta em alta competitividade. Em quatro anos, com base em 2010, nossa produção no pré-sal cresceu dez vezes", diz a presidente da estatal, Maria Graça Foster.

Publicado recentemente, relatório da BP aponta que a participação do Brasil no mercado mundial irá crescer até 2035. O pré-sal se converterá em uma das principais províncias petrolíferas do planeta, o que fará o Brasil se tornar um exportador de energia e o maior produtor do setor na América do Sul. Mais da metade do crescimento da produção de petróleo do mundo até 2035 virá de fontes fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o aumento da produção de óleo de xisto dos EUA, areias petrolíferas canadenses e águas profundas do Brasil.

A revolução do gás de xisto nos EUA e a urbanização chinesa alteraram a dinâmica da demanda global do mercado de energia. Hoje o país asiático, que produz cerca de quatro milhões de barris por dia, importa outros seis milhões de barris diários e processa dez milhões de barris diários, é o principal comprador de petróleo no mundo. O apetite chinês deve continuar em alta ao longo das próximas duas décadas. A taxa de motorização na maior economia emergente é de 50 veículos por 1000 habitantes, um terço da apurada na Coreia do Sul. Outros fatores impulsionarão a demanda chinesa.

"A matriz energética chinesa é baseada em carvão, transportado por ferrovias, que usam muito diesel; o minério segue em navios, que consomem muito combustível, e o país ainda tem demanda grande de petroquímicos, por conta da construção civil e bens de consumo", diz Alexandre Szklo, professor de planejamento energético da Coppe da UFRJ. Simulações da instituição estimam que o excedente de exportação do Brasil pode ficar entre 1,5 milhão de barris por dia a dois milhões de barris por dia na próxima década, sendo a Ásia o principal mercado comprador.

Simulações realizadas pela instituição ainda apontam que o barril de petróleo do pré-sal tem de estar acima de US$ 80 para permitir a remuneração no parque refinador chinês. "Pode cair abaixo desse preço, mas não é o cenário mais provável, teria de haver uma ampla rearticulação do Iraque, que produzia cinco milhões de barris por dia na década de 1970 e hoje produz pouco menos de dois milhões", destaca.

A participação chinesa no setor de petróleo nacional vem crescendo, segundo estudo dos professores Edmar de Almeida e Helder Consoli, do Instituto de Energia da UFRJ. Em 2010, a China superou os EUA, tornando-se o maior comprador. Enquanto em 2003, o valor das exportações de petróleo do Brasil para a China eram 0,5% do total, em 2013 os embarques saltaram para 8,7%. Apesar disso, o Brasil representa apenas 2% do petróleo importado pelos chineses. Ou seja, ainda há muito espaço para crescer.
Fonte : Valor Econômico
Data : 25/08/2014

OSX QUER CONVENCER CREDORES A INJETAR DINHEIRO NA EMPRESA
Publicado em 08/25/2014 as 03:22 PM

Aporte, de ao menos R$ 150 milhões, está previsto em novo plano



A OSX, companhia do ramo naval de Eike Batista que está em recuperação judicial, quer convencer credores a injetar capital novo na empresa, a exemplo do que fez sua empresa-irmã, a petroleira OGPar (ex-OGX), igualmente em recuperação judicial. A proposta constará do novo plano de recuperação judicial que será apresentado à Justiça, provavelmente no próximo mês. Segundo fontes envolvidas no processo, a empresa calcula que precisará de no mínimo R$ 150 milhões para tornar operacional seu estaleiro, em São João da Barra (Norte Fluminense). O estaleiro é apontado como essencial para assegurar o fluxo de pagamento dos credores.

A OSX tem dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões e pediu recuperação judicial em novembro de 2013. O pedido abrange três empresas: a holding OSX Brasil, da qual Eike tem 63%, e as subsidiárias OSX Construção Naval (dona do estaleiro) e a OSX Serviços (que atua na operação e manutenção de plataformas).



Pelo novo plano, quem concordar em colocar dinheiro na empresa terá condições especiais, como receber o crédito em menos tempo. O prazo de 25 anos para pagamento da dívida aos que não estiverem dispostos a aportar recursos na OSX será mantido. O pagamento antecipado a pequenos credores, como previsto no plano anterior, também deve ficar inalterado.

Outra mudança prevista na nova versão do plano é a inclusão de uma cláusula que prevê a exploração eficiente da área onde fica o estaleiro. Esse terreno fica no Porto do Açu, em São João da Barra, que é de propriedade da Prumo, ex-LLX, empresa de logística que integrava o conglomerado de Eike. A Prumo, cujo controle foi vendido à americana EIG, aluga a área para a OSX. Como a receita que será obtida com a exploração do estaleiro é considerada vital para pagar os credores, a OSX quer se certificar de que os contratos comerciais a serem firmados com interessados em explorar a área terão uma racionalidade econômica. Procurada, a OSX não se manifestou.

A assembleia de credores da OSX estava marcada para 14 de agosto, mas foi suspensa pela Justiça a pedido da própria empresa. Com a proximidade da votação, credores insatisfeitos com os termos do plano protocolaram vários recursos na Justiça, deixando a companhia apreensiva quanto a possibilidade de o resultado final da assembleia ser questionado. Uma nova data ainda será marcada.

Na ocasião, a OSX deve apresentar um plano de recuperação judicial único para suas três empresas que estão em recuperação, reunindo todos os credores em um só plano. Alguns credores veem com ressalva essa unificação dos planos de recuperação, pois isso deverá diluir o peso relativo de cada credor na votação, facilitando a aprovação do plano.

Processo está suspenso

A proposta inicial era que as três empresas estivessem submetidas a um único plano, mas ele acabou se desdobrando em três após manifestação do Ministério Público nesse sentido.

Este mês, porém, a Caixa Econômica Federal, principal credor da OSX, com R$ 1,2 bilhão a receber, pediu à Justiça a unificação dos credores em um único plano, o que foi deferido pelo juiz Gilberto Clovis Farias Matos, da 3ª Vara Empresarial do Rio, que está à frente do processo de recuperação. Outro credor, o banco Votorantim (com crédito de cerca de R$ 588 milhões), questionou a decisão do juiz.

O desembargador Gilberto Guarino, da 14ª Câmara Cível, determinou semana passada que o processo fosse suspenso até que a câmara julgasse o mérito do recurso do Votorantim. Só após o julgamento, portanto, é que a OSX vai poder apresentar a nova versão do plano — em documento único ou em três documentos separados — e a assembleia poderá ser marcada.
Fonte : O Globo
Data : 25/08/2014

SECA AMEAÇA 40 MILHÕES DE PESSOAS QUE DEPENDEM DE SEIS BACIAS HIDROGRÁFICAS
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Levantamento da Agência Nacional de Águas revela que problema ameaça nove estados e o DF

A seca na Região Sudeste não esvazia apenas os reservatórios paulistas. Um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) a pedido do GLOBO mostra que seis das principais bacias hidrográficas brasileiras enfrentam problemas, ameaçando moradores de nove estados e do Distrito Federal. São cerca de 40 milhões de pessoas afetadas — o equivalente a 20% da população brasileira. Os principais rios atingidos têm, em comum, a dependência das chuvas que caem em Minas Gerais, estado que é uma espécie de divisor das águas que correm pelo Brasil. (Confira o infográfico: O quadro crítico das bacias hidrográficas brasileiras)

Os rios São Francisco, Grande, Doce, Paraíba do Sul, Paraná e Jequitinhonha enfrentam problemas em maior ou menor grau. Em geral, chove cerca de 1.400 milímetros na Região Sudeste durante o ano hidrológico, que termina em setembro. Até agora, choveu metade disso. Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), as chuvas que caíram no Brasil foram 20% menores do que a média. No Sul de Minas e no Oeste paulista, choveu 60% menos.

— A seca fez com que São Paulo ficasse em uma situação semelhante à do Nordeste — resume o professor Augusto José Pereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

Alckmin volta a culpar seca por crise d’água e diz que dependência da Cantareira foi reduzida
Se a seca transforma cenários em São Paulo, piora ainda mais a situação do Rio São Francisco, o principal do Nordeste. Com nascentes na Serra da Canastra, em Minas, o Velho Chico já não chega ao mar. A água salgada adentra 25 km de seu leito e, a 85 km de sua foz, entre Alagoas e Sergipe, já se pesca peixe do mar, algo comum apenas nas áreas mais próximas ao oceano.

— O rio está ficando fraco, e o mar, mais forte. Não sabemos até quando o rio vai aguentar — diz Maria Izaltina Silva Santos, líder da comunidade de Brejão dos Negros (SE), que vive da pesca e da cultura de arroz no Baixo São Francisco, último trecho do rio, após as barragens de hidrelétricas.

No Rio Grande, a vazão de água em julho foi de 33 metros cúbicos por segundo, a pior em 84 anos. No Paraíba do Sul, seu maior reservatório, o de Paraibuna, baixou a 12,23% de sua capacidade, levando à redução de 5 mil litros por segundo na vazão de água que chega à barragem de Santa Cecília, onde é feita a transposição para o Rio de Janeiro. O Rio Doce, que em dezembro transbordou e causou enchentes no Espírito Santo, baixou drasticamente nos últimos meses: em locais onde o nível de água ultrapassou nove metros, hoje ela não passa de dois metros. O Rio Paraná, por sua vez, baixou a ponto de interromper o transporte por hidrovia.

Mas são as águas do Velho Chico que refletem conflitos comuns a vários setores no Brasil: uma mistura de política, grandes negócios e uma população ainda impotente diante de seu futuro.

No Brejão dos Negros, a água salobra é realidade, mas até a altura de Penedo (AL), a 40 km da foz, a cunha salina se faz presente. No assentamento Borda da Mata, 85 km rio adentro, já há siris. Os peixes de rio estão menores e mais raros. Boa parte desapareceu. Não há mais surubim, piaba ou mandim. Em trechos do rio onde a profundidade chegava a 15 metros, agora é possível cruzar a pé.

Em 2006, um estudo da Universidade Federal de Alagoas detectou intrusão salina numa distância de 6 km da foz do São Francisco. Na época, a vazão média no Baixo São Francisco era de 2.041 metros cúbicos por segundo, quase o dobro da atual. Este ano, com a seca, a vazão na barragem de Sobradinho foi reduzida, para 1.100 metros cúbicos por segundo, 15% menor do que a mínima estabelecida pelo Ibama, de 1.300 metros cúbicos por segundo.

No projeto Jaíba, no norte de Minas Gerais, o maior projeto de irrigação do país, o clima é de intranquilidade.

— Quando a vazão foi reduzida no reservatório de Três Marias, a orientação foi não aumentar os plantios. A vazão do rio aqui está em 190 metros cúbicos por segundo, menos da metade do normal. Nunca aconteceu isso nesta área. É diferente e assustador — diz Marcos Medrado, gerente da etapa 1 do projeto Jaíba, que reúne cerca de 1.800 pequenos agricultores, responsáveis por cerca da metade da produção de sementes de hortifrútis do país.

— Temos uma seca de gestão. Há aumento desordenado de demandas hídricas, uma festa de outorgas. Temos uso excessivo, desperdício e até contaminação por agrotóxico. Falta cuidado da União e dos estados nas ações de recuperação hidroambiental — diz Luiz Alberto Rodrigues Dourado, do Comitê da Bacia do Rio São Francisco.

O GLOBO procurou o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) para discutir os problemas causados pela seca e a gestão de recursos hídricos no país, mas eles não concederam entrevistas.

Em Brejo Grande (SE), o agricultor e pescador Gilvan Rosa dos Santos perdeu a plantação de arros com a salinização do Rio São Francisco - Michel Filho / Agência O Globo
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

EM PERNAMBUCO, BR 101 ‘NÃO SUPORTA MAIS O GRANDE MOVIMENTO’
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Rodovia, no entanto, é rota para Suape e polo automotivo, que ainda será instalado

Somando estradas estaduais e federais, Pernambuco possui 7,6 mil km de malha rodoviária, mas 35% são considerados “ruins e péssimos”, de acordo com a Confederação Nacional dos Transportes. Como se buracos, falta de acostamento, sinalização deficiente e risco de acidentes com pedestres na pista não bastassem, há rodovias como a BR 101, que acusam sinais de estrangulamento.



Apesar de duplicada, a BR 101 não mostra fôlego para suportar o tráfego provocado pelo crescimento do complexo industrial portuário de Suape, em Ipojuca. No complexo, há cem empresas e 35 outras de grande porte em implantação. E, no lado norte de Pernambuco, já no limite com a Paraíba, fica o município de Goiana, onde vem sendo construído o 1º polo automotivo do estado. A previsão é que a montadora movimente por dia 600 caminhões truck, 85 cegonhas, 40 carretas, 180 ônibus (em três turnos de viagem) e 800 veículos leves.

BR-101, em Pernambuco, se transformou em via urbana congestionada e cheia de buracos

http://og.infg.com.br/in/13711027-b4a-33e/FT1086A/420/2014-742473100-2014081597651.jpg_20140815.jpg

Em comum, Suape e o polo têm a BR 101 como única alternativa de escoamento. De acordo com o Dnit, o movimento já é de 40 mil veículos por dia, só no contorno metropolitano.

— A BR 101 está tão ruim, tão congestionada, que a velocidade fica entre dez e 20 km/h. Tem trecho que é até pior, não dá mais de cinco, como o pedaço Jaboatão dos Guararapes e Abreu e Lima. Já teve dia de esgotar a paciência, com cinco km/h — diz o caminhoneiro Derli Grilo, de 63 anos, há 40 nas estradas do país.

— A 101 funcionou realmente como uma BR até os anos 1970. Mas se transformou em uma via urbana, e não suporta mais o grande movimento — reconhece José Cavalcanti Carlos Júnior, secretário executivo de transporte em Pernambuco.

Questionado, o Dnit respondeu que “ao longo do tempo, a BR 101 adquiriu característica de avenida de intenso tráfego”. Em nota, atribuiu o desgaste ao “excesso de peso dos veículos” e à idade da rodovia, que tem 35 anos, e esgotou “suas estruturas pavimentadas”. Ainda de acordo com o Dnit, a invasão das faixas de domínio ocasionou problemas na drenagem, que prejudicam a durabilidade do asfalto.

Os problemas não são só esses. Segundo a PRF, a incidência de acidentes entre os kms 50 e 80 é grande; esse é o trecho que corta a Região Metropolitana. Em 2013, foram 1.838 acidentes no trecho urbano, com 26 mortos.

— Muito ruim também é no trecho que fica entre Xexéu e Palmares, que não foi duplicado. Se for comparar a BR 101 naquela região com as estradas no meio das roças, as segundas são melhores — diz Grilo.
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

NO BRASIL, 80% DAS ESTRADAS NÃO CONTAM COM PAVIMENTAÇÃO
Publicado em 08/25/2014 as 03:21 PM

Ministério do Transporte prevê investir R$ 11 milhões este ano

Pelos quase 1,7 milhão de quilômetros de estradas que cortam o Brasil escoa 58% do volume nacional de cargas. No entanto, 80,3% — mais de 1,3 milhão de km — não são pavimentadas. Ao todo, o país tem 12,1% de rodovias pavimentadas; os outros 7,6% são vias planejadas, isto é, ainda não saíram do papel.

Dividida por esfera de jurisdição, a malha rodoviária sob responsabilidade dos municípios é a que menos tem estradas pavimentadas, apenas 2%. Nas que estão na esfera estadual, a pavimentação não passa de 43,5%. As federais, por sua vez, têm 54,2% das vias asfaltadas. Os dados, de junho deste ano, são do Sistema Nacional de Viação, do Ministério dos Transportes, e incluem a rede rodoviária administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), concessões, convênios e MP-082.

A falta de pavimentação é apenas um dos problemas da infraestrutura logística brasileira. Em 2013, 300 profissionais das 250 empresas que mais faturaram no setor participaram de uma pesquisa do Instituto Ilos, e 99% disseram acreditar que a infraestrutura logística causa perda de competitividade para o país. Ao todo, 97% apontaram que estradas malconservadas são o principal problema. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), também de 2013, foi além: viu que o acréscimo médio do custo operacional devido às condições do pavimento das rodovias brasileiras é de 25%.

— Sob responsabilidade do Dnit, 10% não são pavimentadas, mas a geração de riqueza não se dá só na esfera das estradas federais — diz o diretor geral do Dnit, Jorge Fraxe: — Por lei, a não ser que mude o marco legal, não podemos fazer absolutamente nada fora das BRs. Defendo que municípios, estados e União tenham metas estratégicas ao longo de 20 anos, que haja um plano estratégico em conjunto. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) dá condições para criar infraestrutura e é um caderno de prioridades. Se houver esse caderno para estados e municípios, podemos avançar mais.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a frota habilitada a circular — só de caminhões e reboques —, em junho deste ano, era de 5,035 milhões. No 1º semestre, acidentes envolvendo veículos de cargas já deixaram 392 mortos e mais de 3.600 feridos.

— A expansão territorial da demanda brasileira nos últimos 50 anos não pode ser comparada a nenhum país nos últimos 200 anos. Então, precisamos de investimento sustentado em modais de transporte. Países continentais como China, Canadá e Austrália mantêm nos últimos 30 anos a taxa de investimento em logística de transporte em 3,4% do PIB ao ano. Aqui, é 0,6% — diz Paulo Resende, coordenador do núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Consultor de Infraestrutura Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet conta que “caminhões com soja e milho cruzam trechos de 500 km a mil quilômetros para chegar aos portos de Santos ou Paranaguá”:

— O ideal era não cruzar mais de 400 km. Produzimos 60 milhões de toneladas de soja e milho nas novas fronteiras e isso é levado para o Sul e o Sudeste. Com mais hidrovias e ferrovias, desafogaríamos as rodovias.

—Caminhões, por exemplo, que transportam frutas têm que rodar lentamente, por conta da má conservação das estradas, além de enfrentar o sol. Quando chega ao destino, parte da produção não pode ser comercializada. O Brasil perde US$ 2,2 bilhões por ano, 50% no manuseio da carga e no transporte — diz Antonio Gomes, da Embrapa.

A produção de grãos — que em 2014 é estimada em 200 milhões de toneladas — chega a ter, de acordo com o pesquisador da Conab Marilson Campos, perdas de 20%, incluindo o que é desperdiçado durante o transporte.

Por e-mail, o Ministério dos Transportes diz que, em 2014, os investimentos previstos em rodovias são de R$ 11,5 milhões. Para ferrovias, R$ 3,3 milhões, hidrovias, R$ 217 milhões e Marinha Mercante, R$ 4,6 milhões. E informa que o “Plano Hidroviário Estratégico, em execução, trata da implantação e expansão de hidrovias”. Sobre o Plano de Logística e Transporte, que tem como meta reduzir o transporte de cargas pelas rodovias para 30% até 2025, diz que “todos os esforços do ministério são direcionados para o exato cumprimento”.

Segundo o ministério, “o Dnit mantém contratos de manutenção permanente em 49.725 km. E com recursos do PAC, há obras em 7.357 km de rodovias”.
Fonte : O Globo
Data : 24/08/2014

NOVA DIRETORIA TOMA POSSE NA CDRJ
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

O ministro-chefe interino da Secretaria de Portos (SEP), Antonio Henrique Silveira empossou ontem, quinta-feira, dia 21 de agosto, os novos diretores da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ). A cerimônia fechada foi realizada na sala de reuniões da presidência da empresa. Os empossados são: o diretor-presidente Helio Szmajser; o diretor de Administração, Finanças e Recursos Humanos, Airton Amaral; o diretor de Engenharia e Gestão Portuária, Heraldo Kremer; e o diretor de Planejamento e Relações Comerciais, Claudio Soares. Durante a solenidade foram assinados os termos de Posse, de Adesão, de Desimpedimento e de Declaração.

"Vamos procurar manter e aprimorar essa convivência construtiva entre o corpo dirigente e o quadro funcional, ainda mais agora que, pela primeira vez em muito tempo, o diretor-presidente vem do quadro de pessoal. Claro que não posso esquecer que o Jorge Luiz de Mello, o ex-presidente da CDRJ, deixou um legado na companhia, pois tinha boas ideias para canalizar as demandas necessárias da forma mais adequada", disse o ministro.

Em seu discurso de posse, o novo diretor-presidente, Helio Szmajser, afirmou que dará continuidade à gestão de Jorge Luiz de Mello, da qual fez parte: "Vamos revisar e modernizar os processos operacionais e de gestão da CDRJ, trabalhar para que o processo de dragagem seja agilizado e preparar os portos da companhia a partir do novo marco regulatório. A responsabilidade é grande, pois desde 1993 a CDRJ não tem um presidente e dois diretores do seu quadro de carreira na gestão da companhia. Sei que posso contar com o apoio dos empregados, do Sindicato dos Portuários, da Associação dos Profissionais de Nível Superior e da Associação da Guarda Portuária."

Helio ocupava o cargo de diretor de Finanças, Administração e Recursos Humanos na Cia Docas do Rio de Janeiro, é formado em engenharia de Portos e Vias Navegáveis, Hidráulica Marítima, Dragagem e Planejamento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui também MBA em Portos e Logística pela Universidade Gama Filho / DPC - Marinha do Brasil. Além disso, o conselho também elegeu durante a reunião ordinária, os nomes para outras três diretorias da CDRJ.

Todos os nomeados são funcionários da CDRJ. Heraldo Kremer, nomeado diretor de Engenharia e Gestão Portuária, ocupava o cargo de superintendente de Desenvolvimento e Fiscalização Portuária. Para assumir a diretoria de Finanças, Administração e Recursos Humanos foi nomeado Airton Amaral, antes diretor de Planejamento e Relações Comerciais. Claudio Soares deixa o cargo de gerente da Divisão de Arrendamentos e Estrutura Tarifária e assume a Diretoria de Planejamento e Relações Comerciais.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

TRILHOS DE EXTENSÃO DA FERROVIA NORTE-SUL CHEGAM AO PORTO DE SANTOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

Os trilhos destinados à extensão Sul da Ferrovia Norte-Sul (FNS) desembarcaram nesta semana no Porto de Santos (SP). Iniciada ainda na década de 80, a Ferrovia Norte-Sul é um “eixo estruturante”, conectando portos da região Norte com os do Sudeste.

O empreendimento foi projetado com o objetivo de promover a integração do território nacional, diminuir custos para transporte de cargas e interligar as regiões brasileiras, por meio das suas conexões com ferrovias novas e existentes.

Quando concluído, terá a extensão de 4.155,6 quilômetros e cortará os estados do Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Operação comercial

No fim do mês de julho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu autorização para o início das operações comerciais do trecho da rerrovia compreendido entre os pátios de Porto Nacional (quilômetro 720) e Gurupi (quilômetro 940), entre os estados de Tocantins e Goiás.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

NAVIOS PESQUEIROS CHEGAM A PELOTAS EM SETEMBRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

Além da madeira, que será movimentada pela CMPC Celulose Riograndense, o porto de Pelotas espera contar com uma nova operação em breve: o descarregamento de pescado. A atividade será feita pela empresa Oxnaval, pertencente a investidores sul-coreanos. O diretor de portos da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), Paulo Astrana, informa que não há uma data definida, mas a expectativa é de que os navios cheguem nos primeiros dias de setembro e comecem o trabalho de pesca em janeiro do próximo ano.

A SPH firmou um convênio com a empresa para possibilitar essa ação. A Oxnaval ocupará um espaço que não está sendo utilizado, de cerca de 1,5 mil metros quadrados, para abrigar até seis embarcações no cais. Astrana explica que a companhia pesca na região das Ilhas Malvinas, no oceano Atlântico, com “navios-indústria”, que possibilitam a captura, o armazenamento e o congelamento dos peixes. Até agora, o pescado era levado para o porto de Montevidéu e colocado em embarcações de maior porte, para seguir até o mercado asiático.

Astrana comenta que a estrutura uruguaia não tem mais condições de absorver a quantidade de navios que atualmente fazem essa operação e os coreanos buscaram uma opção. O dirigente salienta que se tentou fazer o transbordo do pescado em alto mar, porém essa é uma empreitada mais complexa. De acordo com o diretor da SPH, são aproximadamente 400 navios que atuam na região das Ilhas Malvinas. Astrana revela que a escolha dos coreanos por Pelotas como alternativa ao invés de Rio Grande deve-se ao menor custo.

Em Pelotas, os peixes serão colocados em contêineres e posteriormente em caminhões, seguindo depois para Rio Grande onde ingressarão em embarcações maiores. Em setembro, os pesqueiros aportarão em Pelotas e ficarão até o fim do ano fazendo manutenção, aproveitando o recesso da pesca, que dura de agosto até dezembro. Astrana calcula que, a partir de janeiro, serão cerca de 20 operações de descarregamento ao mês no porto gaúcho.

Essa não é a primeira tentativa de empreendimento no Rio Grande do Sul da Oxnaval. Em 2012, a companhia anunciou que instalaria um estaleiro em Pelotas. A iniciativa absorveria um investimento de R$ 35 milhões e, segundo a direção do grupo Oxcorp (controladora da Oxnaval), os trabalhos de montagem do complexo deveriam estar prontos até junho daquele ano. As operações iniciariam, justamente, com a manutenção de pesqueiros coreanos que atuam na região da Patagônia e das Malvinas. Entretanto, o projeto não teve continuidade. A reportagem do Jornal do Comércio não conseguiu entrar em contato com os executivos da empresa para esclarecer se o projeto do estaleiro será ou não retomado.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

DENÚNCIAS CONTRA O ESTALEIRO EISA SERÃO DISCUTIDAS EM AUDIÊNCIA
Publicado em 08/22/2014 as 03:23 PM

A Comissão de Trabalho, Legislação e Seguridade Social da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou uma audiência pública ontem, quinta-feira, para discutir problemas de gestão no estaleiro Eisa e a situação da indústria naval no estado. Serão discutidas denúncias recebidas pelo colegiado, de salários atrasados, demissões e a possibilidade de suspensão de contratos de operários.

- Os trabalhadores estão sendo prejudicados e o sofrimento deles está sendo aproveitado para se conseguir dinheiro, inclusive, do governo - afirma o presidente da comissão, deputado Paulo Ramos (PSol). Entre os convidados estão, além de trabalhadores da categoria e sindicalistas, o presidente do Eisa, Josuan Moraes, e o advogado do estaleiro, David Maciel Mello Filho; o conselheiro do grupo Synergy, que controla o Eisa, Omar Peres; procuradores do Ministério Público do Trabalho; o superintendente regional do Trabalho e Emprego, Antonio Albuquerque, e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, além de representantes do Bndes e da OAB-RJ.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

VARD PROMAR LANÇA AO MAR SEU PRIMEIRO NAVIO
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

O Estaleiro Vard Promar, instalado no Complexo de Suape, realizou ontem a operação de lançamento ao mar do primeiro navio construído pela empresa em Pernambuco. A embarcação é a segunda do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro a homenagear um pernambucano. O gaseiro número um do Estado recebeu o nome do jornalista, escritor e ex-governador, Barbosa Lima Sobrinho. A operação também estreou em Pernambuco a tecnologia load out, uma das técnicas utilizadas pela indústria naval para trazer a embarcação da terra para a água.

O presidente do Vard Promar, Miro Arantes, informou que a operação foi executada com sucesso. O teste teve início pela manhã e foi concluído no meio da tarde. A operação de load out (carregar pra fora) permite transportar o navio da área de montagem até um dique flutuante. A embarcação é movimentada sobre trilhos por meio de carros hidráulicos. Depois o dique flutuante submerge, permitindo que o navio toque a água e flutue. Em seguida, a embarcação é puxada por dois rebocadores para o cais de acabamento. O sistema load out oferece vantagens ambientais e maior agilidade no processo construtivo.

Em Pernambuco, em função do porte dos navios, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) utiliza a tecnologia do dique seco, uma espécie de piscina gigante que permanece seca enquanto o navio está em fase de edificação e é inundada para a embarcação flutuar).

O lançamento ao mar é uma das últimas etapas de conclusão de uma embarcação. O momento marca o fim da construção do casco e inicia a fase de acabamento, que são feitas na beira da água, no cais de acabamento. Nessa etapa são realizados testes e interligação dos sistemas do navio. O momento seguinte é a realização da prova de mar, uma espécie de test drive da embarcação numa viagem curta para avaliar o desempenho, observando condições de navegação, velocidade, manobras, motor e equipamentos. Após todos os testes, o navio é certificado por sociedade certificadora independente e é entregue ao armador (dono da embarcação) que fez a encomenda ao estaleiro.

A previsão do Vara Promar é concluir todas essas etapas até o final de dezembro e entregar o navio à Transpetro no início de 2015. Essa embarcação é o terceiro gaseiro encomendado pela estatal de logística da Petrobrás, dentro de um pacote de oito. Os dois primeiros foram edificados na planta do estaleiro em Niterói para evitar atrasos no cronograma. No Rio foram construídos os gaseiros Oscar Niemeyer e Paulo Freire.

A série de gaseiros da Transpetro homenageia brasileiros notáveis. As embarcações vão integrar a frota da empresa no transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha. Os navios têm 117,63 metros de comprimento, 34 metros de altura, 19,2 metros de largura e capacidade para transportar 7 mil metros cúbicos de GLP. O pacote, que deverá ser entregue até 2017, está orçado em US$ 536 milhões.

Homenageado
Barbosa Lima Sobrinho foi um personagem ativo nas letras e na vida política brasileira. Governou Pernambuco entre 1948 e 1951, presidiu o Instituto do Açúcar e do Álcool (1938 a 1945), presidiu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), escreveu em vários jornais do País e ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras. Nacionalista ferrenho, participou das Diretas Já. Foi escolhido para assinar o pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. O escritor morreu aos 103 anos no Rio de Janeiro.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

CONAB VAI DOAR OU VENDER 18 ARMAZÉNS CONSIDERADOS INADEQUADOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai iniciar a desimobilização de 18 imóveis que não mais atendem suas finalidades armazenadoras em 11 Estados da federação. O processo, que vem sendo feito pela comissão especial de alienação, é parte do Plano Estratégico de Modernização da empresa.  A licitação dos imóveis deve ocorrer nos próximos meses.

Desse grupo, três serão doados e 15 estão prontos para serem vendidos, porque já possuem a documentação inicial exigida pelo processo de alienação, aguardando, segundo a área financeira da Conab, apenas normas de publicação dos editais, o que deve ocorrer nos 60 dias seguintes à finalização. Os destinados à venda estão situados nos municípios de Manicoré (AM), Uruburetama (CE), Pindaré-Mirim (MA), Sinop (MT), Glória de Dourados e Pedro Gomes (MS), Passa Quatro (MG), Curitiba (PR), Goiana e Recife (PE) e Natal (RN). Os doados são os de Sobral (CE) e Pimenta Bueno e Ouro Preto d'Oeste (RO).

Outras unidades estão também com os processos em andamento, aguardando o fechamento de questões burocráticas, como regularização, avaliação e, finalmente, venda.

De acordo com a Conab, a desimobilização ou venda de unidades é feita com imóveis não  mais adequados ao modelo de armazenagem que a companhia quer implantar. “Isto vem ocorrendo desde que as representações regionais detectaram a inutilidade de mantê-los sob sua responsabilidade, gerando, em alguns casos, despesas desnecessárias ao erário”, diz o órgão em nota.
Fonte : Portos e Navios
Data : 22/08/2014

PRIMEIRA CONCESSÃO DE FERROVIA DO GOVERNO ESTÁ EM AJUSTE, DIZ MINISTRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse hoje que o edital para a primeira concessão ferroviária do governo, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), ligando Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), já está “em fase de sintonia fina” para ser publicado. Com 883 quilômetros, o trecho tem uma previsão de R$ 5,4 bilhões em investimentos. De acordo com o ministro, a implantação do trecho será de grande relevância para o escoamento da produção de grãos na Região Centro-Oeste.

Essa será a primeira licitação de trecho ferroviário do Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançado em agosto de 2012. O programa prevê concessão para a construção de 11 mil quilômetros de ferrovias no país.

- Temos clareza da necessidade de atrair o setor privado para investir no setor - disse Passos. Para isso, acrescenta ele, ainda é necessária uma melhoria no setor regulatório, de forma a modernizar e organizar o sistema.

De acordo com o ministro, o edital será publicado “tão logo consigamos ajustar e aplainar todos aspectos que são reivindicados ou que possam significar algum tipo de dúvida no setor privado”. O objetivo, segundo explicou, é garantir segurança para a licitação. Ele falou sobre o edital após participar do seminário Brasil nos Trilhos, organizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Segundo o ministro, o governo tem identificado interesse de grupos estrangeiros em investir no setor.

- Só a partir de Mato Grosso, teremos de exportar cerca de 50 milhões de toneladas. O governo chinês também tem manifestado muito interesse em se tornar parceiro do Brasil para fazer investimentos no setor - disse o ministro.

Também sob a justificativa de ter de continuar a dialogar com o setor privado, o trem de alta velocidade (TAV ou Trem Bala), que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, acabou tendo seu cronograma atrasado.

- Devíamos ter feito, em agosto do ano passado, uma licitação, mas o governo acatou pedido dos empresários para prorrogar o leilão - disse Passos.

De acordo com o ministro, a Empresa Brasileira de Logística (EPL) tem feito um “refinamento do traçado do TAV, buscando obter ganhos” para o projeto.

- Há um aspecto de inovação do transporte e da tecnologia. E o Brasil tem o dever de trabalhar para tornar isso uma responsabilidade - disse o ministro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, em fevereiro deste ano, liberar o governo para publicar o edital de concessão da ferrovia, desde que fossem atendidas algumas determinações, entre elas a revisão do cálculo de custo pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O modelo de licitação que será adotado prevê que o concessionário do trecho será dissociado do responsável pelo transporte.
Fonte : Monitor Mercantil
Data : 22/08/2014

SEGURANÇA HÍDRICA
Publicado em 08/22/2014 as 03:22 PM

A parceria com o Banco Mundial para a elaboração do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), cuja proposta foi apresentada nesta quarta- feira em Brasília, em solenidade realizada no auditório da Agência Nacional de Águas (ANA), e à qual estiveram presentes os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, da Integração Nacional, Francisco Teixeira, o presidente da ANA, Vicente Andreu e o representante do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil, assinala o início dos trabalhos técnicos a serem concluídos nos próximos dois anos e que terão por base a segurança hídrica e a oferta de água suficiente para o abastecimento humano, além das atividades produtivas, evitando assim situações críticas como as atualmente vividas em algumas regiões do País.

A construção do PNSH, conforme se enuncia, uniu os Ministérios do Meio Ambiente (MMA), e o da Integração Nacional (MI), a partir da Secretaria de Infraestrutura Hídrica (SHI), encerrando-se, pois, a fase de concepção do Plano, iniciada em 2012, e tendo como objetivo do estudo definir as principais intervenções estruturantes e estratégicas de Recursos Hídricos para o Brasil, tais como construção de barragens, sistemas adutores, canais e eixos de integração. Essas são consideradas infraestruturas necessárias para reduzir os riscos associados a eventos críticos, como secas e enchentes, além de garantir o abastecimento das populações nas cidades e no campo.

De acordo com a ministra Izabella Teixeira, o Plano identificará as intervenções indicadas para assegurar a oferta de água para abastecimento, com o objetivo de “desenhar todas as alternativas necessárias para viabilizar a oferta de água no país em situações de estresse hídrico, inclusive dando critérios para priorização de investimentos e dialogando com o Plano Nacional de Saneamento Básico”. Nesse sentido, pretende-se também que as obras identificadas pelo Plano sejam executadas, primordialmente, pelo Ministério da Integração Nacional e seus parceiros, nas esferas federal e estadual.

Para o representante do Banco Mundial, trata-se de “um marco no planejamento e no aumento da infraestrutura para a segurança hídrica”, enquanto o presidente da ANA destacou que o PNSH permitirá conhecer todos os reservatórios de água do país, a partir do mapeamento dos Recursos Hídricos dos 5.565 municípios brasileiros, já realizado pela Agência.

Por isso mesmo, uma das diretrizes do Plano cuja elaboração se propõe consiste justamente em que as obras tenham natureza estruturante e abrangência interestadual ou relevância regional, garantindo, em decorrência, resultados duradouros em termos de segurança hídrica. As intervenções também deverão ter sustentabilidade hídrica e operacional, devendo ser analisados, portanto, os usos setoriais da água sob a ótica dos conflitos existentes e potenciais pelo recurso e ainda dos impactos no uso da água, em termos de quantidade e qualidade.

O conceito de segurança hídrica considera, ademais, a garantia da oferta de água para o abastecimento humano e as atividades produtivas em situações de seca, estiagem ou desequilíbrio entre oferta e demanda, interligando-se, pois, direta e indiretamente, à dimensão de sustentabilidade do processo de desenvolvimento, que cumpre decerto consolidar, harmonizando-o sempre, como se requer, com a defesa e melhoria do Meio Ambiente para as atuais e as vindouras gerações.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

FERROVIA PRONTA PARA LICITAÇÃO
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou que a ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO) está pronta para licitação. O governo, segundo ele, tem consultado as empresas do setor ferroviário para ouvir "críticas" relacionadas ao projeto. "Estamos trabalhando com o setor, tentando entender quais são os aspectos de críticas", disse.

Conhecida como Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e, mais antigamente, como "Ferrovia da Soja", a linha está projetada para ter 883 quilômetros de extensão, com orçamento inicial de R$ 5,4 bilhões, conforme apresentação do ministro no seminário Brasil nos Trilhos, organizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
"O governo tem clareza de que prover o transporte ferroviário impõe a necessidade de atrair o setor privado", disse Passos. O ministro incluiu na sua apresentação os 96 Km dos 1.728 Km previstos para a Ferrovia Transnordestina, ligando o interior do Piauí aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE). "Estamos avançando na construção", disse, em referência a 798 km em construção atualmente. A Transnordestina deveria ter sido entregue pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 2010, mas a empresa não conseguiu avançar no projeto, repassando parte da companhia criada para tocar as obras para agentes de governo, como Valec e BNDESPar.

Passos destacou o interesse da China em participar de licitações no País, mas disse que o governo tem tentado atrair investimentos de outros países para "fazer uma grande transformação no mapa ferroviário do Brasil".

Os investidores estrangeiros são, no momento, a principal aposta para impulsionar o empreendimento. As construtoras nacionais consideram que, tal como está, a Fico é um mau negócio. Elas avisaram ao governo que não participariam de um eventual leilão. A causa da insatisfação é o valor do investimento fixado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Pelas contas das empreiteiras, a ferrovia custaria R$ 7 bilhões, e não R$ 5,4 bilhões. O governo vem argumentando nos bastidores, em vão, que elas precisam colocar no cálculo o ganho que terão como concessionárias da linha, e não apenas a realização da obra.

Atrair um sócio estrangeiro tem se mostrado tarefa difícil. Os chineses mostraram interesse, mas a experiência mostra que isso não necessariamente se traduz em investimentos. Há rumores de interesse dos russos, mas a estatal ferroviária RZD informou ao jornal O Estado de S. Paulo que nunca ouviu falar da ferrovia.

Trem bala

De acordo com o ministro, a Empresa Brasileira de Logística (EPL) está concluindo o "refinamento do traçado" do Trem de Alta Velocidade (TAV) - o trem bala ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. "Eu diria que é uma aspecto de inovação, de introdução de tecnologia de transporte que o mundo avançou e que o Brasil tem o dever de trabalhar para fazê-la se transformar numa realidade", disse Passos.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

SINDICATO ALERTA SOBRE DEMISSÕES NA MMX
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A MMX, que passa por dificuldades financeiras e informou na véspera a paralisação temporária da produção de minério de ferro, já demitiu desde janeiro cerca de 200 funcionários, disse nesta quinta-feira o presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales. "Esse ano já demitiram mais de 200 funcionários para a redução de custos", afirmou Sales

Atualmente, segundo o sindicalista, a empresa tem cerca de mil funcionários, sendo que 550 são próprios. Ele não entrou em detalhes sobre demissões recentes.

Procurada, a MMX afirmou que a companhia passou por um processo de reestruturação, reduzindo prioritariamente os cargos de nível gerencial e gestão, e não negou as 200 demissões. "Os empregados diretamente lotados nas áreas operacionais não sofreram impactos significativos. Atualmente, a MMX possui 550 empregados próprios no total", disse a empresa em nota.

Na quarta-feira, um dia depois de negar que esteja avaliando um pedido de recuperação judicial, a mineradora do grupo de Eike Batista informou que vai paralisar a sua produção de minério de ferro, em meio a uma queda nos preços da commodity que agrava a situação financeira da empresa.

Férias Coletivas

Para isso, concederá férias coletivas a seus colaboradores envolvidos diretamente na operação da mina Serra Azul, em Minas Gerais, por 30 dias, a partir da primeira semana de setembro. Esse é o único ativo da mineradora atualmente em produção.

Sales afirmou que o aviso de férias coletivas ainda não chegou ao sindicato, já que precisa passar primeiro pelo Ministério do Trabalho. Ele destacou que a empresa recebeu alguns embargos ambientais e que está trabalhando para resolver o assunto.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) disse que embargou a mina conhecida como “Tico Tico”, em Minas, em fevereiro, por estar localizada em área próxima a cavidades de relevância ambiental.

O embargo apenas será retirado quando estudos da empresa para adequação de raio da área de proteção das cavidades sejam analisados pela Semad e aprovados pelo Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), disse a Semad.

Em maio deste ano, a secretaria também embargou a Unidade de Tratamento de Minério (UTM) e estrada próximas às cavidades. Segundo o órgão, foram aplicadas duas multas no valor de 50 mil reais por descumprimento da legislação ambiental. "Nós estamos trabalhando junto para ver se conseguimos as licenças para manter os empregos", disse Sales.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

COPERSUCAR E CARGILL CRIAM A ALVEAN
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A Copersucar e a Cargill anunciaram que a nova empresa formada a partir da joint venture entre as duas companhias se chamará Alvean. A parceria foi anunciada em março e, desde então, foi analisada por órgãos reguladores. Em nota, Copersucar e Cargill dizem que a 'Alvean irá operar como uma entidade independente e começará a integrar as atividades globais de originação, comercialização e negociação de açúcar bruto e branco (refinado)'.

Joint Venture

As companhias têm, cada uma, 50% de participação na joint venture. 'Teremos uma sólida cadeia de suprimentos global combinada, uma presença mundial e excelente gestão de logística', comenta o novo executivo-chefe (CEO) da Alvean, Ivo Sarjanovic, também no comunicado. Anteriormente, ele dirigiu o negócio de açúcar global da Cargill.

O nome Alvean foi escolhido por derivar do latim albus, que significa branco/cristalino. O sufixo an, por sua vez, traz a noção de movimento e ilustra o dinamismo do mercado de açúcar, conforme a empresa.

Sede

As atividades de comercialização da Alvean terão sede em Genebra, na Suíça, com escritórios em Bangcoc, Bilbao, Nova Délhi, Dubai, Hong Kong, Jacarta, Moscou, São Paulo e Xangai. A expectativa é de que entre 25% e 30% de todo mercado global de açúcar seja negociado pela Alvean.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

SETOR DE PETRÓLEO É O MAIS ENDIVIDADO, DIZ A ECONOMATICA
Publicado em 08/22/2014 as 03:21 PM

A dívida financeira bruta das seis empresas abertas do setor de petróleo e gás é a maior dentre todos os setores, de acordo com um levantamento da Economática, chegando a R$ 320,133 bilhões ou 30,08% da dívida total das companhias. O motivo disso é que a Petrobras sozinha conta com um endividamento bruto de R$ 307,7 bilhões ou 28,9% do total. Os dados do estudo referem-se ao segundo trimestre deste ano.

O segundo setor com maior volume de dívidas é o de energia, com R$ 171,04 bilhões ou 16,07% do total. Esse setor conta com 56 companhias. Em terceiro lugar, aparece o setor de alimentos e bebidas, composto por 17 empresas. A dívida é de R$ 77,933 bilhões ou 7,32% do total.

Segundo a Economática, a dívida financeira bruta das 349 empresas de capital aberto brasileiras ultrapassou a barreira do trilhão pelo segundo trimestre consecutivo. No primeiro trimestre deste ano, a dívida total atingiu R$ 1,046 trilhão. Já em junho, somou R$ 1,06 trilhão. A dívida financeira bruta considera toda a dívida com custo financeiro que as empresas informaram.
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 22/08/2014

AÇO MAIS BARATO
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

A Toyota e as maiores siderúrgicas japonesas concordaram em baixar o preço de placas de aço para a produção automotiva entre abril e setembro, em cerca de 3 mil ienes (US$ 29) por tonelada. Isso foi possível com a redução dos insumos siderúrgicos. O corte de aproximadamente 3% no aço é o primeiro a ser realizado desde o segundo trimestre de 2012. As siderúrgicas do país, incluindo a Nippon Steel & Sumitomo Metal, aceitaram a medida depois que o minério de ferro e o carvão se desvalorizaram, segundo fontes próximas à questão. O acordo entre montadoras e siderúrgicas serve de base para o custo que outros consumidores terão para adquirir o aço. Entre os clientes, aparecem construtoras e estaleiros.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PETRÓLEO EM ALTA
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta ontem, ainda sob o efeito da queda dos estoques da commodity na semana passada nos Estados Unidos e em meio aos dados mais fortes divulgados ontem sobre a economia americana. Em Nova York, o contrato do WTI para outubro avançou US$ 0,51 (0,6%), para US$ 93,96 o barril. Em Londres, o contrato do Brent para o mesmo mês teve alta de US$ 0,34 (0,3%), para US$ 102,62 o barril. O número de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos caiu em 14 mil, para 298 mil, na semana encerrada em 16 de agosto. Já as vendas de imóveis residenciais usados subiram 2,4% em julho ante junho, quando a expectativa era de queda de 0,8% no mês.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PROJETO MAPEIA OFERTA DE PEIXES
Publicado em 08/22/2014 as 03:20 PM

Líder do mercado brasileiro de sardinha e atum em lata, a Gomes da Costa, empresa controlada pelo grupo espanhol Calvo, lançará hoje um projeto de pesquisa no Vale do Itajaí (SC) com o intuito de garantir a oferta de peixes no Brasil no longo prazo.



Em xeque em grande parte do mundo por ter colocado algumas espécies de peixes na rota da extinção, a pesca extrativa precisa de dados científicos periódicos para evitar que a indústria processadora de peixes seja posta em risco, diz o presidente da Gomes da Costa no Brasil, o espanhol Alberto Encinas.

Encinas: "Na hora que você tem dados confiáveis, os órgãos reguladores tendem a flexibilizar o controle da pesca"



No Brasil, a situação do estoque de atum e sardinha, as espécies utilizadas pela empresa, é "saudável", mas o país carece de estatísticas sobre o segmento, diz o executivo. Para se ter uma ideia dessa carência, os últimos dados consolidados do Ministério da Pesca sobre pesca extrativa e produção de peixes em cativeiro - a aquicultura - tem como base o ano de 2011. De acordo com Encinas, as parceiras do ministério com instituições de pesquisa "enfraqueceram" nos últimos anos. É nesse contexto que a Gomes da Gosta decidiu atuar.

"Aparentemente, há uma redução dos recursos destinados para essas pesquisas, e o que nós queremos é trazer a atenção para a necessidade de ter foco na coleta de dados", afirma o executivo. Ele reconhece, porém, que a adoção do defeso - período em que não se pode pescar sardinha - tem se mostrado positiva, ainda que seja insuficiente.

De acordo com Encinas, a periodicidade das estatísticas sobre o setor pesqueiro é essencial para que, em caso de qualquer redução do estoque de peixes, a detecção seja rápida. Para tanto, o país precisa de mais pesquisas para definir qual é o "sinal vermelho" que dispararia medidas de proteção.

Batizado de "Pescarias Sustentáveis", o projeto que a Gomes da Costa lança hoje conta com o Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) e a Secretaria Municipal de Pesca de Itajaí, onde a empresa possui sua fábrica. Até agora, as ações definidas pelo projeto têm orçamento de cerca de R$ 1 milhão, a serem custeados pelos parceiros. Esse montante tende a crescer, uma vez que o projeto não tem prazo para terminar, de acordo com Encinas.

Entre as ações de monitoramento definidas no projeto, estão a coleta de dados no desembarque do peixe nos portos. Informações como o tamanho do peixe, o pescador, o volume capturado e a área da pesca serão levantadas. Durante a atividade pesqueira, também está previsto o acompanhamento das operações por um observador ou por meio de câmeras instaladas no convés dos barcos.

O monitoramento constante da atividade pode, inclusive, aumentar a quantidade de peixe disponível para captura, acredita Encinas. "Na hora que você tem dados confiáveis e mantidos no tempo, os órgãos reguladores tendem a flexibilizar as medidas de controle da pesca", afirma ele, citando a Comissão Internacional para a Conservação de Atuns do Oceano Atlântico (ICCAT), da qual o Brasil faz parte.

Para a Gomes da Costa, a matéria-prima pescada por seus cerca de 55 fornecedores no Brasil é fundamental. Atualmente, 60% dos peixes processados pela empresa são pescados no Brasil - os outros 40% são importados, devido ao período de defeso. Ao todo, a empresa processa cerca de 80 mil toneladas de peixe, sendo 60 mil de sardinha e 20 mil de atum.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

ARGENTINA VOLTA A BLOQUEAR EMBARQUE DE CARNE BOVINA
Publicado em 08/22/2014 as 03:19 PM

Nova suspensão temporária das exportações gera incertezas na Argentina

Em mais uma tentativa de conter os aumentos de preços no mercado interno, o governo argentino restringirá as exportações de carne bovina nos próximos 15 dias. A medida pode afetar a brasileira Marfrig, que mantém duas unidades de abate em operação no país.



Paradoxalmente, o governo busca novos negócios no exterior. Enquanto a Secretaria de Comércio anunciava as restrições aos produtores, uma equipe dos Ministérios da Indústria e Agricultura foi até Moscou esta semana para tentar convencer os russos a comprar mais produtos argentinos, inclusive carne.

Nova suspensão temporária das exportações gera incertezas na Argentina



A nova restrição deverá frustrar as expectativas dos frigoríficos brasileiros. Na semana passada, o CEO da Marfrig, Sergio Rial, havia demonstrado otimismo em relação ao desempenho da operação argentina, apesar de a situação econômica ter ficado mais delicada depois que o país entrou em "default". Na ocasião, ele disse que a Argentina poderia se tornar "uma alavanca para a empresa se o governo decidisse suspender os impostos nas exportações".

Questionada sobre as restrições adotadas esta semana, a Marfrig não comentou. A medida não deverá afetar, porém, a também brasileira JBS, cuja operação argentina é voltada ao mercado local.

Para a Sociedade Rural Argentina, que representa os produtores, a medida é "autoritária" e "irracional". "A irracionalidade dessa gestão [do governo] chega a limites incompreensíveis", destacou a entidade, por meio de comunicado. Por conta das restrições às exportações que, lembra a Sociedade, repetem-se desde 2006, 16 mil produtores encerraram as atividade no país.

O ministro-chefe de gabinete, Jorge Capitanich, lembrou que somente neste ano os preços da carne bovina subiram 54%. "Por isso as medidas foram tomadas", disse.

Em meio ao conflito na Ucrânia, Brasil e Argentina podem se beneficiar das sanções aplicadas pelo governo da Rússia às importações dos Estados Unidos e Europa. Em Moscou, a ministra da Indústria, Débora Giorgi informou às autoridades russas que a Argentina, quinto produtor mundial de alimentos, tem capacidade para alimentar 400 milhões de pessoas.

Numa análise da balança comercial do país, os economistas Ricardo Carciofi e Adrián Ramos, da consultoria Econometrica, lembram que a situação atual contrasta com o passado. Para eles, houve "excesso de acomodação no setor externo" que, por sucessivos anos ajudou no crescimento econômico argentino".
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

PETROBRAS COMPROVA RESERVATÓRIO
Publicado em 08/22/2014 as 03:18 PM

A Petrobras informou ontem que a perfuração do terceiro poço na área de Moita Bonita, na Bacia de Sergipe-Alagoas, comprovou a extensão da descoberta de gás e petróleo leve na área. A petroleira anunciou a descoberta de petróleo no local em agosto de 2012 e, desde então, vem estudando o local.

Durante a perfuração do poço, segundo a empresa, foi constatada a existência de reservatórios com espessura de 40 metros, "com boas condições de permeabilidade e porosidade, confirmando as expectativas do projeto", informou por meio de nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

A acumulação Moita Bonita integra o programa de desenvolvimento da Bacia de Sergipe-Alagoas em águas ultraprofundas. A Petrobras dará continuidade às atividades previstas na área.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

ANP COBRARÁ ROYALTIES SOBRE TESTES EM POÇOS
Publicado em 08/22/2014 as 03:18 PM

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai passar a cobrar, a partir deste mês, royalties sobre o petróleo e gás natural produzidos em testes de formação de poços. Até então, a agência isentava do pagamento os volumes queimados por motivos de segurança e emergência e perdidos durante os testes de formação nos poços.

Procurada pelo Valor, a agência reguladora esclareceu que decidiu revisar as regras diante das perspectivas de aumento da produção do pré-sal, onde os volumes produzidos nos testes de poço têm sido elevados e podem ser aproveitados economicamente pelo operador.



A mudança foi aprovada pela diretoria da agência na última semana. As novas regras são válidas tanto para os contratos de concessão como para os de partilha de produção e cessão onerosa. De acordo com o novo regulamento, as petroleiras terão de pagar royalties se houver aproveitamento econômico do volume produzido na fase de exploração das áreas.

Na fase de produção e nos contratos de cessão onerosa, a agência vai cobrar royalties sobre qualquer volume produzido.


Os testes de formação fazem parte das fases de exploração e produção de uma área e visam identificar características do reservatório, como os tipos e vazão dos fluidos, além de avaliar a extensão de uma jazida.

A análise dos dados coletados nesse processo contribui para a identificação de algumas propriedades do reservatório e para a avaliação do potencial produtivo da formação testada.

Este ano, a ANP autorizou a realização de testes de formação em poços na área de São Bernardo, na Bacia do Espírito Santo, e em Búzios (antigo campo de Franco), área da cessão onerosa.

Em junho, a Petrobras produziu nos testes do poço 9-BRSA-1191-RJS, no campo de Búzios, 11.475 barris de petróleo, o equivalente a 382 barris diários. Também foram produzidos, pela petroleira, aproximadamente 400 mil metros cúbicos de gás natural, que equivalem a 13 mil metros cúbicos diários.

Ainda segundo as novas regras da ANP, as empresas terão de informar, no Boletim Mensal de Produção, os volumes produzidos em teste de formação.

Os sistemas de medição devem ser estabelecidos de acordo com resoluções da própria agência.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

CHINA E EXCESSO DE OFERTA DERRUBAM PREÇO
Publicado em 08/22/2014 as 03:17 PM

A demanda mais fraca da China e o excesso de oferta global levam o minério de ferro novamente para perto da mínima do ano. O preço estava ontem em US$ 91,90 por tonelada no mercado à vista chinês, queda de 32% desde o início do ano. Para o quarto trimestre, analistas esperam uma cotação um pouco maior do que a atual, próxima dos US$ 100 por tonelada.

O preço médio esperado para este ano é de US$ 105, na média das projeções de dez bancos consultados pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor. Atualmente, a média de 2014 está em US$ 108 por tonelada, 20% abaixo dos US$ 135 do ano passado.

A analista Melinda Moore, do Standard Bank, diz que o excesso de minério e a falta de demanda firme têm deixado o mercado mais fraco na China, principal consumidor global da commodity. As siderúrgicas da China são responsáveis por aproximadamente dois terços das compras globais de minério de ferro - em um mercado com oferta estimada em cerca de 2,16 bilhões de toneladas neste ano.

O excesso de oferta tem sido o assunto mais comentado por analistas do setor neste ano. O forte aumento de produção está levando o preço do minério de ferro a um novo patamar, mais baixo do que o dos últimos anos. O Barclays, por exemplo, prevê um volume adicional próximo de 190 milhões de toneladas neste ano e de 130 milhões de toneladas em 2015.

As maiores mineradoras do mundo na área - Vale, Rio Tinto, BHP Billiton e Fortescue Metals - são as principais responsáveis por esse aumento. Somente as três australianas devem elevar a oferta em 100 milhões de toneladas neste ano, nas contas do Citi.

Levando em conta esses volumes adicionais e o crescimento, mesmo mais fraco, da economia chinesa, é que os analistas calculam um equilíbrio do preço entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada até o fim deste ano. Para os próximos anos, as projeções são de preços médios um pouco inferiores, justamente por causa da elevação da produção global.

Mesmo como uma eventual desaceleração das compras chinesas, as expectativas não são de cotações inferiores a US$ 90 por tonelada neste ano. Quando os preços rompem este patamar, muitas companhias deixam de ter suas operações viáveis e reduzem a produção, principalmente na China. Ivan Szpakowski, analista do Citi, diz que a produção chinesa já está diminuindo nos últimos meses por causa da queda do preço do produto.



Ele estima uma cotação de US$ 100 por tonelada no quarto trimestre e diz que espera que um quinto da produção da China já esteja sendo cortada com os patamares atuais de preços do minério. "Estimamos que perto de 20% da capacidade deve ser eliminada se os preços seguirem abaixo de US$ 100", afirma o analista em relatório. "Isso deve impedir qualquer queda sustentada de preço abaixo de US$ 90 por tonelada até o fim de 2014", diz. Segundo levantamento do Citi, A taxa de utilização da capacidade de 70 minas pequenas e médias caiu de 80% no fim do ano passado para perto de 65% recentemente.

Norbert Ruecker, chefe de análise de commodities do banco Julius Baer, prevê valor de US$ 90 por tonelada para o minério de ferro no fim deste ano e início de 2015. Ele diz que o excesso de oferta no mercado é motivo para preocupação e acrescenta que o setor imobiliário está em desaceleração na China, o que afeta o setor siderúrgico.

Nos últimos dias, o ritmo de negócios no mercado físico de minério na China está mais fraco, enquanto dados piores da atividade industrial têm ajudado a deixar os preços pressionados. A queda de ontem foi a quarta seguida do preço do minério. Com isso, a cotação se distanciou da máxima do mês, de US$ 96 por tonelada, registrada no dia 7, e voltou a caminhar rumo à mínima do ano, de US$ 89 por tonelada, em 16 de junho. Todos os valores são do minério com concentração de 62% de ferro negociado no mercado à vista da China.

O HSBC divulgou ontem seu índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial chinês, o que trouxe ao mercado novas preocupações com o ritmo de expansão do país e ajudou a manter um sentimento mais negativo no mercado do aço e de sua matéria-prima. O indicador ficou em 50,3 na leitura preliminar de agosto, abaixo dos 51,7 de julho.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

NOVO PRESIDENTE DA ANTF DEFINE PRIORIDADES
Publicado em 08/22/2014 as 03:17 PM

O novo presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Gustavo Bambini, diz que terá como prioridades a busca por benefícios fiscais do diesel para trens e a renovação dos prazos dos contratos de concessão da malha.

Bambini, que substituiu Rodrigo Vilaça a partir de maio, diz que as empresas de energia e as do setor portuário já passaram por discussões com o governo sobre a renovação das concessões em troca de mais investimentos, mas as ferrovias ainda não. "Estamos entrando na segunda metade dos prazos de concessões. É um momento oportuno para realizar esse debate", disse. Bambini afirma que já há discussões no governo sobre troca de investimentos por mais tempo de concessão.

O presidente da associação não comenta casos específicos de cada empresa, mas no setor já se sabe que a América Latina Logística (ALL), por exemplo, conversa com o governo sobre a renovação das concessões. O grupo Cosan, que firmou acordo de fusão de sua subsidiária Rumo com a ALL, já informou por meio de seus executivos que a extensão do prazo é importante para a estruturação dos negócios e investimentos da companhia nas ferrovias. Três das quatro concessões da ALL têm contratos vencendo em 2026, 2027 e 2028. A única ferrovia da ALL com prazo mais longo é a Malha Norte (nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), que tem concessão até 2079. Outras concessionárias vencendo entre 2026 e 2028 são a MRS, FCA e a Transnordestina.

Gustavo Bambini assume a entidade em meio às tentativas do governo de atrair mais empresas para o setor

Uma das ideias, afirmou Bambini, é que haja renovação antecipada desses contratos em troca de um programa de investimentos na malha. A avaliação sobre o prazo das concessões e outros pedidos estão em documento levado pela ANTF aos candidatos que disputam este ano a Presidência da República.

Outro ponto defendido pela entidade é a criação de um benefício fiscal para o diesel usado nos trilhos, que atualmente responde por 30% dos custos das empresas. Para a associação, o custo do diesel ficou ainda mais preocupante depois de uma determinação da Agência Nacional de Petróleo, no início de 2014, definiu que o insumo passaria a ser distribuído somente em duas refinarias - Manaus (AM) e Paulínia (SP). Segundo a ANTF, essa medida onerou o custo do diesel. A entidade pede a isenção do PIS e Cofins para o diesel, que é de 23,63%. "Esse custo tributário é incompatível com a demanda por tarifas ferroviárias mais competitivas e com a estratégia de ampliar a participação das ferrovias na matriz de transporte brasileira", diz a ANTF.

O executivo assume a entidade em meio às tentativas do governo para atração de mais empresas para o setor. Segundo Bambini, há a preocupação entre as concessionárias de que novos operadores de trens possam dificultar a operação das empresas nas malhas atuais. Mas, segundo ele, o Programa de Investimentos em Logística (PIL, o pacote de concessões) também traz oportunidades, principalmente pelo fato de a malha ficar mais integrada e, com isso, gerar a oportunidade de mais negócios e receitas para as concessionárias.

Ele também diz que o governo está tentando atrair empresas que atualmente são concessionárias de ferrovia para participarem das licitações dos novos trechos. Antes, havia dúvidas se as concessionárias poderiam ou não disputar as novas linhas, já que o governo impedirá que o concessionário da via movimente cargas. "O governo tem dito que não há impedimento para a concessionária atual participar do leilão. Para movimentar cargas, ela pode criar uma nova figura jurídica", diz.

O primeiro leilão de ferrovias do governo federal, que vai conceder o trecho entre Lucas do Rio Verde e Campinorte, só depende do aval do Ministério dos Transportes para que seja feito. Hoje, a única preocupação do Planalto é marcar a disputa com a certeza da presença de interessados. Atualmente, ainda estão sendo feitas discussões. "Temos discutido com o setor privado e tentado entender os aspectos de insegurança. Esse é um setor em que as coisas precisam ser construídas na base do diálogo. O governo está ouvindo muito e levando também suas avaliações, tornando muito clara qual sua política e qual a ênfase que pretende dar", disse ontem o ministro dos Transportes, Paulo Passos.

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, nos últimos meses, uma análise na qual recomenda ajustes, como a diminuição da previsão de investimentos para o projeto. Com isso, o investimento baixou de R$ 6,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Segundo Jean Mafra dos Reis, superintendente de infraestrutura e serviços de transporte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o preço final do edital "provavelmente" será um intermediário entre esses dois valores.

Bambini e as autoridades falaram ao Valor durante o seminário Brasil nos Trilhos, realizado pela ANTF e pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos).
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

TERMINAL NO ES INICIA OBRAS EM OUTUBRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Os acionistas do terminal portuário dedicado Itaoca Offshore esperam iniciar as obras civis de implantação no quarto trimestre. Localizado em Itapemirim, litoral capixaba, o projeto recebeu há duas semanas a licença de instalação do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) do Espírito Santo, dando sinal verde para o empreendimento.

O terminal, com foco no atendimento da indústria de petróleo e gás do país, tem investimento orçado em R$ 450 milhões. O empreendimento - denominado Itaoca Terminal Marítimo S.A. - é controlado por três grupos de investidores brasileiros de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro: a Catalina Participações, a BH Value Inn Negócios e a Mauer Engenharia.

A aposta do investidores se baseia na expansão da exploração de óleo e gás no país, principalmente no enorme potencial de extração dos campos da camada do pré-sal, na Bacia de Santos. Além da Petrobras, diz Leonardo Horta, diretor executivo e sócio do Itaoca Offshore, vários outras companhias multinacionais já estão atuando no setor no país e todas são usuárias do tipo de serviço que o terminal vai oferecer.

O empreendimento, disse o executivo, que está à frente do projeto desde sua fase de desenvolvimento, em 2010, terá como atividade principal ser uma base de apoio às operações das petrolíferas. "A região escolhida para ser instalado é ideal para atender empresas com atuação nas bacias de óleo e gás do Espírito Santo e de Campos (RJ)", afirmou Horta, que foi executivo da Vale, Bozzano Simonsen, Cosipa e da Cia. Siderúrgica de Tubarão.

Álvaro Oliveira, também diretor-executivo e sócio do Itaoca, informa que o terminal terá 600 mil metros quadrados de retroárea, 40 mil metros quadrados de área offshore, 11 berços de atração e um cais de serviços com 230 metros de comprimento. O calado, de 9,5 metros, estará apto a receber barcos de 100 metros (maiores e mais modernos|).

Logisticamente, afirma Oliveira, o terminal será bem localizado - distante apenas 23 km da rodovia federal BR-101 e quase na divisa entre Espírito Santo e Rio de janeiro. Ficará 130 km ao sul de Vitória, capital capixaba, e a 250 km de Macaé (RJ), o maior polo da indústria petrolífera offshore do país.

"Estaremos aptos a oferecer todos os serviços requeridos pela indústria de exploração de óleo e gás", diz Oliveira, que atuou na Vale por muito tempo e foi presidente da Docenave (companhia de navegação da mineradora). Ele menciona serviços de atracação, de armazenagem e movimentação de cargas, fornecimento de combustíveis e água, coleta e destinação de resíduos, heliponto, limpeza de tanques e pequenos reparos de embarcações.

Segundo os executivos, até o fim deste mês o Itaoca espera assinar contrato com uma empresa que será responsável pelas obras civis e de montagem (epecista, no jargão técnico) da parte marítima do terminal, que é 80% do investimento total. O prazo de implantação é de 24 meses. O início de operações está previsto para o fim de 2016.

O faturamento anual esperado para o Itaoca, segundo Horta, é de R$ 250 milhões. A previsão é de gerar 450 empregos diretos na operação. Durante a obra estima-se a contratação de mil pessoas.

Os sócios contrataram como adviser para o empreendimento o Banco Modal, que ficou encarregado de buscar novos investidores para o terminal. Entre os potenciais novos parceiros estão fundos private equity, investidores financeiros e grupos estratégicos, do Brasil e exterior, como operadores de portos e donos de barcos e frotas especializadas nessa área. Oliveira informou que entre os estrangeiros estão grupos holandeses, chineses,

Eles buscam também financiamento do BNDES. Segundo Horta, o projeto já foi levado ao banco para avaliação de sua diretoria técnica. O BNDES tem linhas de empréstimos para empreendimentos desse tipo com até 70% do valor.

Em relação ao prazo original, a obra está com quase dois anos de atrasos. Entre vários fatores disso está obtenção das licenças prévia (13 meses) e de instalação (10 meses). "Essa última licença é nosso cartão de visita para avançar tratativas com potenciais clientes e investidores e o BNDES", disse Horta.
Fonte : Valor Econômico
Data : 22/08/2014

CHILE QUER MAIS INTEGRAÇÃO COM BRASIL
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Brasil e Chile atingiram um volume de negócios de US$ 5,3 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, de acordo com dados da Secex.

Roberto Paiva, novo diretor do ProChile, afirma que em poucos anos os dois países poderão dobrar o fluxo de comércio.

O ProChile é uma entidade governamental que tem como objetivo incrementar negócios entre os dois países.

Paiva diz que os países são bastante complementares. O Chile pode oferecer a saída da Ásia aos brasileiros, enquanto os brasileiros podem oferecer a saída da África e do Atlântico aos chilenos.

Paiva afirma que a junção da experiência industrial brasileira com o conhecimento chileno no comércio com vários países pode resultar em uma parceria bastante útil aos dois países.

Ao mesmo tempo em que empresas chilenas podem investir no Brasil, o representante chileno acredita que o Chile tem boas áreas para investimentos para os brasileiros. O agronegócio é um deles. O Chile é o segundo maior fornecedor de frutas frescas e secas ao Brasil. Um intercâmbio entre os dois países no agronegócio aumentará ainda mais esse fluxo, com a agregação de vinhos e azeite. Já o Brasil tem campo nos setores de carnes e grãos, em que o Chile tem deficit.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

PECUARISTA BRASILEIRO RECEBE MENOS PELA CARNE
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Uma boa notícia no setor de pecuária é que o Brasil está entre os países com os menores custos na produção de carne bovina. A ruim é que a rentabilidade do produtor brasileiro também está entre as menores do mundo.

Essa a conclusão do agri benchmark, uma rede global de economistas e especialistas em agropecuária mundial que avalia a rentabilidade do setor em diversos países.

Os dados brasileiros foram apresentados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em um encontro na Itália.

Na atividade de engorda, o órgão chegou à conclusão de que o custo total de produção de cem quilos de carcaça variou de US$ 336 a US$ 473 no Brasil, dependendo do sistema de engorda. Os menores custos ficaram para as fazendas que têm maior escala de produção.

Tomando como base os preços recebidos pelos produtores no ano passado, a margem dos pecuaristas brasileiros, descontados todos os custos, varia de perdas de US$ 27 a ganhos de US$ 40 a cada cem quilos vendidos.

Na outra ponta está a China, cujos custos de produção variam de US$ 495 a US$ 856. A novidade, no entanto, é que, na média, os produtores chineses recebem US$ 771 pelos cem quilos de carcaça.

A China registra também os maiores custos de produção entre os 30 países analisados. De 2005 a 2013, a alta foi de 167%. No caso do Brasil e da Argentina, os custos dobraram de preço.

Diante desses números, fica claro que a urbanização e os custos de produção vão tornar a China um grande importador de carne bovina.

A demanda cresce, e o país, além das dificuldades de áreas para a produção, enfrenta custos muito elevados.

Mais trigo O Ministério da Agricultura da Argentina apontou um cenário melhor para o trigo em 2014/15 do que o da safra anterior. A área deverá crescer cerca de 23% em relação à de 2013/14, para 4,5 milhões de hectares.

Motivos Os técnicos do governo acreditam que as boas condições de umidade do solo, a necessidade de rotação de cultura, as perspectivas de preços e a irregularidade do cultivo de outras culturas vão fazer os produtores aumentarem a área.

Quanto foi Encerrada a safra de trigo de 2013/14, o governo estima que a safra tenha ficado em 9,2 milhões de toneladas, acima dos 8 milhões de 2012/13. Em 2011/12, os produtores argentinos haviam colhido 14,5 milhões de toneladas de trigo.

Café A comercialização de café da safra 2014/15 atingiu 18,8 milhões de sacas no fim da primeira quinzena deste mês, segundo a consultoria Safras & Mercado. A produção está estimada em 48,9 milhões de sacas.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

HIDROVIA DEPENDE DE CHUVAS, DIZ MINISTRO
Publicado em 08/22/2014 as 03:16 PM

Paulo Passos (Transportes) afirma esperar que a Tietê-Paraná possa ser liberada em outubro para navegação

Hidrovia está parada desde junho; SP diz que vai à Justiça contra ONS para remanejar água e retomar capacidade

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse nesta quinta-feira (21) esperar que as chuvas de outubro possam ser suficientes para liberar a hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo.

A operação de parte da hidrovia -a segunda mais movimentada do país no ano passado- está paralisada desde junho por falta de água nos rios da região.

A interrupção vem causando problemas para produtores de milho e soja, pois a hidrovia é usada para escoar parte da produção da região Centro-Oeste até o porto de Santos (SP).

De janeiro a julho de 2013, foi embarcado 1,4 milhão de toneladas de grão pela Tietê-Paraná. Neste ano, no mesmo período, foram escoadas cerca de 500 mil toneladas.

De todos os produtos transportados por hidrovias no país no ano passado, 22% foram pela Tietê-Paraná.

O ministro afirmou que as autoridades de São Paulo e da ANA (Agência Nacional de Águas) estão trabalhando para conseguir aumentar a vazão do rio e tentar restabelecer o transporte de barcaças, usado para carregar produtos agrícolas.

"Gostaríamos de ver essa situação restabelecida, mas isso vai depender das chuvas na região", disse.

De acordo com ele, por enquanto, a alternativa será usar caminhões e trens para o transporte que era levado pela hidrovia.

"Há uma expectativa de que a partir de outubro já comecem a voltar as chuvas."

Em junho, o governo paulista solicitou ao ONS -órgão que administra o setor elétrico brasileiro- e à ANA o remanejamento de parte do volume de água que está sendo represado em hidrelétricas ao norte do Estado, mas teve o pedido negado.

O ONS argumentou que a medida "não é cabível", pois contraria a "estratégia de operação definida para a garantia do atendimento energético" do país.

Agora, o governo de São Paulo afirma que vai entrar na Justiça contra o ONS, para restabelecer o nível de água da hidrovia a fim de retomar o transporte.

O Departamento Hidroviário paulista diz que o remanejamento proposto possibilitaria a retomada de um terço da capacidade da hidrovia.

POLÊMICAS

O imbróglio sobre a Tietê-Paraná não é o único a envolver o governo paulista sobre volume de águas.

Na segunda (18), os governos de São Paulo e do Rio fecharam acordo para encerrar a disputa em torno do abastecimento de água e da geração de energia na bacia do rio Paraíba do Sul.

São Paulo havia restringido fornecimento de água para o rio, sob o argumento de que o abastecimento humano é prioritário.

O ONS, por sua vez, dizia que a restrição geraria colapso do abastecimento de água de diversas cidades, em especial na capital fluminense, além de prejudicar o funcionamento de três hidrelétricas.

TRILHOS

Palestrante no 6º Brasil nos Trilhos, evento promovido pela ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), em Brasília, Passos afirmou que ainda não há uma data para o primeiro leilão de ferrovias do programa de concessões, o trecho entre Campinorte (GO) e Lucas do Rio Verde (MT).

Esse é o único dos 12 leilões prometidos que tem autorização para ser realizado, mas o governo ainda não lançou o edital por falta de interesse de empresas na construção e na operação do trecho.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

BLOCOS COMERCIAIS LATINOS ESTREITAM LAÇO
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

Vistos como antagônicos, Mercosul e Aliança do Pacífico debatem como aumentar seu intercâmbio de produtos

Somados, mercados incluem 490 milhões de consumidores; para o Brasil, é chance de conter avanço chinês

O Mercosul vai se reunir, nos próximos dias, com a Aliança do Pacífico para discutir a aceleração da liberalização comercial entre os dois grandes blocos da América Latina.

Mas o encontro tem também uma dupla mensagem política embutida: pretende demonstrar que o Mercosul não está tão paralisado como julga a grande maioria dos analistas e, além disso, que a Aliança do Pacífico não é vista como rival do bloco do Sul.

Grande parte da mídia internacional vê os dois grupos como antagônicos.

O Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) é considerado protecionista, ao passo que o clube do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) é liberal em matéria comercial.

No encontro dos próximos dias, a proposta do governo brasileiro será a de antecipar a completa desgravação do comércio.

Com o Chile, já há acordo, até porque se trata de país associado ao Mercosul, embora não seja membro pleno.

Com a Colômbia, de 55% a 60% do comércio já está livre de tarifas, e o livre-comércio total está previsto para 2018.

Com o Peru, o cenário é parecido: quase 70% das trocas comerciais já não pagam tarifas e se pretende chegar a 100% em 2019.

Já com o México, há um acordo automotivo e um acordo de complementação econômica, que, no entanto, abrange poucos produtos, até porque o país norte-americano tem notórias dificuldades no setor agrícola, no qual o Mercosul é muito forte.

Para o Mercosul, a Aliança do Pacífico é um mercado extremamente atraente, com sua economia na altura de US$ 2 trilhões ou 35% da América Latina.

O Mercosul, pela presença do Brasil, é bem maior: US$ 3,3 trilhões ou 58% do PIB (Produto Interno Bruto) da América Latina.

490 MILHÕES

Se for alcançado o objetivo do encontro (cunhar a marca Mercosul/Aliança do Pacífico como complementar e não como uma competição), o rótulo cobrirá, portanto, 93% da economia latino-americana, com quase 490 milhões de potenciais consumidores.

Para o Brasil, especificamente, o mercado dos quatro da Aliança é atraente não só quantitativamente mas também qualitativamente: no primeiro semestre deste ano, os manufaturados representaram 75% das exportações brasileiras para o bloco, quando se sabe que uma das críticas permanentes que são feitas ao comércio exterior brasileiro é a concentração em produtos primários, de baixo valor agregado.

INTERCÂMBIO

Mesmo antes de implementada a plena desgravação, o comércio entre eles e o Brasil só faz crescer: pulou de US$ 10,789 bilhões em 2004 para US$ 26,922 bilhões no ano passado. Só no primeiro semestre deste ano, o intercâmbio já bateu em US$ 15 bilhões, o que faz supor que superará a marca de 2013.

A desgravação facilitará, naturalmente, a competição com a China, que avança avassaladoramente em mercados em que, pela proximidade, o Brasil deveria ter vantagens.

Estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria e divulgado pelo jornal "Valor" mostra que, só em 2011, o Brasil deixou de vender US$ 5,5 bilhões com a perda de espaço no seu principal mercado, a América Latina.

O montante equivale a 11% de tudo que o Brasil vendeu à região em 2011 e é a diferença entre o que o país efetivamente exportou e o que exportaria se tivesse mantido a mesma fatia de mercado que detinha em 2008.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

ITALIANA MONTA FÁBRICA NO BRASIL PARA ATENDER SETOR DE PETRÓLEO
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

A italiana Riveco Generalsider S.p.A, especializada em tubos de aço, vai instalar sua primeira unidade no Brasil, em Lorena (SP). O investimento de R$ 110 milhões será feito em duas etapas.

Na primeira, na qual aportará R$ 36 milhões, a empresa fará a concretagem e o revestimento de tubos utilizados na indústria de petróleo e gás. Em 2015, a Riveco planeja já estar atendendo a Petrobras e seus fornecedores.

A partir do final do ano que vem, além de prestar serviços, a companhia vai instalar no mesmo local uma fábrica de tubos de aço, com investimento de R$ 73 milhões.

"É uma oportunidade porque há apenas uma empresa que faz concretagem de tubos de aço no Brasil e o setor vai se aquecer cada vez mais, inclusive por causa do pré-sal", disse o CEO Eliseo Paolicchi, por telefone da Itália.

De início, a empresa pensou em se instalar na capital do Espírito Santo, onde já está outra empresa italiana do grupo ENI, conhecida da Riveco, segundo Paolicchi.

"Mas os terrenos estavam caros demais em Vitória e encontramos uma boa alternativa em Lorena", afirmou.

O projeto tem o apoio da agência estadual Investe São Paulo.

240
é o número de empregos diretos que a fábrica gerará até 2016

2
são as plantas da empresa na Itália
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 22/08/2014

MINISTRO PREVÊ PARA OUTUBRO RETOMADA DA NAVEGAÇÃO NA HIDROVIA TIETÊ-PARANÁ
Publicado em 08/22/2014 as 03:15 PM

Trecho no interior paulista secou com a escassez de chuvas

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse nesta quinta-feira que espera, para breve, a retomada da navegação pela hidrovia Tietê-Paraná. O trecho no interior paulista secou com a escassez de chuvas e a maior retenção de águas nos reservatórios da região.

- Há uma expectativa de que, a partir de outubro, já comece a ocorrer chuvas que caminham no estabelecimento da regularidade (da navegação) - disse Passos.

Presente ao evento VI Brasil nos Trilhos, em Brasília, Passos disse trabalhar em "sintonia fina" com a iniciativa privada para lançar, em breve, o edital de concessão do trecho da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste entre Campinorte e Lucas do Rio Verde. Essa será a primeira ferrovia a ser leiloada no Programa de Investimento em Logística (PIL).

No evento, o vice-presidente Michel Temer disse a empresários do setor ferroviário que o governo não é “centralizador” nos empreendimentos do segmento. O leilão da primeira ferrovia à iniciativa privada no PLI vem atrasando por conta de críticas dos potenciais investidores ao marco regulatório do modelo.

— Ideia de que este governo quer manter tudo com o estado, de tantas vezes repetido, as pessoas acabam acreditando. Que não há prestigiamento da iniciativa privada. (…) Mas o chamamento da iniciativa privada é uma constante do nosso governo (…). Tentam sinalizar uma centralização estatal, quando, na verdade, estamos fazendo uma descentralização — disse Temer.

Os empresários vem reclamando que a participação da estatal Valec no modelo de concessões lançado pelo governo ao fim de 2012 é um fator de risco a mais para os interessados. Nos últimos meses, o governo vem se reunindo com representantes da iniciativa privada, para tentar fazer deslanchar o primeiro leilão de ferrovia no PIL, de Campinorte e Lucas do Rio Verde.

— Ferrovias fazem parte desse processo da eficiência. Elas entraram nesse capítulo da eficiência, não basta as hidrovias, não basta as rodovias. A ferrovia vai tornar mais eficiente a prestação de serviços públicos.
Fonte : O Globo
Data : 21/08/2014

ANTT AUTORIZA ENQUADRAMENTO DE PROGRAMA DA VALE EM ESTRADA DE FERRO CARAJÁS NO REIDI
Publicado em 08/22/2014 as 03:14 PM

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou o enquadramento do Programa Capacitação de Logística Norte da Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale, no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura (Reidi), segundo resolução publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

A suspensão de impostos e contribuições por conta do enquadramento do programa no Reidi foi estimado em 409,2 milhões de reais, de acordo com a resolução.

O Programa Capacitação Logística Norte visa preparar a infraestrutura logística da Vale para atender ao novo volume de minério produzido no Pará, a partir de 2015. O programa inclui a expansão da Estrada de Ferro Carajás e a construção de um ramal ferroviário para ligar a mina do Projeto Ferro Carajás S11D à Estrada de Ferro Carajás.

O Reidi concede benefícios fiscais para empresas atuantes em projetos de infraestrutura.
Fonte : O Globo
Data : 22/08/2014

PETROBRAS PAGA US$ 434 MI PARA GARANTIR USINA
Publicado em 08/22/2014 as 02:15 PM

A Petrobras desembolsará US$ 434 milhões para garantir o funcionamento da usina térmica Cuiabá, que possui 500 megawatts (MW) de capacidade e gera energia desde abril a partir do processamento de 2,24 milhões de metros cúbicos de gás natural. O gasto faz parte do acordo com a boliviana YPFB, fornecedora do gás, após um longo período de negociação em torno do preço do insumo, informou a empresa.

Nos últimos 90 dias, enquanto as duas companhias negociavam o preço do gás, o abastecimento era garantido por um contrato provisório. As divergências diziam respeito ao valor a ser pago pelo metro cúbico de um produto de melhor qualidade, capaz de produzir energia com mais eficiência do que aquele que estava previsto no contrato inicial. Quanto melhor a qualidade do produto, mais caro.

Após as negociações, Petrobras e YPFB acrescentaram ao acordo ajustes técnicos e comerciais, que garantirão o fornecimento do gás até 31 de dezembro de 2016 e o funcionamento da térmica, importante para o pleno funcionamento do sistema elétrico, sobretudo, na região Centro-Oeste do País. As usinas térmicas estão sendo utilizadas como solução neste momento em que os níveis dos reservatórios estão baixos.

De acordo com comunicado da Petrobras ao mercado, divulgado na última segunda-feira, o acordo terá impacto de US$ 268 milhões no resultado financeiro da empresa no terceiro trimestre deste ano. Porém, ao fim de 2014, é projetado lucro de US$ 128 milhões.

Além disso, a companhia informa que “o suprimento de gás boliviano ao mercado brasileiro faz parte do planejamento estratégico da Petrobras, que já exerce atividades de exploração e produção de gás natural na Bolívia e busca novas oportunidades.”
Fonte : Jornal do Commercio
Data : 21/08/2014

MULTAS APLICADAS PELA FISCALIZAÇÃO DA ANP A PARTIR DE 2011 SUPERAM R$ 793 MILHÕES
Publicado em 08/22/2014 as 02:14 PM

Correção: A multa aplicada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) na britânica BP é de R$ 350 mil e não de R$ 350 milhões como constava da matéria. Segue o texto corrigido.

A fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a atividades de exploração e produção de petróleo e gás no Brasil aumentou, e com ela o número e valor das multas aplicadas entre 2011 e 2013. Além de em maior número, o valor das penalidades aumentou de um ano para outro no período avaliado. As 74 multas aplicadas pela ANP em 2011 totalizaram R$ 155 milhões, e esse valor quase dobrou em 2012, quando foram aplicadas 80 multas, que somavam R$ 254 milhões. Em 2013, outro salto. Foram aplicadas 90 multas no valor de R$ 384,124 milhões.



Nos três anos, foram feitas 244 autuações que somaram R$ 793,187 milhões. Esse valor se refere a 169 multas (68% das penalidades), e não inclui outros 75 infrações que estão sob análise da agência reguladora e que por isso ainda não têm valor definido. O levantamento, feito pelo escritório de advocacia Mattos Filho com base em dados públicos, mostra que das 169 penalidades com valor definido, 112 foram pagas sem questionamento pelas empresas, que aproveitaram o desconto de 30% garantido pela Lei 9.847/99, que garante o benefício para quem não recorrer.



Outras 14 foram revertidas pelo regulador em primeira ou segunda instância, oito estão aguardando decisão e 19 delas (cerca de 11% do total) estão sendo contestadas judicialmente. Outras 16 foram registradas na dívida ativa da União.

O advogado Giovani Loss, sócio responsável pela área de petróleo e gás do Mattos Filho, explica que o levantamento teve o objetivo de identificar tendências da fiscalização, já que isso pode incentivar os clientes a aumentarem a precaução e a definirem as melhores estratégias de defesa. Sobre o aumento das punições, Loss atribui à maior sofisticação da agência. "Em parte a ANP se tornou mais sofisticada e melhorou seus instrumentos. Por outro lado, existem mais ativos em produção, o que aumenta a probabilidade de multas", diz.

Maior empresa em atividade no Brasil e com a maior produção, a Petrobras foi a que recebeu as maiores autuações. A empresa foi multada por 88 infrações que somavam R$ 692,36 milhões entre 2011 e 2013. As multas se referem a áreas onde a estatal é operadora, o que significa que ela não terá que desembolsar os valores sozinha, dividindo com sócios.
A estatal também recebeu a multa de maior valor, aplicada pela superintendência de participações governamentais, de R$ 368,6 milhões. Mas não houve pagamento, já que a estatal recorreu à Justiça. Já a multa mais cara aplicada, e já paga, coube à britânica BP, no valor de R$ 350 mil.

No último formulário de informações trimestrais enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a Petrobras informa a existência de processos administrativos e judiciais com a ANP a respeito de diferenças relacionadas ao pagamento de royalties e participação especial (PE) de vários campos, e também sobre a existência de multas aplicadas pela agência que somavam R$ 3,741 bilhões até 30 de junho de 2014. O número inclui autuações anteriores a 2011, e por isso não estão no levantamento. As demais concessionárias receberam 68 multas no período de 2011 a 2013, no valor de R$ 100,8 milhões.

Depois da Petrobras, o maior número de autuações foi para a Chevron pelo vazamento no campo de Frade (9 que somaram R$ 50 milhões), seguida pela Shell e Ral (8), OGX (7) e Petrosynergy (5) enquanto a angolana Sonangol recebeu 4 multas, mesmo número da Aurizônia. Em valores, o segundo lugar depois da Chevron entre as maiores multas aplicadas ficou com a indiana ONGC, que recebeu autuações de R$ 29 milhões.

O terceiro lugar é da OGX, com R$ 7,137 milhões. A ANP também teve sucesso quando o tema foi parar na Justiça, já que dos 25 questionamentos judiciais, apenas quatro foram decididas em favor das concessionárias na primeira instância. Nas sete decisões na segunda instância, três foram favoráveis a elas.

O advogado também chama a atenção para as superintendências onde as autuações foram geradas. As maiores multas, totalizando R$ 544,8 milhões, foram aplicadas pela superintendência de controle das participações governamentais (SPG). Já maior número de autuações (83) vieram da superintendência responsável pelas áreas de segurança operacional e meio ambiente (SSM).

Isso tende a mudar, segundo Loss, com o avanço da fiscalização da agência sobre o cumprimento dos percentuais de conteúdo local à medida que avançaram os investimentos nos blocos adquiridos a partir da Sétima Rodada de Licitações, de 2005. Naquela licitação houve mudança na forma de medição dos bens e serviços fabricados no Brasil. Até 2013 a superintendência responsável pela fiscalização do conteúdo local ainda avaliava os percentuais praticados na fase exploratória da Sexta Rodada, de 2004.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

FALTA ESPAÇO PARA CARGAS EM MANAUS
Publicado em 08/22/2014 as 02:13 PM

Mais movimentado aeroporto da região Norte do país, com 3 milhões de passageiros em 2013 - dos quais 2,86 milhões domésticos - o aeroporto de Manaus acaba de passar por uma reforma conduzida pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária ao custo estimado de R$ 452,6 milhões, conforme previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Iniciadas em 2011, as obras só devem ser concluídas no próximo mês, mas a maior da reforma já foi entregue e colocada em operação.

Com a reforma, o tamanho do terminal de passageiros cresceu 150%, de 39 mil para 97 mil metros quadrados, ampliando a capacidade do terminal aeroportuário de 6,4 milhões para 13,5 milhões de passageiros anos. Com demanda prevista pela Infraero de apenas 4 milhões de passageiros em 2014, o aeroporto ganha fôlego extra para os próximos anos, mas não resolve algumas questões centrais, na avaliação de Augusto Rocha, doutor em engenharia de transportes e professor da Universidade Federal do Amazonas.

Para o especialista, Manaus opera em condições precárias, especialmente em cargas. Sua capacidade de armazenamento representa cerca de metade da demanda. Além disso, o aeroporto conta com uma única pista, o que faz com que qualquer incidente possa paralisar as operações por horas.

Manaus movimentou 120 mil toneladas de carga doméstica no ano passado, o maior volume entre os terminais administrados pela Infraero. No comércio exterior foram mais 45 mil toneladas - 42 mil apenas na importação. Insumos importados e eletrônicos produzidos na Zona Franca de Manaus - especialmente telefones celulares, produtos de pequeno volume e alto valor unitário - constituem a maior parte da carga que circula pelo terminal.

Distrito Industrial de Manaus: obras de acesso até agora não deslancharam



De acordo com a Infraero, "não há, no horizonte de curto prazo, planejamento para implantação de novo terminal de cargas ou de uma segunda pista de pouso e decolagem, já que a infraestrutura existente hoje atende a demanda atual e projetada do aeroporto".

Outra questão que afeta diretamente o Polo Industrial de Manaus é o acesso. O governo do Estado havia previsto para começar em julho obras para uma nova avenida entre o aeroporto e o Distrito Industrial. A via deveria cortar a área conhecida como Distrito Industrial 2, ainda praticamente desocupada, e retirar o movimento de veículos de carga do centro da capital amazonense. Até o momento, as obras não deslancharam.

Para Augusto Rocha, por sua posição central, Manaus deveria funcionar como um hub - terminal concentrador - tanto de carga quanto de passageiros não só para voos domésticos destinados à região Norte, mas também para os internacionais, sobretudo para os países da região amazônica.

Segundo ele, a ideia do hub chegou a ser defendida pela Superintendência da Zona Franca, o governo local e outros agentes econômicos, principalmente em meados da década passada, mas a falta de recursos, agravada pelos seguidos contingenciamentos das verbas da Suframa acabaram sepultando o debate.

Hoje, segundo afirma Rocha, para que a ideia vingasse, seria necessário que uma companhia aérea decidisse concentrar operações em Manaus. Porém seriam necessários novos investimentos em hangares, contração de mão de obra especializada para operação e manutenção de aeronaves e investimentos na infraestrutura da cidade e na rede hoteleira.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

CONCILIAR INTERESSES PARA APROVEITAR POTENCIAL HÍDRICO
Publicado em 08/22/2014 as 02:13 PM

Chipp: geração térmica cresce mesmo com chuvas na média histórica

O futuro da matriz elétrica repousa sobre a Amazônia Legal, território que abriga cerca de 65% do potencial hidrelétrico do país, detentor de uma das cinco maiores disponibilidades de geração hidrelétrica do mundo, com cerca de 10% dos recursos existentes no planeta. Aproveitar ao máximo o potencial será uma tarefa complexa, já que exigirá conciliar interesses de ambientalistas, governo, empresários e tribos indígenas.



Desde a década de 1990, os principais projetos que têm saído na região Norte têm privilegiado a construção de usinas hidrelétricas a fio d'água - sem grandes reservatórios, o que reduz o impacto ambiental, mas também diminui o acúmulo de energia.

Essa escolha aumentou a fragilidade do sistema de fornecimento de energia no país, ampliando a dependência anual de chuvas fortes no período úmido.

A capacidade de armazenamento das hidrelétricas caiu de 6,3 meses para 4,7 nos últimos dez anos. Entre 2013 e 2018 - período em que entram em operação grandes empreendimentos, como as usinas do rio Madeira e Belo Monte, os maiores projetos hidrelétricos desde o início de Tucuruí (PA), em 1974 -, está prevista a entrada de 20 mil MW de capacidade hídrica no sistema, sendo que só 200 MW têm reservatórios, segundo estimativa do governo. Isso fará com que a capacidade de armazenamento caia para 3,8 meses em 2018, segundo estimativas da CPFL Energia.

A construção de usinas hidrelétricas a fio d'água, com menor capacidade de armazenamento plurianual, aumenta o desafio de gerenciar o sistema elétrico e cria a necessidade de expansão do parque térmico do país. Para o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, é importante observar que o uso de geração térmica tem crescido mesmo quando as chuvas estão perto da média histórica.

"A geração térmica é necessária para o atendimento no horário de ponta no fim do período seco, principalmente quando a temperatura sobe. É preciso começar a discutir se faremos hidrelétricas com reservatórios ou se as térmicas irão operar na base", destacou Chipp.

Sem construção de usinas com grandes reservatórios, o sistema tem sofrido mais oscilações. Em 2012, no fim do período úmido, os reservatórios estavam em 72%. No fim do ano, caíram abaixo dos 40%. Em 2013, o índice de deplecionamento foi de 22%. "Vai ser preciso mais térmica, não tem milagre", diz.

Há outra questão a ser observada: grandes usinas hidrelétricas estão e estarão sendo construídas na região Norte, enquanto a maior parte do consumo está concentrada nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.

Isso criará a necessidade de transferência de grandes blocos de energia entre as regiões. "Isso aumenta o risco de grandes ocorrências no sistema, cria a necessidade de ampliação dos troncos de transmissão entre regiões e abre a discussão se vale a pena pagar a adoção de sistemas de contigência dupla nas interligações para reduzir os riscos de ocorrências", observa Chipp.

Para avançar, será preciso desatar outro nó: a questão indígena. "A questão ambiental e indígena será bastante complicada e exigirá negociação complexa", ressalta Alexei Vivan, presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Energia (ABCE). Há dois anos, o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, apresentou um projeto a vários ministérios sugerindo que os índios pudessem receber royalties de empreendimentos que os afetassem diretamente.

Em vez de irem para o orçamento da Funai, os recursos seriam gerenciados por um comitê tripartite, formado por comunidade, investidores e Funai. Outra experiência diferenciada é a do Canadá, em que algumas tribos passam a ter participação em usinas. "A participação é bem pequena, mas eles compartilham os resultados do empreendimento", comenta.

Exemplo das dificuldades existentes pôde ser visto na usina de São Manoel, no rio Teles Pires, projeto a fio d'água e cuja área indígena estava a mais de 50 quilômetros distante do empreendimento. A União tentou por mais de dois anos obter licenciamento para o Projeto, licitado apenas no fim de 2013.

Em 2010, o Ibama apontou uma série de deficiências no estudo de impacto ambiental da hidrelétrica que teria capacidade para abastecer mais de duas milhões de residências. Em outubro de 2011, durante processo de audiência pública da discussão do empreendimento, quatro funcionários da Funai, dois da EPE e um antropólogo foram sequestrados pela tribo indígena Kururuzinho, que não quer a usina.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

USINA BUSCA TER UM IMPACTO MENOR
Publicado em 08/22/2014 as 02:12 PM

Victor Paranhos, presidente da Energia Sustentável do Brasil: “Construir em plena Amazônia é uma tarefa árdua”



No último trimestre ou início do próximo ano, deverá ir a leilão exclusivo a usina hidrelétrica de São Luiz dos Tapajós, localizada no rio Tapajós, a cerca de 330 quilômetros da sua foz no rio Amazonas. Investimento de R$ 30,6 bilhões, o empreendimento é o primeiro de uma série de projetos previstos no rio (entre eles, Jatobá com 2,3 mil MW) e poderá ter uma forma inédita de construção, para reduzir os impactos ambientais e sociais. O reservatório do empreendimento será a fio d'água, ou seja, depois de formado, todo o volume de água que chegar pelo rio irá passar pelas estruturas construídas na barragem, sem a necessidade de um grande reservatório.



Com 8.040 MW de capacidade, o projeto terá 4.012 MW médios de energia firme, em duas casas de força. "São grandes as chances de o leilão de Tapajós sair ainda este ano. O processo está andando", afirma o presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Mauricio Tolmasquim. Na última semana de julho, a Eletrobras entregou ao Ibama o estudo e o relatório de impacto ambiental e solicitou a licença prévia para a usina. O documento é obrigatório para que o empreendimento seja leiloado. Agora os órgãos ambientais e a Funai irão se debruçar sobre o relatório.

Segundo o relatório de impacto ambiental, divulgado recentemente, a implantação da usina afetará diretamente cerca de 1.400 pessoas. Em torno de 1.100 pessoas deverão ser removidas para dar lugar à barragem e às demais estruturas do empreendimento. Para a construção, serão contratados 13.000 trabalhadores no período de maior intensidade das obras, entre o segundo e terceiro anos de construção. Outras 12.500 pessoas poderão chegar em busca de emprego e negócios.
Uma das ideias que poderão ser aplicadas pelo consórcio construtor é o conceito de usina-plataforma, inspirado nas plataformas marítimas de exploração de petróleo e gás, onde os trabalhadores se revezam em turnos. As usinas no rio Tapajós seriam construídas sem a instalação de vilas operárias, cidades e centros comerciais no entorno. A ideia é criar alojamentos temporários, entre outras instalações, que serão totalmente desmontados no fim da obra, reduzindo a possibilidade de grandes migrações para a região. Além disso, vias provisórias de acesso serão desfeitas e a vegetação recomposta, com replantio de árvores.

Além da usina de São Luiz dos Tapajós o governo pretende licitar outros empreendimentos, como a de Jatobá, também no rio Tapajós (a ser licitada em 2015) com 2.300 MW de potência, Bem Querer (em 2016, com 700 MW de capacidade) e Simão Alto (previsto para ser leiloado em 2017 com potência de 3.500 MW). Todos estão localizados na região Norte e, juntos, devem demandar mais de R$ 50 bilhões de investimentos.

São Luiz dos Tapajós é mais um empreendimento a fio d'água, um conceito que tem ganho espaço na região Norte desde a década de 1990. No rio Madeira, em Rondônia, a usina de Jirau foi planejada assim desde o início do projeto como uma usina sem grande reservatório para acúmulo de água. A escolha se deu pela força do rio Madeira. "É importante a construção do reservatório no local correto. Não se pode abandonar essa opção por preconceito", diz Victor Paranhos, presidente da Energia Sustentável do Brasil, responsável pela construção da usina de Jirau.

O empreendimento iniciou sua operação comercial em setembro de 2013, nove meses depois do prazo inicial estipulado pela Aneel. O atraso é avaliado pelos empreendedores como reflexo direto de dois distúrbios ocorridos em 2011 e 2012, que resultaram na perda de cerca de 500 dias de trabalho. Em 2011, cerca de dez mil trabalhadores foram retirados do canteiro de obras, após uma briga. Veículos foram depredados, moradias destruídas. A tecnologia de construção dos alojamentos passou a ser alterada nos empreendimentos, com outros materiais substituindo a madeira. Em 2012, a Força Nacional foi enviada para conter incêndios. Houve queixas com a alegação de que os trabalhadores foram tratados como criminosos pelo governo federal.

O consórcio construtor corre contra o tempo para minimizar o atraso. Até o início de julho, dez turbinas estavam ligadas. A meta é de que se chegue a 24 no fim do ano. Em maio, foi aberto um turno noturno com 800 funcionários para a montagem eletromecânica. O atraso impediu a geração comercial das turbinas para vender energia no mercado livre.

Lidar com grande quantidade de trabalhadores e cumprir as exigências sociais e ambientais se somam a outros desafios, como o logístico. Entre novembro e abril, período úmido, as chuvas na região complicam o transporte de peças e equipamentos. As estradas são precárias. "Construir em plena Amazônia é uma tarefa árdua", destaca o executivo. Para ele, deveria ser aberta a possibilidade de perdão por atrasos. "Há muitos riscos envolvidos", diz Victor Paranhos.

Uma das maiores hidrelétricas do mundo, Belo Monte tem sido erguido em plena floresta amazônica, na região Norte, em que o período úmido, que se estende de novembro a abril, costuma ser um complicador, principalmente por afetar o transporte de peças e equipamentos pelo modal rodoviário. Uma saída encontrada pelo consórcio Norte Energia foi a construção de um porto. "Sem isso, teríamos alguma dificuldade para transportar peças e materiais no período chuvoso", aponta o diretor de Fornecimento e Montagem, Wellington Lopes Ferreira. O transporte de alimentos é feito pela rodovia Transamazônica, mas, quando necessário, utiliza-se também o modal fluvial, a partir de uma base no porto de Belém (PA). Neste caso, os produtos são descarregados das carretas, identificados, separados de acordo com os destinos e dispostos em contêineres, transportados em balsas até o porto. Ali, caminhões fazem o translado do material para o sítio correspondente, onde são conferidos e levados.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

EMPRESA INVESTE PARA DRIBLAR GARGALOS NA ZFM
Publicado em 08/22/2014 as 02:11 PM

A multinacional francesa BIC, que há 41 anos produz barbeadores, isqueiros e canetas esferográficas em sua fábrica da Zona Franca de Manaus (ZFM), decidiu responder aos desafios de infraestrutura logística da região com investimento de R$ 40 milhões na ampliação da unidade.

A expectativa é consolidar o Brasil como segundo maior mercado do mundo para o grupo, atrás apenas dos Estados Unidos, com um faturamento bruto de R$ 1 bilhão estimado para 2016. Líder na categoria de escrita e isqueiros e vice-líder no segmento de barbeadores descartáveis, a BIC vende em mais de 160 países 25 milhões de canetas, 6 milhões de barbeadores e 10 milhões de isqueiros a cada dia. Só neste ano, a previsão de vendas chega a 300 milhões de esferográficas fabricadas em Manaus. Não fossem os gargalos, o desempenho poderia ser ainda melhor. "Manaus foi uma boa opção. Tem os desafios de transporte, mas tem também a viabilidade econômica", diz André Negro, diretor de supply chain da BIC Brasil.

A Zona Franca de Manaus, criada em 1967 com o objetivo estratégico de "integrar para não entregar" as riquezas da Amazônia às investidas estrangeiras e permitir o surgimento de um novo polo de desenvolvimento no país, faturou no ano passado R$ 83,5 bilhões, 13,6% acima de 2012, e gerou mais de R$ 20 bilhões em impostos.

As mais de 600 empresas instaladas no polo produzem de equipamentos eletrônicos a automóveis, de bebidas a brinquedos. São elas que geram 170 mil empregos diretos, com impactos no comércio e no setor de serviços. Oitenta por cento do Produto Interno Bruto do Estado, que corresponde a 1,6% do PIB brasileiro, se concentram na capital. O PIB industrial manaura é o terceiro do país, atrás apenas do de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Ainda assim, dados do "Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus 2009-2014" da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a autarquia que responde pela gestão do polo industrial, revelam que os custos de produção têm impactos negativos cada vez maiores. Há cinco anos, insumos como salários, encargos e benefícios sociais e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) chegavam a R$ 26,7 bilhões - ou 48,2% da receita total de R$ 55,4 bilhões.

No ano passado, a taxa já era de 54,04% - ou R$ 48,5 bilhões de custos para uma receita total de R$ 89,9 bilhões. Levantamento do especialista Augusto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas e coordenador do comitê de logística do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas, aponta para uma queda na participação do Polo Industrial de Manaus no PIB nacional, de 2,14%, em 2005, para 1,57%, em 2012, por conta da perda de competitividade com o declínio da infraestrutura logística e outras deficiências do custo Brasil associadas ao custo Amazonas.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

GEOGRAFIA DIFICULTA OPÇÃO PELO MODAL FERROVIÁRIO
Publicado em 08/22/2014 as 02:10 PM

Hélio Fernandes: “A infraestrutura na Amazònia mal chegou ao século 20”

A construção e até a reforma de rodovias de acesso às localidades mais remotas da Amazônia, que garantam o suporte logístico essencial à economia, esbarram quase sempre em dois obstáculos equivalentes ao tamanho da região: a preservação ambiental e a segurança das populações indígenas. A alternativa de substituição pelo modal ferroviário, solução proposta pelos ambientalistas para a ligação entre Manaus e Porto Velho, que atravessa um parque nacional e uma reserva indígena, encontra resistência no custo inicial e nas dificuldades geográficas para a implantação do projeto.


O óbvio, que é o transporte hidroviário, dependeria de investimentos em portos de carga, terminais de passageiros e até em sistemas de sinalização que demarquem as hidrovias. O modal aéreo oferece perspectivas, mas, de acordo com especialistas, enfrenta restrições de capacidade e custo operacional em um país com aviação regional subdesenvolvida.
"As prioridades um, dois, três e quatro deveriam ser a hidrovia. Só depois se poderia pensar em ferrovias em eixos estratégicos com menos impacto ambiental que a rodovia, que abre muito espaço para a grilagem e a exploração das madeireiras", diz Virgílio Vianna, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável. "Quando se fala de rodovias, os impactos são muito grandes, mas mesmo as ferrovias são obras complicadas de serem implantadas", afirma José Hélio Fernandes, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC).

"O desenvolvimento sustentável preconiza um tripé: econômico, social e ambiental. Qualquer um dos três que se sobreponha ao outro desfaz o equilíbrio. Hoje a Amazônia não está integrada ao Brasil. Sob a ótica da infraestrutura, mal chegou ao século 20", diz o doutor em engenharia de transportes Augusto Rocha.

Para muito além do debate ambiental, a interiorização de rodovias é considerada importante para o desenvolvimento econômico da região. A criação de uma rota alternativa multimodal até a ferrovia Norte-Sul em Tocantins poderia representar uma economia de até 30% no frete e serviria para o escoamento da produção de soja das fronteiras agrícolas até os portos do Pará e do Maranhão.

A recuperação da BR-230, a Rodovia Transamazônica, com mais de 4 mil quilômetros, ligando as cidades de Cabedelo, na Paraíba, a Lábrea, no Amazonas, é defendida por Augusto Rocha desde que adotado um modelo de gestão ambiental. As obras da BR-319, entre Manaus e Porto Velho, estão paradas à espera de licenciamento ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), de acordo com o portal do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A conclusão do asfaltamento dos 3.467 quilômetros da BR-163, que liga Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará, pode reduzir em dois ou três dias o percurso entre Manaus e São Paulo e permitir que parte da soja do Centro-Oeste não precise descer para os portos da região Sul para ser embarcada para o mercado exterior.

A construção de aeroportos nas microrregiões do Amazonas, com a utilização de pistas no rio para hidroaviões e pistas em solo para aviões convencionais, com pelo menos um terminal de cada tipo em todas as microrregiões do Estado, seria um esforço importante para a integração regional. A ideia é que as calhas dos rios maiores tivessem também um aeroporto a cada 600 quilômetros para permitir a presença de tráfego aéreo para os Estados mais desenvolvidos.

A construção da segunda pista do Aeroporto Eduardo Gomes seria importante para garantir a movimentação caso uma aeronave enfrente problemas mecânicos na única pista que hoje existe no terminal.

"O problema logístico é muito sério na Amazônia", diz Virgílio Vianna, da Fundação da Amazônia Sustentável. "A multimodalidade de transportes é o que ainda dá suporte ao escoamento da produção da região, mas é importante conciliar alternativas ambientais e economicamente satisfatórias", diz Fernandes, da NTC.

"Há uma equação dúbia quando se trata da Amazônia: por um lado se quer desenvolvimento, mas todos com um mínimo de consciência desejam também a preservação da floresta. O desafio é conseguir as duas coisas e o desenvolvimento sustentável parece ser um bom caminho para superar o dilema", diz o professor Rocha.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ROTAS ALTERNATIVAS AJUDAM A ESCOAR AS SAFRAS
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

Duto de transporte em Barcarena: custos logísticos entre os mais altos do país

A logística deficiente é um dos maiores gargalos do setor produtivo que atua na região Norte, mas algumas rotas alternativas têm sido criadas nos últimos anos, abrindo novas possibilidades para empresas do setor agrícola e industrial escoarem sua produção, seja para o exterior, seja para os mercados do Sul e Sudeste. Esse movimento contribui para a redução dos custos logísticos regionais.

Recentemente, a Bunge, uma gigante do agronegócio, inaugurou uma nova rota de exportação, com a abertura de terminais portuários nas cidades paraenses de Miritituba e Barcarena, o que possibilita o uso da hidrovia Tapajós-Amazonas. A navegação pelo rio eliminará mais de três mil viagens de caminhões por mês, que antes levavam os grãos do Centro-Oeste aos portos do Sul e Sudeste.

O projeto se tornou factível após o anúncio de que a BR-163 sairia do papel. No primeiro ano de operação o complexo terá capacidade de escoamento de até 2,5 milhões de toneladas de grãos. Considerando-se que a BR-163 esteja totalmente asfaltada, é esperada redução de mais de 20% no tempo total da viagem. Há potencial para dobrar o volume e chegar a cerca de quatro milhões de toneladas.

Outra gigante mundial do agronegócio, a ADM informou, também recentemente, estar autorizada oficialmente a utilizar o terminal portuário de Ponta da Montanha, na região de Barcarena, a 20 quilômetros de Belém, no Pará. O terminal servirá para agilizar o escoamento de grãos (sobretudo soja e milho) da empresa. A instalação tem capacidade para movimentar 1,5 milhão de toneladas nesta primeira fase de operações, mas o volume poderá alcançar 6 milhões de toneladas por safra na segunda fase, prevista para 2016.

"Outras empresas, com destaque para o setor agrícola, estão investindo em terminais no Pará para aumentar as opções de multimodalidade, com destaque para as hidrovias. Com essas opções, as empresas ganham um caminho mais rápido para escoar a safra de grãos do Centro-Oeste. Fica mais competitivo trazê-la pelo Norte do que por Santos ou Paranaguá", destaca Hito Braga, professor do de engenharia naval da Universidade Federal do Pará.

Com a multimodalidade, os custos caem e ganha-se rapidez. Mas esse cenário trará maior pressão sobre a capacidade de escoamento dos portos do Arco Norte. "Com certeza haverá pressão, mas há muitos projetos de terminais privativos que poderão sair do papel", afirma Braga. Outra opção é a navegação de cabotagem, que cresce a ritmo anual de dois dígitos nos últimos cinco anos no Brasil. "O maior potencial está na conversão das cargas do modal rodoviário para a cabotagem", observa Vital Jorge Lopes, presidente da Log-In.

Duto de transporte em Barcarena: custos logísticos entre os mais altos do país



A empresa inaugurou, em maio, uma nova operação para cargas produzidas no polo industrial de Manaus, que permitirá que os navios atendam aos mercados de São Paulo e região no mesmo tempo de viagem do transporte rodoviário - cerca de dez dias. Antes, o transporte entre Manaus e Santos levava 14 dias. "Temos espaço para escoar algumas cargas pela cabotagem, com um frete que pode ser 25% a 30% mais barato", relata Vital Jorge Lopes, presidente da empresa. O maior potencial de atração dessa nova rota expressa está na indústria de eletrodomésticos e eletrônica no polo industrial de Manaus. O serviço também vai conectar os portos de Fortaleza, Suape e Salvador, de olho na instalação de um polo petroquímico no Nordeste e na abertura de fábricas de montadoras na região.

As novas rotas poderão mudar um pouco o panorama regional. Os custos logísticos hoje na região estão entre os mais elevados do país. Pesquisa do professor Augusto César Barreto Rocha, da Universidade Federal do Amazonas, aponta que hoje é mais caro transportar uma carga de Manaus para Santos do que de Xangai, na China, para o mesmo destino. A diferença é de mais de 63% quando se compara o transporte de um contêiner entre as duas rotas.

"O que leva a esses custos é a soma do Custo-Brasil ao Custo-Amazônia, associado à baixa competição. Existe hoje uma consolidação das empresas de transporte no Brasil, onde cada vez menos empresas operam no setor. Para o professor, uma das saídas para reduzir os custos logísticos é facilitar a instalação de novos Terminais de Uso Privado e de um porto público em Manaus, aumentar o calado em alguns pontos, permitindo a operação de navios maiores, além de desenvolver novas tecnologias para sinalização, dispensando o uso de práticos na região amazônica.

A região Norte possui o maior potencial hidrelétrico do país, com cerca de dois terços da disponibilidade de recursos existentes, mas a construção das usinas não tem sido feito em paralela com a instalação de eclusas, o que permitiria a navegação nos rios depois que as barragens são erguidas. A eclusa custaria menos de 5% do valor da hidrelétrica. "As eclusas deveriam ter sido construídas junto com as hidrelétricas. Hoje parece um sonho cada vez mais distante.

Outro obstáculo é a precariedade das estradas. O acréscimo médio do custo operacional devido às más condições do pavimento é de 25% no Brasil. As regiões Sul e Sudeste apresentam as melhores condições de asfalto, com custos operacionais de 19% e 21%, respectivamente. Já o Norte apresenta o pior: 39,5%. O número é resultado direto das condições das estradas na região: o Pará e o Acre lideram o ranking entre os Estados com as piores estradas do país.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

GRANDES OBRAS ELEVAM RISCO DE DEGRADAÇÃO DA FLORESTA
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

Grandes obras na região amazônica são normalmente o primeiro passo para a abertura de novas frentes de desmatamento e degradação da floresta. Mesmo conhecendo o problema, autoridades e agentes financeiros evitam entrar em detalhes sobre as compensações ambientais necessárias a esses empreendimentos e limitam as informações a respeito.

O Banco Nacional de Desen3 volvimento Econômico e Social (BNDES) informa que "exige o cumprimento de todas as legislações aplicáveis e regularidade ambiental" em todos os empreendimentos que financia. Segundo o banco, uma análise de risco socioambiental é feita para cada projeto para criar estudos complementares e solicitar informações adicionais.

Entre as práticas da instituição estão recomendar a reformulação de projetos, oferecer recursos para reforço de medidas mitigadoras em condições especiais e estimular a realização de investimentos sociais e ambientais para o desenvolvimento econômico local. Quando não é possível conciliar as medidas necessárias, o BNDES nega o financiamento. De acordo com a área de comunicação do banco, para o projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foi concedido um crédito de R$ 3,2 bilhões para ações ambientais e sociais.

Ainda assim, a falta de coordenação entre agentes financeiros, entidades licenciadoras e os órgãos do Poder Executivo responsáveis pelos investimentos tornam Belo Monte passível de críticas. "Deveríamos olhar para a região e fazer uma abordagem das bacias hidrográficas e fazer um plano de desenvolvimento regional daquela bacia, baseado em um zoneamento, em suas aptidões, uso do solo, e a partir desse plano de desenvolvimento estabelece como a produção de energia poderia ou não ser um fator desejável e como ela se relaciona com esse processo endógeno de desenvolvimento", afirma Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). "Isso não é feito".

Viana aponta a carência desse tipo de ação coordenada justamente no projeto de Belo Monte, "em que todos saem perdendo: os índios, que não foram consultados, a cidadezinha, que recebe um fluxo migratório grande e tem um pós-obra que vai ser um tormento depois que terminou a atividade econômica".

Belo Monte nem é o pior caso, na visão de Nicias Ribeiro, secretário de Energia do Pará. Para ele, a Eletronorte já havia preparado "há 15 ou 20 anos" um Plano de Inserção Regional que contempla não só questões ambientais como também econômicas e sociais. Entre elas, a previsão de aumento das vagas escolares e leitos hospitalares, além de saneamento nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu. Segundo Ribeiro, investimentos em habitação ajudaram a retirar metade das 4 mil famílias que viviam em habitações precárias sobre palafitas em Altamira.
Na visão do superintendente geral da FAS, o melhor caso de contrapartida ambiental entre as grandes obras da Amazônia é a construção do gasoduto Coari-Manaus. Em operação desde 2009, o gasoduto tem 660 quilômetros de extensão e mais 140 quilômetros de ramais e transporta 5,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Segundo Viana, a construção foi precedida de "audiências públicas de verdade", criadas para discutir interesses das comunidades. Desde a reserva de Urucu, o gasoduto corta sete municípios antes de chegar à capital do Estado.

O resultado das audiências públicas fez com que a Petrobras alterasse o traçado da obra com base nas reivindicações e nos novos estudos de impacto ambiental realizados após as audiências. O gasoduto passou a contar com ramais e city gates - saídas de gás - em todas as cidades ao longo do traçado.

O impacto populacional foi reduzido pela adoção de 70% de mão de obra local. Outra vantagem, segundo Viana, foi a inexistência de estradas vivas ao longo do gasoduto, o que impede a ocupação das margens e a exploração ilegal de madeira. Sem estradas, a Petrobras foi obrigada a criar uma rede de fibra ótica para inspecionar o duto. O projeto proporcionou o acesso à rede de fibra ótica por todos os municípios, o que só está se efetivando este ano, diz o superintendente da FAS. No total, segundo a Petrobras, a construção do gasoduto custou R$ 4,5 bilhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ISOLAMENTO ENCARECE A LOGÍSTICA
Publicado em 08/22/2014 as 02:09 PM

A logística na Amazônia é uma questão ainda sem solução e que só deve começar a ser equacionada no próximo governo. Depois de apresentar, quatro anos atrás, um plano para reduzir o custo logístico da região, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) voltou a debater o problema há dois meses, sem que praticamente nenhum ponto da proposta original tenha sido atacado.

A nova avaliação da entidade feita a partir de levantamentos da consultoria Macrologística indica que se nada for feito até 2020, o parque logístico amazônico terá atingido o limite de sua capacidade. O levantamento calcula que os investimentos necessários nos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário somem R$ 14 bilhões. Segundo a consultoria, o custo logístico da Amazônia é de R$ 17 bilhões por ano. Nos quatro anos desde o levantamento original, não foi concluída nenhuma obra de vulto - a não ser a pavimentação de um trecho da BR-163 (Cuiabá-Santarém). A obra, iniciada ainda no governo Fernando Henrique, só será concluída no próximo ano.

Há dois meses o Ministério da Integração e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) debatem a inclusão dos projetos mapeados pelo estudo na próxima edição do PAC, o Programa de Aceleração do Desenvolvimento, e no PIL (Programa de Investimento em Logística). Lançado em 2012, o PIL até o momento só investiu 7% do previsto. O programa prevê projetos no valor de R$ 240 bilhões.

Desenvolver logística amazônica sem prejudicar a preservação ambiental é um grande desafio, na visão de Augusto Rocha, doutor em engenharia de transporte e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Rocha acredita que a logística amazônica custe entre 30% a 40% mais que no restante do Brasil, devido às dificuldades características da região e a necessidade de estoques maiores que em outras partes do país.

Ele defende a aplicação permanente de 2% do PIB em investimentos logísticos para eliminar os gargalos. Entre eles, o do principal polo industrial da região norte, Manaus. Isolada do restante do país por terra - exceto em relação a Roraima -, a capital do Amazonas enfrenta custos crescentes nas operações portuárias e de navegação. A alternativa ao transporte fluvial é a carga aérea, viável apenas para uma parcela de produtos de baixo volume e alto valor agregado.

A principal ligação por terra de Manaus com o restante do país está hoje parcialmente inutilizada. Um trecho de 400 a 500 quilômetros da rodovia BR-319, que liga a capital amazonense a Porto Velho, em Rondônia, só é transitável em veículo com tração. Sem pavimentação, o trecho foi tomado pela floresta. A recuperação da BR-319 é prevista pelo PIL. A recuperação da rodovia estava prevista na primeira edição do PAC, foi retirada e voltou no plano de logística lançado em 2012, mas até o momento nada foi feito. Além do caminho por Porto Velho, cargas que sigam por carreta para o Nordeste e o Centro-Sul do país têm de enfrentar, antes, o trajeto de mil quilômetros por balsa até Belém.

Discute-se muito a substituição da rodovia por ferrovia no mesmo traçado, ocupando o leito já aberto. A avaliação dos especialistas é que a estrada de ferro reduz o impacto ambiental por ter menor potencial de ocupação de suas margens. A ferrovia está nos planos de obra do governo federal.

"Nós temos uma rede de hidrovias naturalmente fantástica, mas abandonada", comenta Virgílio Viana, superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). "Precisamos de medidas práticas de apoio à navegação, cujo impacto é muito menor que de outros modais, e precisamos também de práticas para atenuar o impacto desse modal."

Segundo ele, as hidrovias "não existem formalmente" no Ministério dos Transportes, mas "estão funcionando a todo vapor". De acordo com Viana, somente a hidrovia do rio Amazonas (Manaus-Belém) gera R$ 80 bilhões por ano. "O que precisa é identificar os gargalos." Ele defendeu o corredor entre Manaus e Porto Velho e as saídas pelos portos fluviais do norte do Mato Grosso e sul do Pará, principalmente para produtos como a soja do Centro-Oeste, hoje sujeita a uma viagem de 2 mil km ou mais por caminhão para os portos do Sul e Sudeste.

Viana criticou a não previsão de eclusas nas obras destinadas à produção de energia nos rios amazônicos, como as do Madeira. A ausência de eclusas impede a navegação por trechos maiores, reduzindo as alternativas da região. A boa notícia é que a Marinha promete começar o balizamento e a sinalização do Madeira.

O presidente da FAS também mencionou a possibilidade de desenvolvimento de uma hidrovia devidamente sinalizada e balizada entre Manaus e Iquitos, no Peru, pelo rio Solimões. Segundo ele, é uma alternativa importante para a Zona Franca de Manaus com vistas às relações comerciais com os países andinos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

TRÊS ESTADOS CONCENTRAM DOIS TERÇOS DO PIB DA REGIÃO
Publicado em 08/22/2014 as 02:08 PM

Criada oficialmente desde 1966 por meio de uma lei do governo Castelo Branco, a Amazônia Legal tem área de 5 milhões de quilômetros quadrados, ocupa 59% do território brasileiro e abrange nove Estados. Está dividida entre Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) e Amazônia Oriental (Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso). O Maranhão é o único Estado cuja área não pertence totalmente à Amazônia Legal.

No total, o Brasil detém 71% da região amazônica, que se estende também por outros cinco países: Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru, totalizando 7 milhões de quilômetros quadrados.

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da região soma R$ 340 bilhões. Dois terços desse total estão concentrados em três Estados: Amazonas, principalmente em virtude da Zona Franca de Manaus, cujo faturamento em 2013 foi de R$ 83 bilhões, Mato Grosso, maior produtor agrícola do país, e Pará.

A região abriga pouco mais de 12% da população brasileira, cerca de 25 milhões de pessoas - dos quais 350 mil índios -, segundo estimativas do IBGE. Em termos econômicos, a região representa apenas 8% do PIB brasileiro. Aproximadamente 38% da população amazônica vive abaixo da linha de pobreza, em localidades cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é inferior a 0,7 - abaixo da média brasileira, de 0,744.

Estudo realizado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) há dois anos constatou que a Amazônia concentra 96 mil quilômetros de estradas, 9,5 mil quilômetros quadrados de terras indígenas demarcadas e 7,2 mil quilômetros de áreas protegidas por unidades de conservação - a maior parte delas constituída por parques nacionais. Estimativas de entidades de conservação do meio ambiente indicam que cerca de 10% das estradas locais são clandestinas, destinadas, principalmente, à exploração de madeira ilegal.

Em território, a Amazônia Legal poderia ser considerada o sexto maior país do mundo. Principal bacia hidrográfica do planeta, tem influência decisiva no clima e no regime pluviométrico de grande parte do Brasil e do Hemisfério Sul. Tanto que a seca deste ano no Sudeste e em parte do Centro-Oeste do país decorre de um sistema de alta pressão que impediu o deslocamento da umidade amazônica para essas regiões. A consequência se deu na cheia na bacia do rio Madeira, em Rondônia. No total, a região apresenta 25 mil quilômetros favoráveis à navegação fluvial, com 20% da água doce disponível e 67% das florestas tropicais do mundo. A ocupação irregular é responsável pela maior parte do desmatamento. Cerca de 60% da região é ocupada por florestas.

A Amazônia é de longe o maior santuário da biodiversidade em todo o planeta. Metade das espécies animais terrestres concentra-se na região. São cerca de 40 mil espécies vegetais, mais de 400 de mamíferos, cerca de 1.300 de aves e um número de insetos ainda não catalogados e calculados na casa dos milhões.

De acordo com o superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana, a entidade começa a participar de uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a sustentabilidade e apressar o desenvolvimento da região sem agredir a floresta amazônica.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

DESAFIO FLORESTAL
Publicado em 08/22/2014 as 02:06 PM

Augusto Rocha, da UFA: "Sem processos produtivos inovadores e utilização de insumos locais, as chances de preservação ambiental são pequenas"

A Amazônia precisa enriquecer para se manter em pé. O grande desafio na região é conjugar crescimento econômico, desenvolvimento social e preservação a partir de modelos de que per mitam gerar riqueza e distribuir renda. Especialistas consultados pelo Valor acreditam que tudo isso precisa estar em sintonia com a realidade atual. É necessário aproveitar as áreas já desmatadas, desenvolver uma economia da floresta e promover a compensação financeira por serviços ambientais. Essa visão é compartilhada em maior ou menor grau por entidades como Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).



"A sociedade brasileira tem a oportunidade única de fazer a prosperidade econômica na região utilizando de maneira mais adequada e mais eficiente as áreas já desmatadas, um pouco mais de 15 milhões de hectares", defende Paulo Moutinho, diretor geral do Ipam. Essas áreas, diz, poderiam ser incorporadas a "uma agricultura mais intensiva, mais moderna e sustentável" e ainda restariam 80% da floresta com cobertura de grande extensão. Essa reserva é fundamental para o clima e a distribuição de chuvas em todo o país. "Nós temos a terra para produzir e o regador na mão, que é a floresta."

A Amazônia desmatada representa 19% do território total, diz Beto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon. Ela poderia tornar-se produtiva com práticas simples, melhorando a agricultura e a pecuária. Para isso, seria preciso dificultar o desmatamento de novas áreas, para que a produção na terra já desmatada torne-se atrativa.

Também é preciso uma solução para regiões de extrativismo vegetal. "São florestas já impactadas, com pátios para manejo de madeira e pequenas estradas para escoamento da produção. Algumas áreas são manejadas corretamente, mas têm uma parcela de corte ilegal", diz Veríssimo.

Nessas áreas também ocorre exploração de castanha, óleos, açaí e pesca. A estratégia para tais regiões seria melhorar o valor agregado dos produtos da floresta. "A madeira gera no mínimo R$ 4 bilhões por ano e parte é ilegal. Existem 1.500 espécies de árvores na região, mas menos de 30 são conhecidas. É preciso pesquisa, ciência e tecnologia para desenvolver o potencial de manejo e de utilização de recursos de forma racional." Segundo o pesquisador, é possível explorar as áreas de forma sustentável. O papel de investir é do setor privado, mas o governo tem da agir como fomentador, diz.

Para os especialistas, a abordagem precisa incluir outros modelos econômicos já existentes ou de grande potencial de desenvolvimento. Um deles é a atividade no Polo Industrial de Manaus. A concessão da Zona Franca foi prorrogada até 2073 e isso é importante, porque consolida "um modelo benigno para a proteção da floresta, porque concentra a atividade econômica ao redor de Manaus", afirma Virgílio Viana, superintendente geral da FAZ. Ele é partidário da tese de que a Zona Franca concentra 80% do PIB do Amazonas na capital, em apenas 2% da área, mantendo intacta mais de 90% a cobertura vegetal.

A tese tem opositores. Tradicionalmente, o desmatamento ocorre pelas bordas da floresta, argumenta Veríssimo. O Amazonas ocupa uma posição central na floresta e somente agora o desmatamento chegou ao sul do Estado, diz. Então, não está comprovado que o modelo da Zona Franca seja uma vacina antidesmatamento.

A interiorização do desenvolvimento sem um modelo sustentável traz risco para a floresta, pondera Augusto Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas. Para evitar que isso ocorra é preciso cidades com infraestrutura de transporte e energia, capazes de produzir bens a partir de recursos naturais locais. "Sem infraestrutura, com dificuldade para processos produtivos inovadores e pouco insumo local, a chance de preservação é pequena."



Como já existe, a Zona Franca tem de fazer parte da estratégia de desenvolvimento. Uma das possibilidades é reduzir o peso da montagem de eletrônicos, feita basicamente com insumos importados, para dar lugar a uma produção mais afinada com as vocações locais, propõe Viana. "A Zona Franca do futuro deverá ter polos de biocosméticos, biofármacos, madeira, móveis e nutricêuticos - alimentos de alto valor nutricional -, como o açaí."

A farmacêutica Novamed, controlada pelo grupo da produtora de genéricos EMS, por exemplo, está concluindo uma fábrica com investimento de R$ 385 milhões em Manaus. A unidade começa a funcionar ainda este ano, para produzir comprimidos e cápsulas, segundo a empresa. A empresa pretende, no futuro, desenvolver capacitação de pessoal e pesquisa para desenvolvimento de conteúdo local. Com geração de 500 empregos diretos e 2 mil indiretos, poderá produzir 1,5 bilhão de comprimidos por mês.

É importante distribuir a atividade econômica e a prosperidade social para tornar as condições de vida mais equilibradas em relação ao restante do país. Isso só poderá ser feito "ouvindo as pessoas, construindo propostas coletivas, buscando explicitar conflitos, promovendo inclusão social que signifique também uma inclusão política", pondera Daniela Gomes, especialista da GVCES, o centro de estudos em sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas. "Ou seja, a população daquele território precisa trazer seu posicionamento, ser efetivamente protagonista de seu destino."

Um dos desafios é melhorar os indicadores de qualidade de vida. Somente os Estados de Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima e Amapá estão próximos ou dentro da média brasileira de 0,774 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Pará, Acre, Tocantins e Maranhão têm IDH abaixo de 0,7. No IDH, quanto mais próximo de 1, maior o grau de desenvolvimento. As carências vão ficar ainda mais claras a partir do próximo dia 26, quando o Imazon lança seu Relatório de Déficit Social da Amazônia.

"O novo IDH municipal, lançado em 2013, traz uma alteração metodológica importante de se entender, para se pensar em políticas públicas", afirma Daniela. Para ela, as características do indicador forçarão a manutenção das crianças na escola. "É fundamental que, para melhorar o IDH dos municípios amazônicos, haja atenção à qualidade do ensino."

Programas voltados para a preservação também podem contribuir. É o caso, por exemplo, do programa ICMS Verde do governo do Pará. Embora já exista em outros Estados, o modelo paraense prevê repasses maiores para os municípios que tiverem redução de desmatamento, que cumprirem metas ambientais, entre outros critérios. Em oito anos, o ICMS Verde vai distribuir R$ 280 milhões. Do total de repasse aos municípios, 11% são distribuídos pela regra ambiental.

Os recursos também poderiam vir do pagamento por serviços ambientais da Amazônia ao país e ao mundo. A iniciativa geraria de R$ 10 bilhões a R$ 20 bilhões para ser investidos na região por ano, calcula o superintendente da FAS. Viana defende várias formas de gerar esses recursos, seja pela cobrança de adicionais nas contas de água ou de energia do Centro-Sul.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

SINAL VERDE PARA A MAIOR TRADING GLOBAL DE AÇÚCAR
Publicado em 08/22/2014 as 02:05 PM

A joint venture formada pela brasileira Copersucar e a americana Cargill já tem um nome: Alvean. Segundo comunicado das empresas, as autorizações regulatórias já foram cumpridas e a empresa tem previsão de começar a operar em 1º de outubro. A Alvean inicia agora a integração das atividades globais de originação, comercialização e negociação de açúcar bruto e branco.

Conforme anunciado em março, a Alvean reunirá duas das operações de comércio de açúcar mais importantes do mundo. "Nossos clientes se beneficiarão das forças complementares da Copersucar e Cargill", afirmou em nota Ivo Sarjanovic, novo CEO da Alvean. "Teremos uma sólida cadeia de suprimentos global combinada, uma presença mundial e excelente gestão de logística". Sarjanovic anteriormente dirigiu o negócio de açúcar global da Cargill.



Soren Hoed Jensen, diretor de operações da Alvean, explicou que a expressão "Alvi", deriva da palavra latina albus, que significa branco/cristalino. "Simboliza nosso compromisso de ser ético e inclusivo perante nossos parceiros". O sufixo 'an' traz a noção de movimento, expressando o dinamismo do mercado de açúcar, disse.

As atividades de comercialização terão sede em Genebra, Suíça. A empresa terá escritórios em Bancoc, Bilbao, Déli, Dubai, Hong Kong, Jacarta, Moscou, São Paulo e Xangai.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

ÁREA DE ALGODÃO DEVE CAIR 12% EM 2014/15
Publicado em 08/22/2014 as 02:04 PM

À espera de ajuda do governo para vender o algodão que está sendo colhido agora, os produtores da pluma no Brasil já se preparam para colocar o pé no freio no cultivo de 2014/15, que começará em novembro. A Abrapa, associação que representa os produtores brasileiros de algodão, estima que essa redução ficará em cerca de 12%.

Isso significa o plantio de uma área próxima de 990 mil hectares, ante os 1,121 milhão de hectares cultivados em 2013/14. O presidente da Abrapa, o produtor Gilson Pinesso, afirma que o cenário é "desanimador". Nesta semana, a entidade pediu oficialmente ao governo federal ajuda para vender a safra que está sendo colhida.

O pedido é de recursos da ordem de R$ 450 milhões, para dar suporte à comercialização de cerca de 1 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de 57% da produção esperada pela entidade, de 1,750 milhão de toneladas.

Os preços de mercado, diz Pinesso, já estão abaixo do preço mínimo definido pelo governo federal. Em Itiquira (MT), por exemplo, está na casa dos R$ 51,70 a arroba, ante o preço mínimo que é de R$ 54,90.

Conforme a Abrapa, os produtores de algodão do Estado colheram até agora um pouco mais da metade da área plantada no ciclo 2013/14. Pinesso estima que, na média, o país colheu 65% da área. O Estado da Bahia é o que está com os trabalhos mais adiantados, segundo Pinesso, na casa dos 70%. Em Mato Grosso, esse percentual está em 55%, segundo o dirigente. A previsão da Conab é de colheita total de 1,7 milhão de toneladas.

"Já pedimos R$ 450 milhões ao governo para suporte à comercialização de 1 milhão de toneladas", diz Gilson Pinesso



A estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) é de que 1 milhão de toneladas da pluma da safra que está sendo colhida já tenham sido vendidas até o momento. O presidente da Anea, Marco Antonio Aluisio, é de que em torno de 750 mil toneladas tenham sido comercializadas antes de maio, ou seja, antes da colheita e a preços mais elevados, na casa dos 80 centavos de dólar por libra-peso - ontem, o contrato para entrega em dezembro fechou na bolsa de Nova York a 64,16 centavos de dólar, em alta de 32 pontos, após a queda de 51 pontos do dia anterior (terça-feira).

Em torno de 730 mil toneladas da pluma devem ser exportadas no ciclo 2013/14, segundo a Anea. Já o volume consumido no mercado interno tende a cair na visão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). A entidade estima que o uso de algodão por essa indústria no Brasil deve ficar entre 750 mil e 800 mil toneladas. "Há percepções de que esse número pode cair a 720 mil toneladas", diz o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel. As perspectivas representam uma forte retração em relação ao consumo de 850 mil toneladas de algodão realizado pela indústria têxtil em 2013.

O que ocorre, explica Pimentel, é que a importação de produtos têxteis continua a crescer, enquanto o consumo desses produtos e de calçados recuou 0,7% no primeiro semestre deste ano. Pesa ainda na desaceleração da indústria o elevado custo com energia. "As indústrias estavam descontratadas e se depararam com a necessidade de comprar energia a um custo de R$ 800 o Megawatt/hora, ante o preço médio do ano passado na casa dos R$ 150 MWh", comparou Pimentel.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

"GREENING" JÁ AMEAÇA TIRAR A FLÓRIDA DO MAPA CITRÍCOLA
Publicado em 08/22/2014 as 02:02 PM



Os turistas fluem para a Flórida em seus carros para passar uma semana na Disney, uma temporada à beira-mar ou para curtir uma das festas sem fim que agitam South Beach. Cansados e com sede, chegam a um dos cinco centros oficiais de boas vindas e logo se deparam com cartazes que destacam, em letras garrafais, o suco de laranja local, um dos principais produtos da economia do Estado americano.



Provocada por uma bactéria e disseminada por um inseto, greening, que chega a provocar a morte das plantas, ameaça uma indústria de US$ 9 bi na Flórida

No passado, um tapete verde-esmeralda formado por pomares de citros cobriam mais da metade da Flórida - de Jacksonville, no nordeste, à Miami, na costa, passando pelos parques de Orlando. Especialmente as laranjas se tornaram sinônimo de uma Flórida quase mágica. Durante décadas, a citricultura resistiu a geadas, furacões e ao desenvolvimento econômico desenfreado.

Mas, agora, essa cadeia produtiva de US$ 9 bilhões enfrenta seu maior desafio: o greening, doença bacteriana batizada na China, onde foi identificada pela primeira vez, como "dragão amarelo" (huanglongbing, em chinês), cujo vetor é um inseto não maior do que as borrachas que ficam na ponta dos lápis. O psilídeo em questão não é nativo da Flórida e provavelmente chegou ao Estado "carregada" por algum viajante.

Na Flórida, o "asian citrus psyllid" foi identificado pela primeira vez em 1998, e sua proliferação pode ter sido facilitada pelos fortes ventos e furacões que costumam castigar o Estado. A doença em si, que prejudica o sistema vascular das plantas e normalmente causa sua morte, emergiu em 2005. Ainda não há cura conhecida contra o greening - que também prejudica pomares no Brasil.

Praticamente todo o cinturão citrícola da Flórida atualmente está afetado, em diferentes intensidades, pelo greening. Pesquisadores, produtores e especialistas concordam que a crise já começa a comprometer o peso e a imagem de destaque do Estado no segmento.

Na safra passada (2013/14), a colheita de laranja na Flórida rendeu 104 milhões de caixas de 40,8 quilos, e a tendência para 2014/15 é que o volume seja ainda menor. Em 2003, dois anos antes da descoberta do greening em suas fronteiras, foram 243 milhões de caixas.

"Isso afeta o Estado como um todo, com forte impacto econômico", afirma Adam Putnam, comissário de Agricultura da Flórida, cuja família produz laranja desde o início do século XX. Conforme especialistas, se uma solução não for encontrada, toda a indústria local de citros entrará em colapso.

Se isso acontecer, estima-se que "packing houses" e unidades de processamento para a produção de suco terão de fechar por causa da falta de frutas. No total, são cerca de 75 mil empregos em jogo.

O avanço da doença coincide com a insistente queda da demanda global por suco de laranja, em parte por causa do avanço de bebidas concorrentes mais baratas no mercado. No grande varejo americano, por exemplo, o consumo já recuou ao menor nível em 12 anos. Os dois fatores - greening, que afeta a oferta, e consumo americano têm "duelado" na formação das cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na bolsa de Nova York nos últimos tempos.

"Estamos lutando por nossa vida", afirma Michael Sparks, CEO do Florida Citrus Mutual, braço de marketing e lobby dos citricultores do Estado americano. Desde 2008, já foram gastos US$ 90 milhões em pesquisas sobre o greening, e boa parte desses recursos saiu do bolso dos próprios produtores. Em 2014, o orçamento federal também incluiu outros US$ 125 milhões para pesquisas nessa frente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

INDÚSTRIA DA AVIAÇÃO DESENVOLVE TECNOLOGIA PARA AJUDAR PILOTOS A POUSAR NA NEBLINA
Publicado em 08/22/2014 as 02:02 PM

A Rockwell Collins Inc. e outros fabricantes de equipamentos para o cockpit de aviões estão desenvolvendo tecnologias para combater um grande motivo de frustração para os passageiros das companhias aéreas: voos que são cancelados ou desviados devido à má visibilidade no destino programado.

Usando imagens coloridas geradas por computador, e às vezes aperfeiçoadas por fotos aéreas infravermelhas das pistas de decolagem e seus arredores, a Rockwell, a Honeywell International Corp. e outros fabricantes tentam reduzir esses transtornos na programação dos voos e perda de receita para as aéreas.

Os novos sistemas de bordo para pouso estão ganhando força e parecem prontos para receber novas aprovações regulatórias nos dois lados do Atlântico. Com imagens coloridas em alta resolução das pistas e outros recursos, eles foram desenvolvidos para permitir que muitos aeroportos que não têm os mais modernos aparelhos terrestres de auxílio à navegação permaneçam abertos com mau tempo.

Nos Estados Unidos, os sistemas permitiriam pousos com baixa visibilidade que hoje são proibidos em dezenas de aeroportos pequenos e médios.

Segundo os proponentes, o resultado seria aumento de capacidade e maior segurança, já que os pilotos receberiam um volume consideravelmente maior de detalhes sobre o terreno ou possíveis obstáculos.

O objetivo final, segundo essas pessoas, é eliminar por completo a necessidade de enxergar a pista física. A tripulação de um jato ou jatinho executivo poderia prosseguir na aproximação com baixa visibilidade praticamente o trajeto inteiro até pousar no chão, mesmo sem poder ver a pista real.

Os reguladores ainda têm um longo caminho pela frente antes de dar sinal verde para mudanças tão radicais. Antes que as regras atuais possam ser revistas em milhares de aeroportos do mundo todo, os fornecedores dos sistemas precisam demonstrar que as imagens virtuais são tão seguras e confiáveis quanto as normas atuais, que exigem que o piloto de fato veja a pista real pouco antes de pousar.

"Definitivamente, é uma grande tendência" e o progresso até agora "é enorme", disse Kent Statler, diretor de operações da divisão de produtos comerciais da Rockwell, numa apresentação durante a feira internacional de aviação de Farnborough, Inglaterra, realizada em julho. Contando com sensores capazes de enxergar em meio ao nevoeiro, seja qual for a temperatura ou umidade, acrescentou, a Rockwell dedicou "muito tempo"desenvolvendo esses equipamentos, e avanços significativos provavelmente virão "no futuro bem próximo".

Evitar desvios de voos devido ao mau tempo "sem dúvida economiza combustível e poupa tempo", diz Chris Benich, diretor de questões regulatórias da divisão aeroespacial da Honeywell. Os produtos da empresa procuram "extrair o máximo de proveito [dessa tecnologia]" e, ao mesmo tempo, reduzir os custos do investimento para as aéreas", diz o executivo.

Hoje, uma porcentagem relativamente pequena de companhias aéreas é capaz de pousar com visibilidade quase nula. Os jatos mais avançados pousando nos aeroportos mais bem equipados podem usar sistemas totalmente automatizados em casos em que uma forte tempestade, nuvens baixas ou neblina impedem a maioria dos outros aviões de pousar. Dependendo das preferências dos pilotos, equipamentos de pouso automático também podem usar computadores para aplicar os freios, reduzir a potência do motor e até mesmo taxiar pelo meio da pista.

Em poucos anos, espera-se até a adoção de sistemas automatizados para taxiamento que vão dirigir as aeronaves pela pista e usar motores elétricos acoplados ao trem de pouso para encaminhá-las ao portão de desembarque, tudo isso sem comandos diretos do piloto.

Mas nos EUA, por exemplo, a maioria dos voos das companhias aéreas não se enquadra nessas categorias. Quando um piloto de uma aérea do país faz uma aproximação para um aeroporto que está com muito nevoeiro, sem poder contar com a mais recente tecnologia de pouso automático, em geral, ele precisa avistar a pista antes de descer abaixo de 200 pés (60 metros). Com treinamento e equipamentos especiais, a tripulação de cabine de algumas aeronaves e jatinhos pode baixar até 100 pés (30 metros) antes de decidir se consegue enxergar pelo para-brisa um trecho da pista que seja suficiente para pousar.

Caso contrário, o piloto deve abandonar imediatamente a aproximação, subir novamente, afastar-se do aeroporto e passar a voar em círculos, ou rumar para outro local.

O equipamento de última geração em desenvolvimento tem a meta de derrubar esses antigos limites na altitude permitida para aterrissar e, ao mesmo tempo, permitir pousos quando o piloto não consegue enxergar mais que 400 metros de pista logo antes de pousar.

No ano passado, a Administração Federal da Aviação dos EUA (FAA) propôs regras que permitiriam, pela primeira vez, que o piloto possa adiar a decisão de não pousar até que o avião esteja a menos de 100 pés da pista, usando visão aperfeiçoada, ou a chamada visão "sintética". Mas o cronograma para uma decisão normativa ampla não é claro, e os regulamentos podem acabar exigindo aprovação individual para sistemas específicos em várias categorias de aeroportos.

Uma porta-voz da FAA não quis comentar.

A Rockwell aposta na reprodução de imagens e certos dados dos instrumentos do painel no para-brisa da aeronave. A empresa afirma que já completou mais de 140 testes de aproximação e pretende iniciar voos para certificação em 2015.

Há dois anos, a Rockwell conseguiu um sucesso de marketing quando os reguladores da aviação chinesa se comprometeram a instalar esses sistemas da empresa, os chamados "heads up displays" em centenas de novos jatos 737 da Boeing Co. e, potencialmente, de vários outros modelos de aeronaves. Os dispositivos permitem que os pilotos se concentrem em olhar para a frente, em vez de ter que abaixar a vista para examinar os instrumentos no painel durante os pousos e decolagens.

A Honeywell se concentra no que descreve como um sistema mais barato, chamado SmartView, que usa os visores tradicionais no painel. Nos próximos anos, a Honeywell espera que versões mais avançadas sejam instaladas em uns dez ou doze modelos diferentes de aeronaves, incluindo um jato regional.

Executivos da Honeywell já argumentaram que sua solução de unir uma base de dados digital com uma câmera infravermelha é capaz de dar ao piloto o máximo de informação e uma fidelidade de imagem incomparável, sem os custos adicionais de aquisição e manutenção associados com a instalação de visores de para-brisa.

Só no Aeroporto Internacional de San Diego, na Califórnia, a empresa já estimou que o uso amplo do seu sistema poderia permitir o pouso de centenas de voos adicionais anualmente.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

VALE RECEBE LICENÇA PRÉVIA PARA AMPLIAR PRODUÇÃO EM SERRA NORTE
Publicado em 08/22/2014 as 02:01 PM

A Vale conseguiu a licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ampliar a produção de minério de ferro na Serra Norte de Carajás, no Pará. O licenciamento, permitindo a expansão da lavra nas minas N4 e N5, em Carajás, era esperada com expectativa pelo mercado e pela própria empresa. A licença prévia, resultante do chamado Estudo Global das Ampliações (EIA Global), foi assinada pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi Junior, conforme antecipado ontem pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

No começo da noite, a Vale divulgou nota na qual informou que o licenciamento do Ibama compreende a ampliação das cavas N4WS, N5S, Morro I e Morro II. Com exceção da mina N5S, onde a Vale opera com restrições, as demais minas ainda não foram exploradas. Juntas as quatro minas contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas, segundo a mineradora. A Vale disse que a licença dá permissão para formar pilhas de estéril (resíduos) no Sistema Norte de Carajás. Segundo a companhia, os próximos passos no processo de licenciamento ambiental será obter as licenças de instalação e operação, assim como a autorização para supressão vegetal.

Em nota, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que o EIA Global representa passo importante para o crescimento da produção de minério de ferro e para o alcance da meta de produção da companhia. A Vale espera produzir 312 milhões de toneladas e vender 321 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano. Estimativa anterior da companhia estimou que o EIA Global poderia liberar 1 bilhão de toneladas em reservas para a Vale em Carajás.

Licenciamento do Ibama para quatro minas em Carajás contêm 1,8 bilhão de toneladas de reservas de minério

O Ibama também divulgou nota na qual afirmou que o licenciamento para as ampliações das minas N4 e N5 representa uma consolidação do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo instituto, desde 2002, na busca contínua por melhorias na gestão ambiental do empreendimento. "O Plano das Ampliações contempla não somente a lavra de corpos minerais, mas também avança no sentido de possibilitar a utilização de estruturas de beneficiamento já implantadas como usinas, correias transportadoras, acessos viários, pilhas de estéril e estruturas administrativas", disse o Ibama, em nota.

A previsão, segundo o instituto, é a implementação de 1.246 hectares de pilhas de disposição de estéril em áreas de cava já lavradas, reduzindo, assim, a influência sobre áreas naturais da Floresta Nacional de Carajás (Flona), onde se situam as minas da Vale. O Ibama também destacou a interação técnica com o o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que propiciou melhora na conservação das áreas de ocorrência de canga, ambientes naturais associados a depósitos de minérios de ferro, e do patrimônio "espeleológico" (cavernas) presente na Flona de Carajás.

Na sexta-feira, conforme noticiado pelo Valor PRO, o ICMBio já havia autorizado o Ibama a conceder a licença. A autorização do ICMBio ao Ibama é uma condição prevista na lei 9.985, de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Uma das condicionantes impostas pelo ICMBio é o avanço de estudos da área de canga, um dos dois ecossistemas da Flona. O outro é a floresta. A canga é uma savana adaptada ao solo rico em ferro e possui fauna e flora típicos.

O desafio é buscar a compatibilidade entre mineração e biodiversidade na Flona, que ocupa área total de 392.725 hectares. Desse total, 11.380 hectares correspondem à canga, segundo o ICMBio. Nas contas do instituto, as expansões nas minas N4 e N5 mais a exploração do projeto S11D, o maior projeto da história da Vale, também em Carajás, vão aumentar de 21% para 34,6% a supressão da área de canga na Flona. Mesmo assim, não há risco ainda de perda da biodiversidade, segundo afirmação do ICMBio. Outra discussão é a mineração perto de cavernas, classificadas em categorias. Há cavernas consideradas de baixa, média, alta e máxima relevância.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO SOBE 1,7% EM JULHO
Publicado em 08/22/2014 as 02:01 PM

A produção global de aço bruto cresceu 1,7% em julho, em relação ao mesmo mês de 2013, mostrou ontem a Worldsteel Association, entidade que reúne dados do setor em 65 países. Frente a junho, contudo, o volume de 136,8 milhões de toneladas ficou praticamente estável.

Na China, maior produtora do insumo no mundo, a produção cresceu 1,5% em comparação anual, para 68,3 milhões de toneladas. Perante o mês anterior, por outro lado, houve queda de 1,5%. Nas duas análises, a atividade encolheu. Em junho, a alta anual havia chegado a 4,5%, ou seja, a expansão de julho representa desaceleração.

Dentre outros países importantes para o setor siderúrgico, o Japão viu seu volume produzido ficar estável em um ano, terminando em 9,3 milhões de toneladas em julho. Ante junho, a alta foi de 1,9%. Na Coreia do Sul, a produção de 5,9 milhões de toneladas representou avanço de 6,2% e recuo de 2,5%, respectivamente.

Nos 28 mercados da União Europeia, a produção apurada foi de 13,3 milhões de toneladas no sétimo mês do ano. A quantidade significou queda de 2% em um ano e baixa de 6,3% em um mês. Já no Brasil foi observado leve aumento de 0,5% frente ao mesmo mês do ano passado, para 2,9 milhões de toneladas. Ante junho, a alta foi forte em 9%.

O relatório da Worldsteel publicado ontem mostra ainda que a utilização de capacidade instalada pelas siderúrgicas mundiais atingiu 75,4% em julho. Na comparação anual, a redução foi de 1,2 ponto percentual, enquanto em relação a junho foi de 2,9 pontos.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

FABRICANTES DE MÁQUINAS ELEVAM EXPORTAÇÃO NO ANO
Publicado em 08/22/2014 as 01:58 PM

Sem crescimento da demanda no mercado doméstico e com capacidades de produção expandidas após investimentos nos últimos anos, fabricantes de máquinas e equipamentos têm buscado mais clientes fora do país. A aceitação dos equipamentos brasileiros tem sido positiva, segundo os dados do setor. De janeiro a junho, os embarques somaram US$ 6,6 bilhões, 20% acima do valor do mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O valor das vendas ao exterior foi o maior desde o inicio da série histórica de dados da Abimaq e nada menos do que 44% do total do faturamento do setor na primeira metade do ano, muito acima da média histórica de 32%.

O principal destino das máquinas brasileiras continua sendo a América Latina, com um terço do total, embora a participação da região esteja em queda nos últimos quatro anos. Estados Unidos e Europa, segundo e terceiro colocados, elevaram as compras em dois dígitos, conforme os dados da Abimaq.

O aumento das exportações é positivo não apenas por ajudar o desempenho do setor, mas vem contribuindo também para reduzir o déficit industrial brasileiro. Com o aumento das exportações, ao mesmo tempo em que as importações encolhem com a queda da demanda interna, o déficit da balança comercial do setor caiu 25% neste ano. O saldo negativo do setor é de US$ 8 bilhões na primeira metade do ano, já que as importações totalizaram US$ 14,6 bilhões.

Por outro lado, o aumento das exportações é interpretado pela Abimaq como consequência do enfraquecimento do mercado local e, portanto, motivo para preocupação, não para comemoração. O consumo aparente de máquinas e equipamentos no país caiu 13% no primeiro semestre, de acordo com a Abimaq, para R$ 54 bilhões.

Entre as máquinas com aumento mais expressivos de exportações estão as usadas em infraestrutura, indústria de base e construção civil. Entram no grupo equipamentos usados em portos, na produção de cimento, em transmissão de energia e na indústria de papel e celulose, por exemplo. "São áreas em que o Brasil tem tradição", diz José Velloso, presidente executivo da Abimaq.



No caso do petróleo e de energia renovável, cujas exportações correspondem por 11% do total, grande parte das vendas são as chamadas no setor de "exportações fictas". Neste caso, as máquinas são vendidas ao exterior, mas não chegam a sair do país. O principal comprador é a Petrobras. Nesse segmento, as exportações somaram US$ 735 milhões no semestre, mais do que o dobro da cifra do ano anterior por causa do aumento das compras da estatal brasileira.

Velloso, que é membro do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, diz que entram nas estatísticas equipamentos como válvulas de produção ("árvores de natal"), cabeças de poço (usadas para perfuração) e outros equipamentos usados em águas profundas para a exploração de óleo e gás. "Embora os equipamentos fiquem no litoral do país, são equiparados a uma exportação", afirma.

Essa particularidade contribui para o aumento dos valores de exportações para os Estados Unidos e para a Europa, locais que seriam, em tese, os destinos de parte dessas vendas do segmento de óleo e gás.

No setor de equipamentos rodoviários, a Ciber, subsidiária no Brasil do grupo alemão Wirtgen, é um exemplo de companhia que adotou como estratégia a ampliação da participação dos clientes internacionais em seu portfólio. A empresa informou ao Valor recentemente que suas vendas ao mercado externo subiram 7% no primeiro semestre. O número foi puxado pelo aumento da venda de usinas de asfalto fabricadas no Brasil, principalmente para o norte da America Latina e para a África.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

PETROBRAS VAI VENDER ATIVOS NA ARGENTINA
Publicado em 08/22/2014 as 01:56 PM

A Petrobras decidiu reiniciar o processo de venda de ativos de produção de petróleo na Argentina. O Valor apurou que a companhia vai abrir um "data room" (sala de informações) para interessados, mas o processo é muito recente e sequer foram enviados convites para potenciais interessados. Agências de notícias internacionais mencionam a data de 12 de setembro para início da entrega de propostas.

Não é a primeira vez que a estatal brasileira decide sair daquele país. A Pluspetrol teve interesse nos ativos, mas o processo complicou quando o grupo Indalo, do empresário argentino Cristóbal López, muito próximo de Cristina Kirchner, manifestou a intenção de comprar. Depois disso, a questão andou mais devagar, tendo a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, como diretora interina da área internacional.

Um dos problemas que a Petrobras teria se a venda for feita para uma empresa argentina é que seria mais difícil receber o pagamento no exterior, considerando os controles cambiais daquele país. Os ativos da estatal na argentina estão contabilizados em subsidiárias da Petrobras na Espanha e na Holanda.

A Petrobras International Braspetro BV (PIB BV), com sede em Amsterdã, controla a Petrobras Participaciones SL (PPSL), que tem sede em Madri e detém as participações na Petrobras Energía S.A (Pesa), Petrobras Energia Participaciones S.A (Pepsa) e Petrolera Entre Lomas S.A. (Pelsa). Tecnicamente, se uma estrangeira comprar é mais fácil a conclusão da transação no exterior.

No mês passado, a Petrobras negou a venda de ativos de produção na província de Santa Cruz, que tinha sido noticiada em um jornal argentino. Na ocasião, a estatal informou ao Valor que "mantém a sua posição estratégica de permanência no país, incrementando a produção de petróleo e gás natural, bem como suas reservas na Bacia Neuquina (Províncias de Rio Negro, Neuquén e La Pampa)", acrescentando ainda que "qualquer informação concreta sobre alterações significativas em negócios, no Brasil ou no exterior, é divulgada em momento oportuno e por meio de fato relevante".

Essa é uma resposta padrão da companhia, que já informou que precisa obter entre US$ 5 bilhões e US$ 11 bilhões com a venda de ativos para cumprir seu plano de negócios até 2018. Além de ativos de exploração e produção a Petrobras ainda é dona da refinaria de Bahía Blanca, que chegou a ser interditada no ano passado após uma explosão com duas vítimas. A refinaria San Lorenzo foi vendida em 2010 por US$ 36 milhões. Uma rede formada por 386 postos de serviços e estoques elevaram o valor do negócio para US$ 110 milhões.

Essa venda, chamada de projeto Atreu na estatal, foi investigada por uma comissão interna da Petrobras depois de uma reportagem publicada pela revista "Época" no ano passado, junto com outros negócios fechados pela estatal na gestão do ex-diretor da área internacional, Jorge Zelada. As conclusões foram enviadas pela Petrobras ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que pediu a instauração de inquérito pelo Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NCCLD) da Polícia Civil do Rio.

No início de agosto, a estatal anunciou a venda de sua fatia de 44,5% na empresa boliviana Transierra, que tem como ativo um gasoduto que leva gás dos campos de San Alberto e San Antonio até o Gasbol, de onde o gás é exportado para o Brasil. O comprador foi a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que pagou US$ 106,7 milhões.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

DRAGAGEM DE SANTOS TEM NOVA PROPOSTA
Publicado em 08/22/2014 as 01:56 PM

O consórcio Etesco - Tulipa, segundo colocado na licitação para realizar a dragagem do porto de Santos (SP), apresentou nova proposta à Secretaria de Portos (SEP), que conduz a concorrência. O valor é sigiloso, mas é menor que a primeira oferta da empresa, de R$ 579 milhões. A obra será contratada via Regime Diferenciado de Contratações (RDC), mecanismo em que o orçamento-base não é revelado.

A SEP irá agora analisar o preço e as condições para a assinatura do contrato. A dragagem em Santos é a obra mais importante do governo para garantir o fluxo do comércio marítimo brasileiro. Essa é a segunda licitação que a SEP realiza em seis meses para dragar o porto. A primeira tentativa naufragou porque, como desta vez, as empresas apresentaram valores acima do previsto pelo governo.

Com o atraso, o governo autorizou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) a realizar licitações para fazer "dragagens tampão" enquanto o processo em curso não é concluído. Em visita a Santos na semana passada, o ministro dos Portos, César Borges, foi enfático. "Não podemos jamais pensar em perder calado". A ordem é para a Codesp recuperar os 13,2 metros de calado operacional máximo em todo do canal, mas em apenas um dos quatro trechos isso já ocorreu. No mais assoreado, o trecho quatro, só podem entrar navios com até 11,20 metros de calado na maré normal.

Com a restrição, grandes navios têm deixado de entrar ou sair com a capacidade plena em Santos. Os porta-contêineres que frequentam o trecho quatro do canal enfrentam um déficit de 0,60 metro sobre o maior calado permitido no porto. Na prática, estima o Centro Nacional de Navegação (Centronave), isso impõe perdas de até 720 contêineres por escala às maiores embarcações, com capacidade para entre 7 mil e 9 mil Teus (contêineres de 20 pés).

Mais do que as perdas comerciais, os clientes reclamam da gestão pública do acesso aquaviário. "O modelo se esgotou. Precisa ser diferente para ganhar velocidade e a obra ser realizada", diz Cláudio Loureiro, diretor-executivo do Centronave, associação representante dos armadores. "Precisamos de previsibilidade. Quando vou poder trazer um navio de 14 mil Teus ao porto?", pergunta Loureiro.

O contrato, válido por três anos, será para a manutenção das profundidades do canal do porto, acesso a berços e berços e readequação do acesso aquaviário. A obra corrigirá também o serviço feito pelo antigo consórcio, o Draga Brasil, que não atingiu o objetivo do contrato de aprofundar e manter o canal rebaixado a 15 metros.

Como Santos sofre assoreamento com qualquer ressaca, dessa vez a SEP estipulou como meta de profundidade para o canal entre 15,40 metros e 15,70 metros, de forma a se ter uma margem para evitar perder os 15 metros.

O governo espera ter uma resposta do consórcio Etesco-Tulipa em até 15 dias. Se não concordar com a nova proposta, vai abrir negociação com o que apresentou a terceira - e mais alta - oferta de preço, o consórcio Dragabras Serviços de Dragagem, com valor da obra orçado em R$ 640,9 milhões. Mas, neste caso, uma redução de preço tenderia a ser mais difícil.

Trabalhando com a hipótese de um possível novo fracasso, a SEP estuda três alternativas: fazer uma nova licitação com prazo contratual menor, já que riscos cambiais foram citados como entraves pelos candidatos para um contrato mais longo; abrir concorrência com dispensa de licitação; ou autorizar a Codesp ou algum consórcio a alugar uma draga.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO NA IMPORTAÇÃO
Publicado em 08/22/2014 as 01:55 PM

A multa por infração ao controle administrativo das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, está prevista no artigo 169, inciso I, alínea "b", do Decreto-lei nº 37, de 1966. Esta penalidade é tipificada pela importação de mercadorias sem licença de importação condicionada a prévio exame e anuência de órgãos estatais, tais como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio etc.

Por primeiro, cabe frisar que se trata de penalidade ultrapassada e totalmente desproporcional nos dias atuais, já que os contribuintes são onerados em 30% do valor das mercadorias por eles importadas. Mas, enquanto ela permanece em nosso ordenamento jurídico, uma alternativa seria a aplicação do princípio da retroatividade benigna aos casos em que atualmente a licença de importação não mais é exigida, mitigando, assim, seus efeitos nocivos para as operações de comércio exterior.

É importante notar que a penalidade referente à falta de licença de importação não possui caráter tributário, tratando-se, em verdade, de multa de natureza administrativa, que poderia ser definida como sanção pecuniária imposta ao particular em virtude do descumprimento voluntário de uma norma administrativa, decorrente do exercício do poder de polícia do Estado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive, possui várias decisões nesse sentido (REsp 623.023/RJ, RESP 714.756/SP e RESP 429.868/SC).

Trata-se de penalidade ultrapassada e totalmente desproporcional nos dias atuais

Assim, tendo em vista o acima, quer nos parecer que seria inaplicável para tal penalidade as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN).

Estando superada a discussão a respeito da não aplicabilidade das disposições do CTN, passamos em seguida à análise da questão da retroatividade benigna, no que se refere à multa aplicada em razão da ausência de licença de importação.

É bem verdade que, quando a Constituição Federal de 1988 (CF) disciplinou a retroatividade benigna, levou em conta somente a esfera penal, conforme se infere da redação do artigo 5º, XL - "a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu".

Mesmo assim, entendemos que, em se tratando de sanção de caráter administrativo, afigura-se cabível a analogia, concedendo-se efeito retroativo às novas regras, quando mais benéficas ao sujeito atingido pela penalidade. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes do Poder Judiciário (Apelação Cível nº 2002.70.03.0057205/PR, TRF-4; Apelação Cível nº 1.0024.06.1969648/ 001(1), TJ-MG; Acórdão nº 440, TER-RO, Rel. Élcio Arruda; e Agravo nº 1.0024.07.4490731/ 001(1), TJ-MG).

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) também referendou este entendimento por meio do acórdão 3202-000.398, com a ementa: Falta de licenciamento não automático. Multa por falta de licenciamento automático. Não é cabível a aplicação da multa por falta de licenciamento automático (LI), porque atualmente este se encontra dispensado, devendo ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte, a qual não mais exige licença de importação condicionada a prévio exame e anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Por fim, lembramos que os tribunais superiores (REsp 1.222.263/PR e AgRg no Ag 570.621/RS) e o próprio Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 1997, também mitigaram a aplicação da penalidade em questão ao dispor que não constitui infração administrativa ao controle das importações a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Siscomex, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.
Fonte : Valor Econômico
Data : 21/08/2014

RÚSSIA E DEMANDA INTERNA PRESSIONAM CARNES
Publicado em 08/22/2014 as 01:55 PM

O apetite russo por carnes brasileiras continua colocando pressão nos preços internos. As carnes de boi, de suíno e de frango voltaram a subir nesta semana no mercado paulista.

Agora que os alimentos começam a dar sinais de desaquecimento nos índices de inflação, as carnes poderão voltar a pressionar.

A alta ocorre, no entanto, não só pela pressão russa como por um aumento interno de demanda, de acordo com analistas de mercado.

Um dos destaques nessa escalada de preços é a carne suína, que tem a Rússia como o maior importador do produto brasileiro.

A cotação da carne suína disparou e atingiu patamares nunca antes registrados, ao ser negociada por até R$ 87 por arroba em São Paulo.

Na média, os preços ficaram em R$ 84,8, conforme pesquisa diária feita pela Folha. Ao registrar esse valor médio, a arroba teve evolução de 7% no dia e os preços atuais superaram em 36% os de de há um ano.

A liberação de mais frigoríficos aptos a exportar carne bovina para a Rússia dá sustentação, também, à arroba do boi. Nesta quarta-feira (20), a arroba subiu para R$ 126, alta de 1%.

Os preços atuais do boi superam em 24% os de agosto de 2013. Segundo a consultoria Informa Economics FNP, à medida que avança a entressafra, a oferta de animais prontos para abate continua mais restrita.

O preço do frango, a exemplo das outras carnes, também está em alta. O quilo de ave viva, que era negociado a R$ 2,20 há um mês nas granjas de São Paulo, está em R$ 2,50 nesta semana, uma alta de 14% no período.

A elevação de preços poderá aliviar as contas dos produtores. Os custos diminuíram, com a queda de preços internacionais das commodities, e a demanda externa por carnes é forte no setor.

Essa valorização ocorre, no entanto, depois de um período de preços baixos nos preços das carnes. O valor do frango, negociado a R$ 2,15 em maio, só obteve recuperação de forma mais acentuada a partir deste mês.

O mesmo ocorre com o setor de suínos, cuja arroba saiu de R$ 66 em maio para atingir o patamar atual. O preço de R$ 70 só foi atingido no final de junho. Já o boi ganhou R$ 6 por arroba desde maio.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 21/08/2014

CITRICULTORES APOSTAM EM SUCO INTEGRAL E LARANJAS DESCASCADAS PARA FREAR CRISE
Publicado em 08/22/2014 as 01:50 PM

Suco integral sem conservante e laranjas já descascadas são as apostas de pequenos produtores do interior de São Paulo para enfrentar a crise da citricultura, que atinge sobretudo a agricultura familiar com safras elevadas, avanço de doenças nos pomares e perda de renda.

A Cooperfam (Cooperativa Familiar) de Bebedouro lançou neste mês seu suco de laranja após os cooperados desistiram de fornecer laranjas às grandes indústrias por causa da baixa remuneração.




Integral, sem adição de açúcar e conservante, o suco é vendido em embalagem longa vida e tem como apelo o selo da agricultura familiar, criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Encontrado hoje só no shopping rural de Bebedouro, o suco é objeto de planos de expansão. Entre eles, está a ideia de vendê-lo com a laranja descascada para prefeituras e Estados incluírem na merenda escolar e em refeições de presídios.

O produtor Arnaldo Hernandez serve suco das laranjas de seu pomar em Bebedouro (SP)

Segundo o presidente da Cooperfam, Claudionor Gianello, o processo da laranja descascada é feito por uma empresa terceirizada e ocorre em atmosfera controlada e estéril. A fruta é embalada a vácuo e mantida em uma temperatura de até 5º C para que possa durar até 15 dias.

"Via cooperativa conseguimos receber até R$ 11 por caixa de laranja", disse o cooperado Arnaldo Hernandez, 63.

Em 2013, ele chegou a vender a caixa a R$ 2. Já em 2012, a produção nem foi vendida, porque o valor pago pela indústria não compensava –o ideal é o valor da caixa superar R$ 17,50, diz o presidente da Associtrus (associação dos citricultores), Flávio Viegas.
Há iniciativas similares, como a da Coagrosol, de Itápolis, criada em 2000. Seu principal produto é o suco integral Direto da Fruta, que visa exportação mas também é vendido no mercado interno.

Os 360 produtores da Coagrosol também têm alcançado o preço R$ 11 por caixa. Segundo o vice-presidente da associação, Ronaldo Vicentin, a estimativa é que em três anos consigam superar o valor do custo de produção.

"Agregar valor ao produto é uma excelente alternativa para o pequeno produtor", disse o diretor-executivo da Citrus BR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), Ibiapaba Netto.

Os citricultores aguardam a avaliação do governo federal de um pedido de isenção de impostos na produção de sucos integrais, o que reduziria o preço ao consumidor.
Fonte : Folha de São Paulo
Data : 21/08/2014

EMPRESA DE FERTILIZANTES INVESTE NA CONSTRUÇÃO DE FÁBRICA EM UBERABA
Publicado em 08/22/2014 as 01:50 PM

A Ubyfol, empresa nacional de fertilizantes, vai construir uma fábrica em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde a companhia já tem uma unidade em operação.

Com investimento de aproximadamente R$ 150 milhões, a planta fornecerá materiais como sulfatos e cloretos, que são utilizados na composição de fertilizantes.

"Hoje, nós compramos esses insumos de outras empresas. Cerca de 70% deles vêm de fora, principalmente da China", diz o diretor-executivo, Fabrício Fonseca Simões.

"Com a fabricação da matéria-prima, vamos reduzir a dependência dos produtos importados e, com isso, também diminuir os custos."

Os nutrientes agrícolas feitos pelo grupo são utilizados sobretudo nas culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, algodão e feijão.